jan 13 2011

em busca do tempo perdido

Categorias: livros,rastros,sem categoriaSuzana Gutierrez @ 13:14

Na minha tese tem uma hora que eu confesso que, ao longo do doutorado, abandonei um pouco o jeito Alice do mestrado e passei a me identificar mais com o solitário Marcel, um tanto inseguro, egocentrado, mas tenaz em se agarrar ao tempo e, de alguma forma, tentar compreender as suas contingências, as suas leis.

Neste espírito, decidi reler Em busca do tempo perdido, devagarinho, saboreando os achados de Proust, achados porque, penso eu, ele topou com eles durante o processo de recriar a vida escrevendo. Quando pude transitar por alguns de seus caminhos, já havia a vontade de reler, mas não havia o tempo. E assim, de certa forma o seu pensamento me assombrou durante a minha recriação particular do tempo no doutorado.

Neste início de ano reli No caminho de Swann e À sombra das moças em flor. Começo a trilhar agora o Caminho de Guermantes. Devagar, intercalando com outras leituras acumuladas durante este tempo de pesquisa em que elas  eram muito dirigidas. Estou terminando, também O tempo entre costuras, de Maria Dueñas, livro que ganhei no Natal.  O tempo de novo… Talvez seja ele o grande motor dos escritores.

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jan 05 2011

2011 promete!

Categorias: rastrosSuzana Gutierrez @ 10:15

charge de Cláudio de Oliveira

Dilma lá

Até rascunhei um texto de Natal e outro de Ano Novo, mas cadê a vontade de terminar e publicar? 2011 veio com a tranquilidade das coisas conhecidas e a antevisão do novo. Descansando vou planejando este primeiro ano (desde 2001) em que os prazos não me assombram.

* a charge de Cláudio Oliveira é perfeita!

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dez 21 2010

Stonehenge

Categorias: rastrosSuzana Gutierrez @ 16:15

Esta noite foi estranha… Dormi profundamente e acordei exatamente às 5h15min. Fiquei um tempinho acordada, desassossegada, decidindo se pegava um livro para ler e… adormeci novamente. Creditei a ansiedade à consulta com o dentista, marcada desde antes da minha defesa.

Às 10h30min, mais ou menos, extrairam o último dos meus sisos.  Aquele que resolveu nascer depois de anos no casulo.

Chego em casa e descubro que o solstício de verão (é hoje!) veio acompanhado de um eclipse total da lua e que este aconteceu exatamente às 5h15min.

Isso tudo deve estar entrelaçado em algum lugar daquilo que chamamos destino…

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dez 19 2010

cogumelos !

Categorias: rastrosSuzana Gutierrez @ 20:07

perfumes & sabores

perfumes & sabores

Nada como ter tempo para inventar!

Ontem fui comemorar o doutorado com os meus filhos num restaurante de cozinha japonesa. Comemos ótimos pratos, irreprensivelmente preparados à vista. O restaurante é pequeno, com preços acessíveis e fica aqui pertinho de casa. Fomos a pé, depois de brindar com o meu presente especial, que eu estava guardando faz tempo.

Dormi relendo um dos meus muito-relidos “Agatha Christie”. Nada mais calmante que uma história conhecida e apreciada :)

O domingo me encontrou com disposição para (de forma muito leve) mexer nos blogs. Atualizei o blog do basquete e este aqui, também.

Tudo que vivenciei no doutorado me motiva a considerar este tipo de atualização, nem sempre “relevante”, como muito oportuna :)

Seguindo o clima  inventei uma receita. Aí vai a receita :

Cogumelos ………………. (ainda não batizei) (para uma pessoa)

- 2 cogumelos dos bem grandes

- 2 rodelas de beringela

- 1/2 cebola grande

- queijo Gouda ou outro

- 1/2 colher de chá de manteiga trufada

- sal, azeite, pimenta preta, noz moscada, herbes de provence.

