Nada como uma das recorrentes crises do capital para trazer o foco para Marx. Alguns falam em ‘reviver’ Marx, como se o seu pensamento estivesse morto e não apenas esquecido, desconhecido e, pior, mal interpretado.
E é por aí que começam a pipocar ensaios, notícias, papo de boteco e outras expressões falando em Marx e em como ele explicou o que vem acontecendo.
Hoje, o Pedro Dória conta que Henry Kissinger está fazendo previsões para o futuro dos Estados Unidos com base na leitura de Marx. Aquele que foi uma importante peça no golpe que acabou com o governo socialista de Salvador Allende, contraditoriamente, usa o mesmo fundamento teórico.
Stuart Hall e outros pensadores que, embora a raiz marxista, se aproximam mais do viés pós-moderno, vem sendo usados como uma referencial teórico para uma possível explicação marxista da web 2.0. [via Intermezzo]
Leonardo Boff, coerente com seu pensamento, avisa que está para chegar o pior da crise, porque o princípio e o fim do capital é o próprio capital o qual por meio do consumo e da produção pela produção em favor da acumulação, não tem limites. – A crise que aí está é mais que uma crise econômico-financeira, é uma crise de humanidade – avisa ele.
Por volta dos anos 1860, Marx havia se convencido da natureza insustentável da agricultura capitalista. – explica o Prof Gilberto Dupas em artigo sobre agricultura, alimentação e saúde, publicado pela Folha e replicado pelo Diário Gauche.
Ler e reler Marx …
A história não conhece sentido único. Nem longitudinalmente, de acordo com a seqüência dos séculos. Nem em corte, quando um pensa a vida do outro enquanto o outro vive o pensamento do primeiro, sem que filosofia e história, economia e política jamais consigam reconciliar-se na harmonia calma da simples “correspondência”. Pensado como “atraso”, em relação a uma norma temporal imaginária, o anacronismo acaba por impor-se não como anomalia residual, mas como atributo essencial do presente. (BENSAID*, 1999, p. 45)
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Para quem não quer começar direto na fonte, é possível ir por aqui:
* BENSAÏD, Daniel. Marx, o intempestivo : grandezas e misérias de uma aventura crítica (séculos XIX e XX). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999. 512p.
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update em 16/12
Falando em Daniel Bensaïd, visitem este texto do Alfarrábio sobre o documentário sobre o Os irredutíveis: teoremas da resistência para o tempo presente.






dezembro 16th, 2008 at 00:38
Esse negócio de um pensar e outro viver o que é pensado, é a regra geral (infelizmente). O proprio caso de Marx se dá nesse plano, onde Marx pensou, e outros viveram baseados nesse pensamento. Já vi gente separando moral e direito, como se a moral tivesse uma origem “divina”. A moral nasce tão somente do consenso social. O que era moralmente correto na época dos gladiadores, hoje em dia não é mais. Acho que se fossemos mais pragmaticos e começassemos a resolver os problemas, seria preferivel que formar “teoricos marxistas” ou “teoricos capitalistas”. Seres estes que apenas consomem recursos de vários trabalhadores, sem produzir qualquer riqueza economica ( e ainda recebem pela discordia que produzem !!!!!)
É preciso acrescentar que Marx foi um vagabundo que nunca trabalhou, se limitando a criar idéias falhas e doidivanas.
dezembro 16th, 2008 at 04:35
Há quem diga que se Marx fosse vivo não seria marxista… piadas a parte é hora de retirar os velhos livros do armário
Só tenho uma curiosidade.. onde estão os arautos que proclamaram o fim das utopias?
abs
dezembro 16th, 2008 at 06:39
Pois é, Sérgio. Tá na hora mesmo de reler Marx como Marx e não como o primeiro marxista, pois, nestes, há de tudo.
O anônimo pensa que pensar e escrever e, com isso, fornecer fundamento para compreender a realidade e mudar o mundo não é trabalho
Contraditoriamente, em seguida o anônimo concorda com Marx: que não se trata somente de interpretar o mundo, mas de transformá-lo.
Quando as “idéias falhas e doidivanas” vão uma a uma explicando o que está acontecendo na realidade, é hora de reler o cara que conseguiu compreender o funcionamento do sistema que alguns pensam que é o fim da história.
abraços!
dezembro 18th, 2008 at 22:22
Oi, Suzana!
Estou aqui para conhecer teu espaço na rede e agradecer tua visita no “Ufa! Bloguei!”
É uma baita força, para mim que “recém nasci”, o apoio que tenho recebido dos(as) blogueiras(as)! Muito obrigada!
A blogosfera está me encantando…
Abraços!