jan 20 2010

informação, comunicação, educação e pesquisa

Categorias: academia, cibercultura, comunicação, educação, informação, livros, mundo, pesquisa, política, ufrgsSuzana Gutierrez @ 11:42

Nos últimos dias tenho lido muito, pensado muito e escrito muito pouco :)   Beirando aquele ponto no qual a quantidade (de informações) acaba alterando a qualidade, aumentando a fragmentação e  desinformando.  Mas, … este blog serve, também, para manter registros e sinalizar por onde andava su nesta semana.

Leituras

Como deve ser a escola que atende aos interesses e ideais da classe trabalhadora do campo e da cidade? Essa é a principal questão colocada no livro “Escola Itinerante – na fronteira de uma nova escola“, de Isabela Camini, publicada pela editora Expressão Popular. in MST.org

Isabela é minha colega na UFRGS, na linha de pesquisa Trabalho, movimentos sociais e educação. O livro pode ser adquirido na Expressão Popular que tem bons preços e os livros (encadernações) são de excelente qualidade. A editora Expressão Popular tem blogue e twitter.

Pesquisadores

O Rogério Christofoletti compilou uma interessante lista dos endereços “Twitter” de diversos pesquisadores na área da comunicação.  Esta semana pretendo tirar um tempo para ir conhecendo os colegas que ainda não conheço.  E já solicito:  coloquem no perfil do twitter o endereço de seus blogues :)Lista de Pesquisadores no Twitter

Haiti

É bom transcender o Jornal Nacional, a Veja, a Zero Hora e toda a nossa midia que está tendo xiliques com o PNDH e ler alguma coisa que não seja espetaculenta, imediatista e incompleta. Recomendo:

Os pecados do Haiti – por Eduardo Galeano para a Agência Carta Maior.

O que você não está ouvindo sobre o Haiti, mas deveria estar – Carl Lindskoog para Operamundi.

EUA ocupam o Haiti – síntese do Dialógico

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dez 21 2009

Professores na rede

Categorias: educação, redes sociaisSuzana Gutierrez @ 22:13

Nesta semana, além das inúmeras atividades que todos os professores têm no final do ano, finalizei um artigo que, em grande parte, fala sobre a presença dos professores na rede.   Eu, que estou por aqui, desde o começo :) , como quem chega cedo numa festa, pude ficar observando a chegada dos colegas. E, desde o ano passado,  me surpreendo com o crescmento tanto quantitativo, quanto qualitativo desta presença de professores e professoras na rede.

Em 2005, segundos os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), apenas 48% dos profissionais da educação brasileiros possuíam computador em casa e 37% possuíam acesso a internet. Mesmo assim, segundo esta mesma fonte de dados, 54% destes profissionais efetivamente acessam a internet, sendo que a maioria acessa de casa e/ou do local de trabalho (IBGE, 2007, alguém me consegue este link?).  Segundo os dados referentes a 2008, de modo geral o acesso cresceu 75% e, assim, fazendo um paralelo, possivelmente dobrou o nùmero de professores com acesso em casa e, creio que está perto dos 90% o número daqueles que acessam (ponto).  Estes dados quantitativos são apenas parte do quadro, porque o acesso é uma parte pequena desta questão de ser\estar na rede.

Diferentemente do simples acesso, quando o professor ‘entra’ na internet, navega um pouquinho, ‘abre’ os emails e ’sai’, o que temos agora é uma permanência, que se evidencia nos blogues, no pipocar de mensagens no twitter, no diálogo permanente das listas de discussão. Em especial os blogues caracterizam bem esta fase do professorado na rede. pois proporcionam uma presença on-line dinâmica, histórica, que facilita a constituição de redes de relações sociais. O blogue acolhe uma rede pessoal de aplicativos, recursos, interesses do professor e facilita o contato com seus pares e os demais  fluxos comunicativos.

Quando se fala em ambientes personalizados de aprendizagem (PLE) eu sempre vejo alguém pilotando o seu blog e estacionando em algum drivre-through de aprendizagem. Rede distribuída, aberta, altamente dinâmica. No meu entender, parte do futuro da aprendizagem on-line que supera os ambientes mais rígidos e controlados. Infelizmente, ainda sem muito espaço formal.

A sala de aula, presencial ou não, ainda é considerada como um ambiente que deve ser privado e, mesmo, privatizado, pois o conhecimento que ali pode ser construído pertence ao professor, ao curso, à escola, à universidade. Compartilhar o processo de ensinar-aprender de uma forma ampla esbarra nas questões de privacidade, propriedade, controle. O ambiente virtual de aprendizagem fechado, com senhas de acesso, com espaços delimitados para alunos, tutores, professores, administradores, que em sua maioria não admite visitantes, chega a ser mais fechado e controlado que a escola presencial.

Todavia, os professores estão invadindo a rede e formando redes. Meio atrapalhados, seduzidos pelas novidades e pelos cantos de sereia de algum tipo de notoriedade espúria, porém experimentando, vivendo a rede e fazendo escolhas. Criando o que eu penso ser uma coisa muito importante: um espaço que escapa dos controles institucionais, um espaço que é extra, mas, também, inter-institucional.  Rede que permite a criação das pequenas contra-hegemonias que podem mudar a educação.

:) estava pensando alto… daqui a pouco eu continuo, ou não.

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out 15 2009

Dia do Professor

Categorias: cmpa, doutorado, educação, pesquisa, rastros, suzana gutierrezSuzana Gutierrez @ 12:54

medalha marechal trompowsky

medalha marechal trompowsky

Colegas, :) parabéns para nós!

Este ano não vou falar da educação, do professor, … Não vou colar nenhum cartãozinho ou charge e nem xingar :~)

Vou fala um pouco dos dias da professora aqui. Uma professora que se diferencia da maioria dos colegas por ter plano de carreira, por poder trabalhar numa só escola, por estar em casa hoje, estudando com apoio da legislação sobre seu plano de carreira. Uma professora que não é privilegiada, como alguns gostam de dizer, uma professora que, por outro lado, não sofre a precariedade de condições de trabalho e carreira da grande maioria dos colegas.

Meus dias de professora são alegres, tenho prazer em trabalhar e estar com meus colegas e alunos. Adoro o que eu faço, mesmo. E esta semana está sendo especial.

No feriado, fui fazer uns arremessos na praça aqui do lado de casa e, em 2 minutos, estava dando aulas :D Um punhado de crianças foram chegando uma a uma e terminamos jogando basquete na quadra toda. Folgo em dizer que a bola de futebol deles ficou paradinha esperando no canto da goleira. << isto é um privilégio de ser professor.

Ontem, na formatura alusiva ao dia do professor, recebi, juntamente com colegas do Colégio Militar de Porto Alegre, a Medalha Marechal Trompowky* e passei a manhã nas quadras, me divertindo muito com meus alunos e colegas. As aulas de educação física foram abertas aos colegas professores que se misturaram aos alunos. Reza a lenda que muitas, er…, diferenças foram acertadas no futebol. Creio que sim, pois todos voltaram felizes do campo :)

À noite, meu time infantil venceu de forma brilhante o jogo da semi-final do Campeonato Anchieta e está classificado para disputar a final. Resultado bom, mas nem de perto superou a alegria de constatar o desenvolvimento do time ao longo do ano. Deu gosto ver que aquele bando de pangarés :D agora são uma equipe unida, coesa e temível!

