set 28 2009

o consumo das midias pelos adolescentes

Categorias: educação física,esporte,internet,midias,ticSuzana Gutierrez @ 12:36

Estive passando os olhos sobre o Nielsen Report: How teens use media.  O uso fica mais perto de consumo, pois tem a ver com critérios quantitativos no uso de midias diversas. Assim, não espere saber como os adolescentes usam o email, mas quanto eles usam.

Me chamou a atenção as quantidades de uso da internet:

tempo médio na internet e aplicativos

tempo médio na internet e aplicativos

Gráfico 1

Destaque para o tempo de conexão dos adolescentes brasileiros, quase o dobro dos demais países.  Dá uma média de aproximadamente 1h:30min diárias. Venho observando que o tempo de permanência online é cada vez maior. Meus alunos, de um modo geral, estão ativos no MSN e \ou Orkut à partir das 14h. Minha observação (não sistemática) e o contato que tenho com eles me informa que o tempo online fica por volta de duas horas ou até mais, em média.

Gráfico 2

Além de quanto, os gráficos mostram onde o tempo é despendido. No segundo gráfico, este ‘onde’ está caracterizado segundo o país.  Os resultados, em relação ao Brasil, são coerentes com o que observo em meus alunos.  E, para a maioria dos países os sites mais acessados são os mesmos  Google\ MSN \ Youtube. Pensando em outros relatórios já apresentados, achei falta do Twitter e Facebook, especialmente o último. Porém, isso pode ser creditado à idade dos pesquisados: 12 a 17. Será?

É interessante observar as relações dos jovens com as midias, mesmo de forma informal como eu faço. Nota-se uma mudança que vem transformando o “brincar” das crianças, num movimento em que a atividade física e as manifestações culturais vão cedendo espaço para atividades nas quais aparatos eletro-eletrônicos-informaticos-… são centrais.

Há não muito tempo atrás, quando levava meus alunos numa competição, os intervalos entre os jogos eram preenchidos com conversa, brincadeiras físicas diversas, bate-bola. Posteriormente, foi a vez dos jogos tipo Truco, RPG, “baralhos e avatares” que, em seguida, começaram a dividir o espaço com os mp3 diversos. Atualmente, são os games e os smartphones cada vez mais sofisticados, isso que a maioria dos meus alunos não pertence a classes AB.

As atividades estão cada vez mais se individualizando. Junto com esta metamorfose do lazer, vem um aumento enorme na obesidade e sobrepeso infantil, nas dificuldades motoras: crianças que correm mal, que não conseguem transpor um muro, que não conseguem pular corda, nem arremessar e receber uma bola com naturalidade.

E, a grande contradição: por um lado, o desenvolvimento físico progressivo proporcionado pelo brincar e pelo esporte é abandonado, por outro lado, os corpos são mandados formatar nas academias perto do final da adolescência ou até antes.

Estas observações não são sistemáticas e nem se apoiam em nenhum protocolo\projeto de pesquisa. Todavia, em especial em relação às crianças e adolescentes, é essencial acompanhar (pesquisar) de forma crítica e cuidadosa estas transformações.

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set 27 2009

observações sobre o Twitter

Categorias: brincadeira!,comunicação,midiasSuzana Gutierrez @ 13:26

Vou começar avisando que esta entrada não se enquadra em classificações como “pesquisa”, por exemplo. Trata sobre percepções, intuições, fruições e algum divertimento 👿

Não acompanho regularmente o twitter, dou uma olhada de vez em quando e twitto mais de vez em quando ainda. Porém, em certas ocasiões, percebi uma reação minha que combina a informação twittada por alguém com o seu avatar\foto no twitter. Explicando…, aquela imagem que acompanha cada emissão, aliada ao tipo de emissão que cada usuário costuma fazer, influencia a minha percepção e a minha compreensão sobre a mensagem.

