jan 25 2008

A notícia da morte de Heat Ledger foi estratégia para promover filme

Categorias: categorias,informação,teoriaSuzana Gutierrez @ 06:15

ou

a contradição na orgia de informações

ou, ainda,

de como a notícia (e a desgraça alheia) servem para movimentar os contadores de acesso.

Ontem, comentei no blog da Gabriela sobre a questão da estrutura da notícia, usando como exemplo a notícia da morte do ator Heath Ledger:

No meu entender, uma notícia, como esta que usas como exemplo, deveria ter pelo menos 2 camadas. A primeira camada seria o básico: quem era H.L., o que se sabe inicialmente, o que vai acontecer (quais os desdobramentos prováveis). Numa segunda camada viria o aprofundamento da notícia e, aí, entrariam os arquivos sobre o ator e as outras possibilidades que tu citas.

Eu fiquei sabendo desta notícia pelo Twitter (anota aí para tuas observações :)), pela Raquel. Não lembrava quem era o H.L. e digitei no Google, como a maioria dos mortais. Aí, entre as páginas que abriram, cliquei na CNN, a mais conhecida, li a notícia curta (penso que eles alteraram a página, pois não é a mesma que aparece hoje) e fim. Minha curiosidade foi até aí. (camada 1 suficiente)

Se as coisas da camada 2 (ou 3 ou 4) estivessem misturadas, só ia me atrapalhar. Para mim a camada 2 é algo que tu clicas para ler (hiperlinks no texto ou indicações finais) ou a seqüência de uma introdução que resume os fatos.

Há uma tendência para a orgia informativa a partir de qualquer fato e, este excesso, acaba desinformando.


Hoje, incrivelmentedenovo via twitter, o Edney manda o link para o Interney Blogs e eu dou de cara com esta postagem:

A Warner Bros e os produtores de Batman, The Dark Knight (2008, ainda inédito) confirmaram há pouco que as informações sobre a suposta morte do ator Heath Ledger foram uma estratégia viral para a divulgação do filme. [leia mais no Enloucrescendo]



Eu até já ia acreditando, quando vi que o projeto de lenda urbana era outro. A manipulação da informação ou da desinformação tira mais valia de tudo que aconteceu, do que não aconteceu, do que seria interessante ter acontecido e de qualquer coisa que possa fazer as pessoas continuarem girando em torno de um determinado fato (nem sempre real). Por que? Bom, … tem gente que vive disso e a criação de necessidades artificiais (inclusive de informação) faz parte da lógica do modo de produção dominante no mundo hoje.

Só partindo da contradição que é desinformar informando e do contexto onde se move esta contradição, para poder compreender estas coisas. Vou reler Kosík.


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