Hoje, estou em casa, grudada nos dados e nos meus sujeitos e sujeitas de pesquisa :| . Ah… estes dados de blogs! Não somente os colho, mas mergulho neles e eles me levam para tantos e tão surpreendentes lugares. A coleta de dados está levando o dobro do tempo previsto! Estou passando o dia do professor no meio dos professores, do seu cotidiano, dos seus interesses. Colegas, vocês não calculam a relevância destas suas memórias singelamente blogadas. Aquele texto (que alguns acham) diarinho, aquele comentário abobrinha, as imagens, os sons e as falas do seu dia valem mais do que resenhas, que citações. E quando vocês refletem em cima destes relatos, é aí que encontramos a teoria\prática construída a muitas mãos e em tempo real.

Na imagem, a minha medalha. Professores de Educação Física tem um fraco por medalhas. Tive de me conter para não ir na padaria com ela.

* “Medalha Mal Trompowsky, criada pelo Decreto do Exmo. Sr. Presidente da República do Brasil em 1953 e destina-se a distinguir cidadão brasileiro ou estrangeiro, ou instituição, que se tenha destacado em relevantes contribuições ao ensino nos Estabelecimentos de Ensino das Forças Armadas, à educação ou à cultura”.

[update]
O círculo se fecha sem se encerrar. A voz de cada colega vai moldando a realidade (hoje!) de ser professor:

Marli, no Blogosfera Marli
Sérgio, no Aprendendo em redes de colaboração
Rogério, no Monitorando
Robson, no NTE Itaperuna
Veneza, no Diário da Professora
Teresinha Bernardete, no Caminhos para chegar
Jenny, no O PC e a criança
Gládis, no Gládis Santos
Franz, no Este blog minha rua
Tatiane, no Mulher é desdobrável

E para completar:
Professora premiada quebra paradigmas consagrados pelo pensamento neoliberal das últimas três décadas

[update 2]
Como disse a Lilian, lá na lista: “É um enorme prazer acompanhar essa meninada”

Professor é desdobrável, mas não inquebrável :) Ensaio do 3º ano do CMPA, sob a direção dançante do colega Gustavo, que ontem se descadeirou na apresentação final.


ele é da matemática…
a produção é do colega Vinicius, das artes civis e militares.

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set 08 2009

O suporte x o processo (e suas relações)

Categorias: edublogosfera, educação, redes sociaisSuzana Gutierrez @ 18:00

Em maio passado saiu no portal Conexão Professor um especial sobre Redes Sociais.  Paricipei da matéria falando de blogs, redes sociais e educação. Hoje, no grupo edublogosfera, enquanto discutíamos conceitos como “edublog”, “blog educativo”, “blog pedagógico”, localizando suas definições, usos, semelhanças e diferenças, lembrei da entrevista.

Na época eu havia pensado em publicar a íntegra da entrevista um tempo depois, mas no final acabei esquecendo.  Agora, pensando nas dificuldades de se articular conceitos, trago as perguntas e respostas que ampliam o que está na matéria e que contém um pouco do que penso sobre o que discutimos hoje.

Não falo sobre estes conceitos que ligam blogs e educação, mas falo sobre o equívoco de confundir a relação com o suporte. Isso acontece também quando o assunto é rede social.

Estas respostas foram dadas ao Luiz Eduardo Queiroz e em parte usadas na excelente matéria, que teve um espectro muito mais amplo.

Lá vai:

1 – Qual o papel das novas tecnologias na Educação? Como os professores devem se preparar lidar com elas?

A tecnologia sempre teve um papel importante no contexto social, pois, ao mesmo tempo em que é produto da sociedade, ela também é construtora desta mesma sociedade. A escola, como instituição social, se insere neste contexto e, ao mesmo tempo em que é fruto da prática social, pode ser transformadora desta mesma prática. Assim, o papel que a tecnologia desempenha e vai desempenhar vai depender destas nossas escolhas e construções como sujeitos históricos.

Neste momento e tendo como referência as tecnologias da informação e da comunicação e a educação, pode-se afirmar que elas exercem uma tensão importante nas formas como se aprende-ensina, tensão esta que abre possibilidades de romper com as estruturas educacionais e com a organização da escola.

Porém, a mesma tecnologia que pode propor espaços de transformação é a mesma que reafirma o pensamento hegemônico da sociedade capitalista, que tende a explorar o trabalho. Assim, a tecnologia que poderia aumentar o nosso tempo livre, não raro é usada para nos aumentar o tempo de trabalho ou degradar as condições de trabalho. Um exemplo pode ser encontrado em algumas iniciativas do uso de educação a distância (EAD), nas quais professores são contratados para funções e atividades normais de professores, porém são chamados tutores e trabalham sob contratos temporários, sem plano de carreira, sem direitos trabalhistas.

Neste tema, também, não podemos esquecer que existem escolas e sistemas educacionais nos quais as tecnologias, que estão definindo modos de ser e fazer, ainda são tecnologias que entendemos como dadas e universais: energia elétrica, instalações hidráulicas e sanitárias, espaço e material para artes e educação física.

2 – Você acredita que as redes sociais da Internet possam ser trabalhadas em sala de aula? De que forma elas podem ser aplicadas no dia-a-dia da Educação?

Uma rede social é uma rede de relações sociais e elas já são parte da escola de inúmeras maneiras desde que a escola existe.

Se a pergunta se refere à redes sociais online, devemos considerar os diversos suportes que estas redes poderão usar. Existem redes sociais formadas em sites de redes sociais (SRS), como o Orkut, Facebook e outros. Existem redes sociais online com suporte em blogs, wikis . Existem redes sociais apoiadas por sites de grupos de discussão e forum, sites de troca de arquivos, sites de compartilhamento de música, vídeo, imagens etc.

No meu entender, as redes sociais que podem se formar nestes e em outros suportes podem ser usadas no cotidiano da educação. Seja pela dimensão comunicativa destes suportes, seja pela pré adesão dos alunos que, em grande parte, já estão lá.

Todavia, estes suportes apresentam vantagens e desvantagens no apoio de uma rede social que será usada com objetivos educacionais. Estes limites e possibilidades devem ser considerados em relação a proposta e aos objetivos educacionais. Assim, o que vem primeiro é o projeto educacional.
Por exemplo, se o objetivo for o contato e a realização de atividades colaborativas, o suporte wiki para a rede social é mais adequado que uma comunidade no Orkut.

3 – Qual a importância hoje das redes sociais no universo jovem? Que benefícios elas podem trazer para o desenvolvimento de crianças e adolescentes? Quais os perigos?

Vou responder considerando redes sociais online. Redes sociais são redes de relações sociais e as redes sociais online em muito repetem as configurações das redes sociais que interligam os jovens no contexto offline. Estas interações que se produzem on e offline são o fundamento da sociabilização do jovem, são grande parte do conteúdo do seu cotidiano. É nestas redes de relações que o adolescente engendra sua identidade e aprende.

As redes sociais online, pelos suportes, em geral, públicos, trazem para este contexto uma série de possibilidades, desafios e, até, perigos. Um benefício é a possibilidade de comunicação para aquelas crianças e jovens que têm dificuldades de exercer esta sociabilidade presencialmente, seja por características físicas, seja por características psicológicas. Para os demais, a comunicação em redes sociais online aumenta as possibilidades de interação e abre canais diferentes de interação, seja pela possibilidade do texto escrito, seja pelo uso de outras mídias.