Em um refratário pequeno, coloque um fio de azeite e espalhe. Coloque duas ‘barquinhas’ de cebola. Dentro delas coloque a copa do cogumelo com a parte concava para cima e sem o talo. Pique os talos com mais um pouco de cebola, misture com os cubos de queijo e recheie os cogumelos. Disponha as duas rodelas de beringela ao lado dos cogumelos. Tempere tudo com uma pitada de sal e um pouco de noz moscada.

Leve ao forno virando as beringelas de vez em quando. Quando estiver cozido (uns 10 min), retire e espalhe a meia colher de chá de manteiga trufada sobre tudo. Torne a levar ao forno para derreter. Sirva pulverizando uma pitada de herbes de provence.

Infelizmente, não há fotos. Só me lembrei de escrever a receita depois do prato ter desaparecido.

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jul 31 2010

entre o velho e o antigo

Categorias: academia,categorias,doutorado,leituras,rastrosSuzana Gutierrez @ 15:16

Há alguns anos, no saudoso Arroio do Sal, uma amiga minha passou por uma experiência muito interessante. Vinha ela caminhando tranquilamente na beira mar, retornando para casa ao fim da tarde,  revigorada pela brisa quase suave dos nossos mares do sul. Carregava a cadeira e, na bolsa, um livro. Vinha pensando em coisas boas, quando o vento que lhe vinha das costas trouxe um zum zum adolescente, cujo tema era a sua anatomia (ainda bastante boa para os quase 50).

Entre divertida e lisongeada, ficou escutando o papo que se aproximava de seus passos lentos. O grupo de rapazes, em seus apressados 15 anos a ultrapassou e, aprendizes aplicados da lógica masculina, viraram suas caras safadas para olhar o objeto de suas elogiosas frases.

- Mas ela é velha! – sentenciou o líder da manada. E lá se foram eles, semi-indignados, apressando o passo.

Minha amiga, seguiu impávida, se divertindo com o desdobramento do ataque dos franguinhos Minu :)

[pausa]

Meus alunos costumam brincar comigo sobre estas coisas da idade. Geralmente, com a cara mais deslavada perguntam se “no meu tempo” as galenas tinham programação ou, exageradamente, se a roda já era usada para locomoção de pessoas. Eu costumo aderir à brincadeira, pescando alguma coisa realmente ante-diluviana que os deixe com caras de bobos.

Ou, quando estou na pilha, tento problematizar estas relações entre velho \ novo \ antigo \ moderno. Costumo dizer que não passei dos 17 anos, porque acho esta uma idade ideal e recomendo a todos que fiquem neste limite. Geralmente, não explico porque. Ou digo que não sou velha, de modo algum, mas que cai da cegonha sem querer.

Ou, ainda, digo que velho é quem nasce velho e que ficar velho é diferente de envelhecer. O que temos como humanidade é um acervo de juventude que se conserva, antiga mas sem ‘ficar velha’. Legado que deixamos quando envelhecemos. E falo que eu sou antiga, pois faz tempo que conservo a minha juventude, os meus 17 anos. Velho é quem nasce assim e segue se decompondo dia à dia, mesmo nos seus 5 anos de vida.

Pois não há nada novo, que seja novo fora da antiguidade de algo jovem que foi conservado neste nosso acervo humano. E não pensem que eu ando viajando para me escapar de escrever a tese. Estas coisas todas me vieram à mente ao reler a página 397 do volune II do Conceito de Tecnologia de Alvaro Vieira Pinto. Aliás, leitura obrigatória para pensar dialeticamente a tecnologia.

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jul 29 2010

onde anda Su

Categorias: basquete cmpa,rastrosSuzana Gutierrez @ 19:58

Não sei se alguém reparou, mas este blog não tem um nome.  Nunca teve ou teve vários, ao sabor do meu humor. Inicialmente ele se chamava Onde anda Su?, nem sei bem por que. Virou gutierrez/su e, nos últimos tempos, uma frase autoreferente em linguagem de mIRC.

