dez 07 2010

pós doc

Categorias: academia,doutoradoSuzana Gutierrez @ 13:02

:)) brincadeirinha!  Mas, esta fase pós entrega da tese é muito estranha. Pelo menos está sendo para mim. Não sei se foi a clausura autoimposta dos últimos anos, na qual a maioria das coisas ficou fora da rotina estreita de tese e basquete, mas o mundo me parece diferente, como se eu tivesse estado internada em alguma “montanha mágica” e saído estranhada do mundo.

Ao mesmo tempo em que preparo a defesa da tese, estou pondo em dia as coisas ‘das casas’, da que eu moro e que mora em outra. Daquela que foi ao dentista hoje e daquela que, ontem, eu enfeitei para o Natal.

Remexendo arquivos, como a apresentação do meu projeto de tese em agosto de 2008. Ah os projetos… são quase como as promessas de dieta 🙂  Este ao menos saiu, não de todo como foi pensado inicialmente, mas dá uma ideia do que tem na minha tese.

Neste verão, quero recuperar um pouco do que foi indizível durante este último ano do doutorado.

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jul 31 2010

entre o velho e o antigo

Categorias: academia,categorias,doutorado,leituras,rastrosSuzana Gutierrez @ 15:16

Há alguns anos, no saudoso Arroio do Sal, uma amiga minha passou por uma experiência muito interessante. Vinha ela caminhando tranquilamente na beira mar, retornando para casa ao fim da tarde,  revigorada pela brisa quase suave dos nossos mares do sul. Carregava a cadeira e, na bolsa, um livro. Vinha pensando em coisas boas, quando o vento que lhe vinha das costas trouxe um zum zum adolescente, cujo tema era a sua anatomia (ainda bastante boa para os quase 50).

Entre divertida e lisongeada, ficou escutando o papo que se aproximava de seus passos lentos. O grupo de rapazes, em seus apressados 15 anos a ultrapassou e, aprendizes aplicados da lógica masculina, viraram suas caras safadas para olhar o objeto de suas elogiosas frases.

– Mas ela é velha! – sentenciou o líder da manada. E lá se foram eles, semi-indignados, apressando o passo.

Minha amiga, seguiu impávida, se divertindo com o desdobramento do ataque dos franguinhos Minu 🙂

[pausa]

Meus alunos costumam brincar comigo sobre estas coisas da idade. Geralmente, com a cara mais deslavada perguntam se “no meu tempo” as galenas tinham programação ou, exageradamente, se a roda já era usada para locomoção de pessoas. Eu costumo aderir à brincadeira, pescando alguma coisa realmente ante-diluviana que os deixe com caras de bobos.

Ou, quando estou na pilha, tento problematizar estas relações entre velho \ novo \ antigo \ moderno. Costumo dizer que não passei dos 17 anos, porque acho esta uma idade ideal e recomendo a todos que fiquem neste limite. Geralmente, não explico porque. Ou digo que não sou velha, de modo algum, mas que cai da cegonha sem querer.

Ou, ainda, digo que velho é quem nasce velho e que ficar velho é diferente de envelhecer. O que temos como humanidade é um acervo de juventude que se conserva, antiga mas sem ‘ficar velha’. Legado que deixamos quando envelhecemos. E falo que eu sou antiga, pois faz tempo que conservo a minha juventude, os meus 17 anos. Velho é quem nasce assim e segue se decompondo dia à dia, mesmo nos seus 5 anos de vida.

Pois não há nada novo, que seja novo fora da antiguidade de algo jovem que foi conservado neste nosso acervo humano. E não pensem que eu ando viajando para me escapar de escrever a tese. Estas coisas todas me vieram à mente ao reler a página 397 do volune II do Conceito de Tecnologia de Alvaro Vieira Pinto. Aliás, leitura obrigatória para pensar dialeticamente a tecnologia.

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jul 29 2009

formação de professores

Categorias: academia,educação,mestrado,ticSuzana Gutierrez @ 11:04

[…] Infelizmente, as políticas públicas estão sempre na direção da “formação” e “capacitação” dos professores, nunca na direção da apropriação e consolidação da cultura digital. [Ana Beatriz, no Educação à Distância]

Com esta frase a Ana Beatriz encerra o seu texto, que fala da palestra do MEC na WCCE 2009 e resume muito bem o que é um dos grandes nós da questão da inserção das tecnologias da informação e da comunicação no trabalho do professor.

