jul 21 2009

Reflexões sobre a Aprendizagem

Categorias: educação,ticSuzana Gutierrez @ 10:25

gatosComo, quando, por que aprendemos; a inevitabilidade de aprender; a simplicidade de aprender; a complexidade de aprender … volta e meia estas questões aparecem no horizonte mais próximo. Quando eu me pergunto por que aquilo que vivenciamos no treino não aparece no jogo, quando um conceito surge claro inesperadamente, quando uma ligação se esconde, foge, não relaciona. – aprender … apreender.Uma questão de conteúdo e contexto, de desejo e oportunidade. Mais uma vez fiquei pensando sobre isso, hoje. E dei uma vasculhada nas situações de aprendizagem pelas quais passei, tentando isolar uma diferente, que, por isso, pudesse me mostrar alguns caminhos.

Anos atrás, durante o verão (férias!), ao observar a minha irmã pintando caixas e outros utensilios de madeira, me deu vontade de fazer o mesmo. Ela prontamente vestiu as roupas de mestra e passou a me orientar.

Achamos uma destas embalagens de flores (uma caixa de madeira) que andava jogada pela casa e comecei a mexer com as tintas e pincéis. Minha mestra havia feito cursos, aprendera técnicas e as executava com cuidado, seguindo as diversas etapas e foi assim que passou a me ensinar. Eu segui…

Agora, … o que me motivou a querer me aproximar deste conteúdo (pintura, artesanato), no contexto (informalidade)? Minha vontade era mexer com as tintas, usar os pincéis, os dedos, combinar as cores, tentar fazer ‘coisas’ surgirem por puro prazer. Sem compromissos com a técnica, priorizando o instinto ao invés das etapas de criação (eu diria reprodução).

A mestra foi embora no fim de semana e me deixou com suas ferramentas. Conteúdo e contexto me fizeram buscar estas ferramentas para conhecer melhor, vivenciar, construir e desconstruir. E eu, sem as técnicas e procedimentos atrapalhando, busquei outras. Pintei com panos, com dedos, dilui, misturei, errei e acertei, descobri, descobri. E criei.

O conteúdo foi guiado (flutuou, mergulhou) pela linguagem que as minhas ações, escolhas, contexto determinaram. As ferramentas não escolheram o conteúdo. Este não se conformou, ao contrário, de certa forma determinou, transcendeu ferramentas.

Um objeto (uma relação), parte de um contexto, que possui uma linguagem, formas de expressão – centro de interesse, objeto de desejo, inevitável aprendizagem. Movimento.

Assim, caros 6 leitores, não perguntem como usar blogs em educação ou o twitter na aprendizagem de língua portuguesa. Mais do que ferramentas, blogs, twitter, … podem fazer parte de uma linguagem que os contém, além das coisas que queremos (queremos?) apreender. A linguagem do nosso contexto que não é una, nem fixa, nem imutável.

… ainda pensando

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jan 29 2009

padrões e modelos para professores

Categorias: educaçãoSuzana Gutierrez @ 09:45

No normal, padrões e modelos me dão uma certa alergia. Nem tanto por proporem formatos e referências, quanto por virem quase sempre atrelados a obrigatoriedades não muito transparentes.

Padronizar, modelar é algo que tem de ser pensado considerando as inconveniências de tentar universalizar seja o que for. E, neste processo, marginalizar toda uma criatividade que pode ser muito mais contextual e, até, revolucionária.

Porém, vou ler (e já registro e socializo) o NETS for Teachers 2008 (em inglês) ou Padrões Nacionais de Tecnologia Educacional e Indicadores de Ação para Professores, do International Society for Technology in Education, do USA e Canadá, lançado em junho de 2008. Especialmente por ele se propor como inspiração para muitos países.