Eu sempre quis ter um blog chamado [alter-ego], mas já havia um, lá pelos idos de 2001. Mas, … deixa assim, em 2012, vou pensar um nome legal para este blog. Algo tipo ‘Jeito Alice’,  ‘Pumba’,  ‘Assim, ó’,  … para desespero de alguns.  Olha a ideia: “Para desespero de alguns…”

Este texto irrelevante, era para contar que esta semana é de férias, depois de 10 dias de trabalho nas férias :) Mas, … eu viajei :)

ah o basquete

economia da atenção

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jul 18 2010

enquanto o frio fica lá fora

Categorias: rastrosSuzana Gutierrez @ 08:01

As palavras que já escrevi sempre parecem ter mais força, como se a cada escrita elas se gastassem um pouco e, por isso, se tornassem mais leves. Uma leveza que, em vez de envolver, encantar, deixa tudo meio … líquido demais.  Quando há tanto à dizer, só sobram as metáforas e, pior, aquelas já muito repetidas.

Difícil descrever sem reescrever demais.  Inevitável escrever. Cada movimento inscreve e escreve. Inevitável deixar rastros.  Pena que eles nem sempre mostrem aquilo que precisa ser mostrado.  Estou me especializando em deixar pistas falsas…

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abr 06 2010

das coisas zem e das coisas sem :)

Categorias: rastrosSuzana Gutierrez @ 22:07

Tenho um colega que chega a ser irritante de tão zem. E eu sou irritante de tão sem… sem lembrança da última vez que prometi a mim mesma não me irritar, não me exaltar, manter a calma em meio ao caos, não gritar, não xingar, não ….

Mas esqueci e me exaltei, digamos que fui exuberante em xingar inaugurar o sargento novo que mudou meu armário de lugar, que fui vocalmente enfática em … mijar o atleta que cometeu o erro, aquele erro pelo qual  eu recém havia parado o treino e feito uma preleção de 5 min.

Pois é, … eu sou meio sem… freio, noção, paciência. Para ser justa, até comigo mesma :)

É um pouco esta falta de paciência que me afasta do blog. Mesmo quando eu tenho certreza que algum dia, num futuro que pode ser até mirabolante (eta palavra boa), as milhares de pequenas confissões, indiscrições, abobrinhas, … farão todo sentido. Ou o sentido necessário para retratar uma época.

Hoje eu acordei com a Ana Maria Braga, flagelada naquela casa linda , mas um tanto artificial.  Depois que mudaram a minha NET, eu ligo e entra o 512, a Globo com mais rugas, e eu não sei mudar esta ‘preferência’.  Agora, … incríveis as imagens, o Rio embaixo dágua, … medo por tantos amigos…  Eu até liguei meu Twitter, pois estas coisas são a sua vocação. Isso é uma época.

Assim como é ‘uma época’ as minhas dúvidas no doutorado,  o treino ‘de páscoa’ que fiz ontem, também é  :)   Não, …. não pensem mal de mim. Não dei bombom só para quem acertou arremessos :)   Mas, …. comprei aquelas caixinhas de bombom sacanas, aquelas que tem uns   m a r a v i l h o s o s   e outros pequenos, tristes, de café com canela (duas coisas ótimas, MENOS em bombom).  Aí, peguei eles de jeito… Acertou, pode escolher, errou, vai para o fim da fila :) ))  Todos se divertiram e até rolou umas apostas.

Estas ‘épocas’ são, talvez, o que se possa ter, o que valha a pena, o que vai ficar… Sei lá, … hoje acordei consciente que o tempo dos casacos e das meias está chegando, ciclos que se fecham, recomeços. A minha tese entrando o inverno e florescendo, eu espero, para dar frutos na hora certa.

E que tudo no universo fique bem e em paz…

Enter ….   (como diria um pastor dos tempos pós internet)

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fev 04 2010

acabou a vida boa :(

Categorias: rastrosSuzana Gutierrez @ 21:03

vida boa :)

luz, sombra, água e vento

doutorado não combina com verão… Mesmo tendo andado alguma coisa, não fiz metade do que irrealisticamente previ :)

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jan 16 2010

na beira do mar

Categorias: fotografia,lugares,rastros,RSSuzana Gutierrez @ 16:56

Todos os anos eu perambulo pela praia capturando imagens. Este ano não é diferente.

guarita 70 capao da canoa

perto do posto 69,9

mar de capão

em 2010 ainda se encontra...

mar do rio grande do sul

mar do rio grande do sul

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jan 15 2010

aprendizagem

Categorias: internet,rastrosSuzana Gutierrez @ 14:22

Esta semana, estou só com os meus pais e tendo o privilégio de acompanhar o início dos dois na rede. Primeiro computador, primeiras navegações depois dos 80 anos. Relembrei como podem ser divertidas, frustrantes, instigantes e desalentadoras estas primeiras experiências.

