dez 06 2008

Refletindo sobre as minhas previsões sobre a aprendizagem em 2008

Categorias: blog,educação,mobilidade,redes sociais,tecnologiaSuzana Gutierrez @ 05:59

Em janeiro deste ano, seguindo a proposta do Learning Circuits em uma de suas “Grandes Questões”, publiquei as minhas previsões sobre a aprendizagem em 2008. Hoje, propus uma pequena avaliação destas previsões. Uma forma de rever o processo e confrontar a dimensão de nossa capacidade de interpretar o contexto e as tendências em educação.

Então, reescrevo e comento as minhas previsões, considerando a minha interpretação do contexto atual. Não se surpreendam com a quantidade de pronomes possessivos 🙂 A idéia é deixar claro que esta esta é uma forma individual e particular de olhar a realidade.

Lá vai:

Eu penso que em 2008 continuará a tendência da valorização e do incentivo da aprendizagem nos espaços não formais. É uma tendência que vem se firmando faz tempo e que está conquistando cada vez mais a atenção dos professores, por exemplo.
Penso que esta previsão foi correta. Espaços não formais como os gerados por redes mediadas por blogs, wikis, sites de redes sociais, e outros ambientes\tecnologias que permitem a interligação e a interação foram suportes importantes de processos de aprendizagem, especialmente para os professores que, aos poucos, vão se apropriando destas tecnologias.

A aprendizagem online também deverá aumentar, conforme aumenta o uso das tecnologias da informação e da comuicação nas escolas. Sites de redes sociais (Orkut), mensagens instantâneas, blogs, wikis, agregadores e o email serão mais usados por professores e alunos.
Esta previsão tem pelo menos 3 desdobramentos. Primeiro: a possibilidade de aprendizagem online realmente cresceu, pois a oferta de cursos online aumentou espantosamente (aqui não entro na discussão sobre a qualidade dos cursos e os interesses em jogo neste movimento de expansão).

Em segundo lugar, este crescimento é relativo nas escolas. Ainda é problemático afirmar que as escolas estão mais “informatizadas”, ainda permanecem muitas dificuldades na maioria das escolas. Ter computadores é apenas parte da questão.

E, em terceiro lugar, blogs, wikis, sites de redes sociais etc., mesmo tendo seu uso expandido, inclusive com educadores tendo conquistado prêmios em Educação com projetos que os utilizam, ainda são muito mal compreendidos nas escolas e, de modo geral, não integram as práticas educativas cotidianas. Em algumas instituições e até em redes educacionais tem o acesso bloqueado.

Apesar das leis contra o uso dos telefones móveis em sala de aula, penso que a educação começará a perceber as potencialidades destes aparelhos no contexto educativo: comunicação, uso de imagem, documentação, mapeamento e , até, cinema.

Penso que a educação começa a perceber estas potencialidades, porém a reflexão sobre isso ainda é muito incipiente. A premência de cumprimento de prazos, conteúdos e dos demais rituais da escola, restringem as possibilidades de aprofundar esta e outras reflexões. Eu acreditava que se pudesse andar mais do que se andou neste tema em 2008.

Dando força para as previsões anteriores, crescerá a mobilidade com a disseminação das conexões sem fio e o barateamento de hardwares mais móveis (notebooks, pdas, smartphones, …)
Mesmo considerando a nova crise do capitalismo internacional, continua crescendo a mobilidade, a disseminação das redes sem fio, o barateamento das alternativas mais móveis de hardware. Além disso, notei um movimento de super oferta destes bens, num sentido de expansão dos tipos e formas, funcionalidades, utilidades e inutilidade, algumas claramente estratégias mercadológicas.

Estes são meus breves comentários, passíveis de atualização, sobre o que eu havia previsto em 2008. Espero que os leitores tirem um tempinho paa contribuir com esta discussão.

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dez 02 2008

wikis, blogs – autoria, autenticidade e controle

Categorias: blog,educação,tecnologia,teoriaSuzana Gutierrez @ 05:07

Em Dialética do Concreto, Kosík, fundamentado em Marx, diz que as coisas não são entregues a nossa compreensão instantaneamente. Explica que, embora usem o dinheiro, os homens não compreendem o dinheiro. O que ele chama de pseudoconcreticidade é uma camada que tem de ser rompida, não para encontrar algo novo que estava escondido, mas para dialéticamente poder compreender a realidade.

A escrita em wikis e blogs é bastante difundida e, inclusive, estudada. Porém, será que fora do âmbito de alguns estudos, as pessoas compreendem o uso dos blogs e wikis?

São tecnologias recentes, assim como bem recente é seu uso em educação, por exemplo. Inúmeros projetos envolvendo professores, alunos e escolas têm sido desenvolvidos. Porém, eu pergunto: em quantos destes projetos existiu a reflexão sobre os limites e as possibilidades (as contradições) do uso destas tecnologias?

