dez 17 2010

Doutorado – a defesa

Categorias: academia,doutorado,educação,pesquisa,redes sociais,tic,ufrgsSuzana Gutierrez @ 10:59

Ontem foi literalmente o dia D.  O dia da defesa. Às 8h:30min, na sala 703  do prédio da FACED da UFRGS, apresentei a minha tese perante a banca e uma pequena audiência de colegas. Foi um momento importante, culminando um trabalho que vem desde 2005, quando encaminhei o anteprojeto como um dos requisitos da passagem direta ao doutorado. Desde então, com maior ou menor intensidade, a pesquisa fez parte do meu cotidiano e foi um fator que contigenciou as minhas decisões.

Qualifiquei o projeto em meados de 2008, dando forma ao trabalho e encaminhando o processo que ocuparia os anos seguintes com muita força. Posso dizer que, desde o final de 2008, a minha imersão e dedicação foi prioritária. Mantive as atividades acordadas no trabalho no colégio e me beneficiei de um afastamento que é direito de professor em instituição federal.  Destaco aqui o apoio do Colégio Militar de Porto Alegre que,  coerente com suas diretrizes, vem apoiando as formações dos seus quadros, e a solidariedade dos colegas que me substituiram em algumas turmas de aula.

Fiquei muito feliz e tenho muito a agradecer a tanta gente!

Professores Conectados: trabalho e educação nos espaços públicos em rede

Orientadora: Profª Drª Carmen Lucia Bezerra Machado

Banca:

Prof. Dr. Augusto Nibaldo Silva Triviños – FACED – UFRGS
Prof. Dr. Lucídio Bianchetti – FACED – UFSC
Profª Drª Marlene Ribeiro – FACED – UFRGS
Profª Drª Raquel Recuero – ECOS – UCPel

A tese em breve será publicada. A apresentação bem simples revela alguns detalhes da construção do trabalho:

Tags: ,


jan 20 2010

informação, comunicação, educação e pesquisa

Nos últimos dias tenho lido muito, pensado muito e escrito muito pouco 🙂  Beirando aquele ponto no qual a quantidade (de informações) acaba alterando a qualidade, aumentando a fragmentação e  desinformando.  Mas, … este blog serve, também, para manter registros e sinalizar por onde andava su nesta semana.

Leituras

Como deve ser a escola que atende aos interesses e ideais da classe trabalhadora do campo e da cidade? Essa é a principal questão colocada no livro “Escola Itinerante – na fronteira de uma nova escola“, de Isabela Camini, publicada pela editora Expressão Popular. in MST.org

Isabela é minha colega na UFRGS, na linha de pesquisa Trabalho, movimentos sociais e educação. O livro pode ser adquirido na Expressão Popular que tem bons preços e os livros (encadernações) são de excelente qualidade. A editora Expressão Popular tem blogue e twitter.

Pesquisadores

O Rogério Christofoletti compilou uma interessante lista dos endereços “Twitter” de diversos pesquisadores na área da comunicação.  Esta semana pretendo tirar um tempo para ir conhecendo os colegas que ainda não conheço.  E já solicito:  coloquem no perfil do twitter o endereço de seus blogues 🙂 – Lista de Pesquisadores no Twitter

Haiti

É bom transcender o Jornal Nacional, a Veja, a Zero Hora e toda a nossa midia que está tendo xiliques com o PNDH e ler alguma coisa que não seja espetaculenta, imediatista e incompleta. Recomendo:

Os pecados do Haiti – por Eduardo Galeano para a Agência Carta Maior.

O que você não está ouvindo sobre o Haiti, mas deveria estar – Carl Lindskoog para Operamundi.

EUA ocupam o Haiti – síntese do Dialógico

Tags: , , , ,


jan 15 2010

pensando na vida

Categorias: doutorado,pesquisa,rastrosSuzana Gutierrez @ 14:13

A vida é uma coisa muito fugidia, um fluxo que escorre pelos dedos, impossível de segurar para aproveitar mais determinados momentos.  O relato da vida é sempre o relato da vida que passou, uma eterna busca do tempo, perdido para alguns, vivido para todos. Um relato impossível, a menos que se conte em vez de viver, que nos tornemos mais atores que autores da própria vida.

Este início de ano está repleto de coisas sobre as quais valeria escrever. Tantos as pequenas coisas do cotidiano, quanto os inúmeros eventos que povoam o nosso espaço mais geral de vida.  Tudo agora tem efeito global e ninguém escapa de experimentar a aceleração que parece envolver tudo.  É um aprendizado interessante lidar com esta aceleração, não se enredar no fluxo constante de informações.  Aprender a buscar e desfrutar de lugares de quietude e reflexão.

