mar 29 2010

o espírito da colaboração

Categorias: colaboração,educação,educação física,esporte,visão de mundoSuzana Gutierrez @ 09:51

Nas minhas aulas as regras do jogo são desiguais. E, quando eu falo em jogo, não estou me referindo à qualquer interação social. Viver não é jogar. Jogo, na afirmativa acima é jogo mesmo: competição, recreativa, esportiva. E o adjetivo “esportiva” é essencial ao lado de “competição”, pois muda definitivamente o sentido usual do termo.

Nas minhas aulas as regras não são iguais para todos. Alunos novos, alunos com dificuldades motoras, alunos muito pequenos ou frágeis, alunos volumosos e lentos, alunos muito altos e fortes, ….. são alguns dos que podem ter de seguir regras diferentes.

Um exemplo prático: numa aula de volei para iniciantes em um 6º ano, os alunos menores e mais franzinos tendem a demorar mais tempo para conseguir sacar da zona de saque. Assim, na hora do jogo, todo o aluno sempre vai sacar de um local do qual consiga fazer a bola passar sobre a rede na maioria das tentativas. A regra do saque é: tente ir se aproximando da zona de saque.

Isso evita: – que o aluno force o movimento, sacrificando a técnica; – que o aluno se sinta inseguro na sua vez de sacar (geralmente há uma comoção quando é a vez do colega que ‘sempre erra’); – que o aluno falhe seguidamente, pontuando mais para o adversário do que para sua equipe; – que o jogo seja centrado no saque, como costuma acontecer em equipes iniciantes. Ninguém erra o saque no jogo e a grande competição na turma fica sendo: em quanto tempo toda a turma conseguirá sacar da zona de saque.

Regras desiguais para os desiguais não são algo prontamente aceito por pessoas que, desde que nascem, são treinadas para valorizar o fato de ultrapassar o outro e a cuidar de si e esquecer os demais. Neste sentido, a educação física traz momentos ótimos para que estes valores sejam reconsiderados e para que todos possam compreender o espírito da colaboração que está dentro da competição esportiva e pode se traduzir em solidariedade. Para confrontar o que está implícito nos outros tipos de competição e, também, para pensar as desigualdades e a forma como lidamos com isso em sociedade.

É nestas horas que aqueles pensamentos senso comum que muitos alunos já trazem para a escola: “o pobre é pobre porque não se esforça”, “todos tem igual oportunidade no vestibular”, … podem ser contestados e discutidos. Se pah, como eles dizem, podemos ampliar a discussão e falar em cotas, royalties do pré-sal, reforma agrária, …

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out 03 2009

Rio 2016

Categorias: Brasil,educação física,esporteSuzana Gutierrez @ 09:42

Rio 2016

Rio 2016

Só no final do meu treino de ontem, fiquei sabendo da vitória do Brasil na escolha da sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Não vi de perto (e nem de longe) as reações das pessoas e nada do processo que foi amplamente divulgado pelos meios de comunicação. Somente ontem à noite pude ver alguma coisa, já filtrada e mais ou menos repetitiva na televisão. Difícil não se emocionar ao ver as cenas da apresentação, a reação das pessoas, a promessa implícita de transformações que se insere em cada cena. Transformação e continuidade.

Agora seguem com mais vigor as reportagens, os debates, as defesas e os ataques e será possível viver esta experiência que, ao contrário dos arautos otimistas e pessimistas não tem futuro determinado. Eu gostei, com certa apreensão, mas gostei. Bah 🙂 não tem como não reconhecer o desafio e a oportunidade e nem como deixar de conviver com o medo neste processo. Mas, nisso, começar a pensar no que fazer para estar realmente dentro deste compromisso assumido. Um compromisso que vai muito além da realização de uma enorme competição esportiva.

E preciso reconhecer, também, a participação generosa e decisiva de Lula que, apesar do bombardeio de classe da nossa midia, foi essencial nesta vitória do Brasil.