Para todos, as redes sociais online tendem a expandir o número de contatos e a auxiliar na manutenção de todos os contatos.

A lista dos perigos ao mesmo tempo que tende a se ampliar é relativa. Ela é proporcional ao cuidado e a participação dos pais, professores e outros adultos que possam orientar os jovens em mais esta dimensão de sua sociabilidade. Nesta zona de cuidados está a constatação de que a rede pública é ampla e não se pode determinar com certeza quem é aquele outro que ali interage. A interação online é muito absorvente e pode ocupar o espaço de outros tipos de relacionamento social importantes para os jovens, como, por exemplo, as atividades esportivas e de lazer.

4 – Como os weblogs podem ser utilizados na Educação?

A meu ver, os weblogs terão cada vez maior importância, especialmente na comunicação e na educação. Atualmente, o formato weblog, vem sendo usado em diversos tipos de publicação, entre elas, encontram-se páginas pessoais, páginas temáticas, diários de pesquisa, ambiente colaborativo, clipping jornalístico, etc.
De sua origem como suporte de expressão unicamente individual, tornou-se uma forma de publicação em co-autoria. O contínuo fluxo de informação entre blogueiros tende a formar redes sociais interlinkadas que são altamente comunicativas, a polifonia e a intertextualidade amplificando o alcance da rede.

Por todas estas razões, os weblogs vêm sendo cada vez mais usados como ambientes de construção colaborativa\cooperativa do conhecimento e, principalmente, como ambientes pessoais\personalizados de aprendizagem. Neles, o blogueiro agrega recursos e ferramentas, estabelece a sua presença online e a ligação com outros blogs, promovendo o uso social da informação e do conhecimento, construindo redes sociais.

Penso que os weblogs, usados em projetos educacionais, podem potencializar a autoria e a autonomia, pelo exercício da expressão criadora escrita, artística, hipertextual e multimídia. Pela sua própria estrutura, que inclui arquivos, comentários, links de retorno etc., são dialógicos e possibilitam o retorno à própria produção, a reflexão crítica, a re-interpretação de conceitos e práticas. Permitem, assim, que professores e alunos consolidem novos papéis num processo onde todos ensinam e aprendem.

O blog pode registrar de forma dinâmica todo o processo de construção do conhecimento e abrir espaço para a pesquisa, dando visibilidade, alternativas interativas e suporte a projetos que envolvam a escola como um todo e, até, as famílias e a comunidade.

5 – O que podemos esperar em termos de redes sociais para o futuro? Quais são as principais tendências?

Vou falar sobre as redes sociais online. Com o desenvolvimento da web, que é cada vez mais interativa e social, penso que passaremos por um período em que surgirão diariamente novas alternativas de suporte para as redes sociais. E estas alternativas terão características diferentes segundo o ponto de interesse (música, comunicação, vídeos, jogos, …) que procurarem atender. Algumas vão desaparecer em pouco tempo, outras se transformarão, outras, ainda, vão compor novas alternativas híbridas. Algumas se consolidarão e farão história, como os blogs.

Por outro lado, as apropriações que serão feitas individual e coletivamente sobre estas tecnologias vão gerar configurações de rede que podem transgredir os objetivos iniciais dos desenvolvedores. Um exemplo, no meu entender, é o Twitter, que nasceu sob o mote “o que eu estou fazendo” e, atualmente, expressa muito mais “o que está acontecendo”.

Outro movimento é a tendência crescente de convergência de todas estas tecnologias com as tecnologias móveis e sem-fio e, também, a tendência de uma cada vez maior pervasividade.
Crescerá, também, a preocupação com a privacidade nas redes sociais em suportes públicos, numa tendência de reservar informações e de criação de sub redes de contatos com mais ou menos acesso às informações pessoais.

Penso que as redes sociais serão cada vez mais inseparáveis em suas dimensões off – on line e o acesso perderá aquela conotação de “entrar na internet”, pois em e na rede sempre estaremos.

Em relação à educação e à escola, penso que as redes sociais (nas suas dimensões inseparáveis on e offline) serão responsáveis por grandes transformações nas formas como se ensina-aprende. Porém, estas transformações tendem a ser lentas enquanto a estrutura maior que rege a educação não for transformada. Por exemplo: o vestibular é uma estrutura que impede algumas possíveis transformações.

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set 07 2009

No dia da in (ter) dependência

Categorias: academia, edublogosfera, educação, pesquisa, rede, ticSuzana Gutierrez @ 07:09

blogagem coletiva

publicação coletiva

Aderindo a blogagem coletiva, resolvi publicar agumas idéias que, faz muito tempo!,  penso serem essenciais quando se pensa em mergulhar na rede.

Nos vários espaços onde se reúnem professores, reverbera o chamamento ao uso das tecnologias da informação e da comunicação, a condenação da resistência e o clamor por acesso e inclusão.  Ressoa nos canais de comunicação  a celebração da educação a distância como se ela não fosse educação, fosse algo fora, acima, coisa de inciados sem paciência com o que apontam como  pensamento retrógrado.

Grande parte disso tudo passa pela superficialidade e, em muitos casos, opta por um pragmatismo alienado que tende a descartar as tentativas de se por o dedo nas feridas que teimam em aparecer.

Falar em independência é compreender a autonomia, não como coisa, como algo congelado numa definição, mas como relação social que parte da consciência da nossa interdependência, do nosso vínculo forte com o outro. Vínculo tal que faz com que alguns insistam, persistam, repitam, mesmo contra toda a negação da crítica.

E é na perspectiva desta autonomia que penso o diferencial que pode haver nesta entrada cada vez maior de professores na rede.  Pois os professores estão aí, vindo entusiasmados ou desconfiados das diversas formações propostas, vindo por um acaso fruto de maiores possibilidades de acesso, vindo por obrigação, constrangidos por gestores, pelos pais, pelos alunos, …  Entrando na rede, enfim.

E é para este grupo de colegas que eu gostaria de falar, de propor uma pedagogia do puxadinho, um jeito hacker de viver a rede. Quero propor a eles que chutem para o lado todo o receituário, sobretudo o que limite a sua ação, ou seja,  os pode não pode daqueles que, por em absoluto não compreender a rede, vivem tentando controlá-la.

Resgato,  metareciclo, reproduzo, recriando, remixando, refazendo, algumas das minhas idéias de 2004, pois   “a realidade humana não é apenas produção do novo, mas também reprodução (crítica e dialética) do passado” (KOSÍK, 1976, p.150)

Colegas, olhem para a sua formação e pensem na formação de seus alunos dentro de um contexto que privilegie e  promova a pesquisa (as perguntas!). Uma pesquisa que considere a realidade das instituições educacionais e que, a partir desta realidade, construa alternativas de criação e uso da tecnologia.

Prefiram as ações que promovam a autonomia e a autoria no trabalho com as tecnologias e potencializem a opção \ apropriação tecnológica consciente.

Considerem as possibilidades da cultura hacker, do movimento software livre, dos ambientes públicos, interativos e abertos, das formas colaborativas e cooperativas de trabalho, como exemplos de uma reconstruída relação com o conhecimento, como bem humano.