Como todos, entrei 2010 preocupada com as mudanças climáticas e com seu efeitos, a natureza cobrando o seu preço pelo descaso e pela ganância das nossas práticas. Comovida com o que vem sendo o destino de um povo tão sofrido e  explorado como o do Haiti. Pessimista com as possibilidades de mudar este mundo, quando vejo a naturalização destas práticas predatórias em nome do lucro e a convicção de grande parte das pessoas de que ‘sempre foi assim e sempre assim será’.

Por outro lado, continuo persistente pensando alternativas, as tais brechas que se instalam na contradição que é  a forma das coisas se desenvolverem.  Atenta às bifurcações, como o querido Daniel Bensaïd, que se foi faz uns dias, mas que deixa um legado de luta, de lucidez, de re-encantamento com a erpectiva da emancipação.

Aprendendo e compreendendo com aquilo que emerge na e da pesquisa. Mergulhando mais profundamente na complexidade dos temas do meu doutorado. Fazendo escolhas, sofrendo as muitas dúvidas, procurando caminhos de fazer um trabalho que traga alguma contribuição concreta para o contexto no qual o avanço das TIC encontra a formação e o trabalho de professoras e professores.

Estou reservando tempo para pensar. Enquanto caminho, vou fotografando e pensando, olhando com novas lentes o mundo a minha volta, procurando ver além do que se mostra.  Me aproximo do momento em que escrever será um imperativo.

capão da canoa

lugares de quietude

Tags: , , ,


nov 01 2009

reflexões de pesquisa

Categorias: blog,doutorado,pesquisaSuzana Gutierrez @ 07:43

Depois de um tempo bastante conturbado em todos os setores, as coisas acalmaram.  Algumas mudanças no rumo da minha pesquisa me fizeram optar por um caminho mais longo e estou literalmente em busca do tempo. Ainda não estou aprofundando a análise de dados, mas ela não fica fora da coleta. Como que salta da tela a todo instante e me faz pensar.

Em 2002, a maioria dos serviços de blog não vinham com espaço para comentários e estes eram adicionados por meio de outros aplicativos. Logo em seguida, os comentários,  os links permanentes, o rss se tornaram funcionalidades padrão do blog e algumas outras novidades foram surgindo para, de modo geral, ampliar o alcance dos textos publicados. Uma colaboração da interface para a sequência da conversação.

Porém, o espaço ‘comentários’ ainda pode melhorar tornando padrão algumas possibilidades:

  • Aprimorar as possibilidades de responder a comentários, publicando a resposta, ao mesmo tempo, no comentário e no blog \email do autor do comentário. Isso já existe, mas pode melhorar.
  • Manter ligado este diálogo por meio de trackbacks automáticos.
  • Tracback\Pingback: ser padrão no caso dos links referidos em outros sites. Compensar isso com um “nofollow” acessível ao autor.
  • Registro de comentários feitos e seus desdobramentos, a critério do autor, ligados a interface do seu blog. Uma espécie de união de sites como cocomment com o aplicativo de blog.

Observei que os hábitos dos blogueiros ao responder ou não aos comentários são bem diferenciados e incluem:

  • Editar o comentário acrescentando a resposta.
  • Abrir um novo comentário.
  • Comentar no blog do autor do comentário. Neste caso, o diálogo tende a se restringir aos dois, dificultando o acesso de outros leitores. Além disso, a resposta dada no blog do autor do comentário fica fora do contexto do que está publicado lá naquele blog.
  • Responder apenas por email.

E mais:

  • Grande parte dos diálogos não passam da réplica, não avançam, mesmo quando existe provocação para avançar (já falei sobre isso). Isso pode ser creditado, em parte, a estrutura do blog.
  • Os leitores de rss ajudam a manter vivo o contato com diálogos nos comentários, mas poderiam dar um jeito de facilitar a interação.
  • Novidades como o Note in Reader, poderiam ser aperfeiçoadas no sentido de capturar partes de textos ou comentários com mais possibilidades de edição.

Todas estas coisas tem influência naquilo que é publicado. Meio e mensagem tendem a interagir dialeticamente sobredeterminando um ao outro.

Tags: , , ,


out 15 2009

Dia do Professor

Categorias: cmpa,doutorado,educação,pesquisa,rastros,suzana gutierrezSuzana Gutierrez @ 12:54

medalha marechal trompowsky

medalha marechal trompowsky

Colegas, 🙂 parabéns para nós!

