maio 13 2011

Tese

Categorias: doutorado,ufrgsSuzana Gutierrez @ 10:22

Resolvi publicar por aqui. Defendi em dezembro de 2010.

GUTIERREZ, S. Professores Conectados: trabalho e educação nos espaços públicos em rede.  2010.  277 f.  Tese (Doutorado em Educação).  Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010.

Está, também, no banco de teses da UFRGS:

)) Link no banco de teses da UFRGS

Minha ideia de escrever muito, navegar muito, entre outras coisas, ficou para depois. O meu foco principal hoje são os alunos, as aulas e o basquete.

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dez 17 2010

Doutorado – a defesa

Categorias: academia,doutorado,educação,pesquisa,redes sociais,tic,ufrgsSuzana Gutierrez @ 10:59

Ontem foi literalmente o dia D.  O dia da defesa. Às 8h:30min, na sala 703  do prédio da FACED da UFRGS, apresentei a minha tese perante a banca e uma pequena audiência de colegas. Foi um momento importante, culminando um trabalho que vem desde 2005, quando encaminhei o anteprojeto como um dos requisitos da passagem direta ao doutorado. Desde então, com maior ou menor intensidade, a pesquisa fez parte do meu cotidiano e foi um fator que contigenciou as minhas decisões.

Qualifiquei o projeto em meados de 2008, dando forma ao trabalho e encaminhando o processo que ocuparia os anos seguintes com muita força. Posso dizer que, desde o final de 2008, a minha imersão e dedicação foi prioritária. Mantive as atividades acordadas no trabalho no colégio e me beneficiei de um afastamento que é direito de professor em instituição federal.  Destaco aqui o apoio do Colégio Militar de Porto Alegre que,  coerente com suas diretrizes, vem apoiando as formações dos seus quadros, e a solidariedade dos colegas que me substituiram em algumas turmas de aula.

Fiquei muito feliz e tenho muito a agradecer a tanta gente!

Professores Conectados: trabalho e educação nos espaços públicos em rede

Orientadora: Profª Drª Carmen Lucia Bezerra Machado

Banca:

Prof. Dr. Augusto Nibaldo Silva Triviños – FACED – UFRGS
Prof. Dr. Lucídio Bianchetti – FACED – UFSC
Profª Drª Marlene Ribeiro – FACED – UFRGS
Profª Drª Raquel Recuero – ECOS – UCPel

A tese em breve será publicada. A apresentação bem simples revela alguns detalhes da construção do trabalho:

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dez 07 2010

pós doc

Categorias: academia,doutoradoSuzana Gutierrez @ 13:02

:)) brincadeirinha!  Mas, esta fase pós entrega da tese é muito estranha. Pelo menos está sendo para mim. Não sei se foi a clausura autoimposta dos últimos anos, na qual a maioria das coisas ficou fora da rotina estreita de tese e basquete, mas o mundo me parece diferente, como se eu tivesse estado internada em alguma “montanha mágica” e saído estranhada do mundo.

Ao mesmo tempo em que preparo a defesa da tese, estou pondo em dia as coisas ‘das casas’, da que eu moro e que mora em outra. Daquela que foi ao dentista hoje e daquela que, ontem, eu enfeitei para o Natal.

Remexendo arquivos, como a apresentação do meu projeto de tese em agosto de 2008. Ah os projetos… são quase como as promessas de dieta 🙂  Este ao menos saiu, não de todo como foi pensado inicialmente, mas dá uma ideia do que tem na minha tese.

Neste verão, quero recuperar um pouco do que foi indizível durante este último ano do doutorado.

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nov 17 2010

uma tese é uma tese

Categorias: doutoradoSuzana Gutierrez @ 13:25

Hoje eu entreguei a minha tese na secretaria do PPGEdu.

Só quem passa por um doutorado sabe o que significa este momento 🙂

O dia ficou estranho.  Incrível o espaço que este doutorado estava ocupando do meu dia.

Reuni parte dos livros e da papelada que estavam dispersos por todo o lugar. 

A casa, todavia, ainda não saiu do clima: jeito de palco vazio depois do espetáculo.

