jan 06 2010

A aventura do pudim de natal

Categorias: rastrosSuzana Gutierrez @ 11:05

/say Não é uma resenha sobre o livro de Agatha Christie … É apenas mais uma das minhas histórias.

Não sou conhecida pelas habilidades culinárias, justamente o contrário. Nas festas sempre me mandam fazer algo sem muita chance de erro humano. Porém, nesta virada de ano, dentro daquele clima potencialmente hostil que antecede a festa, quando o stress chega no nível em que as pessoas te olham furiosas a uma mera sugestão, praticamente me atiraram duas latas de leite condensado e, sem nenhum tato, sentenciaram: – Faz um pudim!

As vibrações que cercavam o contexto me aconselharam a não tentar fugir. Fui para o google e pesquisei algumas receitas e descobri, pasmem, que pudim de leite é ≠ de pudim de leite condensado. Munida de algumas ideias e da minha criatividade me dediquei a tarefa. Se eu era obrigada a fazer o pudim, este seria autoral.

Pois deu tudo certo, ficou tri bom, embora tivesse ficado no fogo umas 3 horas, pois alguma coisa não solidificava.  Foi devorado em minutos e eu virei a rainha do pudim.

Mas, para escapar em 2010, voltei a velha forma e ontem, ao tentar cometer um pudim de claras:

- queimei o caramelo

- num acesso criativo, botei limão na receita para não ficar tão doce

- não reparei que havia formigas no açúcar

Pior, … o pudim ficou ótimo, com aparência de sorvete de flocos e gostinho de torta de limão. Ou seja, para a entrada em 2011, certamente terei de providenciar um formigueiro e tentar repetir todos os erros que cometi ontem.

—-

/btw sobre as formigas. Respeitando a ética, informei e solicitei o consentimento esclarecido dos comensais. Depois de um pequeno debate ficou acordado que comê-las seria menos traumático do que por fora o pudim.

/btw2 a prova do crime:

pudim de formigas

o pudim

Receita:

10 claras

20 colheres de açúcar

1 limão

açúcar para caramelar

1 pitada de sal e uma de fermento

umas 20 ou 30 formigas das bem miudinhas

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1  – caramelize a forma de pudim até queimar o caramelo.  Limpe a forma e comece de novo deixando um pouco do caramelo queimado grudado.

2 – Bata as claras em neve. Uma neve meio mole. Vá colocando o açúcar e as formigas batendo sem deixar virar merengue duro demais. Alternativa ecologica (?): substitua as formigas por chocolate granulado.

3 – coloque as pitadas e raspe a casca do limão na massa e misture

4 – Cate as formigas que estiverem nadando

5 – ponha tudo na forma e a forma numa panela com água. Cozinhe neste banho maria até o pudim solidificar.

6 – deixe esfriar e ponha na geladeira. Desenforme gelado.

7 – na craca que ficar na forma, esprema o limão e acrescente um pouquinho de água e leve ao fogo. Quando ficar com cara de calda, deixe esfriar e ponha sobre o pudim.

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jan 04 2010

2010

Categorias: Brasil,mundo,visão de mundoSuzana Gutierrez @ 12:02

Este blog entrou 2010 em silêncio. Não porque não houvessem histórias a contar, mas achei melhor ser parte mais ativa delas e perdi alguma coisa daquele lado coadjuvante observador que é o terror da família. Nada de perpetuar na escrita os pequenos dramas e comédias familiares, pelo menos por enquanto.

Além disso, não senti vontade de comentar o mundo a minha volta:  o crescimento canceroso de Capão da Canoa. Nem as tragédias “naturais” que entristecem tantos ou, mesmo, a traição da tecnologia, que expos em rede nacional aquela opinião tão “normal” (mas pouco televisiva), que frequenta as rodas de conversa dos que se julgam mais bem situados na cadeia alimentar.

Dois mil e dez, em que pesem os nossos desejos, é a continuação de 2009,  assim como o Boris Casoy pedindo desculpas foi mais a reafirmação do fato do que a retratação da ofensa. Aliás, o ‘fato’ mesmo nem chegou a ser o preconceito, a insensibilidade e o ódio de classe. O fato foi a cilada tecnológica, o ser pego  fora da hipocrisia.

