dez 21 2009

Professores na rede

Categorias: educação,redes sociaisSuzana Gutierrez @ 22:13

Nesta semana, além das inúmeras atividades que todos os professores têm no final do ano, finalizei um artigo que, em grande parte, fala sobre a presença dos professores na rede.   Eu, que estou por aqui, desde o começo 🙂 , como quem chega cedo numa festa, pude ficar observando a chegada dos colegas. E, desde o ano passado,  me surpreendo com o crescmento tanto quantitativo, quanto qualitativo desta presença de professores e professoras na rede.

Em 2005, segundos os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), apenas 48% dos profissionais da educação brasileiros possuíam computador em casa e 37% possuíam acesso a internet. Mesmo assim, segundo esta mesma fonte de dados, 54% destes profissionais efetivamente acessam a internet, sendo que a maioria acessa de casa e/ou do local de trabalho (IBGE, 2007, alguém me consegue este link?).  Segundo os dados referentes a 2008, de modo geral o acesso cresceu 75% e, assim, fazendo um paralelo, possivelmente dobrou o nùmero de professores com acesso em casa e, creio que está perto dos 90% o número daqueles que acessam (ponto).  Estes dados quantitativos são apenas parte do quadro, porque o acesso é uma parte pequena desta questão de ser\estar na rede.

Diferentemente do simples acesso, quando o professor ‘entra’ na internet, navega um pouquinho, ‘abre’ os emails e ‘sai’, o que temos agora é uma permanência, que se evidencia nos blogues, no pipocar de mensagens no twitter, no diálogo permanente das listas de discussão. Em especial os blogues caracterizam bem esta fase do professorado na rede. pois proporcionam uma presença on-line dinâmica, histórica, que facilita a constituição de redes de relações sociais. O blogue acolhe uma rede pessoal de aplicativos, recursos, interesses do professor e facilita o contato com seus pares e os demais  fluxos comunicativos.

Quando se fala em ambientes personalizados de aprendizagem (PLE) eu sempre vejo alguém pilotando o seu blog e estacionando em algum drivre-through de aprendizagem. Rede distribuída, aberta, altamente dinâmica. No meu entender, parte do futuro da aprendizagem on-line que supera os ambientes mais rígidos e controlados. Infelizmente, ainda sem muito espaço formal.

A sala de aula, presencial ou não, ainda é considerada como um ambiente que deve ser privado e, mesmo, privatizado, pois o conhecimento que ali pode ser construído pertence ao professor, ao curso, à escola, à universidade. Compartilhar o processo de ensinar-aprender de uma forma ampla esbarra nas questões de privacidade, propriedade, controle. O ambiente virtual de aprendizagem fechado, com senhas de acesso, com espaços delimitados para alunos, tutores, professores, administradores, que em sua maioria não admite visitantes, chega a ser mais fechado e controlado que a escola presencial.

Todavia, os professores estão invadindo a rede e formando redes. Meio atrapalhados, seduzidos pelas novidades e pelos cantos de sereia de algum tipo de notoriedade espúria, porém experimentando, vivendo a rede e fazendo escolhas. Criando o que eu penso ser uma coisa muito importante: um espaço que escapa dos controles institucionais, um espaço que é extra, mas, também, inter-institucional.  Rede que permite a criação das pequenas contra-hegemonias que podem mudar a educação.

🙂 estava pensando alto… daqui a pouco eu continuo, ou não.

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mar 30 2009

Entre os Muros da Escola

Categorias: educaçãoSuzana Gutierrez @ 08:30

O filme baseado no livro de François Bégaudeau, que também atua e colabora no roteiro, fala da escola, do professor e de suas experiências numa escola de periferia na França.

Quem assistiu recomenda e, lá na Edublogosfera, fez a seguinte proposta:

Se puderem, assistam o filme: “Entre os Muros da Escola” aí na sua cidade/cinema preferido e ao final gravem no celular (em torno de 3 minutos, não mais do que isto!) sua análise/mini-resenha/impressões viscerais/etc sobre o filme.

Quando puder, suba pro youtube e publique no seu blogue com a etiqueta/ tag #entre-muros-da-escola-edublogosfera.

