out 25 2010

Tempos estranhos

Categorias: academia,cmpa,doutorado,políticaSuzana Gutierrez @ 13:54

Eu nunca pensei que a reta final do meu doutourado fosse coincidir com a instigante  reta final das eleições presidenciais no Brasil. Está sendo difícil escrever uma tese na qual falo de trabalho, tecnologia e educação no contexto de uma sociedade capitalista que imprime toda uma lógica em todos estes processos e, ao mesmo tempo, observar esta lógica em curso, exacerbada pela luta entre duas visões de mundo essencialmente diferentes.

É com agradável surpresa que constato na prática algumas coisas, como extensão do acesso à internet que vai bem além dos +- 25% dos brasileiros que possuem computadores e conexão, conforme o IBGE. Não fosse isso, as grosseiras manipulações da mídia monopolizada passariam como sempre passaram. Estas eleições estão mostrando claramente um caminho de construção possível de outra hegemonia.

E eu, por ter de me dedicar integralmente a tese, estou perdendo aulas incríveis como as do Prof Emir Sader, todos os dias (hoje será às 21h), e experiências interessantes como as que o José de Abreu tem trazido. Os dois, sem este espaço na grande mídia, encontram nas TIC uma forma de compartilhar um outro tipo de informação. Aliás, recomendo muito à quem só lê grande jornal e vê TV aberta (qualquer um ou uma!) que procure outros canais.

Nos blogues e nos canais alternativos de mídia a possibilidade de obter um outro tipo de informação.

Neste momento político, em especial, recomendo:

Agência Carta Maior
Amálgama
Biscoito Fino e a Massa

E, enquanto isso eu escrevo, escrevo, escrevo.  Com saudades do meu colégio e de meus alunos.

Colégio Militar

CMPA

* estes dias, quando vinha voltando da UFRGS, o CMPA parecia especialmente iluminado.

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out 08 2010

Uma contribuição à campanha política

Categorias: Brasil,políticaSuzana Gutierrez @ 13:36

Pensar e discutir o futuro a partir de temas como estes >> clique as imagens para ver em tamanho grande
*créditos: Bruno Barros
** a ideia veio de Proposta de Viral, compartilhada por Idelber Avelar
**** a inexatidão em alguma concepção de uso dos números não altera a tendência

[update] O Idelber entrou na proposta e recomenta este texto para aprofundar alguns pontos para debate.

[update 2] Juntei todas as contribuições

Lula x FHC I

Lula x FHC I

PT x PSDB

PSDB (FHC- Serra) x PT (Lula-Dilma) por Bruno Barros

Lula x FHC

Lula x FHC III

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out 03 2010

Porto Alegre

Categorias: política,porto alegre,RSSuzana Gutierrez @ 08:41

porto alegre

O sol não queria aparecer em Porto Alegre: tímido e fraquinho, escondido no meio da névoa e dos 10º que fazem lá fora. Saí cedo, a cidade sonolenta ainda, as ruas desertas. Eu gosto desta ‘peregrinação’ até a minha velha seção eleitoral, atravessando a cidade e vendo a metamorfose dos espaços.

Como já falei em outros tempos, eu voto na mesma seção eleitoral, nunca troquei. Assim, visito de tempos em tempos a minha ‘escola primária’.  Os prédios já sofreram reforma e se descaracterizaram um pouco, mas os muros são os mesmos e a paineira gigante ainda está lá, sem espaço para que suas raizes continuem  servindo de ‘ferrolho’ nas brincadeiras de pegar.

Votei tri rápido e, enfim o sol apareceu 🙂

Vou fazer um café \o/

/atualizando

O RS elegeu Tarso, na esteira de uma visão de mundo e, também, nas lembranças boas que temos do PT no governo.  Pena o Brasil não ter feito o mesmo com Dilma no primeiro turno.

Mas, como disse alguém que soube a importância de resistir, “só se pode prever a luta”.

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out 02 2010

#Dilma #Paim #Abgail #Tarso #13

Categorias: Brasil,política,porto alegre,RSSuzana Gutierrez @ 22:48

A pauta de amanhã 8)

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out 02 2010

ah o basquete!