E é nesta linha tênue entre o que parece e o que é, que a natureza leva a culpa das tragédias. Desastres chamados naturais, nos quais os critérios mercantis, que são a medida de tudo, poderiam apontar os verdadeiros culpados.  Os morros de Angra, a frase do Boris Casoy, a cordilheira de concreto em Capão da Canoa me fazem lembrar que:

A barbárie reapareceu, mas desta vez ela é engendrada no próprio seio da civilização e é parte integrante dela. É a barbárie leprosa, a barbárie como lepra da civilização *

E, ontem, saiu por aqui o papo sobre o “progresso” de Capão da Canoa.

-Contam -  disse o pai (positivamente admirado) – que existem 90 edifícios em construção e mais 200 com projetos em aprovação.  E aí o debate começou:  sobre o que é o progresso e que critérios o podem caracterizar\avaliar.  Ele advogando que as construções trazem empregos e movimento à cidade, desenvolvimento! Eu falando da favela que cresce junto lá para trás da praia, da precariedade do trabalho e do turismo predatório.

Daí ficamos observando a coisa na prática: o novo edifício em frente à nossa casa, com 50 apartamentos e uns 9 andares, construído onde havia 2 casas.  Onde havia árvores e flores, não sobrou um jardinzinho, o concreto cobriu tudo. Observamos o entra e sai de carros constante e o engarrafamento na rua (que é afastada do centro), mas está repleta de carros estacionados. A noite caiu e foi a hora de observar os gambás saindo de sob o entulho das obras nos poucos espaços vazios, procurando as lixeiras, porque não há mais árvores, nem insetos e nem larvas, … Breve não terão como sobreviver aqui.

A nossa rua, que recebeu nos últimos dois anos uns 4 edifícios (na nossa quadra), não foi alargada, não recebeu nenhum conserto e, principalmente, as redes de esgoto, de água e elétrica permanecem as mesmas. Considerando que, onde haviam 10 pessoas, agora se amontoam 200, estamos com falta de água em certos horários, quedas de energia e qualquer chuva traz aquele cheiro característico de coliformes.

Progresso?  Sim, dentro da lógica que une os deslizamentos, que nem tão democraticamente soterram hotéis de luxo e favelas, e a fala esclarecedora do Boris Casoy.  Pensar em progresso, todavia, implica em considerar dialeticamente a barbárie.

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* Marx disse isso em 1847 se referindo às leis dos pobres e as casas de trabalho. Enquanto a lógica se transforma para continuar a mesma, a barbárie acompanha.

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jan 01 2009

2009 começa

Categorias: rastrosSuzana Gutierrez @ 11:48

O ano começou tranquilo (<< olha só como já estou tentando aplicar as novas regras) aqui no posto 69,9 [1] de Capão da Canoa.Um tanto contrafeitos pelo verão-edredon que vinha acontecendo, fomos surpreendidos por um dia de muito sol e calor.
Este ano a preguiça não nos motivou a escalar árvores e telhados para decorar com lâmpadas coloridas o jardim. A preguiça e o comentário semi-acusativo do pai: - 50 x 25 watts é um tanto exagerado… Comentário ao qual minha sobrinha ecoou: - E ecologicamente incorreto!

Mas, na cozinha, não teve nenhum ativista para defender o carneiro, o leitãosinho e nem os demais animais alegremente esquartejados e temperados. A mãe novamente se consagrou ao fazer um tatu recheado maravilhoso que teve de ser defendido com unhas e dentes até a hora da ceia.
A família estava quase inteira e 2009 entrou quieto, tranquilo e sem trema.
Posts relacionados:
)) 2006
)) 2004

[1] Aqui no posto 69,9 em Capão da Canoa o tempo escorre lentamente no ritmo das refeições. Sério… Vivemos ao sabor (literalmente) dos cardápios…

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dez 31 2008

Feliz 2009!

Categorias: rastrosSuzana Gutierrez @ 09:27

Os terroristas do jogo usam o Kefiah, embora no modo de ser da Palestina os terroristas usem o Kipah, também.

Mas o que importa na simbologia deste discutível jogo é o movimento da intolerância, a soberba das soluções finais.


Acesse o link, mire e extermine os “terroristas”. E pense, mesmo que pensar atrapalhe algumas pessoas.

“Aquele que não sabe instalar-se no limiar do instante esquecendo todo o passado, aquele que não sabe ficar de pé sobre um único ponto, sem temor e sem vertigem, esse nunca saberá o que é a felicidade.” (Walter Benjamin junto com Nietzsche)

2009 será aquilo que fizermos dele.

Felicidade :) ))

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