Lembrei que uma das minhas recomendações (p. 195/196 )  na dissertação, mestrado com defesa em 2004, foi a formação a partir da imersão na rede, justamente para garantir uma apropriação que dificilmente os treinamentos e capacitações possibilitavam.

Inserir as TIC no trabalho e na  prática educativa não se trata de aprender a usar ferramentas e, sim, de falar uma nova linguagem, de incorporar práticas sociais. O requisito básico de uma formação é a de abrir o caminho para isso. Isso demanda tempo e reflexão e recursos, sobretudo recursos humanos.

Me preocupa quando leio que

“Os professores da rede pública têm a sua disposição vários cursos a distância para seu aperfeiçoamento continuado, além de extensão e especialização. Até final de 2010 teremos mais de 500 mil professores que passaram por estes cursos, isso sem contar com a UAB, a missão do MEC é não só produzir e promover, mas propiciar aos professores a oportunidade de escolherem o curso que desejem fazer.” [no Web Rádio, da palestra do MEC na WCCE]

pois, não posso deixar de calcular a alocação de recursos tecnológicos, de espaço (polos, NTEs), a quantidade de professores que está sendo necessário contratar (concursar!) para efetuar esta formação gigante. Isso dá aproximadamente 12.500 turmas, necessitando, no mínimo, 12.500 professores e/ou 25.000 tutores, … (mesmo este processo já estando em curso, os números são grandes)

Quando o MEC está intimando as universidades e centros universitários a cumprirem em até 90 dias a lei que diz que as instituições de ensino superior devem ter um terço do corpo docente com dedicação integral, na certa espera que esta contratação em massa que deverá ocorrer possa cumprir esta mesma lei.

Assim, quando não vejo movimentação no sentido de realização de concursos e nomeação de docentes, fico pensando como se dará esta capacitação e se esta será uma real apropriação de uma nova linguagem ou apenas mais um treinamento no uso de ferramentas.

No segundo caso, o resultado já se sabe qual é:  professores resistentes, laboratórios fechados (ver p. 136 da minha dissertação). Pois, não será a “criação, no homem, do correspondente sentido, graças ao qual ele pode compreender o sentido da coisa.” (KOSÍK, 1976, p. 29)

Imersão na rede é formar e viver a rede, ser parte dos elos cooperativos que podem surgir entre professores e, este, é um movimento que passa pela construção de cursos de formação que privilegiem a formação da rede. Cursos que vão exigir muito mais do que ambientes virtuais e tarefas lineares e, por isso, vão exigir muito daqueles que vão, juntamente com a tecnologia, mediar esta aprendizagem.

Aí que pergunto se as nossas instituições formadoras estão prontas para fazer e manter este mergulho na rede junto com estes 500.000 professores.

KOSÍK, K. Dialética do concreto. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976. 230 p.

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mar 24 2009

Blogs e professores – mais uma dissertação

Categorias: academia,blog,blogosferaSuzana Gutierrez @ 06:02

É muito bom ver a produção científica que aborda a educação e a comunicação mediada pela tecnologia crescendo. Em especial as que falam dos blogs, que é um assunto muito querido para mim.

E, no Brasil, em nível de mestrado e doutorado, já contamos com diversas dissertações e teses nas quais os blogs são o objeto de pesquisa por si só e\ou na mediação de relações. Algumas delas na Educação.

No dia 12 de março, Juliane Martins Guedes, da Univali, SC, defendeu a dissertação intitulada Entre o diário virtual e o diário de classe: traços de identidade profissional de professores na blogosfera, orientada pelo Prof. Dr Rogério Christofoletti.

Juliane acompanhou o cotidiano dos blogs de 10 professores e em breve vamos saber mais sobre o que ela encontrou nestas reflexões que unem de forma inseparável aquilo que é do trabalho e da experiência de vida do professor.

Eu, que faz muito me interessa, instiga e gratifica este esta completude inacabada do constituir-se professor, fiquei muito feliz quando recebi um email da Juliane, me contando da defesa e de que eu fui um de seus sujeitos de pesquisa. É surpreendente e muito legal ver que compartilhamos interesses e concepções teóricas.

Como disse a ela, estou louca para ler a dissertação que, tenho certeza, vai me ajudar muito nas reflexões que venho fazendo o doutorado.