Categorias: basquete,basquete cmpa,cmpaSuzana Gutierrez @ 22:25

Nem só de estudo se faz uma época:

cmpa x sinodal

beemmm timeee!

Os ‘meus’ são os de branco. A data: 28/9. Ganhamos \o/.

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set 29 2010

doutorado em gotas II

Categorias: ciência,doutorado,redes sociaisSuzana Gutierrez @ 20:14

Na impossibilidade de ampliar o todo, publico as partes que andam soltas aí nos meus rascunhos 🙂

# redes sociais não são sistemas estanques, livres da influência do meio onde se inserem, ao contrário, redes são históricas, contextuais, inapreensíveis em seu movimento, são o todo e a parte de uma totalidade de relações.

# A forma como a rede se articula mostra e esconde, determina e é determinada pelo conteúdo da rede. O cuidado é não tomar a forma pelo conteúdo e nem o conteúdo pela forma de modo estanque, tendendo a congelar aquilo que é altamente dinâmico e dialético.

# É tentador, mas perigoso usar teorias e conceitos desenvolvidos numa ciência em outras ciências, sem que as peculiaridades de cada campo do conhecimento sejam consideradas. E que, neste processo, uma realidade seja “modelada” por propriedades e leis criados em e para outra realidade.

Como diria um amigo meu:
[…] a memória, introduzindo o passado no presente sem modificá-lo, tal qual fora quando presente, suprime exatamente esta enorme dimensão do tempo conforme a qual a vida se realiza …

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set 21 2010

doutorado em gotas I

Categorias: doutorado,educação,tecnologiaSuzana Gutierrez @ 19:57

A coisa anda pegada e o espaço restrito por conta do tempo.  Um pouco deste contexto em que escrever ajuda a pensar passa por:

# Quando se fala em TIC na educação, existe a tendência de estabelecer um ‘padrão’ que homogeniza tecnologias que podem variar muito de um contexto para outro.

# Pensando na educação e na sua condição de instrumento de reprodução da ordem social,  é importante que as alternativas de mudança não sejam somente formais, mas que se dirijam à essência das práticas educacionais.

# Ser professor faz parte de um aprendizado constante, que se dá ao se compreender e aprender a razão de ser professor. De reconhecer a razão de ser do próprio ato de ensinar, com a sua dimensão criativa e profundamente dialógica.

# Se por um lado o avanço tecnológico possibilita novas formas de aprender, as necessidades de aprendizagem também impulsionam a criação dos suportes. E tem de se tornar claro que todo este processo está contido, mas não limitado, pela forma como produzimos a nossa vida atualmente.

((por enquanto eu sou só rascunhos))

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set 19 2010

Teses e dissertações sobre blogs

Categorias: academia,blog,blogosferaSuzana Gutierrez @ 12:46

2010

GUTIERREZ, S. Professores Conectados: trabalho e educação nos espaços públicos em rede. 2010. 277 f. Tese (Doutorado em Educação). Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010.

2009

ARAÚJO, M.C.M.U. Potencialidade do uso do Blog em educação. 2009, 208f. Dissertação (Mestrado em Educação). Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2009.

GUEDES, Juliane Martins. Entre o diário virtual e o diário de classe: traços de identidade profissional de professores na blogosfera. 2009. Dissertação (Mestrado em Educação). UNIVALI, 2009.

2008

LIMA, S. F. Uso de Ferramentas Livres para apoiar Comunidades de Aprendizagem em Física. 2008, 103f. Dissertação (Mestrado no Ensino de Física e Matemática). Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca – CEFET/RJ, Rio de Janeiro, 2008.

RODRIGUES, C. O uso de blogs como estratégia motivadora para o ensino de escrita na escola. 2008. Dissertação (Mestrado em Linguística Aplicada). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas, SP, 2008.

2007

MALINI, F. O comunismo das redes – sistema midiático p2p, colaboração em rede e novas políticas de comunicação na Internet. 2007. 333 f. Tese (Doutorado em Comunicação). Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2007.

2006

DIMANTAS, H. Linkania – a sociedade da colaboração. 2006, 77f. Dissertação (Mestrado em Comunicação e Semiótica) Universidade de São Paulo, 2006.

