O assunto saiu nas listas em resposta às provocações que volta e meia nos fazemos. Culminou com a proposta do Robson Freire aos participantes das listas blogs_educativos e da edublogosfera de uma blogagem coletiva sobre o tema.
E aqui, meio atrasada, vai a minha contribuição inicial:
É possível pensar que a escola inevitavelmente forma para o futuro, nem que seja um futuro bem imediato, aquele que vem logo depois de uma “explicação” do professor. Pelo menos enquanto as viagens no tempo e a volta para o passado estiverem apenas no âmbito da ficção ou dos nossos sonhos. É o futuro que temos diante de nós.
O que pode acontecer é que esta parte da formação humana, na qual a escola têm algumas responsabilidades, seja mais adequada a quem teria, no futuro, experiências/possibilidades/problemas que já aconteceram num passado mais ou menos remoto de alguém. Uma formação para coisas que provavelmente não se repetirão.
O que é inelutável é que nos “formamos”, com ou sem ou, ainda, apesar da escola. Assim, se a escola (do jeito que ela é) não é inocente, certamente não é, também, a dona de toda a culpa da nossa inadequação (será?) ao nosso tempo.
Agora… falar deste jeito da escola ou de qualquer instituição humana é como falar do povo enquanto nos incluímos confortavelmente fora dele.
Para começar, o que é e quem é a escola?
Um conjunto instituído e instituinte de relações sociais que emana de um contexto de práticas sociais, culturais e políticas.
Assim como a realidade social, a escola é obra de nossas mãos. É histórica e, portanto, não é fixa e nem imutável. Ela é parte da prática social humana.
Ah… é dura de mexer… lá isso é. Em alguns momentos, isso pode ser até uma virtude. Afinal, a educação não deve ser campo para testes descompromissados.
Eu penso que a escola não forma para o passado, nem para o futuro e nem para o presente. No espaço que lhe cabe, a escola constrói o futuro, assim como construiu o passado e está construindo o presente. Aliás, quando ela modifica o presente, altera o futuro e , dialeticamente reconstrói o passado.
Este mundo que aí está é o resultado sempre provisório de nossa prática social e a escola é parte disso. É obra nossa na construção do futuro. E este nós significa a humanidade e não apenas aqueles que estão numa ou outra escola ou que atuam de alguma forma na educação, embora estes tenham mais possibilidades de influir (ou fluir) nesta construção.
Cada pequena coisa que fazemos ou que deixamos de fazer é parte da construção da realidade social.
A escola não é algo isolado que eu possa simplesmente e linearmente criticar. Toda a crítica aqui será sempre auto-crítica. Neste sentido, transformar a educação e a escola inicia pela compreensão deste nosso imenso envolvimento e pela consciência das possibilidades e das consequências de nossas pequenas e cotidianas ações e omissões.
Uma das formas de exercitar este consciente potencial transformador é fazer justamente o que estamos fazendo: publicar as nossas conversas, refletir socialmente, alimentar a rede, partilhar o caminho das pedras.
Quem mais escreveu?
Robson :: Elis :: Miriam :: Jenny :: Suely :: Elaine :: Franz :: Sérgio :: Tatiane
E, por último, uma provocação:
Um texto antigo para refletir






abril 24th, 2009 at 22:59
Opa Suzana,
[mode tiete on]
Quando eu crescer quero escrever assim!
[mode tiete off]
Eu não discordo que a rigidez das instituições seja mais virtude que defeito, mas no caso da Escola a inércia é flagrante!
Vai de pequenos detalhes do cotidiano, (disposição dos alunos) até questões mais estruturais, como currículo!
Eu não discordo que “A Escola é obra das nossas Mãos”. Mas sabemos, empiricamente, que nossas práticas sociais dentro da Escola só são possíveis se não interferirem no seu modo de funcionamento,por mais contraditório que isto possa parecer!
Ou, dizendo de outro modo, na prática a teoria é bem diferente
Quando você diz que a Escola é histórica e, portanto, não é fixa e nem imutável, que Ela é parte da prática social humana, não tem como discordarmos, mas (sempre tem o mas), se tomarmos como referencial qualquer outra instituição desta mesma sociedade histórica, verifica-se que o conceito de fixa é mais forte do que de mutável.o
Há os ajustes conjunturais, que no fundo são movimentos para que nada mude!
Não vai aqui nenhum conformismo ou defesa do imobilismo! O que pudermos fazer, organicamente ou não, para romper com esta inadequação da Escola ao seus objetivos mais explícitos(formar a garotada para o mundo do trabalho e a vida cidadã) tentaremos fazer.
Mas eu *desconfio*, cada vez mais, que se nossos esforços fossem feitos fora de amarras instituicionais (pense escolas cooperativas, escolas em acampamentos do mst, e outros movimentos fora da super-estrutura do estado e do capital, se é que existe isto!) o impacto das mudanças seriam mais mensuráveis e o efeito no mudanças mais perceptíveis.
Publicar nossas conversas é algo bom. De certo modo sempre foi feito, em escalas menores! Mas repito que temos que transformar nossas conversas em algo mais palpável! Se não, corremos o risco de fazermos o mais do mesmo! Pois o que não falta é conversas publicadas em torno de um ________(coloque aqui o que você quer mudar) melhor
E que saber, só falta de um pouco de confiança de que nós podemos fazer diferença se *agirmos* mais organicamente!
Já avançamos, pois já estamos conversando organicamente
abs
abril 25th, 2009 at 06:09
Oi Sérgio
Minhas idéias neste assunto vão além do que eu pude escrever aí nesta entrada. É que não deu tempo ainda de continuar
Mas, … eu não disse que é virutde da escola ser fixa, de modo absoluto. Falei que ser fixa pode ser até uma virtude em certos momentos.
