jul 31 2010

entre o velho e o antigo

Categorias: academia,categorias,doutorado,leituras,rastrosSuzana Gutierrez @ 15:16

Há alguns anos, no saudoso Arroio do Sal, uma amiga minha passou por uma experiência muito interessante. Vinha ela caminhando tranquilamente na beira mar, retornando para casa ao fim da tarde,  revigorada pela brisa quase suave dos nossos mares do sul. Carregava a cadeira e, na bolsa, um livro. Vinha pensando em coisas boas, quando o vento que lhe vinha das costas trouxe um zum zum adolescente, cujo tema era a sua anatomia (ainda bastante boa para os quase 50).

Entre divertida e lisongeada, ficou escutando o papo que se aproximava de seus passos lentos. O grupo de rapazes, em seus apressados 15 anos a ultrapassou e, aprendizes aplicados da lógica masculina, viraram suas caras safadas para olhar o objeto de suas elogiosas frases.

– Mas ela é velha! – sentenciou o líder da manada. E lá se foram eles, semi-indignados, apressando o passo.

Minha amiga, seguiu impávida, se divertindo com o desdobramento do ataque dos franguinhos Minu 🙂

[pausa]

Meus alunos costumam brincar comigo sobre estas coisas da idade. Geralmente, com a cara mais deslavada perguntam se “no meu tempo” as galenas tinham programação ou, exageradamente, se a roda já era usada para locomoção de pessoas. Eu costumo aderir à brincadeira, pescando alguma coisa realmente ante-diluviana que os deixe com caras de bobos.

Ou, quando estou na pilha, tento problematizar estas relações entre velho \ novo \ antigo \ moderno. Costumo dizer que não passei dos 17 anos, porque acho esta uma idade ideal e recomendo a todos que fiquem neste limite. Geralmente, não explico porque. Ou digo que não sou velha, de modo algum, mas que cai da cegonha sem querer.

Ou, ainda, digo que velho é quem nasce velho e que ficar velho é diferente de envelhecer. O que temos como humanidade é um acervo de juventude que se conserva, antiga mas sem ‘ficar velha’. Legado que deixamos quando envelhecemos. E falo que eu sou antiga, pois faz tempo que conservo a minha juventude, os meus 17 anos. Velho é quem nasce assim e segue se decompondo dia à dia, mesmo nos seus 5 anos de vida.

Pois não há nada novo, que seja novo fora da antiguidade de algo jovem que foi conservado neste nosso acervo humano. E não pensem que eu ando viajando para me escapar de escrever a tese. Estas coisas todas me vieram à mente ao reler a página 397 do volune II do Conceito de Tecnologia de Alvaro Vieira Pinto. Aliás, leitura obrigatória para pensar dialeticamente a tecnologia.

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set 03 2009

inclusão é exclusão

Categorias: categorias,teoria,visão de mundoSuzana Gutierrez @ 11:23

E vice-versa.

Tenho um colega que adora a expressão “me inclua fora desta”. Ele a usa sempre que a ordem do dia contém alguma daquelas missões para as quais necessitamos um cocar com muitas penas como equipamento essencial.

Eu lembrei desta inclusão excludente ao ler alguns textos (no google reader) onde inclusão digital, exlusão social e outras in-ex eram parte do tema.  Reafirmei o meu pensamento de que inclusão e exclusão tendem a assumir contornos absolutos quando, na realidade,  são relativas. Opostos dialéticos, um não existe sem o outro.

Aí o Freddent.eia“:

@amandinhakee, eu vejo as mesmas fotos e o pensamento que me vem é: precisamos de inclusão digital DE VERDADE, associada à inclusão social.

Me deu vontade de entrar na conversa e complicar um pouco estes conceitos de inclusão \ exclusão.  Mas resolvi pular os limites dos 140 carácteres e trazer a possibilidade de diálogo para ambientes mais amplos.  Vim para o blog 😎

Penso que a inclusão de\em alguma coisa inclui (exclui) a exclusão de\em outra numa linha que admite todas as posições entre estes dois opostos. Ser excluído socialmente é estar incluído  num mundo de possibilidades a que não se tem acesso, mas que afetam a nossa vida com força.   Ser incluído digitalmente pressupõem pertencer a um grupo que pode construir\contrapor a sua apropriação às apropriações previstas para a tecnologia digital.

