jan 27 2010

FSM – Harvey e a transição anti-capitalista

Categorias: movimentos sociais,mundo,política,teoria,visão de mundoSuzana Gutierrez @ 16:20

Ontem assisti o primeiro debate da reunião de 10 anos do Forum Social Mundial.  Entre as participações enriquecedoras de Susan George, Paul Singer,  João Felício, foi a fala de David Harvey que mais me empolgou.  Harvey, nos últimos tempos vem trabalhando na perspectiva de organizar uma transição anti-capitalista e foi este, dentro do tema proposto para o debate – A Conjuntura Econômica Hoje – , o foco escolhido para a sua fala.

Marco Weissheimer sintetizou muito bem a maioria dos pontos abordados por Harvey, em especial, o que no meu enterder foi o cerne de sua exposição:

Não basta, portanto, denunciar a irracionalidade do capitalismo. É importante lembrar, assinala Harvey, o que a Marx e Engels apontaram no Manifesto Comunista a respeito das profundas mudanças que o capitalismo trouxe consigo: uma nova relação com a natureza, novas tecnologias, novas relações sociais, outro sistema de produção, mudanças profundas na vida cotidiana das pessoas e novos arranjos políticos institucionais. “Todos esses momentos viveram um processo de co-evolução. O movimento anti-capitalista tem que lutar em todas essas dimensões e não apenas em uma delas como muitos grupos fazem hoje. O grande fracasso do comunismo foi não conseguir manter em movimento todos esses processos. Fundamentalmente, a vida diária tem que mudar, as relações sociais têm que mudar”, defende. [ler na íntegra o artigo na Agência Carta Maior]

O que eu acrescentaria é que Harvey abordou o tema proposto de forma dialética, a partir da totalidade. Totalidade, como um todo concreto e relacional, constituído por múltiplas determinações e mediações históricas,  na qual as contradições  são o movimento que desenvolve a possibilidade de uma transição anti-capitalista dentro da atual conjuntura econômica mundial. Uma aula de método dialético e de marxismo.

Essencial a sua afirmação de que é inevitável chegarmos a um ponto de inflexão na história do capitalismo,  sem determinismos lineares, mas considerando a contradição entre os limites de possibilidade de expansão e a necessidade sistêmica da manutenção do crescimento. São estas oscilações quantitativas que determinam as mudanças qualitativas.

Harvey propõe uma teoria da transição que considera dialéticamente 7 momentos, fundamentados na análise de Marx sobre a transição do feudalismo para o capitalismo:

1 – as formas tecnológicas e organizacionais de produção, troca e consumo.

2 – a relação com a natureza

3 – as relações sociais entre as pessoas

4 – visões de mundo (ou concepções mentais do mundo) envolvendo o conhecimento, cultura e crenças.

5 – o processo de trabalho e produção de bens específicos, de serviços, de influências.

6 – os arranjos legais, intitucionais e governamentais.

7 – a direção da vida cotidiana que sustenta reprodução social.

A mudança será efetiva se for conjunta em todas estas frentes, que são  relacionadas. Eu acrescentaria, me valendo de Mészaros (O poder da ideologia), que é necessário assegurar continuidade na mudança e mudança na continuidade, além de pensar o imediato, como imediato estratégico, como transformação que não possa ser tomada ou revertida.

Assim, é importante que o FSM não seja um evento auto-contido no seu espaço tempo de realização, que seja avaliado constantemente, pela ressignificação de suas finalidades e objetivos.  Eu penso que um outro mundo é possível, mas estou consciente de que o caminho é importante e que o rumo deve ser continuamente conferido.

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dez 24 2009

Histórias de Natal II

Categorias: rastros,teoria,visão de mundoSuzana Gutierrez @ 11:24

Seria muita sacanagem com o feed, então vou continuar a história aqui, motivada pela conversa que aconteceu lá no GReader.

Duas coisas, pelo menos,  ficaram abertas nesta história e, combinadas  com as minhas atuais leituras,  tornaram  a minha historinha de Natal um espaço de reflexão.  Bom porque me ajuda em algumas questões que andam parasitando as minhas horas pensantes.

Na minha história, tirando a parte em que o cachorro sequestra Jesus, o real sentido do Natal fica nas entrelinhas. Isso acontece dentro do contexto das lembranças de uma criança de uns 4 ou 5 anos, que reteve o que era mais marcante: o ritual e as coisas mais mais atraentes.

Minha família era heterogeneamente religiosa: a família de minha mãe tem um forte acento cristão católico-protestante, que foi evoluindo dentro de um sincretismo muito grande. Já o meu pai tinha a crença de que “a melhor religião é uma boa conduta” e alguma birra com padres e missas. Assim, as mensagens que recebíamos eram bastante contraditórias.