Não tenho dúvidas de que o Brasil pode arcar com a realização dos jogos. Mas quero saber a favor de quem e contra quem vai fazer isso, como disse paulo Freire… E espero que possamos aproveitar a oportunidade de realmente tornar o esporte (a educação física) parte da vida de todos, num de seus espaços mais essenciais – a escola. Este aqui é um ponto polêmico e que, uma hora destas, vou abordar por aqui. E, também, o desafio de viver o esporte além do lazer e da guerra,  como movimento social.

Nos vídeos muito de utopia, em especial neste, mas, também, a inevitável emoção. Principalmente para quem acredita que a utopia não é só necessária, mas fundamental.

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set 28 2009

o consumo das midias pelos adolescentes

Categorias: educação física,esporte,internet,midias,ticSuzana Gutierrez @ 12:36

Estive passando os olhos sobre o Nielsen Report: How teens use media.  O uso fica mais perto de consumo, pois tem a ver com critérios quantitativos no uso de midias diversas. Assim, não espere saber como os adolescentes usam o email, mas quanto eles usam.

Me chamou a atenção as quantidades de uso da internet:

tempo médio na internet e aplicativos

tempo médio na internet e aplicativos

Gráfico 1

Destaque para o tempo de conexão dos adolescentes brasileiros, quase o dobro dos demais países.  Dá uma média de aproximadamente 1h:30min diárias. Venho observando que o tempo de permanência online é cada vez maior. Meus alunos, de um modo geral, estão ativos no MSN e \ou Orkut à partir das 14h. Minha observação (não sistemática) e o contato que tenho com eles me informa que o tempo online fica por volta de duas horas ou até mais, em média.

Gráfico 2

Além de quanto, os gráficos mostram onde o tempo é despendido. No segundo gráfico, este ‘onde’ está caracterizado segundo o país.  Os resultados, em relação ao Brasil, são coerentes com o que observo em meus alunos.  E, para a maioria dos países os sites mais acessados são os mesmos  Google\ MSN \ Youtube. Pensando em outros relatórios já apresentados, achei falta do Twitter e Facebook, especialmente o último. Porém, isso pode ser creditado à idade dos pesquisados: 12 a 17. Será?

É interessante observar as relações dos jovens com as midias, mesmo de forma informal como eu faço. Nota-se uma mudança que vem transformando o “brincar” das crianças, num movimento em que a atividade física e as manifestações culturais vão cedendo espaço para atividades nas quais aparatos eletro-eletrônicos-informaticos-… são centrais.

Há não muito tempo atrás, quando levava meus alunos numa competição, os intervalos entre os jogos eram preenchidos com conversa, brincadeiras físicas diversas, bate-bola. Posteriormente, foi a vez dos jogos tipo Truco, RPG, “baralhos e avatares” que, em seguida, começaram a dividir o espaço com os mp3 diversos. Atualmente, são os games e os smartphones cada vez mais sofisticados, isso que a maioria dos meus alunos não pertence a classes AB.

As atividades estão cada vez mais se individualizando. Junto com esta metamorfose do lazer, vem um aumento enorme na obesidade e sobrepeso infantil, nas dificuldades motoras: crianças que correm mal, que não conseguem transpor um muro, que não conseguem pular corda, nem arremessar e receber uma bola com naturalidade.

E, a grande contradição: por um lado, o desenvolvimento físico progressivo proporcionado pelo brincar e pelo esporte é abandonado, por outro lado, os corpos são mandados formatar nas academias perto do final da adolescência ou até antes.

Estas observações não são sistemáticas e nem se apoiam em nenhum protocolo\projeto de pesquisa. Todavia, em especial em relação às crianças e adolescentes, é essencial acompanhar (pesquisar) de forma crítica e cuidadosa estas transformações.

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jul 19 2009

100 !!! jeito de ser diferente :))))

Categorias: esporteSuzana Gutierrez @ 18:16


GRÊMIOOOOOOOOOOOOOOO
!!!!!!!!!!!!!!!