E estas inclusões – exclusões não são totalizantes,  não 🙂 incluem tudo o que pode ser pensado no tema.  E mais,  ambas se 😐 incluem num contexto no qual estas categorias coexistem juntamente com todas as suas relações, também, com todas as condições de sua (re)criação.

Acesso, apropriação, condições de exercer a ação, … são fatores que podem estar ou não, e mais ou menos, presentes nos contextos de in-exclusão.  Por exemplo, as modificações na ‘lei do petróleo’ frente às possibilidades do pré-sal podem ser a tentativa de garantir a inclusão dos menos incluídos (nas coisas boas) da riqueza que é uma possibilidade  deste projeto.  Por outro lado, alguns vêem como uma exclusão do ‘Mercado’ (como personificação do Capital que é)  de uma plenitude destas mesmas possibilidades.

A apropriação privada daquilo que é público está tão naturalizada que garantir a inclusão de todos é visto como uma exclusão dos beneficiários das ‘leis’ que são tidas como naturais, fixas e imutáveis,  ou seja, as leis do Capital.

Assim, no meu entender não existe isso que chamam de exclusão\inclusão. O que existe são vários graus de inclusão subalterna ou de exclusão parcial.   E o pensamento, para dar conta das nuanças deste contexto, precisa trilhar os caminhos da dialética. Aquela de cabeça para baixo que Marx propos já faz um tempinho.

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jun 11 2009

a aceleração do tempo

Categorias: basquete,categorias,rastrosSuzana Gutierrez @ 16:06

A correria que costumava acontecer no final de Outubro, se transferiu, este ano, para junho e julho. Os Jogos da Amizade mudaram de época, de modo a liberar os alunos na fase mais difícil do ano letivo. Porém, neste processo, acelerou sobremaneira tudo o que antecede e que faz com que os nossos Jogos sejam uma das atividades mais importantes do esporte no CMPA.

Todo planejamento que costumava ser para uns 9 meses (uma gestação! @@), agora ficou restrito à 5 meses. Certo que até nos adaptarmos à esta mudança, vamos sentir muitas dificulades. Traçar planos com férias escolares (as grandes) no meio fica bem mais complicado.

Assim, o meu desvio dos temas que normalmente abordo por aqui tem as suas justificativas. O basquete tomou conta da pauta.

E vai muito bem! Nos classificamos para a segunda fase dos Jogos Abertos da Prefeitura de Porto Alegre (Infantil e Juvenil, por enquanto). Vencemos a etapa Porto Alegre dos JERGS (Jogos Escolares do Rio Grande do Sul) na categoria juvenil, título inédito que nos leva a representar Porto Alegre na fase regional. Estamos indo mais ou menos na classificatória do Campeonato Anchieta.

Por conta destas atividades perdi algumas oportunidades importantes. Contudo, em breve as coisas vão desacelerar e o foco principal será outro.

Mas, por outro lado, vale a pena 🙂

treino no feriado

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jun 01 2009

o tempo

Categorias: categorias,rastrosSuzana Gutierrez @ 18:22

Hoje eu passei o dia me incomodando com uma série de coisinhas. Em casa, no trabalho, no pensamento, campo minado.

Fiquei o dia todo desplugada de tudo que não fosse aula, treino, reunião. E foi só pelas 18h que fiquei sabendo do sumiço de um avião da Air France. Pensei: quase um ano depois que eu fui a Paris, partindo do Rio, na mesma hora.

Fui conferir e localizei os dados do meu vôo num email:

“Saio daqui as 12:50 para o Rio. Lá pegarei o avião para Paris as 19:05. Previsão de chegada 11:10 no Aerogare 2 Terminal E. Voo da Air France AF447.”