Numa olhada rápida no curto ‘tutorial’ já dá para antever que cada aforismo rende uma boa discussão.

alternativa: NETS em Espanhol

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dez 06 2008

O que eu aprendi sobre a aprendizagem em 2008

Categorias: educaçãoSuzana Gutierrez @ 07:21

Esta é a questão proposta pelo Learning Circuits para dezembro. A idéia é responder e linkar o original “What did you learn about learning in 2008?“.

Proponho que linkem, também, esta minha resposta e as demais que forem surgindo para formarmos a rede, o que vai ampliar o debate.

O que eu aprendi sobre a aprendizagem em 2008?

A resposta absoluta (e contraditória) seria: apesar de muito, nada. É que, no meu entender, aprendizagem é processo sempre inacabado, recursivo, dialético. As minhas certezas estão sempre dialogando com as as minhas dúvidas e, assim, nunca perdem a sua provisoriedade.

Em 2008, procurei estar atenta para aquilo que se situa nas fronteiras dos conteúdos, nas entrelinhas de nossos planos de aula. Aprendi que posso planejar um pouquinho estas brechas e, nelas, dar espaço para que emerjam questões, ações, processos que geram mais aprendizagem.
Procurei conhecer um pouco mais sobre as tendências e os movimentos de aprendizagem em e na rede. Tentei melhorar as formas de colaborar e compartilhar e, neste processo, ando me questionando sobre as formas e os meios de atuar neste campo. Foi enriquecedor, por exemplo, o uso do Google Reader e das possibilidades de ser parte de uma rede onde circula a informação já filtrada, recomendada, comentada e, em muito, discutida.

Nos contatos online, nos diversos espaços e redes, estou aprendendo a aceitar que é impossível dar conta de tudo, pricipalmente das solicitações que vem direto, pedidos de auxílio, de recomendações. Procuro responder, mas estou aprendendo a trabalhar com limites. Às vezes, a melhor ajuda é dedicar meu tempo a refletir e compartilhar a minha reflexão sobre assuntos que considero importantes (e não só para mim), em vez de dar receitas que a curto prazo ajudam, mas a médio prazo não contribuem para a aprendizagem de ninguém.

Ainda neste campo das relações na rede, venho aprendendo a ter paciência com a aprendizagem do outro (e isso aqui para mim é muito difícil). Já melhorei bastante, mas estou longe ainda de ser alguém “adorável” neste quesito.

Tenho procurado lembrar, em todas as situações que surgem, dos limites que a comunicação online tem. Por trás de uma ação, de um texto, existe um iceberg de outrros textos, ações, reações, sentimentos e sentidos, que não estão a disposição de nossa interpretação. Principalmente em relação a comunicação que usa somente uma forma de expressão: oral, escrita, visual, …

Quando os meios que dispomos para comunicar são parciais, insuficientes e, até, falhos, podemos recriar Nietzche e pensar em interpretações ao invés de verdades. (e até nesta interpretação de Nietzche isso vale)

Assim, do que leio, vejo, escuto na rede, tenho tentado não julgar, não classificar, pois estou diante de apenas uma parte muito pequena da realidade que circunda, inclui e põe as condições para aquela comunicação. É difícil e as recaídas são bem constantes. Exatamente como na nossa conhecida e reprovável mania de emitir julgamentos sobre pessoas e fatos. Online é mais complicado ainda. Para mim, como pesquisadora esta é uma aprendizagem muito importante.

E estou aprendendo um pouco sobre o Conectivismo. Aliás, como não pude participar ativamente durante o CCK08 , a idéia é tentar rever o material nas férias.

(este é uma postagem provisória e aberta a atualizações)

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dez 06 2008

Refletindo sobre as minhas previsões sobre a aprendizagem em 2008

Categorias: blog,educação,mobilidade,redes sociais,tecnologiaSuzana Gutierrez @ 05:59

Em janeiro deste ano, seguindo a proposta do Learning Circuits em uma de suas “Grandes Questões”, publiquei as minhas previsões sobre a aprendizagem em 2008. Hoje, propus uma pequena avaliação destas previsões. Uma forma de rever o processo e confrontar a dimensão de nossa capacidade de interpretar o contexto e as tendências em educação.

