mai 05 2009

A sala de Aula reinventada – A REDE

Categorias: blog,educação,suzana gutierrezSuzana Gutierrez @ 06:04

No meu entender reinventar a sala de aula não quer dizer esquecer todas as nossas experiências, lançá-las num limbo pedagógico a espera de uma reinvenção futura. Reinventar a escola parte de conhecer o seu contexto e sua história, saber que o novo traz em si, indeléveis, as marcas daquilo que já foi.

Um movimento de reinvenção é, assim, dialético, consciente das contradições, aprendendo e compreendendo que todo o desafio é oportunidade e não obstáculo.

Porém, este título é da matéria de Aurea Lopes para a Revista A Rede. Com muita satisfação fiz parte da equipe entrevistada para a construção deste tema, juntamente com o Sérgio Lima, a Sonia Bertochi, Ana Carmen Foschini, Betina Von Staa.

Falamos de blogs e de novas experiências em sala de aula, dos desafios e das possibilidades de ousar inovar.

Para o professor é muito importante discutir suas práticas, receber a consideração e as críticas de seus pares sobre o trabalho realizado.

Gostei muito de fazer parte desta matéria e trazer um pouco das aventuras iniciais do Colégio Militar de Porto Alegre no mundo dos blogs e da educação em rede online.

* a imagem é da Revista e ilustra a matéria.

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mai 04 2009

Redes sociais e Educação

Categorias: blog,educação,redes sociais,suzana gutierrezSuzana Gutierrez @ 16:15

Saiu no portal Conexão Professor um especial sobre Redes Sociais. Participei em algumas partes da matéria, em especial nas redes sociais e educação e nos blogs.

Blogosfera: um universo a ser explorado pela educação

Redes sociais e Educação: construindo, juntas, o futuro

A matéria construída por Luiz Eduardo Queiroz é bastante abrangente e trata de diversos assuntos que rodeiam o tema das redes sociais. Presentes, também, neste especial: Raquel Recuero, Carlos Nepomuceno, Sérgio Lima, Lilian Sarobinas, entre outros professores e pesquisadores.

Link para o início do especial:

Especial Redes Sociais

* a imagem é do portal e ilustra a matéria.

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mai 01 2009

dia do trabalho – dia do trabalhador

Categorias: educação,trabalhoSuzana Gutierrez @ 05:11


foto dos trabalhadores almoçando sentados em uma viga durante a construção do edifício RCA em 1932, de C. Ebbets.

O incremento da produção, das ciências, das técnicas revela necessidades e capacidades desconhecidas, faz refletir um espectro suntuoso de gostos, de criações, de diferenças; mas a reificação e a alienação fazem da humanidade uma plebe perplexa diante do espetáculo de seus próprios fetiches. A produtividade aumentada do trabalho libera tempo para a criatividade individual e coletiva, propícia a novas formas de convívio e lucidez; mas a medida ‘miserável’ de qualquer riqueza e de qualquer troca pelo tempo de trabalho abstrato transforma a incrível liberação potencial em desemprego, em exclusões, em miséria física e moral. (BENSAÏD, 1999, p. 99)

Vivemos uma época de sucessivas transformações sócio-culturais, dentro de um contexto de aceleração crescente que se reflete em todos os aspectos da vida humana, reconfigurando radicalmente as relações sociais.

Este processo atinge de forma especial o trabalho e as práticas cotidianas e provoca a necessidade de reorganização e de novas abordagens. A tecnologia é proposta como opção para facilitar e diminuir o nosso trabalho, porém nunca se trabalhou tanto e em tão inseguras condições como atualmente. A globalização e o desenvolvimento técnico-científico são, neste sentido, ambivalentes e contraditórios.

Se não houvesse, em grande parte, por trás do desenvolvimento tecnológico uma busca frenética por lucros cada vez maiores, num esquema de guerra onde a vida e a ética são colocadas em segundo plano, os aspectos positivos da ciência e da tecnologia, seriam em maior número, maior abrangência e direcionados segundo melhores critérios. Teríamos erradicado a maioria das doenças e não inventado a guerra bacteriológica. Teríamos alimentos em abundância sem correr o risco dos transgênicos e das imensas granjas industriais . Teríamos tempo livre para todos e não teríamos desemprego e exploração.

