dez 29 2008

Genocídio

Categorias: mundoSuzana Gutierrez @ 16:53

Em meio as festas e a gratidão que a maioria de nós expressa por mais um ano de luta que possibilitou sermos mais e melhor, permanece sentimento de impotência perante o sofrimento que é o modo de vida de muitos neste mundo.
Todavia, antes que vire este ano, é preciso que cada um que tenha um espaço de voz grite com as forças que tiver contra o massacre que vem sendo perpetrado na Palestina. Em 3 dias de sucessivos ataques, realizados em horários nos quais as pessoas se deslocavam pelas ruas, já são mais de 300 mortos.
Fazendo a minha parte indico a resenha de Daniel Lopes, A “transferência compulsória” palestina, e o excelente e emocionado texto de Idelber Avelar, 300 mortos e 1000 feridos em Gaza: Israel continua assassinando e os líderes mundiais se calam.

)) pedras contra tanques – imagem de Haitham Sabbah

update:

TV Globo editorializa genocídio em Gaza e Israel testa munição de tungstênio em Gaza, por Cristovão Feil do Diário Gauche, mostrando a pseudoconcreticidade instigada pela midia e o horror da banalização da guerra.

Israel, por José Saramago.

Israel usa Twitter e Youtube para divulgar informações – na Wired.

Verdadeira história não é a contada por Israel  – por Johan Hari no Vermelho.org

Carta aberta de Uri Avnery a Barack Obama – traduzida por Idelber Avelar

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jul 21 2007

educação x ensino, o vôo 3054, os especialistas e as caixas pretas

Categorias: comunicação,educação,mundoSuzana Gutierrez @ 06:38

ou… a era dos que se especializam em falar sobre qualquer coisa.

O Estadão criou um blog sobre educação>> Renata Cafardo: A boa (e a má) educação, comandado por uma jornalista especializada em educação (isso está lá escrito). A primeira postagem levantou a galera: mais de 100 comentários em poucas horas. A maioria bem críticos, outros tantos bastante sarcásticos.

Corre nas listas de educadores a reclamação: qualquer um acha que pode falar sobre educação e futebol. Eu diria que qualquer um acha que pode falar sobre qualquer coisa. Os blogs e a facilidade de publicação estão aí para provar isso. Esta facilidade de publicação não tem nada a ver com o Estadão, é claro.

Seria interessante assistir a jornalista Renata Cafardo responder aos comentários mais veementes por meio de uma postagem. Como este comentário / postagem do Prof. Paulo Ghiraldelli, por exemplo.

Mas a facilidade de falar tem sido a tônica nos últimos dias, considerando todas as especulações mais ou menos leigas, mais ou menos profissionais, mais ou menos ridículas, mais ou menos mesquinhas, a maioria insensíveis, feitas a respeito do acidente com o avião da TAM.

Mas é preciso vender jornais e passagens, a despeito das pessoas. E a educação tem que se adaptar, também, as demandas do mercado, inclusive o da comunicação.

Sobre isso, as imagens falam:

* publicada com autorização do autor, Eugênio Neves

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jul 19 2007

vôo 3054

Categorias: mundo,rastrosSuzana Gutierrez @ 08:39

Se nos portarmos bem, está prometido, veremos todos as mesmas imagens e ouviremos os mesmos sons e vestiremos as mesmas roupas e comeremos os mesmos hambúrgueres e estaremos sós na mesma solidão dentro de casas em bairros iguais de cidades iguais onde respiraremos o mesmo lixo e serviremos aos nossos automóveis com a mesma devoção e obedeceremos às mesmas máquinas num mundo que será maravilhoso para todo aquele que não tiver pernas nem patas nem asas nem raízes. (GALEANO, 2001, p. 239)

Sem ânimo para escrever sobre, porém vendo a sociedade espetáculo se apossando de todas as coisas, até da dor e do sofrimento (quando estes tem força de consumo). Lembrei de um trecho de um texto de Kosik (saudade de ler Kosik):