Qdo eu falo de prática social estou falando de forma ampla. Nossa prática social na escola encontra entraves porque a nossa prática social na sociedade ajudou/permitiu/se omitiu ao criar estes entraves.
A idéia é mostrar que não estamos fora disso sofrendo consequencias. Estamos dentro criando este estado de coisas.
Até por isso é possível mudar.
Claro que somente falar disso não vai mudar muita coisa. Mas a rede e as relaçoes sociais que ela permite é uma forma de fundamentar ações, a nossa contra-hegemonia.
Mas estas ações tem de ser coerentes com uma visão de mundo que não reafirme aquilo que queremos mudar. A discussão em rede ajuda a dar coerência e consistência a este substrato para que as ações, também, sejam coerentes.
Pense na minha provocação sobre o voluntariado, por exemplo. Sem querer torpedear ações voluntárias, temos de pensar a quem (ou ao que) elas servem e quem se serve delas neh.
Ah. quando tu crescer vai escrever que nem eu hehehehe (isso pode ser uma praga)
abraço!
abril 25th, 2009 at 08:29
Olá Suzana
Primeiro não concordo com o “ser fixa pode ser até uma virtude em certos momentos” pois o fixo me lembra imobilidade, imobilidade me lembra rigidez, rigidez me lembra morto.
E a escola não está morta, ela está parada, sem pespectiva de mudança a curto ou médio prazo.
Sim esse debate em rede pode sim trazer luz a algumas “soluções magicas” que por si só durante o debate perdem a força e mostram a todos qual o caminho seguir.
Trazer esse debate para cá foi bem legal pois vai possibilitar mais pessoas a opinarem sobre o tema. o legal e que não somente nos professores e sim toda a sociedade se manifesta-se sobre isso e que esse debate tivesse uma outra dimensão.
Quem sabe?
Ufa!! Preciso digerir tudo isso um pouco mais.
Maravilha de postagem.
Em tempo: eu também quero escrever como você.
Abraços e seguindo o seu conselho.
abril 25th, 2009 at 09:02
Oi Robson
Obrigada pelos comentários
Ser fixa, imexível, EM CERTOS MOMENTOS, é resistir. E eu penso que em certos momentose em certas coisas temos de resistir.
Eu não concordo que a escola está parada e sem perspectiva de mudanças em curto e médio prazo. A escola está mudando todos os dias. Cada conversa nossa aqui muda um pouco a escola, mesmo que de forma praticamente imperceptível.
Bah… aqui em casa eu comecei a lutar contra a umidade que está se infiltrando nas estruturas. Em alguns pontos a solução é tirar a flexibilidade (impermeabilizar). A gente pensa que as coisas não se movem, a infiltração é imperceptível de início, mas, de repente, aflora a superfície e modifica as estruturas.
abril 26th, 2009 at 17:56
Oi, Su,
bela postagem, e gostei muito do esquema, me lembrou os “Blogs Carnival”. Aliás, tenho uma idéia pata algo semelhante. O que achas, dá par gente desenvolver essa ideia?
A CIRANDA DE BLOGS EDUCATIVO:
A idéia é baseada nos “Blog Carnival , que é uma maneira bem interessante e prática de divulgar blogs e trocar experiências de forma bem interativa. (Veja exemplos nas URL http://www.carnivalofjournalism.com/ http://www.collegemediainnovation.org/blog/2008/02/16/carnival-of-journalism-3/
A coisa funciona assim: A cada mês um blogueiro convidado fará uma postagem no seu blog sobre um dos temas escolhidos (abaixo algumas idéias), e a cada mês outro blogueiro do grupo será convidado para passar nestes blogs e fazer uma lista dos blogs que fizeram postagens sobre o tema. Ele divulgará essa lista no seu blog, com um pequeno resumo da postagem. Ela será o “guia de leitura” para os demais blogueiros do grupo.
Nesse caso focaremos a educação mediada por computadores em rede.
Educação inclusiva
Informática na educação especial
Informática na educação de jovens e adultos
Informática na educação Infantil
Informática e Letramento Digital
Informática na Educação Publica
Fatores Positivos e Negativos no uso dos Computadores na Educação
Formação de Professortes e as TIC
Aspectos da Formação de Professores do Séc. XXI
Comunidades virtuais e a Educação Publica
Educação mediada pelo computador
O impacto dos Blogs Educacionais
Objetos de Aprendizagem
Blogs e a construção de conhecimento compartilhado
Ferramentas de Interação on line na Educação
Educação Pública para o Séc. XXI
O celular pode auxiliar a educação?
Blogs, Twitter e Podcast na educação
Podcast Educacionais
Ferramentas do Google para a Educação
abril 27th, 2009 at 06:24
Oi Franz
Eu não sei se seria o caso estruturar algum tipo de organização mais, hum…, organizada
. Somos um grupo heterogêneo, com temporalidades diversas e, assim, determinar tempos, tarefas e temas seria difícil e até, penso eu, não seria o adequado.
Cada um de nós tem seus interesses e circula melhor em certos assuntos e costuma escrever sobre eles, no tempo que acharmos possível. Todos nós lemos outros blogs. Assim, organizar teria o mínimo de organização
Seria apenas um comprometimento um pouco maior em dar retorno ao que lemos e a quem comenta o que escrevemos. E, também, de menter as conexões (os links) fluindo nos textos. Penso que o resto vai se construindo.
É por aí que vai a minha idéia. Mas acho que a tua é, também, possível.
abração!