No Natal, a parte religiosa equivalia a parte profana, ao que me lembre. Na minha casa, ficava por conta das histórias que a mãe e as avós contavam durante a montagem do presépio. Histórias repetidas, que nós pedíamos. Acho que eram as únicas histórias que a mãe um dia contou. Já o meu pai, o rei das histórias, não contava nenhuma de Natal, a não ser a dos merengues.

Na noite de Natal, havia os cânticos ao pé da árvore e as rezas, estas puxadas pelas vizinhas,  um grupo que de alguma forma estava presente em todos os lugares. O meu bairro, Navegantes, no 4º distrito de Porto Alegre, era um bairro operário e de imigrantes. Tinha  colônias alemã, italiana, polonesa,  fortes .  Meu avô, o morador original, se chamava Franzen, e as pessoas que cercavam a minha infância, eram Rauber, Sgiers, Klaus, … e … Reginatto, Ughini, De Negri, …  Isso deve explicar alguns costumes que caracterizavam a rua e o bairro.

A outra linha de pensamento que esta história abriu foi sobre a questão de classe que emerge em todos os contextos. Foi  por aí que o comentário do Sérgio e as minhas leituras pegaram. Classe, na teoria marxista, não é uma divisão por renda ou origem.  Classe se define por um conjunto de relações sociais características de um grupo, relações estas que instituem uma visão de mundo e conferem identidade.

Toda a história,  aconteceu num contexto de classe e é narrada, também, numa perspectiva de classe, nem sempre a mesma classe.  Quando construímos a nossa vida por meio das diversas práticas sociais, isso é feito ao mesmo tempo em que construímos um conjunto de práticas estéticas, intelectuais, culturais, … Este referencial nem sempre está de acordo com o referencial dominante na sociedade da época, mas sempre e em muitas maneiras é por este subsumido.  As ideias dominantes numa época são  são as ideias da classe dominante (Marx) e elas são a referência para toda a sociedade.

É por aí que o colonizado se identifica com o colonizador.  O nosso Papai Noel disciplinador tinha muito a ver com  adequação do trabalhador para as condições de trabalho, exaltando a conformidade com as regras, a submissão.

Esta perspectiva de classe está presente quando nos reunimos em grupos, quando pensamos transformações na educação, quando produzimos conhecimento.  Nada em educação (e na pesquisa!) fica alheio aos conflitos e contradições deste nosso processo de construção da vida em condições históricas específicas.

Fica evidente, para dar um exemplo do momento, na supremacia do papai noel sobre o menino Jesus. Afinal, o nascimento do filho de um carpinteiro, o Salvador para uma parte da humanidade, não vende mercadorias concretas ou abstratas na mesma proporção que a lenda dos presentes.

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jan 22 2009

Sobre blogar, feeds, trends, leitores de conteúdos, redes e outras histórias

Categorias: blog,blogosfera,teoriaSuzana Gutierrez @ 06:10

bolinhos de arroz da vó mimi

Esta reflexão inicia em outras paragens, quando o Fernandão ameaça cometer um blogcídio. Nada de xiliques tipo a secretária de educação do RS, que fica dizendo “não brinco mais” e outras bobagens sempre que é contrariada na sua campanha em afundar a educação do estado.

Foi um desabafo coerente com algumas frustrações que temos quando decidimos publicar (publicar e ponto). O desabafo, entre outras coisas, serviu para provar para o Fernando os links que ele tem na rede onde se insere. Tanto que ele já desceu do telhado.

Mas, o meu comentário grandão, falei sobre quantidade e qualidade e sobre o sentido de blogar. Nestas, o Fernando me escreve e diz:

Gostaria que me falasse um pouco mais sobre trends, Google Reader e feed, que até então nunca tinha ouvido falar nestas palavras. Depois, se puder, que mostrasse como faço para juntar todos os blogs em um só (categorias e vez de linkar outro blog).

Bueno, … pelo tamanho destra introdução, a ideia é resumir e simplificar um pouco a resposta para, talvez, em outros momentos desenvolver mais. Dar um impulso inicial para que o Fernando possa buscar o que falta.