Minha mãe ainda está olhando só de longe, mas o pai já está navegando pelos sites de notícias, pelos mapas que ele adora e… jogando paciência. Uma das grandes descobertas foi a facilidade de usar o Skype.

Olhem só as caras felizes falando com os amigos de Porto Seguro:

pai e mãe na internet

sempre é tempo de descobertas

diálogos:

Pai (para o meu cunhado): – Tu me vendeu um computador sem mouser…

Primeira busca no Youtube: gremio campeão da america

Primeira tela azul: – Esta coisa está dizendo que eu cometi uma operação ilegal !

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jan 15 2010

pensando na vida

Categorias: doutorado,pesquisa,rastrosSuzana Gutierrez @ 14:13

A vida é uma coisa muito fugidia, um fluxo que escorre pelos dedos, impossível de segurar para aproveitar mais determinados momentos.  O relato da vida é sempre o relato da vida que passou, uma eterna busca do tempo, perdido para alguns, vivido para todos. Um relato impossível, a menos que se conte em vez de viver, que nos tornemos mais atores que autores da própria vida.

Este início de ano está repleto de coisas sobre as quais valeria escrever. Tantos as pequenas coisas do cotidiano, quanto os inúmeros eventos que povoam o nosso espaço mais geral de vida.  Tudo agora tem efeito global e ninguém escapa de experimentar a aceleração que parece envolver tudo.  É um aprendizado interessante lidar com esta aceleração, não se enredar no fluxo constante de informações.  Aprender a buscar e desfrutar de lugares de quietude e reflexão.

Como todos, entrei 2010 preocupada com as mudanças climáticas e com seu efeitos, a natureza cobrando o seu preço pelo descaso e pela ganância das nossas práticas. Comovida com o que vem sendo o destino de um povo tão sofrido e  explorado como o do Haiti. Pessimista com as possibilidades de mudar este mundo, quando vejo a naturalização destas práticas predatórias em nome do lucro e a convicção de grande parte das pessoas de que ‘sempre foi assim e sempre assim será’.

Por outro lado, continuo persistente pensando alternativas, as tais brechas que se instalam na contradição que é  a forma das coisas se desenvolverem.  Atenta às bifurcações, como o querido Daniel Bensaïd, que se foi faz uns dias, mas que deixa um legado de luta, de lucidez, de re-encantamento com a erpectiva da emancipação.

Aprendendo e compreendendo com aquilo que emerge na e da pesquisa. Mergulhando mais profundamente na complexidade dos temas do meu doutorado. Fazendo escolhas, sofrendo as muitas dúvidas, procurando caminhos de fazer um trabalho que traga alguma contribuição concreta para o contexto no qual o avanço das TIC encontra a formação e o trabalho de professoras e professores.

Estou reservando tempo para pensar. Enquanto caminho, vou fotografando e pensando, olhando com novas lentes o mundo a minha volta, procurando ver além do que se mostra.  Me aproximo do momento em que escrever será um imperativo.

capão da canoa

lugares de quietude

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jan 06 2010

A aventura do pudim de natal

Categorias: rastrosSuzana Gutierrez @ 11:05

/say Não é uma resenha sobre o livro de Agatha Christie … É apenas mais uma das minhas histórias.

Não sou conhecida pelas habilidades culinárias, justamente o contrário. Nas festas sempre me mandam fazer algo sem muita chance de erro humano. Porém, nesta virada de ano, dentro daquele clima potencialmente hostil que antecede a festa, quando o stress chega no nível em que as pessoas te olham furiosas a uma mera sugestão, praticamente me atiraram duas latas de leite condensado e, sem nenhum tato, sentenciaram: – Faz um pudim!

