maio 01 2009

dia do trabalho – dia do trabalhador

Categorias: educação,trabalhoSuzana Gutierrez @ 05:11


foto dos trabalhadores almoçando sentados em uma viga durante a construção do edifício RCA em 1932, de C. Ebbets.

O incremento da produção, das ciências, das técnicas revela necessidades e capacidades desconhecidas, faz refletir um espectro suntuoso de gostos, de criações, de diferenças; mas a reificação e a alienação fazem da humanidade uma plebe perplexa diante do espetáculo de seus próprios fetiches. A produtividade aumentada do trabalho libera tempo para a criatividade individual e coletiva, propícia a novas formas de convívio e lucidez; mas a medida ‘miserável’ de qualquer riqueza e de qualquer troca pelo tempo de trabalho abstrato transforma a incrível liberação potencial em desemprego, em exclusões, em miséria física e moral. (BENSAÏD, 1999, p. 99)

Vivemos uma época de sucessivas transformações sócio-culturais, dentro de um contexto de aceleração crescente que se reflete em todos os aspectos da vida humana, reconfigurando radicalmente as relações sociais.

Este processo atinge de forma especial o trabalho e as práticas cotidianas e provoca a necessidade de reorganização e de novas abordagens. A tecnologia é proposta como opção para facilitar e diminuir o nosso trabalho, porém nunca se trabalhou tanto e em tão inseguras condições como atualmente. A globalização e o desenvolvimento técnico-científico são, neste sentido, ambivalentes e contraditórios.

Se não houvesse, em grande parte, por trás do desenvolvimento tecnológico uma busca frenética por lucros cada vez maiores, num esquema de guerra onde a vida e a ética são colocadas em segundo plano, os aspectos positivos da ciência e da tecnologia, seriam em maior número, maior abrangência e direcionados segundo melhores critérios. Teríamos erradicado a maioria das doenças e não inventado a guerra bacteriológica. Teríamos alimentos em abundância sem correr o risco dos transgênicos e das imensas granjas industriais . Teríamos tempo livre para todos e não teríamos desemprego e exploração.

E teríamos, realmente, trabalho.


Antes de tudo, o trabalho é um processo de que participam o homem e a natureza, processo em que o ser humano com sua própria ação impulsiona, regula e controla seu intercâmbio material com a natureza. Defronta-se com a natureza como uma de suas forças. Põe em movimento as forças naturais de seu corpo, braços e pernas, cabeça e mãos, a fim de apropriar-se dos recursos da natureza, imprimindo-lhes forma útil à vida humana. Atuando assim sobre a natureza externa e modificando-a, ao mesmo tempo modifica sua própria natureza. […] Uma aranha executa operações semelhantes às do tecelão, e a abelha supera mais de um arquiteto ao construir sua colméia. Mas o que distingue o pior arquiteto da melhor abelha é que ele figura na mente sua construção antes de transformá-la em realidade. No fim do processo do trabalho aparece um resultado que já existia antes idealmente na imaginação do trabalhador. (MARX ; ENGELS, 2002)

Sem a medida miserável do tempo de trabalho.


Mas de nada adianta: burgueses que se empanturram, domésticos mais numerosos que a classe produtiva, nações estrangeiras e bárbaras abarrotadas de mercadorias européias. Nada disso faz escoar as montanhas de produtos que se acumulam, maiores que as pirâmides do Egito: a produtividade dos operários europeus desafia qualquer consumo ou desperdício. Os industriais, aflitos, não sabem mais a quem apelar, não conseguem mais encontrar matérias-primas para satisfazer a paixão desordenada e depravada de seus operários pelo trabalho. (LAFARGUE, 2000, p. 167)

Lafargue aponta de forma irônica e certeira a lógica que move o capital, que no século XIX dominava e explorava pela fome e pela miséria e que atualmente domina e explora pela cultura e pela ideologia. Hoje, as ‘nações bárbaras’ são as filiais produtoras das montanhas de mercadorias, cuja dança continua.

