dez 17 2010

Doutorado – a defesa

Categorias: academia,doutorado,educação,pesquisa,redes sociais,tic,ufrgsSuzana Gutierrez @ 10:59

Ontem foi literalmente o dia D.  O dia da defesa. Às 8h:30min, na sala 703  do prédio da FACED da UFRGS, apresentei a minha tese perante a banca e uma pequena audiência de colegas. Foi um momento importante, culminando um trabalho que vem desde 2005, quando encaminhei o anteprojeto como um dos requisitos da passagem direta ao doutorado. Desde então, com maior ou menor intensidade, a pesquisa fez parte do meu cotidiano e foi um fator que contigenciou as minhas decisões.

Qualifiquei o projeto em meados de 2008, dando forma ao trabalho e encaminhando o processo que ocuparia os anos seguintes com muita força. Posso dizer que, desde o final de 2008, a minha imersão e dedicação foi prioritária. Mantive as atividades acordadas no trabalho no colégio e me beneficiei de um afastamento que é direito de professor em instituição federal.  Destaco aqui o apoio do Colégio Militar de Porto Alegre que,  coerente com suas diretrizes, vem apoiando as formações dos seus quadros, e a solidariedade dos colegas que me substituiram em algumas turmas de aula.

Fiquei muito feliz e tenho muito a agradecer a tanta gente!

Professores Conectados: trabalho e educação nos espaços públicos em rede

Orientadora: Profª Drª Carmen Lucia Bezerra Machado

Banca:

Prof. Dr. Augusto Nibaldo Silva Triviños – FACED – UFRGS
Prof. Dr. Lucídio Bianchetti – FACED – UFSC
Profª Drª Marlene Ribeiro – FACED – UFRGS
Profª Drª Raquel Recuero – ECOS – UCPel

A tese em breve será publicada. A apresentação bem simples revela alguns detalhes da construção do trabalho:

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set 21 2010

doutorado em gotas I

Categorias: doutorado,educação,tecnologiaSuzana Gutierrez @ 19:57

A coisa anda pegada e o espaço restrito por conta do tempo.  Um pouco deste contexto em que escrever ajuda a pensar passa por:

# Quando se fala em TIC na educação, existe a tendência de estabelecer um ‘padrão’ que homogeniza tecnologias que podem variar muito de um contexto para outro.

# Pensando na educação e na sua condição de instrumento de reprodução da ordem social,  é importante que as alternativas de mudança não sejam somente formais, mas que se dirijam à essência das práticas educacionais.

# Ser professor faz parte de um aprendizado constante, que se dá ao se compreender e aprender a razão de ser professor. De reconhecer a razão de ser do próprio ato de ensinar, com a sua dimensão criativa e profundamente dialógica.

# Se por um lado o avanço tecnológico possibilita novas formas de aprender, as necessidades de aprendizagem também impulsionam a criação dos suportes. E tem de se tornar claro que todo este processo está contido, mas não limitado, pela forma como produzimos a nossa vida atualmente.

((por enquanto eu sou só rascunhos))

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ago 30 2010

tecnologias na educação

Categorias: educação,tecnologiaSuzana Gutierrez @ 10:44

Uma coisa que me incomoda é o discurso de que ‘hoje’ está ocorrendo uma revolução sem precedentes, que o desenvolvimento das TIC institui um novo paradigmana na educação … (vocês sabem)  Geralmente vem acompanhado dos ‘precisa’, ‘deve’, … em relação aos professores e à escola. Seguido das inevitáveis advertências analógicas de que ‘estão perdendo o bonde’.

São inegáveis as possibilidades das tecnologias que (de acordo como são chamadas) são DA informação e DA comunicação, PARA a educação. Porém,  é interessante considerar o processo de recontextualização* que elas sofrem quando se deslocam de suas áreas de origem e passam a integrar o entorno educacional.

Forçando um pouco uma metáfora: usar aparelhos de musculação na educação infantil, para recreação, por exemplo, tornaria visível este processo de recontextualização que não fica tão evidente quando se fala de TIC na educação.  Assim, na recontextualização algumas características e conteúdos importantes podem ser maximizados, minimizados ou, simplesmente ocultados, dados como inexistentes.

Deste modo, um caminho possível é perguntar como Paulo Freire: a favor do quê e contra o quê, a favor de quem e contra quem? E, eu acrescentaria: em que dimensão?

… pensem aí alguma tecnologia ‘da hora’ cuja ‘aplicação’ em educação está sendo pensada, quase sempre em termos utilitários do tipo “5 formas de usar XXX na sala de aula”.

* ver BARRETO, R.  As tecnologias na política nacional de formação de professores a distância: entre a expansão e a redução.e Professores/professoras e a tecnologia: sobre trabalho e formação docente.

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maio 31 2010

Redes sociais, apropriação (internalização!) tecnológica

Categorias: doutorado,educação,ticSuzana Gutierrez @ 08:38

Pois eu ando bem afastada daqui, mas não afastada dos assuntos que sempre moveram este blog. Estou escrevendo, refletindo, lendo, tornado a escrever, … E trabalhando 🙂 Minha gurizada anda a mil nos campeonatos por aí. Este meu ano atípico se reflete, também, no rendimento deles. Aliás, nosso ano é atípico: eu em fim de doutorado, eles, a maioria dos mais velhos no 3º ano e com o fantasma do vestibular no horizonte.

Mas, ….. sinto saudade de dividir aqui algumas das coisas que ando pensando. Até porque este movimento me ajuda a … pensar :). Muitas coisas parecem simples de tão faladas e discutidas. Todavia, esta simplicidade é, em grande parte, fruto da nossa tendência a dar as coisas como dadas e naturais.  Por exemplo: a afirmação de que as TIC na educação estão aí para ficar e que é inevitável nos conformarmos e adaptarmos  e que precisamos correr para não ficar ultrapassados e que somos imigrantes que não entendem a linguagem falada pelos nativos e que devemos dar uso a qualquer bobagem tecnológica inventada na semana e que urge

Toda esta conversa incessantemente repetida afeta a formação e o trabalho do professor,  sem que ele consiga tomar nas mãos a direção, sem que consiga adquirir segurança para lidar com todas estas questões, sem que  a reflexão passe da superfície e chegue ao que realmente move todo este processo.

Fica oculto e simplificado o fato de  que a inserção das TIC na formação e no trabalho dos professores é um fenômeno complexo, inserido num contexto maior,  tensionado por contradições que podem direcionar o seu desenvolvimento em sentidos qualitativamente diferenciados e até opostos. Estas tendências de desenvolvimento estão em sintonia com a diversidade de experiências pelas quais os professores passam no processo de apropriação das TIC.