Se não tiver um plano de dados, passe o video do celular para o computador (via cabo, bluetooth, leitor de cartão mini-sd, etc) e daí suba pro youtube…

Depois agente indexa todos os depoimentos sobre o filme (ou publicamos como comentários lá no cabinecelular mesmo! [Prof Sérgio Lima]

Bom, … ele já fez a sua parte, que pode ser assistida aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=_j6Uu1UIKSg

Eu ainda não sei quando vou poder assistir, mas já ando passando adiante a ideia 🙂

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jan 29 2009

padrões e modelos para professores

Categorias: educaçãoSuzana Gutierrez @ 09:45

No normal, padrões e modelos me dão uma certa alergia. Nem tanto por proporem formatos e referências, quanto por virem quase sempre atrelados a obrigatoriedades não muito transparentes.

Padronizar, modelar é algo que tem de ser pensado considerando as inconveniências de tentar universalizar seja o que for. E, neste processo, marginalizar toda uma criatividade que pode ser muito mais contextual e, até, revolucionária.

Porém, vou ler (e já registro e socializo) o NETS for Teachers 2008 (em inglês) ou Padrões Nacionais de Tecnologia Educacional e Indicadores de Ação para Professores, do International Society for Technology in Education, do USA e Canadá, lançado em junho de 2008. Especialmente por ele se propor como inspiração para muitos países.

Numa olhada rápida no curto ‘tutorial’ já dá para antever que cada aforismo rende uma boa discussão.

alternativa: NETS em Espanhol

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nov 24 2008

Força Colegas!

Categorias: educação,políticaSuzana Gutierrez @ 12:43


Charge de Eugênio

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nov 04 2008

a inserção das TIC no trabalho e na formação do professor

Categorias: ead,educação,trabalhoSuzana Gutierrez @ 16:09

Congresso encerrado e eu continuo pensando nos debates do forum.

Uma das questões que levantei com minha palestra foi a da contradição central que tensiona a inserção das TIC no trabalho dos professores: a tecnologia que vem para enriquecer e facilitar o trabalho do professor (e a aprendizagem de todos) acaba por intensificar o seu tempo e ritmo de trabalho.

Participar de foruns, ler e responder emails, ler\ comentar blogs, e outras atividades que envolvem as TIC vem, na maioria das vezes se somar as demais atividades que o professor já exerce e são realizadas, quase sempre, no seu ‘tempo livre’.

É por aí que penso que existem dois tipos, no mínimo, de resistência às TIC: a daqueles que simplesmente se recusam a pensar em modificar as suas práticas; a daqueles que mesmo reconhecendo as possibilidades das TIC não as aceitam na medida em que não são oferecidas as condições para seu uso, seja em espaço na carga horária ou remuneração, seja em formação.

Quando é bem provável a inclusão da EAD no ensino médio (São Paulo já está nessa), estas questões são importantes, bem como o surgimento e proliferação desta modalidade de professor de segunda categoria chamado “tutor”.

Como as questões acima estão apenas esboçadas, já antevejo algumas contestações. mas elas vêm bem, na medida em que movimentam o debate.

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ago 02 2008

lançamento de livro

Categorias: livros,pesquisaSuzana Gutierrez @ 05:08

Esta semana, o Prof. Lucídio Bianchetti, que fará parte da minha banca de qualificação da proposta de tese, me contou que o excelente A Bússola do Escrever terá uma nova edição. Não me surpreende, pois é um livro que já é referência para quem está escrevendo trabalhos ou relatórios de pesquisa.

Escrever não é só dom, quanto é prática. Um dos textos do livro, do Prof Mário Osório Marques, me fez refletir sobre as dificuldades na escrita e as formas como as pessoas lidam com elas, bem como, toda a prescrição tradicionalmente aceita sobre como, quando e onde escrever.

Eu sempre escrevi, mesmo numa casa de poucas letras e livros, sempre li e escrevi, desde que, de tanto olhar, compreendi o que os símbolos diziam e desde quando a mão conseguiu repetir aqueles códigos, que podiam ser tão expressivos.

Eu não aprendi a escrever, simplesmente escrevi. Li porque escrevi e escrevi porque li. Não pensei para escrever, escrevi para pensar, bem como fala o Prof. Mário no seu texto.

Assim, eu vejo a mistificação da escrita e da leitura como uma das principais causas do afastamento da leitura e da escrita. A exigência da correção, do conteúdo, da forma, bloqueando a iniciativa e o gosto.