Então, reescrevo e comento as minhas previsões, considerando a minha interpretação do contexto atual. Não se surpreendam com a quantidade de pronomes possessivos 🙂 A idéia é deixar claro que esta esta é uma forma individual e particular de olhar a realidade.

Lá vai:

Eu penso que em 2008 continuará a tendência da valorização e do incentivo da aprendizagem nos espaços não formais. É uma tendência que vem se firmando faz tempo e que está conquistando cada vez mais a atenção dos professores, por exemplo.
Penso que esta previsão foi correta. Espaços não formais como os gerados por redes mediadas por blogs, wikis, sites de redes sociais, e outros ambientes\tecnologias que permitem a interligação e a interação foram suportes importantes de processos de aprendizagem, especialmente para os professores que, aos poucos, vão se apropriando destas tecnologias.

A aprendizagem online também deverá aumentar, conforme aumenta o uso das tecnologias da informação e da comuicação nas escolas. Sites de redes sociais (Orkut), mensagens instantâneas, blogs, wikis, agregadores e o email serão mais usados por professores e alunos.
Esta previsão tem pelo menos 3 desdobramentos. Primeiro: a possibilidade de aprendizagem online realmente cresceu, pois a oferta de cursos online aumentou espantosamente (aqui não entro na discussão sobre a qualidade dos cursos e os interesses em jogo neste movimento de expansão).

Em segundo lugar, este crescimento é relativo nas escolas. Ainda é problemático afirmar que as escolas estão mais “informatizadas”, ainda permanecem muitas dificuldades na maioria das escolas. Ter computadores é apenas parte da questão.

E, em terceiro lugar, blogs, wikis, sites de redes sociais etc., mesmo tendo seu uso expandido, inclusive com educadores tendo conquistado prêmios em Educação com projetos que os utilizam, ainda são muito mal compreendidos nas escolas e, de modo geral, não integram as práticas educativas cotidianas. Em algumas instituições e até em redes educacionais tem o acesso bloqueado.

Apesar das leis contra o uso dos telefones móveis em sala de aula, penso que a educação começará a perceber as potencialidades destes aparelhos no contexto educativo: comunicação, uso de imagem, documentação, mapeamento e , até, cinema.

Penso que a educação começa a perceber estas potencialidades, porém a reflexão sobre isso ainda é muito incipiente. A premência de cumprimento de prazos, conteúdos e dos demais rituais da escola, restringem as possibilidades de aprofundar esta e outras reflexões. Eu acreditava que se pudesse andar mais do que se andou neste tema em 2008.

Dando força para as previsões anteriores, crescerá a mobilidade com a disseminação das conexões sem fio e o barateamento de hardwares mais móveis (notebooks, pdas, smartphones, …)
Mesmo considerando a nova crise do capitalismo internacional, continua crescendo a mobilidade, a disseminação das redes sem fio, o barateamento das alternativas mais móveis de hardware. Além disso, notei um movimento de super oferta destes bens, num sentido de expansão dos tipos e formas, funcionalidades, utilidades e inutilidade, algumas claramente estratégias mercadológicas.

Estes são meus breves comentários, passíveis de atualização, sobre o que eu havia previsto em 2008. Espero que os leitores tirem um tempinho paa contribuir com esta discussão.

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dez 06 2008

Aprendizagem

Categorias: educaçãoSuzana Gutierrez @ 05:06

No início deste ano, seguindo o Learning Circuits em uma de suas “Grandes Questões”, publiquei as minhas previsões sobre a aprendizagem em 2008 e convoquei quem quisesse a seguir a proposta. Rendeu boas reflexões e até pensei em lançar questões periodicamente como o LC, mas adaptando ao nosso contexto.

Eram as minhas férias e, durante este período, a gente acha que poderá tudo no ano seguinte.Todavia, fevereiro chega e traz consigo as demandas de sempre para quem é professor. E lá se foram os pequenos sonhos das férias.