Já abri bem todas as janelas, mas falta ainda queimar este sofá…

((mas só vou fazer isso depois da defesa 🙂 ))

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out 25 2010

Tempos estranhos

Categorias: academia,cmpa,doutorado,políticaSuzana Gutierrez @ 13:54

Eu nunca pensei que a reta final do meu doutourado fosse coincidir com a instigante  reta final das eleições presidenciais no Brasil. Está sendo difícil escrever uma tese na qual falo de trabalho, tecnologia e educação no contexto de uma sociedade capitalista que imprime toda uma lógica em todos estes processos e, ao mesmo tempo, observar esta lógica em curso, exacerbada pela luta entre duas visões de mundo essencialmente diferentes.

É com agradável surpresa que constato na prática algumas coisas, como extensão do acesso à internet que vai bem além dos +- 25% dos brasileiros que possuem computadores e conexão, conforme o IBGE. Não fosse isso, as grosseiras manipulações da mídia monopolizada passariam como sempre passaram. Estas eleições estão mostrando claramente um caminho de construção possível de outra hegemonia.

E eu, por ter de me dedicar integralmente a tese, estou perdendo aulas incríveis como as do Prof Emir Sader, todos os dias (hoje será às 21h), e experiências interessantes como as que o José de Abreu tem trazido. Os dois, sem este espaço na grande mídia, encontram nas TIC uma forma de compartilhar um outro tipo de informação. Aliás, recomendo muito à quem só lê grande jornal e vê TV aberta (qualquer um ou uma!) que procure outros canais.

Nos blogues e nos canais alternativos de mídia a possibilidade de obter um outro tipo de informação.

Neste momento político, em especial, recomendo:

Agência Carta Maior
Amálgama
Biscoito Fino e a Massa

E, enquanto isso eu escrevo, escrevo, escrevo.  Com saudades do meu colégio e de meus alunos.

Colégio Militar

CMPA

* estes dias, quando vinha voltando da UFRGS, o CMPA parecia especialmente iluminado.

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set 29 2010

doutorado em gotas II

Categorias: ciência,doutorado,redes sociaisSuzana Gutierrez @ 20:14

Na impossibilidade de ampliar o todo, publico as partes que andam soltas aí nos meus rascunhos 🙂

# redes sociais não são sistemas estanques, livres da influência do meio onde se inserem, ao contrário, redes são históricas, contextuais, inapreensíveis em seu movimento, são o todo e a parte de uma totalidade de relações.

# A forma como a rede se articula mostra e esconde, determina e é determinada pelo conteúdo da rede. O cuidado é não tomar a forma pelo conteúdo e nem o conteúdo pela forma de modo estanque, tendendo a congelar aquilo que é altamente dinâmico e dialético.

# É tentador, mas perigoso usar teorias e conceitos desenvolvidos numa ciência em outras ciências, sem que as peculiaridades de cada campo do conhecimento sejam consideradas. E que, neste processo, uma realidade seja “modelada” por propriedades e leis criados em e para outra realidade.

Como diria um amigo meu:
[…] a memória, introduzindo o passado no presente sem modificá-lo, tal qual fora quando presente, suprime exatamente esta enorme dimensão do tempo conforme a qual a vida se realiza …

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set 21 2010

doutorado em gotas I

Categorias: doutorado,educação,tecnologiaSuzana Gutierrez @ 19:57

A coisa anda pegada e o espaço restrito por conta do tempo.  Um pouco deste contexto em que escrever ajuda a pensar passa por:

# Quando se fala em TIC na educação, existe a tendência de estabelecer um ‘padrão’ que homogeniza tecnologias que podem variar muito de um contexto para outro.

# Pensando na educação e na sua condição de instrumento de reprodução da ordem social,  é importante que as alternativas de mudança não sejam somente formais, mas que se dirijam à essência das práticas educacionais.

# Ser professor faz parte de um aprendizado constante, que se dá ao se compreender e aprender a razão de ser professor. De reconhecer a razão de ser do próprio ato de ensinar, com a sua dimensão criativa e profundamente dialógica.

# Se por um lado o avanço tecnológico possibilita novas formas de aprender, as necessidades de aprendizagem também impulsionam a criação dos suportes. E tem de se tornar claro que todo este processo está contido, mas não limitado, pela forma como produzimos a nossa vida atualmente.