Poa/Rio de Janeiro conexão

Tam JJ 3088 26 JUN 12:50hs // 14:40hs

Rio de Janeiro/Paris stop

Air France AF 447 26 JUN 19:05hs // 11:10hs

De repente as coisinhas assumiram a sua real dimensão. As vezes tudo se resume à uma questão de tempo.

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out 17 2008

na roda da vida

Categorias: basquete,basquete cmpa,categorias,cmpa,rastrosSuzana Gutierrez @ 05:32

Não muito espaço atrás, teve um tempo onde o tempo assumiu o comando da minha vida e, embora eu tente deixá-lo apenas como co-piloto, nem sempre consigo antecipar sua ganância pelos meus momentos.

O que podia parecer um caso individual de falta de organização e objetivos claros, é na realidade parte do processo de aceleração a que estamos todos nos submetendo. Como mais uma mercadoria entre as outras, nosso tempo entra no giro.

Aparentemente, a velocidade da vida e das coisas se intensificou e nós somos tragados por este movimento. Kosík diria que, indissociável desta aparência, está o contexto criado por nós, como sujeitos históricos. Nem natural, nem imutável, totalidade inacabada na qual somos criaturas e criadores.

Esta capitalização do tempo se mostra nos espaços que ocupamos ou não. As leis da física, algumas delas :), ainda continuam valendo. Eu, por exemplo, ainda não consigo ocupar dois espaços ao mesmo tempo com perfeição. A menos que sejam duas poltronas adjacentes na classe “executiva” de algum vôo internacional.

Bem…, toda esta filosofia de boteco é para explicar este blog parado. Contradição. Há tanto para dizer que se torna indizível. Por tempos, especialmente nesta época do ano, a voragem me pega no contrapé e eu fico no bloqueio.

tempo
* quando se pensa o tempo, se acha o espaço. Vamos ver se alguém descobre de onde é esta foto.

Domingo começam os jogos da amizade de 2008: 500 pessoas se somarão às 1000 do CMPA para 5 dias de alegria e dor. E, este ano, nós seremos os responsáveis pela alegria e pela dor. Para quem pensa que competições esportivas são o reflexo da sociedade individualista e competitiva, eu digo que vocês tem razão. Elas são mesmo. Porém, são isso e mais que isso.

Como eu escrevi recentemente, competir nos esportes pode ir além da disputa. Para os que pensam a educação física, ((aquela disciplina cuja aula é cancelada sempre que é preciso um período de aula para qualquer outra coisa)), como algo separado da educação e que têm dúvidas sobre o papel da EF no currículo da escola, recomendo a leitura deste texto do Prof Adroaldo Gaya, publicado no site dos Jogos como motivação\justificativa\’toque’.

Como podem ver por este meu texto, vou pelos fragmentos. Atravessando o rio pulando de pedra em pedra :))

E enquanto eu me desdobro nas muitas frentes do trabalho, do estudo, aprendo com quem tem paciência >> tem uma sabiá fazendo ninho na minha porta. Faz quase um mês que ela começa, muda de idéia, transfere …. procura o melhor lugar. E eu fico aqui pensando: será que o ovo pode esperar?

pressa….

[/mode introspectivo on] este é um daqueles textos só para mim mesmo …

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maio 11 2008

a questão do tempo

Categorias: categoriasSuzana Gutierrez @ 15:55

De tempos em tempos o tempo ganha um bom tempo do meu tempo 🙂 Brincadeiras à parte, quanto mais velhos ficamos, mais notamos os pequenos detalhes e as grandes diferenças que a passagem do tempo vai esculpindo no nosso cotidiano.

Esta semana, no início de um dos treinos de basquete, estávamos em círculo conversando e alongando quando chegou um dos guris, apressado e atrasado e foi entrando na roda. Alto e magrão, ele usava umas meias longas, verdes com algumas listras brancas e eu, para brincar, falei para o grupo que ele tinha vindo vestido de Garibaldo.

Ninguém riu… e eu tive de me dar conta que fazia tempo que o Garibaldo já estava com o prazo de validade vencido para menores de 30 anos.

