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Terça-feira, Abril 05, 2005
[
O código Wojtyla
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# Bem interessante a análise de Flávio Aguiar sobre o pontificado de João Paulo II, publicada no momento em que sua morte faz a maioria da imprensa desconsiderar os fatores históricos e dimensão das suas ações como chefe da Igreja Católica. Faz, também, uma comparação do papa com o homem e das contradições que estes dois papéis podem envolver. Aqui vai uma provocação: A fé é o claustro da subjetividade: em seu espaço, dentro de cada indivíduo, só entra o próprio ego. Ai de quem desafiar este espaço: o ego ameaçado imediatamente demoniza a alteridade, temeroso que é de sua própria alteridade, seja a da liberdade que pode conquistar modificando-se, seja o do retorno de tudo aquilo que teve de renegar para consolidar-se, e que muitas vezes retorna em momentos em que o indivíduo, como se diz, “perde a cabeça”, ou em linguagem jurídica, “é tomado de forte emoção”.É bom, até para cutucar a contradição, ler do André Lemos, O Papa é Ciber, na Revista Novae: A morte de um papa é sempre um acontecimento histórico. Milhares de peregrinos, curiosos, turistas e voyeurs estão nesse momento mesmo na praça de São Pedro, no Vaticano, dentro da cidade de Roma, reunidos para prestarem a última homenagem ao santo padre. A morte de João Paulo II é um acontecimento histórico não só pela morte do líder da igreja católica, como acontece há séculos, mas pelo uso das novas tecnologias durante a espera por informações sobre sua saúde, no momento do anúncio da morte e nos atuais rituais (ancestrais) do funeral.E, para coroar este apanhado de pensamentos e vistas de um ponto, o excelente post do Inagaki: Em tempos nos quais pessoas acotovelam-se em frente à TV para assistir aos participantes do Big Brother presos naquele aquário midiático, quem haveria de estranhar que a agonia de João Paulo II tenha sido transmitida em tempo real? Há que se lembrar também que Karol Wojtyla foi, provavelmente, o homem mais filmado e fotografado em todos os tempos - extremamente cônscio da importância da mídia, foi acompanhado por câmeras em suas viagens por mais de 100 países, acenando para as multidões de dentro do seu papamóvel e imortalizando o gesto de ajoelhar-se para beijar o solo de cada lugar em que aterrissava. Além disso, trouxe o Vaticano para a Internet, gravou álbuns e escreveu livros que venderam milhares de exemplares mundo afora. postado por Suzana Gutierrez às [20:26 [ link permanente ] [] [ links para este post ] [ | ] [google it] [del.icio.us.it]
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