Este ano não vou falar da educação, do professor, … Não vou colar nenhum cartãozinho ou charge e nem xingar :~)
Vou fala um pouco dos dias da professora aqui. Uma professora que se diferencia da maioria dos colegas por ter plano de carreira, por poder trabalhar numa só escola, por estar em casa hoje, estudando com apoio da legislação sobre seu plano de carreira. Uma professora que não é privilegiada, como alguns gostam de dizer, uma professora que, por outro lado, não sofre a precariedade de condições de trabalho e carreira da grande maioria dos colegas.
Meus dias de professora são alegres, tenho prazer em trabalhar e estar com meus colegas e alunos. Adoro o que eu faço, mesmo. E esta semana está sendo especial.
No feriado, fui fazer uns arremessos na praça aqui do lado de casa e, em 2 minutos, estava dando aulas Um punhado de crianças foram chegando uma a uma e terminamos jogando basquete na quadra toda. Folgo em dizer que a bola de futebol deles ficou paradinha esperando no canto da goleira. << isto é um privilégio de ser professor.
Ontem, na formatura alusiva ao dia do professor, recebi, juntamente com colegas do Colégio Militar de Porto Alegre, a Medalha Marechal Trompowky* e passei a manhã nas quadras, me divertindo muito com meus alunos e colegas. As aulas de educação física foram abertas aos colegas professores que se misturaram aos alunos. Reza a lenda que muitas, er…, diferenças foram acertadas no futebol. Creio que sim, pois todos voltaram felizes do campo
À noite, meu time infantil venceu de forma brilhante o jogo da semi-final do Campeonato Anchieta e está classificado para disputar a final. Resultado bom, mas nem de perto superou a alegria de constatar o desenvolvimento do time ao longo do ano. Deu gosto ver que aquele bando de pangarés agora são uma equipe unida, coesa e temível!
Hoje, estou em casa, grudada nos dados e nos meus sujeitos e sujeitas de pesquisa . Ah… estes dados de blogs! Não somente os colho, mas mergulho neles e eles me levam para tantos e tão surpreendentes lugares. A coleta de dados está levando o dobro do tempo previsto! Estou passando o dia do professor no meio dos professores, do seu cotidiano, dos seus interesses. Colegas, vocês não calculam a relevância destas suas memórias singelamente blogadas. Aquele texto (que alguns acham) diarinho, aquele comentário abobrinha, as imagens, os sons e as falas do seu dia valem mais do que resenhas, que citações. E quando vocês refletem em cima destes relatos, é aí que encontramos a teoria\prática construída a muitas mãos e em tempo real.
Na imagem, a minha medalha. Professores de Educação Física tem um fraco por medalhas. Tive de me conter para não ir na padaria com ela.
* “Medalha Mal Trompowsky, criada pelo Decreto do Exmo. Sr. Presidente da República do Brasil em 1953 e destina-se a distinguir cidadão brasileiro ou estrangeiro, ou instituição, que se tenha destacado em relevantes contribuições ao ensino nos Estabelecimentos de Ensino das Forças Armadas, à educação ou à cultura”.
[update]
O círculo se fecha sem se encerrar. A voz de cada colega vai moldando a realidade (hoje!) de ser professor:
[update 2]
Como disse a Lilian, lá na lista: “É um enorme prazer acompanhar essa meninada”
Professor é desdobrável, mas não inquebrável Ensaio do 3º ano do CMPA, sob a direção dançante do colega Gustavo, que ontem se descadeirou na apresentação final.
ele é da matemática…
a produção é do colega Vinicius, das artes civis e militares.
Para a Albita que desafinava em todas as palavras da letra, mas que cantava com um entusiasmo aterrador. Para a Alba que saiu à francesa e deve estar aprontando alguma nos lugares de paz.
Enquanto a blogosfera discute a queda da obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista e se espanta com as questões que podem surgir a partir das próprias ações na rede, eu sigo muito mais off do que on line.
A manutenção (eu ia dizer reforma, mas não chega a tanto) aqui em casa e o ritmo dos compromissos de trabalho estão tomando todo o meu tempo. Minha pesquisa está semi-parada, também.
Um trabalho que começou pequeno em 2006, hoje consolidou o basquete no CMPA e está ameaçando tomar o meu doutorado Brincadeira
A minha experiência twitterística vai devagarinho (bem devagarinho). Nem eu consegui acertar a postagem de imagens via celular + twittermail + twitpic + twitter. Meus alunos, também, não estão se entusiasmando muito. “Mais uma coisa para olhar”- dizem.
fico por aqui, neste “vou dar notícias” … sigo vendo o Grêmio perder mais uma… óhhh … dor!