Este ano não vou falar da educação, do professor, … Não vou colar nenhum cartãozinho ou charge e nem xingar :~)

Vou fala um pouco dos dias da professora aqui. Uma professora que se diferencia da maioria dos colegas por ter plano de carreira, por poder trabalhar numa só escola, por estar em casa hoje, estudando com apoio da legislação sobre seu plano de carreira. Uma professora que não é privilegiada, como alguns gostam de dizer, uma professora que, por outro lado, não sofre a precariedade de condições de trabalho e carreira da grande maioria dos colegas.

Meus dias de professora são alegres, tenho prazer em trabalhar e estar com meus colegas e alunos. Adoro o que eu faço, mesmo. E esta semana está sendo especial.

No feriado, fui fazer uns arremessos na praça aqui do lado de casa e, em 2 minutos, estava dando aulas 😀 Um punhado de crianças foram chegando uma a uma e terminamos jogando basquete na quadra toda. Folgo em dizer que a bola de futebol deles ficou paradinha esperando no canto da goleira. << isto é um privilégio de ser professor.

Ontem, na formatura alusiva ao dia do professor, recebi, juntamente com colegas do Colégio Militar de Porto Alegre, a Medalha Marechal Trompowky* e passei a manhã nas quadras, me divertindo muito com meus alunos e colegas. As aulas de educação física foram abertas aos colegas professores que se misturaram aos alunos. Reza a lenda que muitas, er…, diferenças foram acertadas no futebol. Creio que sim, pois todos voltaram felizes do campo 🙂

À noite, meu time infantil venceu de forma brilhante o jogo da semi-final do Campeonato Anchieta e está classificado para disputar a final. Resultado bom, mas nem de perto superou a alegria de constatar o desenvolvimento do time ao longo do ano. Deu gosto ver que aquele bando de pangarés 😀 agora são uma equipe unida, coesa e temível!

Hoje, estou em casa, grudada nos dados e nos meus sujeitos e sujeitas de pesquisa :|. Ah… estes dados de blogs! Não somente os colho, mas mergulho neles e eles me levam para tantos e tão surpreendentes lugares. A coleta de dados está levando o dobro do tempo previsto! Estou passando o dia do professor no meio dos professores, do seu cotidiano, dos seus interesses. Colegas, vocês não calculam a relevância destas suas memórias singelamente blogadas. Aquele texto (que alguns acham) diarinho, aquele comentário abobrinha, as imagens, os sons e as falas do seu dia valem mais do que resenhas, que citações. E quando vocês refletem em cima destes relatos, é aí que encontramos a teoria\prática construída a muitas mãos e em tempo real.

Na imagem, a minha medalha. Professores de Educação Física tem um fraco por medalhas. Tive de me conter para não ir na padaria com ela.

* “Medalha Mal Trompowsky, criada pelo Decreto do Exmo. Sr. Presidente da República do Brasil em 1953 e destina-se a distinguir cidadão brasileiro ou estrangeiro, ou instituição, que se tenha destacado em relevantes contribuições ao ensino nos Estabelecimentos de Ensino das Forças Armadas, à educação ou à cultura”.

[update]
O círculo se fecha sem se encerrar. A voz de cada colega vai moldando a realidade (hoje!) de ser professor:

Marli, no Blogosfera Marli
Sérgio, no Aprendendo em redes de colaboração
Rogério, no Monitorando
Robson, no NTE Itaperuna
Veneza, no Diário da Professora
Teresinha Bernardete, no Caminhos para chegar
Jenny, no O PC e a criança
Gládis, no Gládis Santos
Franz, no Este blog minha rua
Tatiane, no Mulher é desdobrável

E para completar:
Professora premiada quebra paradigmas consagrados pelo pensamento neoliberal das últimas três décadas

[update 2]
Como disse a Lilian, lá na lista: “É um enorme prazer acompanhar essa meninada”

Professor é desdobrável, mas não inquebrável 🙂 Ensaio do 3º ano do CMPA, sob a direção dançante do colega Gustavo, que ontem se descadeirou na apresentação final.


ele é da matemática…
a produção é do colega Vinicius, das artes civis e militares.

Tags: , , ,


set 13 2009

achados de pesquisa

Categorias: blog,doutorado,pesquisaSuzana Gutierrez @ 12:23

Uma das atividades da minha pesquisa no doutorado inclui ler muitos blogs e este é um dos motivos pelos quais eu não falo muito dela aqui. Uma contradição, neh :?:.