O tipo de imagem (foto, avatar, símbolo ou logo, …), a posição da imagem (virada para o texto ou outras tantas posições possíveis), o foco, a proximidade, a expressão (no caso de fotos), … todas estas coisas conferem à mensagem uma diferença\consistência\coerência\gênero\… de sentido.

Fotos e avatares virados para o texto, com o olhar direto para o texto conferem objetividade. Se o olhar se dirige para o alto, alguma abstração, reflexividade, utopia, até. Se olha para baixo, a informação certamente é confidencial ou para poucos. Por aí vai 🙂  A imagem me faz esperar um certo tipo de mensagem e certamente dá um tom para aquelas que poderiam, não fosse a imagem, ter um outro colorido.

E, para brincar um pouco,  eles não parecem dizer:

anabee: eu estava passando e…
alemos: Pensem comigo…
christofoletti: Hum, … por outro lado…
dasilva: Não tenho certeza, mas…
douglas: Não querendo espalhar, mas me contaram…
ericmessa: Em primeira mão, …
hd: antes de qualquer coisa, hackeem…
inagaki: uma opção pode ser…
lucia: certo que estou pensando bem mais do que estou dizendo…
mattar: anotem aí: 1)….
markun: vou explicar de novo …
perret: é bom vcs conferirem, mas…
profphatima: já estou saindo, mas …
profmichel: acreditem se quiserem …
profteresa: queridos alunos ….
slomp: não acredito muito nisso aqui, mas vamos lá …
stallman: bem aventurados aqueles …
suzzinha: o que eu estava dizendo mesmo?

o que não se faz para procrastinar num domingo de chuva ….

entrada updateada 🙂

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set 22 2009

Eu sonhei…

Categorias: rastrosSuzana Gutierrez @ 17:49

que tu estavas tão linda.

Para a Albita que desafinava em todas as palavras da letra, mas que cantava com um entusiasmo aterrador. Para a Alba que saiu à francesa e deve estar aprontando alguma nos lugares de paz.

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set 22 2009

Dia sem carro ou dia sem midia?

Categorias: Brasil,midias,mundoSuzana Gutierrez @ 12:14

Enquanto os manifestantes Classe Média estão gastando (só um pouquinho e só hoje) a sola dos seus Nike para sair de casa, estamos vivendo um dia sem informação ou, pior…, o dia da informação manipulada.

A coisa está pegando fogo em Honduras, a embaixada brasileira sitiada e NADA nas nossas TVs. Minto, …. enquanto estou escrevendo estas linhas, a GloboNews está discutindo se o asilo de Zelaya foi feito da forma tradicional ou não… A recomendação é que Zelaya saia do país de novo para entrar ‘direito’ 😀

Mas, para quem quiser ver ao vivo, temos a Telesur:

http://www.telesurtv.net/noticias/canal/senalenvivo.php#

Outro canal é #honduras via Identi.ca\Twitter

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set 13 2009

achados de pesquisa

Categorias: blog,doutorado,pesquisaSuzana Gutierrez @ 12:23

Uma das atividades da minha pesquisa no doutorado inclui ler muitos blogs e este é um dos motivos pelos quais eu não falo muito dela aqui. Uma contradição, neh :?:.

Pesquisar blogs é, num certo sentido, pesquisar documentos que são públicos. Porém, estes são documentos dinâmicos indissociáveis de seus autores e contextos. Tornar visível a pesquisa é criar um movimento extra na corrente que já movimenta o campo. e perder um dos diferenciais de uma etnografia virtual que é a possibilidade de uma menor interferência do pesquisador no campo pesquisado.

Foi por aí que optei por não expor muito os caminhos da pesquisa. Porém, … principalmente quando a pesquisa tem seu lado ‘arqueológico’, fico louca para compartilhar alguns dos muitos achados. Retomar aquilo que não li e que estou lendo agora, que devia ter lido e comentado.