HALMANN, A. L. Reflexão entre professores em blogs: aspectos e possibilidades. 2006. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2006.

MÁXIMO, M. E. Blogs: o eu encena, o eu em rede. Cotidiano, performance e reciprocidade nas redes sócio-técnicas. 2006. Tese (Doutorado em Antropologia Social). Programa de Pós-graduação em Antropologia Social, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, 2006.

RECUERO. R. Comunidades virtuais em redes sociais na internet: proposta de tipologia baseada no fotolog.com. 2006. 334 f.Tese (Doutorado em Comunicação). Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação, Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2006.

2005

KOMESU, F. C. Entre o publico e o privado: um jogo enunciativo na constituição do escrevente de blogs da internet. 2005. 269 f. Tese (Doutorado em Linguística). Instituto de Estudos da Linguagem. Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2005.

OLIVEIRA, S. M. Diário íntimo e\ou blog: o mesmo e o diferente na cultura do ciberrespaço. 2005. Dissertação (Mestrado em Letras). Programa de Pós-graduação em Letras. Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2005.

2004

GUTIERREZ, S. Mapeando caminhos de autoria e autonomia: a inserção das tecnologias educacionais informatizadas no trabalho de professores que cooperam em comunidades de pesquisadores. 2004. 233 f. Dissertação (Mestrado em Educação). Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2004.

2003

PRANGE, A. P. L. Da literatura aos blogs: um passeio pelo território da escrita de si. 2003. Dissertação (Mestrado em Psicologia). Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Departamento de Psicologia da PUC-Rio. Rio de Janeiro, 2003.

2002

OLIVEIRA, R. M. Diários públicos, mundos privados: Diário íntimo como gênero discursivo e suas transformações na contemporaneidade. 2002. 214 f. Dissertação (Mestrado em Comunicação e Cultura Contemporâneas). Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA, 2002.

SCHITTINE, D. F. A. Blog: comunicação e escrita íntima na internet. 2002. Dissertação (Mestrado em Comunicação). Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2002.

[em construção, aceita-se colaboração :)]

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ago 30 2010

tecnologias na educação

Categorias: educação,tecnologiaSuzana Gutierrez @ 10:44

Uma coisa que me incomoda é o discurso de que ‘hoje’ está ocorrendo uma revolução sem precedentes, que o desenvolvimento das TIC institui um novo paradigmana na educação … (vocês sabem)  Geralmente vem acompanhado dos ‘precisa’, ‘deve’, … em relação aos professores e à escola. Seguido das inevitáveis advertências analógicas de que ‘estão perdendo o bonde’.

São inegáveis as possibilidades das tecnologias que (de acordo como são chamadas) são DA informação e DA comunicação, PARA a educação. Porém,  é interessante considerar o processo de recontextualização* que elas sofrem quando se deslocam de suas áreas de origem e passam a integrar o entorno educacional.

Forçando um pouco uma metáfora: usar aparelhos de musculação na educação infantil, para recreação, por exemplo, tornaria visível este processo de recontextualização que não fica tão evidente quando se fala de TIC na educação.  Assim, na recontextualização algumas características e conteúdos importantes podem ser maximizados, minimizados ou, simplesmente ocultados, dados como inexistentes.

Deste modo, um caminho possível é perguntar como Paulo Freire: a favor do quê e contra o quê, a favor de quem e contra quem? E, eu acrescentaria: em que dimensão?

… pensem aí alguma tecnologia ‘da hora’ cuja ‘aplicação’ em educação está sendo pensada, quase sempre em termos utilitários do tipo “5 formas de usar XXX na sala de aula”.

* ver BARRETO, R.  As tecnologias na política nacional de formação de professores a distância: entre a expansão e a redução.e Professores/professoras e a tecnologia: sobre trabalho e formação docente.

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jul 31 2010

entre o velho e o antigo

Categorias: academia,categorias,doutorado,leituras,rastrosSuzana Gutierrez @ 15:16

Há alguns anos, no saudoso Arroio do Sal, uma amiga minha passou por uma experiência muito interessante. Vinha ela caminhando tranquilamente na beira mar, retornando para casa ao fim da tarde,  revigorada pela brisa quase suave dos nossos mares do sul. Carregava a cadeira e, na bolsa, um livro. Vinha pensando em coisas boas, quando o vento que lhe vinha das costas trouxe um zum zum adolescente, cujo tema era a sua anatomia (ainda bastante boa para os quase 50).

