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<name>Su</name>
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<title mode="escaped" type="text/html">Em carta a alunos, Chaui explica seu sil&amp;ecirc;ncio</title>
<content mode="escaped" type="text/html" xml:base="http://www.gutierrez.pro.br/textos/" xml:space="preserve">&lt;div align="justify"&gt;publicado na &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u72595.shtml" target="_blank"&gt;Folha de S&amp;atilde;o Paulo&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fil&amp;oacute;sofa Marilena Chaui, 63, endere&amp;ccedil;ou a alunos da USP, onde leciona, uma carta na qual d&amp;aacute; satisfa&amp;ccedil;&amp;otilde;es a respeito de seu comportamento diante do esc&amp;acirc;ndalo do "mensal&amp;atilde;o". Segundo Chaui, o "sil&amp;ecirc;ncio" que a ela se atribui &amp;eacute; uma "constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o" dos meios de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o, os quais ela critica, enumerando as raz&amp;otilde;es que a fizeram encerrar sua "manifesta&amp;ccedil;&amp;atilde;o p&amp;uacute;blica por meio da imprensa". Chaui diz que decidiu escrever a carta porque soube, por colegas, da "perplexidade" de alunos com sua atitude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carta data de 31 de agosto. &amp;Eacute;, portanto, anterior &amp;agrave; participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o da fil&amp;oacute;sofa num debate sobre a "refunda&amp;ccedil;&amp;atilde;o do PT", realizado em S&amp;atilde;o Paulo no &amp;uacute;ltimo dia 12. Nele, Chaui afirmou que o partido foi o grande respons&amp;aacute;vel pela constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o da democracia no pa&amp;iacute;s e, por isso, seria v&amp;iacute;tima de "&amp;oacute;dio" in&amp;eacute;dito da direita. Concluiu ent&amp;atilde;o com o grito de guerra "No pasar&amp;aacute;n!" --usado pelos comunistas espanh&amp;oacute;is nos anos 30, contra a escalada fascista. A fala de Chaui, registrada pela Folha, dividiu opini&amp;otilde;es dentro e fora do PT.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A professora j&amp;aacute; havia provocado controv&amp;eacute;rsias no m&amp;ecirc;s passado, quando disse no ciclo de debates sobre "O Sil&amp;ecirc;ncio dos Intelectuais" que n&amp;atilde;o comentaria a crise do governo Lula porque, entre outras coisas, n&amp;atilde;o dispunha de conhecimentos suficientes sobre o que estava acontecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carta da fil&amp;oacute;sofa, que a Folha reproduz abaixo na &amp;iacute;ntegra, est&amp;aacute; circulando pela internet no ambiente acad&amp;ecirc;mico. Nela, Chaui diz que "a m&amp;iacute;dia est&amp;aacute; enviando a seguinte mensagem: 'Somos onipotentes e fazemos seu sil&amp;ecirc;ncio falar. Portanto, fale de uma vez!'".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al&amp;eacute;m de criticar a imprensa e jornalistas, sem no entanto nome&amp;aacute;-los, Chaui mobiliza pensadores de sua predile&amp;ccedil;&amp;atilde;o, como Merleau-Ponty e La Bo&amp;eacute;tie, para sustentar a tese de que n&amp;atilde;o se submeter&amp;aacute; &amp;agrave; "vontade dos dominadores", isto &amp;eacute;, da m&amp;iacute;dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filiada ao PT desde os anos 80, do qual se tornou uma das principais ide&amp;oacute;logas, Chaui foi secret&amp;aacute;ria da Cultura na gest&amp;atilde;o de Luiza Erundina (1989-1992). Suas teoriza&amp;ccedil;&amp;otilde;es sobre a democracia, influenciadas pelo pensador e amigo franc&amp;ecirc;s Claude Lefort, tiveram forte impacto na forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o do partido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;Leia a &amp;iacute;ntegra da carta&lt;/u&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Prezados alunos,&lt;br /&gt;soube, por alguns colegas professores, que muitos de voc&amp;ecirc;s est&amp;atilde;o intrigados ou perplexos com meu suposto 'sil&amp;ecirc;ncio'. Digo suposto porque, como lhes mostrarei a seguir, essa imagem foi constru&amp;iacute;da pelos meios de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o, particularmente pela imprensa. Na verdade, tenho falado bastante em v&amp;aacute;rios grupos de discuss&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica que se formaram pelo pa&amp;iacute;s, mas tenho evitado a m&amp;iacute;dia e vou lhes dizer os motivos. Antes de faz&amp;ecirc;-lo, por&amp;eacute;m, quero fazer algumas observa&amp;ccedil;&amp;otilde;es gerais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Voc&amp;ecirc;s devem estar lembrados de que, durante o segundo turno das elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es presidenciais, a m&amp;iacute;dia (imprensa, r&amp;aacute;dio e televis&amp;atilde;o) afirmava que Lula n&amp;atilde;o iria poder governar por causa dos radicais do PT, isto &amp;eacute;, pessoas como Heloisa Helena, Bab&amp;aacute; e Luciana Genro. Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o acham curioso que, de meados de 2003 e sobretudo hoje, essas pessoas tenham sido transformadas pela mesma m&amp;iacute;dia em portadores da racionalidade e da &amp;eacute;tica, verdadeiros porta-vozes de um PT que foi tra&amp;iacute;do e que teria desaparecido? Como indagava o poeta: 'Mudou o mundo ou mudei eu?'. Ou dever&amp;iacute;amos indagar: a m&amp;iacute;dia &amp;eacute; vol&amp;uacute;vel ou possui interesses muito claros, instrumentalizando aqueles podem servi-los conforme soprem os ventos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Voc&amp;ecirc;s devem estar lembrados de que, desde os primeiros dias do governo Lula, uma parte da m&amp;iacute;dia, manifestando preconceito de classe, afirmava que, o presidente da Rep&amp;uacute;blica, n&amp;atilde;o tendo curso universit&amp;aacute;rio nem sabendo falar v&amp;aacute;rias l&amp;iacute;nguas, n&amp;atilde;o tinha compet&amp;ecirc;ncia para governar? Cansando dessa tecla, que n&amp;atilde;o surtia resultado, passou-se a ironizar e criticar os discursos de Lula e seus improvisos. N&amp;atilde;o tendo isso dado resultado, passou-se a falar o populismo presidencial, isto &amp;eacute;, a forma arcaica do governo. Como isso tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o deu resultado, passou-se a falar num pa&amp;iacute;s &amp;agrave; beira da crise, alguns chegando a dizer que est&amp;aacute;vamos numa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o parecida com a de mar&amp;ccedil;o de 1964 e, portanto, &amp;agrave;s v&amp;eacute;speras de um golpe de Estado! Como o golpe n&amp;atilde;o veio (ele veio agora, sob a forma de um golpe branco), passou-se a falar em crise do governo (as diverg&amp;ecirc;ncias entre Palocci e Dirceu) e em crise do PT (as diverg&amp;ecirc;ncias entre as tend&amp;ecirc;ncias).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que um dos pontos altos dessa seq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncia foi um artigo de um jornalista que dizia que, na arma do policial que matou o brasileiro em Londres, estava a impress&amp;atilde;o digital de Lula, pois n&amp;atilde;o criando empregos, for&amp;ccedil;ara a emigra&amp;ccedil;&amp;atilde;o! Al&amp;eacute;m de delirante, a afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o ocultava: a) que aquele brasileiro estava na Inglaterra h&amp;aacute; cinco anos (emigrou durante o governo FHC); b) estavam publicados os dados de crescimento do emprego no Brasil nos &amp;uacute;ltimos dois anos. Eu poderia prosseguir, mas creio ser suficiente o que mencionei para que se perceba que estamos caminhando sobre um terreno completamente minado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. As duas primeiras observa&amp;ccedil;&amp;otilde;es me conduzem a uma terceira, que julgo a mais importante. Voc&amp;ecirc;s sabem que, entre os princ&amp;iacute;pios que norteiam a vida democr&amp;aacute;tica, o direito &amp;agrave; informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; um dos mais fundamentais. De fato, na medida em que a democracia afirma a igualdade pol&amp;iacute;tica dos cidad&amp;atilde;os, afirma por isso mesmo que todos s&amp;atilde;o igualmente competentes em pol&amp;iacute;tica. Ora, essa compet&amp;ecirc;ncia cidad&amp;atilde; depende da qualidade da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o cuja aus&amp;ecirc;ncia nos torna politicamente incompetentes. Assim, esse direito democr&amp;aacute;tico &amp;eacute; insepar&amp;aacute;vel da vida republicana, ou seja, da exist&amp;ecirc;ncia do espa&amp;ccedil;o p&amp;uacute;blico das opini&amp;otilde;es. Em termos democr&amp;aacute;ticos e republicanos, a esfera da opini&amp;atilde;o p&amp;uacute;blica institui o campo p&amp;uacute;blico das discuss&amp;otilde;es, dos debates, da produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o e recep&amp;ccedil;&amp;atilde;o das informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es pelos cidad&amp;atilde;os. E um direito, como voc&amp;ecirc;s sabem, &amp;eacute; sempre universal, distinguindo-se do interesse, pois este &amp;eacute; sempre particular. Ora, qual o problema? Na sociedade capitalista, os meios de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o s&amp;atilde;o empresas privadas e, portanto, pertencem ao espa&amp;ccedil;o privado dos interesses de mercado; por conseguinte, n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o prop&amp;iacute;cios &amp;agrave; esfera p&amp;uacute;blica das opini&amp;otilde;es, colocando para os cidad&amp;atilde;os, em geral, e para os intelectuais, em particular, uma verdadeira aporia, pois operam como meio de acesso &amp;agrave; esfera p&amp;uacute;blica, mas esse meio &amp;eacute; regido por imperativos privados. Em outras palavras, estamos diante de um campo p&amp;uacute;blico de direitos regido por campos de interesses privados. E estes sempre ganham a parada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tudo o que lhes disse acima, fiz, como os demais (no mundo inteiro, ali&amp;aacute;s), uso dos meios de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o, consciente dos limites e dos problemas envolvidos neles e por eles. Exatamente por isso, hoje, voc&amp;ecirc;s perguntam por que n&amp;atilde;o os usei para discutir a dif&amp;iacute;cil conjuntura brasileira. Tenho quatro motivos principais para isso. O primeiro, &amp;eacute; de ordem estritamente pessoal. Os que fizeram meu curso no semestre passado sabem que mal pude ministr&amp;aacute;-lo em decorr&amp;ecirc;ncia do grav&amp;iacute;ssimo problema de sa&amp;uacute;de de minha m&amp;atilde;e. Aos 91 anos, minha m&amp;atilde;e, no dia 24 de fevereiro, teve um derrame cerebral hemorr&amp;aacute;gico, permaneceu em coma durante dois meses e, ao retornar &amp;agrave; consci&amp;ecirc;ncia, estava af&amp;aacute;sica, hemipl&amp;eacute;gica, com problemas renais e pulmonares. De fevereiro ao in&amp;iacute;cio de junho, permaneci no hospital, fazendo-lhe companhia durante 24 horas. Cancelei todos os meus compromissos nacionais e internacionais, n&amp;atilde;o participei das atividades do ano Brasil-Fran&amp;ccedil;a, n&amp;atilde;o compareci &amp;agrave;s reuni&amp;otilde;es do Conselho Nacional de Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o participei das reuni&amp;otilde;es mensais do grupo de discuss&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica e n&amp;atilde;o prestei aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o no que se passava no pa&amp;iacute;s. Assim, na fase inicial da crise pol&amp;iacute;tica, eu n&amp;atilde;o tinha a menor condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, nem o desejo, de me manifestar publicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo motivo foi, e &amp;eacute;, a consci&amp;ecirc;ncia da desinforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Vendo algumas sess&amp;otilde;es das CPIs e notici&amp;aacute;rios de televis&amp;atilde;o, ouvindo as r&amp;aacute;dios e lendo jornais, dava-me conta do bombardeio de not&amp;iacute;cias desencontradas, que n&amp;atilde;o permitiam formar um quadro de refer&amp;ecirc;ncia m&amp;iacute;nimo para emitir algum ju&amp;iacute;zo. Al&amp;eacute;m disso, pouco a pouco, tornava-se claro n&amp;atilde;o s&amp;oacute; que as not&amp;iacute;cias eram desencontradas, mas que tamb&amp;eacute;m eram apresentadas como surpresas di&amp;aacute;rias: o que se imaginava saber na v&amp;eacute;spera era desmentido no dia seguinte. Mas n&amp;atilde;o s&amp;oacute; isso. Era tamb&amp;eacute;m poss&amp;iacute;vel observar, sobretudo no caso dos jornais e televis&amp;otilde;es, que as manchetes ou 'chamadas' n&amp;atilde;o correspondiam exatamente ao conte&amp;uacute;do da not&amp;iacute;cia, fazendo com que se desconfiasse de ambos. A desinforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o (como disse algu&amp;eacute;m outro dia: 'da missa, n&amp;atilde;o sabemos a metade'), n&amp;atilde;o permitindo an&amp;aacute;lise e reflex&amp;atilde;o, pode levar a opini&amp;otilde;es levianas, num momento que n&amp;atilde;o &amp;eacute; leve e sim grave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al&amp;eacute;m disso, a not&amp;iacute;cia j&amp;aacute; &amp;eacute; apresentada como opini&amp;atilde;o, em lugar de permitir a forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma opini&amp;atilde;o. Por isso mesmo, a forma da not&amp;iacute;cia tornou-se assustadora, pois ind&amp;iacute;cios e suspeitas s&amp;atilde;o apresentados como evid&amp;ecirc;ncias, e, antes que haja provas, os suspeitos s&amp;atilde;o julgados culpados e condenados. Esse procedimento fere dois princ&amp;iacute;pios afirmados em 1789, na Declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos Direitos do Homem e do Cidad&amp;atilde;o, quais sejam, todo cidad&amp;atilde;o &amp;eacute; considerado inocente at&amp;eacute; prova em contr&amp;aacute;rio e ningu&amp;eacute;m poder&amp;aacute; ser condenado por suas id&amp;eacute;ias, mas somente por seus atos. Ora, voc&amp;ecirc;s conhecem o texto de Hegel [fil&amp;oacute;sofo alem&amp;atilde;o, 1770-1831], na 'Fenomenologia do Esp&amp;iacute;rito', sobre o Terror (em 1793), isto &amp;eacute;, a transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o sum&amp;aacute;ria do suspeito em culpado e sua condena&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; morte sem direito de defesa, morte efetuada sob a forma do espet&amp;aacute;culo p&amp;uacute;blico. Essa perspectiva, como voc&amp;ecirc;s tamb&amp;eacute;m sabem, &amp;eacute; tamb&amp;eacute;m desenvolvida por Arendt [Hannah Arendt, fil&amp;oacute;sofa alem&amp;atilde;, naturalizada norte-americana, 1906-1975] e Lefort [Claude Lefort, fil&amp;oacute;sofo franc&amp;ecirc;s] a respeito dos totalitarismos e seus tribunais, e para isso ambos enfatizam, na Declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o de 1789, o princ&amp;iacute;pio referente &amp;agrave; n&amp;atilde;o criminaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o das id&amp;eacute;ias, assinalando que nos regimes totalit&amp;aacute;rios a opini&amp;atilde;o dissidente &amp;eacute; tratada como crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, na presente circunst&amp;acirc;ncia brasileira, a impress&amp;atilde;o geral deixada pela m&amp;iacute;dia &amp;eacute; da mescla de espet&amp;aacute;culo e terror, tornando mais dif&amp;iacute;cil do que j&amp;aacute; era manifestar id&amp;eacute;ias e opini&amp;otilde;es nela e por meio dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu terceiro motivo ser&amp;aacute; compreendido por voc&amp;ecirc;s quando lerem os artigos de jornal que inseri no final desta carta. Um artigo foi escrito antes da posse de Lula ['Desconfian&amp;ccedil;a saud&amp;aacute;vel', na Folha, em 8.dez.2002], alertando para o risco de uma 'transi&amp;ccedil;&amp;atilde;o', isto &amp;eacute;, um acordo com o PSDB. Os outros dois foram escritos em 2004, quando do 'caso Waldomiro' [ambos na Folha: 'A disputa simb&amp;oacute;lica', em 18.fev.2004, e 'Em prol da reforma pol&amp;iacute;tica', em 11.mar.2004]. Ambos insistem na necessidade urgente da reforma pol&amp;iacute;tica. Os fatos atuais (ou o que aparece como fato) n&amp;atilde;o modificam em nada o que escrevi h&amp;aacute; quase um ano, pelo contr&amp;aacute;rio, refor&amp;ccedil;am o que havia dito e por isso n&amp;atilde;o vi raz&amp;atilde;o para voltar a escrever, pois eu escreveria algo rid&amp;iacute;culo, do tipo: 'Como j&amp;aacute; escrevi no dia tal em tal lugar...'. Ou seja, se meu segundo motivo me leva a considerar que n&amp;atilde;o h&amp;aacute; a menor condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o para opinar no varejo sobre cada fato ou not&amp;iacute;cia, o meu terceiro motivo &amp;eacute; que, no que toca ao problema de fundo, j&amp;aacute; me manifestei publicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta o quarto motivo. Aqui, h&amp;aacute; duas ordens diferentes de fatos que penso ser necess&amp;aacute;rio apresentar. A primeira, se refere ao ciclo 'O Sil&amp;ecirc;ncio dos Intelectuais'; a segunda, &amp;agrave; atitude da m&amp;iacute;dia. H&amp;aacute; 20 anos, Adauto Novais organiza anualmente ciclos internacionais de confer&amp;ecirc;ncias e debates sobre temas atuais. Sempre com um ano de anteced&amp;ecirc;ncia, Adauto se re&amp;uacute;ne com alguns amigos para discutir e decidir o tema do ciclo. Participo desse grupo de discuss&amp;atilde;o. Em abril de 2004, quando nos reunimos para decidir o ciclo de 2005, alguns membros do grupo (entre os quais, eu) preparavam-se para um col&amp;oacute;quio, na Fran&amp;ccedil;a, cujo tema era 'Fim da Pol&amp;iacute;tica?', outros iam participar de um semin&amp;aacute;rio, nos Estados Unidos, sobre o enclausuramento dos intelectuais nas universidades e centros de pesquisa, e outros iniciavam os preparativos para a comemora&amp;ccedil;&amp;atilde;o do centen&amp;aacute;rio de Sartre, s&amp;iacute;mbolo do engajamento pol&amp;iacute;tico dos intelectuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ambiente, acabamos propondo que o ciclo discutisse a figura contempor&amp;acirc;nea do intelectual e Adauto prop&amp;ocirc;s como t&amp;iacute;tulo 'O Sil&amp;ecirc;ncio dos Intelectuais'. Uma vez feitos os convites nacionais e internacionais aos conferencistas, recebidas as ementas e organizada a infra-estrutura, Adauto fez o que sempre faz: com muitos meses de anteced&amp;ecirc;ncia, conversou com jornalistas, passou-lhes as ementas, explicou o sentido e a finalidade do ciclo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, no in&amp;iacute;cio de 2005, a imprensa tinha conhecimento do ciclo e de seu t&amp;iacute;tulo. E eis que, de repente, n&amp;atilde;o mais que de repente, durante a crise pol&amp;iacute;tica, alguns falaram do 'Sil&amp;ecirc;ncio dos Intelectuais', referindo-se aos intelectuais petistas! Curiosa escolha de t&amp;iacute;tulo para uma mat&amp;eacute;ria jornal&amp;iacute;stica... ['O sil&amp;ecirc;ncio dos inocentes', reportagem da Folha em 19.jun.2005] Veio assim, sem mais nem menos, por pura inspira&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Mais curiosa ainda foi essa escolha, se se considerar que, ao longo de 2005, praticamente todos os intelectuais petistas (talvez com exce&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Antonio Candido e de mim) se manifestaram em artigos, entrevistas, programas de r&amp;aacute;dio e de televis&amp;atilde;o!!! Onde o sil&amp;ecirc;ncio? Como eu lhes disse, not&amp;iacute;cias s&amp;atilde;o produzidas sem ou contra os fatos. E com as not&amp;iacute;cias vieram as vers&amp;otilde;es e opini&amp;otilde;es, os julgamentos sum&amp;aacute;rios e as desqualifica&amp;ccedil;&amp;otilde;es p&amp;uacute;blicas, culminando no tratamento dado ao ciclo, quando este se iniciou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A m&amp;iacute;dia decidiu que o ciclo se referia aos intelectuais petistas, apesar de saber que fora pensado em 2004, de ler as ementas, de haver participantes que n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o petistas, para nem falar dos conferencistas estrangeiros. O ciclo virou espet&amp;aacute;culo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma revista afirmou que, entre os patrocinadores (Minc, Petrobras e Sesc), estavam faltando os Correios. Uma outra afirmou que os participantes eram intelectuais do tipo 'porquinho pr&amp;aacute;tico' (n&amp;atilde;o explicou o que isso queria dizer). Um jornal colocou a not&amp;iacute;cia da primeira confer&amp;ecirc;ncia (a minha) no caderno de pol&amp;iacute;tica, sob a rubrica 'Esc&amp;acirc;ndalo do Mensal&amp;atilde;o', com direito a foto etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda ordem de fatos est&amp;aacute; diretamente relacionada comigo. Quando publiquei o artigo sobre o 'caso Waldomiro', um jornalista escreveu uma coluna na qual me dirigiu todo tipo de improp&amp;eacute;rios e usou express&amp;otilde;es e adjetivos com que me desqualificava como pessoa, mulher, escritora, professora e intelectual engajada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o respondi. Apenas escrevi o segundo artigo, sobre a reforma pol&amp;iacute;tica, e dei por encerrada minha interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o p&amp;uacute;blica por meio da imprensa. A partir de ent&amp;atilde;o, al&amp;eacute;m de n&amp;atilde;o publicar artigos em jornais, decidi n&amp;atilde;o dar entrevistas a jornais, r&amp;aacute;dios e televis&amp;otilde;es (dei entrevistas quando tomei posse no Conselho Nacional de Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o porque julgo que, numa Rep&amp;uacute;blica, algu&amp;eacute;m indicado para um posto p&amp;uacute;blico precisa prestar contas do que faz, mesmo que os meios dispon&amp;iacute;veis para isso n&amp;atilde;o sejam os que escolher&amp;iacute;amos). A seguir, veio a doen&amp;ccedil;a de minha m&amp;atilde;e e, depois, a crise pol&amp;iacute;tica como espet&amp;aacute;culo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, paradoxalmente, n&amp;atilde;o fiquei fora da m&amp;iacute;dia: houve, por parte de jornais, revistas, r&amp;aacute;dios e televis&amp;otilde;es, solicita&amp;ccedil;&amp;otilde;es di&amp;aacute;rias de entrevistas e de artigos; a mat&amp;eacute;ria jornal&amp;iacute;stica 'O sil&amp;ecirc;ncio dos Intelectuais', n&amp;atilde;o tendo obtido entrevista minha, citava trechos de meus antigos artigos de jornal; mat&amp;eacute;rias jornal&amp;iacute;sticas sobre o PT e sobre os intelectuais petistas traziam, via de regra, uma foto minha, mesmo que nada houvesse sobre mim na not&amp;iacute;cia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, quando se iniciou o ciclo sobre o sil&amp;ecirc;ncio dos intelectuais, um jornal estampou minha foto, colocou em mai&amp;uacute;sculas N&amp;Atilde;O FALO (resposta que dei a um jornalista que queria uma entrevista quando da reuni&amp;atilde;o dos intelectuais petistas com Tarso Genro, em S&amp;atilde;o Paulo) e o colunista conclu&amp;iacute;a a mat&amp;eacute;ria dizendo que o sil&amp;ecirc;ncio dos intelectuais petistas era, na verdade, o sil&amp;ecirc;ncio de Marilena Chaui, o qual seria rompido com a confer&amp;ecirc;ncia ['Ciclo exp&amp;otilde;e mal-estar e sil&amp;ecirc;ncio da academia', reportagem da Folha em 21/08/2005].