((A própria palavra apropriação pode ser um bom tema de discussão))

Independente de sua opinião, decisão. vontade ou interesse os professores estão em contato com as TIC no seu cotidiano, inclusive na escola, qualquer que seja a organização e o modo de funcionamento da escola. Neste processo de progressiva inserção das TIC, os professores podem oscilar entre diversos contextos de aceitação e de negação, e estas escolhas podem partir de distintos tipos e graus de internalização (aproriação?).

As formações para o uso das TIC em educação podem contribuir para que o professor reconheça a realidade da inserção das TIC na vida, na educação e no trabalho de todos e, também, para o processo de apropriação (internalização?)  das TIC pelo professor. Porém, esta contribuição apresenta resultados diversos, conforme as finalidades, os objetivos e o projeto desta formação.

Algumas formações, apesar de trabalharem com diferentes tipos de tecnologia, exploram pouco o potencial de formação de rede e mantém o mesmo tipo de relação da sala de aula tradicional, na qual a formação de rede também não é muito explorada. A comunicação e as experiências compartilhadas ficam em grande parte apenas entre professor e aluno. Isso quando o professor que está acessível ao aluno não é apenas um tutor cuja função se resume a fazer o aluno acessar os ‘materiais instrucionais’, entender e entregar as tarefas.

O que resulta destas formações mais ou menos monológicas são professores que tendem a não utilizar nada do que aprenderam, que veem as TIC apenas como ferramentas, pois não estabelecem conexões com sua realidade e nem estão aptos a construir com seus pares propostas nas quais as TIC possam ter significado.

Ainda quando o professor participa de uma formação, na qual este estabelecimento da rede é privilegiado, a apropriação das TIC pode não ultrapassar a pseudoconcreticidade (Kosik, 1976), ou seja, a prática alienada na qual os professores sabem usar as TIC, mas não as compreendem. A partir de uma apropriação deste tipo, as possibilidades de transformar a educação, também com a mediação das TIC, fica fora do alcance. Nestas formações, isso acontece quase sempre porque a rede formada (?) se restringe ao curso e seus participantes e se encerra no final das aulas.

No meu entender, para que a formação (formal ou informal) para o uso das TIC em educação contribua para uma apropriação (internalização?)  autônoma, fundamentada na consciência e compreensão das TIC e da realidade social na qual elas se inserem, ela não pode prescindir do engajamento e da participação nas redes sociais online. O processo de apropriação das TIC é alterado quando o professor começa a participar de redes sociais online. Em especial quando estas redes são públicas e redes de professores.

A construção de uma presença online e a reflexão sobre a própria prática em diálogo aberto com seus pares tende a ampliar a compreensão sobre as TIC e os desafios da vida e da educação mediada por elas. A presença online do professor pode ser construída de diversas formas, sendo que páginas dinâmicas como blogues e wikis garantem o espaço para uma presença pública, diacrônica e histórica, uma interface comunicativa para o diálogo e a possibilidade do professor progressivamente ir agregando recursos, procedimentos, rotinas, criando um ambiente pessoal\personalizado de aprendizagem, no qual o professor pode submeter as coisas a própria práxis (Kosik, 1976).

Estas são algumas das coisas que direcionam o que ando investigando. Em princípio, podem parecer óbvias, mas o que nelas se mostra e o que nelas se esconde não é dado de antemão, sem que passe a primeira camada e se considere a totalidade de relações envolvidas.

——

KOSÍK, K. Dialética do concreto. 7ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976. 230 p.

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maio 02 2010

ENDIPE e outras histórias

Categorias: academia,educação,eventos,redes sociaisSuzana Gutierrez @ 12:17

Vou começar pelas outras histórias: a vida segue apressada, a tese divide os espaços com as competições de basquete e vai diminuir ainda mais as minhas possibilidades de interação aqui e em outros espaços.  Coisas da vida e do contexto.  Não estou triste pelas coisas que tenho de abrir mão agora, pois estou construindo o futuro que vai me permitir focar em tudo que gosto e que me gratifica.

Por estas, não pude estar no ENDIPE (*). Texto aceito para o painel “Redes de aprendizagem: discutindo sobre
diferentes visões”, ficou para as colegas da UFRGS e da UFSM representarem o grupo em Minas Gerais. A Vanessa publicou algumas fotos e me mandou os anais do evento e alguns relatos. Com o tempo poderei assistir algumas palestras que estão no sítio do evento.

Como não teve publicação online dos trabalhos, publico meu texto e compartilho.

Professores em redes sociais on-line: desafios e possibilidades

Um recorte do resumo: Este artigo aborda o contexto de inserção das tecnologias da informação e da comunicação (TIC) no trabalho de professores e professoras do ensino básico, por meio das redes sociais on-line […] A pesquisa é de natureza qualitativa, de aproximação etnográfica, de acordo com a teoria proposta para etnografia virtual ou netnografia. Considerando a novidade e a complexidade do tema, o materialismo histórico e dialético é a teoria e o método escolhido para dar suporte à pesquisa. […] Segue, trazendo o contexto de inserção do fenômeno estudado, a internet, a world wide web e as redes sociais on-line, considerando o seu desenvolvimento e as transformações pelas quais vêm passando na atualidade. Descreve a entrada dos professores na rede, fazendo a ligação com a sua formação e trabalho e problematiza a formação das redes sociais on-line e suas possíveis implicações no trabalho destes professores.[…]
Palavras chaves: educação, formação de professores, redes sociais on-line, trabalho.

* ENCONTRO NACIONAL DE DIDÁTICA E PRÁTICA DE ENSINO
Convergências e tensões no campo da formação e do trabalho docente: políticas e práticas educacionais, Belo Horizonte, 2010

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mar 29 2010

o espírito da colaboração

Categorias: colaboração,educação,educação física,esporte,visão de mundoSuzana Gutierrez @ 09:51

Nas minhas aulas as regras do jogo são desiguais. E, quando eu falo em jogo, não estou me referindo à qualquer interação social. Viver não é jogar. Jogo, na afirmativa acima é jogo mesmo: competição, recreativa, esportiva. E o adjetivo “esportiva” é essencial ao lado de “competição”, pois muda definitivamente o sentido usual do termo.

Nas minhas aulas as regras não são iguais para todos. Alunos novos, alunos com dificuldades motoras, alunos muito pequenos ou frágeis, alunos volumosos e lentos, alunos muito altos e fortes, ….. são alguns dos que podem ter de seguir regras diferentes.

