Seria muita sacanagem com o feed, então vou continuar a história aqui, motivada pela conversa que aconteceu lá no GReader.
Duas coisas, pelo menos, ficaram abertas nesta história e, combinadas com as minhas atuais leituras, tornaram a minha historinha de Natal um espaço de reflexão. Bom porque me ajuda em algumas questões que andam parasitando as minhas horas pensantes.
Na minha história, tirando a parte em que o cachorro sequestra Jesus, o real sentido do Natal fica nas entrelinhas. Isso acontece dentro do contexto das lembranças de uma criança de uns 4 ou 5 anos, que reteve o que era mais marcante: o ritual e as coisas mais mais atraentes.
Minha família era heterogeneamente religiosa: a família de minha mãe tem um forte acento cristão católico-protestante, que foi evoluindo dentro de um sincretismo muito grande. Já o meu pai tinha a crença de que “a melhor religião é uma boa conduta” e alguma birra com padres e missas. Assim, as mensagens que recebíamos eram bastante contraditórias.
No Natal, a parte religiosa equivalia a parte profana, ao que me lembre. Na minha casa, ficava por conta das histórias que a mãe e as avós contavam durante a montagem do presépio. Histórias repetidas, que nós pedíamos. Acho que eram as únicas histórias que a mãe um dia contou. Já o meu pai, o rei das histórias, não contava nenhuma de Natal, a não ser a dos merengues.
Na noite de Natal, havia os cânticos ao pé da árvore e as rezas, estas puxadas pelas vizinhas, um grupo que de alguma forma estava presente em todos os lugares. O meu bairro, Navegantes, no 4º distrito de Porto Alegre, era um bairro operário e de imigrantes. Tinha colônias alemã, italiana, polonesa, fortes . Meu avô, o morador original, se chamava Franzen, e as pessoas que cercavam a minha infância, eram Rauber, Sgiers, Klaus, … e … Reginatto, Ughini, De Negri, … Isso deve explicar alguns costumes que caracterizavam a rua e o bairro.
A outra linha de pensamento que esta história abriu foi sobre a questão de classe que emerge em todos os contextos. Foi por aí que o comentário do Sérgio e as minhas leituras pegaram. Classe, na teoria marxista, não é uma divisão por renda ou origem. Classe se define por um conjunto de relações sociais características de um grupo, relações estas que instituem uma visão de mundo e conferem identidade.
Toda a história, aconteceu num contexto de classe e é narrada, também, numa perspectiva de classe, nem sempre a mesma classe. Quando construímos a nossa vida por meio das diversas práticas sociais, isso é feito ao mesmo tempo em que construímos um conjunto de práticas estéticas, intelectuais, culturais, … Este referencial nem sempre está de acordo com o referencial dominante na sociedade da época, mas sempre e em muitas maneiras é por este subsumido. As ideias dominantes numa época são são as ideias da classe dominante (Marx) e elas são a referência para toda a sociedade.
É por aí que o colonizado se identifica com o colonizador. O nosso Papai Noel disciplinador tinha muito a ver com adequação do trabalhador para as condições de trabalho, exaltando a conformidade com as regras, a submissão.
Esta perspectiva de classe está presente quando nos reunimos em grupos, quando pensamos transformações na educação, quando produzimos conhecimento. Nada em educação (e na pesquisa!) fica alheio aos conflitos e contradições deste nosso processo de construção da vida em condições históricas específicas.
Fica evidente, para dar um exemplo do momento, na supremacia do papai noel sobre o menino Jesus. Afinal, o nascimento do filho de um carpinteiro, o Salvador para uma parte da humanidade, não vende mercadorias concretas ou abstratas na mesma proporção que a lenda dos presentes.

Em 2001\2002, quando iniciei as pesquisas de doutorado, tive dificuldade em localizar material sobre blogs e, mais ainda, sobre blogs e educação. Usava, na época, o