“Vivemos numa época pós-heróica. Isso não significa que no século XX não se realizem ações heróicas; significa apenas que tudo que se faz de bom, grande, corajoso e heróico, tudo que se cria de belo e poético, é arrastado na correnteza da analização e da desindividualização, perdendo sua originalidade e sua força. O poder que influencia fortemente a opinião pública e amesquinha todas as coisas é a alma de lacaio.
O lacaio não conhece heróis. Ele não é, sobretudo, capaz de reconhecê-los. O que caracteriza sua visão do mundo consiste no fato de que ela reduz tudo à escala da banalidade. O ponto de vista do lacaio só lhe permite enxergar motivações amesquinhadas, inveja, pequenas safadezas.
No tempo de Goethe e de Hegel, os lacaios conheciam a intimidade dos seus patrões e por isso não podiam vê-los como heróis; hoje em dia, contudo, o olhar dos lacaios se instalou na visão do mundo dos patrões e dita normas de gosto e de moral: consome avidamente as fofocas e as intrigas da imprensa dos boulevards e julga tudo com seus critérios frívolos e sumários.
Um segundo empecilho no caminho da possibilidade do trágico, no nosso tempo, está na banalização e na domesticação da morte. A morte perdeu o poder que tinha de abalar profundamente os seres humanos e é digerida com certa rapidez no dia-a-dia. A morte do outro, do próximo, não ameaça nos desestruturar: ela é quotidiana, superficial, pouco significativa. Ela nos chega no meio de múltiplas imagens, sucessivas informações e sensações confusas; em seguida, desaparece, sem deixar traços.”(Karel Kosík, tradução de leandro Konder)

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set 04 2005

uma questão de classe

Categorias: mundo,políticaSuzana Gutierrez @ 08:01

Li, principalmente em weblogs, alguma coisa sobre o furacão Katrina e todo o desastre que está acontecendo em New Orleans. Assisti os noticiários na TV, mostrando imagens da destruição da cidade e do sofrimento a que estão submetidos seus habitantes.

Li, também, as emocionadas críticas ao governo dos USA sobre a incompetência e o descaso no socorro às vítimas e, posteriormente, no acolhimento e tratamento dos desabrigados. Li sobre as diferenças de tratamento dos fatos pela imprensa oficial, onde na cata por alimento e água os brancos acham e os negros saqueiam. Aliás, nas imagens da TV quase que só aparecem negros. Embora apenas 30% da população seja de brancos, é surpreendente que quase não apareçam nas imagens.

Antes e além do racismo envolvido em todo estes tristes acontecimentos está estampada claramente a questão de classe. Quem historicamente não tem facilidade em acessar certos bens (inclusive comida) é tido como assaltante numa situação onde estes bens não estão acessíveis para ninguém. Então, quem na situação normal é reconhecido como quem pode pagar, acha; quem na situação normal é reconhecido como aquele que não pode pagar, saqueia; isso na situação onde qualquer um está tentando sobreviver.

Aqueles que entendem os USA como um lugar onde os direitos são respeitados, onde uma vida digna está acessível à todos, onde a democracia é exemplo, devem observar em detalhes este desastre em New Orleans. Com todo o aparato tecnológico, os conhecimentos, a estratégia, as táticas preventivas (ops, acho que estas só se aplicam à guerra no quintal alheio), os pobres de New Orleans estão literalmente afundando sozinhos.
Nesse sentido, Bush teve de ouvir Fidel Castro oferecer 1000 médicos e toneladas de remédio para ajudar New Orleans. Se achasse que é retórica ou oportunismo deveria aceitar.