Pesquisar blogs é, num certo sentido, pesquisar documentos que são públicos. Porém, estes são documentos dinâmicos indissociáveis de seus autores e contextos. Tornar visível a pesquisa é criar um movimento extra na corrente que já movimenta o campo. e perder um dos diferenciais de uma etnografia virtual que é a possibilidade de uma menor interferência do pesquisador no campo pesquisado.

Foi por aí que optei por não expor muito os caminhos da pesquisa. Porém, … principalmente quando a pesquisa tem seu lado ‘arqueológico’, fico louca para compartilhar alguns dos muitos achados. Retomar aquilo que não li e que estou lendo agora, que devia ter lido e comentado.

Por vezes, tenho de segurar o ímpeto de fazer um comentário num texto publicado há um ano atrás. Não que isso seja impróprio num contexto geral (é até muito próprio), mas inadequado no meu contexto de pesquisa. (isso aqui pode ser discutível)

Todavia, alguns esboços de ideias eu gostaria de socializar, até para abrir a conversa em torno delas. Por exemplo, considerando os blogs de professores, mas pode se aplicar a outros:

1 – Cada blog tem o seu público de comentaristas assíduos e, estes, tendem a formar redes diversas, considerando este espaço dos comentários << isso aqui precisa ser melhor explicado 😐 2 - Os comentários, de um modo geral, não geram debate nem ali, nem entre blogs. Geram reciprocidade, contato. conhecimento e reconhecimento. O diálogo dificilmente avança além da tréplica. Geralmente quem comenta não retorna para ler a resposta. (neste sentido o formato contribui) 3 - Algumas vezes, a possível réplica vira um texto publicado no blog de quem desistiu de comentar e segue o mesmo padrão 1, 2, 3. Texto, comentário, resposta. 3 - Os comentários, por vezes, constituem uma rede externa aos textos publicados nos blogs, um off-topic que parasita os textos de um período. Os "avisos de selinho" estão nesta categoria. 4 - Esta rede off-topic, muitas vezes, ignora totalmente o contexto do espaço no qual deposita um de seus nós. 5 - Mesmo num grupo bem 'enredado' se perde muita riqueza de reflexão, pois as reflexões mais densas são as menos comentadas, assim como são, também, a minoria dos textos publicados. sigo pensando 💡 , enquanto a chuva continua la fora.

Tags: , , , ,


set 07 2009

No dia da in (ter) dependência

Categorias: academia,edublogosfera,educação,pesquisa,rede,ticSuzana Gutierrez @ 07:09

blogagem coletiva

publicação coletiva

Aderindo a blogagem coletiva, resolvi publicar agumas idéias que, faz muito tempo!,  penso serem essenciais quando se pensa em mergulhar na rede.

Nos vários espaços onde se reúnem professores, reverbera o chamamento ao uso das tecnologias da informação e da comunicação, a condenação da resistência e o clamor por acesso e inclusão.  Ressoa nos canais de comunicação  a celebração da educação a distância como se ela não fosse educação, fosse algo fora, acima, coisa de inciados sem paciência com o que apontam como  pensamento retrógrado.

Grande parte disso tudo passa pela superficialidade e, em muitos casos, opta por um pragmatismo alienado que tende a descartar as tentativas de se por o dedo nas feridas que teimam em aparecer.

Falar em independência é compreender a autonomia, não como coisa, como algo congelado numa definição, mas como relação social que parte da consciência da nossa interdependência, do nosso vínculo forte com o outro. Vínculo tal que faz com que alguns insistam, persistam, repitam, mesmo contra toda a negação da crítica.

E é na perspectiva desta autonomia que penso o diferencial que pode haver nesta entrada cada vez maior de professores na rede.  Pois os professores estão aí, vindo entusiasmados ou desconfiados das diversas formações propostas, vindo por um acaso fruto de maiores possibilidades de acesso, vindo por obrigação, constrangidos por gestores, pelos pais, pelos alunos, …  Entrando na rede, enfim.

E é para este grupo de colegas que eu gostaria de falar, de propor uma pedagogia do puxadinho, um jeito hacker de viver a rede. Quero propor a eles que chutem para o lado todo o receituário, sobretudo o que limite a sua ação, ou seja,  os pode não pode daqueles que, por em absoluto não compreender a rede, vivem tentando controlá-la.

Resgato,  metareciclo, reproduzo, recriando, remixando, refazendo, algumas das minhas idéias de 2004, pois   “a realidade humana não é apenas produção do novo, mas também reprodução (crítica e dialética) do passado” (KOSÍK, 1976, p.150)

Colegas, olhem para a sua formação e pensem na formação de seus alunos dentro de um contexto que privilegie e  promova a pesquisa (as perguntas!). Uma pesquisa que considere a realidade das instituições educacionais e que, a partir desta realidade, construa alternativas de criação e uso da tecnologia.