Por vezes, tenho de segurar o ímpeto de fazer um comentário num texto publicado há um ano atrás. Não que isso seja impróprio num contexto geral (é até muito próprio), mas inadequado no meu contexto de pesquisa. (isso aqui pode ser discutível)

Todavia, alguns esboços de ideias eu gostaria de socializar, até para abrir a conversa em torno delas. Por exemplo, considerando os blogs de professores, mas pode se aplicar a outros:

1 – Cada blog tem o seu público de comentaristas assíduos e, estes, tendem a formar redes diversas, considerando este espaço dos comentários << isso aqui precisa ser melhor explicado 😐 2 - Os comentários, de um modo geral, não geram debate nem ali, nem entre blogs. Geram reciprocidade, contato. conhecimento e reconhecimento. O diálogo dificilmente avança além da tréplica. Geralmente quem comenta não retorna para ler a resposta. (neste sentido o formato contribui) 3 - Algumas vezes, a possível réplica vira um texto publicado no blog de quem desistiu de comentar e segue o mesmo padrão 1, 2, 3. Texto, comentário, resposta. 3 - Os comentários, por vezes, constituem uma rede externa aos textos publicados nos blogs, um off-topic que parasita os textos de um período. Os "avisos de selinho" estão nesta categoria. 4 - Esta rede off-topic, muitas vezes, ignora totalmente o contexto do espaço no qual deposita um de seus nós. 5 - Mesmo num grupo bem 'enredado' se perde muita riqueza de reflexão, pois as reflexões mais densas são as menos comentadas, assim como são, também, a minoria dos textos publicados. sigo pensando 💡 , enquanto a chuva continua la fora.

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set 11 2009

11 de setembro

Categorias: mundo,visão de mundoSuzana Gutierrez @ 11:58

Hoje meu dia será supercorrido e não terei chance de chegar perto do computador nas próximas 24h. Aproveito este curto tempo online para lembrar aquilo que não pode ser esquecido e que, infelizmente fica fora das lembranças da nossa midia dominante.

Marx alertou que as ideias dominantes de uma época são as ideias da classe dominante (Ideologia Alemã) e, hoje, lembrando o 11 de setembro, todas as “ideias”, que tentam  passar como únicas, apontam para o que chamam de “O” 11 de setembro:  o atentado ao World Trade Center.

Este triste episódio será relembrado em todo canal de TV, está ocupando grande espaço nos Jornais e nos blogs,  nos tópicos dominantes do Twitter.  Assim, no pouco tempo e no pequeno espaço que tenho, vou relembrar outro triste episódio, um outro 11 de setembro .

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set 08 2009

O suporte x o processo (e suas relações)

Categorias: edublogosfera,educação,redes sociaisSuzana Gutierrez @ 18:00

Em maio passado saiu no portal Conexão Professor um especial sobre Redes Sociais.  Paricipei da matéria falando de blogs, redes sociais e educação. Hoje, no grupo edublogosfera, enquanto discutíamos conceitos como “edublog”, “blog educativo”, “blog pedagógico”, localizando suas definições, usos, semelhanças e diferenças, lembrei da entrevista.

Na época eu havia pensado em publicar a íntegra da entrevista um tempo depois, mas no final acabei esquecendo.  Agora, pensando nas dificuldades de se articular conceitos, trago as perguntas e respostas que ampliam o que está na matéria e que contém um pouco do que penso sobre o que discutimos hoje.

Não falo sobre estes conceitos que ligam blogs e educação, mas falo sobre o equívoco de confundir a relação com o suporte. Isso acontece também quando o assunto é rede social.

Estas respostas foram dadas ao Luiz Eduardo Queiroz e em parte usadas na excelente matéria, que teve um espectro muito mais amplo.

Lá vai:

1 – Qual o papel das novas tecnologias na Educação? Como os professores devem se preparar lidar com elas?