((por enquanto eu sou só rascunhos))

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jul 31 2010

entre o velho e o antigo

Categorias: academia,categorias,doutorado,leituras,rastrosSuzana Gutierrez @ 15:16

Há alguns anos, no saudoso Arroio do Sal, uma amiga minha passou por uma experiência muito interessante. Vinha ela caminhando tranquilamente na beira mar, retornando para casa ao fim da tarde,  revigorada pela brisa quase suave dos nossos mares do sul. Carregava a cadeira e, na bolsa, um livro. Vinha pensando em coisas boas, quando o vento que lhe vinha das costas trouxe um zum zum adolescente, cujo tema era a sua anatomia (ainda bastante boa para os quase 50).

Entre divertida e lisongeada, ficou escutando o papo que se aproximava de seus passos lentos. O grupo de rapazes, em seus apressados 15 anos a ultrapassou e, aprendizes aplicados da lógica masculina, viraram suas caras safadas para olhar o objeto de suas elogiosas frases.

– Mas ela é velha! – sentenciou o líder da manada. E lá se foram eles, semi-indignados, apressando o passo.

Minha amiga, seguiu impávida, se divertindo com o desdobramento do ataque dos franguinhos Minu 🙂

[pausa]

Meus alunos costumam brincar comigo sobre estas coisas da idade. Geralmente, com a cara mais deslavada perguntam se “no meu tempo” as galenas tinham programação ou, exageradamente, se a roda já era usada para locomoção de pessoas. Eu costumo aderir à brincadeira, pescando alguma coisa realmente ante-diluviana que os deixe com caras de bobos.

Ou, quando estou na pilha, tento problematizar estas relações entre velho \ novo \ antigo \ moderno. Costumo dizer que não passei dos 17 anos, porque acho esta uma idade ideal e recomendo a todos que fiquem neste limite. Geralmente, não explico porque. Ou digo que não sou velha, de modo algum, mas que cai da cegonha sem querer.

Ou, ainda, digo que velho é quem nasce velho e que ficar velho é diferente de envelhecer. O que temos como humanidade é um acervo de juventude que se conserva, antiga mas sem ‘ficar velha’. Legado que deixamos quando envelhecemos. E falo que eu sou antiga, pois faz tempo que conservo a minha juventude, os meus 17 anos. Velho é quem nasce assim e segue se decompondo dia à dia, mesmo nos seus 5 anos de vida.

Pois não há nada novo, que seja novo fora da antiguidade de algo jovem que foi conservado neste nosso acervo humano. E não pensem que eu ando viajando para me escapar de escrever a tese. Estas coisas todas me vieram à mente ao reler a página 397 do volune II do Conceito de Tecnologia de Alvaro Vieira Pinto. Aliás, leitura obrigatória para pensar dialeticamente a tecnologia.

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jun 30 2010

recesso

Categorias: academia,doutoradoSuzana Gutierrez @ 17:25

Estou escrevendo, escrevendo, escrevendo. Nada que eu possa, agora, publicar aqui.  Os dias ficam curtos para tantas coisas. Escrever motiva leituras… Aliás, se eu posso recomendar alguma coisa para alguém que está fazendo doutorado ou mestrado, eu recomendo: comece escrevendo.

Escrever ajuda a pensar e indica o que ler.  Se o que tu escreves hoje parece vazio, incompleto, estas lacunas vão te indicar o caminho.

Mas, … este é para ser um micro texto :). Assim, … até!

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maio 31 2010

Redes sociais, apropriação (internalização!) tecnológica

Categorias: doutorado,educação,ticSuzana Gutierrez @ 08:38

Pois eu ando bem afastada daqui, mas não afastada dos assuntos que sempre moveram este blog. Estou escrevendo, refletindo, lendo, tornado a escrever, … E trabalhando 🙂 Minha gurizada anda a mil nos campeonatos por aí. Este meu ano atípico se reflete, também, no rendimento deles. Aliás, nosso ano é atípico: eu em fim de doutorado, eles, a maioria dos mais velhos no 3º ano e com o fantasma do vestibular no horizonte.

Mas, ….. sinto saudade de dividir aqui algumas das coisas que ando pensando. Até porque este movimento me ajuda a … pensar :). Muitas coisas parecem simples de tão faladas e discutidas. Todavia, esta simplicidade é, em grande parte, fruto da nossa tendência a dar as coisas como dadas e naturais.  Por exemplo: a afirmação de que as TIC na educação estão aí para ficar e que é inevitável nos conformarmos e adaptarmos  e que precisamos correr para não ficar ultrapassados e que somos imigrantes que não entendem a linguagem falada pelos nativos e que devemos dar uso a qualquer bobagem tecnológica inventada na semana e que urge

Toda esta conversa incessantemente repetida afeta a formação e o trabalho do professor,  sem que ele consiga tomar nas mãos a direção, sem que consiga adquirir segurança para lidar com todas estas questões, sem que  a reflexão passe da superfície e chegue ao que realmente move todo este processo.