Um exemplo prático: numa aula de volei para iniciantes em um 6º ano, os alunos menores e mais franzinos tendem a demorar mais tempo para conseguir sacar da zona de saque. Assim, na hora do jogo, todo o aluno sempre vai sacar de um local do qual consiga fazer a bola passar sobre a rede na maioria das tentativas. A regra do saque é: tente ir se aproximando da zona de saque.

Isso evita: – que o aluno force o movimento, sacrificando a técnica; – que o aluno se sinta inseguro na sua vez de sacar (geralmente há uma comoção quando é a vez do colega que ‘sempre erra’); – que o aluno falhe seguidamente, pontuando mais para o adversário do que para sua equipe; – que o jogo seja centrado no saque, como costuma acontecer em equipes iniciantes. Ninguém erra o saque no jogo e a grande competição na turma fica sendo: em quanto tempo toda a turma conseguirá sacar da zona de saque.

Regras desiguais para os desiguais não são algo prontamente aceito por pessoas que, desde que nascem, são treinadas para valorizar o fato de ultrapassar o outro e a cuidar de si e esquecer os demais. Neste sentido, a educação física traz momentos ótimos para que estes valores sejam reconsiderados e para que todos possam compreender o espírito da colaboração que está dentro da competição esportiva e pode se traduzir em solidariedade. Para confrontar o que está implícito nos outros tipos de competição e, também, para pensar as desigualdades e a forma como lidamos com isso em sociedade.

É nestas horas que aqueles pensamentos senso comum que muitos alunos já trazem para a escola: “o pobre é pobre porque não se esforça”, “todos tem igual oportunidade no vestibular”, … podem ser contestados e discutidos. Se pah, como eles dizem, podemos ampliar a discussão e falar em cotas, royalties do pré-sal, reforma agrária, …

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jan 20 2010

informação, comunicação, educação e pesquisa

Nos últimos dias tenho lido muito, pensado muito e escrito muito pouco 🙂  Beirando aquele ponto no qual a quantidade (de informações) acaba alterando a qualidade, aumentando a fragmentação e  desinformando.  Mas, … este blog serve, também, para manter registros e sinalizar por onde andava su nesta semana.

Leituras

Como deve ser a escola que atende aos interesses e ideais da classe trabalhadora do campo e da cidade? Essa é a principal questão colocada no livro “Escola Itinerante – na fronteira de uma nova escola“, de Isabela Camini, publicada pela editora Expressão Popular. in MST.org

Isabela é minha colega na UFRGS, na linha de pesquisa Trabalho, movimentos sociais e educação. O livro pode ser adquirido na Expressão Popular que tem bons preços e os livros (encadernações) são de excelente qualidade. A editora Expressão Popular tem blogue e twitter.

Pesquisadores

O Rogério Christofoletti compilou uma interessante lista dos endereços “Twitter” de diversos pesquisadores na área da comunicação.  Esta semana pretendo tirar um tempo para ir conhecendo os colegas que ainda não conheço.  E já solicito:  coloquem no perfil do twitter o endereço de seus blogues 🙂 – Lista de Pesquisadores no Twitter

Haiti

É bom transcender o Jornal Nacional, a Veja, a Zero Hora e toda a nossa midia que está tendo xiliques com o PNDH e ler alguma coisa que não seja espetaculenta, imediatista e incompleta. Recomendo:

Os pecados do Haiti – por Eduardo Galeano para a Agência Carta Maior.

O que você não está ouvindo sobre o Haiti, mas deveria estar – Carl Lindskoog para Operamundi.

EUA ocupam o Haiti – síntese do Dialógico

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dez 21 2009

Professores na rede

Categorias: educação,redes sociaisSuzana Gutierrez @ 22:13

Nesta semana, além das inúmeras atividades que todos os professores têm no final do ano, finalizei um artigo que, em grande parte, fala sobre a presença dos professores na rede.   Eu, que estou por aqui, desde o começo 🙂 , como quem chega cedo numa festa, pude ficar observando a chegada dos colegas. E, desde o ano passado,  me surpreendo com o crescmento tanto quantitativo, quanto qualitativo desta presença de professores e professoras na rede.

Em 2005, segundos os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), apenas 48% dos profissionais da educação brasileiros possuíam computador em casa e 37% possuíam acesso a internet. Mesmo assim, segundo esta mesma fonte de dados, 54% destes profissionais efetivamente acessam a internet, sendo que a maioria acessa de casa e/ou do local de trabalho (IBGE, 2007, alguém me consegue este link?).  Segundo os dados referentes a 2008, de modo geral o acesso cresceu 75% e, assim, fazendo um paralelo, possivelmente dobrou o nùmero de professores com acesso em casa e, creio que está perto dos 90% o número daqueles que acessam (ponto).  Estes dados quantitativos são apenas parte do quadro, porque o acesso é uma parte pequena desta questão de ser\estar na rede.

Diferentemente do simples acesso, quando o professor ‘entra’ na internet, navega um pouquinho, ‘abre’ os emails e ‘sai’, o que temos agora é uma permanência, que se evidencia nos blogues, no pipocar de mensagens no twitter, no diálogo permanente das listas de discussão. Em especial os blogues caracterizam bem esta fase do professorado na rede. pois proporcionam uma presença on-line dinâmica, histórica, que facilita a constituição de redes de relações sociais. O blogue acolhe uma rede pessoal de aplicativos, recursos, interesses do professor e facilita o contato com seus pares e os demais  fluxos comunicativos.

Quando se fala em ambientes personalizados de aprendizagem (PLE) eu sempre vejo alguém pilotando o seu blog e estacionando em algum drivre-through de aprendizagem. Rede distribuída, aberta, altamente dinâmica. No meu entender, parte do futuro da aprendizagem on-line que supera os ambientes mais rígidos e controlados. Infelizmente, ainda sem muito espaço formal.

A sala de aula, presencial ou não, ainda é considerada como um ambiente que deve ser privado e, mesmo, privatizado, pois o conhecimento que ali pode ser construído pertence ao professor, ao curso, à escola, à universidade. Compartilhar o processo de ensinar-aprender de uma forma ampla esbarra nas questões de privacidade, propriedade, controle. O ambiente virtual de aprendizagem fechado, com senhas de acesso, com espaços delimitados para alunos, tutores, professores, administradores, que em sua maioria não admite visitantes, chega a ser mais fechado e controlado que a escola presencial.