Não se fechem na academia (na escola), ao contrário, descubram os espaços onde a rede invade a academia ,a escola e tudo mais. Façam destes, espaços de vida.  Evitem, também, os feudos que se criam na rede e replicam as formas fixas, pobres e unidirecionais de comunicação e, pior, de educação.

Conjurem as instâncias de apoio (os Núcleos, NTEs, Proinfos) para que partam da imersão na rede, na sua cultura, e, muito mais,  na sua contra-cultura; do que é instituído pelos órgãos educacionais, porém, muito mais pelo que é instituinte e negador, que se coloca como possibilidade, como as alternativas livres que emergem na e da rede.

Lembrem que a rede é rede e o outro é o caminho. Pliquem, repliquem, tripliquem, mantenham o fluxo :D

Acreditem em si mesmos, no potencial transformador da sua prática, na beleza da sua busca, na segurança da sua experiência, no poder redirecionador dos erros (é por aqui que venho andando, não sem alguns tropeços)

Não aceitem tudo isso que escrevi como diretriz e, sim, como possibilidade de caminho à construir. Mergulhem na rede nos seus termos, como os botos e não como as sardinhas.

in-ter-dependencia

in-ter-dependencia

O texto ficou com jeitinho de discurso… Perdão!!!!!!!! :oops: Afinal, é sete de setembro e algum tom heróico pode retumbar no meu brado. ops! :idea:

….siga http://tinyurl.com/interdependencia

….leia todos na: interdependência


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jul 29 2009

formação de professores

Categorias: academia, educação, mestrado, ticSuzana Gutierrez @ 11:04

[...] Infelizmente, as políticas públicas estão sempre na direção da “formação” e “capacitação” dos professores, nunca na direção da apropriação e consolidação da cultura digital. [Ana Beatriz, no Educação à Distância]

Com esta frase a Ana Beatriz encerra o seu texto, que fala da palestra do MEC na WCCE 2009 e resume muito bem o que é um dos grandes nós da questão da inserção das tecnologias da informação e da comunicação no trabalho do professor.

Lembrei que uma das minhas recomendações (p. 195/196 )  na dissertação, mestrado com defesa em 2004, foi a formação a partir da imersão na rede, justamente para garantir uma apropriação que dificilmente os treinamentos e capacitações possibilitavam.

Inserir as TIC no trabalho e na  prática educativa não se trata de aprender a usar ferramentas e, sim, de falar uma nova linguagem, de incorporar práticas sociais. O requisito básico de uma formação é a de abrir o caminho para isso. Isso demanda tempo e reflexão e recursos, sobretudo recursos humanos.

Me preocupa quando leio que

“Os professores da rede pública têm a sua disposição vários cursos a distância para seu aperfeiçoamento continuado, além de extensão e especialização. Até final de 2010 teremos mais de 500 mil professores que passaram por estes cursos, isso sem contar com a UAB, a missão do MEC é não só produzir e promover, mas propiciar aos professores a oportunidade de escolherem o curso que desejem fazer.” [no Web Rádio, da palestra do MEC na WCCE]

pois, não posso deixar de calcular a alocação de recursos tecnológicos, de espaço (polos, NTEs), a quantidade de professores que está sendo necessário contratar (concursar!) para efetuar esta formação gigante. Isso dá aproximadamente 12.500 turmas, necessitando, no mínimo, 12.500 professores e/ou 25.000 tutores, … (mesmo este processo já estando em curso, os números são grandes)

Quando o MEC está intimando as universidades e centros universitários a cumprirem em até 90 dias a lei que diz que as instituições de ensino superior devem ter um terço do corpo docente com dedicação integral, na certa espera que esta contratação em massa que deverá ocorrer possa cumprir esta mesma lei.

Assim, quando não vejo movimentação no sentido de realização de concursos e nomeação de docentes, fico pensando como se dará esta capacitação e se esta será uma real apropriação de uma nova linguagem ou apenas mais um treinamento no uso de ferramentas.

No segundo caso, o resultado já se sabe qual é:  professores resistentes, laboratórios fechados (ver p. 136 da minha dissertação). Pois, não será a “criação, no homem, do correspondente sentido, graças ao qual ele pode compreender o sentido da coisa.” (KOSÍK, 1976, p. 29)

Imersão na rede é formar e viver a rede, ser parte dos elos cooperativos que podem surgir entre professores e, este, é um movimento que passa pela construção de cursos de formação que privilegiem a formação da rede. Cursos que vão exigir muito mais do que ambientes virtuais e tarefas lineares e, por isso, vão exigir muito daqueles que vão, juntamente com a tecnologia, mediar esta aprendizagem.

Aí que pergunto se as nossas instituições formadoras estão prontas para fazer e manter este mergulho na rede junto com estes 500.000 professores.

KOSÍK, K. Dialética do concreto. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976. 230 p.

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jul 21 2009

Reflexões sobre a Aprendizagem

Categorias: educação, ticSuzana Gutierrez @ 10:25

gatosComo, quando, por que aprendemos; a inevitabilidade de aprender; a simplicidade de aprender; a complexidade de aprender … volta e meia estas questões aparecem no horizonte mais próximo. Quando eu me pergunto por que aquilo que vivenciamos no treino não aparece no jogo, quando um conceito surge claro inesperadamente, quando uma ligação se esconde, foge, não relaciona. – aprender … apreender.Uma questão de conteúdo e contexto, de desejo e oportunidade. Mais uma vez fiquei pensando sobre isso, hoje. E dei uma vasculhada nas situações de aprendizagem pelas quais passei, tentando isolar uma diferente, que, por isso, pudesse me mostrar alguns caminhos.

Anos atrás, durante o verão (férias!), ao observar a minha irmã pintando caixas e outros utensilios de madeira, me deu vontade de fazer o mesmo. Ela prontamente vestiu as roupas de mestra e passou a me orientar.

Achamos uma destas embalagens de flores (uma caixa de madeira) que andava jogada pela casa e comecei a mexer com as tintas e pincéis. Minha mestra havia feito cursos, aprendera técnicas e as executava com cuidado, seguindo as diversas etapas e foi assim que passou a me ensinar. Eu segui…

Agora, … o que me motivou a querer me aproximar deste conteúdo (pintura, artesanato), no contexto (informalidade)? Minha vontade era mexer com as tintas, usar os pincéis, os dedos, combinar as cores, tentar fazer ‘coisas’ surgirem por puro prazer. Sem compromissos com a técnica, priorizando o instinto ao invés das etapas de criação (eu diria reprodução).

A mestra foi embora no fim de semana e me deixou com suas ferramentas. Conteúdo e contexto me fizeram buscar estas ferramentas para conhecer melhor, vivenciar, construir e desconstruir. E eu, sem as técnicas e procedimentos atrapalhando, busquei outras. Pintei com panos, com dedos, dilui, misturei, errei e acertei, descobri, descobri. E criei.

O conteúdo foi guiado (flutuou, mergulhou) pela linguagem que as minhas ações, escolhas, contexto determinaram. As ferramentas não escolheram o conteúdo. Este não se conformou, ao contrário, de certa forma determinou, transcendeu ferramentas.

Um objeto (uma relação), parte de um contexto, que possui uma linguagem, formas de expressão – centro de interesse, objeto de desejo, inevitável aprendizagem. Movimento.

