jan 27 2010

FSM – Harvey e a transição anti-capitalista

Categorias: movimentos sociais,mundo,política,teoria,visão de mundoSuzana Gutierrez @ 16:20

Ontem assisti o primeiro debate da reunião de 10 anos do Forum Social Mundial.  Entre as participações enriquecedoras de Susan George, Paul Singer,  João Felício, foi a fala de David Harvey que mais me empolgou.  Harvey, nos últimos tempos vem trabalhando na perspectiva de organizar uma transição anti-capitalista e foi este, dentro do tema proposto para o debate – A Conjuntura Econômica Hoje – , o foco escolhido para a sua fala.

Marco Weissheimer sintetizou muito bem a maioria dos pontos abordados por Harvey, em especial, o que no meu enterder foi o cerne de sua exposição:

Não basta, portanto, denunciar a irracionalidade do capitalismo. É importante lembrar, assinala Harvey, o que a Marx e Engels apontaram no Manifesto Comunista a respeito das profundas mudanças que o capitalismo trouxe consigo: uma nova relação com a natureza, novas tecnologias, novas relações sociais, outro sistema de produção, mudanças profundas na vida cotidiana das pessoas e novos arranjos políticos institucionais. “Todos esses momentos viveram um processo de co-evolução. O movimento anti-capitalista tem que lutar em todas essas dimensões e não apenas em uma delas como muitos grupos fazem hoje. O grande fracasso do comunismo foi não conseguir manter em movimento todos esses processos. Fundamentalmente, a vida diária tem que mudar, as relações sociais têm que mudar”, defende. [ler na íntegra o artigo na Agência Carta Maior]

O que eu acrescentaria é que Harvey abordou o tema proposto de forma dialética, a partir da totalidade. Totalidade, como um todo concreto e relacional, constituído por múltiplas determinações e mediações históricas,  na qual as contradições  são o movimento que desenvolve a possibilidade de uma transição anti-capitalista dentro da atual conjuntura econômica mundial. Uma aula de método dialético e de marxismo.

Essencial a sua afirmação de que é inevitável chegarmos a um ponto de inflexão na história do capitalismo,  sem determinismos lineares, mas considerando a contradição entre os limites de possibilidade de expansão e a necessidade sistêmica da manutenção do crescimento. São estas oscilações quantitativas que determinam as mudanças qualitativas.

Harvey propõe uma teoria da transição que considera dialéticamente 7 momentos, fundamentados na análise de Marx sobre a transição do feudalismo para o capitalismo:

1 – as formas tecnológicas e organizacionais de produção, troca e consumo.

2 – a relação com a natureza

3 – as relações sociais entre as pessoas

4 – visões de mundo (ou concepções mentais do mundo) envolvendo o conhecimento, cultura e crenças.

5 – o processo de trabalho e produção de bens específicos, de serviços, de influências.

6 – os arranjos legais, intitucionais e governamentais.

7 – a direção da vida cotidiana que sustenta reprodução social.

A mudança será efetiva se for conjunta em todas estas frentes, que são  relacionadas. Eu acrescentaria, me valendo de Mészaros (O poder da ideologia), que é necessário assegurar continuidade na mudança e mudança na continuidade, além de pensar o imediato, como imediato estratégico, como transformação que não possa ser tomada ou revertida.

Assim, é importante que o FSM não seja um evento auto-contido no seu espaço tempo de realização, que seja avaliado constantemente, pela ressignificação de suas finalidades e objetivos.  Eu penso que um outro mundo é possível, mas estou consciente de que o caminho é importante e que o rumo deve ser continuamente conferido.

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nov 20 2009

Dia da Consciência Negra

Categorias: cultura,movimentos sociais,mundoSuzana Gutierrez @ 11:46

Os dias disso ou daquilo geralmente encobrem o permanente esquecimendo disso e daquilo. Servem, quando muito, para dar aquele empurrão no pensamento para, quem sabe, fazê-lo pegar no tranco.  Hoje, interrompo o meu relativo desaparecimento da blogosfera para lembrar de um professor meu que se foi.  Este dia em especial é um bom dia para lembrar do Prof. Oliveira, que toda a vida lutou para que dias como este fossem todos os dias. (ou não)

Um privilégio ter sido sua aluna. Ele era um poeta, doce pessoa que se expressava assim:

ENCONTREI MINHAS ORIGENS

Encontrei minhas origens
em velhos arquivos
……. livros
encontrei
em malditos objetos
troncos e grilhetas
encontrei minhas origens
no leste
no mar em imundos tumbeiros
encontrei
em doces palavras
…… cantos
em furiosos tambores
……. ritos
encontrei minhas origens
na cor de minha pele
nos lanhos de minha alma
em mim
em minha gente escura
em meus heróis altivos
encontrei
encontrei-as enfim
me encontrei

Oliveira Silveira
Roteiro dos Tantãs

)) uma trajetória de luta, exemplo de vida.