Feed – é um arquivo que um site ou blog produz para distribuir o seu conteúdo. Este arquivo (feed, rss, atom) pode ser lido em leitores de conteúdo (Bloglines, Google Reader, …)
Para saber mais:
RSS e agregação de conteúdo – atividades do PROA UFRGS
RSS e Educação – texto meu no Redemoinhos na USP

Google Reader – é um leitor de conteúdo do tipo baseado na web, isto é, você se cadastra e usa por meio do navegador. Outro web-based bom é o Bloglines. Recomendo este tipo, em vez dos que tem de instalar no computador, por serem acessíveis de qualquer computador.
Coisas que escrevi na tag  googlereader.
Atividades do PROA UFRGS referentes ao Bloglines.
Ajuda do Google Reader

Trends – as “trends” (“tendências” na interface em português) que me referi no comentário feito ao Fernando foram as do Google Reader. Basicamente são as estatísticas referentes as tuas leituras por meio do GR. Se tu não marcas como lido, coisas que não lestes, terás uma bela ideia do que, de quem e do quanto lês dos teus feeds (subscrições) ou blogs assinados. (não quase assassinados como o do Fernandão :)))

Juntar blogs – Muitas pessoas acabam criando um blog para cada assunto, cada interesse. Por não querer misturar acabam, por outro lado, segmentando demais. Uma das grandes virtudes de um blog (entendendo aqui o blog como um gênero de discurso e de publicação, não apenas como meio ou, pior, como ferramenta) é justamente reunir, contextualizar e tornar histórica a informação. Assim, se você falar sobre o que comeu no café da manhã num texto e sobre as políticas públicas de educação no texto seguinte, a posteridade (e os blogs servem para a posteridade, também… haja vista a história apagada do blog da jornalista da globo) terá uma boa ideia do modo de vida de um professor da rede estadual do ensino médio nos anos 20xx.

Assim, é irrelevante ficar falando da relevância do que se escreve. Relevante é saber que fazemos parte de um texto coletivo que é histórico e expressa nossas práticas sociais. A forma como construímos a realidade e como somos construídos por ela. Blogs, no meu entender, tem a ver com totalidade.

Uma vez, em 2005, fiz um comentário à um texto do Inagaki no Digestivo Cultural e, depois, refleti sobre este comentário aqui no blog. Eu continuo acreditando no que disse. E, hoje, relendo, penso que ele cabe como uma luva se pensarmos no caso da jornalista que deletou seu blog (e ele veio assombrá-la do fundo das masmorras da internet), assim como, é uma boa resposta aqueles que criticam a polifonia\polissemia\heterogeneidade dos textos de um blog.

Mas, vamos nos ater ao ponto: juntar blogs. Para compor a salada, juntando seus textos dispersos em diversos blogs e compor o seu “blog mãe” pode-se usar o recurso de importar\exportar. Nos blogs do blogger, faz-se assim:

1 – selecione os blogs que vão migrar para o blog-mãe. Uma coisa que podes fazer aqui é: se tens um blog onde colecionas “pensamentos e citações”, acesse as os textos publicados e crie uma tag (categoria) “pensamentos e citações” e adicione esta categoria a todas as postagens. Deste modo, quando importar estes textos, elas já estarão categorizadas.

2 – Em um dos blogs , entre em configurações e na aba “básico”. Ali, encontrarás os links: importar, exportar, exclui. Exporte o conteúdo do blog, salvando o arquivo no seu computador.
3 – No blog mãe, vá no mesmo lugar e importe o arquivo que está no seu computador. Os textos virão se mesclar aos do blog-mãe.

4 – Faça isso para todos os blogs que desejar mesclar.
(aqui cabem sugestões)

Vou parar por aqui, porque o sol lá fora está quente e porque senão vou perder os bolinhos de arroz.

* foto: delícias do trivial by Vó Mimi

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dez 15 2008

A atualidade de Marx

Categorias: teoriaSuzana Gutierrez @ 04:24

Nada como uma das recorrentes crises do capital para trazer o foco para Marx. Alguns falam em ‘reviver’ Marx, como se o seu pensamento estivesse morto e não apenas esquecido, desconhecido e, pior, mal interpretado.
E é por aí que começam a pipocar ensaios, notícias, papo de boteco e outras expressões falando em Marx e em como ele explicou o que vem acontecendo.
Hoje, o Pedro Dória conta que Henry Kissinger está fazendo previsões para o futuro dos Estados Unidos com base na leitura de Marx. Aquele que foi uma importante peça no golpe que acabou com o governo socialista de Salvador Allende, contraditoriamente, usa o mesmo fundamento teórico.
Stuart Hall e outros pensadores que, embora a raiz marxista, se aproximam mais do viés pós-moderno, vem sendo usados como uma referencial teórico para uma possível explicação marxista da web 2.0. [via Intermezzo]
Leonardo Boff, coerente com seu pensamento, avisa que está para chegar o pior da crise, porque o princípio e o fim do capital é o próprio capital o qual por meio do consumo e da produção pela produção em favor da acumulação, não tem limites. – A crise que aí está é mais que uma crise econômico-financeira, é uma crise de humanidade – avisa ele.
Por volta dos anos 1860, Marx havia se convencido da natureza insustentável da agricultura capitalista. – explica o Prof Gilberto Dupas em artigo sobre agricultura, alimentação e saúde, publicado pela Folha e replicado pelo Diário Gauche.