Assim, caros 6 leitores, não perguntem como usar blogs em educação ou o twitter na aprendizagem de língua portuguesa. Mais do que ferramentas, blogs, twitter, … podem fazer parte de uma linguagem que os contém, além das coisas que queremos (queremos?) apreender. A linguagem do nosso contexto que não é una, nem fixa, nem imutável.

… ainda pensando

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mai 08 2009

As propostas de mudança na educação do RS

Categorias: educaçãoSuzana Gutierrez @ 05:45

Fiquei indecisa entre rir ou chorar quando li esta matéria do jornal ali da Azenha. Cheguei ao link acompanhando as reverberações do tema entre o professorado e seguindo os links de quem se animou a escrever sobre o assunto.

Penso que a nossa governadora e a sua secretária de educação não compreenderam a proposta do MEC (que não é nenhuma novidade). Isso é muito constrangedor para quem se propõem a pensar e gerir a educação de um estado. Agora, … se não foi esta vexamosa falta de compreensão, a alternativa é pior: má fé, deliberado oportunismo.

É surpreendente que nem bem o MEC apresente uma idéia e o governo do RS já tem uma proposta pronta para levar a frente a sua versão. Eficiência? duvide-o-dó.

Ninguém nega que a educação necessita ser reinventada (até para resistir melhor a este tipo de ataque), mas este processo passa por uma discussão ampla mobilizando professores, alunos, comunidade e não vir na forma de pacotes fechados a serem implantados goela abaixo de todos. Até porque não vai funcionar e daqui uns anos de tentativas, virá outra “transformação vertical”, pois sempre tem alguém que sabe sozinho o que é melhor para todos.

E, além disso, qualquer transformação passa necessariamente por duas coisas: formação e trabalho do professor.

A secretária Mariza Abreu diz:

“– Não significa que o currículo vai abandonar as disciplinas, mas que estará organizado em áreas em que as pessoas terão de trabalhar de forma integrada. O mesmo professor tem que dominar as disciplinas de sua área – diz Mariza.” (link para a matéria)

e mais adiante:

“A ideia da Secretaria Estadual da Educação (SEC) é que, no futuro, todo professor esteja apto a lecionar qualquer uma das disciplinas integrantes da área de conhecimento a que está vinculado. Por exemplo, um professor de biologia poderia dar aulas de química e física. Já um de história poderia lecionar também geografia e filosofia.”
[...]
Dependendo da formação do professor, ele precisará ser treinado para começar a lecionar uma nova disciplina. Segundo a secretária da Educação, Mariza Abreu, a intenção é realizar treinamentos dentro das próprias escolas [...]” (link para a matéria)

Absurdo irresponsável, não pela idéia em si, mas pela irresponsabilidade de tentar treinar apressadamente quem não foi formado. Neste sentido, podemos estender esta proposta para a área da saúde, fazendo da medicina, fisioterapia, enfermagem, educação física, nutrição, … uma grande área e, aí, eu posso treinar para fazer algumas cirurgias simples.

E, pior… Certo que o treininho será naqueles duas ou quatro minguadas horas semanais destinadas à preparar aulas e reuniões (tudo que não seja aula). Ou será que o novo plano de carreira que a secretaria de educação está hum…, discutindo, trará a previsão deste tempo de “treinamento” incluído na carga horária semanal do professor, além do tempo para planejar a aprendizagem, preparar aulas e corrigir trabalhos e tarefas?

((para quem não sabe, um professor do Estado que tem 40h semanais, dá 36 horas de aula e tem 4h para fazer todo o resto: ir a reuniões, atender pais e alunos, planejar, preparar, corrigir, estudar, ler, …))

Penso, entretanto, que a proposta do MEC não é nem de perto esta que o nosso governo tão rapidamente apresentou. A idéia, pelo que entendi, é trabalhar de forma integrada, numa perspectiva mais estruturada, procurando a interdisciplinaridade. Idéia que não é nova e é levada de diferentes modos por muitas escolas. Em parte, é aquela conhecida integração vertical e horizontal dos conteúdos.

Nas aulas de Educação Física, Biologia e de Física no CMPA é feito um trabalho conjunto dos professores, usando o Atletismo (corridas, treinamento intervalado, …), conteúdos de Física (Movimento, Energia, Energia Cinética, …) e Biologia. Porém, os professores trabalham juntos, cada um na especificidade de sua formação e na compreensão dos conceitos mais amplos da outra área de formação. Os professores de educação fisica e biologia sabem o que é aceleração de um movimento, mas quem aprofunda este assunto é o professor de Física. O professor de Física sabe o que é energia/movimento, mas quem explica o que acontece no organismo humano durante um determinado tipo de movimento é o professor de educação física. O professor de Biologia pode aprofundar ainda mais este assunto. Ou seja, todas as áreas se aproximam e têm muitas regiões comuns.

Para que um professor pudesse abranger com qualidade estas três áreas, seria necessária outra formação. E uma formação já transformada.

Todavia, eu ainda não acredito no que li, quer dizer, que vai permanecer isso que foi publicado. Penso que ligeirinho vai aparecer algum “eu não falei …, eu só disse que…”.

Colegas professores do Estado do RS: vocês vão continuar calados e, nem diante desta aberração autoritária, não vão FAZER nada?

Alunos: vocês tranquilamente vão treinar basquete com um médico e fazer uma cirurgia com o nutricionista?

Mais aqui:

Cloaca News
Diário Gauche
Quebra Tudo – por Robson Freire
Agência Estado – proposta do MEC

Ler, também:

“A política educacional de Yeda Crusius lembra os métodos de Pirro: castigo e anacronismo. Defendeu a ‘enturmação’, um procedimento pedagógico revolucionário consistindo emempilhar alunos de séries diferentes numa mesma sala para fazer economia a curto prazo e agradar ao Banco Mundial. Opôs-se a pagar o piso federal como salário inicial, preferindo ver o piso um teto. Provisório. Resolveu encarar greve como folga. Mesmo a recuperação das horas não trabalhadas, procedimento sensato, não bastou. Yeda, como Pirro, prefere o castigo no grão de milho e a palmatória. É mais educativo. Afinal, nessa concepção altamente inovadora, a humanidade só funciona por punição e recompensa.” (Juremir Machado da Silva, no Sineta)

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mai 07 2009

CMPA e as TIC

Categorias: cmpa, educação, informação, ticSuzana Gutierrez @ 11:05

Nos últimos anos o Colégio Militar de Porto Alegre tem se conscientizado do poder da informação ágil, correta e em rede. O site do colégio passou a ter um gerenciador de conteúdo (Mambo) que democratiza a publicação de notícias e ampliou os canais de comunicação com alunos, professores, pais e comunidade.

Usa listas de discussão para comunicações entre as seções de ensino e grupos de professores, mantém diversas comunidades no Orkut (CMPA, Basquete CMPA, Coral, Banda, ..) e, aderiu ao Twitter, dentro de uma idéia de disseminar a informação.

Penso que nestas boas iniciativas só falta uma: distribuir via RSS o conteúdo do site. Esta distribuição até já existe, mas o feed é muito ruim, pois não mostra o conteúdo e tenta mostrar conteúdos internos e protegidos do site.