Este é assunto ara muita conversa :))

E, ainda na conversa com o Prof. Lucídio, fiquei sabendo do lançamento do livro A Trama do Conhecimento, organizado por ele e pelo Prof. Paulo Meksenas, ambos da UFSC. O livro fala da formação para a pesquisa acadêmica e sobre a pesquisa em si.

Eu já estou na fila para ter o meu exemplar. Abaixo o folder do lançamento da Editora Papirus.

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mar 26 2008

a alegria de ser professora

Categorias: basquete,cmpa,educaçãoSuzana Gutierrez @ 15:40

Tudo bem que hoje recebemos a triste notícia de que, ao que tudo indica, teremos de buscar na justiça os nossos direitos. Desde quando dois professores de instituição federal, de mesmo nível, com mesmo cargo, com mesma titulação podem ter salários diferentes?

Pois é isso que está pretendendo o novo acordo proposto pelo Governo aos sindicatos. Carreira? só para os professores federais vinculados ao MEC. E os professores dos Colégios Militares não são vinculados ao MEC, dizem eles.

Obedecemos as diretivas do MEC, estamos incluidos nas estatísticas do ensino público, somos uma IFE – instituição de ensino federal -, mas não somos do MEC e vamos ganhar menos que os professores dos CEFETs, dos colégios de aplicação, …

O MEC não nos quer e o governo está pronto para penalizar uma IFE de ensino básico que está entre as melhores do Brasil. E, pelo jeito, estão para assinar um acordo que contraria o Regime Jurídico Único, art 41, § 4, que fala da isonomia de vencimentos.

Mas, … mesmo tendo que enfrentar mais esta ingratidão, ser professora é algo muito bom. E ser professora de Educação Física é melhor ainda. Hoje eu dei a minha aula normal, para os meus 34 guris e uma guria (grande, Juliana!) do 1º ano. Duas quadras, bolas de basquete quase em número bom, muito calor e muita alegria.

Embora eu xingue eles bastante e apite nos momentos mais descabidos, eles sabem que é por amor ao basquete 🙂 (brincadeirinha) E, como eles amam também, está tudo resolvido :))
Hoje vale o elogio para esta gurisada guerreira, alegre, pilhada (neh, Zem) ! A aula foi dez.

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fev 08 2008

Publicar ou Morrer II

Categorias: academia,educação,tecnologiaSuzana Gutierrez @ 08:49

Eu não SOU da academia, apenas ESTOU na academia, como aluna do doutorado e pesquisadora. Não pretendo entrar para a universidade como professora / pesquisadora. Pelo menos, isso não faz parte dos meus mal planejados projetos de futuro. Gosto do que faço e pretendo continuar trabalhando onde trabalho.

Porém, …… Gosto de pesquisar, adoro estudar, me divirto lendo, fuçando, aprendendo. E isso vou continuar fazendo.

Neste contexto, o que eu publico em revistas. anais, etc está na medida do que é necessário no doutorado e para contribuir com a instituição onde estou – UFRGS. Ou seja, fora isso, não estou nem aí para os qualis, para os índices de produtividade, para rechear o meu lattes. Publico, na maioria das vezes, para compartilhar mesmo e porque adoro escrever. Hoje, a la Rainha Branca, eu penso em seis coisas impossíveis antes do café da manhã, mas, quando eu crescer eu quero ser a Agatha Christie.

E é a partir deste meu lugar é que eu sigo comentando sobre Publicar ou Morrer.

A Raquel e a Adriana, também postaram sobre o assunto, tocando em diversos pontos da complexidade qiue é esta questão de publicar na academia x acesso livre. A Raquel fala sobre as diferenças entre o Brasil e os EUA, em termos da qualidade \ fechamento das publicações e avisa (e eu concordo com ela) que o Brasil tem muitas publicações abertas de excelente qualidade, inclusive consideradas pelo qualis.

Raquel traz ao debate o dilema de quem está na academia pressionado por regras que avaliam o pesquisador e a instituição mais pela quantidade do que pela qualidade. É nestas que surgem as máquinas de fabricar artigos, muitos quase um auto-plágio (eu já beirei isso diante de certas imposições, até porque fica difícil não se repetir ao contar a mesma coisa).

A Lady A (gosto de chamar a Adriana pelo nick dela) fala da desgraça que é quando queremos (ou precisamos) muito ler alguma coisa e ela está trancada em algum lugar não acessível, ou acessível apenas pelos servidores da universidade.