Hoje, li a proposta do LC para a grande questão de dezembro e achei interessante: O que aprendi sobre a aprendizagem em 2008? Além disso, relendo as minhas previsões de janeiro/2008, penso que seria muito instigante fazermos (destaque para o verbo no plural) uma pequena avaliação sobre estas nossas previsões. Seria uma preparação para, em janeiro, fazermos nossas previsões para 2009.

Assim, lanço os dois desafios:

Vamos lá?

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nov 20 2008

Estudo demonstra que passar tempo online é bom para desenvolvimento dos jovens

Categorias: educação,internet,midias,pesquisa,redes sociaisSuzana Gutierrez @ 09:06

Um novo estudo da MacArthur Foundation, que pretende ser um dos mais completos sobre os hábitos dos adolescentes online, revela que o tempo que os adolescentes despendem conectados à internet, interagindo em redes sociais, navegando e jogando é importante para o desenvolvimento de qualidades que serão necessárias para viver e ter sucesso hoje e no futuro.

Misuko Ito, pesquisadora da Universidade da Califórnia, Irvine conta que os resultados da pesquisa podem surpreender os pais e derrubar alguns mitos. “Perder” tempo online não é perigoso e não cria preguiçosos e sedentários. Ao contrário, é essencial para que os jovens desenvolvam as habilidades técnicas e sociais necessárias para serem cidadãos competentes na era digital.

A notícia na MacArthur Foundation saiu na primeira página do New Yort Times: Teenager’ Internet Socializing Not a Bad Thing

A pesquisa, liderada por Mizuko Ito, Peter Lyman e Michael Carter, contou com mais de 28 pesquisadores. Durante 3 anos a equipe entrevistou 800 jovens e suas famílias e passou mais de 5000 horas observando adolescentes em sites como o MySpace, Youtube, Facebook.

Entre os achados de pesquisa: os ambientes online oferecem aos adolescentes excelentes oportunidades de desenvolvimento da sociabilidade, de participação na vida pública. Motivam a aprender com o outro e em rede. Por outro lado, os jovens precisam dar conta desta sua presença online e dos desafios de manejar a visibilidade, a identidade e as relações sociais no ciberespaço.

Mais detalhes: New Study Shows Time Spent Online Important for Teen Development e em digitallearning.macfound.org.

update:
relatório no site do Digital Youth Project
post da danah boyd
mais no Boing Boing

update 2:
ainda não li os relatórios de pesquisa.

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set 06 2008

Conectivismo e Conhecimento Conectado

Categorias: edublogosfera,educação,teoriaSuzana Gutierrez @ 07:05

Não se surpreendam se encontrarem por aqui a tag CCK08 nos próximos tempos. É que, na medida do possível, vou acompanhar o curso online Conectivismo e Conhecimento Conectado, do George Siemens e do Stephen Downes. O curso conta com o apoio da Extended Education Faculty da Universidade de Manitoba em associação com o Learning Technologies Centre.

Para quem quiser acompanhar, as informações estão no wiki do curso. Convém uma visita à apresentação do curso, ao blog e ao ambiente moodle. A inscrição pode ser feita aqui.

Para tentar incrementar as possibilidades de participação e aproveitamento do curso, lancei um desafio para o pessoal da edublogosfera. via lista 🙂

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abr 20 2008

O anti-ensino contra a crise de significado

Categorias: categorias,educação,leituras,teoriaSuzana Gutierrez @ 05:48

Não tem professor que não dedique um bom tempo pensando em como tornar suas aulas mais atrativas, como vencer a imobilidade e a mesmice, quando estas se acampam na sua sala de aula. Geralmente, as alternativas pensadas focam na forma e no conteúdo daquilo que é proposto para a aprendizagem. Com menor ênfase pensamos no ambiente onde esta forma e este conteúdo vão acontecer.

