fev 17 2010

Buzz, Wave, Twitter – a cooperação e trabalho imaterial

Categorias: cooperação,informação,redes sociais,visão de mundo,webSuzana Gutierrez @ 14:39

[aviso]Este texto não é uma análise do Google Buzz ou do Wave. É a expressão da minha opinião sobre os rumos das redes sociais e de seus suportes. Sobretudo uma reflexão inacabada sobre os nossos rumos nas redes. Assim, contribuições, críticas, concordâncias e discordâncias são bem vindas.[/aviso]

buzz twitterNo que se chama de sociedade da informação, a divisão do trabalho assume contornos inesperados. Em vez da tradicional divisão entre quem pensa e quem executa, se intensifica a divisão entre aqueles que conseguem controlar, filtrar e utilizar a informação de acordo com suas necessidades e objetivos e aqueles que se perdem na avalanche de informações. Uma divisão que vai além da divisão que se estabelece no acesso à informação.

Considerando a informação que é produzida e circula na internet, podemos dizer que todos a produzem e reproduzem em maior ou menor grau. Afinal, a maioria de nós trabalha nestas fábricas sem salário que nós mesmo criamos nos galpões fornecidos por grandes corporações, através dos seus aplicativos\suporte de redes sociais. A acumulação capitalista, nestes nossos tempos, não se baseia somente na produção de mercadorias, mas na produção da inovação. E é negócio fazer circular o que cria e alimenta negócios.

Todo o santo dia blogamos, tuitamos, buzzamos e abusamos destes novos verbos, enfim, abastecemos ininterruptamente os canais e os reservatórios de informação, criando um valor que transcende o da informação original e individual. Podemos pesquisar um pouquinho neste imenso fluxo de dados, afinal…, não se amarra a boca do burro boi que puxa o arado. Porém, o fazemos muito aquém do poder das máquinas de pesquisa, que colhem, filtram, recirculam, extraem valor desta nossa cooperação. Não raro nos perdemos na pesquisa e saimos de mãos vazias. Informação demais desinforma. É comum perdermos o essencial no meio do que é banal.

Esta semana, estamos discutindo em diversas línguas, como o Buzz é bom, o quanto o Buzz é ruim, como vamos usá-lo, porque vamos desligá-lo, o quê pode ser melhorado, …  Cooperação, trabalho imaterial, mais-valia total porque estamos trabalhando sem salário. O fazemos de livre e espontânea vontade? Sim. Com consciência? …

Ah! vamos desligar o Buzz, o Twitter, a conexão com a internet … Ops! … É aqui que eu travo. Observo estas redes que formamos, nas quais as pessoas compartilham e recompartilham automaticamente (em grande parte) as informações. Imaginemos um excelente e original texto publicado num blog.  Pela decisão do autor e as possibilidades do suporte, o texto é distribuido automaticamente para os agregadores, via RSS, para o Twitter, para o FriendFeed , Buzz, Tumblr, Facebook etc.

A partir daí rola uma cascata de eventos. O Twitter remete a informação automaticamente para o FriendFeed, para o Tumblr, para o Buz z, para o Facebook e gera um Feed RSS que a contém. O FriendFeed lança no Buzz tudo o que recebeu do blog, do Twitter, do Facebook, e gera um feed RSS. O Facebook faz o mesmo e a coisa toda começa a ficar circular. O eterno retorno da filosofia, um loop mal feito num código 🙂

Além disso, o pessoal pode retuitar e, conta a lenda, que estão pedindo um botão de rebuzzar . (Please, Google, NO!) Toda esta redundância e circularidade acontece, na maior parte, automaticamente e, pior, grande parte das pessoas nunca olha alguns destes seus serviços, que distribuem seus interesses, apesar do seu desinteresse. Um processo bem web 1.0 na web 2.0. Muitas vezes, tudo se resume a linkar seu perfil a um certo tipo de informação ou outro perfil.

À quem beneficia este acúmulo e sobreposição de informações repetidas ad nauseam? Será que a informação não ficará oculta da maioria dos mortais em meio a imensa quantidade de dados que circulam? Alguém aí reparou como estão menos proveitosas e mais difíceis as buscas depois que perfis e alterações de status começaram a ser indexados?

Todavia, … nestas redes que formamos, podemos criar muita coisa boa individual e socialmente. A pergunta é: como aproveitar isso sem incrementar a banalidade e sem reforçar a alienação? Todos estes maravilhosos e nem tão maravilhosos novos meios nos usam em maior medida do que nós pensamos os estar usando.