As vibrações que cercavam o contexto me aconselharam a não tentar fugir. Fui para o google e pesquisei algumas receitas e descobri, pasmem, que pudim de leite é ≠ de pudim de leite condensado. Munida de algumas ideias e da minha criatividade me dediquei a tarefa. Se eu era obrigada a fazer o pudim, este seria autoral.

Pois deu tudo certo, ficou tri bom, embora tivesse ficado no fogo umas 3 horas, pois alguma coisa não solidificava.  Foi devorado em minutos e eu virei a rainha do pudim.

Mas, para escapar em 2010, voltei a velha forma e ontem, ao tentar cometer um pudim de claras:

- queimei o caramelo

- num acesso criativo, botei limão na receita para não ficar tão doce

- não reparei que havia formigas no açúcar

Pior, … o pudim ficou ótimo, com aparência de sorvete de flocos e gostinho de torta de limão. Ou seja, para a entrada em 2011, certamente terei de providenciar um formigueiro e tentar repetir todos os erros que cometi ontem.

—-

/btw sobre as formigas. Respeitando a ética, informei e solicitei o consentimento esclarecido dos comensais. Depois de um pequeno debate ficou acordado que comê-las seria menos traumático do que por fora o pudim.

/btw2 a prova do crime:

pudim de formigas

o pudim

Receita:

10 claras

20 colheres de açúcar

1 limão

açúcar para caramelar

1 pitada de sal e uma de fermento

umas 20 ou 30 formigas das bem miudinhas

——-

1  – caramelize a forma de pudim até queimar o caramelo.  Limpe a forma e comece de novo deixando um pouco do caramelo queimado grudado.

2 – Bata as claras em neve. Uma neve meio mole. Vá colocando o açúcar e as formigas batendo sem deixar virar merengue duro demais. Alternativa ecologica (?): substitua as formigas por chocolate granulado.

3 – coloque as pitadas e raspe a casca do limão na massa e misture

4 – Cate as formigas que estiverem nadando

5 – ponha tudo na forma e a forma numa panela com água. Cozinhe neste banho maria até o pudim solidificar.

6 – deixe esfriar e ponha na geladeira. Desenforme gelado.

7 – na craca que ficar na forma, esprema o limão e acrescente um pouquinho de água e leve ao fogo. Quando ficar com cara de calda, deixe esfriar e ponha sobre o pudim.

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dez 24 2009

Histórias de Natal II

Categorias: rastros,teoria,visão de mundoSuzana Gutierrez @ 11:24

Seria muita sacanagem com o feed, então vou continuar a história aqui, motivada pela conversa que aconteceu lá no GReader.

Duas coisas, pelo menos,  ficaram abertas nesta história e, combinadas  com as minhas atuais leituras,  tornaram  a minha historinha de Natal um espaço de reflexão.  Bom porque me ajuda em algumas questões que andam parasitando as minhas horas pensantes.

Na minha história, tirando a parte em que o cachorro sequestra Jesus, o real sentido do Natal fica nas entrelinhas. Isso acontece dentro do contexto das lembranças de uma criança de uns 4 ou 5 anos, que reteve o que era mais marcante: o ritual e as coisas mais mais atraentes.

Minha família era heterogeneamente religiosa: a família de minha mãe tem um forte acento cristão católico-protestante, que foi evoluindo dentro de um sincretismo muito grande. Já o meu pai tinha a crença de que “a melhor religião é uma boa conduta” e alguma birra com padres e missas. Assim, as mensagens que recebíamos eram bastante contraditórias.

No Natal, a parte religiosa equivalia a parte profana, ao que me lembre. Na minha casa, ficava por conta das histórias que a mãe e as avós contavam durante a montagem do presépio. Histórias repetidas, que nós pedíamos. Acho que eram as únicas histórias que a mãe um dia contou. Já o meu pai, o rei das histórias, não contava nenhuma de Natal, a não ser a dos merengues.