A correria que costumava acontecer no final de Outubro, se transferiu, este ano, para junho e julho. Os Jogos da Amizade mudaram de época, de modo a liberar os alunos na fase mais difícil do ano letivo. Porém, neste processo, acelerou sobremaneira tudo o que antecede e que faz com que os nossos Jogos sejam uma das atividades mais importantes do esporte no CMPA.
Todo planejamento que costumava ser para uns 9 meses (uma gestação! @@), agora ficou restrito à 5 meses. Certo que até nos adaptarmos à esta mudança, vamos sentir muitas dificulades. Traçar planos com férias escolares (as grandes) no meio fica bem mais complicado.
Assim, o meu desvio dos temas que normalmente abordo por aqui tem as suas justificativas. O basquete tomou conta da pauta.
Hoje eu passei o dia me incomodando com uma série de coisinhas. Em casa, no trabalho, no pensamento, campo minado.
Fiquei o dia todo desplugada de tudo que não fosse aula, treino, reunião. E foi só pelas 18h que fiquei sabendo do sumiço de um avião da Air France. Pensei: quase um ano depois que eu fui a Paris, partindo do Rio, na mesma hora.
Fui conferir e localizei os dados do meu vôo num email:
“Saio daqui as 12:50 para o Rio. Lá pegarei o avião para Paris as 19:05. Previsão de chegada 11:10 no Aerogare 2 Terminal E. Voo da AirFrance AF447.”
Poa/Rio de Janeiro conexão
Tam JJ 3088 26 JUN 12:50hs // 14:40hs
Rio de Janeiro/Paris stop
AirFrance AF 447 26 JUN 19:05hs // 11:10hs
De repente as coisinhas assumiram a sua real dimensão. As vezes tudo se resume à uma questão de tempo.
Meu sumiço generalizado vai por conta da correria do trabalho (normal!) e de uma reforma que estou fazendo aqui em casa (ai!). Depois que passei o carnaval lidando com baldes cheios de água que escorriam do teto e depois de 3 tentativas de arrumar o telhado, fiquei residindo numa cela úmida, rachada, mofada e insalubre.
E não estou exagerando muito, não. E, aí, tive de romper a minha inércia em permanecer parada e tratar de por a reforma necessária para andar. Me surpreendi que, anos depois de ter parado de atuar como engenheira, eu ainda lembre bem o conteúdo de “Construção Civil I e II”, embora não esteja mais familiarizada com os materiais e soluções novos.
Assim, praticamente desenterrei a parte anexa do meu apartamento e fiz uma nova impermeabilização nos alicerces, mandei refazer o piso do pátio com novo caimento, novas caixas de esgoto pluvial. Coloquei calhas onde não havia e a coisa anda por aí, por enquanto.
Porém, isso me fez ter de gerenciar trabalhadores, correr atrás de material para repor o que teve de ser quebrado, me estressar chamando de volta para refazer coisas que entregaram mal feitas. É incrível o número de coisas que empresas ‘especializadas’ fazem pela metade se não forem MUITO supervisionadas.
Na quarta-feira, trabalhei nos 3 turnos, pois tive jogo à noite. A semana está sendo corrida pelos treinamentos e jogos mais intensivos. Me gripei e, no treino de quarta, quase quebrei braço. Num exercício de corta luz, meu braço ficou prensado entre dois guris (cada um indo numa direção). Era o treino do Mirim e isso salvou o meu braço apenas com uma distenção.
A noite, jogamos a etapa Infantil classificatória do JAPA – vencemos! – e eu cheguei bem tarde em casa. Entrei, então, a quinta-feira, gripada, doida e cansada Sobrevivi a aula de um muito motivado, saudável e irrequieto sétimo ano e me preparei para as compras da ‘reforma’.
Primeira parada: comprar 2 metros quadrados de basalto irregular. Feito e lá fui eu com o porta mala carregado para a segunda compra.
Entrei numa olaria para comprar plaquetas. Era, assim, umas 14h e tudo estava deserto. Fui entrando e chamando e nada. Passeei por toda a sala de mostruário, passei pelos escritórios, sai no pátio imenso de materiais e necas de aparecer alguém. Até a casinha do cachorro estava vazia e, isso, eu até agradeci. Depois apareceu um e depois mais um funcionário e todos sairam dizendo que iam mandar o vendedor. Sentei numa pilha de blocos de concreto e fiquei esperando.