“Não é mais o trabalhador que emprega os meios de produção, mas os meios de produção que empregam o trabalhador” (Marx, O Capital, I, p.357)

O que Marx não previu foi que chegaríamos na mais-valia total, na maior alegria. ((em contrução))

* imagem é CC criada por im a partir de http://www.luclatulippe.com/ e do icone do Buzz.

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jul 03 2005

colaboração .::. colaboration .::. cooperação .::. cooperation .::. compartilhando ligações .::. sharing lin

Categorias: colaboração,cooperação,educação,mobilidade,recursos,software livreSuzana Gutierrez @ 11:43

… achados via Bloglines, alguns links que eu comentaria se tivesse tempo:

  • Yummy! >> ferramenta del.icio.us like par acompartilhar nossos .pdfs favoritos. (via Mauro Cherubini)
  • dinnerbuzz >> no mesmo estilo da anterior, classifique os seus restaurantes, bares, cafés e congêneres favoritos e eles apareceram na página geral por cidade e na sua própria. Não vi nenhum restaurante/cidade brasileira, acredito que é porque o dinnerbuzz ainda não contou com a nossa invasão 🙂 (via Mauro Cherubini)
  • Sprol >> mapeando as conseqüências da ação humana. Um pouco da ação brasileira está aqui e pode ser comentada. Bem embaixo mais referências/mapas possíveis no assunto. (via Mauro Cherubini>
  • Foundcity >> escreva uma mensagem de texto, adicione uma imagem capturada na hora, classifique-a com palavras-chaves (tags) e remeta-a da rua por meio do telefone celular para o seu blog no Foundcity mapeando as suas andanças por aí. A ferramenta está disponível apenas para algumas poucas cidades norte-americanas, veja o blog de um usuário da ferramenta. (via Mauro Cherubini)
  • Yahoo faz parceria para inclusão digital no DF – A Secretaria de Educação do Distrito Federal e o Yahoo! Brasil anunciaram esta semana uma parceria para a capacitação de professores para o uso da internet em sala de aula. (ai…) – via IDGNow
  • Docentes aprenden a diseñar actividades didácticas bajo software libre – Con el fin de estimular en los educadores venezolanos la realización de alternativas didácticas sobre soportes informáticos, 80 docentes de todos los estados del país reciben el taller Diseño de Actividades de Aprendizaje a través de Herramientas Libres. (via ABN)

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jun 18 2005

colaborar / cooperar … ainda

Categorias: colaboração,comunicação,cooperaçãoSuzana Gutierrez @ 09:46

As queixas não são somente minhas e as reflexões também não. Algumas vêm até de bem longe.

Não é de hoje que saber é poder (Francis Bacon disse), mas a visibilidade desta assertiva nunca foi tanta. O desenvolvimento científico e tecnológico, principalmente o desenvolvimento das tecnologias informatizadas, subordinado à lógica do capital, acontece no sentido de buscar a simultaneidade espaço-temporal, de modo a acelerar o giro do capital e potencializar a acumulação. Para isso, é necessária a informação precisa, ágil e estratégica na reorganização do capital, por meio da divisão internacional do trabalho, possibilitando a sua expansão e a superação de suas crises.

Todo este movimento tem sérias implicações nos espaços-tempos de vida, em especial na vida cotidiana, no trabalho, na educação e no conhecimento.

No meu entender, esta é uma das razões para não cooperar/colaborar, no sentido que esta lógica impregna nossos modos de vida e nossa cultura. O capital não é só parte de um modo de produção, é um processo civilizatório. E é por aí as dificuldades da cultura do software livre que mostrou claramente em alguns discursos do 6º FISL as contradições que enfrenta. Comentei isso com o povo da lista Colab, que comentavam como a atual crise política poderia comprometer o avanço de uma política de software livre no Brasil.

segue daqui a pouco … SOS doméstico bipando aqui

Voltei!

Na seqüência desta reflexão segui os links propostos pelo Daniel Lemire e encontrei este artigo que pretendo ler com mais atenção, do qual me interessei por este diagrama:

e dei uma mexida nele para pensar um pouco:

alguém pensa junto?