E teríamos, realmente, trabalho.


Antes de tudo, o trabalho é um processo de que participam o homem e a natureza, processo em que o ser humano com sua própria ação impulsiona, regula e controla seu intercâmbio material com a natureza. Defronta-se com a natureza como uma de suas forças. Põe em movimento as forças naturais de seu corpo, braços e pernas, cabeça e mãos, a fim de apropriar-se dos recursos da natureza, imprimindo-lhes forma útil à vida humana. Atuando assim sobre a natureza externa e modificando-a, ao mesmo tempo modifica sua própria natureza. [...] Uma aranha executa operações semelhantes às do tecelão, e a abelha supera mais de um arquiteto ao construir sua colméia. Mas o que distingue o pior arquiteto da melhor abelha é que ele figura na mente sua construção antes de transformá-la em realidade. No fim do processo do trabalho aparece um resultado que já existia antes idealmente na imaginação do trabalhador. (MARX ; ENGELS, 2002)

Sem a medida miserável do tempo de trabalho.


Mas de nada adianta: burgueses que se empanturram, domésticos mais numerosos que a classe produtiva, nações estrangeiras e bárbaras abarrotadas de mercadorias européias. Nada disso faz escoar as montanhas de produtos que se acumulam, maiores que as pirâmides do Egito: a produtividade dos operários europeus desafia qualquer consumo ou desperdício. Os industriais, aflitos, não sabem mais a quem apelar, não conseguem mais encontrar matérias-primas para satisfazer a paixão desordenada e depravada de seus operários pelo trabalho. (LAFARGUE, 2000, p. 167)

Lafargue aponta de forma irônica e certeira a lógica que move o capital, que no século XIX dominava e explorava pela fome e pela miséria e que atualmente domina e explora pela cultura e pela ideologia. Hoje, as ‘nações bárbaras’ são as filiais produtoras das montanhas de mercadorias, cuja dança continua.

E a saída? Gramsci ensina que só se pode prever a luta. Bensaïd (1999) aponta a saída de Marx que envolve uma redefinição dos critérios do progresso, a consideração de critérios que priorizem o enriquecimento do indivíduo e da espécie, que suprimam o trabalho alienado e que valorizem as relações entre as pessoas.

À nós cabe resistir em nossos espaços de educação e trabalho. Uma resitência consciente, a partir da consideração do trabalho e da educação como direito e bem humano e não como mais uma mercadoria.

—–

BENSAÏD, Daniel. Marx, o intempestivo : grandezas e misérias de uma aventura crítica (séculos XIX e XX). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999. 512p.

LAFARGUE, Paul. O Direito ao Ócio In: DE MASI, Domenico (org.) A Economia do Ócio. Rio de Janeiro: Sextante, 2001. 183p.

MARX, Karl. O Capital 23 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006. livro I vol. 1

* uma revisitação a este texto.

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abr 25 2009

ainda a escola e a escola na rede…

Categorias: educação,redes sociaisSuzana Gutierrez @ 06:28

Não sei quanto à vocês, mas eu adoro trabalhar na minha escola. E, nas escolas/universidades nas quais trabalhei, somente de uma eu não gostei. Nestes lugares, encontrei de tudo, gente comprometida, gente alienada, gente consciente, gente descompromissada, gente boa e gente falcatrua.

Mas, mesmo naquela que não gostei de trabalhar, a maioria das pessoas estavam no lado bom da força: comprometidas, honestas, parceiras, .. Porém, a maioria não muito consciente. E isso não é defeito, é circunstância. Somos todos conscientes de algumas coisas e não conscientes de outras. Ler o mundo é um aprendizado constante.

Nos últimos tempos, eu tenho dosado o meu natural otimismo com um exercício consciente de algum pessimismo estratégico. Nestas, procuro ver além da aparência das coisas. Sigo Paulo Freire e me pergunto sempre: a favor de quem (ou de quê), contra quem (ou o quê)?

Assim, é preciso ver nestas ações de culpabilizar a escola, os professores, os alunos pelas mazelas da educação, aquilo que é a essência deste movimento. A inserção cada vez maior de formatos derivados da sociedade das mercadorias na constituição da escola, na sua direção e organização. Um movimento que segue aquela lógica de desmontar o que é público e suportar com dinheiro público aquilo que é privado.