E, falando em ambiente, este não só contém uma certa estrutura (ou desestrutura), como é parte de um contexto. E este contexto, omitido na maioria de nossas tentativas de ensinar, é justamente o que pode prover o espaço para que surjam as questões, os movimentos, os significados e a aprendizagem.

Como a minha sala de aula é diferente da do restante de meus colegas, ela é geralmente um ponto de observação das práticas que saem da sala de aula e dos laboratórios. É da quadra de basquete do parque, por exemplo, que eu vejo as aula de física, educação física e biologia acontecendo juntas na pista de corrida.

Mas são muito raras estas oportunidades nas quais as aulas rompem o formato da conferência, da pesquisa dirigida, do circuito, sala, laboratório, biblioteca. Ou que viram um destes espaços de pernas para o ar com algum movimento que não sejam os tradicionais.

O Prof Michael Wesch, propõe justamente esta ruptura e a busca do significado, por meio de um certo transtorno nas estruturas e da contextualização daquilo que, sendo histórico, não deve ser tratado como algo que não tem vínculos.

É uma leitura interessante que eu sugiro. Justamente por relatar uma realidade significativamente diferente. E por, de certa forma, nos fazer pensar fora do ensino e mais dentro das condições de aprendizagem.

Anti-teaching: Confronting the Crisis of Significance

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abr 10 2008

educação e blogs

Categorias: educação,midiasSuzana Gutierrez @ 16:51

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mar 08 2008

Midias Sociais e Educação

Categorias: educação,midiasSuzana Gutierrez @ 08:17

É inegável o poder apaixonante que têm blogs, wikis, sites de redes sociais, e toda a diversidade de aplicativos chamados sociais, sobre o imaginário dos professores. Mal conhecemos o aplicativo que constroi uma apresentação de slides, por exemplo, e já imaginamos toda uma série de práticas e de possibilidades que seguiriam o seu uso na educação.

Porém, o que na maioria das vezes acontece é que relacionamos estas possibilidades com aquilo que já conhecemos e com as nossas práticas na sala de aula. Isto é normal, pois é sempre de algum lugar existente que avaliamos o novo.

Como a maioria de nós ainda trabalha dentro de uma estrutura de funcionamento da escola, que não se modifica muito faz um bom tempo, estas nossas novas práticas, deixam de antemão este aspecto de novidade, pois se inserem em processos que já existem, sem alterar de forma significativa o processo.

Isso acontece, por exemplo, quando colocamos aquela aula, que seria falada e escrita no quadro de giz, numa apresentação de slides animados e com som sincronizado. O único diferencial talvez seja na produção visual, pois o processo continua sendo expositivo e sem possibilidades de interação.

O mesmo se dá quando usamos com os alunos outros suportes para os seus trabalhos. Entregar num CD um trabalho escrito é quase o mesmo que entregar a versão escrita e impressa do trabalho. Colar num blog um texto digitado num editor de texto, só difere de entregar o texto escrito ao professor, pelo aspecto público e aberto à comentários de um blog (aqui já temos algumas diferenças um pouco mais consistentes).

Assim, além de por à disposição as possibilidades que a midia social oferece de interação, compartilhamento, diálogo, intertextualidade etc., o uso de midias sociais deveria vir atrelado a uma proposta educacional que problematizasse o próprio uso da midia. E que, pelos seus procedimentos, garantisse aquilo que está apenas como possibilidade: a interação, a intertualidade, a polifonia, o diálogo, …

E é nesta mediação que reside a função do professor no processo.

Fazer vídeos, podcasts, hipertextos, construir blogs, publicar em wikis, compartilhar links, participar de redes sociais são coisas fáceis de aprender e de usar. E o nosso aluno rapidamente aprende. Fazer com que o produto deste uso de midias sociais seja relevante para a formação do aluno é o mais difícil. Fazer com que o uso das midias sociais seja um fator de enriquecimento da aprendizagem de alunos e professores e consequentemente, da formação destes alunos e professores, é onde reside a tarefa de todos que não só fazem, mas refletem sobre a sua ação.