Para ter uma idéia do trabalho, assista este pequeno vídeo. E visitem o blog da Juliane.

btw: este post estava por ser escrito desde o email da Juliane, mas a roda do tempo, só para variar, me pegou no que eu chamo de “tempos de general“.

btw 2: com inspiração nesta entrada, comecei a reunir as teses e dissertações sobre blogs. Ajudem !

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jan 12 2009

Tese sobre a interação de jovens em sites de redes sociais

Categorias: academia,pesquisa,redes sociaisSuzana Gutierrez @ 15:28

The Virtual Campfire: An Ethnography of Online Social Networking

Tese de Jennifer Anne Ryan, na Faculty of Wesleyan University, de Maio de 2008.

Trabalho fundamentado em 5 anos de observação participativa em sites de redes sociais: MySpace, Facebook e Tribe.net. A autora foca nas cada vez mais opacas fronteiras entre homem e máquina, público e privado, voyeurismo e exibição, a história da mídia e o futuro digital.

The Virtual Campfire

via H. Rheingold

* ainda não li, mas vai para a lista

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fev 14 2008

computador piora desempenho de alunos

Categorias: academia,educação,tecnologiaSuzana Gutierrez @ 16:49

É mais ou menos com este título que está atravessando as listas e os blogs a polêmica criada pelas notícias que comentaram um tanto sensacionalísticamente os resultados de uma pequisa da UNICAMP divulgada num artigo na Revista Educação e Sociedade de dezembro de 2007.

O artigo do Dr Jacques Wainer e outros contexta as políticas públicas e iniciativas que apoiam a massiva informatização das escolas. Alegam que:

Os resultados demonstram que para os alunos de todas as séries e para todas as classes sociais o uso intenso do computador diminui o desempenho escolar. Para alunos da 4ª série, das classes sociais mais pobres, mesmo o uso moderado do computador piora o desempenho nos exames de português e matemática.

(destaques dos autores)

E concluem que:

Esses resultados indicam claramente que é preciso repensar o papel do computador no ensino, sobretudo para os alunos mais pobres, para quem o uso do computador está surpreendentemente associado a uma piora nas suas notas.

Li o artigo Desvendando mitos: os computadores e o desempenho no sistema escolar rapidamente e não questiono, por isso, os dados quantitativos levantados e nem o tratamento estatístico.

Porém, chamou-me imediatamente a atenção o fato de não haver nenhuma contextualização ou aprofundamento qualitativo da pesquisa que pudesse confirmar ou não o que os números apontavam. Imagino que seja uma pesquisa inicial.

Por enquanto, foi uma pesquisa de cunho positivista e este tipo de pesquisa falha, em primeiro lugar por deixar de lado o contexto e, em segundo lugar, por não qualificar, por exemplo, “uso intensivo do computador”, considerando esta variável como se fosse uma constante. E, nesta mesma linha, aponta conclusões demasiado lineares.

Todavia, é necessário que eu leia com mais cuidado para poder ampliar (ou não) estas críticas iniciais.

Além disso, cabe registrar que a maioria das pessoas está discutindo o assunto sem ler o artigo, com base nas matérias da Reuters, UOL e outros canais de notícias que não aprofundam o tema e, muitas vezes, tendem a se concentrar nos aspectos mais espetaculares da coisa.

E assim, a idéia desta postagem é deixar a bola picando e trazer esta questão ao debate.

Referência:
DWYER, Tom et al . Revealing myths: computers and school performance. Educ. Soc. , Campinas, v. 28, n. 101, 2007 . Disponível em: . Acesso em: 14 Feb 2008.

——–

update >> um pouco do que já anda rolando por aí:

Computador só serve para aluno rico?
– por Simão Pedro
Laptops educacionais prejudicam o aprendizado – por Jaime Balbino no Dicas-L

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fev 08 2008

Publicar ou Morrer II

Categorias: academia,educação,tecnologiaSuzana Gutierrez @ 08:49

Eu não SOU da academia, apenas ESTOU na academia, como aluna do doutorado e pesquisadora. Não pretendo entrar para a universidade como professora / pesquisadora. Pelo menos, isso não faz parte dos meus mal planejados projetos de futuro. Gosto do que faço e pretendo continuar trabalhando onde trabalho.

Porém, …… Gosto de pesquisar, adoro estudar, me divirto lendo, fuçando, aprendendo. E isso vou continuar fazendo.