Ler e reler Marx …

A história não conhece sentido único. Nem longitudinalmente, de acordo com a seqüência dos séculos. Nem em corte, quando um pensa a vida do outro enquanto o outro vive o pensamento do primeiro, sem que filosofia e história, economia e política jamais consigam reconciliar-se na harmonia calma da simples “correspondência”. Pensado como “atraso”, em relação a uma norma temporal imaginária, o anacronismo acaba por impor-se não como anomalia residual, mas como atributo essencial do presente. (BENSAID*, 1999, p. 45)
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Para quem não quer começar direto na fonte, é possível ir por aqui:
* BENSAÏD, Daniel. Marx, o intempestivo : grandezas e misérias de uma aventura crítica (séculos XIX e XX). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999. 512p.

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update em 16/12

Falando em Daniel Bensaïd, visitem este texto do Alfarrábio sobre o documentário sobre o Os irredutíveis: teoremas da resistência para o tempo presente.

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dez 02 2008

wikis, blogs – autoria, autenticidade e controle

Categorias: blog,educação,tecnologia,teoriaSuzana Gutierrez @ 05:07

Em Dialética do Concreto, Kosík, fundamentado em Marx, diz que as coisas não são entregues a nossa compreensão instantaneamente. Explica que, embora usem o dinheiro, os homens não compreendem o dinheiro. O que ele chama de pseudoconcreticidade é uma camada que tem de ser rompida, não para encontrar algo novo que estava escondido, mas para dialéticamente poder compreender a realidade.

A escrita em wikis e blogs é bastante difundida e, inclusive, estudada. Porém, será que fora do âmbito de alguns estudos, as pessoas compreendem o uso dos blogs e wikis?

São tecnologias recentes, assim como bem recente é seu uso em educação, por exemplo. Inúmeros projetos envolvendo professores, alunos e escolas têm sido desenvolvidos. Porém, eu pergunto: em quantos destes projetos existiu a reflexão sobre os limites e as possibilidades (as contradições) do uso destas tecnologias?

Um wiki, originalmente, é uma página de edição aberta, coletiva, de autoria compartilhada. Quantos professores, alunos e instituições estão preparados para isso? Para compartilhar a autoria uns com os outros, para abrir mão de assinar seu texto?

Poucos. E é por isso que a maioria dos wikis de projetos educacionais não usa a edição aberta e compartilhada. Os wikis têm senhas, usuários identificados. São, enfim, controlados.

Quase todos ficam preocupados com o conteúdo, com a correção da língua, com as pixações que normalmente acontecem em wikis (as intencionais e as acidentais). O mesmo vale para os blogs e eu mesma passei por estas preocupações tempos atrás.

Se, por um lado, controlar mantém uma certa ordem (ou uma ordem considerada certa…), por outro perde-se momentos de rica aprendizagem. De discutir a produção coletiva, a colaboração, o despreendimento da identificação individual. De conversar sobre o anonimato, a autenticidade e a autoria nas situações que ocorrem na produção dos hipertextos.

Estão os professores preparados para isso? Ou os mecanismos de controle e a autoridade sobre o texto de todos são acionados cada vez que a situação for diferente do que o professor considera adequada? Aliás, quem determina (!) o que é adequado?

Considerando as experiências que tive com a utilização de wikis, observo que o mesmo professor (ou aluno) que fica histérico com a alteração ou a destruição de uma contribuição sua, é, em muitos casos, o mesmo que posta imagens e textos copiados de outros sites sem fazer referência da autoria. O que é, no meu entender, um incidente muito mais grave.

Na PEAD-UFRGS, tivemos a edição compartilhada (login compartilhado) de um wiki no qual quase 300 professores contribuíram. Imaginem todas as questões de autoria, pixação, vandalismo, até brigas …. Foi muito enriquecedor vivenciar esta experiência.

Mostrou que é equivocado tentar ficar 24h de plantão para manter o wiki na ordem que TU achas adequada. Proporcionou exercer a paciência e o acolhimento em relação a aprendizagem do outro, em relação aos limites da própria tecnologia e em relação às próprias falhas como professores.

O que seria mais urgente discutir com os alunos e colegas: o que é adequado e o que não é, as mazelas do anonimato e das pixações, o uso de textos/imagens de outros autores sem referência (plágio), os limites e possibilidades de cooperar?

E aí voltamos a reflexão sobre todos estes processos. Em que medida copiar, colar, plagiar, apagar, alterar no âmbito de um blog ou wiki de edição compartilhada são ações realmente compreendidas em todas as suas dimensões?