Estamos todos (inclusive a educação) incluídos (até digitalmente) num sistema autofágico que anula o nosso espaço pela aceleração do tempo. (a mercadoria tem que girar e os mercados não dormem). Um sistema que reproduzimos e que recria um mundo que, em sua plenitude, destina-se a não mais que 20% dos seres humanos (estou sendo otimista). Um sistema para o qual os 80% restantes só tem importância se servem de engrenagem para o sistema.

E a educação é constrangida a ser apenas uma alavanca para uma possibilidade cada vez mais remota do sujeito sair dos 80 e passar para o seleto grupo dos 20%. A educação deixa de ser formação para ser ferramenta. É por aí que, se a ferramenta não serve ao propósito, ela é abandonada.

E é isso que nos incomoda, que nos faz olhar constrangidos para nossos alunos. É isso que nos faz perguntar incessantemente qual é a saída.

Eu penso que uma possibilidade de saída está na ativação, na vivência, na participação engajada nas redes sociais nas quais estamos inseridos e onde podemos nos inserir. Na totalidade de nossas redes on e off-line (olhem o meu grafinho tosco da entrada anterior).

Sobretudo nas redes sociais online que vieram para ajudar as nossas tão sacrificadas redes offline, desmontadas por esta aceleração do tempo. Porque houveram espaços de vida que nos foram (e continuam sendo) progressivamente roubados. Hoje, não conhecemos os vizinhos, não almoçamos em casa (quando almoçamos!). Professores dão aulas em 3 turnos. Aulas que “pescam” apressadamente/desarticuladamente da cabeça ou roubam do tempo que seria dedicado a família e ao descanço.

Aprender a lidar com a tecnologia, usá-la educacionalmente é uma demanda (um imperativo até) dos orgãos internacionais (Banco Mundial, Unesco que ditam a política educacional aos países empobrecidos – plenamente assegurada pelos nossos subsumidos -, para que continuem servindo ao que se espera deles,). É também uma coisa legal, porque as tecnologias da informação e da comunicação possibilitam espaços por onde se pode transcender e transgredir esta apropriação utilitária que nos propõem.

Então, vamos aproveitar isso. Mas de forma consciente, procurando compreender o que está em jogo quando os governos estaduais fazem acordos de formação com a Microsoft, por exemplo. Quando os governos assinam revistas de quem até pouco tempo vendia pacotes instrucionais para as escolas. Procuremos compreender, também, que o que construímos e damos gratuitamente com nossa colaboração pode e vai ser apropriado privadamente, ou vai dar conteúdo e movimento para empresas que vivem deste “poder do usuário”.

Por isso eu advogo um certo pessimismo estratégico, um pé atrás alternativo. Vamos construir a rede, a nossa formação na rede e as nossas ações, nos nossos termos. E uma primeira ação prática e individual poderia ser um movimento para o social:

  • escolhe uns dez blogs de professores que gostaria de acompanhar (mesmo!)
  • adiciona-os ao agregador de conteúdo (google reader é intereessante, mesmo considerando o monopólio da atenção)
  • acompanha (mesmo!) os blogs: leia, comente, plique, replique, complique.
  • compartilha com tua rede de contados aquilo que achar digno de nota.
  • reforça com comentários e indicações aquilo que compartilharem contigo
  • aponta as contradições sempre
Aliás, vale, sobretudo, sermos conscientes de nossas contradições:

O Brasil é um país em quea independência ante Portugal foi proclamada por um português, a República foi proclamada por um monarquista, o mais radical movimento igualitário foi liderado por um pregador moralizante e religioso,a Revolução Burguesa foi feita pelas oligarquias,a eleição republicana-moderna (1930) teve sufrágio mais restrito que a eleição monárquica-imperial (1821),o mais ilustre gesto de um presidente foi um suicídio,o racismo é encoberto por um termo (‘democracia racial’) inaugurado em público pelo maior líder do movimento negro,a subvenção pública e a estatização floresceram na ditadura de direita,a redemocratização foi presidida por um homem da própria ditadura,a discriminação racial é mais visivelmente proibida justo no lugar onde ela mais obviamente se manifesta,só se removeu por corrupção o presidente cuja única plataforma eleitoral era varrê-la,a maior privatização foi feita pelo príncipe da sociologia terceiromundista e esquerdizante, a universalização do capitalismo e o auge dos lucros bancários se dão sob o líder sindical que fundou um partido socialista e ….numa Praça Tiradentes não há estátua de Tiradentes, mas de D. Pedro I, neto da Dona Maria que ordenara a morte do alferes. Essa incongruência não diz algo sobre o que somos? [...] Mesmo que Tom Jobim não tivesse feito mais nada, só pela frase o Brasil não é para principiantes ele já mereceria nossa memória.(Idelber Avelar)