Na noite de Natal, havia os cânticos ao pé da árvore e as rezas, estas puxadas pelas vizinhas,  um grupo que de alguma forma estava presente em todos os lugares. O meu bairro, Navegantes, no 4º distrito de Porto Alegre, era um bairro operário e de imigrantes. Tinha  colônias alemã, italiana, polonesa,  fortes .  Meu avô, o morador original, se chamava Franzen, e as pessoas que cercavam a minha infância, eram Rauber, Sgiers, Klaus, … e … Reginatto, Ughini, De Negri, …  Isso deve explicar alguns costumes que caracterizavam a rua e o bairro.

A outra linha de pensamento que esta história abriu foi sobre a questão de classe que emerge em todos os contextos. Foi  por aí que o comentário do Sérgio e as minhas leituras pegaram. Classe, na teoria marxista, não é uma divisão por renda ou origem.  Classe se define por um conjunto de relações sociais características de um grupo, relações estas que instituem uma visão de mundo e conferem identidade.

Toda a história,  aconteceu num contexto de classe e é narrada, também, numa perspectiva de classe, nem sempre a mesma classe.  Quando construímos a nossa vida por meio das diversas práticas sociais, isso é feito ao mesmo tempo em que construímos um conjunto de práticas estéticas, intelectuais, culturais, … Este referencial nem sempre está de acordo com o referencial dominante na sociedade da época, mas sempre e em muitas maneiras é por este subsumido.  As ideias dominantes numa época são  são as ideias da classe dominante (Marx) e elas são a referência para toda a sociedade.

É por aí que o colonizado se identifica com o colonizador.  O nosso Papai Noel disciplinador tinha muito a ver com  adequação do trabalhador para as condições de trabalho, exaltando a conformidade com as regras, a submissão.

Esta perspectiva de classe está presente quando nos reunimos em grupos, quando pensamos transformações na educação, quando produzimos conhecimento.  Nada em educação (e na pesquisa!) fica alheio aos conflitos e contradições deste nosso processo de construção da vida em condições históricas específicas.

Fica evidente, para dar um exemplo do momento, na supremacia do papai noel sobre o menino Jesus. Afinal, o nascimento do filho de um carpinteiro, o Salvador para uma parte da humanidade, não vende mercadorias concretas ou abstratas na mesma proporção que a lenda dos presentes.

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dez 23 2009

Histórias de Natal

Categorias: rastrosSuzana Gutierrez @ 10:58

Quem tem um blogue se sente um pouco responsável por não deixar passar sem interferência datas e eventos que mobilizam parte do mundo à volta. Natal é uma delas e eu quase todos os anos falei um pouquinho sobre ele, geralmente de uma forma pessoal, um momento para pensar na família, nos amigos e na vida. É difícil falar de um significado do Natal quando se sabe que é um fenômeno circunscrito à uma parcela pequena da humanidade.  Quando a complexidade do mundo, a ciência e a ignorância e todos os seus intermediários cooperam para que exista uma infinidade de crenças, de opiniões, de dúvidas culpadas e de certezas complicadas .

Assim,  sem muita inspiração para refazer as mensagens tantas vezes feitas de Feliz Natal e um Maravilhoso 2010,  minha mensagem de Natal será uma história da minha infância, nada edificante ou com pretensões de ter uma ‘moral da história’. É só mais uma história de quem teve o privilégio de ter infância,  família e uma vida boa …

Quando eu tinha uma idade que me permitia passar correndo por baixo de uma mesa sem me abaixar muito, os Natais eram acontecimentos marcantes, mágicos até. Quando penso nisso, a sensação é de uma certa angústia misturada com boas expectativas.  (uma sensação que transita entre o estômago e o coração)

A coisa começava no início de dezembro com a montagem da árvore. O pai fazendo o trabalho difícil de se espetar nos espinhos e elevar o pinheiro num canto da sala, para depois, numa escada meio bamba, posicionar as lâmpadas e os enfeites nos lugares mais difíceis, com a orientação nem sempre muito objetiva da minha mãe.