Fica oculto e simplificado o fato de  que a inserção das TIC na formação e no trabalho dos professores é um fenômeno complexo, inserido num contexto maior,  tensionado por contradições que podem direcionar o seu desenvolvimento em sentidos qualitativamente diferenciados e até opostos. Estas tendências de desenvolvimento estão em sintonia com a diversidade de experiências pelas quais os professores passam no processo de apropriação das TIC.

((A própria palavra apropriação pode ser um bom tema de discussão))

Independente de sua opinião, decisão. vontade ou interesse os professores estão em contato com as TIC no seu cotidiano, inclusive na escola, qualquer que seja a organização e o modo de funcionamento da escola. Neste processo de progressiva inserção das TIC, os professores podem oscilar entre diversos contextos de aceitação e de negação, e estas escolhas podem partir de distintos tipos e graus de internalização (aproriação?).

As formações para o uso das TIC em educação podem contribuir para que o professor reconheça a realidade da inserção das TIC na vida, na educação e no trabalho de todos e, também, para o processo de apropriação (internalização?)  das TIC pelo professor. Porém, esta contribuição apresenta resultados diversos, conforme as finalidades, os objetivos e o projeto desta formação.

Algumas formações, apesar de trabalharem com diferentes tipos de tecnologia, exploram pouco o potencial de formação de rede e mantém o mesmo tipo de relação da sala de aula tradicional, na qual a formação de rede também não é muito explorada. A comunicação e as experiências compartilhadas ficam em grande parte apenas entre professor e aluno. Isso quando o professor que está acessível ao aluno não é apenas um tutor cuja função se resume a fazer o aluno acessar os ‘materiais instrucionais’, entender e entregar as tarefas.

O que resulta destas formações mais ou menos monológicas são professores que tendem a não utilizar nada do que aprenderam, que veem as TIC apenas como ferramentas, pois não estabelecem conexões com sua realidade e nem estão aptos a construir com seus pares propostas nas quais as TIC possam ter significado.

Ainda quando o professor participa de uma formação, na qual este estabelecimento da rede é privilegiado, a apropriação das TIC pode não ultrapassar a pseudoconcreticidade (Kosik, 1976), ou seja, a prática alienada na qual os professores sabem usar as TIC, mas não as compreendem. A partir de uma apropriação deste tipo, as possibilidades de transformar a educação, também com a mediação das TIC, fica fora do alcance. Nestas formações, isso acontece quase sempre porque a rede formada (?) se restringe ao curso e seus participantes e se encerra no final das aulas.

No meu entender, para que a formação (formal ou informal) para o uso das TIC em educação contribua para uma apropriação (internalização?)  autônoma, fundamentada na consciência e compreensão das TIC e da realidade social na qual elas se inserem, ela não pode prescindir do engajamento e da participação nas redes sociais online. O processo de apropriação das TIC é alterado quando o professor começa a participar de redes sociais online. Em especial quando estas redes são públicas e redes de professores.

A construção de uma presença online e a reflexão sobre a própria prática em diálogo aberto com seus pares tende a ampliar a compreensão sobre as TIC e os desafios da vida e da educação mediada por elas. A presença online do professor pode ser construída de diversas formas, sendo que páginas dinâmicas como blogues e wikis garantem o espaço para uma presença pública, diacrônica e histórica, uma interface comunicativa para o diálogo e a possibilidade do professor progressivamente ir agregando recursos, procedimentos, rotinas, criando um ambiente pessoal\personalizado de aprendizagem, no qual o professor pode submeter as coisas a própria práxis (Kosik, 1976).

Estas são algumas das coisas que direcionam o que ando investigando. Em princípio, podem parecer óbvias, mas o que nelas se mostra e o que nelas se esconde não é dado de antemão, sem que passe a primeira camada e se considere a totalidade de relações envolvidas.

——

KOSÍK, K. Dialética do concreto. 7ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976. 230 p.