Recomendo, para aprofundar algumas destas inquietações ou trazer outras:

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abr 24 2009

a escola forma para o passado ou para o futuro?

Categorias: educação,redes sociaisSuzana Gutierrez @ 05:40

O assunto saiu nas listas em resposta às provocações que volta e meia nos fazemos. Culminou com a proposta do Robson Freire aos participantes das listas blogs_educativos e da edublogosfera de uma blogagem coletiva sobre o tema.

O pessoal vem atendendo ao chamado e interessantes reflexões vão pipocando e mobilizando. Comentadas, reenviadas por email, lidas, compartilhadas e comentadas nos leitores de conteúdo, vão retecendo a rede.

E aqui, meio atrasada, vai a minha contribuição inicial:

É possível pensar que a escola inevitavelmente forma para o futuro, nem que seja um futuro bem imediato, aquele que vem logo depois de uma “explicação” do professor. Pelo menos enquanto as viagens no tempo e a volta para o passado estiverem apenas no âmbito da ficção ou dos nossos sonhos. É o futuro que temos diante de nós.

O que pode acontecer é que esta parte da formação humana, na qual a escola têm algumas responsabilidades, seja mais adequada a quem teria, no futuro, experiências/possibilidades/problemas que já aconteceram num passado mais ou menos remoto de alguém. Uma formação para coisas que provavelmente não se repetirão.

O que é inelutável é que nos “formamos”, com ou sem ou, ainda, apesar da escola. Assim, se a escola (do jeito que ela é) não é inocente, certamente não é, também, a dona de toda a culpa da nossa inadequação (será?) ao nosso tempo.

Agora… falar deste jeito da escola ou de qualquer instituição humana é como falar do povo enquanto nos incluímos confortavelmente fora dele.

Para começar, o que é e quem é a escola?
Um conjunto instituído e instituinte de relações sociais que emana de um contexto de práticas sociais, culturais e políticas.

Assim como a realidade social, a escola é obra de nossas mãos. É histórica e, portanto, não é fixa e nem imutável. Ela é parte da prática social humana.

Ah… é dura de mexer… lá isso é. Em alguns momentos, isso pode ser até uma virtude. Afinal, a educação não deve ser campo para testes descompromissados.

Eu penso que a escola não forma para o passado, nem para o futuro e nem para o presente. No espaço que lhe cabe, a escola constrói o futuro, assim como construiu o passado e está construindo o presente. Aliás, quando ela modifica o presente, altera o futuro e , dialeticamente reconstrói o passado.

Este mundo que aí está é o resultado sempre provisório de nossa prática social e a escola é parte disso. É obra nossa na construção do futuro. E este nós significa a humanidade e não apenas aqueles que estão numa ou outra escola ou que atuam de alguma forma na educação, embora estes tenham mais possibilidades de influir (ou fluir) nesta construção.

Cada pequena coisa que fazemos ou que deixamos de fazer é parte da construção da realidade social.

A escola não é algo isolado que eu possa simplesmente e linearmente criticar. Toda a crítica aqui será sempre auto-crítica. Neste sentido, transformar a educação e a escola inicia pela compreensão deste nosso imenso envolvimento e pela consciência das possibilidades e das consequências de nossas pequenas e cotidianas ações e omissões.

Uma das formas de exercitar este consciente potencial transformador é fazer justamente o que estamos fazendo: publicar as nossas conversas, refletir socialmente, alimentar a rede, partilhar o caminho das pedras.

Quem mais escreveu?

Robson :: Elis :: Miriam :: Jenny :: Suely :: Elaine :: Franz :: Sérgio :: Tatiane

E, por último, uma provocação:

Um texto antigo para refletir

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abr 12 2009

ainda a criatividade na escola

Categorias: educaçãoSuzana Gutierrez @ 04:48

equipePensar em criatividade é considerar novas, artesanais, espertas, inteligentes, oportunistas, etc e tal maneiras de fazer alguma coisa, resolver um problema, criar algo que não existe. Poucas coisas dão mais prazer do que ser criativo em algum momento necessário.