Prefiram as ações que promovam a autonomia e a autoria no trabalho com as tecnologias e potencializem a opção \ apropriação tecnológica consciente.

Considerem as possibilidades da cultura hacker, do movimento software livre, dos ambientes públicos, interativos e abertos, das formas colaborativas e cooperativas de trabalho, como exemplos de uma reconstruída relação com o conhecimento, como bem humano.

Não se fechem na academia (na escola), ao contrário, descubram os espaços onde a rede invade a academia ,a escola e tudo mais. Façam destes, espaços de vida.  Evitem, também, os feudos que se criam na rede e replicam as formas fixas, pobres e unidirecionais de comunicação e, pior, de educação.

Conjurem as instâncias de apoio (os Núcleos, NTEs, Proinfos) para que partam da imersão na rede, na sua cultura, e, muito mais,  na sua contra-cultura; do que é instituído pelos órgãos educacionais, porém, muito mais pelo que é instituinte e negador, que se coloca como possibilidade, como as alternativas livres que emergem na e da rede.

Lembrem que a rede é rede e o outro é o caminho. Pliquem, repliquem, tripliquem, mantenham o fluxo 😀

Acreditem em si mesmos, no potencial transformador da sua prática, na beleza da sua busca, na segurança da sua experiência, no poder redirecionador dos erros (é por aqui que venho andando, não sem alguns tropeços)

Não aceitem tudo isso que escrevi como diretriz e, sim, como possibilidade de caminho à construir. Mergulhem na rede nos seus termos, como os botos e não como as sardinhas.

in-ter-dependencia

in-ter-dependencia

O texto ficou com jeitinho de discurso… Perdão!!!!!!!! 😳 Afinal, é sete de setembro e algum tom heróico pode retumbar no meu brado. ops! 💡

….siga http://tinyurl.com/interdependencia

….leia todos na: interdependência


Tags: , , , , ,


maio 10 2009

midia, tecnologia, pesquisa e suas relações

Categorias: pesquisa,política,tecnologiaSuzana Gutierrez @ 04:50

aloeUm pouco entediada de constantes anúncios de morte e missa de sétimo dia de tecnologias e midias, fiquei pensando… Não sobre uma inutilidade de se pensar sobre isso, porque pensar é sempre bom, mas sobre o erro estratégico de centrar a reflexão nas coisas em vez de nas relações e, … pior, de tentar isolar coisas e relações.

Não dá para cercar como unidade de análise blogs ou blogueiros (ou Twitter e twitteiros), pois estas práticas (e não tecnologias) não são estanques. O que faz um desenho todo especial de percursos, ações, reações, usos e desusos, estratégias, ligações é a prática social das pessoas.

Esta prática imbrica midias diversas, suportes diversos, numa totalidade de pessoas, artefatos, relações, bem como de condição de criação de usos, de artefatos e relações. O campo de pesquisa são as práticas que se constituem e não a tecnologia ou um entorno fechado em torno da tecnologia, mesmo que este e aquela tenham influência grande em todos os processos.

imagem de brewbooks

Tags: , , , , ,


fev 10 2009

pesquisa auto-referente

Categorias: pesquisa,trabalho,visão de mundo,webSuzana Gutierrez @ 04:24

engrenagensEm 2001\2002, quando iniciei as pesquisas de doutorado, tive dificuldade em localizar material sobre blogs e, mais ainda, sobre blogs e educação. Usava, na época, o All The Web, Cadê, Altavista e o Google, que ainda não era nem 1/5 do que é hoje em termos de tamanho e hegemonia. E, para algumas pesquisas diferenciadas eu usava o Astalavista 🙂

Meu preferido até 2003, mais ou menos, era o All the Web que, junto com o Altavista, pertencia a Overture. Depois, a Overture foi comprada pelo Yahoo e sua história mudou. Por volta de meados de 2004, comecei a usar mais o Google e, hoje, vou direto no quadrinho de busca no canto da barra do Firefox, marcado por padrão para o Google.

Todavia, já faz um bom tempo, os resultados das buscas que faço vem apresentando um comportamento cada vez mais viciado. Eles progressivamente se aproximam dos resultados de outras buscas já efetuadas e do que parece ser o perfil que o Google forma a partir das informações que coleta sobre mim em todos os seus serviços.