Penso que entrar na rede é um desafio para qualquer escola, na medida em que estar na rede é ampliar a presença para além da comunidade mais próxima. Problemas e oportunidades estarão permanentemente no horizonte, mas…. sem ousadia não há inovação e reinventar a escola passa por ousar um pouco mais :)

Falando nisso, repercutiu no CMPA as matérias da Revista A Rede e do Portal Conexão Professor que, entre outras coisas, fala de projetos realizados no colégio. Fui entrevistada e, além das minhas exepriências adquiridas na pesquisa, falei dos projetos de professores e alunos do CMPA que utilizam as TIC.

Espero que este destaque possa incentivar as nossas aventuras com as TIC no colégio.

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mai 05 2009

A sala de Aula reinventada – A REDE

Categorias: blog, educação, suzana gutierrezSuzana Gutierrez @ 06:04

No meu entender reinventar a sala de aula não quer dizer esquecer todas as nossas experiências, lançá-las num limbo pedagógico a espera de uma reinvenção futura. Reinventar a escola parte de conhecer o seu contexto e sua história, saber que o novo traz em si, indeléveis, as marcas daquilo que já foi.

Um movimento de reinvenção é, assim, dialético, consciente das contradições, aprendendo e compreendendo que todo o desafio é oportunidade e não obstáculo.

Porém, este título é da matéria de Aurea Lopes para a Revista A Rede. Com muita satisfação fiz parte da equipe entrevistada para a construção deste tema, juntamente com o Sérgio Lima, a Sonia Bertochi, Ana Carmen Foschini, Betina Von Staa.

Falamos de blogs e de novas experiências em sala de aula, dos desafios e das possibilidades de ousar inovar.

Para o professor é muito importante discutir suas práticas, receber a consideração e as críticas de seus pares sobre o trabalho realizado.

Gostei muito de fazer parte desta matéria e trazer um pouco das aventuras iniciais do Colégio Militar de Porto Alegre no mundo dos blogs e da educação em rede online.

* a imagem é da Revista e ilustra a matéria.

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mai 04 2009

Redes sociais e Educação

Categorias: blog, educação, redes sociais, suzana gutierrezSuzana Gutierrez @ 16:15

Saiu no portal Conexão Professor um especial sobre Redes Sociais. Participei em algumas partes da matéria, em especial nas redes sociais e educação e nos blogs.

Blogosfera: um universo a ser explorado pela educação

Redes sociais e Educação: construindo, juntas, o futuro

A matéria construída por Luiz Eduardo Queiroz é bastante abrangente e trata de diversos assuntos que rodeiam o tema das redes sociais. Presentes, também, neste especial: Raquel Recuero, Carlos Nepomuceno, Sérgio Lima, Lilian Sarobinas, entre outros professores e pesquisadores.

Link para o início do especial:

Especial Redes Sociais

* a imagem é do portal e ilustra a matéria.

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mai 01 2009

dia do trabalho – dia do trabalhador

Categorias: educação, trabalhoSuzana Gutierrez @ 05:11


foto dos trabalhadores almoçando sentados em uma viga durante a construção do edifício RCA em 1932, de C. Ebbets.

O incremento da produção, das ciências, das técnicas revela necessidades e capacidades desconhecidas, faz refletir um espectro suntuoso de gostos, de criações, de diferenças; mas a reificação e a alienação fazem da humanidade uma plebe perplexa diante do espetáculo de seus próprios fetiches. A produtividade aumentada do trabalho libera tempo para a criatividade individual e coletiva, propícia a novas formas de convívio e lucidez; mas a medida ‘miserável’ de qualquer riqueza e de qualquer troca pelo tempo de trabalho abstrato transforma a incrível liberação potencial em desemprego, em exclusões, em miséria física e moral. (BENSAÏD, 1999, p. 99)

Vivemos uma época de sucessivas transformações sócio-culturais, dentro de um contexto de aceleração crescente que se reflete em todos os aspectos da vida humana, reconfigurando radicalmente as relações sociais.

Este processo atinge de forma especial o trabalho e as práticas cotidianas e provoca a necessidade de reorganização e de novas abordagens. A tecnologia é proposta como opção para facilitar e diminuir o nosso trabalho, porém nunca se trabalhou tanto e em tão inseguras condições como atualmente. A globalização e o desenvolvimento técnico-científico são, neste sentido, ambivalentes e contraditórios.

Se não houvesse, em grande parte, por trás do desenvolvimento tecnológico uma busca frenética por lucros cada vez maiores, num esquema de guerra onde a vida e a ética são colocadas em segundo plano, os aspectos positivos da ciência e da tecnologia, seriam em maior número, maior abrangência e direcionados segundo melhores critérios. Teríamos erradicado a maioria das doenças e não inventado a guerra bacteriológica. Teríamos alimentos em abundância sem correr o risco dos transgênicos e das imensas granjas industriais . Teríamos tempo livre para todos e não teríamos desemprego e exploração.

E teríamos, realmente, trabalho.


Antes de tudo, o trabalho é um processo de que participam o homem e a natureza, processo em que o ser humano com sua própria ação impulsiona, regula e controla seu intercâmbio material com a natureza. Defronta-se com a natureza como uma de suas forças. Põe em movimento as forças naturais de seu corpo, braços e pernas, cabeça e mãos, a fim de apropriar-se dos recursos da natureza, imprimindo-lhes forma útil à vida humana. Atuando assim sobre a natureza externa e modificando-a, ao mesmo tempo modifica sua própria natureza. [...] Uma aranha executa operações semelhantes às do tecelão, e a abelha supera mais de um arquiteto ao construir sua colméia. Mas o que distingue o pior arquiteto da melhor abelha é que ele figura na mente sua construção antes de transformá-la em realidade. No fim do processo do trabalho aparece um resultado que já existia antes idealmente na imaginação do trabalhador. (MARX ; ENGELS, 2002)

Sem a medida miserável do tempo de trabalho.


Mas de nada adianta: burgueses que se empanturram, domésticos mais numerosos que a classe produtiva, nações estrangeiras e bárbaras abarrotadas de mercadorias européias. Nada disso faz escoar as montanhas de produtos que se acumulam, maiores que as pirâmides do Egito: a produtividade dos operários europeus desafia qualquer consumo ou desperdício. Os industriais, aflitos, não sabem mais a quem apelar, não conseguem mais encontrar matérias-primas para satisfazer a paixão desordenada e depravada de seus operários pelo trabalho. (LAFARGUE, 2000, p. 167)

Lafargue aponta de forma irônica e certeira a lógica que move o capital, que no século XIX dominava e explorava pela fome e pela miséria e que atualmente domina e explora pela cultura e pela ideologia. Hoje, as ‘nações bárbaras’ são as filiais produtoras das montanhas de mercadorias, cuja dança continua.

E a saída? Gramsci ensina que só se pode prever a luta. Bensaïd (1999) aponta a saída de Marx que envolve uma redefinição dos critérios do progresso, a consideração de critérios que priorizem o enriquecimento do indivíduo e da espécie, que suprimam o trabalho alienado e que valorizem as relações entre as pessoas.

À nós cabe resistir em nossos espaços de educação e trabalho. Uma resitência consciente, a partir da consideração do trabalho e da educação como direito e bem humano e não como mais uma mercadoria.

—–

BENSAÏD, Daniel. Marx, o intempestivo : grandezas e misérias de uma aventura crítica (séculos XIX e XX). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999. 512p.

LAFARGUE, Paul. O Direito ao Ócio In: DE MASI, Domenico (org.) A Economia do Ócio. Rio de Janeiro: Sextante, 2001. 183p.