A tecnologia sempre teve um papel importante no contexto social, pois, ao mesmo tempo em que é produto da sociedade, ela também é construtora desta mesma sociedade. A escola, como instituição social, se insere neste contexto e, ao mesmo tempo em que é fruto da prática social, pode ser transformadora desta mesma prática. Assim, o papel que a tecnologia desempenha e vai desempenhar vai depender destas nossas escolhas e construções como sujeitos históricos.

Neste momento e tendo como referência as tecnologias da informação e da comunicação e a educação, pode-se afirmar que elas exercem uma tensão importante nas formas como se aprende-ensina, tensão esta que abre possibilidades de romper com as estruturas educacionais e com a organização da escola.

Porém, a mesma tecnologia que pode propor espaços de transformação é a mesma que reafirma o pensamento hegemônico da sociedade capitalista, que tende a explorar o trabalho. Assim, a tecnologia que poderia aumentar o nosso tempo livre, não raro é usada para nos aumentar o tempo de trabalho ou degradar as condições de trabalho. Um exemplo pode ser encontrado em algumas iniciativas do uso de educação a distância (EAD), nas quais professores são contratados para funções e atividades normais de professores, porém são chamados tutores e trabalham sob contratos temporários, sem plano de carreira, sem direitos trabalhistas.

Neste tema, também, não podemos esquecer que existem escolas e sistemas educacionais nos quais as tecnologias, que estão definindo modos de ser e fazer, ainda são tecnologias que entendemos como dadas e universais: energia elétrica, instalações hidráulicas e sanitárias, espaço e material para artes e educação física.

2 – Você acredita que as redes sociais da Internet possam ser trabalhadas em sala de aula? De que forma elas podem ser aplicadas no dia-a-dia da Educação?

Uma rede social é uma rede de relações sociais e elas já são parte da escola de inúmeras maneiras desde que a escola existe.

Se a pergunta se refere à redes sociais online, devemos considerar os diversos suportes que estas redes poderão usar. Existem redes sociais formadas em sites de redes sociais (SRS), como o Orkut, Facebook e outros. Existem redes sociais online com suporte em blogs, wikis . Existem redes sociais apoiadas por sites de grupos de discussão e forum, sites de troca de arquivos, sites de compartilhamento de música, vídeo, imagens etc.

No meu entender, as redes sociais que podem se formar nestes e em outros suportes podem ser usadas no cotidiano da educação. Seja pela dimensão comunicativa destes suportes, seja pela pré adesão dos alunos que, em grande parte, já estão lá.

Todavia, estes suportes apresentam vantagens e desvantagens no apoio de uma rede social que será usada com objetivos educacionais. Estes limites e possibilidades devem ser considerados em relação a proposta e aos objetivos educacionais. Assim, o que vem primeiro é o projeto educacional.
Por exemplo, se o objetivo for o contato e a realização de atividades colaborativas, o suporte wiki para a rede social é mais adequado que uma comunidade no Orkut.

3 – Qual a importância hoje das redes sociais no universo jovem? Que benefícios elas podem trazer para o desenvolvimento de crianças e adolescentes? Quais os perigos?

Vou responder considerando redes sociais online. Redes sociais são redes de relações sociais e as redes sociais online em muito repetem as configurações das redes sociais que interligam os jovens no contexto offline. Estas interações que se produzem on e offline são o fundamento da sociabilização do jovem, são grande parte do conteúdo do seu cotidiano. É nestas redes de relações que o adolescente engendra sua identidade e aprende.

As redes sociais online, pelos suportes, em geral, públicos, trazem para este contexto uma série de possibilidades, desafios e, até, perigos. Um benefício é a possibilidade de comunicação para aquelas crianças e jovens que têm dificuldades de exercer esta sociabilidade presencialmente, seja por características físicas, seja por características psicológicas. Para os demais, a comunicação em redes sociais online aumenta as possibilidades de interação e abre canais diferentes de interação, seja pela possibilidade do texto escrito, seja pelo uso de outras mídias.