Passou… Até que ontem eu estava conversando com um dos meus alunos menores, no MNS (ele, porque eu uso SamePlace) e ele todo agitado resolveu me mostrar uma música. É tri engraçada, disse ele. E me enviou “O Vira”, cantado pelos Mamonas Assassinas. E continuou animadamente me contando como tinha “descoberto” a banda e as músicas dela.

Fiquei achando estranho até que a ficha, de novo, caiu… O tempo… Ele nasceu no mesmo ano que os Mamonas se foram. Hoje, como quem escava algum acervo de discoteca falida ele descobre os Mamonas…

E foi aí que comecei a pensar nas obras do tempo nos lugares, nas pessoas. Pensei nas coisas que se vão e que só se recuperam por sorte, por um acaso qualquer que atira aquela lembrança na nossa frente.

E me veio aquele medo de sempre de esquecer, de esquecer que minha avó me contou que na gripe espanhola as pessoas morriam na rua e que meu avô, quase menino ainda, ajudava nas brigadas que retiravam os mortos. E eu já me esqueci se os bondes desta época já eram elétricos ou ainda puxados por burros. A gente esquece… Ela estava lá como eu agora estou aqui vivendo as coisas do meu tempo. Seja na história oral ou qualquer outro meio de registro temos este impulso de não deixar desaparecer no tempo as coisas.

Porém, de certa forma deixamos pistas e um belo dia alguém redescobre os nossos guardados. Uma arqueologia cotidiana que vai desenterrando as coisas que enterramos. Me fez pensar neste nosso tempo de tantos registros, de tantos ‘sambaquis digitais’.

Os blogs um dia vão ser o lugar de onde recuperar a história de um dia, narrada na voz de milhares de pessoas. Isso, por si só, já permite um outro olhar sobre as narrativas cotidianas, os textos simples que falam do café de uma manhã qualquer.

Neste modo arqueológico que entrei o dia das mães e escaneei fotos velhas, segui por elas algumas trajetórias, reencontrei pessoas, mexi com o tempo e as lembranças. E na casa de minha mãe reviramos gavetas, fuçamos velhos albuns, perguntamos uma vez mais: quem era este aqui? Relembramos, rimos de novo, sentimos saudades. E fica aqui o registro, porque eu não quero esquecer.

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abr 20 2008

O anti-ensino contra a crise de significado

Categorias: categorias,educação,leituras,teoriaSuzana Gutierrez @ 05:48

Não tem professor que não dedique um bom tempo pensando em como tornar suas aulas mais atrativas, como vencer a imobilidade e a mesmice, quando estas se acampam na sua sala de aula. Geralmente, as alternativas pensadas focam na forma e no conteúdo daquilo que é proposto para a aprendizagem. Com menor ênfase pensamos no ambiente onde esta forma e este conteúdo vão acontecer.

E, falando em ambiente, este não só contém uma certa estrutura (ou desestrutura), como é parte de um contexto. E este contexto, omitido na maioria de nossas tentativas de ensinar, é justamente o que pode prover o espaço para que surjam as questões, os movimentos, os significados e a aprendizagem.

Como a minha sala de aula é diferente da do restante de meus colegas, ela é geralmente um ponto de observação das práticas que saem da sala de aula e dos laboratórios. É da quadra de basquete do parque, por exemplo, que eu vejo as aula de física, educação física e biologia acontecendo juntas na pista de corrida.

Mas são muito raras estas oportunidades nas quais as aulas rompem o formato da conferência, da pesquisa dirigida, do circuito, sala, laboratório, biblioteca. Ou que viram um destes espaços de pernas para o ar com algum movimento que não sejam os tradicionais.

O Prof Michael Wesch, propõe justamente esta ruptura e a busca do significado, por meio de um certo transtorno nas estruturas e da contextualização daquilo que, sendo histórico, não deve ser tratado como algo que não tem vínculos.

É uma leitura interessante que eu sugiro. Justamente por relatar uma realidade significativamente diferente. E por, de certa forma, nos fazer pensar fora do ensino e mais dentro das condições de aprendizagem.