Eu, a mana e o cachorro pairávamos em volta, sentindo a tensão do momento. Dava para notar que quando aquela bolinha vermelha com floquinhos de algodão era mudada pela terceira vez de lugar, o clima ficava polar e se ouviam os sinos das renas.

Na nossa visão infantil aqueles enfeites eram maravilhosos e era com cuidadoso respeito que pegávamos algum deles para alcançar para o pai.  Naqueles tempos onde o plástico não imperava, os enfeites quebravam e somente na parte debaixo da árvore é que  podíamos ajudar.  Não sei bem se a árvore era realmente tão grande quanto eu me lembro, mas ficava linda, dando sombra e iluminando o presépio que a mãe montava embaixo.

E ela o fazia com esmero: areia, caminhos, gramados, lagos, em volta do estábulo estrebaria.  Tudo na calma, apenas quebrada pelo nossa agitação à volta ou quando, de uma feita, o cachorro abocanhou o menino Jesus e saiu como uma bala para o pátio. Salvamos o menino, mas a manjedoura ele roeu e a mãe teve de improvisar com uma caxinha forrada de barba de pau.

A véspera de Natal começava cedo: pobres animais abatidos e assados sem piedade em quase todas as casas de classe média da Av França *, vizinhas circulando e trocando receitas, ajudas e ingredientes. A criançada solta, ninguém controlando quem estava pulando o muro e de que jeito, quem estava na casa de quem. Isso até a tardinha, quando a rua ficava perigosa.

Nada de assaltos ou pedófilos, quem podia assolar a rua a tardinha era Papai Noel. Suas personificações começavam a circular cedo, antecipando a chegada do velhinho. A esta altura todos já estavam de banho tomado e as visitas começavam a chegar. Cada casa da rua ou ficava vazia ou se tornava um microcosmo especial. E, de repente, o sinos…

Em cima do muro, sem coragem de sair a calçada, pescoços espichados, nós espiávamos o fim da rua de onde vinha o rumor inquietante e crescente dos sinos e das pessoas. Gritos, risadas e os sinos da carroça do Papai Noel. Que eu me lembre, nunca esperamos renas , trenós e neve, pois todos sabiam que, aqui, o Papai Noel usava carroça e cavalo. Não havia shopping centers para desmentir.

E aí… era a vez da nossa casa e do nosso julgamento.Alguns tinham de ser resgatados de debaixo das camas.  Claro que desconfiávamos um pouco do rigor, porque o ano era pródigo em artes e apenas algumas iam a julgamento e seus autores levavam um pito do ‘bom’ velhinho. Uma vez, meu avô levou umas varadas, ah… aquelas noites na bocha não iam ficar impunes… E lembro dos olhos arregalados do meu ruivo vizinho, sem erro o guri mais danado da rua, esperando a sua vez. Sempre me surpreendi (com uma alegria feroz) de ver como o rei da rua ficava com cara de bobo no Natal.

E vinham os presentes, pacotes rasgados com pressa, cheiro de boneca nova … E eu fico até com sentimento de culpa por ter vivido tantas coisas boas. Meu pai me conta que a sua mãe enfeitava a árvore com merengues que ela fazia e que eram a sobremesa da festa singela, mas feliz,  da infância dele.  Crianças não precisam de muito.

Nisso tudo, me dou conta que sei tão pouco sobre o sentimento que domina parte do mundo nesta época. De que as lembranças do Natal de tantos podem ser tão tristes e tão mais parecidas com as do Natal original. O que não me impede, também,  de antecipar que amanhã estarei com os meus pais, minha irmã, meus filhos e sobrinhos para viver mais uma história de Natal.

——

* update :  As vezes o que se escreve pinta um quadro diferente do real. As casas da Av. França não eram o que se diz ser ‘classe média’ hoje, eram quase todas de madeira, um pouco altas do chão por causa das enchentes. Quando eu era criança, os muros baixos e puláveis já haviam substituído as cercas na maioria das casas.  Assim, melhor descrever do que classificar :)   (tks Sérgio)

** mas eu acreditava em Papai Noel :)

… continua

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