Para todos, as redes sociais online tendem a expandir o número de contatos e a auxiliar na manutenção de todos os contatos.

A lista dos perigos ao mesmo tempo que tende a se ampliar é relativa. Ela é proporcional ao cuidado e a participação dos pais, professores e outros adultos que possam orientar os jovens em mais esta dimensão de sua sociabilidade. Nesta zona de cuidados está a constatação de que a rede pública é ampla e não se pode determinar com certeza quem é aquele outro que ali interage. A interação online é muito absorvente e pode ocupar o espaço de outros tipos de relacionamento social importantes para os jovens, como, por exemplo, as atividades esportivas e de lazer.

4 – Como os weblogs podem ser utilizados na Educação?

A meu ver, os weblogs terão cada vez maior importância, especialmente na comunicação e na educação. Atualmente, o formato weblog, vem sendo usado em diversos tipos de publicação, entre elas, encontram-se páginas pessoais, páginas temáticas, diários de pesquisa, ambiente colaborativo, clipping jornalístico, etc.
De sua origem como suporte de expressão unicamente individual, tornou-se uma forma de publicação em co-autoria. O contínuo fluxo de informação entre blogueiros tende a formar redes sociais interlinkadas que são altamente comunicativas, a polifonia e a intertextualidade amplificando o alcance da rede.

Por todas estas razões, os weblogs vêm sendo cada vez mais usados como ambientes de construção colaborativa\cooperativa do conhecimento e, principalmente, como ambientes pessoais\personalizados de aprendizagem. Neles, o blogueiro agrega recursos e ferramentas, estabelece a sua presença online e a ligação com outros blogs, promovendo o uso social da informação e do conhecimento, construindo redes sociais.

Penso que os weblogs, usados em projetos educacionais, podem potencializar a autoria e a autonomia, pelo exercício da expressão criadora escrita, artística, hipertextual e multimídia. Pela sua própria estrutura, que inclui arquivos, comentários, links de retorno etc., são dialógicos e possibilitam o retorno à própria produção, a reflexão crítica, a re-interpretação de conceitos e práticas. Permitem, assim, que professores e alunos consolidem novos papéis num processo onde todos ensinam e aprendem.

O blog pode registrar de forma dinâmica todo o processo de construção do conhecimento e abrir espaço para a pesquisa, dando visibilidade, alternativas interativas e suporte a projetos que envolvam a escola como um todo e, até, as famílias e a comunidade.

5 – O que podemos esperar em termos de redes sociais para o futuro? Quais são as principais tendências?

Vou falar sobre as redes sociais online. Com o desenvolvimento da web, que é cada vez mais interativa e social, penso que passaremos por um período em que surgirão diariamente novas alternativas de suporte para as redes sociais. E estas alternativas terão características diferentes segundo o ponto de interesse (música, comunicação, vídeos, jogos, …) que procurarem atender. Algumas vão desaparecer em pouco tempo, outras se transformarão, outras, ainda, vão compor novas alternativas híbridas. Algumas se consolidarão e farão história, como os blogs.

Por outro lado, as apropriações que serão feitas individual e coletivamente sobre estas tecnologias vão gerar configurações de rede que podem transgredir os objetivos iniciais dos desenvolvedores. Um exemplo, no meu entender, é o Twitter, que nasceu sob o mote “o que eu estou fazendo” e, atualmente, expressa muito mais “o que está acontecendo”.

Outro movimento é a tendência crescente de convergência de todas estas tecnologias com as tecnologias móveis e sem-fio e, também, a tendência de uma cada vez maior pervasividade.
Crescerá, também, a preocupação com a privacidade nas redes sociais em suportes públicos, numa tendência de reservar informações e de criação de sub redes de contatos com mais ou menos acesso às informações pessoais.

Penso que as redes sociais serão cada vez mais inseparáveis em suas dimensões off – on line e o acesso perderá aquela conotação de “entrar na internet”, pois em e na rede sempre estaremos.