Neste contexto, o que eu publico em revistas. anais, etc está na medida do que é necessário no doutorado e para contribuir com a instituição onde estou – UFRGS. Ou seja, fora isso, não estou nem aí para os qualis, para os índices de produtividade, para rechear o meu lattes. Publico, na maioria das vezes, para compartilhar mesmo e porque adoro escrever. Hoje, a la Rainha Branca, eu penso em seis coisas impossíveis antes do café da manhã, mas, quando eu crescer eu quero ser a Agatha Christie.

E é a partir deste meu lugar é que eu sigo comentando sobre Publicar ou Morrer.

A Raquel e a Adriana, também postaram sobre o assunto, tocando em diversos pontos da complexidade qiue é esta questão de publicar na academia x acesso livre. A Raquel fala sobre as diferenças entre o Brasil e os EUA, em termos da qualidade \ fechamento das publicações e avisa (e eu concordo com ela) que o Brasil tem muitas publicações abertas de excelente qualidade, inclusive consideradas pelo qualis.

Raquel traz ao debate o dilema de quem está na academia pressionado por regras que avaliam o pesquisador e a instituição mais pela quantidade do que pela qualidade. É nestas que surgem as máquinas de fabricar artigos, muitos quase um auto-plágio (eu já beirei isso diante de certas imposições, até porque fica difícil não se repetir ao contar a mesma coisa).

A Lady A (gosto de chamar a Adriana pelo nick dela) fala da desgraça que é quando queremos (ou precisamos) muito ler alguma coisa e ela está trancada em algum lugar não acessível, ou acessível apenas pelos servidores da universidade.

A Raquel concorda comigo, com a Lady A e com a danah (com minúsculas como a Raquel ensinou) em relação a importância do acesso aberto na internet, mas aponta a face complicada da publicação aberta: o oportunismo dos que copiam e colam :), o todo ou as partes, sem nenhuma referência a autoria. E eu acrescento: e que publicam como se seus fossem, partes inteiras copiadas de textos teus já publicados em revistas e anais conceituados.

Isso aconteceu comigo e, mesmo contatando os editores das duas revistas e enviando as comprovações, os textos lá continuam, decerto apostando que a professora brasileira não vai ter perna para processar duas revistas fora do Brasil.

Concordo com a Raquel que o desespero por publicar torna quase inacessíveis periódicos e eventos, mesmo os nem tão importantes e que a avaliação por pareceiristas cegos (quando os pareceristas lêem o trabalho sem saber de quem é) poderia reverter este quadro dando oportunidade à autores iniciantes e à pesquisas que não estão amparadas no nome do pesquisador. Eu acrescento: a escolha dos pareceristas e a distribuição dos trabalhos por eles deveria ser alvo de muito cuidado.

Em 2005, encaminhei um artigo sonre RSS e Educação para um congresso de informática na educação, para a sub-área educação/formação do professor, pois o artigo falava das possibilidades da agregação de conteúdos para a educação, focando no professor, na escola e seus projetos. Não foi aceito com a seguinte justificativa: este é um tema já muito discutido e conhecido dos professores. Nem hoje, 2008, é um assunto de domínio de professores. E eu fico pensando: quem é este parecerista?

No final da sua postagem a Raquel diz:

Por fim, minha defesa mais polêmica: Eu também acho que a pesquisa realizada pela graduação deveria ser mais valorizada. E acho que as revistas deveriam ter um espaço para a Iniciação Científica. Eu creio firmemente que IC não é mão de obra barata, mas uma chance de que alguém comece a dar seus primeiros passos, escolha um problema e investigue-o.

Só concordo. E vejo, neste trechinho acima, um monte de coisas para discutir. Por exemplo: como, quando e onde os alunos são considerados mão de obra barata na IC; o que, às vezes, está por trás da publicação conjunta de orientador e orientando; …

E acrescento: Eu defendo a pesquisa feita na e pela educação básica. Por que o olhar da academia seria mais importante e qualificado do que o olhar do professor da escola de ensino fundamental e médio?

E, … sosseguem, vou encerrar por aqui 🙂 Vou arremesar prá errar e vamos ver quem pega o rebote.

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fev 07 2008

Publicar ou Morrer

Categorias: academiaSuzana Gutierrez @ 15:40

Estes últimos dias li, por acaso, diversas postagens e textos falando da publicação acadêmica. Um deles, Os intelectuais e o truque da mistificação mútua, de Ezio Flávio Bazzo, gerou uma semana de debates na lista #submidialogia.