Estou tendo uma experiência cada vez melhor do objetivo googliano de “combinar as informações pessoais fornecidas por você com as informações de outros serviços do Google ou de terceiros para proporcionar ao usuário uma experiência melhor, incluindo a personalização do conteúdo para você”. O que é péssimo!

Se, em 2001, muita informação da web ainda não tinha sido rastreada e indexada nos motores de busca, hoje, ela é suprimida por conta de uma seleção feita por máquinas e com critérios (que atendem uma lógica determinada) fora do meu controle. A resposta é aquilo que o Google pensa que eu quero ler.

Deste modo, a rede de informações se fragmenta e se limita em guetos de semelhanças filtradas. Existem partes da rede que estarão cada vez mais indisponíveis para algumas pessoas, via motores de busca. Uma rede que fica cada vez mais auto-referente. Um perigo para quem pesquisa e quer, em termos de busca de informações, ultrapassar a pequena rede de relações mais diretas.

Para não falar nas possibilidades de classificar (no sentido marxista de classe mesmo) camadas de acessibilidade a informações. Uma tendência que pode vir com a mesma transparência com que o Facebook fala da possibilidade de comercializar informações de seus usuários. Parece que o treinamento em desprivatizar informações pessoais, que os sites de redes sociais tornam possível, começa a fazer efeito.

Quando tu, por estes caminhos, começas a operar numa determinada camada info-comunicativa, a tendência é assumir um postinho de trabalho imaterial na linha de montagem. É neste sentido que o conceito e as práticas sociais relacionadas ao que chamam de web 2.0 devem, também, serem pensados. Conceitos marxistas de acumulação, exploração, trabalho e, sobretudo, classes sociais são essenciais para poder compreender estas questões, pensando-as fora da lógica que lhes dá movimento.

Tags: , , , , , , ,


jan 29 2009

# dulcora (*)

Categorias: livros,midias,pesquisa,webSuzana Gutierrez @ 14:00

# A tecnologia está produzindo um declínio no pensamento crítico e analítico? – Ao mesmo tempo em que tecnologia vem desempenhando um papel cada vez maior em nossas vidas, nossa habilidade em análisar e pensar criticamente vem declinando, enquanto nossas habilidades visuais aumentam – pesquisa de Patricia Greenfield, UCLA pesquisadora e diretora do Children’s Digital Media Center, Los Angeles. (na Science Daily)

# 15 livros relacionados as midias sociais >> Nos próximos posts, começarei publicar breves comentários a respeito de 15 obras recentes sobre novas mídias ou ligadas as novas mídias que de múltiplas perspectivas (muitas vezes opostas e contraditórias) demonstram tendências, reflexões e percepções em que podemos perceber oportunidades e aspectos benéficos e ao mesmo tempo armadilhas e perigos. Em minha análise se configura a emergência de um cenário ambíguo, permeado de contradições. Para acompanhar no Cibercrítica.

# FSM: alternativas ao projeto do Sen. Azeredo – Ocorreu aqui no Fórum Social Mundial uma oficina sobre as alternativas ao PL do Senador Azeredo que trata dos crimes na Internet. por Sérgio Amadeu

# Digital UtopiaO’Reilly: Web 2.0, he says, is about business. (He says many tech movements start out with similar idealism, only to give way to capitalism. For instance, O’Reilly says, Napster introduced file sharing, but now iTunes has people comfortable with paying for music online.) Isso e algumas outras referências interessantes.

* #dulcora

Tags: , , , , , , ,


jan 12 2009

Tese sobre a interação de jovens em sites de redes sociais

Categorias: academia,pesquisa,redes sociaisSuzana Gutierrez @ 15:28

The Virtual Campfire: An Ethnography of Online Social Networking

Tese de Jennifer Anne Ryan, na Faculty of Wesleyan University, de Maio de 2008.

Trabalho fundamentado em 5 anos de observação participativa em sites de redes sociais: MySpace, Facebook e Tribe.net. A autora foca nas cada vez mais opacas fronteiras entre homem e máquina, público e privado, voyeurismo e exibição, a história da mídia e o futuro digital.

The Virtual Campfire

via H. Rheingold

* ainda não li, mas vai para a lista

Tags: , , , , , , , , , ,


nov 20 2008

Estudo demonstra que passar tempo online é bom para desenvolvimento dos jovens

Categorias: educação,internet,midias,pesquisa,redes sociaisSuzana Gutierrez @ 09:06

Um novo estudo da MacArthur Foundation, que pretende ser um dos mais completos sobre os hábitos dos adolescentes online, revela que o tempo que os adolescentes despendem conectados à internet, interagindo em redes sociais, navegando e jogando é importante para o desenvolvimento de qualidades que serão necessárias para viver e ter sucesso hoje e no futuro.

