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10:40 PM por Su
Leary, surfista do caos
Por Cláudio Julio Tognolli
Freud notava: a pulsão é o destino. Errou: o pêndulo é o
destino. Falar em contracultura é falar em pêndulos. Pensamentos,
atitudes, moda, tudo passa para do off broadway contracultural para o
mainstream da indústria cultural de massa. Servidos para a massa de
manobra, os bens contraculturais morrem ao sabor do consumo. Anos depois,
retornam às novas gerações como novidade. Adorno já referia, há 40 anos: o
estatuto do novo é o estatuto do historicamente inevitável.
Senão,
vejamos: os novos hippies da geração trance "redescobrem" a moda
contracultural do anos 60, trocando o melhor pelo que mais dele se
aproxima. Estão apenas reinventando a roda, já carcomida pelos anos de
óxido - já que, pouco a pouco, o estatuto da cidadania virou estatuto do
consumidor. Ter "atitude" substituiu o engajamento político. Muita forma.
Nenhum conteúdo.
A contracultura nasceu, dizia Timothy Leary, dos
13 dias que abalaram o mundo: a crise dos mísseis, em 1962, que
antagonizou nuclearmente (nos dois sentidos do termo) Kennedy e Nikita
Kruschev. Dali pra frente, era melhor curtir o paraíso terrestre como
paraíso artificial, quimicamente induzido, do que esperar pela hecatombe.
Tudo o que até partidos de direita hoje vindicam, desde não-sexismo,
igualdade entre brancos e negros, pacifismo etc, era uma gama de valores
marginais, nos anos 60. Viraram mainstream, ainda bem. Mas hoje o que
sobrou da contracultura? Consumo.
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