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mar 21 2010

só para constar

Categorias: basquete,doutoradoSuzana Gutierrez @ 23:45

Quase um mês sem escrever por aqui e, também, pouco ativa em outras redes. Motivo? O principal é que estou escrevendo a minha tese. Não que já não a estivesse escrevendo faz um bom tempo, porém entrei naquela fase maníaca que se instala em tempos finais de doutorado.

Hoje, entrei na reta final de revisar e reescrever o que já tinha escrito sobre redes sociais, as diversas abordagens, de forma a clarear a minha visão das redes, assumir e defender as escolhas teóricas. As redes sociais, no sentido de redes de relações sociais, são parte da minha pesquisa. Sigo, também, na reta final das entrevistas e terminando alguns artigos. Sé não sei se ganho a corrida dos prazos.

Nas aulas, ritmo menor este ano. Treinos ainda meio caóticos e as competições começando a pipocar. O lazer anda por conta de assistir o Basquete na TV. Esta semana começa o Sweet Sixteen da NCAA. Só jogão \o/

E o tempo vai passando:

CMPA 2008, por Vinícius.

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jan 15 2010

pensando na vida

Categorias: doutorado,pesquisa,rastrosSuzana Gutierrez @ 14:13

A vida é uma coisa muito fugidia, um fluxo que escorre pelos dedos, impossível de segurar para aproveitar mais determinados momentos.  O relato da vida é sempre o relato da vida que passou, uma eterna busca do tempo, perdido para alguns, vivido para todos. Um relato impossível, a menos que se conte em vez de viver, que nos tornemos mais atores que autores da própria vida.

Este início de ano está repleto de coisas sobre as quais valeria escrever. Tantos as pequenas coisas do cotidiano, quanto os inúmeros eventos que povoam o nosso espaço mais geral de vida.  Tudo agora tem efeito global e ninguém escapa de experimentar a aceleração que parece envolver tudo.  É um aprendizado interessante lidar com esta aceleração, não se enredar no fluxo constante de informações.  Aprender a buscar e desfrutar de lugares de quietude e reflexão.

Como todos, entrei 2010 preocupada com as mudanças climáticas e com seu efeitos, a natureza cobrando o seu preço pelo descaso e pela ganância das nossas práticas. Comovida com o que vem sendo o destino de um povo tão sofrido e  explorado como o do Haiti. Pessimista com as possibilidades de mudar este mundo, quando vejo a naturalização destas práticas predatórias em nome do lucro e a convicção de grande parte das pessoas de que ‘sempre foi assim e sempre assim será’.

Por outro lado, continuo persistente pensando alternativas, as tais brechas que se instalam na contradição que é  a forma das coisas se desenvolverem.  Atenta às bifurcações, como o querido Daniel Bensaïd, que se foi faz uns dias, mas que deixa um legado de luta, de lucidez, de re-encantamento com a erpectiva da emancipação.

Aprendendo e compreendendo com aquilo que emerge na e da pesquisa. Mergulhando mais profundamente na complexidade dos temas do meu doutorado. Fazendo escolhas, sofrendo as muitas dúvidas, procurando caminhos de fazer um trabalho que traga alguma contribuição concreta para o contexto no qual o avanço das TIC encontra a formação e o trabalho de professoras e professores.

Estou reservando tempo para pensar. Enquanto caminho, vou fotografando e pensando, olhando com novas lentes o mundo a minha volta, procurando ver além do que se mostra.  Me aproximo do momento em que escrever será um imperativo.

capão da canoa

lugares de quietude

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nov 01 2009

reflexões de pesquisa

Categorias: blog,doutorado,pesquisaSuzana Gutierrez @ 07:43

Depois de um tempo bastante conturbado em todos os setores, as coisas acalmaram.  Algumas mudanças no rumo da minha pesquisa me fizeram optar por um caminho mais longo e estou literalmente em busca do tempo. Ainda não estou aprofundando a análise de dados, mas ela não fica fora da coleta. Como que salta da tela a todo instante e me faz pensar.

Em 2002, a maioria dos serviços de blog não vinham com espaço para comentários e estes eram adicionados por meio de outros aplicativos. Logo em seguida, os comentários,  os links permanentes, o rss se tornaram funcionalidades padrão do blog e algumas outras novidades foram surgindo para, de modo geral, ampliar o alcance dos textos publicados. Uma colaboração da interface para a sequência da conversação.