Estas são umas idéias iniciais para reflexão. Na seqüência poderíamos começar a pensar na crítica do formato e das funcionalidades de cada uma destas mídias. Do que elas possibilitam, mas ao mesmo tempo formatam, por exemplo. Mas, isso é assunto para outra postagem.

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jan 25 2008

A aprendizagem em 2008 – update necessário

Categorias: educação,tecnologiaSuzana Gutierrez @ 05:51

Pois é, o post original já se foi para as entranhas do blog. Mas o pessoal continua a pensar sobre a aprendizagem em 2008. Assim, aí vai um update da parte dele que propõe o desafio e que registra as postagens dos corajosos que toparam.

Proponho aos meus leitores responder, considerando o contexto brasileiro ou, até, regional. Copiem o logo, postem a resposta e linkem a postagem original do Learning Circuits e esta minha postagem, para criarmos a rede nacional da bola de cristal na educação 🙂

Me avisem nos comentários deste post que eu linkarei aqui mesmo as respostas:

update: escrevendo a postagem que vem antes (depois) desta achei isso aqui:

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jan 16 2008

Redes Sociais, a sala de aula e outros espaços

Categorias: blog,educação,redes sociaisSuzana Gutierrez @ 06:27

Há um pouco de confusão quando se começa a falar de redes sociais. No Brasil, muita gente entende direto “Orkut“. Outros, com uma leitura mais abrangente, geralmente pesquisadores, vão além dos sites ou sistemas de redes sociais (SRS), como o Orkut, Facebook , … , e distinguem: rede, rede social, sistema de rede social e outras nomenclaturas encontradas por aí.

Porém, quando se compara uma rede social formada por blogs, suas postagens, comentários, rss, trackbacks, backlinks, com sistemas como o Orkut, por exemplo, as diferenças logo aparecem, até para quem ainda não pensou sobre isso. Blogs e outros aplicativos dinâmicos de publicação tendem a formar redes sociais abertas e, em parte, muito instáveis. O diálogo permanente (ou o silêncio) alteram a cada momento a estrutura da rede.

Já os SRS fixam, de certa maneira, uma rede nem sempre coincidente com o diálogo travado por seus membros. Muitos perfis no Orkut lembram mais uma coleção de figurinhas do que um nó numa rede de conexões sociais, interativas, comunicativas. O nó fica mais evidente que a conexão.

Mas, antes que eu me perca na introdução e vá terminar em algum outro assunto, comunico que a inspiração para esta postagem veio daqui e daqui.

Danah Boyd comenta a discussão ancorada no The Economist sobre os sites de redes sociais e suas contribuições positivas (ou não) para a mudança nas metodologias educacionais dentro e fora da sala de aula. Ela, entre os prós e os contras, se posiciona dizendo que os SRS, no seu atual estado, não podem ser integrados diretamente à sala de aula. Diz que os SRS possibilitam um espaço que pode ser usado educacionalmente, mas que por si só não garantem isso. Os SRS oferecem mais uma alternativa de contato para a interação em redes de aprendizagem já existentes. Considera as suas possibilidades em relação aos aspectos educativos não-formais, como a sociabilidade, como os mais trabalhados nos SRS. Segue, trazendo algumas considerações interessantes, a partir da sua vivência e observação (interessante ler na íntegra o texto, que eu trago aqui apenas em parte).

Os Orkut da vida não seriam nem a panacéia e nem a possibilidade de um precipício educacional. Isso eu também penso, porém não concordo quando ela pontua uma neutralidade da tecnologia em si, salvaguardando esta de suas ligações/implicações no capitalismo. Aqui, eu lembrei de uma das citações mais citadas (e mal citadas) do Pierre Levy:
“A técnica em geral não é boa, nem má, nem neutra, nem necessária, nem invencível. É uma dimensão, recortada pela mente, de um devir heterogêneo e complexo na cidade do mundo.”