Assim, o que acontece na escola (vide a entrada anterior) não mata a criatividade, mas restringe muito o seu espaço. A educação é o local das coisas esperadas e previstas: espera-se receber um determinado aluno e espera-se devolver este aluno, ao fim do previsto processo escolar, com um determinado conjunto de experiências, conhecimentos e as tão faladas “competências e habilidades”.

A maior parte dos dissabores escolares estão nas tentativas de ‘conformar’ os alunos que fogem ao padrão esperado ou evitar que eles ‘atrapalhem’ a ‘normal’ evolução dos demais nos processos planejados. É por aqui que se desencoraja a criatividade.

Nunca assistiu isso?
Experimente, então, saber algo antes de lhe ser ensinado, interpretar algum fato social além da linearidade de alguns livros didáticos ou resolver algum problema matemático de forma diferente da ensinada. E, pior…, questione a importância de decorar algumas das coisas pedidas nas provas.

Professor, experimente não ensinar e, sim, aprender junto, embora isso leve mais tempo. Ou tente uma nova forma de trabalhar um conteúdo, mesmo que possa errar na sua avaliação sobre as possibilidades da nova metodologia.

Aluno, experimente aprender qualquer coisa que não está na “lista de conteúdos”. Qualquer coisa fora da lista é desconsiderada como aprendizagem. E pense que a tal lista, embora inclua educação física e artes, estas não estão no mesmo patamar de relevância.

(Falando em relevância: o que é mais importante saber? os nomes das luas de Júpiter ou os nomes das renas do Papai Noel?)

Se o aluno, jogando basquete, aprende a pensar rápido e tomar decisões em segundos, isso nem sequer é conhecido (muito menos compreendido) pela escola. (embora pensar e tomar decisões rápidas seja uma boa coisa, quando não se sabe como vai ser o mundo daqui a 5 anos)

Porém, se todo o processo está programado e previsto dentro de um certo conceito do que é importante e o que não é¹, cadê o espaço para a criatividade? Ou, cadê o espaço para ser diferente do padrão?

E o que falei acima pode ser estendido para os professores, administradores. Há um programa para eles, também. E este programa atende ao que? Possivelmente a alguma “necessidade” imediata que não vai mais existir no futuro.

Incrivelmente, estes programas são planejados e incentivados, também, pelos próprios programados… (isto é, nós mesmos…) E tendem a se cristalizar e ter vida própria na educação. Tornam-se dogmas e não podem nem ser questionados.

O vestibular, por exemplo, que é o farol que ilumina todos os planejamentos da escola, será que ele seleciona os melhores candidatos a serem médicos (ou professores ou administradores ou …) ? Ou seleciona classifica aqueles que sabem mais quantidade de conteúdos do ensino fundamental e médio (incluindo, quem sabe, as luas de júpiter e as renas do papai noel)?

Não é a toa que estudantes que entram por cotas vão bem na universidade, pois eles, e uma outra enorme quantidade de estudantes, estão aptos a cursar a universidade. Então, porque não um sorteio entre os aptos, em vez de vestibular?

Pois, como um processo, que é puramente quantitativo (pra dizer o mínimo) e pretensamente “universal”, pode ser usado para selecionar os mais aptos para seguirem determinadas carreiras e, pior, para condicionar, direcionar e ser a finalidade (não mencionada) da educação?

É por estas que algumas escolas estão se tornando especialistas em formar alunos para passar no vestibular, outras estão tentando isso e, outras, desistiram e não estão fazendo nada.

E, dentre as que desistiram e não estão fazendo nada, estão a maioria das escolas públicas que, progressivamente estão sendo obrigadas a desistir de ser escola. Ou vocês não estão observando o desmantelamento do que é público e o crescimento das “empresas especializadas em educação”?

E a criatividade? Neste momento, ou seja, enquanto ousamos pouco alguma criatividade em relação as estruturas e aos sistemas (não só da escola), a criatividade está em se virar dentro do gesso, em transgredir, nas pequenas hegemonias locais² (contra-hegemonias) e, nisso, muitos alunos e professores se saem muito bem.