E a saída? Gramsci ensina que só se pode prever a luta. Bensaïd (1999) aponta a saída de Marx que envolve uma redefinição dos critérios do progresso, a consideração de critérios que priorizem o enriquecimento do indivíduo e da espécie, que suprimam o trabalho alienado e que valorizem as relações entre as pessoas.

À nós cabe resistir em nossos espaços de educação e trabalho. Uma resitência consciente, a partir da consideração do trabalho e da educação como direito e bem humano e não como mais uma mercadoria.

—–

BENSAÏD, Daniel. Marx, o intempestivo : grandezas e misérias de uma aventura crítica (séculos XIX e XX). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999. 512p.

LAFARGUE, Paul. O Direito ao Ócio In: DE MASI, Domenico (org.) A Economia do Ócio. Rio de Janeiro: Sextante, 2001. 183p.

MARX, Karl. O Capital 23 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006. livro I vol. 1

* uma revisitação a este texto.

Tags: ,


fev 10 2009

pesquisa auto-referente

Categorias: pesquisa,trabalho,visão de mundo,webSuzana Gutierrez @ 04:24

engrenagensEm 2001\2002, quando iniciei as pesquisas de doutorado, tive dificuldade em localizar material sobre blogs e, mais ainda, sobre blogs e educação. Usava, na época, o All The Web, Cadê, Altavista e o Google, que ainda não era nem 1/5 do que é hoje em termos de tamanho e hegemonia. E, para algumas pesquisas diferenciadas eu usava o Astalavista 🙂

Meu preferido até 2003, mais ou menos, era o All the Web que, junto com o Altavista, pertencia a Overture. Depois, a Overture foi comprada pelo Yahoo e sua história mudou. Por volta de meados de 2004, comecei a usar mais o Google e, hoje, vou direto no quadrinho de busca no canto da barra do Firefox, marcado por padrão para o Google.

Todavia, já faz um bom tempo, os resultados das buscas que faço vem apresentando um comportamento cada vez mais viciado. Eles progressivamente se aproximam dos resultados de outras buscas já efetuadas e do que parece ser o perfil que o Google forma a partir das informações que coleta sobre mim em todos os seus serviços.

Estou tendo uma experiência cada vez melhor do objetivo googliano de “combinar as informações pessoais fornecidas por você com as informações de outros serviços do Google ou de terceiros para proporcionar ao usuário uma experiência melhor, incluindo a personalização do conteúdo para você”. O que é péssimo!

Se, em 2001, muita informação da web ainda não tinha sido rastreada e indexada nos motores de busca, hoje, ela é suprimida por conta de uma seleção feita por máquinas e com critérios (que atendem uma lógica determinada) fora do meu controle. A resposta é aquilo que o Google pensa que eu quero ler.

Deste modo, a rede de informações se fragmenta e se limita em guetos de semelhanças filtradas. Existem partes da rede que estarão cada vez mais indisponíveis para algumas pessoas, via motores de busca. Uma rede que fica cada vez mais auto-referente. Um perigo para quem pesquisa e quer, em termos de busca de informações, ultrapassar a pequena rede de relações mais diretas.

Para não falar nas possibilidades de classificar (no sentido marxista de classe mesmo) camadas de acessibilidade a informações. Uma tendência que pode vir com a mesma transparência com que o Facebook fala da possibilidade de comercializar informações de seus usuários. Parece que o treinamento em desprivatizar informações pessoais, que os sites de redes sociais tornam possível, começa a fazer efeito.

Quando tu, por estes caminhos, começas a operar numa determinada camada info-comunicativa, a tendência é assumir um postinho de trabalho imaterial na linha de montagem. É neste sentido que o conceito e as práticas sociais relacionadas ao que chamam de web 2.0 devem, também, serem pensados. Conceitos marxistas de acumulação, exploração, trabalho e, sobretudo, classes sociais são essenciais para poder compreender estas questões, pensando-as fora da lógica que lhes dá movimento.

Tags: , , , , , , ,


nov 30 2008

Grêmio e basquete: ganhei o dia :)

Categorias: rastros,trabalhoSuzana Gutierrez @ 17:22

Hoje o dia foi bom na área esportiva. Minha equipe infantil, participou em duas categorias no Circuito Piá de Basketball Escolar e foi campeã em uma e vice em outra. Os resultados parciais dos jogos estão no Blog do Basquete.