Eu penso que estes “problemas” são bem vindos quando trabalhamos em projetos com produção colaborativa\cooperativa. São bem vindos na medida que abrem espaço para discutir e refletir sobre estas questões e avançar no sentido de compreender a realidade.

* o texto é do Professor Marcelo, publicado “no lugar errado” e deletado (uma hora depois) em ser professor\ser professora. Um exemplo do que se perde…

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nov 14 2008

CCK08

Categorias: educação,teoriaSuzana Gutierrez @ 04:27

Para quem não pode acompanhar o evento nos seus momentos síncronos, estão disponíveis os links para algumas gravações das sessões de debate no Elluminate.

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set 06 2008

Conectivismo e Conhecimento Conectado

Categorias: edublogosfera,educação,teoriaSuzana Gutierrez @ 07:05

Não se surpreendam se encontrarem por aqui a tag CCK08 nos próximos tempos. É que, na medida do possível, vou acompanhar o curso online Conectivismo e Conhecimento Conectado, do George Siemens e do Stephen Downes. O curso conta com o apoio da Extended Education Faculty da Universidade de Manitoba em associação com o Learning Technologies Centre.

Para quem quiser acompanhar, as informações estão no wiki do curso. Convém uma visita à apresentação do curso, ao blog e ao ambiente moodle. A inscrição pode ser feita aqui.

Para tentar incrementar as possibilidades de participação e aproveitamento do curso, lancei um desafio para o pessoal da edublogosfera. via lista 🙂

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abr 20 2008

O anti-ensino contra a crise de significado

Categorias: categorias,educação,leituras,teoriaSuzana Gutierrez @ 05:48

Não tem professor que não dedique um bom tempo pensando em como tornar suas aulas mais atrativas, como vencer a imobilidade e a mesmice, quando estas se acampam na sua sala de aula. Geralmente, as alternativas pensadas focam na forma e no conteúdo daquilo que é proposto para a aprendizagem. Com menor ênfase pensamos no ambiente onde esta forma e este conteúdo vão acontecer.

E, falando em ambiente, este não só contém uma certa estrutura (ou desestrutura), como é parte de um contexto. E este contexto, omitido na maioria de nossas tentativas de ensinar, é justamente o que pode prover o espaço para que surjam as questões, os movimentos, os significados e a aprendizagem.

Como a minha sala de aula é diferente da do restante de meus colegas, ela é geralmente um ponto de observação das práticas que saem da sala de aula e dos laboratórios. É da quadra de basquete do parque, por exemplo, que eu vejo as aula de física, educação física e biologia acontecendo juntas na pista de corrida.

Mas são muito raras estas oportunidades nas quais as aulas rompem o formato da conferência, da pesquisa dirigida, do circuito, sala, laboratório, biblioteca. Ou que viram um destes espaços de pernas para o ar com algum movimento que não sejam os tradicionais.

O Prof Michael Wesch, propõe justamente esta ruptura e a busca do significado, por meio de um certo transtorno nas estruturas e da contextualização daquilo que, sendo histórico, não deve ser tratado como algo que não tem vínculos.

É uma leitura interessante que eu sugiro. Justamente por relatar uma realidade significativamente diferente. E por, de certa forma, nos fazer pensar fora do ensino e mais dentro das condições de aprendizagem.

Anti-teaching: Confronting the Crisis of Significance

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fev 05 2008

web 3.0 – individualidade ou a sofisticação da dominação do mercado?

Categorias: colaboração,informação,internet,tecnologia,teoria,webSuzana Gutierrez @ 04:44

Eu pertenço ao grupo dos que pensam que as denominações web 1.0 , 2.0 e, agora, 3.0 têm sua utilidade para designar aplicativos, processos, cultura de um determinado estágio de desenvolvimento da web. Porém, não são períodos distintos, não são rupturas no que se poderia chamar de um paradigma web.

Mais ou menos como entendo a pós-modernidade como mais um jeitinho que o capitalismo está dando para lidar com as suas crises.

Josh Catone, no Read Write Web, comenta a matéria de Jemima Kiss no jornal UK’s Guardian, onde ela afirma que a web 3.o seria sobre recomendação e personalização. Diz ela:

“Enquanto os Tim Berners Lee do mundo trabalham para que a linguagem da web funcione mais eficientemente por trás do cenário, nossa tarefa é trabalhar inteligentemente com estas tecnologias em nossos negócios.” (tradução BEM livre)

E cita o Facebook Beacon (que já comentei aqui, pela controvérsia que causou um tempo atrás), a Last.fm como exemplo do processo de personalização e recomendação.