Um wiki, originalmente, é uma página de edição aberta, coletiva, de autoria compartilhada. Quantos professores, alunos e instituições estão preparados para isso? Para compartilhar a autoria uns com os outros, para abrir mão de assinar seu texto?

Poucos. E é por isso que a maioria dos wikis de projetos educacionais não usa a edição aberta e compartilhada. Os wikis têm senhas, usuários identificados. São, enfim, controlados.

Quase todos ficam preocupados com o conteúdo, com a correção da língua, com as pixações que normalmente acontecem em wikis (as intencionais e as acidentais). O mesmo vale para os blogs e eu mesma passei por estas preocupações tempos atrás.

Se, por um lado, controlar mantém uma certa ordem (ou uma ordem considerada certa…), por outro perde-se momentos de rica aprendizagem. De discutir a produção coletiva, a colaboração, o despreendimento da identificação individual. De conversar sobre o anonimato, a autenticidade e a autoria nas situações que ocorrem na produção dos hipertextos.

Estão os professores preparados para isso? Ou os mecanismos de controle e a autoridade sobre o texto de todos são acionados cada vez que a situação for diferente do que o professor considera adequada? Aliás, quem determina (!) o que é adequado?

Considerando as experiências que tive com a utilização de wikis, observo que o mesmo professor (ou aluno) que fica histérico com a alteração ou a destruição de uma contribuição sua, é, em muitos casos, o mesmo que posta imagens e textos copiados de outros sites sem fazer referência da autoria. O que é, no meu entender, um incidente muito mais grave.

Na PEAD-UFRGS, tivemos a edição compartilhada (login compartilhado) de um wiki no qual quase 300 professores contribuíram. Imaginem todas as questões de autoria, pixação, vandalismo, até brigas …. Foi muito enriquecedor vivenciar esta experiência.

Mostrou que é equivocado tentar ficar 24h de plantão para manter o wiki na ordem que TU achas adequada. Proporcionou exercer a paciência e o acolhimento em relação a aprendizagem do outro, em relação aos limites da própria tecnologia e em relação às próprias falhas como professores.

O que seria mais urgente discutir com os alunos e colegas: o que é adequado e o que não é, as mazelas do anonimato e das pixações, o uso de textos/imagens de outros autores sem referência (plágio), os limites e possibilidades de cooperar?

E aí voltamos a reflexão sobre todos estes processos. Em que medida copiar, colar, plagiar, apagar, alterar no âmbito de um blog ou wiki de edição compartilhada são ações realmente compreendidas em todas as suas dimensões?

Eu penso que estes “problemas” são bem vindos quando trabalhamos em projetos com produção colaborativa\cooperativa. São bem vindos na medida que abrem espaço para discutir e refletir sobre estas questões e avançar no sentido de compreender a realidade.

* o texto é do Professor Marcelo, publicado “no lugar errado” e deletado (uma hora depois) em ser professor\ser professora. Um exemplo do que se perde…

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jan 05 2008

A aprendizagem em 2008

Categorias: blog,educação,mobilidade,tecnologiaSuzana Gutierrez @ 18:40

What are your Predictions for Learning in 2008?

ou

Quais as suas previsões para a Aprendizagem em 2008?

Para responder esta questão, proposta pelo Learning Circuits, é necessário ter o despreedimento de dizer coisas que, daqui uns meses, poderão levar a tag “bobagens”. Como isso não é nem um pouco incomum na minha vida, vamos lá.

Eu penso que em 2008 continuará a tendência da valorização e do incentivo da aprendizagem nos espaços não formais. É uma tendência que vem se firmando faz tempo e que está conquistando cada vez mais a atenção dos professores, por exemplo.

A aprendizagem online também deverá aumentar, conforme aumenta o uso das tecnologias da informação e da comuicação nas escolas. Sites de redes sociais (Orkut), mensagens instantâneas, blogs, wikis, agregadores e o email serão mais usados por professores e alunos.

Apesar das leis contra o uso dos telefones móveis em sala de aula, penso que a educação começará a perceber as potencialidades destes aparelhos no contexto educativo: comunicação, uso de imagem, documentação, mapeamento e , até, cinema.

Dando força para as previsões anteriores, crescerá a mobilidade com a disseminação das conexões sem fio e o barateamento de hardwares mais móveis (notebooks, pdas, smartphones, …)

Esta foi a questão do mês, proposta por Tony Karrer do Learning Circuits.

Proponho aos meus leitores responder, considerando o contexto brasileiro ou, até, regional. Copiem o logo, postem a resposta e linkem a postagem original do Learning Circuits e esta minha postagem, para criarmos a rede nacional da bola de cristal na educação 🙂

Me avisem nos comentários deste post que eu linkarei aqui mesmo as respostas:

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