Porém, o espaço ‘comentários’ ainda pode melhorar tornando padrão algumas possibilidades:

  • Aprimorar as possibilidades de responder a comentários, publicando a resposta, ao mesmo tempo, no comentário e no blog \email do autor do comentário. Isso já existe, mas pode melhorar.
  • Manter ligado este diálogo por meio de trackbacks automáticos.
  • Tracback\Pingback: ser padrão no caso dos links referidos em outros sites. Compensar isso com um “nofollow” acessível ao autor.
  • Registro de comentários feitos e seus desdobramentos, a critério do autor, ligados a interface do seu blog. Uma espécie de união de sites como cocomment com o aplicativo de blog.

Observei que os hábitos dos blogueiros ao responder ou não aos comentários são bem diferenciados e incluem:

  • Editar o comentário acrescentando a resposta.
  • Abrir um novo comentário.
  • Comentar no blog do autor do comentário. Neste caso, o diálogo tende a se restringir aos dois, dificultando o acesso de outros leitores. Além disso, a resposta dada no blog do autor do comentário fica fora do contexto do que está publicado lá naquele blog.
  • Responder apenas por email.

E mais:

  • Grande parte dos diálogos não passam da réplica, não avançam, mesmo quando existe provocação para avançar (já falei sobre isso). Isso pode ser creditado, em parte, a estrutura do blog.
  • Os leitores de rss ajudam a manter vivo o contato com diálogos nos comentários, mas poderiam dar um jeito de facilitar a interação.
  • Novidades como o Note in Reader, poderiam ser aperfeiçoadas no sentido de capturar partes de textos ou comentários com mais possibilidades de edição.

Todas estas coisas tem influência naquilo que é publicado. Meio e mensagem tendem a interagir dialeticamente sobredeterminando um ao outro.

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out 15 2009

Dia do Professor

Categorias: cmpa,doutorado,educação,pesquisa,rastros,suzana gutierrezSuzana Gutierrez @ 12:54

medalha marechal trompowsky

medalha marechal trompowsky

Colegas, 🙂 parabéns para nós!

Este ano não vou falar da educação, do professor, … Não vou colar nenhum cartãozinho ou charge e nem xingar :~)

Vou fala um pouco dos dias da professora aqui. Uma professora que se diferencia da maioria dos colegas por ter plano de carreira, por poder trabalhar numa só escola, por estar em casa hoje, estudando com apoio da legislação sobre seu plano de carreira. Uma professora que não é privilegiada, como alguns gostam de dizer, uma professora que, por outro lado, não sofre a precariedade de condições de trabalho e carreira da grande maioria dos colegas.

Meus dias de professora são alegres, tenho prazer em trabalhar e estar com meus colegas e alunos. Adoro o que eu faço, mesmo. E esta semana está sendo especial.

No feriado, fui fazer uns arremessos na praça aqui do lado de casa e, em 2 minutos, estava dando aulas 😀 Um punhado de crianças foram chegando uma a uma e terminamos jogando basquete na quadra toda. Folgo em dizer que a bola de futebol deles ficou paradinha esperando no canto da goleira. << isto é um privilégio de ser professor.

Ontem, na formatura alusiva ao dia do professor, recebi, juntamente com colegas do Colégio Militar de Porto Alegre, a Medalha Marechal Trompowky* e passei a manhã nas quadras, me divertindo muito com meus alunos e colegas. As aulas de educação física foram abertas aos colegas professores que se misturaram aos alunos. Reza a lenda que muitas, er…, diferenças foram acertadas no futebol. Creio que sim, pois todos voltaram felizes do campo 🙂

À noite, meu time infantil venceu de forma brilhante o jogo da semi-final do Campeonato Anchieta e está classificado para disputar a final. Resultado bom, mas nem de perto superou a alegria de constatar o desenvolvimento do time ao longo do ano. Deu gosto ver que aquele bando de pangarés 😀 agora são uma equipe unida, coesa e temível!

Hoje, estou em casa, grudada nos dados e nos meus sujeitos e sujeitas de pesquisa :|. Ah… estes dados de blogs! Não somente os colho, mas mergulho neles e eles me levam para tantos e tão surpreendentes lugares. A coleta de dados está levando o dobro do tempo previsto! Estou passando o dia do professor no meio dos professores, do seu cotidiano, dos seus interesses. Colegas, vocês não calculam a relevância destas suas memórias singelamente blogadas. Aquele texto (que alguns acham) diarinho, aquele comentário abobrinha, as imagens, os sons e as falas do seu dia valem mais do que resenhas, que citações. E quando vocês refletem em cima destes relatos, é aí que encontramos a teoria\prática construída a muitas mãos e em tempo real.