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jun 28 2009

#honduras

Categorias: movimentos sociais,política,tecnologiaSuzana Gutierrez @ 10:14


Achei mesmo a vocação do Twitter: a articulação agil dos movimentos sociais.

Quando @suzzinha divulga antes de @BreakingNews o sequestro dos embaixadores de Nicarágua, Cuba e Venezuela não significa que tenho informantes direto dentro de Honduras e, sim, que escolhi a Telesur como canal de notícias.

((@denisearcoverde lembrou-me da transmissão ao vivo, via Twitter))

Acompanhe a crise:

@TelesurTv

Site da Telesur

Rádio Globo de Honduras

)) foto: brincando :))

)) 16:15 +- #honduras não mais nos “trending topics” do Twitter. Quem está interessado em Honduras e suas mazelas? Me lembrei de Eduardo Galeano: “a rainha Vitória, enfurecida, pediu um mapa da América do Sul, riscou uma cruz sobre a Bolívia e sentenciou: “Bolívia não
existe.” Para o mundo, com efeito, a Bolívia não existia nem existiu depois” (de As veias abertas da América Latina).

)) 30/06 O Idelber assumiu o leme e está reunindo informação relevante e coerente sobre o golpe. (note-se que a midia brasileira só começou a chamar de golpe umas 24h depois, mesmo depois da manifestação de Lula)

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abr 22 2006

dia da Terra

Categorias: movimentos sociaisSuzana Gutierrez @ 09:22

como dia da Terra se é a Terra que faz os dias?


dia da terra, postada por suzzinha.

Acredite-se ou não que o Brasil foi descoberto hoje, aceite-se ou não a criação americana de um dia da Terra, o fato é que as borboletas estão sumindo. Assim, resolvi aderir ao chamado da Lucia, que invocou a parceria do Nós na Rede e aí vai a minha contribuição.

Eu cresci numa casa com quintal. Nada assim TerraVille, mas alguns poucos metros de chão que me ensinaram muita coisa sobre a natureza. No meu pátio havia rosas, dalias, gerberas, formigas, joaninhas, tatuzinhos e borboletas. Havia terra, minhocas, ervas daninhas e grama. E, sobretudo, a possibilidade de brincar e compreender a vida.

Hoje eu vi uma borboleta solitária aqui no meu latifúndio vertical. Ela voou entre as poucas flores e sumiu entre os espaços de terra que sobraram atrás dos edifícios. Eu lembrei das borboletas no jardim da minha casa de infância e comparei com a ausência de vida da cidade de hoje. Possivelmente meus netos só verão um tatuzinho em fotos e não terão a incrível sensação de vê-los caminhar com suas centenas de perninhas e se enrolar numa bolinha quando o nosso dedo curioso chega perto.

Mas a vida resiste, no fundo pátios dos edifícios, embaixo de vasos, nas frestas do pavimento e nos pequenos jardins que muitos de nós teimam em cultivar. E se não é todo dia que se pensa nisso, que seja hoje um dia de exercer esta teimosia.

Outros Nós da Rede:

Luiz Afonso
Lucia Malla
NCC
Leila Couceiro
Flavio Prada
Denise

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abr 04 2006

web 2.0 + movimentos sociais

Categorias: movimentos sociais,RSS,webSuzana Gutierrez @ 10:01

Parabéns pelo artigo, Julio.

Ele está coerente e bastante claro sobre os conceitos abordados. Eu acrescentaria uma dimensão a mais no que vem sendo chamado web 2.0, uma dimensão que vai além do aspecto social: a da possibilidade do movimento social. Hoje é possível tirar uma foto com um telefone celular comum e enviá-la para o Flickr com algum texto explicativo e tags, também. Ela será publicada imediatamente no Flickr e num blog do Blogger, que vai difundir esta matéria por rss. Com um pequeno esforço a mais podemos acrescentar-lhe tags da technorati e del.icio.us indexando a nossa matéria para o mundo.

Isso, ao alcance de cada vez mais pessoas, rompe com a forma tradicional de divulgação da notícia, transgride filtros e censuras. Neste sentido, a web 2.0 traz em si uma contradição que pode revolucionar o padrão capitalista no qual ela vem tentando ser fechada.