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fev 15 2009

# dulcora

Categorias: educação,esporte,política,ticSuzana Gutierrez @ 14:18

# Para pensar >> “A crise ainda não mostrou sua verdadeira face, mas as notícias do ressentimento de trabalhadores dos países da Europa Ocidental contra os que ocupam postos de trabalho por uma mísera remuneração são cada vez mais evidentes. É como fossem estes os culpados e não o capital em busca de maior rentabilidade. O aumento da intolerância dos governos com os imigrantes é o outro lado da moeda.” …. segue [Rall em Rumores da Crise]

# Brasil Olímpico – Uma candidatura passada a Limpo. – vídeos do especial da ESPN, no blog do Paulinho [via Laércio]

# Solução neokeynesiana e novo Bretton Woods são fantasiasEm entrevista à revista inglesa Socialist Review, István Mészàros, um dos principais pensadores marxistas da atualidade, analisa a crise econômica mundial e critica aqueles que apostam que ela será resolvida trazendo de volta as idéias keynesianas e a regulação. Orr e Ward entrevistam Istvan Mészáros para a Socialist Review – traduzido por Katarina Peixoto para a Agência Carta Maior

# Para conferir: Dossie Telos, na Revista Telos – TIC, educação, tecnologia, escola.

# Exterminem todos os brutos”: Gaza 2009 – O poder dos homens do Hamas permanece intacto, e a maior parte dos que sofreram em Gaza é de civis: um resultado positivo, segundo uma doutrina muito bem difundida, a do terrorismo de Estado. Noam Chomsky para a Agência Carta Maior

# Palestina Ocupada – entrevista de Idelber de Avelar para Jorge Conterrâneo, André Deak e Rodrigo Savazoni.

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dez 13 2008

O Gêmio, sim, é internacional

Categorias: esporteSuzana Gutierrez @ 09:47

A Cláudia mandou por email e quase não acreditei. Embora o Prision Break não seja assim aquela referência, aí está:


Gremio na Libertadores e Prison Break from Giovani Spagnolo on Vimeo.

referência: Helio Paz

* não é uma virada futebolística…

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dez 12 2008

Jingel bellsss

Categorias: brincadeira!,esporteSuzana Gutierrez @ 14:06

Viva o Grêmio :))

Para a Raquel que queria cartões de natal! :))

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dez 12 2008

Mazzzahhh, Grêmio!!!!

Categorias: esporteSuzana Gutierrez @ 11:04

imagem capturada da tela
Notícia quente lá do Portal do Grêmio:

A Estrela Grêmio está localizada na constelação de Órion, que pode ser vista de qualquer parte do mundo. Segundo a astrologia, Órion foi um caçador de proporções gigantescas. Localizado no pé do guerreiro, o astro representa a vitória do time contra o Hamburgo, em 11 de dezembro de 1983.

Essa é a primeira vez que algum time realiza uma ação do gênero. O hotsite comemorativo dos 25 anos, onde a estrela pode ser vista, pode ser visitado no endereço http://www.estrelagremio.com.br [leia mais]

Mais:

Globo Esporte

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set 28 2008

Grêmio ,,,

Categorias: esporteSuzana Gutierrez @ 16:23

Minha vó deve estar dando voltas no túmulo. Ela que se tornou uma expert em futebol (especialmente no Grêmio) depois que deixou de andar. Ela sabia tudo sobre os jogos, tudo o que vinha sendo falado em todas as ‘salas de redação’ da vida.

Quem tinha sido contratado ou dispensado, quais as principais alterações no plantel, qual o técnico incensado, qual o que caiu em desgraça. Era sentar do lado da cama dela e perguntar. Lá vinha a crônica desportiva de primeira.

Ainda bem que ela foi poupada de presenciar o que se viu hoje no campo. Impossível achar alguma coisa para elogiar. Festival de passes errados, indecisão no ataque, uma equipe que ficou trancada numa retranca (!) quando estavam perdendo por 3 gols!

Haja paciência! Ver um jogador que LEVA uma falta anti-desportiva e revida ao invés de esperar a expulsão do outro. E aquele mocorongo que NÃO se esparrama no chão quando o goleiro do Inter empurrou – penalti claro!

