Centenas de mortos são uma tragédia sempre. Mas há uma piada comum de redação: o editor chega para o responsável pela primeira página dizendo que um acidente matou 500. Onde?, pergunta o chefe. Se for na China, 500 não é nada. Se for em Luxemburgo, é uma tragédia nacional. Um não rende nota; outro é chamada de primeira, acima da dobra.
Palestino morto por Israel vende jornal. Israelense morto por palestino, também. E, justiça seja feita, um homem bomba que mate três israelenses vale primeira página. Para os palestinos chegarem lá, é preciso contar na casa das dezenas. Veja-se por outro lado: somalis, mesmo às centenas, às vezes não entram.(Pedro Doria, 01/01/2009)
jan 01 2009
Gaza Urgente
-
Entradas Relacionadas
abr 04 2006
polêmicas e eu à deriva ou de como o bicho papão deixou de ser comunista para ser gramsciano.
Esta semana, na quinta-feira, dia 6, é minha estréia no Bombordo. Tinha pensado num texto sobre tecnologia, trabalho e desigualdade social, porém não resisti e estou entrando no tema mais postado do blog: a política, mais precisamente a conjuntura atual. Resolvi colocar um texto que escrevi em junho passado, logo quando a atual crise começava a pegar fogo. Achei interessante trazer a avaliação e a visão que se tinha naquele momento à luz do atual contexto.
Sei que as minhas referências e a vista do ponto de onde eu olho a coisa toda vai atrair a ira daquele povo que olha embaixo da cama antes de dormir para ver se não tem nenhum comunista escondido. Se bem que hoje eles acham que o bicho papão não é comunista, é gramsciano…
Enquanto isso, o Bombordo vai virando referência até nas páginas do Globo.
-
Entradas Relacionadas
dez 15 2003
as transformações do capitalismo ou, afinal, onde andamos
Su: Não vivemos numa sociedade em rede e saimos de uma sociedade de cultura de massa. Vivemos na intersecção destas duas sociedades. Uma sociedade onde a rede opera numa certa esfera e determina consumo de massa de produtos não massificados em outra, e na mesma, pois não são esferas separadas. Uma sociedade que cria um consumo elitista e um desejo de consumo, seja qual for, cuja possibilidade, sempre em modo futuro de realização, dá movimento a máquina.
Esta lógica permeia todos os espaços, mesmo os que tentam lutar contra suas determinações.
A mercadoria e suas metamorfoses ainda é o início, meio e fim destes movimentos. Seja ela a muamba, as ações da bolsa, a informação, o conhecimento. Porque a lógica reduz tudo a mercadoria, inclusive as pessoas, os projetos, …
Aí o Tupi resolveu contribuir com o nosso debate que está rendendo:
Falai’ Su, mil graus o cenario q vc ve de q estamos na transicao entre cultura de massa e sociedade em rede. Mas tipo fiquei em duvida, cultura de massa implica em modo de producao industrial de massa tb? Um modelo q confronta com o modo de producao industrial de massa pode ser considerado submisso ao sistema?
Aí eu pensei em sacar alguma coisa do Harvey, mas o texto legal dele é quase um capítulo e não tem como transcrever ou mesmo fazer uma síntese decente. Então resolvi pegar uns aportes meus, pensados no fim do ano passado, mais ou menos, e que falam nestas coisas, nestas intersecções. Nos mortos que carregamos, segundo Marx.
Su: Quando ele fala em ‘fim da indústria’, pelo seu cada vez menor contingente de trabalhadores, isso não significa que o número de indústrias e o montante de produção reduziram-se. Ao contrário, a produção aumentou e diversificou-se, se considerarmos a totalidade do planeta. Igualmente cresceram o setor de serviços e o agrícola. A economia como um todo cresceu. O que mudou foi a geografia econômica e a configuração interna das atividades produtivas que hoje, pelo desenvolvimento tecnológico, necessita menos presença humana na produção. Porém, o que não mudou foi a lógica que perpassa todo o sistema: quem trabalha vende a sua força de trabalho, quer em atividades manuais repetitivas, quer em atividades intelectuais criativas. Os ’serviços’ são mercadoria e cotados da mesma forma que os bens. O mesmo vale para o conhecimento e a cultura.
É por estas que insisti nesta questão da lógica que permanece.
Hoje convivem muitos modos de produção. Formas antigas, como as patriarcais, estão voltando com força, exploradas pelo que chamam ‘terceirização.
Tem uma análise bem legal que o Harvey faz disso, quando analisa o as transformações de 1970 para cá.
Todo um discurso sobre supremacia dos serviços, flexibilidade e formas arcaicas de produção dando base para tudo isso.
Com todo o avanço técnico o tempo de trabalho aumenta, assim como aumenta a precarização dos direitos do trabalhador.
Na realidade, o panorama pós-industrial, não é tão pós-industrial assim, pelo menos se pensarmos geograficamente.
:: em tempo: achei algumas transcrições do livro de Harvey, Condição Pós-Moderna. Não sei se abordam nosso assunto, mas deixo os links:
Passagem da Modernidade à Pós-Modernidade
Citações do livro “Condição Pós-moderna”
(fonte: O Dialético)
No segundo texto acima, cuidado apenas com as citações fora de contexto. Pois, no seu livro, Harvey conclui:
“Há alguns que desejam que retornemos ao classicismo e outros que buscam que trilhemos o caminho dos modernos. Do ponto de vista destes últimos, toda a época tem julgada a realização da “plenitude do seu tempo, não pelo ser, mas pelo vir-a-ser”. Minha concordância não poderia ser maior.”
-
Entradas Relacionadas





