a contradição na orgia de informações
ou, ainda,
de como a notícia (e a desgraça alheia) servem para movimentar os contadores de acesso.
Ontem, comentei no blog da Gabriela sobre a questão da estrutura da notícia, usando como exemplo a notícia da morte do ator Heath Ledger:
No meu entender, uma notícia, como esta que usas como exemplo, deveria ter pelo menos 2 camadas. A primeira camada seria o básico: quem era H.L., o que se sabe inicialmente, o que vai acontecer (quais os desdobramentos prováveis). Numa segunda camada viria o aprofundamento da notícia e, aí, entrariam os arquivos sobre o ator e as outras possibilidades que tu citas.
Eu fiquei sabendo desta notícia pelo Twitter (anota aí para tuas observações
), pela Raquel. Não lembrava quem era o H.L. e digitei no Google, como a maioria dos mortais. Aí, entre as páginas que abriram, cliquei na CNN, a mais conhecida, li a notícia curta (penso que eles alteraram a página, pois não é a mesma que aparece hoje) e fim. Minha curiosidade foi até aí. (camada 1 suficiente)
Se as coisas da camada 2 (ou 3 ou 4) estivessem misturadas, só ia me atrapalhar. Para mim a camada 2 é algo que tu clicas para ler (hiperlinks no texto ou indicações finais) ou a seqüência de uma introdução que resume os fatos.
Há uma tendência para a orgia informativa a partir de qualquer fato e, este excesso, acaba desinformando.
Hoje, incrivelmentedenovo via twitter, o Edney manda o link para o Interney Blogs e eu dou de cara com esta postagem:
A Warner Bros e os produtores de Batman, The Dark Knight (2008, ainda inédito) confirmaram há pouco que as informações sobre a suposta morte do ator Heath Ledger foram uma estratégia viral para a divulgação do filme. [leia mais no Enloucrescendo]
Eu até já ia acreditando, quando vi que o projeto de lenda urbana era outro. A manipulação da informação ou da desinformação tira mais valia de tudo que aconteceu, do que não aconteceu, do que seria interessante ter acontecido e de qualquer coisa que possa fazer as pessoas continuarem girando em torno de um determinado fato (nem sempre real). Por que? Bom, … tem gente que vive disso e a criação de necessidades artificiais (inclusive de informação) faz parte da lógica do modo de produção dominante no mundo hoje.
Só partindo da contradição que é desinformar informando e do contexto onde se move esta contradição, para poder compreender estas coisas. Vou reler Kosík.






janeiro 27th, 2008 at 09:21
O post do Ian também serviu para demonstrar uma coisa que acontece bastante na Internet [e fora dela]: pessoas que lêem a informação apressadamente, e não a compreendem. Tem mais de um comentário lá no post dizendo que o ator realmente morreu e que a pessoa que fez o post está enganada (!).
janeiro 27th, 2008 at 14:30
Ô Gabriela
Eu vi o tal comentário. Realmente as pessoas lêem as coisas na diagonal.
Parte talvez de todo este contexto.