Porém, o que na maioria das vezes acontece é que relacionamos estas possibilidades com aquilo que já conhecemos e com as nossas práticas na sala de aula. Isto é normal, pois é sempre de algum lugar existente que avaliamos o novo.
Como a maioria de nós ainda trabalha dentro de uma estrutura de funcionamento da escola, que não se modifica muito faz um bom tempo, estas nossas novas práticas, deixam de antemão este aspecto de novidade, pois se inserem em processos que já existem, sem alterar de forma significativa o processo.
Isso acontece, por exemplo, quando colocamos aquela aula, que seria falada e escrita no quadro de giz, numa apresentação de slides animados e com som sincronizado. O único diferencial talvez seja na produção visual, pois o processo continua sendo expositivo e sem possibilidades de interação.
O mesmo se dá quando usamos com os alunos outros suportes para os seus trabalhos. Entregar num CD um trabalho escrito é quase o mesmo que entregar a versão escrita e impressa do trabalho. Colar num blog um texto digitado num editor de texto, só difere de entregar o texto escrito ao professor, pelo aspecto público e aberto à comentários de um blog (aqui já temos algumas diferenças um pouco mais consistentes).
Assim, além de por à disposição as possibilidades que a midia social oferece de interação, compartilhamento, diálogo, intertextualidade etc., o uso de midias sociais deveria vir atrelado a uma proposta educacional que problematizasse o próprio uso da midia. E que, pelos seus procedimentos, garantisse aquilo que está apenas como possibilidade: a interação, a intertualidade, a polifonia, o diálogo, …
E é nesta mediação que reside a função do professor no processo.
Fazer vídeos, podcasts, hipertextos, construir blogs, publicar em wikis, compartilhar links, participar de redes sociais são coisas fáceis de aprender e de usar. E o nosso aluno rapidamente aprende. Fazer com que o produto deste uso de midias sociais seja relevante para a formação do aluno é o mais difícil. Fazer com que o uso das midias sociais seja um fator de enriquecimento da aprendizagem de alunos e professores e consequentemente, da formação destes alunos e professores, é onde reside a tarefa de todos que não só fazem, mas refletem sobre a sua ação.
Estas são umas idéias iniciais para reflexão. Na seqüência poderíamos começar a pensar na crítica do formato e das funcionalidades de cada uma destas mídias. Do que elas possibilitam, mas ao mesmo tempo formatam, por exemplo. Mas, isso é assunto para outra postagem.






março 10th, 2008 at 07:01
Saudações amazônicas, Suzana.
Inicialmente quero agradecer pela visita ao meu blog e pelo comentário deixado.Tenho interesse de levantar uma discussão sobre a situação da IE no Brasil, a atuação e situação atual dos NTEs, dos professores que receberam formação, dos lotados em salas de informatica, das atuais condições destas salas, dos resultados obtidos pelas escolas com os LIEDs etc.. (tantas questões!). Iniciei um projeto de pesquisa, que inclusive apresentei à seleção de doutorado do NAEA (UFPA), cujo tema era “Caminhos e Descaminhos das Políticas Públicas em Informática Educativa no Estado do Pará”, onde procurava analisar os quase 20 anos de IE neste estado, e lançar um olhar sobre a situação nacional. Não fui selecionado neste (iniciei um doutorado em antropologia, mas abandonei na 2ª disciplina), mas continuo recolhendo material.
Ah! Visitei teu blog (excelenmte!) e me cadastrei no edublogsfera.
março 10th, 2008 at 16:32
Olá,
Concordo. Há um bom material em vídeo e também um jogo que leva ao debate sobre a TV para ser trabalhado na escola com alunos, mas sobre computadores e internet, nunca vi.
Abraço.
março 16th, 2008 at 11:30
Oi Su,
Gostei dessa matéria, eu acho que uns dos maiores obstáculos para a utilização das Midias Sociais na Educação é essa estrutura milenar, professor, quadro e giz, que ja é um assunto antropológico. Sem dizer que o emprego das TIC na educação requer maior tempo para o planejamento de aula (as vezes extrapolando a carga horária do professor), então já viu…
e seus pais tem um bom gosto, porque Porto Seguro é tudo de bom.
maio 19th, 2009 at 13:14
Olá Suzana,
Gostei muito de seu post. Se mais educadores discutissem a questão do uso de novas tecnologias no processo de ensino teríamos resultados mais satisfatórios para nossos alunos. Dar computadores, acesso a internet, incentivar o uso de serviços de rede social pode parecer muito bonito e moderno para quem está de fora, mas se por trás de tudo isso não houver um plano de ensino e passagem de conhecimentos adequados o investimento se torna inócuo.
Mais uma vez, parabéns pelo post e continue assim.