Misuko Ito, pesquisadora da Universidade da Califórnia, Irvine conta que os resultados da pesquisa podem surpreender os pais e derrubar alguns mitos. “Perder” tempo online não é perigoso e não cria preguiçosos e sedentários. Ao contrário, é essencial para que os jovens desenvolvam as habilidades técnicas e sociais necessárias para serem cidadãos competentes na era digital.

A notícia na MacArthur Foundation saiu na primeira página do New Yort Times: Teenager’ Internet Socializing Not a Bad Thing

A pesquisa, liderada por Mizuko Ito, Peter Lyman e Michael Carter, contou com mais de 28 pesquisadores. Durante 3 anos a equipe entrevistou 800 jovens e suas famílias e passou mais de 5000 horas observando adolescentes em sites como o MySpace, Youtube, Facebook.

Entre os achados de pesquisa: os ambientes online oferecem aos adolescentes excelentes oportunidades de desenvolvimento da sociabilidade, de participação na vida pública. Motivam a aprender com o outro e em rede. Por outro lado, os jovens precisam dar conta desta sua presença online e dos desafios de manejar a visibilidade, a identidade e as relações sociais no ciberespaço.

Mais detalhes: New Study Shows Time Spent Online Important for Teen Development e em digitallearning.macfound.org.

update:
relatório no site do Digital Youth Project
post da danah boyd
mais no Boing Boing

update 2:
ainda não li os relatórios de pesquisa.

Tags: , , , , , , , , ,


ago 02 2008

lançamento de livro

Categorias: livros,pesquisaSuzana Gutierrez @ 05:08

Esta semana, o Prof. Lucídio Bianchetti, que fará parte da minha banca de qualificação da proposta de tese, me contou que o excelente A Bússola do Escrever terá uma nova edição. Não me surpreende, pois é um livro que já é referência para quem está escrevendo trabalhos ou relatórios de pesquisa.

Escrever não é só dom, quanto é prática. Um dos textos do livro, do Prof Mário Osório Marques, me fez refletir sobre as dificuldades na escrita e as formas como as pessoas lidam com elas, bem como, toda a prescrição tradicionalmente aceita sobre como, quando e onde escrever.

Eu sempre escrevi, mesmo numa casa de poucas letras e livros, sempre li e escrevi, desde que, de tanto olhar, compreendi o que os símbolos diziam e desde quando a mão conseguiu repetir aqueles códigos, que podiam ser tão expressivos.

Eu não aprendi a escrever, simplesmente escrevi. Li porque escrevi e escrevi porque li. Não pensei para escrever, escrevi para pensar, bem como fala o Prof. Mário no seu texto.

Assim, eu vejo a mistificação da escrita e da leitura como uma das principais causas do afastamento da leitura e da escrita. A exigência da correção, do conteúdo, da forma, bloqueando a iniciativa e o gosto.

Este é assunto ara muita conversa :))

E, ainda na conversa com o Prof. Lucídio, fiquei sabendo do lançamento do livro A Trama do Conhecimento, organizado por ele e pelo Prof. Paulo Meksenas, ambos da UFSC. O livro fala da formação para a pesquisa acadêmica e sobre a pesquisa em si.

Eu já estou na fila para ter o meu exemplar. Abaixo o folder do lançamento da Editora Papirus.

Tags: , , ,


maio 20 2008

A pesquisa, o treinamento e a metodologia

Categorias: basquete,pesquisaSuzana Gutierrez @ 02:24

Todo pesquisador sempre se surpreende um pouco quando chega aquela hora de pensar, escolher, detalhar, fundamentar a forma de onde olha, como olha e como registra o fenômeno que vai investigar. Principalmente se o seu objeto de estudo são as pessoas, suas ações e os significados que elas assumem nos mais variados aspectos.

Impossível não se enrolar um pouco, não duvidar do que se tinha por certo e não discutir consigo mesmo e com os desafortunados colegas que cruzarem a nossa ‘bolha pesquisadora’, aquele universo particular que carregamos por todo lado em tempos de investigação.

Pois faz dias que o meu sono se abrevia em algumas horas, que o meu normal desligamento se aprofunda porque estou derivando em duas direções, pelo menos. Uma é a preocupação com os aspectos metodológicos de minha proposta de tese, a outra é a preocupação com os procedimentos do treinamento da minha equipe de basquete.