Todavia, os professores estão invadindo a rede e formando redes. Meio atrapalhados, seduzidos pelas novidades e pelos cantos de sereia de algum tipo de notoriedade espúria, porém experimentando, vivendo a rede e fazendo escolhas. Criando o que eu penso ser uma coisa muito importante: um espaço que escapa dos controles institucionais, um espaço que é extra, mas, também, inter-institucional.  Rede que permite a criação das pequenas contra-hegemonias que podem mudar a educação.

🙂 estava pensando alto… daqui a pouco eu continuo, ou não.

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out 15 2009

Dia do Professor

Categorias: cmpa,doutorado,educação,pesquisa,rastros,suzana gutierrezSuzana Gutierrez @ 12:54

medalha marechal trompowsky

medalha marechal trompowsky

Colegas, 🙂 parabéns para nós!

Este ano não vou falar da educação, do professor, … Não vou colar nenhum cartãozinho ou charge e nem xingar :~)

Vou fala um pouco dos dias da professora aqui. Uma professora que se diferencia da maioria dos colegas por ter plano de carreira, por poder trabalhar numa só escola, por estar em casa hoje, estudando com apoio da legislação sobre seu plano de carreira. Uma professora que não é privilegiada, como alguns gostam de dizer, uma professora que, por outro lado, não sofre a precariedade de condições de trabalho e carreira da grande maioria dos colegas.

Meus dias de professora são alegres, tenho prazer em trabalhar e estar com meus colegas e alunos. Adoro o que eu faço, mesmo. E esta semana está sendo especial.

No feriado, fui fazer uns arremessos na praça aqui do lado de casa e, em 2 minutos, estava dando aulas 😀 Um punhado de crianças foram chegando uma a uma e terminamos jogando basquete na quadra toda. Folgo em dizer que a bola de futebol deles ficou paradinha esperando no canto da goleira. << isto é um privilégio de ser professor.

Ontem, na formatura alusiva ao dia do professor, recebi, juntamente com colegas do Colégio Militar de Porto Alegre, a Medalha Marechal Trompowky* e passei a manhã nas quadras, me divertindo muito com meus alunos e colegas. As aulas de educação física foram abertas aos colegas professores que se misturaram aos alunos. Reza a lenda que muitas, er…, diferenças foram acertadas no futebol. Creio que sim, pois todos voltaram felizes do campo 🙂

À noite, meu time infantil venceu de forma brilhante o jogo da semi-final do Campeonato Anchieta e está classificado para disputar a final. Resultado bom, mas nem de perto superou a alegria de constatar o desenvolvimento do time ao longo do ano. Deu gosto ver que aquele bando de pangarés 😀 agora são uma equipe unida, coesa e temível!

Hoje, estou em casa, grudada nos dados e nos meus sujeitos e sujeitas de pesquisa :|. Ah… estes dados de blogs! Não somente os colho, mas mergulho neles e eles me levam para tantos e tão surpreendentes lugares. A coleta de dados está levando o dobro do tempo previsto! Estou passando o dia do professor no meio dos professores, do seu cotidiano, dos seus interesses. Colegas, vocês não calculam a relevância destas suas memórias singelamente blogadas. Aquele texto (que alguns acham) diarinho, aquele comentário abobrinha, as imagens, os sons e as falas do seu dia valem mais do que resenhas, que citações. E quando vocês refletem em cima destes relatos, é aí que encontramos a teoria\prática construída a muitas mãos e em tempo real.

Na imagem, a minha medalha. Professores de Educação Física tem um fraco por medalhas. Tive de me conter para não ir na padaria com ela.

* “Medalha Mal Trompowsky, criada pelo Decreto do Exmo. Sr. Presidente da República do Brasil em 1953 e destina-se a distinguir cidadão brasileiro ou estrangeiro, ou instituição, que se tenha destacado em relevantes contribuições ao ensino nos Estabelecimentos de Ensino das Forças Armadas, à educação ou à cultura”.

[update]
O círculo se fecha sem se encerrar. A voz de cada colega vai moldando a realidade (hoje!) de ser professor:

Marli, no Blogosfera Marli
Sérgio, no Aprendendo em redes de colaboração
Rogério, no Monitorando
Robson, no NTE Itaperuna
Veneza, no Diário da Professora
Teresinha Bernardete, no Caminhos para chegar
Jenny, no O PC e a criança
Gládis, no Gládis Santos
Franz, no Este blog minha rua
Tatiane, no Mulher é desdobrável

E para completar:
Professora premiada quebra paradigmas consagrados pelo pensamento neoliberal das últimas três décadas

[update 2]
Como disse a Lilian, lá na lista: “É um enorme prazer acompanhar essa meninada”

Professor é desdobrável, mas não inquebrável 🙂 Ensaio do 3º ano do CMPA, sob a direção dançante do colega Gustavo, que ontem se descadeirou na apresentação final.


ele é da matemática…
a produção é do colega Vinicius, das artes civis e militares.

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set 08 2009

O suporte x o processo (e suas relações)

Categorias: edublogosfera,educação,redes sociaisSuzana Gutierrez @ 18:00

Em maio passado saiu no portal Conexão Professor um especial sobre Redes Sociais.  Paricipei da matéria falando de blogs, redes sociais e educação. Hoje, no grupo edublogosfera, enquanto discutíamos conceitos como “edublog”, “blog educativo”, “blog pedagógico”, localizando suas definições, usos, semelhanças e diferenças, lembrei da entrevista.

Na época eu havia pensado em publicar a íntegra da entrevista um tempo depois, mas no final acabei esquecendo.  Agora, pensando nas dificuldades de se articular conceitos, trago as perguntas e respostas que ampliam o que está na matéria e que contém um pouco do que penso sobre o que discutimos hoje.

Não falo sobre estes conceitos que ligam blogs e educação, mas falo sobre o equívoco de confundir a relação com o suporte. Isso acontece também quando o assunto é rede social.

Estas respostas foram dadas ao Luiz Eduardo Queiroz e em parte usadas na excelente matéria, que teve um espectro muito mais amplo.

Lá vai:

1 – Qual o papel das novas tecnologias na Educação? Como os professores devem se preparar lidar com elas?

A tecnologia sempre teve um papel importante no contexto social, pois, ao mesmo tempo em que é produto da sociedade, ela também é construtora desta mesma sociedade. A escola, como instituição social, se insere neste contexto e, ao mesmo tempo em que é fruto da prática social, pode ser transformadora desta mesma prática. Assim, o papel que a tecnologia desempenha e vai desempenhar vai depender destas nossas escolhas e construções como sujeitos históricos.