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resultado: jornais e revistas, com fotos minhas, n&amp;atilde;o deram uma linha sequer sobre a confer&amp;ecirc;ncia, mas pin&amp;ccedil;aram trechos dos debates, sem mencionar as perguntas nem dar por inteiro as respostas e seu contexto, transformando em discurso meu um discurso que n&amp;atilde;o proferi tal como apresentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E entrevistaram tucanos (at&amp;eacute; as vestais da Rep&amp;uacute;blica, &amp;Aacute;lvaro Dias e Artur Virg&amp;iacute;lio!!!), pedindo opini&amp;atilde;o sobre o que decidiram dizer que eu disse! E os entrevistados opinaram!!! Num jornal do Rio de Janeiro e num de S&amp;atilde;o Paulo, FHC disse uma p&amp;eacute;rola, declarando que por n&amp;atilde;o entender de Espinosa, n&amp;atilde;o fala nem escreve sobre ele e que eu, como n&amp;atilde;o entendo de pol&amp;iacute;tica, n&amp;atilde;o deveria falar sobre o assunto. Como voc&amp;ecirc;s podem notar, o princ&amp;iacute;pio democr&amp;aacute;tico, segundo o qual todos os cidad&amp;atilde;os s&amp;atilde;o politicamente competentes, foi jogado no lixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual &amp;eacute; o sentido disso? Deixo de lado o fato de ser mulher, intelectual e petista (embora isso conte muit&amp;iacute;ssimo), para considerar apenas o n&amp;uacute;cleo da rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o estabelecida comigo. A m&amp;iacute;dia est&amp;aacute; enviando a seguinte mensagem: 'Somos onipotentes e fazemos seu sil&amp;ecirc;ncio falar. Portanto, fale de uma vez!' &amp;Eacute; uma ordem, uma imposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o do mais forte ao mais fraco. N&amp;atilde;o &amp;eacute; uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de poder e sim de for&amp;ccedil;a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voc&amp;ecirc;s sabem que a diferen&amp;ccedil;a entre a ordem humana, a ordem f&amp;iacute;sica e a ordem biol&amp;oacute;gica (para usar express&amp;otilde;es de Merleau-Ponty [fil&amp;oacute;sofo franc&amp;ecirc;s, 1908-1961]) decorre do fato de que as duas &amp;uacute;ltimas s&amp;atilde;o ordens de presen&amp;ccedil;a enquanto a primeira opera com a aus&amp;ecirc;ncia. As leis f&amp;iacute;sicas se referem &amp;agrave;s rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es atuais entre coisas; as normas biol&amp;oacute;gicas se referem ao comportamento adaptativo com que o organismo se relaciona com o que lhe &amp;eacute; presente; mas a ordem humana &amp;eacute; a do simb&amp;oacute;lico, ou seja, da capacidade para relacionar-se com o ausente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;Eacute; o mundo do trabalho, da hist&amp;oacute;ria e da linguagem. Somos humanos porque o trabalho nega a imediateza da coisa natural, porque a consci&amp;ecirc;ncia da temporalidade nos abre para o que n&amp;atilde;o &amp;eacute; mais (o passado) e para o que ainda n&amp;atilde;o &amp;eacute; (o futuro), e porque a linguagem, pot&amp;ecirc;ncia para presentificar o ausente, ergue-se contra nossa viol&amp;ecirc;ncia animal e o uso da for&amp;ccedil;a, inaugurando a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o outro como intersubjetividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num bel&amp;iacute;ssimo ensaio sobre 'A Experi&amp;ecirc;ncia Limite', Blanchot [Maurice Blanchot, escritor e cr&amp;iacute;tico franc&amp;ecirc;s, 1907-2003] marca o lugar preciso em que emerge a viol&amp;ecirc;ncia na tortura de um ser humano. A viol&amp;ecirc;ncia n&amp;atilde;o est&amp;aacute; apenas nos supl&amp;iacute;cios f&amp;iacute;sicos e ps&amp;iacute;quicos a que &amp;eacute; submetido o torturado; muito mais profundamente ela se encontra no fato horrendo de que o torturador quer for&amp;ccedil;ar o torturado a lhe dar o dom mais precioso de sua condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o humana: uma palavra verdadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;N&amp;Atilde;O FALO&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voc&amp;ecirc;s j&amp;aacute; leram La Bo&amp;eacute;tie [&amp;Eacute;tienne de la Bo&amp;eacute;tie, fil&amp;oacute;sofo franc&amp;ecirc;s, 1530-1563, amigo do fil&amp;oacute;sofo Michel de Montaigne]. Sabem que a servid&amp;atilde;o volunt&amp;aacute;ria &amp;eacute; o desejo de servir os superiores para ser servido pelos inferiores. &amp;Eacute; uma teia de rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es de for&amp;ccedil;a, que percorrem verticalmente a sociedade sob a forma do mando e da obedi&amp;ecirc;ncia. Mas voc&amp;ecirc;s se lembram tamb&amp;eacute;m do que diz La Bo&amp;eacute;tie da luta contra a servid&amp;atilde;o volunt&amp;aacute;ria: n&amp;atilde;o &amp;eacute; preciso tirar coisa alguma do dominador; basta n&amp;atilde;o lhe dar o que ele pede. N&amp;Atilde;O FALO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A liberdade n&amp;atilde;o &amp;eacute; uma escolha entre v&amp;aacute;rios poss&amp;iacute;veis, mas a fortaleza do &amp;acirc;nimo para n&amp;atilde;o ser determinado por for&amp;ccedil;as externas e a pot&amp;ecirc;ncia interior para determinar-se a si mesmo. A liberdade, recusa da heteronomia, &amp;eacute; autonomia. Falarei quando minha liberdade determinar que &amp;eacute; chegada a hora a vez de falar." (Marilena Chaui)&lt;/div&gt;</content>
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<content mode="escaped" type="text/html" xml:base="http://www.gutierrez.pro.br/textos/" xml:space="preserve">&lt;div align="justify"&gt;&lt;i&gt;A Electronic Frontier Foundation, defensora dos direitos civis na internet, publicou um guia jur&amp;iacute;dico para que os escritores de blogs evitem ciladas e fujam de encrencas legais.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Paulo Reb&amp;ecirc;lo&lt;/b&gt;, com &lt;a href="http://www.folhape.com.br/" target="_blank"&gt;Folha de Pernambuco&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A popularidade dos blogs continua a ser uma faca de dois gumes. Enquanto a audi&amp;ecirc;ncia dos di&amp;aacute;rios pessoais e profissionais cresce, tamb&amp;eacute;m aumenta a press&amp;atilde;o judicial sobre as difama&amp;ccedil;&amp;otilde;es e cal&amp;uacute;nias publicadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ajudar os blogueiros a manter a voz independente na Rede, a Electronic Frontier Foundation (EFF) acaba de lan&amp;ccedil;ar um guia jur&amp;iacute;dico para escrever em blogs. Por enquanto, o material trata apenas das leis vigentes nos Estados Unidos, mas o usu&amp;aacute;rio brasileiro j&amp;aacute; pode ir se acostumando a certas dicas e legisla&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com advogados consultados, a maioria dos pontos &amp;eacute; aplic&amp;aacute;vel ao Brasil. Por aqui, h&amp;aacute; casos not&amp;oacute;rios de blogueiros que foram processados. O assunto j&amp;aacute; foi abordado em detalhes em outras mat&amp;eacute;rias &amp;#8211; veja ao lado &amp;#8211; incluindo dicas de especialistas e advogados sobre como evitar confus&amp;otilde;es jur&amp;iacute;dicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A EFF, por outro lado, &amp;eacute; a maior defensora dos direitos civis na internet, comumente se posicionando contra as press&amp;otilde;es das grandes empresas contra os usu&amp;aacute;rios. O guia &amp;eacute; dividido em se&amp;ccedil;&amp;otilde;es de perguntas e respostas (FAQs) e aborda ainda no&amp;ccedil;&amp;otilde;es gerais sobre os problemas que um simples coment&amp;aacute;rio pode causar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem gosta de citar outras pessoas, vale a pena conferir a se&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre propriedade intelectual e viola&amp;ccedil;&amp;atilde;o de copyright. De acordo com Patr&amp;iacute;cia Peck, advogada especialista em direito digital, mesmo as novas formas de express&amp;atilde;o e linguagem surgidas com a internet devem estar adequadas aos princ&amp;iacute;pios gerais do Direito, a fim de que uma divers&amp;atilde;o ou passatempo n&amp;atilde;o se transforme em boletim de ocorr&amp;ecirc;ncia ou a&amp;ccedil;&amp;atilde;o judicial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se recebo um e-mail que diz que algu&amp;eacute;m &amp;eacute; isso ou aquilo, ou fez algo que n&amp;atilde;o sei se &amp;eacute; verdadeiro, e passo adiante, passo tamb&amp;eacute;m a assumir a responsabilidade por poss&amp;iacute;vel dano moral ou material. Posso at&amp;eacute; mesmo estar cometendo um crime, onde o mais comum &amp;eacute; o de difama&amp;ccedil;&amp;atilde;o, previsto no C&amp;oacute;digo Penal Brasileiro, art. 139. Isso n&amp;atilde;o &amp;eacute; liberdade de express&amp;atilde;o, &amp;eacute; infra&amp;ccedil;&amp;atilde;o", explica Peck.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;25/06/2005 13:49&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Aspectos legais de blogs, comunidades e boatos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espalhar um boato eletr&amp;ocirc;nico em blog ou lista de discuss&amp;atilde;o pode dar encrenca feia, sabia? Veja o que voc&amp;ecirc; pode e deve fazer para n&amp;atilde;o correr nenhum risco de prejudicar terceiros e ainda ser punido legalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Patricia Peck&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na era da internet, cada vez mais temos ampliado o poder do indiv&amp;iacute;duo, que est&amp;aacute; capacitado atrav&amp;eacute;s da tecnologia a ser e estar em qualquer lugar a qualquer tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as novas formas de express&amp;atilde;o e linguagem surgidas com os blogs e comunidades virtuais devem estar adequadas aos princ&amp;iacute;pios gerais do Direito &amp;agrave;s boas pr&amp;aacute;ticas legais &amp;#8211; para que algo que deveria ser uma divers&amp;atilde;o, uma opini&amp;atilde;o ou uma comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o se transforme em um Boletim de Ocorr&amp;ecirc;ncia ou a&amp;ccedil;&amp;atilde;o judicial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiramente, o que &amp;eacute; um boato eletr&amp;ocirc;nico? Boato vem do latim boatu, que significa mugido de boi, ou seja, pode indicar porque as pessoas s&amp;atilde;o t&amp;atilde;o suscept&amp;iacute;veis em acreditar em situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es inveross&amp;iacute;meis, sem o necess&amp;aacute;rio esp&amp;iacute;rito cr&amp;iacute;tico, atendendo ao &amp;#8220;chamado da boiada&amp;#8221; literalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conhecida f&amp;oacute;rmula do boato diz que ele &amp;eacute; igual &amp;agrave; import&amp;acirc;ncia da not&amp;iacute;cia vezes sua ambig&amp;uuml;idade. Por n&amp;atilde;o ser um fato pass&amp;iacute;vel de ser comprovado de imediato, geralmente o boato tem sua virul&amp;ecirc;ncia em raz&amp;atilde;o de ser algo importante para quem ouve e, ao mesmo tempo, amb&amp;iacute;guo o suficiente para que seja aceito como verdadeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As leis tratam de condutas, n&amp;atilde;o importa se f&amp;iacute;sicas, orais ou eletr&amp;ocirc;nicas. Ou seja, valem as regras para qualquer meio, inclusive para a internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se recebo um e-mail que diz que algu&amp;eacute;m &amp;eacute; isso ou aquilo, ou fez algo que n&amp;atilde;o sei se &amp;eacute; verdadeiro, e passo adiante, passo tamb&amp;eacute;m a assumir a responsabilidade por poss&amp;iacute;vel dano moral ou material. Posso at&amp;eacute; mesmo estar cometendo um crime, onde o mais comum &amp;eacute; o de difama&amp;ccedil;&amp;atilde;o, previsto no C&amp;oacute;digo Penal Brasileiro, art. 139. Isso n&amp;atilde;o &amp;eacute; liberdade de express&amp;atilde;o, &amp;eacute; infra&amp;ccedil;&amp;atilde;o!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;Eacute; preciso ter especial aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o com uso de imagens, quest&amp;atilde;o relacionada ao direito &amp;agrave; privacidade, protegido pela Constitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o Federal de 1988.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; inser&amp;ccedil;&amp;atilde;o de textos ou conte&amp;uacute;dos por terceiros, uma vez que o propriet&amp;aacute;rio do blog ou comunidade &amp;eacute; respons&amp;aacute;vel por aquilo que &amp;eacute; publicado em sua p&amp;aacute;gina. A informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o deve ser retirada do ar ao menor ind&amp;iacute;cio ou notifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que possa gerar les&amp;atilde;o a algu&amp;eacute;m, ou ser falsa, ou ser contra os bons costumes, sob pena de ser considerada co-autoria. Tudo o que est&amp;aacute; online &amp;eacute; uma evid&amp;ecirc;ncia, uma poss&amp;iacute;vel prova que pode ser usada contra a pessoa. H&amp;aacute; coisas na vida que devemos apenas pensar, outras falar, outras escrever, outras publicar na internet. Portanto, seguem algumas dicas para quem quer navegar sem riscos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;bull; Antes de criar um blog, leia atentamente os Termos de Uso e a Pol&amp;iacute;tica de Privacidade do servi&amp;ccedil;o escolhido. Somente proceda com o cadastro se a proposta do blog se enquadrar nas regras estabelecidas pelo ofertante do servi&amp;ccedil;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;bull; D&amp;ecirc; sempre o cr&amp;eacute;dito de fotos e textos, &amp;aacute;udios e v&amp;iacute;deos, mesmo que os autores sejam &amp;#8220;an&amp;ocirc;nimos&amp;#8221; ou &amp;#8220;desconhecidos&amp;#8221;. &amp;Eacute; fundamental fazer a cita&amp;ccedil;&amp;atilde;o da fonte ou do autor para se evitar infringir a Lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;bull; Se n&amp;atilde;o for poss&amp;iacute;vel obter a autoriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o pr&amp;eacute;via do autor para publica&amp;ccedil;&amp;atilde;o na internet do conte&amp;uacute;do, ent&amp;atilde;o deve-se limitar a disponibilizar at&amp;eacute; 1/4 da obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;bull; Nunca publicar no blog boatos eletr&amp;ocirc;nicos nem textos que possam ser ofensivos, pois pode configurar crime de difama&amp;ccedil;&amp;atilde;o ou cal&amp;uacute;nia, al&amp;eacute;m de responsabilidade civil. &amp;Eacute; importante apurar a veracidade dos fatos antes de divulg&amp;aacute;-los, pois a pessoa passa a assumir o conte&amp;uacute;do que publica, mesmo que seja de terceiros. Consulte sites especializados como o E-farsas, que desvenda as hist&amp;oacute;rias que circulam pela rede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;bull; Nunca divulgar informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es confidenciais da empresa em que o dono do blog ou do coment&amp;aacute;rio trabalha. Pedir sempre autoriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o para falar em nome de seus empregadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;bull; Nunca divulgar banners para sites pornogr&amp;aacute;ficos, sob pena de favorecimento &amp;agrave; prostitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;bull; N&amp;atilde;o publicar imagens que possam configurar atos obscenos, pois &amp;eacute; crime. Nem &amp;#8220;aquele dedo&amp;#8221;, nem mesmo sendo o seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;bull; Somente publicar fotografias com uma condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o: com autoriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do fot&amp;oacute;grafo e das pessoas que aparecem na imagem. As imagens n&amp;atilde;o podem sem nem obscenas e nem ofensivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;bull; N&amp;atilde;o criar blogs ensinando a fazer liga&amp;ccedil;&amp;otilde;es clandestinas de servi&amp;ccedil;os, c&amp;oacute;pias ilegais de produtos ou qualquer outro ato il&amp;iacute;cito. Isso configura apologia ao crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;bull; N&amp;atilde;o utilizar termos que possam ser considerados racistas, criticando algu&amp;eacute;m por causa de sua cor, pois &amp;eacute; um crime muito grave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;bull; Usar somente logomarca e nome de empresas mediante autoriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do titular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;bull; N&amp;atilde;o monte sites ou blogs com nome de outras pessoas, nem com conte&amp;uacute;dos prejudiciais a ela, pois pode gerar um processo de indeniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o por danos morais e materiais e tamb&amp;eacute;m processo criminal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;bull; N&amp;atilde;o se passar por outra pessoa, divulgado seus dados e informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es (verdadeiras ou n&amp;atilde;o) sobre sua vida. Isso configura crime de falsa identidade ou de inser&amp;ccedil;&amp;atilde;o de dados falsos em sistema de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;bull; Comunicar a empresa que hospeda o blog quando algum usu&amp;aacute;rio postar coment&amp;aacute;rios ilegais ou que v&amp;atilde;o de encontro aos termos de uso do servi&amp;ccedil;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;bull; Se voc&amp;ecirc; &amp;eacute; o respons&amp;aacute;vel e titular pelo blog, fotolog ou comunidade, e receber uma notifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que algum conte&amp;uacute;do publicado &amp;eacute; ofensivo, ou fere direitos de terceiros, retire imediatamente do ar, para n&amp;atilde;o ser considerado co-autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;bull; N&amp;atilde;o passar para frente boatos eletr&amp;ocirc;nicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23/11/2004 