Josh Catone comenta que o cenário desenhado por Jemima Kiss é o sonho dos marqueteiros. E evoca as definições de web 3.0 que seus leitores construiram, salientando a de Robert O’Brien, que definiu a web 3.o como um “eu assíncrono e descentralizado”. Web 1.0 : Centralize-os; Web 2.0: Distribua-nos; Web 3.0: Decentralize-me. – escreveu Robert.

Catone comenta que tanto Kiss, como O’Brien apontam para a recomendação, a personalização, que são as promessas da web semâtica. E continua dizendo que “a maneira mais fácil de vender a idéia da web semântica aos consumidores é falar de como ela tornará as suas vidas mais fáceis. Quando as máquinas entenderem termos humanos e aplicarem isso ao manejo da informação, nós teremos uma web que sabe o que queremos e quando queremos”.

Será?

Na seqüência, Catone cita Sramana Mitra que, na sua opinião, coloca a coisa em outros termos. Mitra afirma que na web 3.0 veremos a emergência da informação contextualizada e, a partir daí, a web 3.0 se dirigirá à estas necessidades em seu contexto.

Será? Será?

Eles >> Nós >> Eu – Nesta ordem, aparentemente a web 3.0 seria a morte da web social. Sim, se considerarmos os pronomes. Não, se considerarmos os verbos. A web 3.0, ou o caminho que a web está seguindo no momento, é a da escolha das conexões, neste processo onde o ‘eu’ se descentraliza e filtra as suas conexões com o que ‘nós’ distribuímos, abrindo mão de muita coisa que alguns centralizaram.

Ou, tudo isso entraria na lógica maior, no contexto onde todas as webs estão inseridas?
Na lógica da informação como mercadoria e, também, como matéria prima de mais informação-mercadoria. Na lógica das necessidades criadas, na economia do desperdício, tão característica da nossa época.

A grande luta será identificar as nossas necessidades e escapar dos identificadores (criadores) de necessidades que embalam a informação no conteúdo e formato que querem que elas sejam consumidas.

A web 3.0, neste caso, seria a descentralização e a liberdade de escolha entre as opções oferecidas… No fast food em que parte da web vem se transformando, aquilo que escolhemos hoje, determinará aquilo que nos venderão amanhã. E se vende a própria possibilidade de vender alguma coisa…

Porém, como as coisas não são ou isso ou aquilo, e, sim, são muito mais complexas e interconectadas, é possível pensar caminhos alternativos no desenvolvimento da web. Tenha ela a numeração que tiver. Até porque estas versões 1, 2, 3 coexistem, neste exato momento.

A grande alegria é saber que por trás dos computadores existem pessoas, e pessoas não são absolutamente programáveis em suas necessidades. Pessoas tendem a se apropriar das coisas e serem incrivelmente criativas.

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jan 25 2008

A notícia da morte de Heat Ledger foi estratégia para promover filme

Categorias: categorias,informação,teoriaSuzana Gutierrez @ 06:15

ou

a contradição na orgia de informações

ou, ainda,

de como a notícia (e a desgraça alheia) servem para movimentar os contadores de acesso.

Ontem, comentei no blog da Gabriela sobre a questão da estrutura da notícia, usando como exemplo a notícia da morte do ator Heath Ledger:


No meu entender, uma notícia, como esta que usas como exemplo, deveria ter pelo menos 2 camadas. A primeira camada seria o básico: quem era H.L., o que se sabe inicialmente, o que vai acontecer (quais os desdobramentos prováveis). Numa segunda camada viria o aprofundamento da notícia e, aí, entrariam os arquivos sobre o ator e as outras possibilidades que tu citas.


Eu fiquei sabendo desta notícia pelo Twitter (anota aí para tuas observações :)), pela Raquel. Não lembrava quem era o H.L. e digitei no Google, como a maioria dos mortais. Aí, entre as páginas que abriram, cliquei na CNN, a mais conhecida, li a notícia curta (penso que eles alteraram a página, pois não é a mesma que aparece hoje) e fim. Minha curiosidade foi até aí. (camada 1 suficiente)


Se as coisas da camada 2 (ou 3 ou 4) estivessem misturadas, só ia me atrapalhar. Para mim a camada 2 é algo que tu clicas para ler (hiperlinks no texto ou indicações finais) ou a seqüência de uma introdução que resume os fatos.


Há uma tendência para a orgia informativa a partir de qualquer fato e, este excesso, acaba desinformando.