A Raquel concorda comigo, com a Lady A e com a danah (com minúsculas como a Raquel ensinou) em relação a importância do acesso aberto na internet, mas aponta a face complicada da publicação aberta: o oportunismo dos que copiam e colam :), o todo ou as partes, sem nenhuma referência a autoria. E eu acrescento: e que publicam como se seus fossem, partes inteiras copiadas de textos teus já publicados em revistas e anais conceituados.

Isso aconteceu comigo e, mesmo contatando os editores das duas revistas e enviando as comprovações, os textos lá continuam, decerto apostando que a professora brasileira não vai ter perna para processar duas revistas fora do Brasil.

Concordo com a Raquel que o desespero por publicar torna quase inacessíveis periódicos e eventos, mesmo os nem tão importantes e que a avaliação por pareceiristas cegos (quando os pareceristas lêem o trabalho sem saber de quem é) poderia reverter este quadro dando oportunidade à autores iniciantes e à pesquisas que não estão amparadas no nome do pesquisador. Eu acrescento: a escolha dos pareceristas e a distribuição dos trabalhos por eles deveria ser alvo de muito cuidado.

Em 2005, encaminhei um artigo sonre RSS e Educação para um congresso de informática na educação, para a sub-área educação/formação do professor, pois o artigo falava das possibilidades da agregação de conteúdos para a educação, focando no professor, na escola e seus projetos. Não foi aceito com a seguinte justificativa: este é um tema já muito discutido e conhecido dos professores. Nem hoje, 2008, é um assunto de domínio de professores. E eu fico pensando: quem é este parecerista?

No final da sua postagem a Raquel diz:

Por fim, minha defesa mais polêmica: Eu também acho que a pesquisa realizada pela graduação deveria ser mais valorizada. E acho que as revistas deveriam ter um espaço para a Iniciação Científica. Eu creio firmemente que IC não é mão de obra barata, mas uma chance de que alguém comece a dar seus primeiros passos, escolha um problema e investigue-o.

Só concordo. E vejo, neste trechinho acima, um monte de coisas para discutir. Por exemplo: como, quando e onde os alunos são considerados mão de obra barata na IC; o que, às vezes, está por trás da publicação conjunta de orientador e orientando; …

E acrescento: Eu defendo a pesquisa feita na e pela educação básica. Por que o olhar da academia seria mais importante e qualificado do que o olhar do professor da escola de ensino fundamental e médio?

E, … sosseguem, vou encerrar por aqui 🙂 Vou arremesar prá errar e vamos ver quem pega o rebote.

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out 15 2006

dia do professor

Categorias: educaçãoSuzana Gutierrez @ 16:50


dia do professor, postada por suzzinha.

Como se amanhã às 7 e 30 não fosse dia e hora em que esta professora aqui já estaria encarando a quadra de basquete da Redenção…

Mas, seguindo a tradição do dia do … um abraço bem grande às professoras e aos professores que aqui passarem ou não. Que os alunos continuem sendo a nossa alegria e que as políticas públicas nos sejam leves!

Este é o quinto dia do professor deste blog >> 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006. Em 2002 eu estava começando o mestrado, blogueira iniciante, perdi metade do blog 🙂 Em 2003, projeto recém defendido, deu tempo para falar um pouquinho sobre o ser professor. Em 2004, acho que nem me lembrei, ligada em ambientes virtuais e o que se lia sobre ead. blogs x listas de discussão? Em 2005, a data me pegou na ANPED, novas e velhas amizades, grandes trocas.

O bom de um blog é isso: poder voltar, revisitar a nossa história, dar uma nova dimensão ao nosso hoje. Rir um pouco, tb. Afinal, já passamos por muitas!

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jul 06 2003

qual a importância de escrever um weblog?

Categorias: blog,educaçãoSuzana Gutierrez @ 07:58

Esta é uma questão que já vi abordada em vários weblogs e que, apesar dos muitos aportes, permanece. Entre as respostas mais comuns, podemos encontrar: exercitar a escrita e o pensamento crítico, compartilhar informações, cooperar na construção de conhecimento de um modo geral, visibilizar percursos teóricos, encontrar parceiros de interesses e pesquisa, … Eu acrescentaria: dar visibilidade a pensamentos e práticas que a midia tradicional não publicaria e, nesse sentido, ter voz própria autônoma e autoral.

Uma outra questão permanece: porque os professores tão tardiamente estão descobrindo esta tecnologia?

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