23:48&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Blogs cada vez mais vistos. Por advogados&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blogs saem do underground: inj&amp;uacute;ria, difama&amp;ccedil;&amp;atilde;o e cal&amp;uacute;nia s&amp;atilde;o artigos do C&amp;oacute;digo Penal aplic&amp;aacute;veis. Autores devem ter cuidado ao usar textos de terceiros indevidamente. Bem-vindo ao mundo real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.folhape.com.br/" target="_blank"&gt;Folha de Pernambuco&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo T&amp;uacute;lio Vianna e Cynthia Sem&amp;iacute;ramis, advogados especializados em tecnologia e inform&amp;aacute;tica, autores de blogs devem ter certos cuidados e precau&amp;ccedil;&amp;otilde;es contra eventuais riscos legais (veja ao lado). T&amp;uacute;lio &amp;eacute; professor de Direito Penal da PUC Minas e doutorando em Direito pela UFPR e Cynthia &amp;eacute; mestre em Direito pela PUC-MG. Veja alguns conselhos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; O autor do blog tem o dever de cuidar da veracidade da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o que vai publicar e deve verificar sempre a origem da not&amp;iacute;cia que ser&amp;aacute; divulgada. N&amp;atilde;o divulgue boatos ou fatos n&amp;atilde;o-confirmados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; Mesmo sob pseud&amp;ocirc;nimo, o conte&amp;uacute;do do blog pode facilitar a identifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de seu autor, seja por amigos ou colegas de trabalho. Assumir um pseud&amp;ocirc;nimo exige cuidado redobrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; A Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/98) protege o direito do autor de ter seu nome associado &amp;agrave; sua obra. Sempre que o respons&amp;aacute;vel pelo blog mencionar algo que n&amp;atilde;o &amp;eacute; de sua autoria, deve indicar o nome do autor e a fonte de onde o texto foi retirado. Se a pessoa n&amp;atilde;o souber quem &amp;eacute; o autor, deve explicar que o trabalho &amp;eacute; de autoria desconhecida. N&amp;atilde;o pode haver d&amp;uacute;vidas quanto &amp;agrave; autoria de cada um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; Em hip&amp;oacute;tese alguma voc&amp;ecirc; pode alterar o texto de terceiros sem autoriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o expressa do autor, pois isso tamb&amp;eacute;m constitui infra&amp;ccedil;&amp;atilde;o prevista na Lei de Direitos Autorais. &amp;Eacute; crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cal&amp;uacute;nia, difama&amp;ccedil;&amp;atilde;o e inj&amp;uacute;ria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os chamados "crimes contra a honra" s&amp;atilde;o os mais comuns em processos judiciais contra os respons&amp;aacute;veis por sites na internet, o que inclui os blogs. S&amp;atilde;o tr&amp;ecirc;s as modalidades: cal&amp;uacute;nia, difama&amp;ccedil;&amp;atilde;o e inj&amp;uacute;ria. Entenda as situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es previstas em lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; A cal&amp;uacute;nia (art. 138 do C&amp;oacute;digo Penal) &amp;eacute; a imputa&amp;ccedil;&amp;atilde;o (atribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o, dedu&amp;ccedil;&amp;atilde;o) falsa de um fato criminoso a algu&amp;eacute;m. &amp;Eacute; necess&amp;aacute;ria a descri&amp;ccedil;&amp;atilde;o do falso crime. Ex.: um coment&amp;aacute;rio em que o autor afirma que viu Fulano roubando livros da biblioteca na noite anterior &amp;eacute; uma cal&amp;uacute;nia. Mas o uso de express&amp;otilde;es como "ladr&amp;atilde;o", "bandido", "corrupto" etc. caracteriza a inj&amp;uacute;ria, n&amp;atilde;o a cal&amp;uacute;nia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; A inj&amp;uacute;ria (art. 140 do C&amp;oacute;digo Penal) &amp;eacute; qualquer ofensa &amp;agrave; dignidade de algu&amp;eacute;m. Na inj&amp;uacute;ria, ao contr&amp;aacute;rio da cal&amp;uacute;nia ou difama&amp;ccedil;&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o se atribui um fato, mas uma opini&amp;atilde;o. O uso de palavras fortes, como "ladr&amp;atilde;o", "idiota", "corrupto" e express&amp;otilde;es de baixo cal&amp;atilde;o, em geral representa o crime. A inj&amp;uacute;ria pode fazer com que a pena seja ainda maior caso seja praticada com elementos referentes a ra&amp;ccedil;a, cor, etnia, religi&amp;atilde;o ou origem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; A difama&amp;ccedil;&amp;atilde;o (art. 139 do C&amp;oacute;digo Penal) consiste em ofender a reputa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de algu&amp;eacute;m. Ao contr&amp;aacute;rio da cal&amp;uacute;nia, aqui n&amp;atilde;o h&amp;aacute; necessidade de que os fatos sejam falsos. Ex.: um coment&amp;aacute;rio no qual o autor afirma que viu Sicrana se prostituindo na noite anterior. Mesmo que Sicrana tenha feito isso, ela pode processar o autor por difama&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Entenda a diferen&amp;ccedil;a: um coment&amp;aacute;rio dizendo que "Sicrana &amp;eacute; uma prostituta" pode configurar inj&amp;uacute;ria, enquanto a descri&amp;ccedil;&amp;atilde;o do que Sicrana estava fazendo &amp;eacute; difama&amp;ccedil;&amp;atilde;o, pois houve a descri&amp;ccedil;&amp;atilde;o do fato desonroso. Para ser processado, as ofensas precisam ser feitas contra uma v&amp;iacute;tima determinada. A afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o vaga de que "h&amp;aacute; um colega na minha sala que &amp;eacute; ladr&amp;atilde;o", sem a possibilidade de determinar a quem o autor se refere, n&amp;atilde;o configura em crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23/11/2004 00:35&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Blogueiros de l&amp;iacute;ngua afiada correm riscos legais&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autores de blogs mais chegados a posts &amp;aacute;cidos nem desconfiam que podem ser processados por empresas ou pessoas que se sentem prejudicadas. Advogados ensinam a contornar problemas deste tipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.folhape.com.br/" target="_blank"&gt;Folha de Pernambuco&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;Eacute; no blog onde muita gente exp&amp;otilde;e o que pensa sobre a vida, as pessoas e o mundo. No entanto, poucos percebem que a populariza&amp;ccedil;&amp;atilde;o excessiva tamb&amp;eacute;m pode trazer surpresas desagrad&amp;aacute;veis. Ao achar que est&amp;atilde;o livres para escrever o que pensam de forma indiscriminada, blogueiros podem correr riscos judiciais sem necessidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma empresa ou uma pessoa, ao se sentir ofendida por algo escrito no blog, pode processar o autor. As conseq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncias podem ser mais s&amp;eacute;rias, com pagamento de multas pesadas e, em situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es mais raras, at&amp;eacute; pris&amp;atilde;o. No Brasil, h&amp;aacute; v&amp;aacute;rios casos de blogueiros que se sentiram coagidos a apagar coment&amp;aacute;rios ou tirar o blog do ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cientes das d&amp;uacute;vidas sobre o assunto, T&amp;uacute;lio Vianna e Cynthia Sem&amp;iacute;ramis, advogados especializados em tecnologia e inform&amp;aacute;tica, resolveram criar uma esp&amp;eacute;cie de manual de sobreviv&amp;ecirc;ncia para ajudar donos de blogs e sites. Ele &amp;eacute; professor de Direito Penal da PUC Minas e doutorando em Direito pela UFPR. Ela &amp;eacute; mestre em Direito pela PUC-MG. Ambos s&amp;atilde;o blogueiros e acompanham de perto a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos blogs que tiveram problemas com a Justi&amp;ccedil;a brasileira. Confira a entrevista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211;Um blog pode mesmo ser retirado do ar por causa de uma ofensa? E se o autor n&amp;atilde;o se identificar e escrever de forma an&amp;ocirc;nima?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;T&amp;uacute;lio Vianna &amp;#8211; Um blog hospedado no Brasil, mesmo de forma an&amp;ocirc;nima, pode ser facilmente retirado da internet por meio de ordem judicial. &amp;Eacute; uma ilus&amp;atilde;o achar que escrever um blog an&amp;ocirc;nimo seja seguro, pois a Justi&amp;ccedil;a pode determinar a quebra do sigilo contratual com a empresa que hospeda o site. O autor pode ser processado por danos morais ou at&amp;eacute; mesmo na esfera criminal. Por outro lado, um blog an&amp;ocirc;nimo hospedado em servidor estrangeiro dificilmente ser&amp;aacute; alvo de um processo, porque o procedimento vai exigir interm&amp;eacute;dio do servi&amp;ccedil;o diplom&amp;aacute;tico para retirar uma p&amp;aacute;gina em outro pa&amp;iacute;s. &amp;Eacute; bem mais complicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211;Ent&amp;atilde;o pela lei as pessoas n&amp;atilde;o podem escrever no blog sem se identificar? N&amp;atilde;o seria uma forma de censura? E se o autor n&amp;atilde;o usar o nome verdadeiro, com medo de repres&amp;aacute;lias? Um pseud&amp;ocirc;nimo, talvez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cynthia Sem&amp;iacute;ramis &amp;#8211; A Constitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o Federal garante a livre manifesta&amp;ccedil;&amp;atilde;o do pensamento, mas veda expressamente o anonimato (art.5&amp;ordm;, IV) que, em princ&amp;iacute;pio, pode ser interpretado como m&amp;aacute;-f&amp;eacute; do autor. Mas &amp;eacute; bom n&amp;atilde;o confundir anonimato com pseud&amp;ocirc;nimo (nome art&amp;iacute;stico, por exemplo). O pseud&amp;ocirc;nimo para atividades legais &amp;eacute; protegido por lei (art.19 do C&amp;oacute;digo Civil).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; Uma dos aspectos mais interessantes nos blogs &amp;eacute; o sistema de coment&amp;aacute;rios. As pessoas deixam opini&amp;otilde;es e sugest&amp;otilde;es, passam dicas e pedem ajuda. Se algu&amp;eacute;m escrever uma cal&amp;uacute;nia ou algo ilegal, o autor do blog pode ser processado ou a responsabilidade &amp;eacute; apenas de quem escreveu o coment&amp;aacute;rio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TV &amp;#8211; O autor do blog n&amp;atilde;o est&amp;aacute; livre de uma eventual responsabilidade civil ou mesmo criminal por causa de coment&amp;aacute;rios deixados por leitores. Se o blogueiro det&amp;eacute;m o poder de autorizar os coment&amp;aacute;rios, edit&amp;aacute;-los ou apag&amp;aacute;-los, ent&amp;atilde;o a p&amp;aacute;gina de coment&amp;aacute;rios est&amp;aacute; legalmente sob sua responsabilidade. No caso de d&amp;uacute;vidas quanto &amp;agrave; possibilidade de identificar o autor, ou do coment&amp;aacute;rio ser injustamente ofensivo a terceiros, &amp;eacute; recomend&amp;aacute;vel apag&amp;aacute;-lo, pois o dono do blog pode ser responsabilizado juntamente com o autor do coment&amp;aacute;rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es o dono do blog pode ser processado por algo escrito? Ele pode ir preso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CS &amp;#8211; Um coment&amp;aacute;rio ofensivo pode gerar dois tipos de responsabilidade jur&amp;iacute;dica: a criminal e a civil. A criminal, em regra, resulta na pris&amp;atilde;o do culpado. No entanto, em crimes leves &amp;#8211; como nos casos de crimes contra a honra, que s&amp;atilde;o os mais comuns em blogs, a pris&amp;atilde;o pode ser substitu&amp;iacute;da por presta&amp;ccedil;&amp;atilde;o de servi&amp;ccedil;os &amp;agrave; comunidade e/ou multa. J&amp;aacute; a condena&amp;ccedil;&amp;atilde;o civil &amp;eacute; sempre patrimonial e consiste no pagamento de uma indeniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; v&amp;iacute;tima pelos danos sofridos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; Existem blogs onde podemos ler cr&amp;iacute;ticas de novelas, m&amp;uacute;sicas e filmes. Alguns s&amp;atilde;o excelentes e at&amp;eacute; refer&amp;ecirc;ncia para a grande imprensa. Em casos assim, o artista que se sente prejudicado por uma cr&amp;iacute;tica tamb&amp;eacute;m pode processar o autor do blog?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TV &amp;#8211; Em tese, toda cr&amp;iacute;tica deveria ser objetiva e direta. Isso significa que ela n&amp;atilde;o deve ser feita &amp;agrave; pessoa, mas a um fato, a algo que ela fez. Numa cr&amp;iacute;tica liter&amp;aacute;ria, deve-se discutir a obra, n&amp;atilde;o o autor. Numa cr&amp;iacute;tica ao comportamento de algu&amp;eacute;m, deve-se criticar apenas a atitude desagrad&amp;aacute;vel. &amp;Eacute; simples: n&amp;atilde;o tem problema dizer que &amp;eacute; burrice a id&amp;eacute;ia de que bandido bom &amp;eacute; bandido morto, mas n&amp;atilde;o se deve dizer que a pessoa que emitiu esta opini&amp;atilde;o seja burra. Ainda que eventualmente os racioc&amp;iacute;nios burros venham de pessoas burras, uma afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o como essa n&amp;atilde;o pode ser considerada uma ofensa, pois mesmo as pessoas inteligentes t&amp;ecirc;m opini&amp;otilde;es infelizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; E em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave;s empresas? H&amp;aacute; pessoas que compram um produto, n&amp;atilde;o gostam e depois usam o blog para criticar de forma ofensiva. Como funciona a lei em casos assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CS &amp;#8211; Evite criticar uma empresa sem ter algo contra ela. A reclama&amp;ccedil;&amp;atilde;o pode ser feita, sim. Mas quem reclama deve faz&amp;ecirc;-lo com base em fatos, n&amp;atilde;o em suposi&amp;ccedil;&amp;otilde;es ou porque ouviu algu&amp;eacute;m reclamar. A cr&amp;iacute;tica aos servi&amp;ccedil;os de empresas pode ser considerada judicialmente como de utilidade p&amp;uacute;blica, mas deve ser dirigida ao servi&amp;ccedil;o prestado, n&amp;atilde;o ao dono ou &amp;agrave; empresa como um todo &amp;#8211; a menos que quem critique possa provar isso perante um tribunal. N&amp;atilde;o h&amp;aacute;, em princ&amp;iacute;pio, a obriga&amp;ccedil;&amp;atilde;o de retrata&amp;ccedil;&amp;atilde;o ou de retirada de coment&amp;aacute;rios, a menos que os termos usados tenham sido realmente desrespeitosos e ofensivos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;originalmente publicado na Folha de Pernambuco - http://www.folhape.com.br/&lt;br /&gt;&lt;span class="technoratitag"&gt;Technorati Tags: &lt;a href="http://www.technorati.com/tags/blogs" rel="tag"&gt;blogs&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.technorati.com/tags/leis" rel="tag"&gt;leis&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.technorati.com/tags/law" rel="tag"&gt;law&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.technorati.com/tags/justice" rel="tag"&gt;justice&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.technorati.com/tags/justi&amp;ccedil;a" rel="tag"&gt;justi&amp;ccedil;a&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.technorati.com/tags/" rel="tag"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;</content>
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<title mode="escaped" type="text/html">Tem limite?</title>
<content mode="escaped" type="text/html" xml:base="http://www.gutierrez.pro.br/textos/" xml:space="preserve">&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;LAYMERT GARCIA DOS SANTOS E FRANCISCO DE OLIVEIRA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os paradoxos n&amp;atilde;o param de proliferar: no poder, o Partido dos Trabalhadores paga mensal&amp;atilde;o para deputados da direita votarem leis neoliberais. O presidente reconhece que sua legenda tem caixa dois, mas n&amp;atilde;o admite que algu&amp;eacute;m possa discutir &amp;eacute;tica com ele.&lt;br /&gt;O PSDB pede apura&amp;ccedil;&amp;atilde;o rigorosa das den&amp;uacute;ncias, mas n&amp;atilde;o aceita que o esquema de Marcos Val&amp;eacute;rio nasceu na era FHC. O governo segue &amp;agrave; risca a ortodoxia capitalista, mas quer apoio dos oper&amp;aacute;rios, dos movimentos sociais e do povo em geral.&lt;br /&gt;A elite brasileira prefere um oper&amp;aacute;rio a um empres&amp;aacute;rio na Presid&amp;ecirc;ncia. Lula acusa "as elites" de quererem desestabilizar o seu governo, enquanto o correspondente do "New York Times" escreve: "Se h&amp;aacute; uma conspira&amp;ccedil;&amp;atilde;o no pa&amp;iacute;s, ela &amp;eacute; comandada pela oposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o e grandes empres&amp;aacute;rios de S&amp;atilde;o Paulo [e visa] manter Lula no poder, e n&amp;atilde;o tir&amp;aacute;-lo".&lt;br /&gt;O maior paradoxo, por&amp;eacute;m, &amp;eacute; o consenso de que a crise nada tem a ver com a economia, o que exige de todos um esfor&amp;ccedil;o "c&amp;iacute;vico" para circunscrev&amp;ecirc;-la &amp;agrave; esfera jur&amp;iacute;dico-pol&amp;iacute;tica e moral; de quebra, e como decorr&amp;ecirc;ncia, imp&amp;otilde;e-se a id&amp;eacute;ia de que se trata de um desvio que precisaria ser sanado com uma "reforma pol&amp;iacute;tica", e at&amp;eacute; mesmo com a desconstitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Constitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o! Quando na verdade a quest&amp;atilde;o &amp;eacute; o oposto: se a pol&amp;iacute;tica hoje se reduz a uma cena grotesca -que tem como trama central a desqualifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da representa&amp;ccedil;&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica, a desmoraliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da esquerda no Brasil e, com ela, a liquida&amp;ccedil;&amp;atilde;o da resist&amp;ecirc;ncia ao neoliberalismo- &amp;eacute; porque foi submetida aos ditames do mercado.&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o h&amp;aacute; "refunda&amp;ccedil;&amp;atilde;o" do PT, cassa&amp;ccedil;&amp;atilde;o "exemplar" de deputados ou "transpar&amp;ecirc;ncia" nos gastos de campanha que possam dar conta do recado. Em lugar do aparelhamento do Estado pelo PT, &amp;eacute; o contr&amp;aacute;rio que ocorre: o partido foi aparelhado pelo Estado, n&amp;atilde;o passa de um bra&amp;ccedil;o deste para a realiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de fun&amp;ccedil;&amp;otilde;es estatais. Entre as quais a primeira de todas: o controle da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;O PT &amp;eacute; um bra&amp;ccedil;o do Estado para realizar fun&amp;ccedil;&amp;otilde;es estatais. Entre as quais a primeira de todas: o controle da sociedade&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o deixa de ser ir&amp;ocirc;nico constatar que Lula chegou "l&amp;aacute;" pelas m&amp;atilde;os do mesmo marqueteiro que agora contribui para destitu&amp;iacute;-lo. Sabe-se que o presidente petista optou por aprofundar a implanta&amp;ccedil;&amp;atilde;o da l&amp;oacute;gica neoliberal de seus antecessores; mas n&amp;atilde;o se v&amp;ecirc; men&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao fato de o partido ter come&amp;ccedil;ado a abra&amp;ccedil;&amp;aacute;-la ao substituir a pol&amp;iacute;tica pelo marketing. Pois foi na estrat&amp;eacute;gia de suas campanhas que o l&amp;iacute;der e o PT renderam-se ao neoliberalismo. Sempre se precisou de dinheiro para vencer elei&amp;ccedil;&amp;atilde;o; em tempos neoliberais, por&amp;eacute;m, o processo exige muito dinheiro.&lt;br /&gt;O problema &amp;eacute; incontorn&amp;aacute;vel, torna a corrup&amp;ccedil;&amp;atilde;o end&amp;ecirc;mica e se agrava porque a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o marketing-corrup&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o se restringe ao campo eleitoral se pensarmos, com Deleuze, que, no capitalismo atual, a corrup&amp;ccedil;&amp;atilde;o ganha uma nova pot&amp;ecirc;ncia quando o marketing se torna "o instrumento de controle social e forma a ra&amp;ccedil;a impudente de nossos senhores". Nesse sentido, o "timing" dos eleitores e militantes do PT est&amp;aacute; atrasado: o "esc&amp;acirc;ndalo" maior n&amp;atilde;o reside na revela&amp;ccedil;&amp;atilde;o das "mutretas" -escandalosa n&amp;atilde;o &amp;eacute; a desconstru&amp;ccedil;&amp;atilde;o do PT, &amp;eacute; a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o da vit&amp;oacute;ria de Lula e de seu governo em bases neoliberais.