Neste momento e tendo como referência as tecnologias da informação e da comunicação e a educação, pode-se afirmar que elas exercem uma tensão importante nas formas como se aprende-ensina, tensão esta que abre possibilidades de romper com as estruturas educacionais e com a organização da escola.

Porém, a mesma tecnologia que pode propor espaços de transformação é a mesma que reafirma o pensamento hegemônico da sociedade capitalista, que tende a explorar o trabalho. Assim, a tecnologia que poderia aumentar o nosso tempo livre, não raro é usada para nos aumentar o tempo de trabalho ou degradar as condições de trabalho. Um exemplo pode ser encontrado em algumas iniciativas do uso de educação a distância (EAD), nas quais professores são contratados para funções e atividades normais de professores, porém são chamados tutores e trabalham sob contratos temporários, sem plano de carreira, sem direitos trabalhistas.

Neste tema, também, não podemos esquecer que existem escolas e sistemas educacionais nos quais as tecnologias, que estão definindo modos de ser e fazer, ainda são tecnologias que entendemos como dadas e universais: energia elétrica, instalações hidráulicas e sanitárias, espaço e material para artes e educação física.

2 – Você acredita que as redes sociais da Internet possam ser trabalhadas em sala de aula? De que forma elas podem ser aplicadas no dia-a-dia da Educação?

Uma rede social é uma rede de relações sociais e elas já são parte da escola de inúmeras maneiras desde que a escola existe.

Se a pergunta se refere à redes sociais online, devemos considerar os diversos suportes que estas redes poderão usar. Existem redes sociais formadas em sites de redes sociais (SRS), como o Orkut, Facebook e outros. Existem redes sociais online com suporte em blogs, wikis . Existem redes sociais apoiadas por sites de grupos de discussão e forum, sites de troca de arquivos, sites de compartilhamento de música, vídeo, imagens etc.

No meu entender, as redes sociais que podem se formar nestes e em outros suportes podem ser usadas no cotidiano da educação. Seja pela dimensão comunicativa destes suportes, seja pela pré adesão dos alunos que, em grande parte, já estão lá.

Todavia, estes suportes apresentam vantagens e desvantagens no apoio de uma rede social que será usada com objetivos educacionais. Estes limites e possibilidades devem ser considerados em relação a proposta e aos objetivos educacionais. Assim, o que vem primeiro é o projeto educacional.
Por exemplo, se o objetivo for o contato e a realização de atividades colaborativas, o suporte wiki para a rede social é mais adequado que uma comunidade no Orkut.

3 – Qual a importância hoje das redes sociais no universo jovem? Que benefícios elas podem trazer para o desenvolvimento de crianças e adolescentes? Quais os perigos?

Vou responder considerando redes sociais online. Redes sociais são redes de relações sociais e as redes sociais online em muito repetem as configurações das redes sociais que interligam os jovens no contexto offline. Estas interações que se produzem on e offline são o fundamento da sociabilização do jovem, são grande parte do conteúdo do seu cotidiano. É nestas redes de relações que o adolescente engendra sua identidade e aprende.

As redes sociais online, pelos suportes, em geral, públicos, trazem para este contexto uma série de possibilidades, desafios e, até, perigos. Um benefício é a possibilidade de comunicação para aquelas crianças e jovens que têm dificuldades de exercer esta sociabilidade presencialmente, seja por características físicas, seja por características psicológicas. Para os demais, a comunicação em redes sociais online aumenta as possibilidades de interação e abre canais diferentes de interação, seja pela possibilidade do texto escrito, seja pelo uso de outras mídias.

Para todos, as redes sociais online tendem a expandir o número de contatos e a auxiliar na manutenção de todos os contatos.

A lista dos perigos ao mesmo tempo que tende a se ampliar é relativa. Ela é proporcional ao cuidado e a participação dos pais, professores e outros adultos que possam orientar os jovens em mais esta dimensão de sua sociabilidade. Nesta zona de cuidados está a constatação de que a rede pública é ampla e não se pode determinar com certeza quem é aquele outro que ali interage. A interação online é muito absorvente e pode ocupar o espaço de outros tipos de relacionamento social importantes para os jovens, como, por exemplo, as atividades esportivas e de lazer.

4 – Como os weblogs podem ser utilizados na Educação?

A meu ver, os weblogs terão cada vez maior importância, especialmente na comunicação e na educação. Atualmente, o formato weblog, vem sendo usado em diversos tipos de publicação, entre elas, encontram-se páginas pessoais, páginas temáticas, diários de pesquisa, ambiente colaborativo, clipping jornalístico, etc.
De sua origem como suporte de expressão unicamente individual, tornou-se uma forma de publicação em co-autoria. O contínuo fluxo de informação entre blogueiros tende a formar redes sociais interlinkadas que são altamente comunicativas, a polifonia e a intertextualidade amplificando o alcance da rede.

Por todas estas razões, os weblogs vêm sendo cada vez mais usados como ambientes de construção colaborativa\cooperativa do conhecimento e, principalmente, como ambientes pessoais\personalizados de aprendizagem. Neles, o blogueiro agrega recursos e ferramentas, estabelece a sua presença online e a ligação com outros blogs, promovendo o uso social da informação e do conhecimento, construindo redes sociais.

Penso que os weblogs, usados em projetos educacionais, podem potencializar a autoria e a autonomia, pelo exercício da expressão criadora escrita, artística, hipertextual e multimídia. Pela sua própria estrutura, que inclui arquivos, comentários, links de retorno etc., são dialógicos e possibilitam o retorno à própria produção, a reflexão crítica, a re-interpretação de conceitos e práticas. Permitem, assim, que professores e alunos consolidem novos papéis num processo onde todos ensinam e aprendem.

O blog pode registrar de forma dinâmica todo o processo de construção do conhecimento e abrir espaço para a pesquisa, dando visibilidade, alternativas interativas e suporte a projetos que envolvam a escola como um todo e, até, as famílias e a comunidade.

5 – O que podemos esperar em termos de redes sociais para o futuro? Quais são as principais tendências?

Vou falar sobre as redes sociais online. Com o desenvolvimento da web, que é cada vez mais interativa e social, penso que passaremos por um período em que surgirão diariamente novas alternativas de suporte para as redes sociais. E estas alternativas terão características diferentes segundo o ponto de interesse (música, comunicação, vídeos, jogos, …) que procurarem atender. Algumas vão desaparecer em pouco tempo, outras se transformarão, outras, ainda, vão compor novas alternativas híbridas. Algumas se consolidarão e farão história, como os blogs.