Uns vinte minutos depois e já com mais um casal esperando, resolvi telefonar para a empresa. Me atendeu a secretária/atendente (que estava escondida num escritório). ¬¬ Gastei mais uma hora selecionando 70 plaquetas duplas e alguns cantos e carregando o carro. O casal estava criando raizes enquanto esperava para carregar os seus blocos de concreto.
Quando cheguei em casa, meus diletos funcionários haviam passado impermeabilizante nas paredes externas sem fechar janelas e portas. O cheiro em toda a casa era de derrubar. Fechei tudo daquele lado, abri do outro e liguei ventiladores. (ninguém havia tido esta ideia e todos sufocavam e lacrimejavam pacientemente). Céus!
Acho que por conta da tal tinta, sonhei uma espécie de metáfora de Lucy in the Sky with Diamonds durante toda a noite….
Depois que eu casei, continuei veraneando na mesma praia de TODA a família do meu marido. Eram férias muito alegres, cheias de festas, primos e primas, brincadeiras, churrascos, amigos de montão. Família reunida até as vós e bisavós que, além de dar o contraponto nos excessos, por vezes, eram as primeiras a topar brincadeiras. Mesmo quando estas não combinavam muito com suas rotinas e crenças.
A nossa preferida era a brincadeira de detetive que incluia a família (numerosa), mais os vizinhos e amigos. Todos participavam e poderiam escolher entre ser detetive ou assassino ou, simplesmente, uma possível vítima. Do sorteio só participavam os que pretendiam ser assassino ou detetive.
Feito o sorteio, o detetive se revelava para o grupo. O assassino, então, tinha cerca de 24h para cometer o crime. Neste processo, ele ou ela deveria correr todos os riscos de se aproximar da vítima, simular o crime e deixar um bilhete indicando hora e forma da morte.
Vós, bisas e pais eram vítimas com grande potencial, pois, entre as causas, as heranças eram possibilidades sedutoras O morto ou morta não poderia sair do local até ser encontrado. Mas, para evitar mortes por inanição, colocamos duas regras: – o defunto poderia chamar algum passante e informar a morte; – era proibido esconder o corpo.
Depois do crime, o detetive teria dois dias para investigar, fazer o inquérito e elucidar o crime. Neste tempo valia tudo: chantagem, outras mortes, … Todo mundo se divertia a grande, inclusive envolvendo os serviços públicos do município….
Hoje eu quero lembrar de uma brincadeira de detetive em especial. Aconteceu assim:
A família ocupava duas ou mais casas próximas e, cedo para a maioria dos mortais, as vós abriam a sua casa e tomavam chimarrão vendo o dia clarear e os pescadores tomar o rumo do mar. Num determinado dia, a segunda geração, que morava em frente e levantava ali pelas 8h, encontrou a casa das vós toda fechada. Entrando, encontrou as vovós deitadas nas suas caminhas com os bilhetes na mão. Mortinhas!
A bisa Nayr olhou seriamente para a filha (minha sogra) que chegava e setenciou com um olhar acusador:
- Perdi meu mate…
A outra vó, ainda deitada e rindo muito, entregou o assassino, com um legítimo sotaque de Uruguaiana:
-Masss, este Tom!
- Cala a boca, Cotinha! – atalhou a bisa Nayr.
Mesmo achando a brincadeira uma coisa absurda ela cumpriu seu papel direitinho, para deleite dos netos. A severidade dos princípios, o amor à família, a parceria eram a sua combinação incrível.
Esta era a bisa Nayr, que se foi hoje, em paz. Quase cem anos depois que veio a este mundo.
uma semana tentando me esquivar das leis de Murphy…
# não vou enumerar as calamidades, mas, só para atualizá-las, que conste em ata que eu estou aguardando de novo o pessoal para re-arrumar o meu telhado. Nos últimos dias chovia mais aqui dentro que na rua e eu passei o sábado de carnaval carregando baldes de água …
# nossa bisa deu um nó nos prognósticos médicos e, aos 99 anos, venceu uma cirurgia complicada e já está incomodando todo mundo, como é seu direito
# não vi nada do carnaval. Entre as obras e o hospital, estou lendo e assistindo a NCAA.
)) mãe e pai, em algum carnaval antes de eu nascer
Minha mãe fez 80 anos e, festejando este marco na sua vida, pude confrontar a passagem do tempo e, num certo sentido, me encontrar criança outra vez.
Deixei para trás a loucura destas primeiras semanas pós-férias, coloquei o meu chapéu de viagem e lá fui eu para Capão da Canoa. Do meu lado, o Lucas dormindo e, à frente, a estrada vazia no calorão da tarde de sexta-feira.