&lt;br /&gt;Parafraseando o fil&amp;oacute;sofo, s&amp;oacute; existe uma verdade universal no capitalismo contempor&amp;acirc;neo: o mercado. Por isso mesmo, o neoliberalismo considera que o Estado n&amp;atilde;o deve governar para a sociedade. Nunca &amp;eacute; demais repetir: trata-se de governar para o mercado, e n&amp;atilde;o por causa dele, o que implica regular a sociedade para que ela se curve aos interesses econ&amp;ocirc;micos.&lt;br /&gt;&amp;Eacute; o que o presidente e o seu "staff" vinham escrupulosamente fazendo, at&amp;eacute; mesmo quando votos foram comprados para obter a aprova&amp;ccedil;&amp;atilde;o da reforma da Previd&amp;ecirc;ncia e da Lei de Biosseguran&amp;ccedil;a. Entretanto governar para o mercado tem um &amp;ocirc;nus que n&amp;atilde;o parece ter sido bem compreendido: na medida em que a pol&amp;iacute;tica consiste em n&amp;atilde;o ter pol&amp;iacute;tica, fica imposs&amp;iacute;vel servir ao mercado e, ao mesmo tempo, pretender monopolizar no plano pol&amp;iacute;tico a intermedia&amp;ccedil;&amp;atilde;o de seus interesses.&lt;br /&gt;Nesse sentido, o conflito Palocci/Dirceu, que alimentou a surda luta palaciana pelo poder at&amp;eacute; a eclos&amp;atilde;o do esc&amp;acirc;ndalo, pode ser visto como a express&amp;atilde;o dessa incompatibilidade e sugere, ali&amp;aacute;s, o car&amp;aacute;ter anacr&amp;ocirc;nico da iniciativa de aparelhar o Estado, cujo risco seria a emerg&amp;ecirc;ncia de uma inst&amp;acirc;ncia com alguma autonomia em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao mercado.&lt;br /&gt;A crise &amp;eacute; um epis&amp;oacute;dio de uma esp&amp;eacute;cie de "golpe de Estado permanente" perpetrado pelo mercado contra as institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es republicanas e democr&amp;aacute;ticas. H&amp;aacute; j&amp;aacute; algum tempo o capitalismo vem se mostrando incompat&amp;iacute;vel com a democracia. Na periferia, tal incompatibilidade reveste-se de tons dram&amp;aacute;ticos, pois a acelera&amp;ccedil;&amp;atilde;o permanente da economia n&amp;atilde;o se compatibiliza com institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es pol&amp;iacute;ticas, cuja tarefa &amp;eacute;, precisamente, regular a economia.&lt;br /&gt;Portanto, quando todos concordam em evitar a contamina&amp;ccedil;&amp;atilde;o da economia pela pol&amp;iacute;tica, est&amp;atilde;o apenas preparando a pr&amp;oacute;xima crise. Os pol&amp;iacute;ticos e os governos parecem mariposas: voam em dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave;quilo que os queima e os torna descart&amp;aacute;veis. Vejamos em que estado est&amp;aacute; a crise: a blindagem do presidente parece urgente, quando ela n&amp;atilde;o &amp;eacute; mais necess&amp;aacute;ria, pois o impeachment pol&amp;iacute;tico j&amp;aacute; foi decretado. Faltam-lhe as formalidades jur&amp;iacute;dicas que, ali&amp;aacute;s, busca-se evitar pelas repercuss&amp;otilde;es econ&amp;ocirc;micas. Quem governa? A resposta est&amp;aacute; l&amp;aacute; atr&amp;aacute;s: o mercado.&lt;br /&gt;Laymert Garcia dos Santos, soci&amp;oacute;logo, &amp;eacute; professor titular do Instituto de Filosofia e Ci&amp;ecirc;ncias Humanas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).&lt;br /&gt;Francisco de Oliveira, economista e soci&amp;oacute;logo, professor titular aposentado do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci&amp;ecirc;ncias Humanas da USP, &amp;eacute; coordenador cient&amp;iacute;fico do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania da USP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ref. &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1809200509.htm" target="_blank"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1809200509.htm&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content>
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<title mode="escaped" type="text/html">A ressaca do fordismo</title>
<content mode="escaped" type="text/html" xml:base="http://www.gutierrez.pro.br/textos/" xml:space="preserve">&lt;b&gt;ROBERT KURZ&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante muito tempo pareciam bem definidas as fronteiras entre a mis&amp;eacute;ria em massa e as relativas condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de bem-estar coletivo. A linha demarcat&amp;oacute;ria separava essencialmente o Norte do Sul do planeta. Essa constela&amp;ccedil;&amp;atilde;o foi, no entanto, apenas um produto da hist&amp;oacute;ria depois da Segunda Guerra.&lt;br /&gt;Nos centros capitalistas, a mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o das ind&amp;uacute;strias fordistas desencadeou um impulso sem precedentes de ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o em massa e acumula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de capital, vinculados &amp;agrave; ascens&amp;atilde;o dos sindicatos e da social-democracia. A "mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o automotiva" da sociedade ia a par com a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o crescente de uma rede de seguridade social (o Estado de Bem-Estar Social), especialmente profunda na Alemanha Ocidental e, em parte, na Fran&amp;ccedil;a. At&amp;eacute; mesmo no espa&amp;ccedil;o do liberalismo econ&amp;ocirc;mico tradicional anglo-sax&amp;atilde;o, os governos trabalhistas no Reino Unido e a "grande sociedade" do presidente Lyndon Johnson, nos EUA, na tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o do "New Deal", geravam novas estruturas sociais.&lt;br /&gt;O soci&amp;oacute;logo alem&amp;atilde;o Ulrich Beck descreveu a ascens&amp;atilde;o social na era fordista do p&amp;oacute;s-guerra como "efeito elevador": apesar das permanentes diferencia&amp;ccedil;&amp;otilde;es sociais, a sociedade como um todo era elevada a um patamar superior. Os sal&amp;aacute;rios reais se multiplicavam, enquanto as jornadas de trabalho, de modo inverso, declinavam constantemente. A expectativa geral de vida aumentava para todos por meio de um sistema m&amp;eacute;dico melhorado.&lt;br /&gt;Foi essa prosperidade sem precedentes do Norte que se tornou o paradigma extremamente atrativo do "desenvolvimento" para os pa&amp;iacute;ses do Sul. Nisso se manifestou um paradoxo hist&amp;oacute;rico, pois, enquanto no Sudeste Asi&amp;aacute;tico e na &amp;Aacute;frica ainda eclodiam as &amp;uacute;ltimas guerras de descoloniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, e, simultaneamente, nos pa&amp;iacute;ses j&amp;aacute; descolonizados, articulavam-se os movimentos contra a depend&amp;ecirc;ncia econ&amp;ocirc;mica da Europa Ocidental e dos Estados Unidos, o paradigma do desenvolvimento dos centros capitalistas era ainda, contudo, o modelo a ser trilhado. Os ex-colonizados desejavam crescer nas formas sociais dos antigos senhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A expans&amp;atilde;o da crise foi apreendida de modo invertido, como se o capitalismo fosse o grande vencedor. Na realidade, a crise da terceira revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o industrial j&amp;aacute; vinha h&amp;aacute; muito minando o corpo social do capita- lismo original&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descoloniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e esfor&amp;ccedil;os de independ&amp;ecirc;ncia econ&amp;ocirc;mica eram determinados pelo desejo de atingir, por conta pr&amp;oacute;pria, a almejada prosperidade fordista e seu correlato patamar de consumo de massa, mesmo quando, a contragosto da superpot&amp;ecirc;ncia americana, mecanismos de capitalismo de Estado em moldes sovi&amp;eacute;ticos fossem preferidos. Uma alternativa hist&amp;oacute;rica para a mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do "trabalho abstrato" e da "riqueza abstrata", como Marx denominara a l&amp;oacute;gica do moderno sistema de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de mercadorias, n&amp;atilde;o foi, no entanto, cogitada em nenhuma parte.&lt;br /&gt;Enquanto os centros capitalistas, em especial nos Estados Unidos, projetavam para fora uma imagem pol&amp;iacute;tica inimiga para os movimentos sociais do Sul, estes importavam, ao mesmo tempo, as estruturas da reprodu&amp;ccedil;&amp;atilde;o capitalista: o moderno trabalho assalariado e a apenas aparente isonomia burguesa da rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre os g&amp;ecirc;neros, bem como os padr&amp;otilde;es e a imagina&amp;ccedil;&amp;atilde;o do consumo ou o modelo do "Welfare State". Independentemente de orienta&amp;ccedil;&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica durante a Guerra Fria, os "milagres econ&amp;ocirc;micos" no Jap&amp;atilde;o e, sobretudo, na Alemanha, eram tidos como os modelos secretos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdadeira crise&lt;br /&gt;Mas a "era de ouro" fordista do p&amp;oacute;s-guerra permaneceu, no entanto, para os pa&amp;iacute;ses p&amp;oacute;s-coloniais do Sul, uma miragem. A tarefa de criar uma industrializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o recuperadora, um consumo de massa e um "Welfare State" deu certo apenas por um curto per&amp;iacute;odo e em f&amp;oacute;rmulas de segunda m&amp;atilde;o. A dist&amp;acirc;ncia que os separava dos centros econ&amp;ocirc;micos j&amp;aacute; era muito grande, os custos pr&amp;eacute;vios do "desenvolvimento" revelaram-se muito altos. O resultado foi um endividamento externo crescente. Quando a terceira revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o industrial da microeletr&amp;ocirc;nica aposentou o fordismo, os custos operacionais e sociais da inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o aumentaram de tal forma que n&amp;atilde;o apenas os modelos de desenvolvimento nacionais do Sul quebraram mas tamb&amp;eacute;m a parte do socialismo de Estado do Norte n&amp;atilde;o o p&amp;ocirc;de mais acompanhar.&lt;br /&gt;De fato, essa tend&amp;ecirc;ncia ruinosa poderia ter se tornado claramente vis&amp;iacute;vel de duas maneiras: em primeiro lugar, a tentativa de imita&amp;ccedil;&amp;atilde;o de formas industriais, socioecon&amp;ocirc;micas, da Europa Ocidental e dos Estados Unidos, j&amp;aacute; fracassara para a maior parte da humanidade; em segundo lugar, com o fim da Uni&amp;atilde;o Sovi&amp;eacute;tica e da Alemanha Oriental, a crise deste tipo de sociedade j&amp;aacute; havia penetrado o Norte globalizado e tamb&amp;eacute;m tinha que atingir os seus pr&amp;oacute;prios centros.&lt;br /&gt;Em vez disso, a expans&amp;atilde;o da crise foi apreendida exatamente de modo invertido com os &amp;oacute;culos dos velhos antagonismos, como se o capitalismo original fosse o grande vencedor da hist&amp;oacute;ria e todos os retardat&amp;aacute;rios tivessem que duplicar ou triplicar esfor&amp;ccedil;os na c&amp;oacute;pia desse modelo. Na perspectiva das regi&amp;otilde;es em colapso pela crise global, vigoravam ainda, no centro do capitalismo, aquelas supostas condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es "paradis&amp;iacute;acas" de prosperidade fordista, pelo menos se confrontadas com a pr&amp;oacute;pria mis&amp;eacute;ria local. Mas isto era apenas uma ilus&amp;atilde;o de &amp;oacute;tica.&lt;br /&gt;Na realidade, a crise da terceira revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o industrial j&amp;aacute; vinha h&amp;aacute; muito minando o corpo social do capitalismo original. J&amp;aacute; nos anos 1980, a "plena ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o" fordista convertera-se num desemprego estrutural em massa. Por meio dos novos potenciais de inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o, o patamar desse desemprego estrutural aumentava de ciclo em ciclo. R&amp;aacute;pida desativa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de postos de trabalho e crescente subocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o constituem apenas o reverso da medalha de uma acumula&amp;ccedil;&amp;atilde;o insuficiente de capital, do qual, em &amp;uacute;ltima inst&amp;acirc;ncia, depende o "Welfare State". A rede social expandida do "boom" fordista come&amp;ccedil;ara a romper, executada por meio de contra-reformas neoliberais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Schr&amp;ouml;der, a vanguarda liberal&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o &amp;eacute; surpresa que Estados Unidos e Reino Unido, por meio da "reaganomics" e do thatcherismo, sejam seus predecessores e retornassem, dessa forma, apenas &amp;agrave;s suas respectivas tradi&amp;ccedil;&amp;otilde;es do mercado radical. Mas, na Europa continental, essas contra-reformas encontravam ainda resist&amp;ecirc;ncia. Ainda nos anos 1990, os modelos de Estado de Bem-Estar franc&amp;ecirc;s e alem&amp;atilde;o, o assim chamado "capitalismo renano", eram considerados como uma alternativa &amp;agrave; "revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o neoliberal" anglo-sax&amp;atilde;.&lt;br /&gt;O processo de crise da terceira revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o industrial supera, contudo, facilmente, todas as fronteiras nacionais, hist&amp;oacute;ricas e culturais. A l&amp;oacute;gica geral capitalista repousa mais fundo do que qualquer "modelo" pol&amp;iacute;tico econ&amp;ocirc;mico espec&amp;iacute;fico. Mesmo o t&amp;atilde;o caracter&amp;iacute;stico Estado do Bem-Estar Social alem&amp;atilde;o, que parecia constru&amp;iacute;do para a eternidade, erodia-se irreversivelmente na era do chanceler conservador Helmut Kohl, nos anos 80 e 90. Nesse per&amp;iacute;odo, o desemprego atingia sobretudo as camadas menos qualificadas do mercado, pessoas de escolaridade incompleta e trabalhadores de f&amp;aacute;brica sem forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o t&amp;eacute;cnica.&lt;br /&gt;Quando a coaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o vermelho-verde do chanceler Gerhard Schr&amp;ouml;der chegou ao comando, muitos acreditavam que o novo governo iria levar a s&amp;eacute;rio as velhas reivindica&amp;ccedil;&amp;otilde;es da gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o de 1968 e deter o desmonte social, ou mesmo, em parte, revert&amp;ecirc;-lo. Mas foi exatamente o contr&amp;aacute;rio o que aconteceu. A coaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o vermelho-verde revelou-se, diante de renovados recordes de desemprego e sob a press&amp;atilde;o da globaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, precisamente como a vanguarda dos cortes mais radicais e extensivos j&amp;aacute; empreendidos no sistema social.&lt;br /&gt;Para se compreender o que est&amp;aacute; acontecendo na Alemanha, seria preciso detalhar de maneira clara um pano de fundo social. O desemprego atinge o pa&amp;iacute;s, como em outros centros capitalistas, cada vez mais: as camadas "qualificadas", t&amp;eacute;cnicos, professores, assistentes sociais, advogados, m&amp;eacute;dicos e parte do pequeno empresariado. &amp;Eacute; a derrocada das "novas classes m&amp;eacute;dias".&lt;br /&gt;O desemprego crescente das camadas m&amp;eacute;dias n&amp;atilde;o pode mais ser amortecido socialmente pelo Estado. A administra&amp;ccedil;&amp;atilde;o da crise capitalista obriga a se lan&amp;ccedil;ar m&amp;atilde;o de todas as formas de poupan&amp;ccedil;a privada, heran&amp;ccedil;a e patrim&amp;ocirc;nio imobili&amp;aacute;rio; casas s&amp;atilde;o leiloadas, melhores moradias t&amp;ecirc;m que ser abandonadas por um aluguel mais baixo. A "gordura fordista" &amp;eacute; consumida. Para dizer de maneira dr&amp;aacute;stica: assim como no Terceiro Mundo, uma grande parte das camadas qualificadas e da intelig&amp;ecirc;ncia vai sendo sucessivamente africanizada.&lt;br /&gt;Uma minoria reduzida da sociedade fica insulada e, assim como nos Estados Unidos e nas megal&amp;oacute;poles do Terceiro Mundo, surgem tamb&amp;eacute;m na Alemanha aquelas perigosas "no go areas", de um lado, e guetos de luxo, de outro, com servi&amp;ccedil;os privados de seguran&amp;ccedil;a, n&amp;atilde;o apenas na capital Berlim. A mis&amp;eacute;ria atingiu uma dimens&amp;atilde;o como nunca se viu na hist&amp;oacute;ria alem&amp;atilde; recente. E essa mis&amp;eacute;ria, que sempre fora bem camuflada na Alemanha, come&amp;ccedil;a cada vez mais a mostrar sua face: desabrigados j&amp;aacute; n&amp;atilde;o passam mais despercebidos, bem como cada vez h&amp;aacute; mais crian&amp;ccedil;as de rua. Por aqui, reconhecemos os pobres sobretudo pelas roupas amarrotadas e pelos dentes esburacados, j&amp;aacute; que o tratamento dent&amp;aacute;rio e as obtura&amp;ccedil;&amp;otilde;es foram cortados da lista dos benef&amp;iacute;cios cobertos pelo seguro m&amp;eacute;dico legal.&lt;br /&gt;Na Fran&amp;ccedil;a e demais pa&amp;iacute;ses da Uni&amp;atilde;o Europ&amp;eacute;ia v&amp;atilde;o se consumando processos similares. A mis&amp;eacute;ria social e econ&amp;ocirc;mica transformou-se de repente na grande crise da Uni&amp;atilde;o Europ&amp;eacute;ia, cujo processo de integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o parecia at&amp;eacute; h&amp;aacute; pouco irrevers&amp;iacute;vel. Nesse &amp;iacute;nterim, as maiorias sociais empobrecidas e amea&amp;ccedil;adas pela mis&amp;eacute;ria enxergam no forte neoliberalismo do Comissariado Europeu apenas o instrumento da globaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, por meio do qual se destr&amp;oacute;i o bem-estar. Mas o "n&amp;atilde;o" &amp;agrave; Constitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o neoliberal da Uni&amp;atilde;o Europ&amp;eacute;ia n&amp;atilde;o tem nenhum conte&amp;uacute;do libertador. Ele foi, em primeira linha, um retrocesso obstinado a posi&amp;ccedil;&amp;otilde;es racistas e nacionalistas no mais fundo rinc&amp;atilde;o do centro social. N&amp;atilde;o se trata aqui da articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma resist&amp;ecirc;ncia social geral, mas de uma luta pelas linhas de demarca&amp;ccedil;&amp;atilde;o da exclus&amp;atilde;o social.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, a classe m&amp;eacute;dia qualificada declinante n&amp;atilde;o quer se alinhar &amp;agrave;s camadas mais baixas e rebela-se em ser degradada ao n&amp;iacute;vel destas. Em segundo, a mis&amp;eacute;ria nacional de todas as classes volta-se contra os estrangeiros. Em terceiro, justamente entre acad&amp;ecirc;micos e t&amp;eacute;cnicos qualificados, o descenso social exprime-se tamb&amp;eacute;m como crise da identidade masculina, que neles come&amp;ccedil;a a se manifestar.&lt;br /&gt;Neste clima reacion&amp;aacute;rio em vez de emancipat&amp;oacute;rio contra o neoliberalismo, as fronteiras entre direita e esquerda tornam-se cada vez mais fluidas. Uma dissid&amp;ecirc;ncia de esquerda do Partido Social Democrata, sob a &amp;eacute;gide de seu antigo chefe Oskar Lafontaine, hoje fundida na mesma chapa ao Partido do Socialismo Democr&amp;aacute;tico (PDS), que, por sua vez, era a sigla redenominada do antigo Partido do Estado da Rep&amp;uacute;blica Democr&amp;aacute;tica Alem&amp;atilde;, vem crescendo nas pesquisas de voto e tem boas chances nas elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es antecipadas.&lt;br /&gt;Mas n&amp;atilde;o se sabe bem ao certo o quanto de direita existe nessa esquerda. Lafontaine, com suas investidas contra os "trabalhadores estrangeiros" (uma palavra do jarg&amp;atilde;o nazista), est&amp;aacute; angariando cada vez mais votos do espectro da direita radical hostil aos estrangeiros. Segundo uma pesquisa sociol&amp;oacute;gica publicada em junho de 2005, pelo menos 20% dos membros dos sindicatos pensam de maneira anti-semita e nacionalista. Aquilo que para a esquerda tradicional vem sendo denominado como o in&amp;iacute;cio de uma nova "luta de classes" &amp;eacute;, em grande parte, apenas a m&amp;aacute;scara do &amp;oacute;dio da concorr&amp;ecirc;ncia da classe m&amp;eacute;dia declinante que se refugia no neochauvinismo da crise da identidade masculina e no retorno &amp;agrave; nostalgia nacional.&lt;br /&gt;O decl&amp;iacute;nio da Alemanha e a crise da Uni&amp;atilde;o Europ&amp;eacute;ia devem oferecer ao Sul globalizado uma imagem tenebrosa. A ilus&amp;atilde;o &amp;oacute;tica de uma riqueza dur&amp;aacute;vel e de um conforto pulverizam-se. Quanto mais o Terceiro Mundo se faz vis&amp;iacute;vel no Primeiro Mundo, torna-se cada vez mais question&amp;aacute;vel a orienta&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos modelos sociais do centro capitalista. N&amp;atilde;o &amp;eacute; mais o Norte que mostra ao Sul seu modelo de desenvolvimento, mas exatamente o contr&amp;aacute;rio: o Sul mostra ao Norte o futuro da crise.&lt;br /&gt;O mundo moderno do "trabalho abstrato" e da "riqueza abstrata" est&amp;aacute; &amp;agrave; disposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o na crise mundial do s&amp;eacute;culo 21. Uma nova perspectiva emancipat&amp;oacute;ria para al&amp;eacute;m do sistema de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de mercadorias somente poder&amp;aacute; ser atingida quando as tend&amp;ecirc;ncias observadas em todas as partes a uma renacionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o ideol&amp;oacute;gica forem radicalmente criticadas. O liberalismo obstinado das classes globalizadas, de um lado, e a nostalgia nacional das classes m&amp;eacute;dias declinantes, por outro, n&amp;atilde;o constituem nenhuma alternativa aceit&amp;aacute;vel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;Robert Kurz&lt;/u&gt; &amp;eacute; soci&amp;oacute;logo alem&amp;atilde;o, autor de "Os &amp;Uacute;ltimos Combates" (Vozes). Escreve regularmente na se&amp;ccedil;&amp;atilde;o "Autores", do Mais!.&lt;br /&gt;Tradu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Jos&amp;eacute; Galisi Filho.&lt;br /&gt;Ref &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1809200504.htm" target="_blank"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1809200504.htm&lt;/a&gt;</content>