Hoje, incrivelmentedenovo via twitter, o Edney manda o link para o Interney Blogs e eu dou de cara com esta postagem:


A Warner Bros e os produtores de Batman, The Dark Knight (2008, ainda inédito) confirmaram há pouco que as informações sobre a suposta morte do ator Heath Ledger foram uma estratégia viral para a divulgação do filme. [leia mais no Enloucrescendo]



Eu até já ia acreditando, quando vi que o projeto de lenda urbana era outro. A manipulação da informação ou da desinformação tira mais valia de tudo que aconteceu, do que não aconteceu, do que seria interessante ter acontecido e de qualquer coisa que possa fazer as pessoas continuarem girando em torno de um determinado fato (nem sempre real). Por que? Bom, … tem gente que vive disso e a criação de necessidades artificiais (inclusive de informação) faz parte da lógica do modo de produção dominante no mundo hoje.

Só partindo da contradição que é desinformar informando e do contexto onde se move esta contradição, para poder compreender estas coisas. Vou reler Kosík.


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ago 07 2005

Revista Novas Tecnologias na Educação – mai/2005

Categorias: blog,teoria,ufrgsSuzana Gutierrez @ 07:56

Não sei exatamente quando foi colocada online, mas está disponível a Revista Novas Tecnologias na Educação – RENOTE do CINTED/UFRGS. Podem ser acessados todos os artigos, projetos e oficinas do V Ciclo de Palestras Novas Tecnologias na Educação do CINTED, realizado na UFRGS e maio deste ano.

Entre os artigos, Weblogs e educação: contribuição para a construção de uma teoria, de minha autoria, do qual já coloquei a referência no link deste blog e que pode ser acessado aqui.

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out 21 2003

navegar é preciso

Categorias: leituras,teoria,visão de mundoSuzana Gutierrez @ 09:50

ou, … o que existe entre as margens e a beirinha.

Na praia, meu pai costumava dizer:

-Pode entrar, mas fica na beirinha.

A beirinha era o local das crianças, dos veranistas de fim de semana e de quem não soubesse nadar, local possivelmente seguro, como todas as beirinhas o são na maior parte do tempo. Quem já viu uma onda de mais de dois metros se erguer num local com não mais que quarenta centímetros de profundidade, sabe o que um determinado vento ou corrente pode fazer de repente. Não existe segurança absoluta.
Alguns posts atrás, falei sobre o que chamo de paradigma da beirinha ou em como navegar por áreas de segurança (!?). Naquele post falo das margens, mas não aprofundo muito a idéia. Hoje, li na Nova-e uma referência àquele post na coluna do Paulo Bicarato, cuja leitura me inspirou a seguir a reflexão.

Paulo Bicarato fala na transgressão/subversão como ação desvinculada da reflexão crítica e do conhecimento. A agitação em vez da ação estratégica. E finaliza com parte daquele meu post, como um cutucão no debate.

Relendo o que escrevi, penso que existem algumas idéias que podem ser melhor explicitadas e algumas questões socializadas. No post eu falo em margem e em beirinha como espaços de ação dos novos movimentos sociais. E é nestes conceitos que gostaria de fazer algumas considerações.

A margem de um sistema é como a margem de um rio: ela não é rio, é outra coisa. A margem de um sistema é (são) outro(s) sistema(s); a margem de um paradigma é (são) outro(s) paradigma(s). A beira de um sistema situa-se no próprio sistema, mas na margem de outro, assim como, a beira do rio, aquele trecho onde as águas são rasas, situa-se dentro do rio, às margens da terra. Margens e beiras são pontos próximos de fronteiras. Fronteiras que podem ser atravessadas. A transgressão/subversão podem estar presentes nestas travessias.

É prudente e estratégico conhecer o rio que se pretende atravessar. A própria decisão de realizar a travessia implica em conhecer a terra onde se está e a terra para onde se quer ir. Conhecer/aprender no sentido de perceber, reunir informações, interpretar, compreender, avaliar, pensar caminhos, num processo aberto e inacabado.

Por aí que é importante chegar às margens, experimentar a beirinha, mas não tentar fazer delas ou nelas ponto final. Até porque margens e beiras não são estáticas. Sistemas, também, não são. Fronteiras são mutantes, embora a nossa insistência aduaneira.

Fronteiras onde os limites são faróis e não barricadas. Fronteiras, como Boaventura de Sousa Santos fala, onde se vive nas margens sem viver uma vida marginal.

Margens ou beiras onde se aprende a nadar ou a construir barcos. Não qualquer estilo ou qualquer barco, mas os que possam nos levar para a outra margem do rio.

Naquele post, o quê eu tentei expor, e que Ellen Wood aprofunda no seu livro, é que o barco de Morin é bom para navegar na beirinha, mas o barco de Marx ainda é o barco para nos levar para o outro lado.

