ago 08 2009

Para pensar o #twitterfail e a rede

Categorias: comunicação,informação,rede,redes sociaisSuzana Gutierrez @ 14:31

Nestas últimas horas, uma diversidade de leituras que fiz, originadas de diversos caminhos da rede provocaram algumas reflexões sobre o recente problema do Twitter. Dois dias atrás, sob um previsível e comum ataque DDoS, o Twitter caiu.

Brinquei aqui sobre uma possível síndrome de abstinência de alguns usuários mais aficcionados, daqueles que não vão ao banheiro sem antes anunciar no twitter. Os que possivelmente ficam sujeitos às mais hilárias críticas, principalmente as que falam da relevância do “que eu estou fazendo” da maioria dos mortais.

Fiquei pensando sobre este EU (primeiro círculo) que, repentinamente, perdeu sua identidade, desligado que foi dos únicos e aligeirados caminhos de expressão. Os EU de 140 caracteres tiveram que, por algumas horas, olhar para si em outros termos. E se, nisso, puderam vislumbrar um pouco do contexto e fazer algumas poucas relações, foi grande o ganho.

Pelo menos foi possível refletir sobre os problemas do pensamento único, ou do desalento de supor que “não há alternativa“. Ou, ainda, se surpreender com a constatação de que elas existem e que, para dizer o mínimo, é estratégico ter alternativas. Quando uma rota  está bloqueada, nossos elos cooperativos se formam por outras.

A rede tem muitos caminhos e a distribuição é o segredo para o seu não rompimento. Na prática, quando alguns caminhos se fecham ou se tornam irrelevantes (e para isso nem precisa um ataque de clones teleguiados, mesmo que eles existam aos montes), é preciso olhar com atenção para as possibilidades em volta. Para as existentes, as quais por vezes deixamos em espera, e para aquelas que existem só em potência.

Esta semana ativei e reativei alguns caminhos e me desviei de outros. Um dos que reativei foi este aqui. Livre e de código aberto, que ‘conversa’ com o outro, mesmo que a recíproca ainda não seja verdadeira. O identi.ca é uma instalação do laconi.ca, um software livre, de código aberto, que faz o mesmo que o twitter em servidores distribuídos.

Não faço parte dos que abraçaram o twitter como forma de caminho único. Aliás, um dos meus camnhos preferido é o RSS, que reúne e tem recuros para manejar\filtrar\refiltrar\compartilhar informações. Uso, atualmente, o Google Reader para ler os meus feeds, compartilhá-los, postar em blogues\listas de discussão, comentar o que meus amigos e parceiros  compartilham e, até, para me comunicar (notas compartilhadas).

O importante nestas reflexões um tanto fragmentadas é apontar que é preciso aprofundar a reflexão, quando se pensa a rede.  Sair um pouquinho da superfície e da efemeridade dos últimos bits que circularam.  Principalmente quando se tem consciência de que somos construtores das redes e que temos uma boa autonomia nisso.
Ler, também:

RSS Clouds

Building the user-centered web (7)

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3 Respostas para “Para pensar o #twitterfail e a rede”

  1. Kátia Soares Coutinho says:

    Excelentes tuas reflexões a respeito do Twitter. Não o utilizo por absoluta falta de tampo e, também, porque acho que reflexões, trocas e compartilhamentos limitados a 140 caracteres são um tanto cerceantes, como se estivéssemos presos a uma camisa de força… Na minha opinião, há, sem dúvida, utilidade no Twitter (avisos, furos de reportagens,recados importantes); é bom conhecer, mas também há muito de modismo ( Fulano tem um milhão de seguidores – e daí???). Colocaste muito bem, (comentário no meu blog): a rede não pode ser monopólio, há que se ter alternativas – há também as preferências de cada ser humano.
    []s
    Kátia

  2. Lilian Starobinas says:

    Oi Sú,
    puxa, fazia um tanto que não vinha ao teu blog – engraçado, ao ler por RSS perdemos as novidades gráficas dos espaços.
    Muito interessante o “surto” do Twitter na 5a – justamente foi um dia bem ocupado, não deu tempo nem de sentir abstinência.
    Mas é importante olhar para essa canalização única numa ferramenta – mesmo que seja de EUs buscando loucamente um ouvido, um reconhecimento – pois vai ficando claro que cacifar uma só via de conexão é colocar-se em risco de repentinamente ver-se desconectado.
    abços
    Lilian

  3. Jorge says:

    Fiquei pensando se seria justo comigo mesmo depender do Twitter. Encaro o mesmo como uma plataforma de microblogging, que tem lá seu hype. A pergunta “o que você está fazendo?” já não me satisfaz mais.
    Será que eu quero mesmo depender de um único serviço pra conseguir publicar meus microposts? Jamais.
    Por isso instalei o laconi.ca no meu site; ainda mando os updates pro Twitter, mais por questão de conveniência e respeito aos seguidores.

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