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<title mode="escaped" type="text/html">O capitalismo como religi&amp;atilde;o</title>
<content mode="escaped" type="text/html" xml:base="http://www.gutierrez.pro.br/textos/" xml:space="preserve">Em texto preparado para confer&amp;ecirc;ncia que far&amp;aacute; no Brasil, o pensador marxista Michael L&amp;ouml;wy segue Walter Benjamin e defende que o sistema social atual &amp;eacute; um fen&amp;ocirc;meno essencialmente religioso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;MICHAEL L&amp;Ouml;WY&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os documentos in&amp;eacute;ditos de Walter Benjamin [1892-1940] publicados em 1985 por Ralph Tiedemann e Hermann Schweppenh&amp;auml;user no volume 6 de "Gesammelte Schriften" (Suhrkamp Verlag), h&amp;aacute; um particularmente obscuro, mas que parece de uma atualidade surpreendente: "O capitalismo como religi&amp;atilde;o". S&amp;atilde;o tr&amp;ecirc;s ou quatro p&amp;aacute;ginas contendo anota&amp;ccedil;&amp;otilde;es e refer&amp;ecirc;ncias bibliogr&amp;aacute;ficas; denso, paradoxal, &amp;agrave;s vezes herm&amp;eacute;tico, o texto n&amp;atilde;o se deixa decifrar facilmente. Como n&amp;atilde;o se destinava &amp;agrave; publica&amp;ccedil;&amp;atilde;o, o autor n&amp;atilde;o tinha qualquer necessidade de torn&amp;aacute;-lo leg&amp;iacute;vel e compreens&amp;iacute;vel... Os coment&amp;aacute;rios a seguir s&amp;atilde;o uma tentativa parcial de interpreta&amp;ccedil;&amp;atilde;o, baseada mais em hip&amp;oacute;teses do que em certezas, e deixando de lado certas "zonas de sombra".&lt;br /&gt;O texto de Benjamin &amp;eacute;, com toda evid&amp;ecirc;ncia, inspirado por "A &amp;Eacute;tica Protestante e o Esp&amp;iacute;rito do Capitalismo" (Cia. das Letras, 2004), de Max Weber [1864-1920]. No entanto, como veremos, o argumento de Benjamin vai muito al&amp;eacute;m de Weber e, sobretudo, substitui sua abordagem "axiologicamente neutra" (Wertfrei) por um fulminante requisit&amp;oacute;rio anticapitalista.&lt;br /&gt;"&amp;Eacute; preciso ver no capitalismo uma religi&amp;atilde;o". Com essa afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o categ&amp;oacute;rica come&amp;ccedil;a o fragmento. Segue-se uma refer&amp;ecirc;ncia, mas tamb&amp;eacute;m um distanciamento em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o a Weber: "Demonstrar a estrutura religiosa do capitalismo -isto &amp;eacute;, demonstrar que ele &amp;eacute; n&amp;atilde;o somente uma forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o condicionada pela religi&amp;atilde;o, como pensa Weber, mas um fen&amp;ocirc;meno essencialmente religioso- nos levaria ainda hoje pelos meandros de uma pol&amp;ecirc;mica universal desmedida".&lt;br /&gt;Benjamin continua: "Podemos entretanto, desde j&amp;aacute;, reconhecer no tempo presente tr&amp;ecirc;s tra&amp;ccedil;os dessa estrutura religiosa do capitalismo". Benjamin n&amp;atilde;o cita mais Weber, mas de fato os tr&amp;ecirc;s pontos se alimentam de id&amp;eacute;ias e argumentos do soci&amp;oacute;logo, dando-lhes um novo alcance, infinitamente mais cr&amp;iacute;tico, mais radical -social e politicamente, mas tamb&amp;eacute;m do ponto de vista filos&amp;oacute;fico (teol&amp;oacute;gico?)- e perfeitamente antag&amp;ocirc;nico &amp;agrave; tese weberiana da seculariza&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O culto&lt;br /&gt;"Primeiramente, o capitalismo &amp;eacute; uma religi&amp;atilde;o puramente cultual, talvez a mais extremamente cultual que j&amp;aacute; existiu. Nada nele tem significado que n&amp;atilde;o esteja em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o imediata com o culto, ele n&amp;atilde;o tem dogma espec&amp;iacute;fico nem teologia. O utilitarismo ganha, desse ponto de vista, sua colora&amp;ccedil;&amp;atilde;o religiosa."&lt;br /&gt;Portanto, as pr&amp;aacute;ticas utilit&amp;aacute;rias do capitalismo -investimento do capital, especula&amp;ccedil;&amp;otilde;es, opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es financeiras, manobras bolsistas, compra e venda de mercadorias- s&amp;atilde;o equivalentes a um culto religioso. O capitalismo n&amp;atilde;o exige a ades&amp;atilde;o a um credo, a uma doutrina ou a uma "teologia"; o que conta s&amp;atilde;o as a&amp;ccedil;&amp;otilde;es, que representam, por sua din&amp;acirc;mica social, pr&amp;aacute;ticas cultuais. Benjamin, contradizendo um pouco seu argumento sobre a Reforma e o cristianismo, compara essa religi&amp;atilde;o capitalista ao paganismo original, tamb&amp;eacute;m ele "imediatamente pr&amp;aacute;tico" e sem preocupa&amp;ccedil;&amp;otilde;es "transcendentes".&lt;br /&gt;Mas o que &amp;eacute; que permite assemelhar essas pr&amp;aacute;ticas econ&amp;ocirc;micas capitalistas a um "culto"? Benjamin n&amp;atilde;o o explica, mas utiliza, algumas linhas depois, o termo "adorador"; podemos assim considerar que o culto capitalista comporta certas divindades que s&amp;atilde;o objeto de adora&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Por exemplo: "Compara&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre as imagens de santos das diferentes religi&amp;otilde;es e as notas de dinheiro dos diversos pa&amp;iacute;ses". O dinheiro, em forma de papel-moeda, seria assim o objeto de um culto an&amp;aacute;logo ao dos santos das religi&amp;otilde;es "comuns".&lt;br /&gt;No entanto, o papel-moeda &amp;eacute; apenas uma das manifesta&amp;ccedil;&amp;otilde;es de uma divindade mais fundamental no sistema capitalista cultual: o "dinheiro", o deus Mammon, ou, segundo Benjamin, "Plut&amp;atilde;o... deus da riqueza". Na bibliografia do fragmento &amp;eacute; mencionada uma passagem virulenta contra o poder religioso do dinheiro: est&amp;aacute; no livro "Aufruf zum Sozialismus", do pensador anarquista judeu-alem&amp;atilde;o Gustav Landauer, publicado em 1919, pouco antes do assassinato de seu autor por militares contra-revolucion&amp;aacute;rios. Na p&amp;aacute;gina indicada pela nota bibliogr&amp;aacute;fica de Benjamin, Landauer escreve:&lt;br /&gt;"Fritz Mauthner ("W&amp;ouml;rterbuch der Philosophie") mostrou que a palavra "Deus" (Gott) &amp;eacute; originariamente id&amp;ecirc;ntica a "&amp;iacute;dolo" (G&amp;ouml;tze), e que as duas querem dizer "o fundido" [ou "o escorrido'] (Gegossene). Deus &amp;eacute; um artefato feito pelos humanos, que ganha uma vida, atrai para si as vidas dos humanos e finalmente torna-se mais poderoso que a humanidade. O &amp;uacute;nico escorrido (Gegossene), o &amp;uacute;nico &amp;iacute;dolo (G&amp;ouml;tze), o &amp;uacute;nico Deus (Gott) a que os humanos deram vida &amp;eacute; o dinheiro (Geld). O dinheiro &amp;eacute; artificial e &amp;eacute; vivo, o dinheiro produz dinheiro e mais dinheiro, o dinheiro tem todo o poder do mundo. Quem n&amp;atilde;o v&amp;ecirc;, quem ainda hoje n&amp;atilde;o v&amp;ecirc;, que o dinheiro, que o Deus n&amp;atilde;o &amp;eacute; outra coisa sen&amp;atilde;o um esp&amp;iacute;rito oriundo dos seres humanos, um esp&amp;iacute;rito que se tornou uma coisa (Ding) viva, um monstro (Unding), e que ele &amp;eacute; o sentido (Sinn) que se tornou louco (Unsinn) de nossa vida? O dinheiro n&amp;atilde;o cria riqueza, ele &amp;eacute; a riqueza; ele &amp;eacute; a riqueza em si; n&amp;atilde;o existe outro rico al&amp;eacute;m do dinheiro".&lt;br /&gt;&amp;Eacute; verdade que n&amp;atilde;o podemos saber at&amp;eacute; que ponto Benjamin compartilhava esse racioc&amp;iacute;nio de Landauer; mas podemos, a t&amp;iacute;tulo de hip&amp;oacute;tese, considerar esse trecho, mencionado na bibliografia, como um exemplo do que ele entende por "pr&amp;aacute;ticas cultuais" do capitalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem tr&amp;eacute;gua&lt;br /&gt;A segunda caracter&amp;iacute;stica do capitalismo "est&amp;aacute; estreitamente ligada a essa concre&amp;ccedil;&amp;atilde;o do culto: a dura&amp;ccedil;&amp;atilde;o do culto &amp;eacute; permanente". "O capitalismo &amp;eacute; a celebra&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um culto "sem tr&amp;eacute;gua e sem piedade". N&amp;atilde;o h&amp;aacute; "dias comuns", nenhum dia que n&amp;atilde;o seja de festa, no sentido terr&amp;iacute;vel da utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da pompa sagrada, da extrema tens&amp;atilde;o que habita o adorador."&lt;br /&gt;Sem descanso, sem tr&amp;eacute;gua e sem piedade: a id&amp;eacute;ia de Weber &amp;eacute; retomada por Benjamin, quase literalmente; n&amp;atilde;o sem ironia, ali&amp;aacute;s, evocando o car&amp;aacute;ter permanente dos "dias de festa": na verdade, os capitalistas puritanos aboliram a maioria dos feriados cat&amp;oacute;licos, considerados um incentivo ao &amp;oacute;cio. Portanto, na religi&amp;atilde;o capitalista, cada dia v&amp;ecirc; a mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da "pompa sagrada", isto &amp;eacute;, os rituais na bolsa ou na f&amp;aacute;brica, enquanto os adoradores seguem, com ang&amp;uacute;stia e uma "extrema tens&amp;atilde;o", a subida ou a descida das cota&amp;ccedil;&amp;otilde;es das a&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&lt;br /&gt;As pr&amp;aacute;ticas capitalistas n&amp;atilde;o conhecem pausa, elas dominam a vida dos indiv&amp;iacute;duos da manh&amp;atilde; &amp;agrave; noite, da primavera ao inverno, do ber&amp;ccedil;o ao t&amp;uacute;mulo. Como bem observa Burkhardt Lindner, o fragmento empresta de Weber o conceito do capitalismo como sistema din&amp;acirc;mico, em expans&amp;atilde;o global, imposs&amp;iacute;vel de deter e do qual n&amp;atilde;o podemos escapar.&lt;br /&gt;Enfim, a terceira caracter&amp;iacute;stica do capitalismo como religi&amp;atilde;o &amp;eacute; seu car&amp;aacute;ter culpabilizador: "O capitalismo &amp;eacute; provavelmente o primeiro exemplo de um culto que n&amp;atilde;o &amp;eacute; expiat&amp;oacute;rio (ents&amp;uuml;hnenden), mas culpabilizador". Benjamin continua seu requisit&amp;oacute;rio contra a religi&amp;atilde;o capitalista: "Nisso, o sistema religioso &amp;eacute; precipitado em um movimento monstruoso. Uma consci&amp;ecirc;ncia monstruosamente culpada que n&amp;atilde;o sabe expiar se apodera do culto, n&amp;atilde;o para nele expiar essa culpa, mas para torn&amp;aacute;-la universal, para faz&amp;ecirc;-la entrar &amp;agrave; for&amp;ccedil;a na consci&amp;ecirc;ncia e, enfim e sobretudo, para implicar Deus nessa culpa, para que no fim das contas ele mesmo tenha interesse na expia&amp;ccedil;&amp;atilde;o".&lt;br /&gt;Benjamin evoca, nesse contexto, o que chama de "ambig&amp;uuml;idade da palavra Schuld" - isto &amp;eacute;, ao mesmo tempo "d&amp;iacute;vida" e "culpa". Segundo Burkhard Lindner, a perspectiva hist&amp;oacute;rica do fragmento baseia-se na premissa de que n&amp;atilde;o podemos separar, no sistema da religi&amp;atilde;o capitalista, a "culpa m&amp;iacute;tica" da d&amp;iacute;vida econ&amp;ocirc;mica.&lt;br /&gt;Encontramos em Max Weber dois racioc&amp;iacute;nios an&amp;aacute;logos, que tamb&amp;eacute;m jogam com os dois sentidos de "dever": para o burgu&amp;ecirc;s puritano, "o que consagramos a fins "pessoais" &amp;eacute; "roubado" do servi&amp;ccedil;o &amp;agrave; gl&amp;oacute;ria de Deus"; tornamo-nos assim ao mesmo tempo culpados e "endividados" em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o a Deus. "A id&amp;eacute;ia de que o homem tem "deveres" para com as posses que lhe foram confiadas e &amp;agrave;s quais ele est&amp;aacute; subordinado como um intendente devotado (...) pesa sobre sua vida com todo o seu peso g&amp;eacute;lido. Quanto mais aumentam as posses, mais pesado torna-se o sentimento de responsabilidade (...) que o obriga, para a gl&amp;oacute;ria de Deus (...), a aument&amp;aacute;-las por meio de um trabalho sem descanso". A express&amp;atilde;o de Benjamin "fazer a culpa entrar &amp;agrave; for&amp;ccedil;a na consci&amp;ecirc;ncia" corresponde bem &amp;agrave;s pr&amp;aacute;ticas puritanas/capitalistas analisadas por Weber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amplitude&lt;br /&gt;Mas parece-me que o argumento de Benjamin &amp;eacute; mais geral: n&amp;atilde;o &amp;eacute; somente o capitalismo que &amp;eacute; culpado e "endividado" com seu capital -a culpa &amp;eacute; universal. Assim, o pr&amp;oacute;prio Deus encontra-se envolvido nessa culpa geral: se os pobres s&amp;atilde;o culpados e exclu&amp;iacute;dos da gra&amp;ccedil;a, e se, no capitalismo, eles est&amp;atilde;o condenados &amp;agrave; exclus&amp;atilde;o social &amp;eacute; porque "&amp;eacute; a vontade de Deus" ou, o que &amp;eacute; seu equivalente na religi&amp;atilde;o capitalista, a vontade dos mercados.&lt;br /&gt;Bem entendido, se nos situarmos no ponto de vista desses pobres e endividados, &amp;eacute; Deus que &amp;eacute; o culpado, e com ele o capitalismo. Em qualquer dos casos, Deus est&amp;aacute; inextricavelmente associado ao processo de culpabiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o universal.&lt;br /&gt;At&amp;eacute; aqui vimos bem o ponto de partida weberiano do fragmento, em sua an&amp;aacute;lise do capitalismo moderno como religi&amp;atilde;o origin&amp;aacute;ria de uma transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o do calvinismo; mas h&amp;aacute; um trecho em que Benjamin parece atribuir ao capitalismo uma dimens&amp;atilde;o transhist&amp;oacute;rica que n&amp;atilde;o &amp;eacute; mais a de Weber -e tampouco de Marx: "O capitalismo se desenvolveu no Ocidente como um parasita do cristianismo -devemos demonstr&amp;aacute;-lo n&amp;atilde;o somente a prop&amp;oacute;sito do calvinismo, mas tamb&amp;eacute;m das outras correntes ortodoxas do cristianismo-, de tal sorte que no fim das contas a hist&amp;oacute;ria do cristianismo &amp;eacute; essencialmente a de seu parasita, o capitalismo".&lt;br /&gt;O resultado do processo "monstruoso" de culpabiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o capitalista &amp;eacute; a generaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do "desespero": "Ele est&amp;aacute; ligado &amp;agrave; ess&amp;ecirc;ncia desse movimento religioso -que &amp;eacute; o capitalismo- de perseverar at&amp;eacute; o fim, at&amp;eacute; a completa culpabiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o final de Deus, at&amp;eacute; um estado do mundo atingido por um desespero que ainda "esperamos" que seja justo. O que o capitalismo tem de historicamente in&amp;eacute;dito &amp;eacute; que a religi&amp;atilde;o n&amp;atilde;o &amp;eacute; mais reforma, mas a ru&amp;iacute;na do ser. O desespero se estende ao estado religioso do mundo do qual se deveria esperar a salva&amp;ccedil;&amp;atilde;o".&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o estamos distantes, aqui, das &amp;uacute;ltimas p&amp;aacute;ginas da "&amp;Eacute;tica Protestante", em que Weber constata, com um fatalismo resignado, que o capitalismo moderno "determina, com uma for&amp;ccedil;a irresist&amp;iacute;vel, o estilo de vida do conjunto dos indiv&amp;iacute;duos nascidos nesse mecanismo -e n&amp;atilde;o somente daqueles que a aquisi&amp;ccedil;&amp;atilde;o econ&amp;ocirc;mica concerne diretamente".&lt;br /&gt;Ele compara essa coer&amp;ccedil;&amp;atilde;o a uma esp&amp;eacute;cie de pris&amp;atilde;o na qual o sistema de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o racional de mercadorias encerra os indiv&amp;iacute;duos: "Segundo as opini&amp;otilde;es de Baxter, a preocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o pelos bens externos n&amp;atilde;o deveria pesar sobre os ombros de seus santos sen&amp;atilde;o como "um leve manto que a qualquer momento se pode retirar". Mas a fatalidade transformou esse manto em uma jaula de a&amp;ccedil;o".&lt;br /&gt;De Weber a Benjamin nos encontramos em um mesmo campo sem&amp;acirc;ntico, que descreve a l&amp;oacute;gica impiedosa do sistema capitalista. Mas por que ele &amp;eacute; produtor de desespero?&lt;br /&gt;Sendo a "culpa" dos humanos, seu endividamento para com o capital, perp&amp;eacute;tua e crescente, nenhuma esperan&amp;ccedil;a de expia&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; permitida. O capitalista deve constantemente aumentar e ampliar seu capital, sob pena de desaparecer diante de seus concorrentes, e o pobre deve emprestar dinheiro para pagar suas d&amp;iacute;vidas.&lt;br /&gt;Segundo a religi&amp;atilde;o do capital, a &amp;uacute;nica salva&amp;ccedil;&amp;atilde;o reside na intensifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o do sistema, na expans&amp;atilde;o capitalista, no ac&amp;uacute;mulo de mercadorias, mas isso s&amp;oacute; faz agravar o desespero. &amp;Eacute; o que parece sugerir Benjamin com a f&amp;oacute;rmula que faz do desespero um estado religioso do mundo "do qual se deveria esperar a salva&amp;ccedil;&amp;atilde;o".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este texto &amp;eacute; uma vers&amp;atilde;o editada da confer&amp;ecirc;ncia que Michael L&amp;ouml;wy far&amp;aacute; na USP no dia 29 de setembro.&lt;br /&gt;Tradu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Luiz Roberto Mendes Gon&amp;ccedil;alves.&lt;br /&gt;Ref.  &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1809200508.htm" target="_blank"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1809200508.htm&lt;/a&gt;</content>