Por outro lado, as apropriações que serão feitas individual e coletivamente sobre estas tecnologias vão gerar configurações de rede que podem transgredir os objetivos iniciais dos desenvolvedores. Um exemplo, no meu entender, é o Twitter, que nasceu sob o mote “o que eu estou fazendo” e, atualmente, expressa muito mais “o que está acontecendo”.

Outro movimento é a tendência crescente de convergência de todas estas tecnologias com as tecnologias móveis e sem-fio e, também, a tendência de uma cada vez maior pervasividade.
Crescerá, também, a preocupação com a privacidade nas redes sociais em suportes públicos, numa tendência de reservar informações e de criação de sub redes de contatos com mais ou menos acesso às informações pessoais.

Penso que as redes sociais serão cada vez mais inseparáveis em suas dimensões off – on line e o acesso perderá aquela conotação de “entrar na internet”, pois em e na rede sempre estaremos.

Em relação à educação e à escola, penso que as redes sociais (nas suas dimensões inseparáveis on e offline) serão responsáveis por grandes transformações nas formas como se ensina-aprende. Porém, estas transformações tendem a ser lentas enquanto a estrutura maior que rege a educação não for transformada. Por exemplo: o vestibular é uma estrutura que impede algumas possíveis transformações.

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set 07 2009

No dia da in (ter) dependência

Categorias: academia,edublogosfera,educação,pesquisa,rede,ticSuzana Gutierrez @ 07:09

blogagem coletiva

publicação coletiva

Aderindo a blogagem coletiva, resolvi publicar agumas idéias que, faz muito tempo!,  penso serem essenciais quando se pensa em mergulhar na rede.

Nos vários espaços onde se reúnem professores, reverbera o chamamento ao uso das tecnologias da informação e da comunicação, a condenação da resistência e o clamor por acesso e inclusão.  Ressoa nos canais de comunicação  a celebração da educação a distância como se ela não fosse educação, fosse algo fora, acima, coisa de inciados sem paciência com o que apontam como  pensamento retrógrado.

Grande parte disso tudo passa pela superficialidade e, em muitos casos, opta por um pragmatismo alienado que tende a descartar as tentativas de se por o dedo nas feridas que teimam em aparecer.

Falar em independência é compreender a autonomia, não como coisa, como algo congelado numa definição, mas como relação social que parte da consciência da nossa interdependência, do nosso vínculo forte com o outro. Vínculo tal que faz com que alguns insistam, persistam, repitam, mesmo contra toda a negação da crítica.

E é na perspectiva desta autonomia que penso o diferencial que pode haver nesta entrada cada vez maior de professores na rede.  Pois os professores estão aí, vindo entusiasmados ou desconfiados das diversas formações propostas, vindo por um acaso fruto de maiores possibilidades de acesso, vindo por obrigação, constrangidos por gestores, pelos pais, pelos alunos, …  Entrando na rede, enfim.

E é para este grupo de colegas que eu gostaria de falar, de propor uma pedagogia do puxadinho, um jeito hacker de viver a rede. Quero propor a eles que chutem para o lado todo o receituário, sobretudo o que limite a sua ação, ou seja,  os pode não pode daqueles que, por em absoluto não compreender a rede, vivem tentando controlá-la.

Resgato,  metareciclo, reproduzo, recriando, remixando, refazendo, algumas das minhas idéias de 2004, pois   “a realidade humana não é apenas produção do novo, mas também reprodução (crítica e dialética) do passado” (KOSÍK, 1976, p.150)

Colegas, olhem para a sua formação e pensem na formação de seus alunos dentro de um contexto que privilegie e  promova a pesquisa (as perguntas!). Uma pesquisa que considere a realidade das instituições educacionais e que, a partir desta realidade, construa alternativas de criação e uso da tecnologia.

Prefiram as ações que promovam a autonomia e a autoria no trabalho com as tecnologias e potencializem a opção \ apropriação tecnológica consciente.

Considerem as possibilidades da cultura hacker, do movimento software livre, dos ambientes públicos, interativos e abertos, das formas colaborativas e cooperativas de trabalho, como exemplos de uma reconstruída relação com o conhecimento, como bem humano.

Não se fechem na academia (na escola), ao contrário, descubram os espaços onde a rede invade a academia ,a escola e tudo mais. Façam destes, espaços de vida.  Evitem, também, os feudos que se criam na rede e replicam as formas fixas, pobres e unidirecionais de comunicação e, pior, de educação.

Conjurem as instâncias de apoio (os Núcleos, NTEs, Proinfos) para que partam da imersão na rede, na sua cultura, e, muito mais,  na sua contra-cultura; do que é instituído pelos órgãos educacionais, porém, muito mais pelo que é instituinte e negador, que se coloca como possibilidade, como as alternativas livres que emergem na e da rede.

Lembrem que a rede é rede e o outro é o caminho. Pliquem, repliquem, tripliquem, mantenham o fluxo 😀

Acreditem em si mesmos, no potencial transformador da sua prática, na beleza da sua busca, na segurança da sua experiência, no poder redirecionador dos erros (é por aqui que venho andando, não sem alguns tropeços)

Não aceitem tudo isso que escrevi como diretriz e, sim, como possibilidade de caminho à construir. Mergulhem na rede nos seus termos, como os botos e não como as sardinhas.

in-ter-dependencia

in-ter-dependencia

O texto ficou com jeitinho de discurso… Perdão!!!!!!!! 😳 Afinal, é sete de setembro e algum tom heróico pode retumbar no meu brado. ops! 💡

….siga http://tinyurl.com/interdependencia

….leia todos na: interdependência


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jul 29 2009

formação de professores

Categorias: academia,educação,mestrado,ticSuzana Gutierrez @ 11:04

[…] Infelizmente, as políticas públicas estão sempre na direção da “formação” e “capacitação” dos professores, nunca na direção da apropriação e consolidação da cultura digital. [Ana Beatriz, no Educação à Distância]

Com esta frase a Ana Beatriz encerra o seu texto, que fala da palestra do MEC na WCCE 2009 e resume muito bem o que é um dos grandes nós da questão da inserção das tecnologias da informação e da comunicação no trabalho do professor.

Lembrei que uma das minhas recomendações (p. 195/196 )  na dissertação, mestrado com defesa em 2004, foi a formação a partir da imersão na rede, justamente para garantir uma apropriação que dificilmente os treinamentos e capacitações possibilitavam.