¹ sobre as “coisas importantes” a Elisângela fez uma entrada bem legal.
² Como diz o Sérgio Lima

(as óbvias lacunas no texto, em especial as que tocam em alguns assuntos, mas não desenvolvem, podem ser detonadoras de uma boa discussão nos comentários. Aliás, discutir publicamente aquilo que discutimos nas listas de discussão, pode ser uma destas pequenas hegemonias locais )

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abr 06 2009

A escola mata a criatividade?

Categorias: educaçãoSuzana Gutierrez @ 14:26

Nestes dias corridos, nos quais a minha criatividade se evidencia na destreza em apagar incêndios usando os dois lados do cérebro, todas as coisas que ando pensando e que poderia desenvolver em textos que pudessem semear algumas dúvidas bem vindas, ficam em suspensão, esperando melhores dias.

Enquanto eles não chegam, divido com vocês um vídeo que assisti esta semana e que encontrei com estas legendas em Espanhol, para os que tem dificuldades com o Inglês.

update: O Augusto Costa, gentilmente, me passou os links dos vídeos em Português.

Para ver e discutir: (e eu já adianto que professores de arte e de educação física vão achar muitas coisas interessantes)

A escola mata a criatividade?

É a pergunta que Sir Ken Robinson, tenta responder nas TED (Technology, Entertainment, Design) Conferences. Relativizando algumas afirmações que poderiam ser melhor discutidas e tendo em conta que a escola realmente faz uma seleção das habilidades e dos conhecimentos sem levar em conta um espectro maior das possibilidades humanas, é um vídeo bem interessante de assistir e compartilhar entre colegas professores.

Parte I

Parte II

No original sem legendas.

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abr 03 2009

As contradições…

Categorias: educação,software livre,tecnologiaSuzana Gutierrez @ 05:28

Não é à toa que a mesma tecnologia que tem o potencial de facilitar, enriquecer e diminuir o labor humano é usada para fragmentar, intensificar, precarizar e negar o sentido do trabalho.

Marcelo Branco aponta a contradição à qual cada professor do RS deveria observar e se posicionar.

Na terra do maior evento de Software Livre da América Latina, Governo entrega a educação para a Microsoft

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mar 30 2009

Entre os Muros da Escola

Categorias: educaçãoSuzana Gutierrez @ 08:30

O filme baseado no livro de François Bégaudeau, que também atua e colabora no roteiro, fala da escola, do professor e de suas experiências numa escola de periferia na França.

Quem assistiu recomenda e, lá na Edublogosfera, fez a seguinte proposta:

Se puderem, assistam o filme: “Entre os Muros da Escola” aí na sua cidade/cinema preferido e ao final gravem no celular (em torno de 3 minutos, não mais do que isto!) sua análise/mini-resenha/impressões viscerais/etc sobre o filme.

Quando puder, suba pro youtube e publique no seu blogue com a etiqueta/ tag #entre-muros-da-escola-edublogosfera.

Se não tiver um plano de dados, passe o video do celular para o computador (via cabo, bluetooth, leitor de cartão mini-sd, etc) e daí suba pro youtube…

Depois agente indexa todos os depoimentos sobre o filme (ou publicamos como comentários lá no cabinecelular mesmo! [Prof Sérgio Lima]

Bom, … ele já fez a sua parte, que pode ser assistida aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=_j6Uu1UIKSg

Eu ainda não sei quando vou poder assistir, mas já ando passando adiante a ideia :)

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mar 22 2009

Aniversário do Colégio Militar de Porto Alegre

Categorias: cmpa,educaçãoSuzana Gutierrez @ 09:50

Quando tudo que se lê na mídia sobre a Educação e a Escola fala de sua precariedade e atraso, mesmo considerando a quem serve este discurso, necessariamente se pensa no que torna algumas escolas diferentes das demais.

Ontem, ao participar, por mais um ano, das festividades de aniversário do CMPA, me peguei refletindo sobre o que traz todos aqueles ex-alunos de volta à escola. Ex-alunos que se formaram, alguns, há mais de 50 anos, desfilando com suas boinas vermelhas, entre orgulhosos, saudosos e divertidos. Sob o aplauso e a aprovação da gurisada de hoje, cujos pais nem eram nascidos quando estes veteranos conviviam estas mesmas arcadas, retornavam ao seu colégio.

