Aderindo a blogagem coletiva, resolvi publicar agumas idéias que, faz muito tempo!, penso serem essenciais quando se pensa em mergulhar na rede.
Nos vários espaços onde se reúnem professores, reverbera o chamamento ao uso das tecnologias da informação e da comunicação, a condenação da resistência e o clamor por acesso e inclusão. Ressoa nos canais de comunicação a celebração da educação a distância como se ela não fosse educação, fosse algo fora, acima, coisa de inciados sem paciência com o que apontam como pensamento retrógrado.
Grande parte disso tudo passa pela superficialidade e, em muitos casos, opta por um pragmatismo alienado que tende a descartar as tentativas de se por o dedo nas feridas que teimam em aparecer.
Falar em independência é compreender a autonomia, não como coisa, como algo congelado numa definição, mas como relação social que parte da consciência da nossa interdependência, do nosso vínculo forte com o outro. Vínculo tal que faz com que alguns insistam, persistam, repitam, mesmo contra toda a negação da crítica.
E é na perspectiva desta autonomia que penso o diferencial que pode haver nesta entrada cada vez maior de professores na rede. Pois os professores estão aí, vindo entusiasmados ou desconfiados das diversas formações propostas, vindo por um acaso fruto de maiores possibilidades de acesso, vindo por obrigação, constrangidos por gestores, pelos pais, pelos alunos, … Entrando na rede, enfim.
E é para este grupo de colegas que eu gostaria de falar, de propor uma pedagogia do puxadinho, um jeito hacker de viver a rede. Quero propor a eles que chutem para o lado todo o receituário, sobretudo o que limite a sua ação, ou seja, os pode não pode daqueles que, por em absoluto não compreender a rede, vivem tentando controlá-la.
Resgato, metareciclo, reproduzo, recriando, remixando, refazendo, algumas das minhas idéias de 2004, pois “a realidade humana não é apenas produção do novo, mas também reprodução (crítica e dialética) do passado” (KOSÍK, 1976, p.150)
Colegas, olhem para a sua formação e pensem na formação de seus alunos dentro de um contexto que privilegie e promova a pesquisa (as perguntas!). Uma pesquisa que considere a realidade das instituições educacionais e que, a partir desta realidade, construa alternativas de criação e uso da tecnologia.
Prefiram as ações que promovam a autonomia e a autoria no trabalho com as tecnologias e potencializem a opção \ apropriação tecnológica consciente.
Considerem as possibilidades da cultura hacker, do movimento software livre, dos ambientes públicos, interativos e abertos, das formas colaborativas e cooperativas de trabalho, como exemplos de uma reconstruída relação com o conhecimento, como bem humano.
Não se fechem na academia (na escola), ao contrário, descubram os espaços onde a rede invade a academia ,a escola e tudo mais. Façam destes, espaços de vida. Evitem, também, os feudos que se criam na rede e replicam as formas fixas, pobres e unidirecionais de comunicação e, pior, de educação.
Conjurem as instâncias de apoio (os Núcleos, NTEs, Proinfos) para que partam da imersão na rede, na sua cultura, e, muito mais, na sua contra-cultura; do que é instituído pelos órgãos educacionais, porém, muito mais pelo que é instituinte e negador, que se coloca como possibilidade, como as alternativas livres que emergem na e da rede.
Lembrem que a rede é rede e o outro é o caminho. Pliquem, repliquem, tripliquem, mantenham o fluxo
Acreditem em si mesmos, no potencial transformador da sua prática, na beleza da sua busca, na segurança da sua experiência, no poder redirecionador dos erros (é por aqui que venho andando, não sem alguns tropeços)
Não aceitem tudo isso que escrevi como diretriz e, sim, como possibilidade de caminho à construir. Mergulhem na rede nos seus termos, como os botos e não como as sardinhas.
O texto ficou com jeitinho de discurso… Perdão!!!!!!!!
Afinal, é sete de setembro e algum tom heróico pode retumbar no meu brado. ops!
….siga http://tinyurl.com/interdependencia
….leia todos na: interdependência








setembro 7th, 2009 at 12:12
Cara Suzana:
Aceito teu convite!
Aqui vai meu depoimento de educadora, apesar de não ser professora:sou bibliotecária e atuo há anos em biblioteca escolar.
Acrescento a tudo isto que tu colocaste de forma brilhante, a possibilidade única – por ser pessoal e intransferível – do aprender fazendo*, e é isto que os professores devem propor aos seus alunos: uma parceria, com os próprios mestres, mais o bibliotecário, atuando como mediadores, propositores, guias, enfim de seus alunos na apropriação das novas TICs. E que as escolas acrescentem, nos espaços de Reuniões Pedagógicas muitas vezes repetitivas e infrutíferas, treinamento prático para os professores e funcionários se apropriarem também das novas tecnologias (oficinas de blogs, como trabalhar com webquests, uso do movie maker, etc)…
Abraços
* Sou aluna do Curso de Especializaçõa em Biblioteca Escolares e Acessibilidade/UFRGS e literalmente, aprendi fazendo (o blog classificou-se entre os 100 – Juri Popular, categoria Variedades no Prêmio Top Blog )
Kátia
setembro 8th, 2009 at 16:36
Su,
já começamos. Parabéns pelo seu trabalho.
Agora, juro que não conheço a estória dos botos e sardinhas.
setembro 8th, 2009 at 17:32
Suzana,
Adorei estar por aqui. Volto sempre. Grande texto, excelente proposta. Muito existe ainda para ser conquistado, mantido, revigorado na área educacional. Faltam espaços, materiais e, principalmente, iniciativas positivas para incrementar o processo de autonomia, independência, participação ativa, análise crítica revigorante, direcionada a mudanças positivas e à libertação da criatividade e criação.
Parabéns pelo blog.