4 x 1 – isso é histórico…

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abr 19 2008

semana que vai \ semana que vem

Categorias: basquete,cmpa,educação,educação física,esporteSuzana Gutierrez @ 03:16

Arcadas

as arcadas

A roda gira com cada vez mais velocidade e as possibilidades de ao menos refletir um pouco sobre o que se está fazendo se esgotam na inelutável dança das horas.

Minhas atuais prioridades são o projeto de doutorado e o meu trabalho, subordinadas apenas as coisas da família que precisem realmente da minha atenção. Ou as coisas da vida, pior…, da não-vida, as que sou obrigada a atender. Dizem que inevitáveis só a morte e os impostos. A morte eu fico na esperança de adiar. Já os impostos… levam parte da minha criatividade ao tentar, todos os anos com renovada esperança, deixá-los num patamar menos lesivo à minha saúde física e mental.

Esta semana foi de organizar os Jogos que serão o foco da semana que vem no colégio. De terça à sexta aquela gurisada vai rir, chorar, correr muito, gritar muito nos ossos ouvidos e se divertir! Assim esperamos e assim estamos nos organizando, para que a competição seja muito mais que uma disputa 🙂

Eu sou responsável junto com outra colega pelas competições de basquete. Vou auxiliar no atletismo comandando a equipe de apuração e auxiliar na apuração geral. Ao todo, a gurisada vai se divertir competindo em basquete, volei, futebol, handebol, futsal, xadrez, atletismo, corrida rústica, esgrima, karate, caçador (ou queimada, para os menores), barra, e teremos a tradicional Corrida das Arcadas.

Para quem não conhece o Colégio Militar, ele é um prédio que ocupa um quarteirão, construído como um forte, à volta de um pátio central grande. Toda a face interna do colégio é cercada por uma varanda com arcadas (foto). Nos Jogos Internos, descobrimos quem é o aluno mais rápido do colégio, aquele e aquela que dá a volta nas arcadas mais rápido. Não temos um relógio para soar doze badaladas marcando o ritmo da corrida, mas é emocionante a torcida de todas as seções assistindo os corredores passarem. Depois, rumo ao hall da fama, que fica na sala dos troféus, junto à biblioteca. Lá as plaquinhas e fotos imortalizando os campeões e campeãs desta tradicional prova.

passagem do comandoEsta semana foi também a hora de conhecer um novo comandante para o colégio. Nosso comandante virou general e vai seguir sua carreira em outras paragens. Sorte dos seus novos comandados, pois penso que ele é disparado o melhor general do exército brasileiro. Raras são as pessoas que unem uma grande capacidade profissional com um grande potencial como pessoa humana.

Ao novo comandante 🙂 a nossa cautela e esperança. Ele tem um ótimo exemplo a seguir, o que já facilita um pouquinho a tarefa de assumir um barco que está andando. Vamos ver como ele torce nos jogos internos :))

Esta semana ainda repercute no colégio o bom desempenho de nossos alunos no ENEM. Na minha opinião, o ENEM não serve para avaliar as escolas já que para qualquer número de alunos concluintes de uma escola, 10 podem representar a escola no ENEM e, respeitado este mínimo, a estatística não faz diferença se apenas 10% dos alunos de uma escola fizeram a prova contra os 90% de outra que fizeram.

Claro que as escolas que mandam apenas os seus 10 melhores alunos têm vantagem nas médias. As escolas públicas, nas quais os alunos precisam fazer o ENEM para ter chance de alguma bolsa nas Universidades particulares têm maior percentual de alunos fazendo o ENEM e, por isso, possibilidade de ter média mais baixa.

Ainda assim, o Colégio Militar foi muito bem no ENEM. A maioria das reportagens salienta os aspectos militares, disciplinares e algumas regras especiais no funcionamento da escola. Porém, é necessário se destacar a formação dos professores: a maioria civis e concursados, quase todos com pós-graduação, quase a metade com mestrado\doutorado. E todos lutando para continuar com a mesma carreira dos demais professores federais, até porque não tem sentido ganharmos MENOS do que os professores de escolas do MEC que ficaram atrás dos Colégios Militares no ENEM. Se, para melhorar as estatísticas dos colégios públicos os Colégios Militares são bem vindos, o tratamento dos seus profissionais, que são os responsáveis por esta excelência, deveria ser, no mínimo, o mesmo que o dos demais profissionais que atuam em escolas federais.