Por um lado, criminalizar e, pior, ridicularizar a academia só faz com que os poucos focos de resistência que lá permanecem se pós-modernizem e passem a celebrar a apologia da reciprocidade umbilical. Por outro, o “ping pong pederástico” dos sabichões, como aponta o autor do texto, é mesmo uma coisa tão fora do mundo, que é admirável descobrir que os acadêmicos se propõem a investigar a realidade.

E, como as coisas não ficam apenas nos dois lados, existe o contexto dos formulários, calendários, departamentos, bolsas, verbas e qualis, que aprisionam a maior parte da criatividade num mar de produtivismo burocrático.

Aí, eu que estava acompanhando a discussão de longe, sem saco para participar, dou de cara com a crítica da academia à própria academia: Entre fetichismo e sobrevivência: o artigo científico é uma mercadoria acadêmica?, onde Luis David Castiel e Javier Sanz-Valero, dizem que:

“Discutem-se possíveis significados da intensa preocupação vigente nos âmbitos acadêmicos com a idéia de produtividade em pesquisa que se reflete em um excesso de artigos publicados em várias revistas científicas. A contabilização numérica de artigos publicados por investigadores em revistas científicas de reconhecido status acadêmico serve para legitimar acadêmicos nos seus campos de atuação de várias formas. Nesse sentido, sugere-se que o artigo científico assume aspectos de mercadoria como fetiche […]”

E hoje, passeando pelo google reader, encontro a Danah Boyd falando que open-access is the future: boycott locked-down academic journals (+- o acesso aberto é o futuro: boicotem sa revistas acadêmicas de acesso restrito), e contando da dor e da delícia de publicar.

Entre a alegria (e a necessidade) do reconhecimento em publicações consideradas e a outra alegria de ver o trabalho livre e à disposição de todos, quem está ligado à academia vai vivendo. Se envergonhando, por vezes, por ser parte da barreira que impede o acesso à produção científica e, se indignando em outros momentos, especialmente naqueles onde o seu texto fica tão preso nas engrenagens que, ao nascer, já nasce velho. E nasce apenas para um público restrito, o resto dos umbigos, que na maior parte das vezes nem o lê.

Nós, alunos e professores, construímos, ao longo das nossas práticas, textos, reflexões, apresentações, palestras, imagens, etc. – trabalhos de todos os tipos que, na maioria dos casos, ficam empoeirando numa pasta ou esquecidos num arquivo no computador. Saber isolado, inativo, morto. E nossas melhores produções muitas vezes são condenadas aos cupins de alguma biblioteca ou à prisão de cadastros, senhas e boletos bancários.

Quando se trata do homem em sua existência (em seu trabalho, em sua luta, etc.), será possível encontrar uma abordagem diferente daquela que consiste em passar pelos textos de signos que ele criou ou cria? – perguntou Bakhtin, num de seus livros.

E que pesquisa é esta que não liberta os seus frutos para alimentarem outras pesquisas?

Pois é,… nas respostas pode ser que eu descubra, por exemplo, por que um projeto como este envolveu muita gente, menos a academia.

Este meu texto é para por o assunto na roda. Tenho as minhas idéias e grande parte delas já discuti em outros momentos. Se a roda se formar, talvez eu entre e dance 🙂

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mar 11 2006

blogs e disseminação da pesquisa

Categorias: academia,blog,educação,pesquisaSuzana Gutierrez @ 09:21

Jill Walker, professora e pesquisadora da Universidade de Bergen na Noroega, recebeu o prêmio de excelência em disseminação de pesquisa da Meltzer Foundation pelas atividades desenvolvidas no seu blogue Jill.txt. O jill.txt é um dos primeiros blogues que acompanhei quando, em 2000/2001 comecei a me interessar a pesquisar o assunto.

As pessoas ainda se dividem em aqueles que ignoram a existência ou minimizam a importância de tudo que vêm com os blogues (inclusive a pesquisa), outros que desacreditam da importância de manter um blogue de pesquisa (ou outro) e acabam desistindo da atividade e outros ainda, os entusiastas do blogue, para os quais blogar está entre as soluções máximas da educação e da comunicação. Porém, com notícias como estas, com o reconhecimento de toda uma universidade sobre o trabalho da pesquisadora blogueira, fica claro o papel e a importância que os blogues podem ter na academia.

Recebi esta notícia via rss ao mesmo tempo em que recebia mais um comentário no meu encerrado [zaptlogs], blog ambiente de minha pesquisa de mestrado, a qual era devidaemente blogada no [bloglab], até hoje considerado inovador pela disseminação da pesquisa em tempo real.