Entre divertida e lisongeada, ficou escutando o papo que se aproximava de seus passos lentos. O grupo de rapazes, em seus apressados 15 anos a ultrapassou e, aprendizes aplicados da lógica masculina, viraram suas caras safadas para olhar o objeto de suas elogiosas frases.

– Mas ela é velha! – sentenciou o líder da manada. E lá se foram eles, semi-indignados, apressando o passo.

Minha amiga, seguiu impávida, se divertindo com o desdobramento do ataque dos franguinhos Minu 🙂

[pausa]

Meus alunos costumam brincar comigo sobre estas coisas da idade. Geralmente, com a cara mais deslavada perguntam se “no meu tempo” as galenas tinham programação ou, exageradamente, se a roda já era usada para locomoção de pessoas. Eu costumo aderir à brincadeira, pescando alguma coisa realmente ante-diluviana que os deixe com caras de bobos.

Ou, quando estou na pilha, tento problematizar estas relações entre velho \ novo \ antigo \ moderno. Costumo dizer que não passei dos 17 anos, porque acho esta uma idade ideal e recomendo a todos que fiquem neste limite. Geralmente, não explico porque. Ou digo que não sou velha, de modo algum, mas que cai da cegonha sem querer.

Ou, ainda, digo que velho é quem nasce velho e que ficar velho é diferente de envelhecer. O que temos como humanidade é um acervo de juventude que se conserva, antiga mas sem ‘ficar velha’. Legado que deixamos quando envelhecemos. E falo que eu sou antiga, pois faz tempo que conservo a minha juventude, os meus 17 anos. Velho é quem nasce assim e segue se decompondo dia à dia, mesmo nos seus 5 anos de vida.

Pois não há nada novo, que seja novo fora da antiguidade de algo jovem que foi conservado neste nosso acervo humano. E não pensem que eu ando viajando para me escapar de escrever a tese. Estas coisas todas me vieram à mente ao reler a página 397 do volune II do Conceito de Tecnologia de Alvaro Vieira Pinto. Aliás, leitura obrigatória para pensar dialeticamente a tecnologia.

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jul 29 2010

onde anda Su

Categorias: basquete cmpa,rastrosSuzana Gutierrez @ 19:58

Não sei se alguém reparou, mas este blog não tem um nome.  Nunca teve ou teve vários, ao sabor do meu humor. Inicialmente ele se chamava Onde anda Su?, nem sei bem por que. Virou gutierrez/su e, nos últimos tempos, uma frase autoreferente em linguagem de mIRC.

Eu sempre quis ter um blog chamado [alter-ego], mas já havia um, lá pelos idos de 2001. Mas, … deixa assim, em 2012, vou pensar um nome legal para este blog. Algo tipo ‘Jeito Alice’,  ‘Pumba’,  ‘Assim, ó’,  … para desespero de alguns.  Olha a ideia: “Para desespero de alguns…”

Este texto irrelevante, era para contar que esta semana é de férias, depois de 10 dias de trabalho nas férias 🙂 Mas, … eu viajei 🙂

ah o basquete

economia da atenção

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jul 18 2010

enquanto o frio fica lá fora

Categorias: rastrosSuzana Gutierrez @ 08:01

As palavras que já escrevi sempre parecem ter mais força, como se a cada escrita elas se gastassem um pouco e, por isso, se tornassem mais leves. Uma leveza que, em vez de envolver, encantar, deixa tudo meio … líquido demais.  Quando há tanto à dizer, só sobram as metáforas e, pior, aquelas já muito repetidas.