MARX, Karl. O Capital 23 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006. livro I vol. 1

* uma revisitação a este texto.

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abr 25 2009

ainda a escola e a escola na rede…

Categorias: educação, redes sociaisSuzana Gutierrez @ 06:28

Não sei quanto à vocês, mas eu adoro trabalhar na minha escola. E, nas escolas/universidades nas quais trabalhei, somente de uma eu não gostei. Nestes lugares, encontrei de tudo, gente comprometida, gente alienada, gente consciente, gente descompromissada, gente boa e gente falcatrua.

Mas, mesmo naquela que não gostei de trabalhar, a maioria das pessoas estavam no lado bom da força: comprometidas, honestas, parceiras, .. Porém, a maioria não muito consciente. E isso não é defeito, é circunstância. Somos todos conscientes de algumas coisas e não conscientes de outras. Ler o mundo é um aprendizado constante.

Nos últimos tempos, eu tenho dosado o meu natural otimismo com um exercício consciente de algum pessimismo estratégico. Nestas, procuro ver além da aparência das coisas. Sigo Paulo Freire e me pergunto sempre: a favor de quem (ou de quê), contra quem (ou o quê)?

Assim, é preciso ver nestas ações de culpabilizar a escola, os professores, os alunos pelas mazelas da educação, aquilo que é a essência deste movimento. A inserção cada vez maior de formatos derivados da sociedade das mercadorias na constituição da escola, na sua direção e organização. Um movimento que segue aquela lógica de desmontar o que é público e suportar com dinheiro público aquilo que é privado.

Estamos todos (inclusive a educação) incluídos (até digitalmente) num sistema autofágico que anula o nosso espaço pela aceleração do tempo. (a mercadoria tem que girar e os mercados não dormem). Um sistema que reproduzimos e que recria um mundo que, em sua plenitude, destina-se a não mais que 20% dos seres humanos (estou sendo otimista). Um sistema para o qual os 80% restantes só tem importância se servem de engrenagem para o sistema.

E a educação é constrangida a ser apenas uma alavanca para uma possibilidade cada vez mais remota do sujeito sair dos 80 e passar para o seleto grupo dos 20%. A educação deixa de ser formação para ser ferramenta. É por aí que, se a ferramenta não serve ao propósito, ela é abandonada.

E é isso que nos incomoda, que nos faz olhar constrangidos para nossos alunos. É isso que nos faz perguntar incessantemente qual é a saída.

Eu penso que uma possibilidade de saída está na ativação, na vivência, na participação engajada nas redes sociais nas quais estamos inseridos e onde podemos nos inserir. Na totalidade de nossas redes on e off-line (olhem o meu grafinho tosco da entrada anterior).

Sobretudo nas redes sociais online que vieram para ajudar as nossas tão sacrificadas redes offline, desmontadas por esta aceleração do tempo. Porque houveram espaços de vida que nos foram (e continuam sendo) progressivamente roubados. Hoje, não conhecemos os vizinhos, não almoçamos em casa (quando almoçamos!). Professores dão aulas em 3 turnos. Aulas que “pescam” apressadamente/desarticuladamente da cabeça ou roubam do tempo que seria dedicado a família e ao descanço.

Aprender a lidar com a tecnologia, usá-la educacionalmente é uma demanda (um imperativo até) dos orgãos internacionais (Banco Mundial, Unesco que ditam a política educacional aos países empobrecidos – plenamente assegurada pelos nossos subsumidos -, para que continuem servindo ao que se espera deles,). É também uma coisa legal, porque as tecnologias da informação e da comunicação possibilitam espaços por onde se pode transcender e transgredir esta apropriação utilitária que nos propõem.

Então, vamos aproveitar isso. Mas de forma consciente, procurando compreender o que está em jogo quando os governos estaduais fazem acordos de formação com a Microsoft, por exemplo. Quando os governos assinam revistas de quem até pouco tempo vendia pacotes instrucionais para as escolas. Procuremos compreender, também, que o que construímos e damos gratuitamente com nossa colaboração pode e vai ser apropriado privadamente, ou vai dar conteúdo e movimento para empresas que vivem deste “poder do usuário”.

Por isso eu advogo um certo pessimismo estratégico, um pé atrás alternativo. Vamos construir a rede, a nossa formação na rede e as nossas ações, nos nossos termos. E uma primeira ação prática e individual poderia ser um movimento para o social:

  • escolhe uns dez blogs de professores que gostaria de acompanhar (mesmo!)
  • adiciona-os ao agregador de conteúdo (google reader é intereessante, mesmo considerando o monopólio da atenção)
  • acompanha (mesmo!) os blogs: leia, comente, plique, replique, complique.
  • compartilha com tua rede de contados aquilo que achar digno de nota.
  • reforça com comentários e indicações aquilo que compartilharem contigo
  • aponta as contradições sempre
Aliás, vale, sobretudo, sermos conscientes de nossas contradições:

O Brasil é um país em quea independência ante Portugal foi proclamada por um português, a República foi proclamada por um monarquista, o mais radical movimento igualitário foi liderado por um pregador moralizante e religioso,a Revolução Burguesa foi feita pelas oligarquias,a eleição republicana-moderna (1930) teve sufrágio mais restrito que a eleição monárquica-imperial (1821),o mais ilustre gesto de um presidente foi um suicídio,o racismo é encoberto por um termo (‘democracia racial’) inaugurado em público pelo maior líder do movimento negro,a subvenção pública e a estatização floresceram na ditadura de direita,a redemocratização foi presidida por um homem da própria ditadura,a discriminação racial é mais visivelmente proibida justo no lugar onde ela mais obviamente se manifesta,só se removeu por corrupção o presidente cuja única plataforma eleitoral era varrê-la,a maior privatização foi feita pelo príncipe da sociologia terceiromundista e esquerdizante, a universalização do capitalismo e o auge dos lucros bancários se dão sob o líder sindical que fundou um partido socialista e ….numa Praça Tiradentes não há estátua de Tiradentes, mas de D. Pedro I, neto da Dona Maria que ordenara a morte do alferes. Essa incongruência não diz algo sobre o que somos? [...] Mesmo que Tom Jobim não tivesse feito mais nada, só pela frase o Brasil não é para principiantes ele já mereceria nossa memória.(Idelber Avelar)

Recomendo, para aprofundar algumas destas inquietações ou trazer outras:

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abr 24 2009

a escola forma para o passado ou para o futuro?

Categorias: educação, redes sociaisSuzana Gutierrez @ 05:40

O assunto saiu nas listas em resposta às provocações que volta e meia nos fazemos. Culminou com a proposta do Robson Freire aos participantes das listas blogs_educativos e da edublogosfera de uma blogagem coletiva sobre o tema.

O pessoal vem atendendo ao chamado e interessantes reflexões vão pipocando e mobilizando. Comentadas, reenviadas por email, lidas, compartilhadas e comentadas nos leitores de conteúdo, vão retecendo a rede.

E aqui, meio atrasada, vai a minha contribuição inicial:

É possível pensar que a escola inevitavelmente forma para o futuro, nem que seja um futuro bem imediato, aquele que vem logo depois de uma “explicação” do professor. Pelo menos enquanto as viagens no tempo e a volta para o passado estiverem apenas no âmbito da ficção ou dos nossos sonhos. É o futuro que temos diante de nós.