Lembro, também, da advertência do Meszáros, contrariando o otimismo de Marx, sobre a persistência, no aparato tecnológico herdado de uma anterior formação social, de um fator trans-histórico que pode acorrentar a uma forma de pensamento passado.

Lembro, ainda, uma aula lá dos meus antigamentes, no Curso de Engenharia, quando estudávamos a disposição dos espaços e dos elementos construtivos: portas, janelas, espaço para a pia, geladeira, pontos de luz e força,…, numa cozinha. Esqueci o professor, mas não do que ele falou: “o projeto e a disposição destes elementos, condicionam a forma como vamos nos deslocar no espaço projetado e as atividades que poderemos realizar…”

A forma e o conteúdo atacando de novo. Eu já escrevi algumas vezes sobre isso e penso, sim, que a tecnologia criada na sociedade capitalista exerce muito do poder civilizatório do capitalismo. A minha dúvida (e, às vezes, a minha esperança) é saber se, mesmo assim, o uso destas tecnologias pode gerar alguns bons frutos numa outra direção.

Pulando esta parte, que pode render uma excelente discussão, fiquei aqui pensando (e vocês iam rir muito se soubessem onde eu estou, qual a tecnologia que estou usando para escrever e, ai…, o suporte… Contradições que eu conto lá no fim, acho… *) sobre as possibilidades para a educação (focando aqui a sala de aula) das redes sociais constituidas nos SRS (Orkut, por exemplo).

Considerando que são redes de certo modo fechadas (afinal, a gente precisa cadastro e senha para entrar e elas são invisíveis sem eles), considerando os limites do aplicativo em si, … eu penso que, e aí concordo com a Danah Boyd, estas redes são um espaço a mais de socialização para as redes sociais já constituidas na escola, por ex. No meu entender, elas até expandem os limites desta sociabilidade, dando espaço para conexões que o pouco espaço-tempo social da escola permite e dão um canal alternativo para outras habilidades sociais que não a presença/ação física e a conversa.

E a observação na convivência com os meus alunos no Orkut, nas comunidades: Basquete, CMPA, Amigos do Thibbes, … e na rede de recados (scraps), têm me mostrado que a rede formada traz para a sala de aula uma articulação informal, que pode ampliar o alcance e a repercussão das coisas que são trabalhadas só no quadro de giz, a revelia, às vezes, dos professores.

No caso específico da comunidade do Basquete e de suas conexões com toda uma rede quase viral de recados, ela é um ponto de encontro e comunicação bastante visível, e não um espaço para desenvolver atividades específicas da minha quadra de aula. 🙂 Porém, a sociabilidade, belicosa por vezes, e os outros valores que certamente vão influenciar a minha quadra de aula, a competição desportiva e a vida de todos nós, costumam aparecer muito por lá. Neste sentido, o blog do Basquete, que poderia ser o aglutinador desta rede social, é mais um jornal. (os porquês disso renderiam um bom post)

Bom, … mas o que isso tem a ver com ‘Edu blogs: reflexão ou blá blá blá psitacídeo?‘ ?

Tem a ver que esta minha postagem pode e deve ser relativizada em alguns aspectos. Um deles é que, na realidade, eu não penso que se deva catalogar o que é um edublog e o que não é um edublog. Bater nesta tecla foi uma forma de provocar a atenção sobre a questão da reflexão pessoal/autoral nos blogs de professores. Bancar a dona da verdade, às vezes, pode ser útil.

– Então por que não falou isso lá??? – pergunta alguém.
– Porque aí não teria causado o efeito que causou.

E os efeitos foram mais fora da rede de postagem/comentários/outras postagens. Porém, entre falas e silêncios, quem leu, certamente olhou para si mesmo. Pena que os auto-referente, que caberiam certinho sob o boné, não costumam ler 🙂

Agora, … vale o que eu propus na postagem: criar um blog SEU, um espaço pessoal de aprendizagem, separado de projetos específicos, até para poder refletir melhor sobre eles.