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<content mode="escaped" type="text/html" xml:base="http://www.gutierrez.pro.br/textos/" xml:space="preserve">&lt;div align="justify"&gt;TRAG&amp;Eacute;DIA NOS EUA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Di&amp;aacute;rios virtuais, facilitados pela conex&amp;atilde;o sem fio, se destacam na cobertura da devasta&amp;ccedil;&amp;atilde;o do furac&amp;atilde;o Katrina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Na d&amp;uacute;vida, mundo se informa por blogs&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;S&amp;Eacute;RGIO D&amp;Aacute;VILA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;DA REPORTAGEM LOCAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o 11 de Setembro foi o evento marcado pelos recados nos celulares e pelos e-mails enviados pelas v&amp;iacute;timas e o per&amp;iacute;odo oficial da Guerra do Iraque n&amp;atilde;o viu mais do que meia d&amp;uacute;zia de di&amp;aacute;rios virtuais narrarem os acontecimentos do front (como Salam Pax), a trag&amp;eacute;dia do furac&amp;atilde;o Katrina entrar&amp;aacute; para a hist&amp;oacute;ria como o dia em que a imprensa tradicional cedeu lugar aos blogs.&lt;br /&gt;A come&amp;ccedil;ar pelo principal jornal de Nova Orleans e regi&amp;atilde;o, o "The Times-Picayune", que, impedido de rodar em papel, passou os &amp;uacute;ltimos dias tirando suas edi&amp;ccedil;&amp;otilde;es virtualmente, at&amp;eacute; sexta, quando voltou ao normal -mas h&amp;aacute; d&amp;uacute;vidas sobre sua sobreviv&amp;ecirc;ncia financeira, assim como a de diversas empresas de diversos setores de l&amp;aacute;.&lt;br /&gt;Seu blog -termo que &amp;eacute; uma abreviatura de weblog, di&amp;aacute;rio virtual-, por&amp;eacute;m, continuava um dos mais visitados na sexta-feira &amp;agrave; noite, principalmente o f&amp;oacute;rum das pessoas desaparecidas, criado na &amp;uacute;ltima quarta. S&amp;oacute; nas primeiras 24 horas, o endere&amp;ccedil;o recebeu 7.400 mensagens.&lt;br /&gt;A caracter&amp;iacute;stica da trag&amp;eacute;dia explica a dificuldade de a imprensa tradicional chegar at&amp;eacute; o local, o que levou os diretores de not&amp;iacute;cias das tr&amp;ecirc;s principais emissoras de TV norte-americanas (ABC, CBS e NBC) a fazerem um mea-culpa coletivo no fim da semana.&lt;br /&gt;Estradas interrompidas, telefones e celulares em pane, eletricidade incerta e dificuldade de acesso: os mesmos problemas afligiram e est&amp;atilde;o afligindo tanto o resgate do governo como o rep&amp;oacute;rter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Presos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Assim, a agilidade dos blogs reside numa palavra: "wireless" (sem fio, em ingl&amp;ecirc;s). Muitos dos cidad&amp;atilde;os, jornalistas ou n&amp;atilde;o, que continuaram a escrever in loco lan&amp;ccedil;aram m&amp;atilde;o do servi&amp;ccedil;o de conex&amp;atilde;o para computador, que prescinde de meios tradicionais.&lt;br /&gt;Foi o caso, por exemplo, do Humid City (cidade &amp;uacute;mida), e do Nola View (Nola, acr&amp;ocirc;nimo de New Orleans e LA, por sua vez sigla daquele Estado americano, Louisiana), dois dos mais vistos. O &amp;uacute;ltimo trazia na sexta &amp;agrave; tarde uma mensagem desesperadora:&lt;br /&gt;"Sexta, 2 de setembro de 2005&lt;br /&gt;Presos em Bayou Road&lt;br /&gt;16h03&lt;br /&gt;Nome: Siddika Jacson&lt;br /&gt;Assunto: Minha hist&amp;oacute;ria do furac&amp;atilde;o - Presos na Bayou Road&lt;br /&gt;Hist&amp;oacute;ria: H&amp;aacute; pelo menos 5-6 pessoas presas numa casa no n&amp;uacute;mero 1735 da Bayou Road. Algu&amp;eacute;m por favor os ajude!!!!"&lt;br /&gt;At&amp;eacute; mesmo brasileiros entraram no ar. Um deles &amp;eacute; o Liberal, Libert&amp;aacute;rio, Libertino, de Alex Castro, 31, estudante de p&amp;oacute;s-gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o na Universidade de Tulane, uma das mais atingidas, e que comoveu o mundo virtual ao narrar o sumi&amp;ccedil;o de seu cachorro, o Oliver (at&amp;eacute; a conclus&amp;atilde;o desta edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o se sabia o destino do poodle). No meio da crise, seu site completou um milh&amp;atilde;o de "page views".&lt;br /&gt;Outro, Idelber Avelar, fez de seu O Biscoito Fino e a Massa um necess&amp;aacute;rio centro de divulga&amp;ccedil;&amp;atilde;o de nomes de pessoas, a maioria brasileiros, que se encontravam no centro do furac&amp;atilde;o e, passado o pior, j&amp;aacute; deram sinal de vida ou continuam desaparecidas.&lt;br /&gt;Ele relata: "Conversei com dois sobreviventes hoje &amp;agrave; noite: se o que voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; vendo na televis&amp;atilde;o &amp;eacute; horrendo o suficiente, voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o imagina o que s&amp;atilde;o os relatos dos que escaparam. Pelo que pude avaliar at&amp;eacute; agora: Ninth Ward, Chalmette, St. Bernard Parish n&amp;atilde;o existem mais, simplesmente. Airline Highway e West End continuam submersos. O Oakwood Mall foi incendiado. H&amp;aacute; partes do French Quarter que n&amp;atilde;o est&amp;atilde;o submersas, mas l&amp;aacute; &amp;eacute; onde os saques (e inclusive inc&amp;ecirc;ndios) campeiam. Nossa cidade, a mais brasileira de todas as cidades americanas, est&amp;aacute; literalmente sendo destru&amp;iacute;da. A sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de impot&amp;ecirc;ncia aqui &amp;eacute; muito grande."&lt;br /&gt;At&amp;eacute; um grande jornal ingl&amp;ecirc;s, o "Guardian", resolveu abrir seu metablog emergencial, um blog que cobre os blogs que est&amp;atilde;o cobrindo a cat&amp;aacute;strofe, como os citados acima. Chama-se "A F&amp;uacute;ria de Katrina" e est&amp;aacute; sob a chancela "reportagens especiais".&lt;br /&gt;:: originalmente publicado na &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft0409200508.htm" target="_blank"&gt;Folha de S&amp;atilde;o Paulo&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;</content>
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<content mode="escaped" type="text/html" xml:base="http://www.gutierrez.pro.br/textos/" xml:space="preserve">By ETHAN TODRAS-WHITEHILL&lt;br /&gt;Published: August 3, 2005&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;THE "Room 208" podcast may just have the youngest production staff in the history of broadcasting. Written, produced and performed entirely by the third and fourth graders in Bob Sprankle's class at the Wells Elementary School in Wells, Me., the podcast - an online radio show that can be downloaded to an MP3 player - began in April, has 171 subscribers for its weekly 20- to 30-minute shows and includes regular features like "Student News," "The Week in Sports" and "Word of the Week."&lt;br /&gt;Skip to next paragraph&lt;br /&gt;Enlarge This Image&lt;br /&gt;Reg Bennett&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://photos21.flickr.com/31828792_315975946c.jpg" align="left" title="foto NY Times PHOTO CREDIT: Reg Bennett" border="0" hspace="4" vspace="4"&gt;ON THE AIR - James Detullio with Zoe Onion and Emily Jones, right, recording the "Room 208" podcast in Wells, Me.&lt;br /&gt;Circuits&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The Digital Student&lt;br /&gt;For the "Net Generation," back to school means more than pens and pencils. The essentials run from laptops to MP3 alarm clocks. A special section.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The May 27 show - a Memorial Day special - also included the students' responding to fan mail and "Bree's Animal Corner," a new weekly feature on which one student read descriptions of pets available for adoption at the Kennebunk Animal Center. That week, the school's public relations officer had come to interview the students about their podcast, and the children, thinking it would make good material, recorded the discussion and included it in their show.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;They spoke confidently about scripts, intros, outros, editing, audio loops and background music and showed the officer how the iPod worked. The fourth graders, who will be in a different school next year, said they weren't worried about leaving Mr. Sprankle's class because they planned to return daily after school to continue their work.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://photos23.flickr.com/31828790_1ba32d37eb.jpg?v=0" align="left" title="foto NY times" border="0" hspace="4" vspace="4"&gt;Circuits&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The Digital Student&lt;br /&gt;For the "Net Generation," back to school means more than pens and pencils. The essentials run from laptops to MP3 alarm clocks. A special section.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"In building this product weekly, the kids are incredibly motivated to read, research, write, and they're telling me they can't wait to get to school," Mr. Sprankle said in an interview for the June 9 episode of "Connect Learning," another podcast (not affiliated with his school). "You can't just fake it with this show. You've got to own it."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mr. Sprankle's experiment with podcasting in the classroom is just one of the interactive technologies some pioneering teachers are using in schools nationwide. Most work teachers have traditionally had students do online - searching Google instead of card catalogs, doing exercises online instead of in workbooks - has largely been in the mold of offline coursework.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;These days, though, some teachers are building coursework around low-cost, software-based technologies. Some other programs include a blog shared among students in rural Maine and inner-city students in San Francisco to promote writing and cultural perspective; a voice over Internet protocol, or VoIP, exchange among schools worldwide to practice foreign language and debate skills; and an urban planning course that's taught using a virtual world.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;When Joel Arquillos, a social studies teacher at the Galileo Academy of Science and Technology in San Francisco, started his 11th-grade American history students blogging, he didn't know what to expect. Mr. Arquillos set up a group blog as a joint project with David Boardman's English class juniors and seniors from rural Winthrop High School in Maine for students to post assignments online, comment on each other's work and expand their cultural awareness.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;At first, the students needed to be prodded to post. But the blog took off when Mr. Arquillos had them write about their neighborhoods. A student who lives in the Tenderloin district in San Francisco described her feelings about the drug dealing and gang violence in the neighborhood. The Maine students posted that they had thought neighborhoods like the Tenderloin were urban legends.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soon, the students started posting on their own to find out what their peers cross-country thought about various subjects (the structure of the new SAT's, good reasons to skip the prom, etc.), discussions that almost came to match the assigned writings in volume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"I want to give these kids the tools to say, 'Hey, my voice is important in this world,' " Mr. Arquillos said after the yearlong experiment. "This blog helps me do that."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;He was introduced to blogging as an educational tool by Patrick Delaney, Galileo's librarian. Mr. Delaney also helped Mindy Chiang, a Mandarin-language teacher at Galileo, set up a blog for her Chinese-American and Chinese immigrant students to write about and post their experiences for the benefit of fifth and sixth graders from schools in Elk Grove and Santa Barbara, Calif., who were studying Chinatowns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ms. Chiang and Mr. Delaney were delighted to discover that the quality of the writing for the blog surpassed her students' previous work. Moreover, when Ms. Chiang had them record audio versions of their essays in English and Mandarin using school iPod's, the students' accents were vastly improved.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"It's pretty clear that they were worried about being embarrassed," said Mr. Delaney, noting that the essays were available to the students' families and Web surfers in China. "Having an audience compelled these kids to step it up a notch."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Still, some educators are not completely sold on the value of interactivity. "If interactivity becomes the fundamental basis of the educational process, how do we judge merit?" asked Robbie McClintock, a learning technologies expert at Teachers College of Columbia University.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The push by some teachers for greater interactivity in the classroom also goes against the current emphasis on testing. Testing requires a known body of material, but interactive learning often involves students' seeking out topics on their own.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It's a conflict that's familiar to Michael Cunningham, a high school speech and debate teacher at Del Valle High School in Del Valle, Tex., outside Austin. Mr. Cunningham runs the Skype Foreign Language Lab, a program that allows students around the world to talk with one another via computers and headsets using the free VoIP phone service Skype.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;He began the exchange in 2002 with three schools; this fall, the network will have 47 schools in seven countries. The program is interdisciplinary; last year, some Del Valle students were assigned phone pals in France, Italy and Turkey to practice foreign languages, while others participated in mock parliamentary debates. But Mr. Cunningham, himself a former principal, said that principals were rarely interested because the program's impact on standardized testing was difficult to gauge. His own principal, he said, was hesitant to allow some students to participate in a 24-school virtual debate last year with the National Urban Debate League because the scheduling conflicted with a practice test for the statewide assessment exam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"I think the testing model is working against education," Mr. Cunningham said. "With Skype, you're opening up the whole world to the student, and that can't help but be good."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;originalmente pblicada no &lt;a href="http://www.nytimes.com/2005/08/03/technology/techspecial3/03ethan.html?oref=login&amp;oref=login" target="_blank"&gt;NY Times&lt;/a&gt;</content>
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<title mode="escaped" type="text/html">Internet est&amp;aacute;vel e segura</title>
<content mode="escaped" type="text/html" xml:base="http://www.gutierrez.pro.br/textos/" xml:space="preserve">&lt;div align="right"&gt;&lt;b&gt;JOAQUIM FALC&amp;Atilde;O&lt;/b&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim como ocorreu com o Protocolo de Kyoto, assinado por Clinton e desconfirmado por Bush, o governo norte-americano mais uma vez voltou atr&amp;aacute;s. Agora, em mat&amp;eacute;ria at&amp;eacute; mesmo mais estrat&amp;eacute;gica que a do aquecimento global. Em 1998, os EUA assumiram o compromisso de abrir m&amp;atilde;o do controle que exercem sobre a internet mundial. H&amp;aacute; algumas semanas, decidiram manter o controle. Indefinidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse controle &amp;eacute; exercido pelo poder de veto que o Departamento de Com&amp;eacute;rcio Norte-Americano tem sobre as atividades estrat&amp;eacute;gicas da Icann. Icann &amp;eacute; uma associa&amp;ccedil;&amp;atilde;o norte-americana sem fins lucrativos que det&amp;eacute;m a chave tecnol&amp;oacute;gica atrav&amp;eacute;s da qual s&amp;atilde;o distribu&amp;iacute;dos os nomes de dom&amp;iacute;nio -os "endere&amp;ccedil;os" na internet-, possibilitando que um e-mail chegue a seu destinat&amp;aacute;rio.&lt;br /&gt;&amp;Eacute; a organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o fundamental da rede. Sem ela, nenhum computador se comunica com outro. Nenhuma empresa com outra. Nenhum pa&amp;iacute;s com outro. Eu n&amp;atilde;o poderia enviar por e-mail para a Folha este artigo que agora escrevo.&lt;br /&gt;Teria que ser por fax ou correio. Quem controla a Icann controla a internet. Controla o mundo das comunica&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&lt;br /&gt;O poder da Icann &amp;eacute; imenso. Ela pode, por exemplo, desconectar qualquer endere&amp;ccedil;o da rede. Pode desconectar um pa&amp;iacute;s inteiro, isol&amp;aacute;-lo do mundo. Pode&lt;br /&gt;impedir que haja comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o via internet dentro do pr&amp;oacute;prio pa&amp;iacute;s, entre seus pr&amp;oacute;prios nacionais. Numa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o extrema de guerra, seu poder &amp;eacute; inimagin&amp;aacute;vel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ex&amp;eacute;rcito nenhum, economia nenhuma, pa&amp;iacute;s nenhum resistiria a uma semana sem internet, sem poder se comunicar consigo mesmo. N&amp;atilde;o &amp;eacute;, pois, sem motivos que o governo norte-americano tomou essa decis&amp;atilde;o. Est&amp;aacute; em jogo uma institui&amp;ccedil;&amp;atilde;o estrat&amp;eacute;gica.&lt;br /&gt;Essa decis&amp;atilde;o interrompe um processo de multilateraliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da governabilidade da internet e imp&amp;otilde;e a unilateraliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &amp;Eacute; preocupante. O Congresso&lt;br /&gt;norte-americano tinha delegado ao Departamento de Com&amp;eacute;rcio o poder de regular a internet. O governo Clinton, tendo em vista o interesse global envolvido, fez com que o departamento delegasse &amp;agrave; Icann -uma entidade com representantes de todos os pa&amp;iacute;ses interessados- o poder de distribuir e operar os nomes de dom&amp;iacute;nio. E estabeleceu um per&amp;iacute;odo de transi&amp;ccedil;&amp;atilde;o para que essa delega&amp;ccedil;&amp;atilde;o fosse completada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse modelo tinha duas vertentes. Por um lado, assegurava uma governabilidade progressivamente multilateral. Por outro, enfatizava mais as&lt;br /&gt;comunidades tecnol&amp;oacute;gicas que os governos. A representa&amp;ccedil;&amp;atilde;o por pa&amp;iacute;s n&amp;atilde;o se fazia em termos estritamente oficiais. O Brasil, por exemplo, tem dois&lt;br /&gt;membros no Conselho de Administra&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Icann, de um total de 18. N&amp;atilde;o s&amp;atilde;o membros do Itamaraty, mas sim indicados pela comunidade de inform&amp;aacute;tica. Essa transi&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute;, agora, interrompida em nome da garantia -afirma o governo Bush- de uma internet "est&amp;aacute;vel e segura". Decis&amp;atilde;o que decorre da mesma pol&amp;iacute;tica que inspira unilateralismo no meio ambiente, no protecionismo econ&amp;ocirc;mico e na geopol&amp;iacute;tica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, a transi&amp;ccedil;&amp;atilde;o caminhava perigosamente em dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um &amp;oacute;rg&amp;atilde;o multilateral oficial dos pa&amp;iacute;ses, inspirado no modelo das Na&amp;ccedil;&amp;otilde;es Unidas. Esse caminho n&amp;atilde;o &amp;eacute; tranq&amp;uuml;ilo. &amp;Eacute; pol&amp;ecirc;mico. Traria pelo menos tr&amp;ecirc;s conseq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncias principais.&lt;br /&gt;Primeiro, tornaria o processo decis&amp;oacute;rio muito mais lento, sendo hoje a agilidade da Icann um ativo importante. Segundo, submeteria os Estados Unidos, que inventaram a internet e a pr&amp;oacute;pria Icann, a pa&amp;iacute;ses de quase ou nenhuma experi&amp;ecirc;ncia tecnol&amp;oacute;gica. Terceiro, organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es das Na&amp;ccedil;&amp;otilde;es Unidas, como a Organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o Mundial do Com&amp;eacute;rcio e a Organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o Mundial da Propriedade Industrial, passariam a influir na Icann.&lt;br /&gt;Seria poss&amp;iacute;vel criar um terceiro modelo, que escapasse da dicotomia entre um modelo unilateral e o modelo multilateral oficial das Na&amp;ccedil;&amp;otilde;es Unidas?&lt;br /&gt;Esse &amp;eacute; o desafio principal. Um modelo que viabilizasse pelo menos duas autonomias hoje inexistentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro, a autonomia financeira. A quase totalidade dos recursos necess&amp;aacute;rios para manter a Icann vem de empresas privadas norte-americanas. Melhor seria se a Icann tivesse sua pr&amp;oacute;pria fonte de recursos, por meio do sistema de registro dos nomes de dom&amp;iacute;nio. Segundo, a autonomia tecnol&amp;oacute;gica. Dos 13 servidores-raiz da internet existentes no mundo, dez s&amp;atilde;o operados nos Estados Unidos, submetidos ao controle tecnol&amp;oacute;gico e&lt;br /&gt;f&amp;iacute;sico de institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es norte-americanas. Os outros tr&amp;ecirc;s est&amp;atilde;o na Inglaterra, no Jap&amp;atilde;o e na Su&amp;eacute;cia. Uma descentraliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica que permitisse, por&lt;br /&gt;exemplo, &amp;agrave; Am&amp;eacute;rica Latina ter em seu territ&amp;oacute;rio um servidor-raiz, o que daria maior autonomia ao sistema.&lt;br /&gt;Quando os pr&amp;oacute;prios Estados Unidos criaram a Icann, instauraram um processo de inven&amp;ccedil;&amp;atilde;o institucional in&amp;eacute;dito na regula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de atividades  globalizadas. O que foi extremamente positivo. Afinal, as gera&amp;ccedil;&amp;otilde;es se distinguem umas das outras e o progresso se faz pela capacidade de inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o e inven&amp;ccedil;&amp;atilde;o institucional. Seja a n&amp;iacute;vel local, seja a n&amp;iacute;vel global. O modelo Icann tem a virtude da exist&amp;ecirc;ncia e da efici&amp;ecirc;ncia. Mas um progressivo processo de inven&amp;ccedil;&amp;atilde;o global se faz necess&amp;aacute;rio. Resta saber se esse processo ser&amp;aacute; ou n&amp;atilde;o interrompido pela decis&amp;atilde;o unilateral do governo Bush. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Joaquim Falc&amp;atilde;o&lt;/b&gt;, 61, mestre em direito pela Universidade Harvard (EUA) e doutor em educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o pela Universidade de Genebra (Su&amp;iacute;&amp;ccedil;a), professor de direito constitucional e diretor da Escola de Direito da FGV-RJ, &amp;eacute; membro do Conselho Nacional de Justi&amp;ccedil;a.&lt;/div&gt;</content>