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jul 21 2003

Militância colaborativa

Categorias: software livre,tecnologia,teoriaSuzana Gutierrez @ 11:41

por Hernani Dimantas

Enfim uma matéria sobre a adoção do software livre pelo governo brasileiro. Não está no caderno de economia. Está na capa do caderno de informática do Estado de São Paulo. Vejo uma certa desconsideração nessa alocação. O argumento mais importante não é o técnico. É econômico – social. Assim, vou tentar fazer uma análise pontual sobre essa escolha política. Não concordo com o Prof. Alberto Luiz Albertin. A escolha do software livre não é emocional. A colocação de que não existem estudos sérios sobre o impacto do software livre no setor de informática me remete a discussão sobre reputação. O que são estudos sérios?

.:: leia o artigo na novae

Comentário: lendo este artigo de Hernani Dimantas e o outro de Alberto Albertin pode-se ter uma idéia do andamento da discussão sobre o software livre, sobre a inclusão digital e até sobre o papel ou falta de papel para as universidades neste processo. O que me chama a atenção, e isso entra como crítica, são as várias exclusões que emergem dos textos. O artigo de Dimantas se situa como uma crítica ao artigo de Albertin, porém lendo os dois não se nota esta polarização e se constata até alguns mal entendidos, a meu ver.

Concordo com Dimantas quando ele fala em sociedade da colaboração, mas não a entendo como parte de uma dita sociedade da informação. Se o paradigma industrial cede espaço para um paradigma que valoriza o conhecimento, o que sustenta os dois, no entanto, não muda. De uma sociedade de mercadorias passamos a uma sociedade do conhecimento tratado como mercadoria.

Uma sociedade da colaboração tem mais a ver com uma sociedade onde o conhecimento seja solidariedade. Como diz Boaventura de Sousa Santos, “um conhecimento prudente para uma vida decente”.

Aí entram as comunidades…

Por isso, a opção por software livre, que não é uma coisa emocional, tem vir acoplada a toda uma discussão política sobre os nossos caminhos em relação à tecnologia. Nisso os dois autores deveriam se somar. E o foco tem de ser a soma, inclusive a da universidade onde este assunto já é pauta e onde muitas iniciativas já estão emergindo.

Considerando que a tecnologia não é neutra e que é parte de uma visão de mundo e de humanidade, a escolha entre dois caminhos tecnológicos é uma escolha política que, ao final, se refere a escolha entre visões de mundo diferentes.

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jul 03 2003

voluntários ou militantes?

Categorias: categorias,teoriaSuzana Gutierrez @ 14:37

Bem na hora o artigo de Gislene Bosnich para a Novae. Trabalho voluntário versus Desemprego

Nunca na história do capitalismo – quando a tecnologia intensifica o trabalho de alguns enquanto, de outro lado, exclui muitos da opção “livre” à venda de força de trabalho – vimos tão grandiosa campanha pelo trabalho não-remunerado. Como se esse mesmo capitalismo tivesse deixado de agir a base de troca (valor de troca) e que o dinheiro tivesse deixado de ser o mediador de tal relação.

.:: leia na íntegra

E visite o site:

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mar 15 2003

entre o heróico e o trágico

Categorias: teoriaSuzana Gutierrez @ 16:11

Recebi esta semana um texto do Karel Kosik, traduzido pelo Leandro Konder. Somente hoje pude ler e gostaria de compartilhar aqui um trecho:

“Vivemos numa época pós-heróica. Isso não significa que no século XX não se realizem ações heróicas; significa apenas que tudo que se faz de bom, grande, corajoso e heróico, tudo que se cria de belo e poético, é arrastado na correnteza da banalização e da desindividualização, perdendo sua originalidade e sua força. O poder que influencia fortemente a opinião pública e amesquinha todas as coisas é a alma de lacaio. 


O lacaio não conhece heróis. Ele não é, sobretudo, capaz de reconhecê-los. O que caracteriza sua visão do mundo consiste no fato de que ela reduz tudo à escala da banalidade. O ponto de vista do lacaio só lhe permite enxergar motivações amesquinhadas, inveja, pequenas safadezas. 

No tempo de Goethe e de Hegel, os lacaios conheciam a intimidade dos seus patrões e por isso não podiam vê-los como heróis; hoje em dia, contudo, o olhar dos lacaios se instalou na visão do mundo dos patrões e dita normas de gosto e de moral: consome avidamente as fofocas e as intrigas da imprensa dos boulevards e julga tudo com seus critérios frívolos e sumários. 

Um segundo empecilho no caminho da possibilidade do trágico, no nosso tempo, está na banalização e na domesticação da morte. A morte perdeu o poder que tinha de abalar profundamente os seres humanos e é digerida com certa rapidez no dia-a-dia. A morte do outro, do próximo, não ameaça nos desestruturar: ela é quotidiana, superficial, pouco significativa. Ela nos chega no meio de múltiplas imagens, sucessivas informações e sensações confusas; em seguida, desaparece, sem deixar traços.”

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