Inserir as TIC no trabalho e na  prática educativa não se trata de aprender a usar ferramentas e, sim, de falar uma nova linguagem, de incorporar práticas sociais. O requisito básico de uma formação é a de abrir o caminho para isso. Isso demanda tempo e reflexão e recursos, sobretudo recursos humanos.

Me preocupa quando leio que

“Os professores da rede pública têm a sua disposição vários cursos a distância para seu aperfeiçoamento continuado, além de extensão e especialização. Até final de 2010 teremos mais de 500 mil professores que passaram por estes cursos, isso sem contar com a UAB, a missão do MEC é não só produzir e promover, mas propiciar aos professores a oportunidade de escolherem o curso que desejem fazer.” [no Web Rádio, da palestra do MEC na WCCE]

pois, não posso deixar de calcular a alocação de recursos tecnológicos, de espaço (polos, NTEs), a quantidade de professores que está sendo necessário contratar (concursar!) para efetuar esta formação gigante. Isso dá aproximadamente 12.500 turmas, necessitando, no mínimo, 12.500 professores e/ou 25.000 tutores, … (mesmo este processo já estando em curso, os números são grandes)

Quando o MEC está intimando as universidades e centros universitários a cumprirem em até 90 dias a lei que diz que as instituições de ensino superior devem ter um terço do corpo docente com dedicação integral, na certa espera que esta contratação em massa que deverá ocorrer possa cumprir esta mesma lei.

Assim, quando não vejo movimentação no sentido de realização de concursos e nomeação de docentes, fico pensando como se dará esta capacitação e se esta será uma real apropriação de uma nova linguagem ou apenas mais um treinamento no uso de ferramentas.

No segundo caso, o resultado já se sabe qual é:  professores resistentes, laboratórios fechados (ver p. 136 da minha dissertação). Pois, não será a “criação, no homem, do correspondente sentido, graças ao qual ele pode compreender o sentido da coisa.” (KOSÍK, 1976, p. 29)

Imersão na rede é formar e viver a rede, ser parte dos elos cooperativos que podem surgir entre professores e, este, é um movimento que passa pela construção de cursos de formação que privilegiem a formação da rede. Cursos que vão exigir muito mais do que ambientes virtuais e tarefas lineares e, por isso, vão exigir muito daqueles que vão, juntamente com a tecnologia, mediar esta aprendizagem.

Aí que pergunto se as nossas instituições formadoras estão prontas para fazer e manter este mergulho na rede junto com estes 500.000 professores.

KOSÍK, K. Dialética do concreto. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976. 230 p.

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jul 21 2009

Reflexões sobre a Aprendizagem

Categorias: educação,ticSuzana Gutierrez @ 10:25

gatosComo, quando, por que aprendemos; a inevitabilidade de aprender; a simplicidade de aprender; a complexidade de aprender … volta e meia estas questões aparecem no horizonte mais próximo. Quando eu me pergunto por que aquilo que vivenciamos no treino não aparece no jogo, quando um conceito surge claro inesperadamente, quando uma ligação se esconde, foge, não relaciona. – aprender … apreender.Uma questão de conteúdo e contexto, de desejo e oportunidade. Mais uma vez fiquei pensando sobre isso, hoje. E dei uma vasculhada nas situações de aprendizagem pelas quais passei, tentando isolar uma diferente, que, por isso, pudesse me mostrar alguns caminhos.

Anos atrás, durante o verão (férias!), ao observar a minha irmã pintando caixas e outros utensilios de madeira, me deu vontade de fazer o mesmo. Ela prontamente vestiu as roupas de mestra e passou a me orientar.

Achamos uma destas embalagens de flores (uma caixa de madeira) que andava jogada pela casa e comecei a mexer com as tintas e pincéis. Minha mestra havia feito cursos, aprendera técnicas e as executava com cuidado, seguindo as diversas etapas e foi assim que passou a me ensinar. Eu segui…

Agora, … o que me motivou a querer me aproximar deste conteúdo (pintura, artesanato), no contexto (informalidade)? Minha vontade era mexer com as tintas, usar os pincéis, os dedos, combinar as cores, tentar fazer ‘coisas’ surgirem por puro prazer. Sem compromissos com a técnica, priorizando o instinto ao invés das etapas de criação (eu diria reprodução).

A mestra foi embora no fim de semana e me deixou com suas ferramentas. Conteúdo e contexto me fizeram buscar estas ferramentas para conhecer melhor, vivenciar, construir e desconstruir. E eu, sem as técnicas e procedimentos atrapalhando, busquei outras. Pintei com panos, com dedos, dilui, misturei, errei e acertei, descobri, descobri. E criei.

O conteúdo foi guiado (flutuou, mergulhou) pela linguagem que as minhas ações, escolhas, contexto determinaram. As ferramentas não escolheram o conteúdo. Este não se conformou, ao contrário, de certa forma determinou, transcendeu ferramentas.

Um objeto (uma relação), parte de um contexto, que possui uma linguagem, formas de expressão – centro de interesse, objeto de desejo, inevitável aprendizagem. Movimento.

Assim, caros 6 leitores, não perguntem como usar blogs em educação ou o twitter na aprendizagem de língua portuguesa. Mais do que ferramentas, blogs, twitter, … podem fazer parte de uma linguagem que os contém, além das coisas que queremos (queremos?) apreender. A linguagem do nosso contexto que não é una, nem fixa, nem imutável.

… ainda pensando

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maio 08 2009

As propostas de mudança na educação do RS

Categorias: educaçãoSuzana Gutierrez @ 05:45

Fiquei indecisa entre rir ou chorar quando li esta matéria do jornal ali da Azenha. Cheguei ao link acompanhando as reverberações do tema entre o professorado e seguindo os links de quem se animou a escrever sobre o assunto.

Penso que a nossa governadora e a sua secretária de educação não compreenderam a proposta do MEC (que não é nenhuma novidade). Isso é muito constrangedor para quem se propõem a pensar e gerir a educação de um estado. Agora, … se não foi esta vexamosa falta de compreensão, a alternativa é pior: má fé, deliberado oportunismo.

É surpreendente que nem bem o MEC apresente uma idéia e o governo do RS já tem uma proposta pronta para levar a frente a sua versão. Eficiência? duvide-o-dó.