* direto da reda, digo …, da contradição…

update: chove muito em Capão… e meu escritório teve de ser transferido. Na foto, aparece a tecnologia bic de escrita, mas não o suporte. E este não conto mesmo 🙂

update 17/01: George Siemens entra no debate.

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jan 05 2008

A aprendizagem em 2008

Categorias: blog,educação,mobilidade,tecnologiaSuzana Gutierrez @ 18:40

What are your Predictions for Learning in 2008?

ou

Quais as suas previsões para a Aprendizagem em 2008?

Para responder esta questão, proposta pelo Learning Circuits, é necessário ter o despreedimento de dizer coisas que, daqui uns meses, poderão levar a tag “bobagens”. Como isso não é nem um pouco incomum na minha vida, vamos lá.

Eu penso que em 2008 continuará a tendência da valorização e do incentivo da aprendizagem nos espaços não formais. É uma tendência que vem se firmando faz tempo e que está conquistando cada vez mais a atenção dos professores, por exemplo.

A aprendizagem online também deverá aumentar, conforme aumenta o uso das tecnologias da informação e da comuicação nas escolas. Sites de redes sociais (Orkut), mensagens instantâneas, blogs, wikis, agregadores e o email serão mais usados por professores e alunos.

Apesar das leis contra o uso dos telefones móveis em sala de aula, penso que a educação começará a perceber as potencialidades destes aparelhos no contexto educativo: comunicação, uso de imagem, documentação, mapeamento e , até, cinema.

Dando força para as previsões anteriores, crescerá a mobilidade com a disseminação das conexões sem fio e o barateamento de hardwares mais móveis (notebooks, pdas, smartphones, …)

Esta foi a questão do mês, proposta por Tony Karrer do Learning Circuits.

Proponho aos meus leitores responder, considerando o contexto brasileiro ou, até, regional. Copiem o logo, postem a resposta e linkem a postagem original do Learning Circuits e esta minha postagem, para criarmos a rede nacional da bola de cristal na educação 🙂

Me avisem nos comentários deste post que eu linkarei aqui mesmo as respostas:

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ago 24 2005

El proyecto [zaptlogs]

Categorias: colaboração,educação,suzana gutierrez,tecnologiaSuzana Gutierrez @ 09:54

El proyecto [Zaptlogs] fue concebido y desarrollado por la investigadora brasileña Suzana Gutierrez durante el cursado de su maestría en Educación en la Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Sus objetivos se orientaron a la construcción de alternativas en la formación de educadores autónomos en el trabajo con tecnologías digitales educativas y a la utilización de medios para la formación de comunidades de investigadores para intervenir en las mismas con una propuesta de apropiación de las TICs. Para ello utilizó weblogs como tecnología de comunicación digital en red que le permitiese construir espacios de investigación, colaboración y aprendizaje.
Susana accedió a compartir con nosotros su relato y conclusiones de aquélla experiencia que concluyó pero que continúa expresándose en la red.

[zaptlogs] – relato de experiência e pesquisa

Suzana Gutierrez
Mestre em Educação, Pesquisadora do TRAMSE UFRGS
Professora do Colégio Militar de Porto Alegre

>> continua com o meu relato no Dialógica

E eu agradeço a oportunidade de poder falar de um trabalho que para mim foi muito importante e inspirador das pesquisas que continuo realizando.

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jun 03 2005

Livro sobre ambientes virtuais de aprendizagem

Categorias: educação,livros,tecnologiaSuzana Gutierrez @ 13:27

Código: 85-363-0515-0
Autor: Rommel Melgaço Barbosa
ISBN: 85-363-0515-0
Ano: 2005
Formato: 16×23
N. de páginas: 182

Diversos textos de diferentes autores sobre ambientes virtuais de aprendizagem.

Sumário

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