Nos primórdios da internet, do IRC e das pagininhas toscas, uma discussão recorrente era sobre a pertinência de trocar fotos pela rede ou publicar fotografias pessoais em sites, em relação às possíveis quebras de privacidade que isso podia trazer.
A menos que saiamos de máscara, a nossa cara é de acesso público. Está a disposição de qualquer um por quem cruzarmos na rua e, mais recentemente, das câmeras de segurança de qualquer lugar, dos fotógrafos amadores, das câmeras do google streetview, … Assim, estar num perfil do Orkut ou num blog qualquer é mero detalhe.
No fim de semana, estávamos na varanda, tomando chimarrão, e eis que passa a nossa governadora, passeando com cachorros e um pequeno séquito familiar. Eu ali com o telefone móvel, sua câmera e o endereço do twitpic na agenda, estava a poucos segundos de mandar a foto da governadora em trajes praieiros para o mundo. Se eu fosse um pouco menos preguiçosa e mais extremada podia mandar uma geo tag que permitiria alguém acertar ela com uma havaiana na Boianowski esquina com a Sepé.
Privacidade é complicado. Para não falar dos nossos textos que, mal são emitidos já correm o mundo via blog, twitter, google reader, telefone móvel, … Isso antes mesmo de decidirmos a real e definitivamente por o ponto final.
- O rss não perdoa! – me disse estes dias a Miriam Salles (viu só, … estou espalhando). O feed já espalha a besteira e a torna uma presença incômoda, mesmo se corrigirmos rapidamente. E os nossos pecados antigos tendem a voltar no cache do Google ou numa busca antenada nos Internet Archives, como tão constrangedoramente aprendeu a jornalista da globo que deletou seu antigo blog.
A informação publicada na internet é gravada e arquivada quase que instantaneamente, tem potencial de visibilidade, pode ser replicada, alterada, remixada ao infinito e recuperada em buscas ou em arquivos. De início, a maioria das pessoas não se dá conta destas propriedades e não compreende que o que está na web, em muitos casos, está publicado e pode ter acesso público.
A grande maioria, também, não lê os “termos de serviço” de espaços onde divulgam, estocam, compartilham informações. Muitos destes termos avisam que a informação colocada no site é de propriedade do site, podendo ser usada, replicada, publicada.
Recentemente, a polêmica envolvendo a utilização de informações postadas no Facebook mobilizou a blogosfera sobre o tema da privacidade e do controle da própria informação. Esta mobilização acontece mais em ondas, nos momentos de ruptura, e realmente não consta da agenda como como assunto que deva ser levado em consideração no cotidiano da nossa presença na web.
Hoje, quando retomei este texto, pipocou um twitt da Raquel Recuero falando de um texto seu sobre o Dia da Privacidade das Informações. Fui lá olhar e, seguindo o paradigma da rede no lugar do barulho repetido, indico a leitura do texto da Raquel na sequência deste meu, pois ela trata de pontos importantes, que eu até ia abordar aqui, mas que estão bem conduzidos por ela. Como, por exemplo, a negociação de informações privadas de clientes pelas empresas. Quem aí não recebe propagandas que vem atreladas ao seu cadastro até de órgãos profissionais?
É muito fácil garimpar informações na internet, por isso ter o controle sobre as nossas informações é um exercício importante e deve partir do nosso conhecimento sobre o funcionamento e possibilidades da rede e dos sites\serviços online nos quais nos engajamos.






janeiro 29th, 2009 at 07:55
A tua explicação tem sua lógica. Mas também podemos fazer o seguinte raciocinio: qualquer chaveiro pode abrir uma porta, e qualquer pessoa pode fazer um curso de chaveiro, mas nem por isso saimos de casa e deixamos a porta destrancada ….
janeiro 29th, 2009 at 08:50
aham, anônimo!
Mas, por outro lado e como tudo, depende. Eu tenho um amigo que só coloca móveis na casa dele em Pinhal no verão. No inverno ele coloca um cartaz na porta: Não arrombe, está aberta!
janeiro 29th, 2009 at 15:16
Su,
Interessante isso porque tb trata de como as pessoas entendem as ferramentas. Volta e meia alguém que trabalha comigo pede para eu “consertar” alguma coisa que coloquei no blog, como se fosse um site institucional.Eu sempre tenho que explicar que o blog é a minha opinião pessoal sobre um determinado assunto, blá, blá, wiskas sachê. Mas percebo que as pessoas ficam amuadas, sabe? Como se fosse uma coluna social rsrsrs! Recentemente passamos por uma saia justa porque uma pró-reitora colocou um puxão de orelha no Ming, pensando que ninguém mais veria o comentário. Imagina só a confusão!
Beijos,
janeiro 29th, 2009 at 15:18
Nunca falha, obviamente eu quis dizer Ning…kkkkkkkkkkkk
Beijos