Na imagem, a minha medalha. Professores de Educação Física tem um fraco por medalhas. Tive de me conter para não ir na padaria com ela.

* “Medalha Mal Trompowsky, criada pelo Decreto do Exmo. Sr. Presidente da República do Brasil em 1953 e destina-se a distinguir cidadão brasileiro ou estrangeiro, ou instituição, que se tenha destacado em relevantes contribuições ao ensino nos Estabelecimentos de Ensino das Forças Armadas, à educação ou à cultura”.

[update]
O círculo se fecha sem se encerrar. A voz de cada colega vai moldando a realidade (hoje!) de ser professor:

Marli, no Blogosfera Marli
Sérgio, no Aprendendo em redes de colaboração
Rogério, no Monitorando
Robson, no NTE Itaperuna
Veneza, no Diário da Professora
Teresinha Bernardete, no Caminhos para chegar
Jenny, no O PC e a criança
Gládis, no Gládis Santos
Franz, no Este blog minha rua
Tatiane, no Mulher é desdobrável

E para completar:
Professora premiada quebra paradigmas consagrados pelo pensamento neoliberal das últimas três décadas

[update 2]
Como disse a Lilian, lá na lista: “É um enorme prazer acompanhar essa meninada”

Professor é desdobrável, mas não inquebrável 🙂 Ensaio do 3º ano do CMPA, sob a direção dançante do colega Gustavo, que ontem se descadeirou na apresentação final.


ele é da matemática…
a produção é do colega Vinicius, das artes civis e militares.

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set 13 2009

achados de pesquisa

Categorias: blog,doutorado,pesquisaSuzana Gutierrez @ 12:23

Uma das atividades da minha pesquisa no doutorado inclui ler muitos blogs e este é um dos motivos pelos quais eu não falo muito dela aqui. Uma contradição, neh :?:.

Pesquisar blogs é, num certo sentido, pesquisar documentos que são públicos. Porém, estes são documentos dinâmicos indissociáveis de seus autores e contextos. Tornar visível a pesquisa é criar um movimento extra na corrente que já movimenta o campo. e perder um dos diferenciais de uma etnografia virtual que é a possibilidade de uma menor interferência do pesquisador no campo pesquisado.

Foi por aí que optei por não expor muito os caminhos da pesquisa. Porém, … principalmente quando a pesquisa tem seu lado ‘arqueológico’, fico louca para compartilhar alguns dos muitos achados. Retomar aquilo que não li e que estou lendo agora, que devia ter lido e comentado.

Por vezes, tenho de segurar o ímpeto de fazer um comentário num texto publicado há um ano atrás. Não que isso seja impróprio num contexto geral (é até muito próprio), mas inadequado no meu contexto de pesquisa. (isso aqui pode ser discutível)

Todavia, alguns esboços de ideias eu gostaria de socializar, até para abrir a conversa em torno delas. Por exemplo, considerando os blogs de professores, mas pode se aplicar a outros:

1 – Cada blog tem o seu público de comentaristas assíduos e, estes, tendem a formar redes diversas, considerando este espaço dos comentários << isso aqui precisa ser melhor explicado 😐 2 - Os comentários, de um modo geral, não geram debate nem ali, nem entre blogs. Geram reciprocidade, contato. conhecimento e reconhecimento. O diálogo dificilmente avança além da tréplica. Geralmente quem comenta não retorna para ler a resposta. (neste sentido o formato contribui) 3 - Algumas vezes, a possível réplica vira um texto publicado no blog de quem desistiu de comentar e segue o mesmo padrão 1, 2, 3. Texto, comentário, resposta. 3 - Os comentários, por vezes, constituem uma rede externa aos textos publicados nos blogs, um off-topic que parasita os textos de um período. Os "avisos de selinho" estão nesta categoria. 4 - Esta rede off-topic, muitas vezes, ignora totalmente o contexto do espaço no qual deposita um de seus nós. 5 - Mesmo num grupo bem 'enredado' se perde muita riqueza de reflexão, pois as reflexões mais densas são as menos comentadas, assim como são, também, a minoria dos textos publicados. sigo pensando 💡 , enquanto a chuva continua la fora.

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