E entre lutas e coisas boas a semana encerrou com um ótimo treino de basquete e uma lua linda no céu.

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jan 07 2008

inter x inter de milão

Categorias: esporteSuzana Gutierrez @ 15:27


ai ai ai 🙁

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ago 23 2007

por aí

Categorias: basquete,cmpa,educação,esporte,rastrosSuzana Gutierrez @ 06:40

Dias cheios, alguns feios, outros bonitos, mas a maioria super movimentados. Competições, eventos do colégio, avaliações, correria.Quase tudo coisas boas.

E eu andei:

No estudantil da Paquetá, provando que algumas derrotas valem mais que vitórias. E em outros jogos e congressos técnicos.

No CMPA, Lugar e Ambiente:



Nas apresentações dos Trabalhos Interdisciplinares. (depois eu falo disso) Um ponto de destaque é o jeito militar de apresentar os trabalhos.

e … treinando, treinando, treinando:

E a gripe? … Vai super bem. Fez aniversário sexta-feira e segue forte e firme apesardos Tylenols da vida.

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ago 11 2007

Basquete… update!

Categorias: basquete,cmpa,esporteSuzana Gutierrez @ 16:34

* Colégio Farroupilha, 14 h.

Na foto, a representação do Colégio Militar desfilando na abertura do 7º Estudantil Paquetá Esportes – Adidas. As equipes de basquete masculino e volei feminino. O basquete cansado, mas feliz após vencer o nosso primeiro jogo na chave A. [ detalhes]

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ago 11 2007

semana de basquete!

Categorias: basquete,cmpa,educação,esporteSuzana Gutierrez @ 04:47

No sentido literal do termo. Entramos agosto com várias competições iniciando e outras tantas continuando. Os JERGS – Jogos Escolares do Rio Grande do Sul – tiveram o congresso técnico na segunda-feira e, ontem foram os jogos da etapa de Porto Alegre para as categorias Infantil e Mirim masculino e Juvenil Feminino.

Eu treino todas as categorias masculinas e andei na maior correria toda a semana, organizando inscrições , documentos e treinos. Isso porque, além dos JERGS, já estamos por recomeçar os Jogos Abertos da Prefeitura de Porto Alegre e está rolando o 7º Estudantil Paquetá Esportes – Adidas*. (estou postando antes de sair para mais um jogo deste último)

Mas a fala era sobre ontem 🙂

O JERGS é uma competição gigante, com fase municipal, regional e estadual em diversas modalidades. Competem as escolas públicas de todo o estado. Logo, a maioria são equipes treinadas por professores fora (além) de suas aulas normais. Como falei anteriormente: o esporte na escola depende da doação do professor e dos alunos (e dos poucos administradores escolares que dão valor ao esporte)
Aliás, este ano quase que os JERGS não saem, pois o governo estava por cortar o que ele entende como supérfluo, a única competição esportiva para as escolas do estado.

Ontem vi coisas incríveis e que valorizam cada minuto que eu dedico aos meus alunos e ao esporte. Meninos (e famílias) de escolas carentes e da periferia se organizando para comprar a camiseta do time. Muitos professores bancando as passagens e o lanche para que seus alunos pudessem participar.

Esta não é a realidade do Colégio Militar (e de outras escolas federais), pois mesmo sendo uma escola pública, tratam e valorizam a educação em sua totalidade. Fomos jogar com transporte, uniforme e lanche e os meus treinos são contados como aulas. Mesmo com dificuldades, as escolas federais ainda priorizam os seus alunos. E o Colégio Militar, especialmente, valoriza muito as atividades físicas como componente essencial da educação.

>> foto ruinzinha do meu celular de meio pixel. mas pegou bem a alegria dos meus guris que venceram a etapa Porto Alegre e vão disputar a etapa regional do JERGS.