Aproveitei a tranquilidade da viagem para pensar. Deixar a mente vagar por todos estes anos que conheço a minha mãe. Daquela ligação primeira não restam lembranças, mas sobram intuições, certezas de incondicional amor e apoio. Dos primeiros anos eu lembro dela me esfregando até brilhar, do descuido com a comida (é…, ela nunca empurrou ou se preocupou se comíamos, – claro que comíamos!).
Na escola, o olho vivo para saber se tínhamos o que era preciso ter, se éramos as primeiras na fila da vacina, se as notas estavam ok. Sem estresse de ficar fiscalizando temas e tarefas, deixando a vida cuidar dos nossos desleixos.
Na adolescência, ela que ainda estava na sua adolescência, virou cúmplice (só pra constar ela ainda continua na adolescência). Parceira das festas, amiga de quase namorados, mediação poderosa entre nós e o patriarca.
Sempre foi parceira, disputada pelos netos, um calo no dedão do meu pai. Ele todo certinho casou com uma hippie, quando ainda não haviam hippies.
E para honrar a tradição, ela queria que a festa de 80 tivesse o tema: Grêmio. Vetado pelo senhor certinho, que depois se arrependeu ao ver a decoração aprovada, toda azul e branco . – Parece a Argentina…. Mas no fim ela venceu, com a bandeira tricolor fazendo um fundo que ninguém podia deixar de ver.
)) Os netos: Fernando, Claudia, Lucas e Rodrigo (falta a Cristiane) e, lá no fundo, a turma de San Diego: Rossana e Fernando, via Skype. E… o Grêmio, é claro!
E estavam todos: as filhas, os netos e netas. Uma das netas direto de San Diego ficou sentadinha participando da festra via Skype. O computador numa das mesas era o ponto de parada dos convidados (a maioria na faixa dos 80) que, rapidinho aprenderam como conversar a distância.
E ela estava feliz: netos e filhas, o maridão amado, barril de chopp e bandeira do Grêmio. Pedir mais?
E eu fiquei apreciando aquelas gerações reunidas, alguns alegremente caducando. Se divertindo a grande até quase o sol nascer. “-Quem é tu mesmo, minha filha? … – Ah…, mas tu já tens filha grande assim…”
E eu fui para lá com computador e livros, doutorado em foco. Mas acabei subindo em escadas, pendurando fitas e enchendo balões. Como valeu a troca!!!
Minhas férias estão chegando ao fim. Chega ao fim, também, o tempo de brincar de “memes e prêmios”, o tempo de rastejar pelo jardim fotografando ângulos diferentes e pequenas coisas, o tempo de por abaixo o google reader de basquete à wired e jogar conversa fora em almoços que duram a tarde toda.
Mas, … como ainda não acabou e como eu sou uma pessoa generosa, aí vai uma foto da verdadeira ambrosia. Aquelas que os deuses do Olimpo segredaram no ouvido de minha mãe.
e a receita:
ingredientes:
- 12 ovos (sendo 12 gemas + 6 claras) - 1 kg de açúcar - 1 l de leite - canela em pau - cravos da índia - Vó Mimi
Modo de preparar:
Por no fogo o leite e o açúcar (dentro de uma panela, é claro). Numa tigela, misture ligeiramente as claras e as gemas (sem bater) Coloque as claras e gemas na panela e mexa. Ao esquentar, baixe o fogo e mexa de vez em quando para não grudar. Deixe ferver e vá mexendo muito de vez em quando (só para não grudar, repito) Quando se formam as bolinhas, pode-se colocar o cravo e a canela. Teste o ponto pegando o ‘caldinho’ e deixando derramar. Quando este virar ‘calda’ que cai transparente e em fio, possivelmente estará pronto e com a aparência da foto. O último ingrediente, possivelmente, é o que faz esta receita dar certo. Mas é particular, mui amado e intransferível. Então, vire-se
Não, não é mais uma reflexão sobre os modos de ser na cibercutura. É parte das minhas andanças por Capão. Caminhar por tempo em vez de por espaço tem esta vantagem: conhecer novos lugares.
Nos passeios pela praia, andei visitando as famosas corujas de Capão da Canoa. A poluição visual ao redor do ninho não deixa margem para dúvidas quanto à sua localização.
Achei as corujas e corujos seríssimos. Na certa, no maior tédio de ver aquele desfile humano nas proximidades. Mas, nem aí para os mamíferos de havaianas.
Em casa, a chuva fez brotar os lírios no gramado:
E o Gordo, tão sério quanto as corujas, observa a minha atividade de fotógrafa amadora.