Em janeiro deste ano, seguindo a proposta do Learning Circuits em uma de suas “Grandes Questões”, publiquei as minhas previsões sobre a aprendizagem em 2008. Hoje, propus uma pequena avaliação destas previsões. Uma forma de rever o processo e confrontar a dimensão de nossa capacidade de interpretar o contexto e as tendências em educação.
Então, reescrevo e comento as minhas previsões, considerando a minha interpretação do contexto atual. Não se surpreendam com a quantidade de pronomes possessivos
A idéia é deixar claro que esta esta é uma forma individual e particular de olhar a realidade.
Lá vai:
Eu penso que em 2008 continuará a tendência da valorização e do incentivo da aprendizagem nos espaços não formais. É uma tendência que vem se firmando faz tempo e que está conquistando cada vez mais a atenção dos professores, por exemplo.
Penso que esta previsão foi correta. Espaços não formais como os gerados por redes mediadas por blogs, wikis, sites de redes sociais, e outros ambientes\tecnologias que permitem a interligação e a interação foram suportes importantes de processos de aprendizagem, especialmente para os professores que, aos poucos, vão se apropriando destas tecnologias.
A aprendizagem online também deverá aumentar, conforme aumenta o uso das tecnologias da informação e da comuicação nas escolas. Sites de redes sociais (Orkut), mensagens instantâneas, blogs, wikis, agregadores e o email serão mais usados por professores e alunos.
Esta previsão tem pelo menos 3 desdobramentos. Primeiro: a possibilidade de aprendizagem online realmente cresceu, pois a oferta de cursos online aumentou espantosamente (aqui não entro na discussão sobre a qualidade dos cursos e os interesses em jogo neste movimento de expansão).
Em segundo lugar, este crescimento é relativo nas escolas. Ainda é problemático afirmar que as escolas estão mais “informatizadas”, ainda permanecem muitas dificuldades na maioria das escolas. Ter computadores é apenas parte da questão.
E, em terceiro lugar, blogs, wikis, sites de redes sociais etc., mesmo tendo seu uso expandido, inclusive com educadores tendo conquistado prêmios em Educação com projetos que os utilizam, ainda são muito mal compreendidos nas escolas e, de modo geral, não integram as práticas educativas cotidianas. Em algumas instituições e até em redes educacionais tem o acesso bloqueado.
Apesar das leis contra o uso dos telefones móveis em sala de aula, penso que a educação começará a perceber as potencialidades destes aparelhos no contexto educativo: comunicação, uso de imagem, documentação, mapeamento e , até, cinema.
Penso que a educação começa a perceber estas potencialidades, porém a reflexão sobre isso ainda é muito incipiente. A premência de cumprimento de prazos, conteúdos e dos demais rituais da escola, restringem as possibilidades de aprofundar esta e outras reflexões. Eu acreditava que se pudesse andar mais do que se andou neste tema em 2008.
Dando força para as previsões anteriores, crescerá a mobilidade com a disseminação das conexões sem fio e o barateamento de hardwares mais móveis (notebooks, pdas, smartphones, …)
Mesmo considerando a nova crise do capitalismo internacional, continua crescendo a mobilidade, a disseminação das redes sem fio, o barateamento das alternativas mais móveis de hardware. Além disso, notei um movimento de super oferta destes bens, num sentido de expansão dos tipos e formas, funcionalidades, utilidades e inutilidade, algumas claramente estratégias mercadológicas.
Estes são meus breves comentários, passíveis de atualização, sobre o que eu havia previsto em 2008. Espero que os leitores tirem um tempinho paa contribuir com esta discussão.
Tags: aprendizagem, big question, blog, educação, educação online, mobilidade, orkut, redes sociais, RSS, tecnologia, telefone móvel, weblogs, wifi, wikis
dezembro 7th, 2008 at 03:46
Hoje em dia existem muitas mercadorias. E estamos nos enchendo de lixo sem saber exatamente por quê.
Antigamente os jovens iam jogar bola no terreno baldio ao lado da casa, empinar papagaio, andar de bicicleta e inventar uma infinidade de outras brincadeiras. Hoje em dia, com essa tralha toda, estamos crinado cyber-tarados, crianças que fantasiam serem bruxos, cavaleiros medievais, ou coisa pior….. ( estamos criando amalucados que se enchem de piercings, tatuagens, usam drogas, e cujo universo se resume a “raves” e a uma internet doentia )
dezembro 7th, 2008 at 05:23
Espero que o que eu disse seja visto pelo lado positivo. Bruxos e cavaleiros medievais nada possuem de errado quando vistos de forma correta. O problema é a extrapolação que se cria na cabeça dos jovens. Lembro-me do desenho do speed racer, um desenho politicamente incorreto, e da mentalidade estupida que havia com relação ao transito nos anos 70. Quem é daquela época deve lembrar-se das “proezas” do evil knivel, que com sua moto estimulava um comportamento perigoso e agressivo no transito.
O mesmo se dava se dava em relação aos nativos norte-americanos e mexicanos, que eram invariavelmente mostrados nos filmes como facinoras.
Uma das poucas séries que apresentava uma visão mais otimista e inteligente era a serie Kung Fu, estrelada pelo David Carradine. Tal serie estimulava a reflexão e o não uso da violência gratuita.
dezembro 7th, 2008 at 06:36
Oi anonimo
Concordo em relação as mercadorias. O sistema do capital funciona e se expande assim, criando desejos, transformando-os em mercadorias cada vez mais descartáveis.
As próprias tatuagens que tinham seu simbolismo viraram objeto de consumo.
Este movimento não está só na internet ou em outros meios de comunicação como a TV. Estes fazem a sua parte na difusão deste ‘compre, compre, compre’. Está nos próprios produtos: 1.0, 2.0 … e ficamos esperando e querendo o 3.0
Por outro lado, as crianças continuam brincando e as brincadeiras ‘físicas’ continuam entre as favoritas.
Se eu perguntar aos meus alunos se querem ir para o laboratório de informática ao invés de para a quadra de basquete (futebol, volei, …), o laboratório perde sempre. E por unanimidade. É raro aparecer algum que prefira jogar ou navegar na internet em vez de correr na quadra com os colegas.
Agora, … eu sou de uma geração que podia brincar na rua quase que sem supervisão dos pais. Infelizmente este espaço acabou: primeiro pela falta de segurança, segundo pela falta dos pais que estão trabalhando muito mais do que trabalhavam alguns bons anos atrás.
Sobrou a escola, e quero ver até quando, já que a Ed Fisica está cada vez mais diminuta dentro dos currículos.
Já a violência nos games e na TV é relativo. Na minha infancia (q já vai longe) os desenhos já eram violentos (tom e jerry, pepe legal, …), até as fábulas e histórias infantis não escapavam: Branca de Neve, …