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jul 13 2005

Nova Doutora em Porto Alegre

Categorias: academiaSuzana Gutierrez @ 15:28

Só pra dizer que saí viva da defesa.
Apesar da dor de cabeça, gostei!
Dizem que eu estava calma e consegui
me defender muito bem. Resultado: 9,3.

Parabéns Lady A!

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jun 03 2005

gerundismo e a academia

Categorias: academiaSuzana Gutierrez @ 12:00

Uma das coisas que registrei, mas que esqueci de comentar aqui foi que infelizmente a praga das tele-entregas e do tele-marketing está se proliferando na academia. Muitos dos palestrantes adotaram aquele linguajar ridículo, onde eles dizem:

-Vou estar mostrando um pouco da … (ao invés de) – Mostrarei um pouco da …

Penso que já falei sobre isso neste blog, num dia que um destes vendedores me torrou a paciência, porém não esperava encontrar o fenômeno numa apresentação de trabalhos acadêmica.

O cara apresentando o trabalho e eu toda hora esperando que ele dissesse:

– Vamos estar lhe entregando quatro esfihas de queijo e duax de carrne. A senhóoora pode estar me confirmando o endereço de entrega? […] Habibs gostaria de estar lhe desejando um bom apetite.

Procurei e encontrei um texto sobre o gerundismo e agora vou estar colando (ai, isso pega):

Este artigo foi feito especialmente para que você possa estar recortando e possa estar deixando discretamente sobre a mesa de alguém que não consiga estar falando sem estar espalhando essa praga terrível da comunicação moderna, o gerundismo. Você pode também estar passando por fax, estar mandando pelo correio ou estar enviando pela Internet. […]

Nós temos que estar nos unindo para estar mostrando a nossos interlocutores que, sim, pode estar existindo uma maneira de estar aprendendo a estar parando de estar falando desse jeito. Até porque, caso contrário, todos nós vamos estar sendo obrigados a estar emigrando para algum lugar onde não vão estar nos obrigando a estar ouvindo frases assim o dia inteirinho. Sinceramente: nossa paciência está ficando a ponto de estar estourando.

O próximo “Eu vou estar transferindo a sua ligação” que eu vá estar ouvindo pode estar provocando alguma reação violenta da minha parte. Eu não vou estar me responsabilizando pelos meus atos.

clique aqui para poder estar lendo o texto todo

Alguém, por acaso, pôde estar notando, como eu, o fenômeno na academia?

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dez 23 2003

mais leituras

Categorias: academia,educação,pesquisaSuzana Gutierrez @ 07:10

.::. A educação é bem público, artigo de Wrana Panizzi

Com base nos princípios do mérito e da liberdade acadêmicos, a Universidade produz conhecimento, C&T, arte, cultura, identidade, riqueza material e valores que não beneficiam só o diplomado, mas a sociedade. Essa obra não pode e não deve ser financiada por indivíduos, mas pelo conjunto da sociedade.

Wrana Panizzi, professora titular do Depto. de Urbanismo e reitora da UFRGS e presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Educação Superior (Andifes). Neste artigo, ela responde à pergunta da ‘Folha de SP’ – ‘Deve-se instituir uma contribuição social para o ensino superior?’
:: segue

.::. Biblioteca Digital reunirá produção científica do país

Universidades do Rio se integram ao projeto

Toda a produção científica de teses e dissertações do país será concentrada na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Informação em C&T (Ibict), vinculado ao MCT

No Brasil são produzidos anualmente cerca de 30 mil trabalhos científicos. O sistema de informações já tem em seu banco de dados quatro mil dissertações e teses da USP, UFSC e PUC-Rio, as três primeiras Universidades a se engajarem no projeto.
:: segue

.::. Relatório traça rumos da pesquisa no país

Duas instituições federais de apoio à C&T estão revendo conceitos e estudando ajustes estruturais para atender melhor à demanda pela pesquisa no país

As ações serão baseadas em relatório que a Comissão Interministerial para o Desenvolvimento da Pós-Graduação e da Ciência e Tecnologia entregou para a Capes e o ao CNPq no dia 10 de dezembro.

O documento aponta a necessidade de se retomar a reclassificação das áreas do conhecimento, o que deve ser feito de janeiro a julho de 2004.
:: segue
:: mais informações: Relatório no CNPQ

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