E ao longo deste dia, no qual os antigos integrantes da banda se somavam aos atuais alunos para acompanhar a formatura e ex-professores confraternizavam com os atuais professores e alunos, fiquei pensando sobre as razões que fazem com que algumas escolas se diferenciem. E, destas razões possíveis, vou falar de uma em especial.

Não é o currículo, pois hoje a maioria dos currículos é uma ignorância comandada por uma anomalia chamada vestibular. Não é a estrutura física e os recursos, embora sejam importantes, também.

Falo do sentimento de continuar a pertencer a um lugar seguro e confiável, onde compartilhamos com amigos alguns dos nossos melhores sonhos.

Ser de uma escola assim é como ter a garantia de um porto seguro sempre ao alcance. Não que precisemos retornar a ele, mas por saber que está lá.

É por aí que a tradição encontra seu caminho. Não em estagnar no tempo aquilo que pode e deve ser transformado e, sim, na certeza da construção constante, a consciência de que o novo traz em si as marcas daquilo que superou.

Desfilar com os antigos colegas, assistir os novos alunos recebendo as divisas que já foram suas um dia, participar das competições esportivas entre alunos e ex-alunos, tudo isso confere a cada um a certeza de que um dia, quer as coisas estejam boas ou más, ele poderá retornar a este casarão centenário e colocar novamente a sua boina de aluno. Tempo de recomeçar?

* desfile do batalhão da saudade

Parabéns, CMPA! E que nós todos, que construímos aquilo que tu és, possamos encontrar a sabedoria e o espaço para transformar o que precisa ser transformado, trazendo junto aquilo que faz com que as boinas vermelhas estejam sempre voltando ao colégio.

)) o basquete, recuperando a sua tradição dentro do CMPA, pela primeira vez depois de muitos anos participou da grande brincadeira entre alunos e ex-alunos. [veja mais]


* atletas de 2006, 2007, 2008 e 2009

** Mais sobre os 97 anos do Colégio Militar na sua página **

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mar 08 2009

# dulcora – um pouco sobre o muito

Categorias: blog,ciência,educação,internetSuzana Gutierrez @ 05:47

Para dar o “ar da graça” e, ao mesmo tempo, comemorar o 8 de março:

)) Mulheres na ciência – um texto da Lucia Malla que reflete sobre algumas questões e aponta algumas ligações importantes.

)) “Têm maridos e namorados que acreditam na violência física para se impor; o patrão ainda paga menos pelo mesmo trabalho que fazemos, e nada acompanha o seu cetro de rainha do lar, a não ser um trabalha infindável, desvalorizado e sem visibilidade.” (segue, no Observatório da Mulher, o texto de Raquel Moreno)

e para uma navegação agradável e interessante neste domingo:

)) A entrada do José Roig Robson Freire (errei!) que reúne vários textos matadores do Sérgio Lima. Sobre educação, escola, professores, tecnologia e blogs.

)) Aluno ajuda Aluno – um texto da Sonia Bertocchi que provoca boas reflexões sobre a sala de aula.

)) O professor Jarbas explica o que acontece quando a paranóia contribui para jogar o bebê fora junto com a água do banho. (ou quando administradores incompetentes se metem a censurar acessos). No exemplo do Prof. Jarbas, a Educação Física seria uma das disciplinas mais lesadas :) )

)) IPRF 2008-2009 – para quem passa pelo martírio todo o ano. Por Conrado Navarro.

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mar 01 2009

Professores Conectados

Categorias: educação,suzana gutierrez,ticSuzana Gutierrez @ 05:18

Professores Conectados é o título de um pequeno artigo que escrevi como provocação ao debate no I Congresso de Tecnologias na Educação, realizado no final de outubro de 2008 e promovido pelo grupo Blogs_Educativos.

O Congresso, totalmente online, abrigou interessantes discussões nos fóruns abertos ao redor dos diversos temas e artigos. Agora, é lançada a Revista Tecnologias na Educação e publicados os artigos, palestras e relatos de experiência que deram movimento ao Congresso.