Estranhamente tudo isso me fez lembrar algumas palavras de um teórico muito amaldiçoado até pela esquerda:

Mas, para um marxista, é impossível fazer uma análise sem uma caracterização de classe do fenômeno considerado. Os sistemas ósseo e muscular não esgotam a anatomia de um animal; no entanto, um tratado de anatomia que tentasse abstrair-se dos ossos e dos músculos, ficaria balançando no ar. A guerra não é um órgão, mas uma função da sociedade, quer dizer, da sua classe dominante. É impossível definir e estudar uma função sem compreender o órgão, quer dizer, o Estado; é impossível conseguir um entendimento científico do órgão sem compreender a estrutura geral do organismo, quer dizer, a sociedade. Os ossos e os músculos da sociedade estão construídos pelas forças produtivas e as relações (de propriedade) de classe. (TROTSKY, sd, p. 152)

e são estes esqueletos que saem do armário nos momentos de crise.

Para saber tudo sobre New Orleans, não leia a Zero Hora, nem o UOL, tratados de anatomia que esqueceram os ossos, leia o Idelber, jornalismo open source, como diria a Ana.

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jul 12 2005

O G8 visto de caminhos alternativos

Categorias: mundo,políticaSuzana Gutierrez @ 06:57

mas importante que isso, o que se viu foram basicamente duas atitudes politicas em relacao ao g8. de um lado, make poverty history optando por campanhas midiaticas carissimas, celebridades e megashows com o objetivo de fazer lobby junto ao g8 para arrancar algumas concessoes. por outro lado, dissent! com uma opcao pela desobediencia civil e um objetivo declarado de evitar que a cupula acontecesse, para salientar o fato de que o g8, como outras instancias internacionais, eh inteiramente ilegitimo e ‘unnacountable’ — e uma instituicao sem ‘accountability’ nao pode sofrer lobby, apenas oposicao direta; e quaisquer concessoes que possam fazer, nao passarao de alteracoes cosmeticas que possam ser facilmente acomodadas dentro de objetivos maiores. ou serao canalhice simples e pura, como a ideia de recomprar os servicos publicos e a exploracao de riquezas naturais da africa, para em troca dar-lhe o perdao de algumas dividas, algum apoio finaneiro, nenhum equilibrio no comercio internacional, e transforma-la em mais uma imensa zona de ‘maquiladoras’ capaz de concorrer com a china por sua forca de trabalho baratissima.

a essas duas atitudes de oposicao, o g8 teve duas respostas diferentes. aos que marcharam em branco, vestiram pulseirinhas (metade delas, como foi revelado, produzidas num ‘sweatshop’ na asia!) e assistiram bono vox abrir os seus bracos em pose messianica e abencoar seus seguidores — a resposta foi: ‘nao importa’. nenhum avanco visivel em relacao ao cambio climatico, uma coisa que outra em relacao a africa, e era isso.

aos que apelaram para a desobediencia civil, a resposta foi: ‘nem tentem’. a estrategia sempre foi a de evitar que qualquer manifestacao, como o ‘carnival for full enjoyment’, fosse possivel; e quando acontecesse, como o proprio ‘carnival’, que fosse uma desagradavel experiencia de queda-de-braco com a policia, enquanto eventualmente el@s apelariam para a forca primeiro, e no dia seguinte os jornais estampariam: ‘vandal@s’, ‘vagabund@s’, ‘criminos@s’.

essa eh a guerra ao terror: a concessao de arbitrio quase absoluto ao uso da forca policial, casada com um sistema judicial que ainda guarda algumas semelhancas com aquilo que se chamava ‘estado de direito’, mas que tem cada vez mais suas zonas de arbitrio. e a decisao de onde as zonas de arbitrio se aplicam eh, ela mesma, uma questao de arbitrio, baseada em presuncoes de potencialidade criminosa — ou seja, baseaveis em absolutamente nada. [mais em Dias de Dissenso]

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jul 07 2005

atentados em Londres

Categorias: mundoSuzana Gutierrez @ 11:20


No dia seguinte a festa ao anúncio das Olimpíadas 2012 em Londres, precisamente no dia de início da coneferência do G8.

contado por quem está lá >> Deives

E os blogueiros comentam:

Colaborativamente, no SmartMobs.