Ninguém nega que a educação necessita ser reinventada (até para resistir melhor a este tipo de ataque), mas este processo passa por uma discussão ampla mobilizando professores, alunos, comunidade e não vir na forma de pacotes fechados a serem implantados goela abaixo de todos. Até porque não vai funcionar e daqui uns anos de tentativas, virá outra “transformação vertical”, pois sempre tem alguém que sabe sozinho o que é melhor para todos.

E, além disso, qualquer transformação passa necessariamente por duas coisas: formação e trabalho do professor.

A secretária Mariza Abreu diz:

“– Não significa que o currículo vai abandonar as disciplinas, mas que estará organizado em áreas em que as pessoas terão de trabalhar de forma integrada. O mesmo professor tem que dominar as disciplinas de sua área – diz Mariza.” (link para a matéria)

e mais adiante:

“A ideia da Secretaria Estadual da Educação (SEC) é que, no futuro, todo professor esteja apto a lecionar qualquer uma das disciplinas integrantes da área de conhecimento a que está vinculado. Por exemplo, um professor de biologia poderia dar aulas de química e física. Já um de história poderia lecionar também geografia e filosofia.”
[…]
Dependendo da formação do professor, ele precisará ser treinado para começar a lecionar uma nova disciplina. Segundo a secretária da Educação, Mariza Abreu, a intenção é realizar treinamentos dentro das próprias escolas […]” (link para a matéria)

Absurdo irresponsável, não pela idéia em si, mas pela irresponsabilidade de tentar treinar apressadamente quem não foi formado. Neste sentido, podemos estender esta proposta para a área da saúde, fazendo da medicina, fisioterapia, enfermagem, educação física, nutrição, … uma grande área e, aí, eu posso treinar para fazer algumas cirurgias simples.

E, pior… Certo que o treininho será naqueles duas ou quatro minguadas horas semanais destinadas à preparar aulas e reuniões (tudo que não seja aula). Ou será que o novo plano de carreira que a secretaria de educação está hum…, discutindo, trará a previsão deste tempo de “treinamento” incluído na carga horária semanal do professor, além do tempo para planejar a aprendizagem, preparar aulas e corrigir trabalhos e tarefas?

((para quem não sabe, um professor do Estado que tem 40h semanais, dá 36 horas de aula e tem 4h para fazer todo o resto: ir a reuniões, atender pais e alunos, planejar, preparar, corrigir, estudar, ler, …))

Penso, entretanto, que a proposta do MEC não é nem de perto esta que o nosso governo tão rapidamente apresentou. A idéia, pelo que entendi, é trabalhar de forma integrada, numa perspectiva mais estruturada, procurando a interdisciplinaridade. Idéia que não é nova e é levada de diferentes modos por muitas escolas. Em parte, é aquela conhecida integração vertical e horizontal dos conteúdos.

Nas aulas de Educação Física, Biologia e de Física no CMPA é feito um trabalho conjunto dos professores, usando o Atletismo (corridas, treinamento intervalado, …), conteúdos de Física (Movimento, Energia, Energia Cinética, …) e Biologia. Porém, os professores trabalham juntos, cada um na especificidade de sua formação e na compreensão dos conceitos mais amplos da outra área de formação. Os professores de educação fisica e biologia sabem o que é aceleração de um movimento, mas quem aprofunda este assunto é o professor de Física. O professor de Física sabe o que é energia/movimento, mas quem explica o que acontece no organismo humano durante um determinado tipo de movimento é o professor de educação física. O professor de Biologia pode aprofundar ainda mais este assunto. Ou seja, todas as áreas se aproximam e têm muitas regiões comuns.

Para que um professor pudesse abranger com qualidade estas três áreas, seria necessária outra formação. E uma formação já transformada.

Todavia, eu ainda não acredito no que li, quer dizer, que vai permanecer isso que foi publicado. Penso que ligeirinho vai aparecer algum “eu não falei …, eu só disse que…”.

Colegas professores do Estado do RS: vocês vão continuar calados e, nem diante desta aberração autoritária, não vão FAZER nada?

Alunos: vocês tranquilamente vão treinar basquete com um médico e fazer uma cirurgia com o nutricionista?

Mais aqui:

Cloaca News
Diário Gauche
Quebra Tudo – por Robson Freire
Agência Estado – proposta do MEC

Ler, também:

“A política educacional de Yeda Crusius lembra os métodos de Pirro: castigo e anacronismo. Defendeu a ‘enturmação’, um procedimento pedagógico revolucionário consistindo emempilhar alunos de séries diferentes numa mesma sala para fazer economia a curto prazo e agradar ao Banco Mundial. Opôs-se a pagar o piso federal como salário inicial, preferindo ver o piso um teto. Provisório. Resolveu encarar greve como folga. Mesmo a recuperação das horas não trabalhadas, procedimento sensato, não bastou. Yeda, como Pirro, prefere o castigo no grão de milho e a palmatória. É mais educativo. Afinal, nessa concepção altamente inovadora, a humanidade só funciona por punição e recompensa.” (Juremir Machado da Silva, no Sineta)

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maio 07 2009

CMPA e as TIC

Categorias: cmpa,educação,informação,ticSuzana Gutierrez @ 11:05

Nos últimos anos o Colégio Militar de Porto Alegre tem se conscientizado do poder da informação ágil, correta e em rede. O site do colégio passou a ter um gerenciador de conteúdo (Mambo) que democratiza a publicação de notícias e ampliou os canais de comunicação com alunos, professores, pais e comunidade.

Usa listas de discussão para comunicações entre as seções de ensino e grupos de professores, mantém diversas comunidades no Orkut (CMPA, Basquete CMPA, Coral, Banda, ..) e, aderiu ao Twitter, dentro de uma idéia de disseminar a informação.

Penso que nestas boas iniciativas só falta uma: distribuir via RSS o conteúdo do site. Esta distribuição até já existe, mas o feed é muito ruim, pois não mostra o conteúdo e tenta mostrar conteúdos internos e protegidos do site.

Penso que entrar na rede é um desafio para qualquer escola, na medida em que estar na rede é ampliar a presença para além da comunidade mais próxima. Problemas e oportunidades estarão permanentemente no horizonte, mas…. sem ousadia não há inovação e reinventar a escola passa por ousar um pouco mais 🙂

Falando nisso, repercutiu no CMPA as matérias da Revista A Rede e do Portal Conexão Professor que, entre outras coisas, fala de projetos realizados no colégio. Fui entrevistada e, além das minhas exepriências adquiridas na pesquisa, falei dos projetos de professores e alunos do CMPA que utilizam as TIC.

Espero que este destaque possa incentivar as nossas aventuras com as TIC no colégio.

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