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jun 12 2005

colaboração / cooperação

Categorias: colaboração,cooperaçãoSuzana Gutierrez @ 11:58

Retornando aos chamados ambientes virtuais e às relações que neles se engendram, é importante destacar a referência à cooperação e à colaboração, sempre presentes. Nos textos em língua inglesa, a palavra colaboração é mais usada em educação, enquanto que cooperação é mais usada referindo-se ao trabalho. (NITZKE et alii, 2002) Em português, as duas palavras tendem a serem utilizadas como sinônimos. Somente alguns autores fazem distinção entre cooperar e colaborar, conferindo maior abrangência a um dos termos. Autores de base piagetiana preferem usar a palavra cooperar no sentido de (co)operar, que pressupõe que o sujeito encontre-se em um estágio de desenvolvimento no qual ele seja capaz de realizar operações de reciprocidade […] (NITZKE et alii, 2002, p. 14).

Por outro lado, Ted Panitz (1996), reforça a idéia de que colaborarrefere-se ao trabalhar em conjunto, enquanto cooperarvolta-se para o produto deste trabalho. Acrescenta que a aprendizagem cooperativa tem origem nos escritosde John Dewey sobre a natureza social da aprendizagem e do trabalho aplicados no trabalho de Kurt Lewin, numa abordagem mais quantitativa, enquanto a aprendizagem colaborativa tem suas raízes no trabalho de professores ingleses que investigavam maneiras de auxiliar seus alunos a terem um papel mais ativo em sua aprendizagem, usando uma abordagem mais qualitativa.

Nesta investigação, não sem dificuldades, procuro usar os dois termos com a seguinte distinção: cooperação, como realização de atividades em conjunto focadas no mesmo projeto; colaboração, como realização de atividades em conjunto, não necessariamente no mesmo projeto.

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NITZKE, Júlio A. ; CARNEIRO, Mara Lucia ; FRANCO, Sérgio. Ambientes de aprendizagem cooperativa apoiada pelo computador e sua epistemologia. Informática na Educação: teoria & prática. Porto Alegre: v. 5, n. 1, p. 13-23, maio 2002.

PANITZ, Ted A definition of collaborative vs cooperative learning London: DeLiberations, 1996. Disponível em http://www.city.londonmet.ac.uk/deliberations/collab.learning/panitz2.html. Acesso em 19 mai 2004.

* trecho de GUTIERREZ, Suzana. Mapeando caminhos de autoria e autonomia: a inserção das tecnologias educacionais informatizadas no trabalho de professores que cooperam em comunidades de pesquisadores.Porto Alegre: UFRGS, 2004. Dissertação (Mestrado). Programa de Pós-Graduação em Educação, Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2004. 233p.

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jun 12 2005

colaboração

Categorias: colaboração,cooperaçãoSuzana Gutierrez @ 07:53

No meu entender colaboração/cooperação é o fundamento da web. Pelo menos da web de Tim Berners Lee e dos primeiros hackers.

Cooperação/colaboração é um assunto sempre presente quando se discute o uso das tecnologias da informação e da comunicação, seja louvando os aspectos colaborativos como potencializadores de algum projeto, seja apontando a a falta de colaboração como causa da falência de algum outro projeto.

Hoje, passeando pelo Bloglines, descobri este wiki que cresceu e reuniu colaborações à partir desta chamada. Sintetizando: o autor da chamada solicitou a colaboração para criar um panorama da blogosfera européia para ser apresentado num evento, mais ou menos 24 horas depois. Blogueiros de todas as partes acolheram a proposta que foi apresentada no Reboot usando o próprio wiki. E o mais legal é que as contribuições continuam chegando.

Aí eu me pergunto sobre o que move as pessoas a colaborar. Sobretudo quando não é de seu próprio interesse. O que faz com que uma pessoa pense “este assunto interessa à …” e gaste do seu tempo fazendo com que as informações cheguem aos interessados? Ou, em mais alto nível, quando alguém organiza e dispõe informações que poderão interessar à alguém.
O que tem de interesse próprio e o que tem de doação na colaboração?

Me pergunto, também, porque as pessoas não colaboram, mesmo quando está à um click do mouse a possibilidade de colaborar, mesmo quando dominam e conhecem o assunto ou objeto de possível colaboração?

No caso especificamente brasileiro, o quê, culturalmente falando, incrementa ou inibe a colaboração?

Estas perguntas já foram feitas aqui e em outros lugares e diversas respostas chegaram, porém as dúvidas persistem.

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