Abraço, Suzana

[Sobre “Web 2.0 (ou uma tentativa de)“]

por Suzana Gutierrez
http://www.ufrgs.br/tramse/gutierrez/
13/4/2006 às 10h01

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ago 01 2005

Blogar por liberdade

Categorias: blog,movimentos sociais,políticaSuzana Gutierrez @ 18:24

Para comemorar seus 15 anos, a EFF, que combate a censura e a vigilância na era digital, lança uma maratona de blogativismo
Rafael Evangelista

Não muito conhecida entre as organizações que apóiam os movimentos sociais, a EFF (Eletronic Frontier Foundation) é uma das ONGs que mais trabalho tem tido nestes tempos em que a vigilância e a censura são usadas com frequência sob o pretexto de combater o terrorismo. Liberdade de imprensa e de expressão, livre uso e redistribuição de conteúdos na internet e direitos de privacidade na era digital estão entre as principais preocupações da entidade. Governos autoritários e corporações gananciosas são seus principais inimigos.

No final de julho, a EFF completou 15 anos e, para comemorar a data e manter vivos seus objetivos, lançou entre seus ativistas o que chamou de blog-a-thon, ou seja, uma espécie de maratona blogueira pela liberdade no mundo digital. A idéia é fazer com que os ativistas ou simpatizantes da EFF, entre 19 de julho e 2 de agosto, escrevam sobre quando tiveram um “estalo” e perceberam que era preciso levantar a voz para defender seus “direitos digitais”.

Para facilitar a redação, a entidade sugere que os blogueiros digam “quando se decidiram a lutar pelo direito:

– de permanecer anônimo na rede;
– de usar da livre expressão;
– de fazer uso justo de obras sob direito autoral e uso ativo de obras sob domínio publico;
– de ter privacidade sobre os conteúdos que lê;
– de se ver livre da vigilância governamental;
– de mexer e melhorar equipamentos e máquinas;
– de estar livre para aprender sobre tecnologia e compartilhar conhecimentos”

Cada um desses relatos publicados em blogs e sites deve estar identificado com um pequeno selo que indica que o autor participa da campanha. Esse selo também serve para que os relatos sejam rastreados e seus link sejam agregados em um site. Alguns desses textos são bastante interessantes e mostram como as tentativas de restrição à comunicação e ao compartilhamento de cultura e conhecimentos afetam a vida de muitas pessoas.

>> leia mais

Publicado em http://www.planetaportoalegre.net/: 01/08/2005.
Obrigada, Elenara!

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jul 26 2005

Telesur – já começa o boicote

Categorias: midias,movimentos sociaisSuzana Gutierrez @ 13:53

Os donos da midia já começam a tentar calar a voz da diversidade:

Câmara dos Representantes dos EUA aprovou medida para enviar “sons e imagens especiais” à Venezuela, com o objetivo de “neutralizar” novo canal. No Brasil, TV Educativa do Paraná já transmite parte da programação. A justificativa foi a necessidade de contrapor o “anti-americanismo” do novo canal. … na Agência Carta Maior

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jul 24 2005

urgente e histórico ……………… telesur

Categorias: midias,movimentos sociaisSuzana Gutierrez @ 11:25

Pessoal, post urgente
Hoje é aniversário de Simon Bolívar e a rede Telesur está a mil!
Enfim achei o canal da NET brasileira – canal 59.
Chaves acaba de falar e as apresentações continuam. Presentes representantes sociais da América Latina e Caribe, inclusive Danny Glover.

Nosso Norte é o Sul!

depois eu posto :)) Vou assistir!

update: sobre a Telesur, dica da Elenara.
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jul 11 2005

G8 pela Dissent

Categorias: movimentos sociais,políticaSuzana Gutierrez @ 20:11

Ele voltou 🙂 E começou a contar:

pulo o dia 5, porque estava em glasgow, trancado em um apartamento, niveis de paranoia batendo no teto, montando a infoline para a qual as pessoas que estariam organizando os bloqueios no dia seguinte podiam ligar para ter informacao de como as coisas estavam correndo em outras partes. parece que foi bastante util na madrugada e na manha do dia 6; no tempo em que eu trabalhei nela (do meio-dia a meia-noite do dia 5) estava bem devagar.

depois de ter ironizado tanto a marcha organizada pelo g8 alternatives, conclui que a unica maneira de sair de glasgow e ir a um lugar onde haveria a chance de pelo menos acontecer alguma coisa era… pegar um onibus do ‘g8 alternatives’ e ir a gleneagles! achei que morreria de tedio, mas mal sabia eu. >> continua aqui
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