Em relação à educação e à escola, penso que as redes sociais (nas suas dimensões inseparáveis on e offline) serão responsáveis por grandes transformações nas formas como se ensina-aprende. Porém, estas transformações tendem a ser lentas enquanto a estrutura maior que rege a educação não for transformada. Por exemplo: o vestibular é uma estrutura que impede algumas possíveis transformações.

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set 07 2009

No dia da in (ter) dependência

Categorias: academia,edublogosfera,educação,pesquisa,rede,ticSuzana Gutierrez @ 07:09

blogagem coletiva

publicação coletiva

Aderindo a blogagem coletiva, resolvi publicar agumas idéias que, faz muito tempo!,  penso serem essenciais quando se pensa em mergulhar na rede.

Nos vários espaços onde se reúnem professores, reverbera o chamamento ao uso das tecnologias da informação e da comunicação, a condenação da resistência e o clamor por acesso e inclusão.  Ressoa nos canais de comunicação  a celebração da educação a distância como se ela não fosse educação, fosse algo fora, acima, coisa de inciados sem paciência com o que apontam como  pensamento retrógrado.

Grande parte disso tudo passa pela superficialidade e, em muitos casos, opta por um pragmatismo alienado que tende a descartar as tentativas de se por o dedo nas feridas que teimam em aparecer.

Falar em independência é compreender a autonomia, não como coisa, como algo congelado numa definição, mas como relação social que parte da consciência da nossa interdependência, do nosso vínculo forte com o outro. Vínculo tal que faz com que alguns insistam, persistam, repitam, mesmo contra toda a negação da crítica.

E é na perspectiva desta autonomia que penso o diferencial que pode haver nesta entrada cada vez maior de professores na rede.  Pois os professores estão aí, vindo entusiasmados ou desconfiados das diversas formações propostas, vindo por um acaso fruto de maiores possibilidades de acesso, vindo por obrigação, constrangidos por gestores, pelos pais, pelos alunos, …  Entrando na rede, enfim.

E é para este grupo de colegas que eu gostaria de falar, de propor uma pedagogia do puxadinho, um jeito hacker de viver a rede. Quero propor a eles que chutem para o lado todo o receituário, sobretudo o que limite a sua ação, ou seja,  os pode não pode daqueles que, por em absoluto não compreender a rede, vivem tentando controlá-la.

Resgato,  metareciclo, reproduzo, recriando, remixando, refazendo, algumas das minhas idéias de 2004, pois   “a realidade humana não é apenas produção do novo, mas também reprodução (crítica e dialética) do passado” (KOSÍK, 1976, p.150)

Colegas, olhem para a sua formação e pensem na formação de seus alunos dentro de um contexto que privilegie e  promova a pesquisa (as perguntas!). Uma pesquisa que considere a realidade das instituições educacionais e que, a partir desta realidade, construa alternativas de criação e uso da tecnologia.

Prefiram as ações que promovam a autonomia e a autoria no trabalho com as tecnologias e potencializem a opção \ apropriação tecnológica consciente.

Considerem as possibilidades da cultura hacker, do movimento software livre, dos ambientes públicos, interativos e abertos, das formas colaborativas e cooperativas de trabalho, como exemplos de uma reconstruída relação com o conhecimento, como bem humano.

Não se fechem na academia (na escola), ao contrário, descubram os espaços onde a rede invade a academia ,a escola e tudo mais. Façam destes, espaços de vida.  Evitem, também, os feudos que se criam na rede e replicam as formas fixas, pobres e unidirecionais de comunicação e, pior, de educação.

Conjurem as instâncias de apoio (os Núcleos, NTEs, Proinfos) para que partam da imersão na rede, na sua cultura, e, muito mais,  na sua contra-cultura; do que é instituído pelos órgãos educacionais, porém, muito mais pelo que é instituinte e negador, que se coloca como possibilidade, como as alternativas livres que emergem na e da rede.