Anti-teaching: Confronting the Crisis of Significance

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abr 13 2008

Forma e conteúdo

Categorias: categorias,doutorado,redes sociaisSuzana Gutierrez @ 14:16

Em diversas ocasiões este tema ocupou a minha reflexão. As mútuas implicações entre a forma e o conteúdo. E, depois de uma semana de muito trabalho e leitura, entrei o fim de semana com este tema novamente aparecendo no horizonte das coisas que estou construindo dentro do projeto de doutorado.

Aí que eu resolvi socializar as questões. Numa rede social formada por blogs, interligados por toda uma conversação que atravessa a rede, que limites e que possibilidades o formato de cada blog e o formato da rede coloca para a interação?

Como a rede de relações sociais e os sujeitos que a criam resolvem as contradições trazidas pelos limites da forma?

Enquanto eu me enredo na filo-socio-antropo-arqueo logia da rede, a minha gurisada, por conta da moleza dos últimos treinos, começa a entregar o tema de casa. Isso, ou começar o próximo treino pagando…

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jan 25 2008

A notícia da morte de Heat Ledger foi estratégia para promover filme

Categorias: categorias,informação,teoriaSuzana Gutierrez @ 06:15

ou

a contradição na orgia de informações

ou, ainda,

de como a notícia (e a desgraça alheia) servem para movimentar os contadores de acesso.

Ontem, comentei no blog da Gabriela sobre a questão da estrutura da notícia, usando como exemplo a notícia da morte do ator Heath Ledger:


No meu entender, uma notícia, como esta que usas como exemplo, deveria ter pelo menos 2 camadas. A primeira camada seria o básico: quem era H.L., o que se sabe inicialmente, o que vai acontecer (quais os desdobramentos prováveis). Numa segunda camada viria o aprofundamento da notícia e, aí, entrariam os arquivos sobre o ator e as outras possibilidades que tu citas.


Eu fiquei sabendo desta notícia pelo Twitter (anota aí para tuas observações :)), pela Raquel. Não lembrava quem era o H.L. e digitei no Google, como a maioria dos mortais. Aí, entre as páginas que abriram, cliquei na CNN, a mais conhecida, li a notícia curta (penso que eles alteraram a página, pois não é a mesma que aparece hoje) e fim. Minha curiosidade foi até aí. (camada 1 suficiente)


Se as coisas da camada 2 (ou 3 ou 4) estivessem misturadas, só ia me atrapalhar. Para mim a camada 2 é algo que tu clicas para ler (hiperlinks no texto ou indicações finais) ou a seqüência de uma introdução que resume os fatos.


Há uma tendência para a orgia informativa a partir de qualquer fato e, este excesso, acaba desinformando.


Hoje, incrivelmentedenovo via twitter, o Edney manda o link para o Interney Blogs e eu dou de cara com esta postagem:


A Warner Bros e os produtores de Batman, The Dark Knight (2008, ainda inédito) confirmaram há pouco que as informações sobre a suposta morte do ator Heath Ledger foram uma estratégia viral para a divulgação do filme. [leia mais no Enloucrescendo]



Eu até já ia acreditando, quando vi que o projeto de lenda urbana era outro. A manipulação da informação ou da desinformação tira mais valia de tudo que aconteceu, do que não aconteceu, do que seria interessante ter acontecido e de qualquer coisa que possa fazer as pessoas continuarem girando em torno de um determinado fato (nem sempre real). Por que? Bom, … tem gente que vive disso e a criação de necessidades artificiais (inclusive de informação) faz parte da lógica do modo de produção dominante no mundo hoje.

Só partindo da contradição que é desinformar informando e do contexto onde se move esta contradição, para poder compreender estas coisas. Vou reler Kosík.


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out 31 2003

contradições

Categorias: blog,categoriasSuzana Gutierrez @ 08:20

Não sou do tipo apavorado que desmaia ao ver sangue. Consigo me comportar bem em emergências e ajudar. Porém,….
Detesto ver o MEU sangue. Destesto tanto, que ele nem sai quando é necessário para exames, como os de hoje. A enfermeira levou horas para extrair uma reles seringa. Eu já tinha notado isso uma vez que doei sangue. Naquela ocasião, desistiram de mim depois de um tempo.