Mas, foi muito legal ver toda aquela gurisada jogando, entusiasmados, vibrantes. Passamos o dia em jogos. Meu Infantil venceu a competição (detalhes amanhã na página do basquete) eo Mirim ficou em segundo lugar, após um sensacional empate entre três equipes 🙂

Agora, a técnica campeã, rouca e gripada, vai pegar suas tralhas para ir para mais um jogo. Desta vez dos meus grandões.

* nem ponho o link porque a página é uma daquelas em flash (e outros tantos scripts) e cheia de inutilidades que exapera qualquer um que entre lá querendo alguma informação.

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jul 15 2007

O Pan e o Esporte na Escola II

Categorias: basquete,educação,esporteSuzana Gutierrez @ 04:51

Ontem comecei uma conversa sobre o Pan e o Esporte na escola, mas parei na metade e não consegui retomar. Por vários motivos…

Bem na horinha da minha postagem estava iniciando na tv o jogo Brasil x Lituânia do Mundial Sub 19 de Basquete. Depois, começou a programação do Pan e eu zapeando em todos os canais disponíveis. Vamos combinar que as redes de televisão se puxam sempre que podem “capitalizar” em cima daquilo que nunca tem capital.

Resultado: não terminei o assunto.

Pulando a parte onde eu poderia continuar falando da falta das condições de trabalho nas escolas : falta de material, de estrutura, de espaço físico e até político para o esporte, mesmo nas escolas mais privilegiadas em termos de verbas (as particulares e algumas federais e municipais), vou falar mais especificamente sobre o professor.

O professor, em qualquer escola é contratado para dar aulas. Nas escolas particulares ele ganha por aula dada, nas escolas públicas ganha por 20 / 40 horas e, geralmente, trabalha mais que as 20 / 40 h. (em geral, não se conta no salário e nem no tempo de trabalho do professor o que ele trabalha corrigindo provas, preparando aulas, levando equipes para competir, peleando atrás de patrocínios, inscrições, congressos técnicos).

E, na maioria das escolas, o esporte é considerado atividade extra-classe, que parte do interesse do professor e dos alunos, à qual é dada alguma atenção (com sorte até financeira) se produzir para a escola algum ganho (escolinhas pagas, propaganda etc.) Porém, não existe uma política de esportes na maioria das escolas.

Minto… Em algumas existe: destinar uma parte dos lucros para dar bolsas à atletas formados em clubes e que defenderão o nome da escola em competições onde o aluno que treina somente na escola tem pouco espaço.

Nas escolas estaduais, municipais, os professores treinam equipes por sua conta, além (e fora) dos horários de seu contrato. Um trabalho que se ampara somente na paixão, no ideal, na dedicação. E, portanto, sujeito a desaparecer quando o desencanto se torna maior que o encanto.

Nas primeiras séries do ensino fundamental, nas quais a formação de habilidades motoras é essencial, não há educação física, na maioria das escolas. Existe o que se chama dar a bola, pois, até em algumas escolas particulares, a educação física fica a cargo do mesmo professor que atende os outros conteúdos. Este professor não está preparado para isso, pois nos currículos dos cursos de pedagogia de séries iniciais a educação física, se existir, não é trabalhada com vistas à formação daquele professor para dar aulas (mesmo) de educação física.

As primeiras séries do ensino fundamental são um momento muito importante na formação dos alunos, no qual as atividades físicas deveriam ser muito incentivadas, e isso significa colocar professores especializados (pelo menos professores graduados em educação física).

Esta retirada do professor de educação física das séries iniciais, em nome de um estelionato salarial chamado unidocência, mostra todas as suas conseqüências quando estes alunos chegam à 5ª série imensamente sedentários, sem saber jogar e segurar uma bola (qualquer uma), sem saber pular corda, sem saber (e ter fôlego para) correr com desenvoltura e já possuidores de desvios de coluna …

Neste quadro, inexiste o que se poderia chamar de uma formação pelo e para o esporte na escola. O que fazer para mudar? Bom, … isso é assunto para depois… Primeiro, vou esperar a crítica 🙂

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