Deixei para trás a loucura destas primeiras semanas pós-férias, coloquei o meu chapéu de viagem e lá fui eu para Capão da Canoa. Do meu lado, o Lucas dormindo e, à frente, a estrada vazia no calorão da tarde de sexta-feira.
Aproveitei a tranquilidade da viagem para pensar. Deixar a mente vagar por todos estes anos que conheço a minha mãe. Daquela ligação primeira não restam lembranças, mas sobram intuições, certezas de incondicional amor e apoio. Dos primeiros anos eu lembro dela me esfregando até brilhar, do descuido com a comida (é…, ela nunca empurrou ou se preocupou se comíamos, – claro que comíamos!).
Na escola, o olho vivo para saber se tínhamos o que era preciso ter, se éramos as primeiras na fila da vacina, se as notas estavam ok. Sem estresse de ficar fiscalizando temas e tarefas, deixando a vida cuidar dos nossos desleixos.
Na adolescência, ela que ainda estava na sua adolescência, virou cúmplice (só pra constar ela ainda continua na adolescência). Parceira das festas, amiga de quase namorados, mediação poderosa entre nós e o patriarca.
Sempre foi parceira, disputada pelos netos, um calo no dedão do meu pai. Ele todo certinho casou com uma hippie, quando ainda não haviam hippies.
E para honrar a tradição, ela queria que a festa de 80 tivesse o tema: Grêmio.
Vetado pelo senhor certinho, que depois se arrependeu ao ver a decoração aprovada, toda azul e branco . – Parece a Argentina…. Mas no fim ela venceu, com a bandeira tricolor fazendo um fundo que ninguém podia deixar de ver.
a turma de San Diego: Rossana e Fernando, via Skype. E… o Grêmio, é claro!
E ela estava feliz: netos e filhas, o maridão amado, barril de chopp e bandeira do Grêmio. Pedir mais?
E eu fiquei apreciando aquelas gerações reunidas, alguns alegremente caducando. Se divertindo a grande até quase o sol nascer. “-Quem é tu mesmo, minha filha? … – Ah…, mas tu já tens filha grande assim…”
E eu fui para lá com computador e livros, doutorado em foco. Mas acabei subindo em escadas, pendurando fitas e enchendo balões. Como valeu a troca!!!








fevereiro 26th, 2009 at 20:21
Coisa bem boa: os pais ainda fazem parte da vida da gente!
Claudia.