Se parecem dois assuntos completamente diferentes, podem anotar aí que não são. A principal diferença é que no basquete eu já sei onde quero chegar e na pesquisa o final não está determinado. Em ambos eu traço objetivos, metas, estratégias, dentro de um referencial que não é de hoje que estou construindo. Referencial que em alguns pontos é muito semelhante e em outros bastante específico.

A visão de mundo é a mesma, construída não sem alguma dor, não sem muitas dúvidas, sob o peso de uma realidade que marca ao mesmo tempo que é difícil de apreender, que limita ao mesmo tempo que ilude.

A metodologia não consegue se afastar de partir das contradições que movem esta realidade, mas, que pelas características dela, é um campo minado de dúvidas, cansativo às vezes, desafiante noutras.

E novamente hoje eu acordei antes do relógio, pensando em como conciliar a abordagem de uma metodologia, com a visão de mundo de outra, com procedimentos de análise de uma terceira. A pesquisa on-line ainda precisa que a metodologia seja estudada, aprofundada, modificada junto com o fenômeno que se quer interpretar, explicar.

Basquete Infantil
Os objetivos são parecidos, mas os olhares não convergem.

E lembrei de ter sonhado com treinos de basquete. E derivei para os problemas de lidar com duas metodologias, duas finalidades no mesmo treino. Pensei nos meus objetivos e nos deles. E, pela milésima vez me questionei sobre as diferenças. E, disso, passei para as pequenas coisas, as picuinhas do dia dia na quadra. Brincar no treino ou brincar com o treino?

Aí pulei da cama, fui fazer um café e escrever isso aqui. Porque, que nem Alice, eu estava pensando em duas coisas ao mesmo tempo. Como sempre! Acomodei o basquete num cantinho por um tempo e estou focando no problema mais complicado: os meus prazos e o quanto eu quero avançar neles.

A metodologia me faz pensar as coisas movidas por suas contradições; que os fenômenos evoluem pela dialética entre os opostos em luta no seu interior. O método pode, entretanto, não ser procurar o fundamento e a essência do fenômeno, ver como a contradição age ali. O método pode ser viver o fenômeno, junto com quem vive aquela realidade, descrever, aprofundar o olhar. Ao mesmo tempo em que considerar os significados, desvelar o que a realidade aparente esconde e, neste movimento, confrontar a contradição, aproximar metodologias.

E, depois, olhar para aquilo que coletamos, sem domesticar este olhar, deixando que a teoria aflore e, se formos felizes :), que ela explique um pouco, que ela construa um degrau na compreensão. Que, se ela por si só não transformar a realidade, que seja um passo à frente no sentido desta transformação.

Meu café esfriou…

Tags: , ,


mar 27 2008

internet, cultura, ritos e temporalidades

Categorias: internet,pesquisa,redes sociais,teoriaSuzana Gutierrez @ 17:19

Hoje estava lendo um artigo que questionava se a internet era em si mesmo uma cultura ou se inseria na cultura humana como um artefato cultural. E eu fiquei pensando no assunto, constatando que tudo que se refere a rede acaba por se inscrever em espaços que se incluem uns nos outros.

Rede de redes. Movimento dialético, que se constitui em sucessivas interações. Rede inapreensível, a não ser por momentos que não se repetem da mesma forma. É por aí que a rede, além de meio, de extensão das nossas possibilidades, cria, por si só, uma cultura, que contém e é continente da cultura humana.

E eu segui pensando nas diversas culturas que se inserem, se separam, mas, ao mesmo tempo, se ligam no espaço cultural maior. Nas comunidades que se formam por meio de suas práticas, seus ritos e sua temporalidade especial. A escola, o hospital, por exemplo, são espaços que possuem esta temporalidade própria, linguagem, rituais. São culturas e artefatos culturais ao mesmo tempo.

Faz um tempo, eu escrevi sobre o hospital. Sobre a temporalidade alterada, a centralidade dos procedimentos de cura, o deslocamento dos papéis e práticas habituais das pessoas, a opacidade da identidade e da individualidade de cada um.

E eu continuo pensando sobre a centralidade em torno da qual cada rede gravita, até porque se diz sempre que a rede não tem centro. Estes centros, que alteram a realidade a sua volta, são como eu imagino as dobras no espaço-tempo. Uma inflexão, um espaço com lógica própria e que altera as propriedades do que está ao redor. Investigar as redes, passa por sincronizar com o ritmo, se inserir nos rituais, compreender a rede como cultura e artefato, habitar e conhecer os habitantes e os artefatos que eles criam.

E eu continuo pensando…

Tags: , , ,


Próxima Página »