Chegando em casa depois de um dia de basquete peguei o finzinho do jogo do Grêmio. Vitória! E daquelas de dar esperança, pois os resultados nos outros jogos da rodada dão um alento aos sonhos do Grêmio no Brasileirão 2008, além de garantir a vaga para a Libertadores.

Vou dormir feliz hoje :))

Tags: , , ,


nov 04 2008

a inserção das TIC no trabalho e na formação do professor

Categorias: ead,educação,trabalhoSuzana Gutierrez @ 16:09

Congresso encerrado e eu continuo pensando nos debates do forum.

Uma das questões que levantei com minha palestra foi a da contradição central que tensiona a inserção das TIC no trabalho dos professores: a tecnologia que vem para enriquecer e facilitar o trabalho do professor (e a aprendizagem de todos) acaba por intensificar o seu tempo e ritmo de trabalho.

Participar de foruns, ler e responder emails, ler\ comentar blogs, e outras atividades que envolvem as TIC vem, na maioria das vezes se somar as demais atividades que o professor já exerce e são realizadas, quase sempre, no seu ‘tempo livre’.

É por aí que penso que existem dois tipos, no mínimo, de resistência às TIC: a daqueles que simplesmente se recusam a pensar em modificar as suas práticas; a daqueles que mesmo reconhecendo as possibilidades das TIC não as aceitam na medida em que não são oferecidas as condições para seu uso, seja em espaço na carga horária ou remuneração, seja em formação.

Quando é bem provável a inclusão da EAD no ensino médio (São Paulo já está nessa), estas questões são importantes, bem como o surgimento e proliferação desta modalidade de professor de segunda categoria chamado “tutor”.

Como as questões acima estão apenas esboçadas, já antevejo algumas contestações. mas elas vêm bem, na medida em que movimentam o debate.

Tags: , , , ,


maio 02 2008

Dia do Trabalho!

Categorias: trabalhoSuzana Gutierrez @ 06:43

É só nele que não se trabalha. Será?

Trabalhando, não pude pensar muito sobre o trabalho.

* tenho esta charge a tempo, não sei quem é o autor

Tags:


fev 21 2008

trabalho …

Categorias: cmpa,educação física,trabalhoSuzana Gutierrez @ 15:48

Hoje eu identifiquei o desassossego que me incomodou toda a semana: uma percepção mais ou menos clara de que não vou aguentar trabalhar mais 10 anos dando aulas no sol, na chuva, na poeira, no calor e no frio.

Por mais que eu goste, e eu gosto muito, tenho cansado muito. Mesmo com protetor solar, parece que eu passsei o dia na praia jogando frescobol. Estou cansada, com sono e, literalmente, frita.

Ou é o prazo de validade chegando no ponto crítico ou os resultados do semi-sedentarismo que estou desde o mestrado. To precisando de um recall.

/mode choradeira off

Tags: , ,


abr 22 2006

meme = local de trabalho

Categorias: blogosfera,rastros,trabalhoSuzana Gutierrez @ 10:56

Mais um passa adiante do Sérgio. Estou postando porque a minha bagunça quase ganha da dele…

Porém, para ser fiel ao meme, segue uma vista aérea de meu local de trabalho durante a maior parte do dia:


basquete, postada por suzzinha.

* minha câmera é motorola 🙂

em tempo: quem quiser disseminar este esporo sinta-se à vontade e me avise para eu linkar aqui.

Technorati Tags: , ,

Tags: , ,


ago 27 2002

contradições

Categorias: trabalhoSuzana Gutierrez @ 22:50

A contradição é realmente o cerne do movimento das coisas…

Numa semana, aprovaram meu projeto (o NATE) e me deram um aumento de carga horária e de salário para sua realização. Na semana seguinte, fui demitida, juntamente com todo a maioria dos professores e funcionários com mais tempo de casa, para diminuição dos custos. ………………………

Tags: , ,