Difícil descrever sem reescrever demais.  Inevitável escrever. Cada movimento inscreve e escreve. Inevitável deixar rastros.  Pena que eles nem sempre mostrem aquilo que precisa ser mostrado.  Estou me especializando em deixar pistas falsas…

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jun 30 2010

recesso

Categorias: academia,doutoradoSuzana Gutierrez @ 17:25

Estou escrevendo, escrevendo, escrevendo. Nada que eu possa, agora, publicar aqui.  Os dias ficam curtos para tantas coisas. Escrever motiva leituras… Aliás, se eu posso recomendar alguma coisa para alguém que está fazendo doutorado ou mestrado, eu recomendo: comece escrevendo.

Escrever ajuda a pensar e indica o que ler.  Se o que tu escreves hoje parece vazio, incompleto, estas lacunas vão te indicar o caminho.

Mas, … este é para ser um micro texto :). Assim, … até!

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maio 31 2010

Redes sociais, apropriação (internalização!) tecnológica

Categorias: doutorado,educação,ticSuzana Gutierrez @ 08:38

Pois eu ando bem afastada daqui, mas não afastada dos assuntos que sempre moveram este blog. Estou escrevendo, refletindo, lendo, tornado a escrever, … E trabalhando 🙂 Minha gurizada anda a mil nos campeonatos por aí. Este meu ano atípico se reflete, também, no rendimento deles. Aliás, nosso ano é atípico: eu em fim de doutorado, eles, a maioria dos mais velhos no 3º ano e com o fantasma do vestibular no horizonte.

Mas, ….. sinto saudade de dividir aqui algumas das coisas que ando pensando. Até porque este movimento me ajuda a … pensar :). Muitas coisas parecem simples de tão faladas e discutidas. Todavia, esta simplicidade é, em grande parte, fruto da nossa tendência a dar as coisas como dadas e naturais.  Por exemplo: a afirmação de que as TIC na educação estão aí para ficar e que é inevitável nos conformarmos e adaptarmos  e que precisamos correr para não ficar ultrapassados e que somos imigrantes que não entendem a linguagem falada pelos nativos e que devemos dar uso a qualquer bobagem tecnológica inventada na semana e que urge

Toda esta conversa incessantemente repetida afeta a formação e o trabalho do professor,  sem que ele consiga tomar nas mãos a direção, sem que consiga adquirir segurança para lidar com todas estas questões, sem que  a reflexão passe da superfície e chegue ao que realmente move todo este processo.

Fica oculto e simplificado o fato de  que a inserção das TIC na formação e no trabalho dos professores é um fenômeno complexo, inserido num contexto maior,  tensionado por contradições que podem direcionar o seu desenvolvimento em sentidos qualitativamente diferenciados e até opostos. Estas tendências de desenvolvimento estão em sintonia com a diversidade de experiências pelas quais os professores passam no processo de apropriação das TIC.

((A própria palavra apropriação pode ser um bom tema de discussão))

Independente de sua opinião, decisão. vontade ou interesse os professores estão em contato com as TIC no seu cotidiano, inclusive na escola, qualquer que seja a organização e o modo de funcionamento da escola. Neste processo de progressiva inserção das TIC, os professores podem oscilar entre diversos contextos de aceitação e de negação, e estas escolhas podem partir de distintos tipos e graus de internalização (aproriação?).

As formações para o uso das TIC em educação podem contribuir para que o professor reconheça a realidade da inserção das TIC na vida, na educação e no trabalho de todos e, também, para o processo de apropriação (internalização?)  das TIC pelo professor. Porém, esta contribuição apresenta resultados diversos, conforme as finalidades, os objetivos e o projeto desta formação.

Algumas formações, apesar de trabalharem com diferentes tipos de tecnologia, exploram pouco o potencial de formação de rede e mantém o mesmo tipo de relação da sala de aula tradicional, na qual a formação de rede também não é muito explorada. A comunicação e as experiências compartilhadas ficam em grande parte apenas entre professor e aluno. Isso quando o professor que está acessível ao aluno não é apenas um tutor cuja função se resume a fazer o aluno acessar os ‘materiais instrucionais’, entender e entregar as tarefas.

O que resulta destas formações mais ou menos monológicas são professores que tendem a não utilizar nada do que aprenderam, que veem as TIC apenas como ferramentas, pois não estabelecem conexões com sua realidade e nem estão aptos a construir com seus pares propostas nas quais as TIC possam ter significado.