O que pode acontecer é que esta parte da formação humana, na qual a escola têm algumas responsabilidades, seja mais adequada a quem teria, no futuro, experiências/possibilidades/problemas que já aconteceram num passado mais ou menos remoto de alguém. Uma formação para coisas que provavelmente não se repetirão.

O que é inelutável é que nos “formamos”, com ou sem ou, ainda, apesar da escola. Assim, se a escola (do jeito que ela é) não é inocente, certamente não é, também, a dona de toda a culpa da nossa inadequação (será?) ao nosso tempo.

Agora… falar deste jeito da escola ou de qualquer instituição humana é como falar do povo enquanto nos incluímos confortavelmente fora dele.

Para começar, o que é e quem é a escola?
Um conjunto instituído e instituinte de relações sociais que emana de um contexto de práticas sociais, culturais e políticas.

Assim como a realidade social, a escola é obra de nossas mãos. É histórica e, portanto, não é fixa e nem imutável. Ela é parte da prática social humana.

Ah… é dura de mexer… lá isso é. Em alguns momentos, isso pode ser até uma virtude. Afinal, a educação não deve ser campo para testes descompromissados.

Eu penso que a escola não forma para o passado, nem para o futuro e nem para o presente. No espaço que lhe cabe, a escola constrói o futuro, assim como construiu o passado e está construindo o presente. Aliás, quando ela modifica o presente, altera o futuro e , dialeticamente reconstrói o passado.

Este mundo que aí está é o resultado sempre provisório de nossa prática social e a escola é parte disso. É obra nossa na construção do futuro. E este nós significa a humanidade e não apenas aqueles que estão numa ou outra escola ou que atuam de alguma forma na educação, embora estes tenham mais possibilidades de influir (ou fluir) nesta construção.

Cada pequena coisa que fazemos ou que deixamos de fazer é parte da construção da realidade social.

A escola não é algo isolado que eu possa simplesmente e linearmente criticar. Toda a crítica aqui será sempre auto-crítica. Neste sentido, transformar a educação e a escola inicia pela compreensão deste nosso imenso envolvimento e pela consciência das possibilidades e das consequências de nossas pequenas e cotidianas ações e omissões.

Uma das formas de exercitar este consciente potencial transformador é fazer justamente o que estamos fazendo: publicar as nossas conversas, refletir socialmente, alimentar a rede, partilhar o caminho das pedras.

Quem mais escreveu?

Robson :: Elis :: Miriam :: Jenny :: Suely :: Elaine :: Franz :: Sérgio :: Tatiane

E, por último, uma provocação:

Um texto antigo para refletir

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abr 12 2009

ainda a criatividade na escola

Categorias: educaçãoSuzana Gutierrez @ 04:48

equipePensar em criatividade é considerar novas, artesanais, espertas, inteligentes, oportunistas, etc e tal maneiras de fazer alguma coisa, resolver um problema, criar algo que não existe. Poucas coisas dão mais prazer do que ser criativo em algum momento necessário.

Assim, o que acontece na escola (vide a entrada anterior) não mata a criatividade, mas restringe muito o seu espaço. A educação é o local das coisas esperadas e previstas: espera-se receber um determinado aluno e espera-se devolver este aluno, ao fim do previsto processo escolar, com um determinado conjunto de experiências, conhecimentos e as tão faladas “competências e habilidades”.

A maior parte dos dissabores escolares estão nas tentativas de ‘conformar’ os alunos que fogem ao padrão esperado ou evitar que eles ‘atrapalhem’ a ‘normal’ evolução dos demais nos processos planejados. É por aqui que se desencoraja a criatividade.

Nunca assistiu isso?
Experimente, então, saber algo antes de lhe ser ensinado, interpretar algum fato social além da linearidade de alguns livros didáticos ou resolver algum problema matemático de forma diferente da ensinada. E, pior…, questione a importância de decorar algumas das coisas pedidas nas provas.

Professor, experimente não ensinar e, sim, aprender junto, embora isso leve mais tempo. Ou tente uma nova forma de trabalhar um conteúdo, mesmo que possa errar na sua avaliação sobre as possibilidades da nova metodologia.

Aluno, experimente aprender qualquer coisa que não está na “lista de conteúdos”. Qualquer coisa fora da lista é desconsiderada como aprendizagem. E pense que a tal lista, embora inclua educação física e artes, estas não estão no mesmo patamar de relevância.

(Falando em relevância: o que é mais importante saber? os nomes das luas de Júpiter ou os nomes das renas do Papai Noel?)

Se o aluno, jogando basquete, aprende a pensar rápido e tomar decisões em segundos, isso nem sequer é conhecido (muito menos compreendido) pela escola. (embora pensar e tomar decisões rápidas seja uma boa coisa, quando não se sabe como vai ser o mundo daqui a 5 anos)

Porém, se todo o processo está programado e previsto dentro de um certo conceito do que é importante e o que não é¹, cadê o espaço para a criatividade? Ou, cadê o espaço para ser diferente do padrão?

E o que falei acima pode ser estendido para os professores, administradores. Há um programa para eles, também. E este programa atende ao que? Possivelmente a alguma “necessidade” imediata que não vai mais existir no futuro.

Incrivelmente, estes programas são planejados e incentivados, também, pelos próprios programados… (isto é, nós mesmos…) E tendem a se cristalizar e ter vida própria na educação. Tornam-se dogmas e não podem nem ser questionados.

O vestibular, por exemplo, que é o farol que ilumina todos os planejamentos da escola, será que ele seleciona os melhores candidatos a serem médicos (ou professores ou administradores ou …) ? Ou seleciona classifica aqueles que sabem mais quantidade de conteúdos do ensino fundamental e médio (incluindo, quem sabe, as luas de júpiter e as renas do papai noel)?

Não é a toa que estudantes que entram por cotas vão bem na universidade, pois eles, e uma outra enorme quantidade de estudantes, estão aptos a cursar a universidade. Então, porque não um sorteio entre os aptos, em vez de vestibular?

Pois, como um processo, que é puramente quantitativo (pra dizer o mínimo) e pretensamente “universal”, pode ser usado para selecionar os mais aptos para seguirem determinadas carreiras e, pior, para condicionar, direcionar e ser a finalidade (não mencionada) da educação?

É por estas que algumas escolas estão se tornando especialistas em formar alunos para passar no vestibular, outras estão tentando isso e, outras, desistiram e não estão fazendo nada.

E, dentre as que desistiram e não estão fazendo nada, estão a maioria das escolas públicas que, progressivamente estão sendo obrigadas a desistir de ser escola. Ou vocês não estão observando o desmantelamento do que é público e o crescimento das “empresas especializadas em educação”?

E a criatividade? Neste momento, ou seja, enquanto ousamos pouco alguma criatividade em relação as estruturas e aos sistemas (não só da escola), a criatividade está em se virar dentro do gesso, em transgredir, nas pequenas hegemonias locais² (contra-hegemonias) e, nisso, muitos alunos e professores se saem muito bem.

¹ sobre as “coisas importantes” a Elisângela fez uma entrada bem legal.
² Como diz o Sérgio Lima

(as óbvias lacunas no texto, em especial as que tocam em alguns assuntos, mas não desenvolvem, podem ser detonadoras de uma boa discussão nos comentários. Aliás, discutir publicamente aquilo que discutimos nas listas de discussão, pode ser uma destas pequenas hegemonias locais )

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