Todos os anos eu perambulo pela praia capturando imagens. Este ano não é diferente.
jan 15 2010
pensando na vida
A vida é uma coisa muito fugidia, um fluxo que escorre pelos dedos, impossível de segurar para aproveitar mais determinados momentos. O relato da vida é sempre o relato da vida que passou, uma eterna busca do tempo, perdido para alguns, vivido para todos. Um relato impossível, a menos que se conte em vez de viver, que nos tornemos mais atores que autores da própria vida.
Este início de ano está repleto de coisas sobre as quais valeria escrever. Tantos as pequenas coisas do cotidiano, quanto os inúmeros eventos que povoam o nosso espaço mais geral de vida. Tudo agora tem efeito global e ninguém escapa de experimentar a aceleração que parece envolver tudo. É um aprendizado interessante lidar com esta aceleração, não se enredar no fluxo constante de informações. Aprender a buscar e desfrutar de lugares de quietude e reflexão.
Como todos, entrei 2010 preocupada com as mudanças climáticas e com seu efeitos, a natureza cobrando o seu preço pelo descaso e pela ganância das nossas práticas. Comovida com o que vem sendo o destino de um povo tão sofrido e explorado como o do Haiti. Pessimista com as possibilidades de mudar este mundo, quando vejo a naturalização destas práticas predatórias em nome do lucro e a convicção de grande parte das pessoas de que ‘sempre foi assim e sempre assim será’.
Por outro lado, continuo persistente pensando alternativas, as tais brechas que se instalam na contradição que é a forma das coisas se desenvolverem. Atenta às bifurcações, como o querido Daniel Bensaïd, que se foi faz uns dias, mas que deixa um legado de luta, de lucidez, de re-encantamento com a erpectiva da emancipação.
Aprendendo e compreendendo com aquilo que emerge na e da pesquisa. Mergulhando mais profundamente na complexidade dos temas do meu doutorado. Fazendo escolhas, sofrendo as muitas dúvidas, procurando caminhos de fazer um trabalho que traga alguma contribuição concreta para o contexto no qual o avanço das TIC encontra a formação e o trabalho de professoras e professores.
Estou reservando tempo para pensar. Enquanto caminho, vou fotografando e pensando, olhando com novas lentes o mundo a minha volta, procurando ver além do que se mostra. Me aproximo do momento em que escrever será um imperativo.
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jan 04 2010
2010
Este blog entrou 2010 em silêncio. Não porque não houvessem histórias a contar, mas achei melhor ser parte mais ativa delas e perdi alguma coisa daquele lado coadjuvante observador que é o terror da família. Nada de perpetuar na escrita os pequenos dramas e comédias familiares, pelo menos por enquanto.
Além disso, não senti vontade de comentar o mundo a minha volta: o crescimento canceroso de Capão da Canoa. Nem as tragédias “naturais” que entristecem tantos ou, mesmo, a traição da tecnologia, que expos em rede nacional aquela opinião tão “normal” (mas pouco televisiva), que frequenta as rodas de conversa dos que se julgam mais bem situados na cadeia alimentar.
Dois mil e dez, em que pesem os nossos desejos, é a continuação de 2009, assim como o Boris Casoy pedindo desculpas foi mais a reafirmação do fato do que a retratação da ofensa. Aliás, o ‘fato’ mesmo nem chegou a ser o preconceito, a insensibilidade e o ódio de classe. O fato foi a cilada tecnológica, o ser pego fora da hipocrisia.
E é nesta linha tênue entre o que parece e o que é, que a natureza leva a culpa das tragédias. Desastres chamados naturais, nos quais os critérios mercantis, que são a medida de tudo, poderiam apontar os verdadeiros culpados. Os morros de Angra, a frase do Boris Casoy, a cordilheira de concreto em Capão da Canoa me fazem lembrar que:
A barbárie reapareceu, mas desta vez ela é engendrada no próprio seio da civilização e é parte integrante dela. É a barbárie leprosa, a barbárie como lepra da civilização *
E, ontem, saiu por aqui o papo sobre o “progresso” de Capão da Canoa.
-Contam - disse o pai (positivamente admirado) – que existem 90 edifícios em construção e mais 200 com projetos em aprovação. E aí o debate começou: sobre o que é o progresso e que critérios o podem caracterizar\avaliar. Ele advogando que as construções trazem empregos e movimento à cidade, desenvolvimento! Eu falando da favela que cresce junto lá para trás da praia, da precariedade do trabalho e do turismo predatório.
Daí ficamos observando a coisa na prática: o novo edifício em frente à nossa casa, com 50 apartamentos e uns 9 andares, construído onde havia 2 casas. Onde havia árvores e flores, não sobrou um jardinzinho, o concreto cobriu tudo. Observamos o entra e sai de carros constante e o engarrafamento na rua (que é afastada do centro), mas está repleta de carros estacionados. A noite caiu e foi a hora de observar os gambás saindo de sob o entulho das obras nos poucos espaços vazios, procurando as lixeiras, porque não há mais árvores, nem insetos e nem larvas, … Breve não terão como sobreviver aqui.
A nossa rua, que recebeu nos últimos dois anos uns 4 edifícios (na nossa quadra), não foi alargada, não recebeu nenhum conserto e, principalmente, as redes de esgoto, de água e elétrica permanecem as mesmas. Considerando que, onde haviam 10 pessoas, agora se amontoam 200, estamos com falta de água em certos horários, quedas de energia e qualquer chuva traz aquele cheiro característico de coliformes.
Progresso? Sim, dentro da lógica que une os deslizamentos, que nem tão democraticamente soterram hotéis de luxo e favelas, e a fala esclarecedora do Boris Casoy. Pensar em progresso, todavia, implica em considerar dialeticamente a barbárie.
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* Marx disse isso em 1847 se referindo às leis dos pobres e as casas de trabalho. Enquanto a lógica se transforma para continuar a mesma, a barbárie acompanha.
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jan 16 2009
A Cordilheira
Enquanto continuo tentando trabalhar na tese e resistir à cozinha da Vó Mimi, me assombram as contradições do progresso. Fui criada passando os verões em Xangri-lá, no tempo em que a nossa casa era a número 19 do florescente balneário.
Havia um só Hotel, vivia ainda publicamente “o sambaqui” e a praia se chamava Capão Alto. Do sítio arqueológico que regurgitava pontas de flechas e cacos de cerâmica não tenho notícias desde que é propriedade particular.
Capão da Canoa era a matriz e o lugar do passeio eventual: cinema e volta na praça. Evento que tem muitas histórias na família. O Hotel Riograndense, ponto de referência em Capão, ainda era de madeira…
Mas o meu pai se criou em Capão da Canoa, no tempo que os caminhos eram para carretas e cavalos. Então, assim que pode comprou uma casa em Capão, abandonando Xangri-lá.
E Capão cresceu, cresceu e, agora, incha, quase cancerosamente…
Na beira mar, uma cordileira de concreto ataca o vento. Em cada casa demolida surge um edifício de 9 pavimentos. Onde antes havia uma família, entram 20 ou 30 outras.
Desde que venho para cá, nunca vi a prefeitura abrir buracos maiores que os que já tem nas ruas para redimensionar a rede de esgotos. Hoje, cada vez que chove, não sentimos apenas aquele tradicional cheiro de ‘sapinho’. Outro fe, digo, cheiro se insinua e nos dá a certeza de que corremos o risco de literalmente afundar na m*&#@…
É por estas que progresso não significa necessariamente avanço nas condições de vida. Para cada edifício novo, brotam mais casebres na favela que se cria no fundo da praia. E esta cordilheira que avança em todas as direções diminui os dias (que já são contados) de se poder viver Capão.
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jan 10 2009
Andanças em Capão da Canoa
Em meio ao chove – não chove consegui fotografar o “outro ninho”. Este fica perto do posto 73, pertinho aqui de casa. Este ninho fica bem perto dos banhistas e da rua, mas as corujas não estão nem aí.
Tive até a impressão que estavam posando para as fotos.
As corujas estão convivendo bem com o povo das areias. Só reclamam e atacam aqueles que tentam invadir o seu território e por em perigo os filhotes. Lições da natureza…
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Hoje de tarde, teve o torneio de trios de basquete. Mas disso eu falo lá no outro blog
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jan 09 2009
Ninho de Corujas