Ainda quando o professor participa de uma formação, na qual este estabelecimento da rede é privilegiado, a apropriação das TIC pode não ultrapassar a pseudoconcreticidade (Kosik, 1976), ou seja, a prática alienada na qual os professores sabem usar as TIC, mas não as compreendem. A partir de uma apropriação deste tipo, as possibilidades de transformar a educação, também com a mediação das TIC, fica fora do alcance. Nestas formações, isso acontece quase sempre porque a rede formada (?) se restringe ao curso e seus participantes e se encerra no final das aulas.

No meu entender, para que a formação (formal ou informal) para o uso das TIC em educação contribua para uma apropriação (internalização?)  autônoma, fundamentada na consciência e compreensão das TIC e da realidade social na qual elas se inserem, ela não pode prescindir do engajamento e da participação nas redes sociais online. O processo de apropriação das TIC é alterado quando o professor começa a participar de redes sociais online. Em especial quando estas redes são públicas e redes de professores.

A construção de uma presença online e a reflexão sobre a própria prática em diálogo aberto com seus pares tende a ampliar a compreensão sobre as TIC e os desafios da vida e da educação mediada por elas. A presença online do professor pode ser construída de diversas formas, sendo que páginas dinâmicas como blogues e wikis garantem o espaço para uma presença pública, diacrônica e histórica, uma interface comunicativa para o diálogo e a possibilidade do professor progressivamente ir agregando recursos, procedimentos, rotinas, criando um ambiente pessoal\personalizado de aprendizagem, no qual o professor pode submeter as coisas a própria práxis (Kosik, 1976).

Estas são algumas das coisas que direcionam o que ando investigando. Em princípio, podem parecer óbvias, mas o que nelas se mostra e o que nelas se esconde não é dado de antemão, sem que passe a primeira camada e se considere a totalidade de relações envolvidas.

——

KOSÍK, K. Dialética do concreto. 7ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976. 230 p.

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maio 02 2010

ENDIPE e outras histórias

Categorias: academia,educação,eventos,redes sociaisSuzana Gutierrez @ 12:17

Vou começar pelas outras histórias: a vida segue apressada, a tese divide os espaços com as competições de basquete e vai diminuir ainda mais as minhas possibilidades de interação aqui e em outros espaços.  Coisas da vida e do contexto.  Não estou triste pelas coisas que tenho de abrir mão agora, pois estou construindo o futuro que vai me permitir focar em tudo que gosto e que me gratifica.

Por estas, não pude estar no ENDIPE (*). Texto aceito para o painel “Redes de aprendizagem: discutindo sobre
diferentes visões”, ficou para as colegas da UFRGS e da UFSM representarem o grupo em Minas Gerais. A Vanessa publicou algumas fotos e me mandou os anais do evento e alguns relatos. Com o tempo poderei assistir algumas palestras que estão no sítio do evento.

Como não teve publicação online dos trabalhos, publico meu texto e compartilho.

Professores em redes sociais on-line: desafios e possibilidades

Um recorte do resumo: Este artigo aborda o contexto de inserção das tecnologias da informação e da comunicação (TIC) no trabalho de professores e professoras do ensino básico, por meio das redes sociais on-line […] A pesquisa é de natureza qualitativa, de aproximação etnográfica, de acordo com a teoria proposta para etnografia virtual ou netnografia. Considerando a novidade e a complexidade do tema, o materialismo histórico e dialético é a teoria e o método escolhido para dar suporte à pesquisa. […] Segue, trazendo o contexto de inserção do fenômeno estudado, a internet, a world wide web e as redes sociais on-line, considerando o seu desenvolvimento e as transformações pelas quais vêm passando na atualidade. Descreve a entrada dos professores na rede, fazendo a ligação com a sua formação e trabalho e problematiza a formação das redes sociais on-line e suas possíveis implicações no trabalho destes professores.[…]
Palavras chaves: educação, formação de professores, redes sociais on-line, trabalho.

* ENCONTRO NACIONAL DE DIDÁTICA E PRÁTICA DE ENSINO
Convergências e tensões no campo da formação e do trabalho docente: políticas e práticas educacionais, Belo Horizonte, 2010

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