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<title mode="escaped" type="text/html">UFRGS: Carta da Associa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Docentes sobre reforma universit&amp;aacute;ria</title>
<content mode="escaped" type="text/html" xml:base="http://www.gutierrez.pro.br/textos/" xml:space="preserve">&lt;div align="justify"&gt;O documento faz uma an&amp;aacute;lise da segunda vers&amp;atilde;o do Anteprojeto de Lei de Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o Superior&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis a &amp;iacute;ntegra da carta, recebida pelo &amp;lsquo;JC e-mail&amp;rsquo; nesta ter&amp;ccedil;a-feira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8220;An&amp;aacute;lise cr&amp;iacute;tica do anteprojeto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; primeira vers&amp;atilde;o do anteprojeto, altera&amp;ccedil;&amp;otilde;es significativas podem ser observadas, evidenciando uma real disposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, por parte do Governo, de escutar e considerar manifesta&amp;ccedil;&amp;otilde;es realizadas pelas mais variadas entidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Adufrgs ao apresentar a sua an&amp;aacute;lise do est&amp;aacute;gio atual do anteprojeto, pretende seguir contribuindo para o seu aperfei&amp;ccedil;oamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguem-se tr&amp;ecirc;s grandes itens: Financiamento insuficiente, Conceitua&amp;ccedil;&amp;atilde;o inexistente ou falha e Quest&amp;otilde;es problem&amp;aacute;ticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cada item, os artigos aparecem basicamente segundo a ordem de ocorr&amp;ecirc;ncia no anteprojeto. Para cada ponto analisado, s&amp;atilde;o colocados inicialmente o artigo ou artigos do anteprojeto que a ele dizem respeito e ap&amp;oacute;s o(s) questionamento(s).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Financiamento insuficiente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O financiamento das institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es federais de ensino permanece vinculado ao percentual m&amp;iacute;nimo de 18% dos impostos previstos na Constitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o de 1988.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, s&amp;atilde;o 75% dos 18% da receita resultante de impostos, conforme o artigo 212 da Constitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o Federal que cobrir&amp;aacute; os gastos de "manuten&amp;ccedil;&amp;atilde;o e desenvolvimento do ensino" que correspondem &amp;agrave; remunera&amp;ccedil;&amp;atilde;o e aperfei&amp;ccedil;oamento do pessoal docente e demais profissionais da educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o; aquisi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, manuten&amp;ccedil;&amp;atilde;o, constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o e conserva&amp;ccedil;&amp;atilde;o de instala&amp;ccedil;&amp;otilde;es e equipamentos necess&amp;aacute;rios ao ensino; uso e manuten&amp;ccedil;&amp;atilde;o de bens e servi&amp;ccedil;os vinculados ao ensino; levantamentos estat&amp;iacute;sticos, estudos e pesquisas visando &amp;agrave; melhoria da qualidade e expans&amp;atilde;o do ensino; realiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de atividades-meio necess&amp;aacute;rias ao funcionamento dos sistemas de ensino, como bolsas de estudo a alunos de escolas p&amp;uacute;blicas e privadas, amortiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e custeio de opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es de cr&amp;eacute;dito destinadas &amp;agrave;s a&amp;ccedil;&amp;otilde;es de educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, bem como aquisi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de material did&amp;aacute;tico-escolar e manuten&amp;ccedil;&amp;atilde;o de programas de transporte escolar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al&amp;eacute;m disso, o anteprojeto em sua fase atual, al&amp;eacute;m da expans&amp;atilde;o, prev&amp;ecirc; aumento dos encargos financeiros da Uni&amp;atilde;o no setor do ensino superior p&amp;uacute;blico conforme o artigo 29 "A Uni&amp;atilde;o poder&amp;aacute; participar no financiamento das institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es de educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o superior estaduais e municipais que com ela celebrarem conv&amp;ecirc;nios ou cons&amp;oacute;rcios p&amp;uacute;blicos, com o compromisso de aumento da oferta de vagas e de qualifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos cursos e programas, inclusive visando &amp;agrave; cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de novos estabelecimentos e cursos de educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o superior.", bem como o aumento de gastos das institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es, conforme o par&amp;aacute;grafo &amp;uacute;nico do artigo 57, que estabelece que as medidas de assist&amp;ecirc;ncia estudantil dever&amp;atilde;o ser custeadas com pelo menos cinco por cento da verba de custeio das institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por&amp;eacute;m, de acordo com o Sistema Integrado de Administra&amp;ccedil;&amp;atilde;o Financeira do Tesouro Nacional, Siafi, os gastos com o Ensino Superior em 2004 foram:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Receita l&amp;iacute;quida de impostos: R$ 50.907.383 mil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18% - da Receita l&amp;iacute;quida de impostos: R$ 9.163.329 mil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;75% dos 18%: R$ 6.872.496 mil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despesa Ensino Superior em 2004 R$ 7.155.722 mil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, foi gasto mais do que 75% dos 18%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, o artigo 52 n&amp;atilde;o apresenta solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o para a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o atual das IFES, muito menos o ser&amp;aacute; para a expans&amp;atilde;o prevista por esta reforma. Alternativas se fazem necess&amp;aacute;rias:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) seja a de n&amp;atilde;o descontar a DRU das verbas destinadas &amp;agrave; educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, conforme o documento de princ&amp;iacute;pios lan&amp;ccedil;ado pelo MEC em 2004;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) seja pela eleva&amp;ccedil;&amp;atilde;o do atual percentual de 18% a patamares compat&amp;iacute;veis com as metas de expans&amp;atilde;o e amplia&amp;ccedil;&amp;atilde;o do ensino superior: ou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) seja fazendo o percentual incidir sobre a receita liquida de impostos somada a receita proveniente das contribui&amp;ccedil;&amp;otilde;es, mantendo fidelidade a inten&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos constituintes em 1988, progressivamente, descaracterizada com a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de contribui&amp;ccedil;&amp;otilde;es como CPMF, CIDE, CONFINS e outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;H&amp;aacute; outros elementos preocupantes. A n&amp;atilde;o refer&amp;ecirc;ncia ao Fundeb n&amp;atilde;o exclui a inclus&amp;atilde;o de suas despesas nesse item, devido ao disposto no &amp;sect;6&amp;ordm; do artigo 60 do Ato das Disposi&amp;ccedil;&amp;otilde;es Constitucionais Transit&amp;oacute;rias que determina que 30% dos 18% sejam aplicados na erradica&amp;ccedil;&amp;atilde;o do analfabetismo e na manuten&amp;ccedil;&amp;atilde;o e desenvolvimento do ensino fundamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra preocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao inciso V, par&amp;aacute;grafo 1&amp;deg;, artigo 52, onde n&amp;atilde;o h&amp;aacute; especifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da fonte de recursos para as despesas com aposentados e pensionistas, a serem exclu&amp;iacute;dos do c&amp;aacute;lculo do montante dos recursos a serem destinados &amp;agrave; educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o superior, e a refer&amp;ecirc;ncia a "direitos espec&amp;iacute;ficos" que, ao permitir ampla interpreta&amp;ccedil;&amp;atilde;o, mant&amp;eacute;m a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de vulnerabilidade e de amea&amp;ccedil;a aos direitos auferidos no ato de aposentadoria, ponto j&amp;aacute; questionada por essa Comiss&amp;atilde;o por ocasi&amp;atilde;o da primeira vers&amp;atilde;o do anteprojeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De outra parte, a expans&amp;atilde;o, interioriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e qualifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o superior p&amp;uacute;blica federal est&amp;atilde;o amea&amp;ccedil;adas, pois conforme o artigo 54 estas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es ter&amp;atilde;o seus recursos provenientes da diferen&amp;ccedil;a entre o montante destinado &amp;agrave;s institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es federais de ensino superior e o valor efetivamente utilizado para sua manuten&amp;ccedil;&amp;atilde;o, a qual at&amp;eacute; o presente &amp;eacute; zero ou negativa, conforme ilustrado acima com dados de 2004.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Conceitua&amp;ccedil;&amp;atilde;o inexistente ou falha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em v&amp;aacute;rios pontos do anteprojeto observam-se conceitua&amp;ccedil;&amp;atilde;o inexistente ou falha de elementos chaves sobre os quais o anteprojeto legisla.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PDI &amp;#8211; Plano de Desenvolvimento Institucional&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos artigos 11, 24, 25, 26, 33, 47, 54 e 55 o PDI, Plano de Desenvolvimento Institucional, &amp;eacute; o objeto central ou &amp;eacute; citado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionamento(s):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nenhum artigo do anteprojeto aparece indicado qual o per&amp;iacute;odo de vig&amp;ecirc;ncia de um PDI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inst&amp;acirc;ncia competente que homologar&amp;aacute; os PDIs s&amp;atilde;o os conselhos superiores das institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da classifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o das Institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es de Ensino Superior&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme o artigo 15, as institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es de ensino superior classificam-se em Universidades, Centros Universit&amp;aacute;rios e Faculdades, podendo ser ainda especializadas ou tecnol&amp;oacute;gicas. No artigo 60 o anteprojeto introduz ainda os Institutos de Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o Superior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionamento(s):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es s&amp;atilde;o classificadas segundo o numero m&amp;iacute;nimo de cursos de gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o, p&amp;oacute;s-gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o e a qualidade e dedica&amp;ccedil;&amp;atilde;o do corpo docente. Essa n&amp;atilde;o &amp;eacute; a maneira mais adequada de classificar as Institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es de Ensino Superior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As discuss&amp;otilde;es futuras nos pr&amp;oacute;ximos governos v&amp;atilde;o centrar-se nos n&amp;uacute;meros, alguns v&amp;atilde;o achar que eles s&amp;atilde;o exagerados e outros, ao contr&amp;aacute;rio, insuficientes. N&amp;atilde;o h&amp;aacute; fundamenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o para os aspectos quantitativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es devem ser classificadas, inicialmente, pelas func&amp;otilde;es e objetivos, a exemplo do que acontece nos pa&amp;iacute;ses desenvolvidos. Os aspectos quantitativos podem ser usados para validar as fun&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As fun&amp;ccedil;&amp;otilde;es das Institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es de Ensino Superior podem ser, preponderantemente, as de forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de profissionais, para atender as necessidades da sociedade, ou de gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o do conhecimento, aliado &amp;agrave; forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de profissionais, para o desenvolvimento e progresso da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As primeiras reservadas aos Centros Universit&amp;aacute;rios e as segundas &amp;agrave;s Universidades, essas, necessariamente, com atividades de pesquisas institucionalizadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para serem consistentes com as fun&amp;ccedil;&amp;otilde;es das Institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es de Ensino Superior, propostas acima, os incisos I e II do Art. 6&amp;ordm; devem ser coerentes: o que vale para a p&amp;oacute;s-gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o deveria valer, tamb&amp;eacute;m, para a gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme a nova vers&amp;atilde;o, os cursos de p&amp;oacute;s-gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o podem ser de natureza acad&amp;ecirc;mica ou profissional, assim, os cursos de bacharelados deveriam ser tamb&amp;eacute;m, de natureza acad&amp;ecirc;mica ou profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o somente por esse motivo, ali&amp;aacute;s, mas tamb&amp;eacute;m porque a grande maioria dos bacharelados &amp;eacute;, realmente, de natureza profissional. Al&amp;eacute;m disso, uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de continuidade entre a gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o e a p&amp;oacute;s-gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o acad&amp;ecirc;mica e profissional &amp;eacute; de valor para a sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o superior no sistema federal de ensino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme o artigo 30, a educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o superior no sistema federal de ensino compreende &amp;#8220;I &amp;#8211; as institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es de educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o superior mantidas pela Uni&amp;atilde;o; e II - as institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es de educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o superior criadas e mantidas pela iniciativa privada.&amp;#8221;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionamento(s):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acrescentar o termo criadas ao item I, uma vez que com certeza n&amp;atilde;o s&amp;oacute; as institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es mantidas como tamb&amp;eacute;m as criadas pela Uni&amp;atilde;o integram a educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o superior no sistema federal de ensino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gest&amp;atilde;o democr&amp;aacute;tica nas Universidades e Centros Universit&amp;aacute;rios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo 32 estabelece como dever&amp;aacute; ser definida a organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da universidade e do centro universit&amp;aacute;rio: &amp;#8220;A organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da universidade e do centro universit&amp;aacute;rio ser&amp;aacute; definida por seus colegiados superiores, na forma de seus estatutos e regimentos, assegurada a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o no colegiado superior de representantes dos docentes, dos estudantes, do pessoal t&amp;eacute;cnico e administrativo e da sociedade civil, observada a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o majorit&amp;aacute;ria de docentes em efetivo exerc&amp;iacute;cio na institui&amp;ccedil;&amp;atilde;o, sendo pelo menos cinq&amp;uuml;enta por cento destes de mestres e doutores&amp;#8221;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionamento(s):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo 32 n&amp;atilde;o estabelece algumas diretrizes que seriam extremamente importantes no aspecto de garantir uma gest&amp;atilde;o mais democr&amp;aacute;tica das institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es. N&amp;atilde;o fixa, por exemplo, que os colegiados superiores devam ter fun&amp;ccedil;&amp;otilde;es normativas e deliberativas, permitindo que sejam instalados apenas como &amp;oacute;rg&amp;atilde;os consultivos; nada estabelece sobre a dura&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos mandatos dos colegiados superiores, permitindo que venham a ter car&amp;aacute;ter vital&amp;iacute;cio; e ao nada indicar sobre como se dar&amp;aacute; a escolha da representa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos docentes, dos estudantes e t&amp;eacute;cnicos administrativos, torna mais remota a hip&amp;oacute;tese de que ocorra por elei&amp;ccedil;&amp;atilde;o direta dentre os pares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transfer&amp;ecirc;ncia de cursos e institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es de educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o superior entre mantenedoras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo 45 estabelece que &amp;#8220;a transfer&amp;ecirc;ncia de cursos e institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es de educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o superior entre mantenedoras dever&amp;aacute; ser previamente aprovada pela inst&amp;acirc;ncia pertinente do Poder P&amp;uacute;blico&amp;#8221;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionamento(s):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o &amp;eacute; claro qual a inst&amp;acirc;ncia pertinente do Poder P&amp;uacute;blico neste caso. O MEC?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regime financeiro e cont&amp;aacute;bil das Universidades Federais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo 49 estabelece o que poder&amp;atilde;o realizar as universidades federais no exerc&amp;iacute;cio de sua autonomia e o item VII estabelece: &amp;#8220;adotar regime financeiro e cont&amp;aacute;bil que atenda &amp;agrave;s suas peculiaridades de organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e funcionamento&amp;#8221;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionamento(s):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo &amp;oacute;rg&amp;atilde;o p&amp;uacute;blico tem que seguir a contabilidade p&amp;uacute;blica. N&amp;atilde;o existe previsto outro regime cont&amp;aacute;bil. O regime financeiro &amp;eacute; o da conta &amp;uacute;nica. Assim, qual o sentido deste item?