Ninho de Corujas, foto postada por suzzinha.
Não, não é mais uma reflexão sobre os modos de ser na cibercutura.
É parte das minhas andanças por Capão. Caminhar por tempo em vez de por espaço tem esta vantagem: conhecer novos lugares.
Nos passeios pela praia, andei visitando as famosas corujas de Capão da Canoa. A poluição visual ao redor do ninho não deixa margem para dúvidas quanto à sua localização.
Achei as corujas e corujos
seríssimos. Na certa, no maior tédio de ver aquele desfile humano nas proximidades. Mas, nem aí para os mamíferos de havaianas.
Em casa, a chuva fez brotar os lírios no gramado:
E o Gordo, tão sério quanto as corujas, observa a minha atividade de fotógrafa amadora.
* tudo isso foi no dia 7 jan 2009
** não consegui fotografar o novo ninho aqui da zona nova.
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jan 04 2009
uma volta por Capão!
Depois da chuva de quase 3 dias, o povo que resistiu começa a andar pela rua. Água, agora, só no chão.
A praia ainda de ressaca. Mar lavando:
Na volta, as cores do por do sol:
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jan 04 2009
momento lúdico: verão gaúcho
No supermercado de Capão da Canoa, a moda-verão 2009:
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jan 01 2009
2009 começa
[1] Aqui no posto 69,9 em Capão da Canoa o tempo escorre lentamente no ritmo das refeições. Sério… Vivemos ao sabor (literalmente) dos cardápios…
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dez 31 2008
Feliz 2009!
Os terroristas do jogo usam o Kefiah, embora no modo de ser da Palestina os terroristas usem o Kipah, também.
Mas o que importa na simbologia deste discutível jogo é o movimento da intolerância, a soberba das soluções finais.
Acesse o link, mire e extermine os “terroristas”. E pense, mesmo que pensar atrapalhe algumas pessoas.
“Aquele que não sabe instalar-se no limiar do instante esquecendo todo o passado, aquele que não sabe ficar de pé sobre um único ponto, sem temor e sem vertigem, esse nunca saberá o que é a felicidade.” (Walter Benjamin junto com Nietzsche)
2009 será aquilo que fizermos dele.
Felicidade
))
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fev 15 2008
aquelas casas de praia…

aquelas casas de praia…, originally uploaded by suzzinha.
Esta semana esqueci. Mas, antes tarde do que nunca, aí vai a casa da
semana. Esta fica no centro de Capão da Canoa.
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fev 10 2008
estado da arte

estado da arte, originally uploaded by suzzinha.
A peça problemática é a mais escura… Cometi um (no mínimo) erro ontem e não sei não se vai dar certo o remendo que eu fiz… A amarelinha é obra da minha mana.
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fev 10 2008
segunda etapa em curso…

segunda etapa em curso…, originally uploaded by suzzinha.
Penso que somente depois de uma semana de banhos com caco de telha é que vou conseguir tirar toda a tinta que está na minha pessoa. Mas olhem que maravilha está ficando a minha fase anual de arte utilitária.
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