É importante salientar a origem da nova revista: uma comunidade de educadores blogueiros que, desta forma, socializam um pouco de suas reflexões. Uma comunidade que mostra como os professores podem formar redes sociais online, relações que ampliem os processos de aprender-ensinar.

Espero que, em breve, os diversos fóruns do congresso, que abrigam riquíssimos debates, possam ser reabertos e agregados a este primeiro número da revista, possibilitando, mais uma vez, o diálogo em torno de temas tão importantes. Fica a sugestão aos organizadores :)

Espero, também, que o meu artigo possa continuar suscitando o debate sobre a formação e o trabalho do professor em sua intersecção com as tecnologias da informação e da comunidação.

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fev 15 2009

# dulcora

Categorias: educação,esporte,política,ticSuzana Gutierrez @ 14:18

# Para pensar >> “A crise ainda não mostrou sua verdadeira face, mas as notícias do ressentimento de trabalhadores dos países da Europa Ocidental contra os que ocupam postos de trabalho por uma mísera remuneração são cada vez mais evidentes. É como fossem estes os culpados e não o capital em busca de maior rentabilidade. O aumento da intolerância dos governos com os imigrantes é o outro lado da moeda.” …. segue [Rall em Rumores da Crise]

# Brasil Olímpico – Uma candidatura passada a Limpo. – vídeos do especial da ESPN, no blog do Paulinho [via Laércio]

# Solução neokeynesiana e novo Bretton Woods são fantasiasEm entrevista à revista inglesa Socialist Review, István Mészàros, um dos principais pensadores marxistas da atualidade, analisa a crise econômica mundial e critica aqueles que apostam que ela será resolvida trazendo de volta as idéias keynesianas e a regulação. Orr e Ward entrevistam Istvan Mészáros para a Socialist Review – traduzido por Katarina Peixoto para a Agência Carta Maior

# Para conferir: Dossie Telos, na Revista Telos – TIC, educação, tecnologia, escola.

# Exterminem todos os brutos”: Gaza 2009 – O poder dos homens do Hamas permanece intacto, e a maior parte dos que sofreram em Gaza é de civis: um resultado positivo, segundo uma doutrina muito bem difundida, a do terrorismo de Estado. Noam Chomsky para a Agência Carta Maior

# Palestina Ocupada – entrevista de Idelber de Avelar para Jorge Conterrâneo, André Deak e Rodrigo Savazoni.

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jan 30 2009

os sinais do mundo

Categorias: ciência,educação,mundo,políticaSuzana Gutierrez @ 07:36

1 – a crise ambiental não é algo inventado por esquerdistas radicais. Olhe para o céu, olhe para as águas.

2 – uma sociedade capitalista é uma sociedade desigual, autofágica, insustentável. Olhe para pânico dos exploradores de sempre e para como eles resolvem a sua parte da crise. É possível fazer diferente?

3 – os que condenam o Estado dele se socorrem, sem tocar no discurso de um auto suficiente \ regulado Mercado. A personificação das coisas e a coisificação das pessoas.

4 – quando poucos clics podem fazer milhões de cópias de alguma coisa, as noções de propriedade tem de ser revistas. Quando a maior parte da terra pertence a menor parte das pessoas, as noções de propriedade precisam ser repensadas.

5 – a educação, cada vez mais, se consolida como “serviço” e a formação se resume a treinamento para efêmeros postos de trabalho. é possível fazer diferente?

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jan 29 2009

padrões e modelos para professores

Categorias: educaçãoSuzana Gutierrez @ 09:45

No normal, padrões e modelos me dão uma certa alergia. Nem tanto por proporem formatos e referências, quanto por virem quase sempre atrelados a obrigatoriedades não muito transparentes.

Padronizar, modelar é algo que tem de ser pensado considerando as inconveniências de tentar universalizar seja o que for. E, neste processo, marginalizar toda uma criatividade que pode ser muito mais contextual e, até, revolucionária.

Porém, vou ler (e já registro e socializo) o NETS for Teachers 2008 (em inglês) ou Padrões Nacionais de Tecnologia Educacional e Indicadores de Ação para Professores, do International Society for Technology in Education, do USA e Canadá, lançado em junho de 2008. Especialmente por ele se propor como inspiração para muitos países.

Numa olhada rápida no curto ‘tutorial’ já dá para antever que cada aforismo rende uma boa discussão.

alternativa: NETS em Espanhol

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