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 - Quest&amp;otilde;es problem&amp;aacute;ticas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conjunto de pontos ou temas do anteprojeto que necessitam de uma discuss&amp;atilde;o aprofundada ou est&amp;atilde;o apresentados de forma conflitante no texto legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compet&amp;ecirc;ncias do Governo em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionamento(s):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O anteprojeto atribui ao Governo (MEC) compet&amp;ecirc;ncias para a Normaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o Superior, da Supervis&amp;atilde;o, da Regula&amp;ccedil;&amp;atilde;o e da Avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o, bem como a Supervis&amp;atilde;o, o controle da Regula&amp;ccedil;&amp;atilde;o e a Avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &amp;Eacute; um sistema excessivamente centralizador. Ao Governo cabe a tarefa de Normaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e Supervis&amp;atilde;o, mas o controle da Regula&amp;ccedil;&amp;atilde;o deve ser compartilhada com os Munic&amp;iacute;pios, no caso de Faculdades, e com os Estados, no caso de Centros Universit&amp;aacute;rios. A Avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o Superior deve ser compartilhada com as Associa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de Ensino, credenciadas pelo MEC, no caso de cursos de gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o, e com as Sociedades Cient&amp;iacute;ficas, credenciadas pelo MEC, no caso de cursos de P&amp;oacute;s-Gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o. A Avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o Institucional deve ficar a cargo do governo (MEC), no caso de Universidades, a cargo dos Estados, no caso de Centros Universit&amp;aacute;rios, e a cargo dos Munic&amp;iacute;pios, no caso de Faculdades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dura&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos cursos de gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o e ciclo de forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o geral&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo 4, par&amp;aacute;grafo &amp;uacute;nico, trata do ciclo de forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o geral e da dura&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos cursos de gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionamento(s):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo curso de gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o deve ter uma forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o human&amp;iacute;stica com vistas &amp;agrave; inser&amp;ccedil;&amp;atilde;o do futuro profissional na sociedade para que a ela ofere&amp;ccedil;a seus servi&amp;ccedil;os e dela recebe, em troca, benef&amp;iacute;cios, servi&amp;ccedil;os e produtos. As Institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es devem ter a liberdade de estabelecer a forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o human&amp;iacute;stica da forma que melhor convier. O anteprojeto fere a autonomia universit&amp;aacute;ria na medida em que estabelece a maneira como a forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o geral deve ser trabalhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cursos de Bacharelado, hoje, t&amp;ecirc;m uma dura&amp;ccedil;&amp;atilde;o m&amp;iacute;nima de 4 anos. Para incluir um ciclo de forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o geral e manter os quatro anos de dura&amp;ccedil;&amp;atilde;o, conte&amp;uacute;dos devem ser cortados. Em um Pa&amp;iacute;s onde apenas 9% da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o jovem, entre 18 a 24 anos, est&amp;atilde;o na Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o Superior, a redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de conte&amp;uacute;dos vai levar a uma excessiva especializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, o que, no momento, ser&amp;aacute; prejudicial ao Pa&amp;iacute;s.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cursos Seq&amp;uuml;enciais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme constava j&amp;aacute; na primeira vers&amp;atilde;o do anteprojeto, estabelece o artigo 6 que os cursos seq&amp;uuml;enciais passam a integrar a forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o continuada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionamento(s):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Cursos Seq&amp;uuml;enciais tem dado uma grande contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o social. S&amp;atilde;o cursos de n&amp;iacute;vel superior de curta dura&amp;ccedil;&amp;atilde;o, m&amp;iacute;nimo de dois anos, maioria noturnos, mais especializados nas quest&amp;otilde;es do "fazer". A sua maior demanda est&amp;aacute; nas classes mais humildes da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Esses cursos despertam grande interesse, sobretudo, aqueles que aprenderam a exercer uma profiss&amp;atilde;o por conta pr&amp;oacute;pria, observando ou usando o autodidatismo. Um curso seq&amp;uuml;encial para esses, especialmente para aqueles que possuem muitos anos de vida profissional, j&amp;aacute; adultos, confere uma forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o sistematizada e melhora a qualidade do exerc&amp;iacute;cio profissional. Quem ganha &amp;eacute; a sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado os cursos seq&amp;uuml;enciais s&amp;atilde;o mais gen&amp;eacute;ricos que os cursos de forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica. Para as &amp;aacute;reas de humanas, os cursos seq&amp;uuml;enciais parecem fazer sentido, enquanto que os de forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica, n&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cursos seq&amp;uuml;enciais presentemente integram a educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o superior. A mudan&amp;ccedil;a na sua classifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o significa, praticamente, que eles n&amp;atilde;o mais dar&amp;atilde;o direito a diploma, mas t&amp;atilde;o somente a certificado, tirando boa parte do apelo que hoje eles det&amp;ecirc;m, sobretudo entre os adultos, e muito provavelmente diminuindo drasticamente o interesse no seu oferecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabe lembrar que os cursos Seq&amp;uuml;enciais, nos termos da LDB, s&amp;atilde;o cursos de n&amp;iacute;vel superior, mas n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o cursos de gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o e, portanto, s&amp;atilde;o cursos terminais, como devem ser, n&amp;atilde;o concedendo, portanto, aos concluintes o direito a p&amp;oacute;s-gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Assim, eles diferenciam ainda mais dos cursos de Forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o Tecnol&amp;oacute;gica, e sua extin&amp;ccedil;&amp;atilde;o, como curso com direito a diploma, n&amp;atilde;o tem similar previsto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vincula&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre cursos acad&amp;ecirc;micos e &amp;oacute;rg&amp;atilde;os de classe e similares&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo 7, par&amp;aacute;grafo primeiro, estabelece que &amp;#8220;as orienta&amp;ccedil;&amp;otilde;es gerais referentes aos crit&amp;eacute;rios para autoriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e reconhecimento dos cursos de gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o em biomedicina, enfermagem, farm&amp;aacute;cia, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina, nutri&amp;ccedil;&amp;atilde;o, odontologia, psicologia e terapia ocupacional, bem como cursos de educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o profissional tecnol&amp;oacute;gica na &amp;aacute;rea da sa&amp;uacute;de profissional de sa&amp;uacute;de, ser&amp;atilde;o estabelecidas ap&amp;oacute;s manifesta&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Conselho Nacional de Sa&amp;uacute;de&amp;#8221;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionamento(s):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estabelece-se no par&amp;aacute;grafo primeiro do artigo 7 uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre "forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o" e "profiss&amp;atilde;o". Isso &amp;eacute; preocupante uma vez que a forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o tem a ver com a gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o do conhecimento e a profiss&amp;atilde;o com o mercado de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atrelar a forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; profiss&amp;atilde;o significa engessar a forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o, tolhendo a liberdade das institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es ensino superior de estabelecer seus planos pedag&amp;oacute;gicos, livres de quaisquer outras regras que n&amp;atilde;o aquelas estabelecidas nas diretrizes curriculares de cada curso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alem disso, o Sistema Nacional de Sa&amp;uacute;de e, tamb&amp;eacute;m, os &amp;Oacute;rg&amp;atilde;os de Classe, n&amp;atilde;o possuem compet&amp;ecirc;ncias e nem a qualidade necess&amp;aacute;ria para atuar no campo da Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconhecimento de diplomas de mestrado e de doutorado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O par&amp;aacute;grafo 8 do artigo 6 estabelece que os diplomas de mestrado e de doutorado expedidos por universidades estrangeiras s&amp;oacute; poder&amp;atilde;o ser reconhecidos por universidades que possuam cursos de p&amp;oacute;s-gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o avaliados e reconhecidos, na mesma &amp;aacute;rea do conhecimento e em n&amp;iacute;vel equivalente ou superior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionamento(s):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O par&amp;aacute;grafo 8 do artigo 6 est&amp;aacute; demasiadamente gen&amp;eacute;rico. O reconhecimento de diplomas de cursos realizados em universidades estrangeiras deveria estar restrito &amp;agrave;quelas universidades que possuam cursos de p&amp;oacute;s-gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o na mesma &amp;aacute;rea do conhecimento e em n&amp;iacute;vel equivalente, ou superior, ao obtido no exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;S&amp;oacute; na aus&amp;ecirc;ncia de curso equivalente no Pa&amp;iacute;s &amp;eacute; que a equival&amp;ecirc;ncia por curso na mesma &amp;aacute;rea do conhecimento deveria ser uma possibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atividade principal das mantenedoras de IES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme o artigo 13, inciso II, uma das possibilidades de mantenedora de institui&amp;ccedil;&amp;atilde;o de educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o superior &amp;eacute; &amp;#8220;sociedade, associa&amp;ccedil;&amp;atilde;o ou funda&amp;ccedil;&amp;atilde;o, com personalidade jur&amp;iacute;dica de direito privado, cuja finalidade principal dever&amp;aacute; ser a educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;#8221;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionamento(s):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buscando fugir a dificuldades que podem facilmente ser antevistas de defini&amp;ccedil;&amp;atilde;o de qual seria a atividade principal de algumas sociedades, associa&amp;ccedil;&amp;otilde;es ou funda&amp;ccedil;&amp;otilde;es, entende a Comiss&amp;atilde;o que no caso em pauta a educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o deveria ser a finalidade exclusiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diretrizes para institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es de educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o superior&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No artigo 17 que trata das diretrizes que as institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es de educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o superior dever&amp;atilde;o observar, o inciso I estabelece &amp;#8220;implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de planos de carreira, bem como de capacita&amp;ccedil;&amp;atilde;o e treinamento, para docentes e pessoal t&amp;eacute;cnico e administrativo&amp;#8221;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionamento(s):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al&amp;eacute;m de capacita&amp;ccedil;&amp;atilde;o e treinamento, tamb&amp;eacute;m deveria constar neste inciso a atualiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do corpo docente e pessoal t&amp;eacute;cnico e administrativo, bem como seja exigido que a totalidade do corpo docente tenha a titula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de doutor ou mestre at&amp;eacute; 2015.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abrang&amp;ecirc;ncia dos Centros Universit&amp;aacute;rios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo 23 estabelece, entre outros, a abrang&amp;ecirc;ncia dos Centros Universit&amp;aacute;rios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionamento(s):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Centros Universit&amp;aacute;rios, de acordo com o projeto de lei, s&amp;atilde;o estruturas pluridisciplinar, mas estranhamente, somente poder&amp;atilde;o criar cursos no mesmo campo do saber. Al&amp;eacute;m disso, a autonomia para fixar o n&amp;uacute;mero de vagas em seus cursos de gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o, sem que, no processo avaliativo possa ser verificada a capacidade de infra-estrutura e de pessoal, pode gerar problemas imediatos de redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de qualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da expans&amp;atilde;o de vagas de Faculdade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo 39 no seu par&amp;aacute;grafo 2 estabelece que a &amp;#8220;faculdade poder&amp;aacute;, no ato de reconhecimento ou de renova&amp;ccedil;&amp;atilde;o de reconhecimento de cursos de gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o que tiverem recebido avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o positiva, na forma da Lei no 10.861, de 2004, ampliar o n&amp;uacute;mero de vagas em at&amp;eacute; cinq&amp;uuml;enta por cento&amp;#8221;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionamento(s):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &amp;sect; 2&amp;ordm; do Art. 39 &amp;eacute; um "cheque em branco". Aumento de vagas n&amp;atilde;o pode acontecer sem a exist&amp;ecirc;ncia de condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es adequadas e suficientes de pessoal e infra-estrutura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atribui&amp;ccedil;&amp;otilde;es de autonomia universit&amp;aacute;ria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme o artigo 49, &amp;sect; 2&amp;ordm;, &amp;eacute; aberta a possibilidade de uma IES de alta qualifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o receber atribui&amp;ccedil;&amp;otilde;es de autonomia: &amp;#8220;Atribui&amp;ccedil;&amp;otilde;es de autonomia universit&amp;aacute;ria poder&amp;atilde;o ser estendidas a institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es que comprovem alta qualifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o para o ensino ou para a pesquisa, com base em avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o realizada pelo Poder P&amp;uacute;blico&amp;#8221;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionamento(s):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual a inst&amp;acirc;ncia que conferiria essas atribui&amp;ccedil;&amp;otilde;es de autonomia universit&amp;aacute;ria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carreira docente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo 62 estabelece que, em dois anos contados a partir de primeiro de janeiro do ano imediatamente subseq&amp;uuml;ente ao da publica&amp;ccedil;&amp;atilde;o desta Lei, ser&amp;aacute; encaminhado pelo Poder Executivo, ao Congresso Nacional, novo plano de carreira do magist&amp;eacute;rio superior das institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es federais de educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o superior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionamento(s):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A import&amp;acirc;ncia estrat&amp;eacute;gica da educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e, em especial da educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o superior p&amp;uacute;blica brasileira, para o Pa&amp;iacute;s, est&amp;aacute; a exigir que a fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o docente seja inclu&amp;iacute;da entre as carreiras de estado. N&amp;atilde;o parece existir momento mais prop&amp;iacute;cio para tal que aquele da defini&amp;ccedil;&amp;atilde;o da nova carreira docente nas institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es federais de educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o superior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Defini&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos objetivos das Faculdades&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo 25 estabelece, entre outros, os objetivos das Faculdades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionamento(s):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os objetivos das Faculdades, segundo o projeto, &amp;eacute; forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o pessoal e profissional de elevada qualidade cientifica, cultural e t&amp;eacute;cnica. Ora, isso leva a crer que as Universidades e Centros Universit&amp;aacute;rios n&amp;atilde;o precisam formar pessoal e profissional de elevada qualidade cientifica, cultural e t&amp;eacute;cnica. N&amp;atilde;o faz sentido definir Faculdade com esses objetivos, eles devem ser intr&amp;iacute;nsecos a todas as Institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medidas de Refor&amp;ccedil;o da Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o B&amp;aacute;sica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo 55, Par&amp;aacute;grafo &amp;Uacute;nico estabelece que as Institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es de Ensino Superior adotem medidas de refor&amp;ccedil;o de ensino, relativamente a conte&amp;uacute;dos da educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o b&amp;aacute;sica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionamento(s)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o &amp;eacute; fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o Superior promover a&amp;ccedil;&amp;otilde;es de refor&amp;ccedil;o do Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o B&amp;aacute;sica. O Artigo atesta, oficialmente, que o ensino b&amp;aacute;sico &amp;eacute; de baixa qualidade. A&amp;ccedil;&amp;otilde;es de refor&amp;ccedil;o pode, inclusive, piorar a qualidade da Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o B&amp;aacute;sica, na medida que "refor&amp;ccedil;os" ser&amp;atilde;o assegurados para resolver o problema. Alem disso, este tema n&amp;atilde;o &amp;eacute; relevante a "Reforma da Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o Superior". O aumento da dura&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o B&amp;aacute;sica de 11 para, no m&amp;iacute;nimo, 12 anos, resolve parte desse problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Processo seletivo e ensino b&amp;aacute;sico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo 19 estabelece que as universidades, ao deliberar sobre crit&amp;eacute;rios e normas de sele&amp;ccedil;&amp;atilde;o e admiss&amp;atilde;o de estudantes, levar&amp;atilde;o em conta os efeitos desses crit&amp;eacute;rios sobre a orienta&amp;ccedil;&amp;atilde;o do ensino m&amp;eacute;dio, articulando-se com os &amp;oacute;rg&amp;atilde;os normativos dos sistemas de ensino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionamento(s)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O objetivo da Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o B&amp;aacute;sica &amp;eacute;, entre outros, a forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o do cidad&amp;atilde;o e a prepara&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos indiv&amp;iacute;duos para os desafios da vida. O artigo 19 estabelece uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre crit&amp;eacute;rios de sele&amp;ccedil;&amp;atilde;o de estudantes para as universidades e o Ensino B&amp;aacute;sico. Esse artigo pode ter a seguinte interpreta&amp;ccedil;&amp;atilde;o: o objetivo da Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o B&amp;aacute;sica &amp;eacute; preparar alunos para os vestibulares e processos seletivos das IES. O Art. 19 deve ser extinto.&amp;#8221; &lt;br /&gt;:: no &lt;a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=29897" target="_top"&gt;Jornal da Ci&amp;ecirc;ncia&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content>
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