Mudando de assunto, … estou relendo o Harvey (Condição Pós-Moderna), sob uma outra ótica: focando as minhas questões de pesquisa e fazendo um paralelo ou, até, um cruzamento onde as reflexões se aproximam. Lá onde ele fala da busca pós-moderna pela instantaneidade, pelo impacto na supressão do tempo que, quase sempre, implica numa falta de profundidade, pensei nos blogs. Um post tem este apelo do instantâneo, em alguns casos, uma competição pelo furo, pela vanguarda na informação.

Por outro lado, os arquivos remetem a historicidade, sempre resgatável, que mostra a forma e o conteúdo do processo. Cabe aqui ao autor/leitor estabelecer a relação que permeia esta contradição. Se um determinado post é superficial, muitas vezes ele é retomado posteriormente num outro post, numa nova síntese provisória.

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out 14 2003

reflexões sobre o ‘paradigma da beirinha’

Categorias: categorias,teoriaSuzana Gutierrez @ 09:49

ou, lendo Ellen Wood.
No penúltimo capítulo do livro, “Capitalismo e emancipação humana: raça, gênero e democracia”, Wood, falando alguns dos novos movimentos sociais, usa uma frase de Isaac Deutscher (Marxism and The New Left), dos anos 60, proferida em relação ao ativismo estudantil americano da época:

“Vocês estão em atividade efeverscente às margens da vida social, e os trabalhadores estão passivos no centro dela. É esta tragédia de nossa sociedade. Se não enfrentarem este contraste, vocês estão derrotados.”

Ellen Wood comenta que este aviso é mais pertinente hoje para a esquerda do que foi para os estudantes naquela época. De uma certa forma, concordo com ela, mas o que me chama atenção na frase de Deutscher é o “às margens“. Hoje, numa grande parte dos movimentos sociais,ou até na maioria, abandonou-se a luta para romper/sair do sistema. Fica-se às margens. É o que eu andei batizando de paradigma da beirinha. O discurso radical é usado, apropriado, pasteurizado e… situado às margens. O sistema capitalista é tido como algo dado, natural, perene e desloca-se a luta para vários fragmentos, no máximo às margens.
Quando leio em algum trabalho algo assim: “Segundo Morin, o princípio hologramático, (…) o todo está nas partes e elas estão no todo, …”, apresentado como idéia original, como ‘nova idéia’, me pergunto o que fizeram de Espinosa, que inspirou o pensamento de Marx, tão bem aprendido por Lukacs e Kosík?
É nestes espaços que floresce o paradigma da beirinha, que vem impregnando uma boa parte dos movimentos sociais.


jul 16 2003

coalescência II

Categorias: categoriasSuzana Gutierrez @ 07:20

Refletindo sobre este post e pesquisando o termo em inglês e português, cheguei a conclusão que não gosto muito dele. Se aproxima demais ao super saturado ‘coalition’ usado na invasão do Iraque.

Mostra como os signos trazem consigo toda uma ideologia, como explicou Bakhtin. O signo é arena da luta de classes e uma interpenetração da vida com os símbolos que a representam.

A língua penetra na vida através dos enunciados concretos que a realizam, e é também através dos enunciados concretos que a vida penetra na língua.(BAKHTIN, 2000, p.282)

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jul 03 2003

voluntários ou militantes?

Categorias: categorias,teoriaSuzana Gutierrez @ 14:37

Bem na hora o artigo de Gislene Bosnich para a Novae. Trabalho voluntário versus Desemprego

Nunca na história do capitalismo – quando a tecnologia intensifica o trabalho de alguns enquanto, de outro lado, exclui muitos da opção “livre” à venda de força de trabalho – vimos tão grandiosa campanha pelo trabalho não-remunerado. Como se esse mesmo capitalismo tivesse deixado de agir a base de troca (valor de troca) e que o dinheiro tivesse deixado de ser o mediador de tal relação.

.:: leia na íntegra

E visite o site:

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