Denise

Lady A

Guardian Blogs

Tim Bray

Cory Doctorow

muita coisa no The Huffington Post

e mais:

Wikipedia

Technorati trackeando todas as tags “London

Imagens populares no Flickr

update >> utilidade pública, dica do Bicarato:
Itamaraty tem telefone para ajudar a localizar brasileiros Brasília – O Itamaraty informou há pouco que, até o início desta tarde, não há registro de brasileiros entre as vítimas do atentado terrorista ocorrido em Londres na manhã de hoje. Entretanto, o Ministério das Relações Exteriores colocou um telefone de plantão à disposição das pessoas que queiram obter informações sobre familiares.
O número é (61)3411-6978, ramal 206.

update >> Blogs ajudam a dinamizar a informação em Londres:
As explosões que atingiram três estações do metrô londrino quase tiraram do ar o website do London Underground .

Em uma estratégia para aguentar o alto volume de pessoas que estão acessando a página em busca de informações, o metrô mudou seu site passando para o formato blog.

Quem acessá-lo vai encontrar uma página bem leve, só com texto, sem imagens com informações dos incidentes que afetaram Londres nesta manhã (07/07) sendo atualizados no formato blog. [IDGNow]

Mais um update 9/7 >> A blogosfera segue comentando: Idelber; Raquel; Rafael; Roman Cada um do seu jeito, cada um da sua vista de um ponto.

Terrorismo para inglês ver >> na NovaE

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mar 18 2004

a montanha mágica

Categorias: leituras,livros,mundo,rastrosSuzana Gutierrez @ 17:01

Assim como as comunidades, de certa forma, moldam seu ambiente, o inverso acontece, também. Um determinado lugar, rotinas, práticas, similaridades e diferenças, um determinado tempo, temporalidades próprias, simultaneidades, anacronismos. Tudo é forma e dá forma para que se engendre um tipo de agregado humano.
Onde o tempo gravita em torno de refeições, curativos, tecnologias, estados e sensações, todos se acoplam em relações que têm outra lógica. Uma lógica que tem como centro a corporeidade, a fragilidade da vida, a indignidade da dor. Relações que geram solidariedades e põem em xeque identidades.
Cláudia hoje foi até a biblioteca do hospital, sem o jaleco, sem o estetoscópio, num outro papel. A camisola com bonecas pintadas na frente fazia ela parecer tão menina e tão frágil, empurrando aquele carrinho com o soro. Uma conexão estranha naqueles tubos todos. Um certo desamparo que transita no olhar.
Déia está fora de suas aulas de informática para crianças ‘especiais’. Em vez do computador, coletes reforçados e os pequenos dutos onde, de tanto em tanto, novas drogas são injetadas.
A comunidade, porém, se amolda aos coletes, aos dutos, agulhas e soros. E se une em pequenas solidariedades. Dividem presentes, comentam as visitas como se fossem de seres de outras terras, estranhos. O tempo da comunidade é outro, os fluxos atípicos.
O padre chega de pijama, ele mesmo num novo papel e senta para conversar. A turma de branco entra e sai atarefada. Aos poucos todos se conhecem. Os rituais se repetem, num tempo estranho, deslizante.
A montanha mágica vai enredando aos pouco. No espaço-tempo alterado, cada um é Hans Castorp à sua maneira.

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set 11 2003

11 de setembro, mas qual?

Categorias: mundo,política,visão de mundoSuzana Gutierrez @ 06:12

O de dois anos atrás ou o de vinte anos atrás? Por trás da destruição de vidas e sonhos subjazem razões muito parecidas. No site do Forum Social Mundial, outras palavras, outro movimento, outra comunicação.

.:: Inércia, inimigo fatal ::.

Num texto que continua atual, dez anos depois de escrito, Emir Sader resgata os traços essenciais da experiência de Allende e alerta: a esquerda que teme as rupturas está condenada a ser vã.

:: leia mais

:: leia, também

nota em 11 de setembro de 2009: infelizmente os links acima não existem mais.

:: recomendo este texto na Agência Carta Maior

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