jul 21 2003

Militância colaborativa

Categorias: software livre,tecnologia,teoriaSuzana Gutierrez @ 11:41

por Hernani Dimantas

Enfim uma matéria sobre a adoção do software livre pelo governo brasileiro. Não está no caderno de economia. Está na capa do caderno de informática do Estado de São Paulo. Vejo uma certa desconsideração nessa alocação. O argumento mais importante não é o técnico. É econômico – social. Assim, vou tentar fazer uma análise pontual sobre essa escolha política. Não concordo com o Prof. Alberto Luiz Albertin. A escolha do software livre não é emocional. A colocação de que não existem estudos sérios sobre o impacto do software livre no setor de informática me remete a discussão sobre reputação. O que são estudos sérios?

.:: leia o artigo na novae

Comentário: lendo este artigo de Hernani Dimantas e o outro de Alberto Albertin pode-se ter uma idéia do andamento da discussão sobre o software livre, sobre a inclusão digital e até sobre o papel ou falta de papel para as universidades neste processo. O que me chama a atenção, e isso entra como crítica, são as várias exclusões que emergem dos textos. O artigo de Dimantas se situa como uma crítica ao artigo de Albertin, porém lendo os dois não se nota esta polarização e se constata até alguns mal entendidos, a meu ver.

Concordo com Dimantas quando ele fala em sociedade da colaboração, mas não a entendo como parte de uma dita sociedade da informação. Se o paradigma industrial cede espaço para um paradigma que valoriza o conhecimento, o que sustenta os dois, no entanto, não muda. De uma sociedade de mercadorias passamos a uma sociedade do conhecimento tratado como mercadoria.

Uma sociedade da colaboração tem mais a ver com uma sociedade onde o conhecimento seja solidariedade. Como diz Boaventura de Sousa Santos, “um conhecimento prudente para uma vida decente”.

Aí entram as comunidades…

Por isso, a opção por software livre, que não é uma coisa emocional, tem vir acoplada a toda uma discussão política sobre os nossos caminhos em relação à tecnologia. Nisso os dois autores deveriam se somar. E o foco tem de ser a soma, inclusive a da universidade onde este assunto já é pauta e onde muitas iniciativas já estão emergindo.

Considerando que a tecnologia não é neutra e que é parte de uma visão de mundo e de humanidade, a escolha entre dois caminhos tecnológicos é uma escolha política que, ao final, se refere a escolha entre visões de mundo diferentes.

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jul 03 2003

voluntários ou militantes?

Categorias: categorias,teoriaSuzana Gutierrez @ 14:37

Bem na hora o artigo de Gislene Bosnich para a Novae. Trabalho voluntário versus Desemprego

Nunca na história do capitalismo – quando a tecnologia intensifica o trabalho de alguns enquanto, de outro lado, exclui muitos da opção “livre” à venda de força de trabalho – vimos tão grandiosa campanha pelo trabalho não-remunerado. Como se esse mesmo capitalismo tivesse deixado de agir a base de troca (valor de troca) e que o dinheiro tivesse deixado de ser o mediador de tal relação.

.:: leia na íntegra

E visite o site:

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mar 15 2003

entre o heróico e o trágico

Categorias: teoriaSuzana Gutierrez @ 16:11

Recebi esta semana um texto do Karel Kosik, traduzido pelo Leandro Konder. Somente hoje pude ler e gostaria de compartilhar aqui um trecho:

“Vivemos numa época pós-heróica. Isso não significa que no século XX não se realizem ações heróicas; significa apenas que tudo que se faz de bom, grande, corajoso e heróico, tudo que se cria de belo e poético, é arrastado na correnteza da banalização e da desindividualização, perdendo sua originalidade e sua força. O poder que influencia fortemente a opinião pública e amesquinha todas as coisas é a alma de lacaio. 


O lacaio não conhece heróis. Ele não é, sobretudo, capaz de reconhecê-los. O que caracteriza sua visão do mundo consiste no fato de que ela reduz tudo à escala da banalidade. O ponto de vista do lacaio só lhe permite enxergar motivações amesquinhadas, inveja, pequenas safadezas. 

No tempo de Goethe e de Hegel, os lacaios conheciam a intimidade dos seus patrões e por isso não podiam vê-los como heróis; hoje em dia, contudo, o olhar dos lacaios se instalou na visão do mundo dos patrões e dita normas de gosto e de moral: consome avidamente as fofocas e as intrigas da imprensa dos boulevards e julga tudo com seus critérios frívolos e sumários. 

Um segundo empecilho no caminho da possibilidade do trágico, no nosso tempo, está na banalização e na domesticação da morte. A morte perdeu o poder que tinha de abalar profundamente os seres humanos e é digerida com certa rapidez no dia-a-dia. A morte do outro, do próximo, não ameaça nos desestruturar: ela é quotidiana, superficial, pouco significativa. Ela nos chega no meio de múltiplas imagens, sucessivas informações e sensações confusas; em seguida, desaparece, sem deixar traços.”

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