Lembrem que a rede é rede e o outro é o caminho. Pliquem, repliquem, tripliquem, mantenham o fluxo 😀

Acreditem em si mesmos, no potencial transformador da sua prática, na beleza da sua busca, na segurança da sua experiência, no poder redirecionador dos erros (é por aqui que venho andando, não sem alguns tropeços)

Não aceitem tudo isso que escrevi como diretriz e, sim, como possibilidade de caminho à construir. Mergulhem na rede nos seus termos, como os botos e não como as sardinhas.

in-ter-dependencia

in-ter-dependencia

O texto ficou com jeitinho de discurso… Perdão!!!!!!!! 😳 Afinal, é sete de setembro e algum tom heróico pode retumbar no meu brado. ops! 💡

….siga http://tinyurl.com/interdependencia

….leia todos na: interdependência


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set 03 2009

inclusão é exclusão

Categorias: categorias,teoria,visão de mundoSuzana Gutierrez @ 11:23

E vice-versa.

Tenho um colega que adora a expressão “me inclua fora desta”. Ele a usa sempre que a ordem do dia contém alguma daquelas missões para as quais necessitamos um cocar com muitas penas como equipamento essencial.

Eu lembrei desta inclusão excludente ao ler alguns textos (no google reader) onde inclusão digital, exlusão social e outras in-ex eram parte do tema.  Reafirmei o meu pensamento de que inclusão e exclusão tendem a assumir contornos absolutos quando, na realidade,  são relativas. Opostos dialéticos, um não existe sem o outro.

Aí o Freddent.eia“:

@amandinhakee, eu vejo as mesmas fotos e o pensamento que me vem é: precisamos de inclusão digital DE VERDADE, associada à inclusão social.

Me deu vontade de entrar na conversa e complicar um pouco estes conceitos de inclusão \ exclusão.  Mas resolvi pular os limites dos 140 carácteres e trazer a possibilidade de diálogo para ambientes mais amplos.  Vim para o blog 😎

Penso que a inclusão de\em alguma coisa inclui (exclui) a exclusão de\em outra numa linha que admite todas as posições entre estes dois opostos. Ser excluído socialmente é estar incluído  num mundo de possibilidades a que não se tem acesso, mas que afetam a nossa vida com força.   Ser incluído digitalmente pressupõem pertencer a um grupo que pode construir\contrapor a sua apropriação às apropriações previstas para a tecnologia digital.

E estas inclusões – exclusões não são totalizantes,  não 🙂 incluem tudo o que pode ser pensado no tema.  E mais,  ambas se 😐 incluem num contexto no qual estas categorias coexistem juntamente com todas as suas relações, também, com todas as condições de sua (re)criação.

Acesso, apropriação, condições de exercer a ação, … são fatores que podem estar ou não, e mais ou menos, presentes nos contextos de in-exclusão.  Por exemplo, as modificações na ‘lei do petróleo’ frente às possibilidades do pré-sal podem ser a tentativa de garantir a inclusão dos menos incluídos (nas coisas boas) da riqueza que é uma possibilidade  deste projeto.  Por outro lado, alguns vêem como uma exclusão do ‘Mercado’ (como personificação do Capital que é)  de uma plenitude destas mesmas possibilidades.

A apropriação privada daquilo que é público está tão naturalizada que garantir a inclusão de todos é visto como uma exclusão dos beneficiários das ‘leis’ que são tidas como naturais, fixas e imutáveis,  ou seja, as leis do Capital.

Assim, no meu entender não existe isso que chamam de exclusão\inclusão. O que existe são vários graus de inclusão subalterna ou de exclusão parcial.   E o pensamento, para dar conta das nuanças deste contexto, precisa trilhar os caminhos da dialética. Aquela de cabeça para baixo que Marx propos já faz um tempinho.

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