mai 19 2007

a internet, o big brother pessoal e o segredo da sala de aula

Categorias: blog,colaboração,educação,internetSuzana Gutierrez @ 06:59

Estes dias rolou lá no CM um papo interessante. Não foi exatamente estes dias, foi mais precisamente durante o Seminário de Educação. O assunto foi a possível super exposição pessoal causada pelo uso de blogs e assemelhados na educação.

Na hora, o assunto já transformou os conversadores em saudáveis defensores deste ou daquele lado. Alguns disseram coisas do tipo: estas ferramentas não tem como controlar e nossos alunos se colocarão em risco revelando informações que bandidos usarão… Ou: a exposição excessiva de coisas particulares poderá prejudicar a todos os envolvidos, mesmo a exposição de fatos e falas relacionados ao ensino…

Outros, tipo eu, falaram: somos pessoas públicas, isto é , eu ando na rua carregando a minha cara e estou aqui falando alto e não cochichando… ou: pensem em como as coisas que se ensina e aprende podem ser importantes fora do contexto da sala de aula, fora do contexto daquela ação…

Falamos, também das imagens, das fotos capturadas e divulgadas sem preocupação. Lembrei logo deste meu blog no qual a imagem anda substituindo o texto, não por qualquer objetivo expressivo, mas pela maior falta de tempo minhas, mesmo…

Todo este papo foi para rodear o assunto real desta postagem que é o segredo que envolve a sala de aula (até as virtuais). Ainda é muito presente a idéia de que o que se passa na sala de aula seja assunto apenas de quem está lá dentro, algo que desaparece quando os livros se fecham e o quadro é apagado. Desaparece do mundo, mas deve ficar indelevelmente marcado na mente dos que terão de devolver tudo direitinho como foi passado na prova bimestral.

Permanece, também, a idéia de que o conhecimento é algo que deve ser regulado por aquele que entrega o conhecimento, o professor, sob o comando daquele que vende o conhecimento, a escola. A lógica que diz que aquilo que eu sei é mercadoria ou moeda, é algo que devo negociar e não compartilhar. E que, segundo os Conselhos desta ou daquela profissão, é um território perfeitamernte demarcado, cuja entrada é proibida a quem não tem a carteirinha.

Em parte, esta lógica é responsável pela resistência à sala de aula aberta, ao uso de ambientes virtuais abertos, ao trabalho interdisciplinar. No meu entender, é principalmente esta lógica que faz um professor ou a escola considerar um blog uma superexposição perigosa. O mesmo professor que se queixa da falta de solidariedade entre os alunos que não auxiliam os colegas e não conseguem trabalhar em grupo.

Mas hoje é sábado e eu estou filosofando de pijama, conversando pela rede com meus alunos (outro pecado), deixando pistas do que sou e do que faço. Lá fora tem sol, não está muito frio e tem uma bola de basquete me olhando de debaixo da escrivaninha. Vou?

update 23:29 >> Não fui…
Mas deixa pra lá que esta atualização é só para postar o link para o comentário da Cláudia que está bem melhor que o meu post. :)

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3 Respostas para “a internet, o big brother pessoal e o segredo da sala de aula”

  1. claudia cardoso says:

    Su, sobre o meme: eu imitei a idéia de um amigo, o Scharlau, e criei a TV Dialógico, aproveitando uns vídeos feitos na digital do Felipe, durante a minha ida à Brasília. Assim, podes copiar o meu e repassar a mais 5 pessoas ou podes criar um novo. Fica a teu critério. Ao que me leva ao assunto do teu post.
    1. Vivemos sob a égide do medo, no caso, medo em passar informações pela Internet, o que não é descabido frente a tanto golpes digitais. Por outro lado, tomando-se alguns cuidados óbvios, tais quais não expor endereço, nº de documentos ou da conta bancária, a Internet é um território livre para expor pensamentos e se fazer conhecer.
    2. A categoria “professores” é conservadora. Se diferente fosse, a escola seria diferente em todos os seus níveis: educação infatil, ensino fundamental, ensino médio e ensino superior. Não basta salas de informática, equipamentos áudio-visuais de última geração e toda a quinquilharia tecnológica dentro de uma escola, se continuamos com a mesma relação ensino-aprendizagem.
    3. Num modelo capitalista, onde o que vale é a competição, não me admira que os professores tenham medo de se expor. Na medida em que os alunos começam a se apropriar de recursos interativos e começam a revelar seus pensamentos, não só o conteúdo vem à tona, como a qualidade do ensino. Já imaginaste o que uma aluna do João Paulo I pode vir a saber sobre o que o aluno do Americano aprende na mesma série? Ou venha a descobrir que o mesmo conteúdo recebe um enfoque diferenciado? Os professores e as escolas devem estar morrendo de medo deste tipo de avaliação pública, ainda mais, quando as escolas privadas competem pelas matrículas.
    4. Os professores conservadores estão apavorados, porque a nova geração se apropriou da era da informática e os adultos, não. Na hierarquizada relação ensino-aprendizagem, onde já se viu tamanho atrevimento, hein? Ainda mais, quando os alunos podem buscar informações na Internet por conta própria para além daquilo que está registrado nos livros? Não só a autonomia do aluno é vista como impertinente, como a própria função do professor se vê em xeque. Cada vez mais me convenço que o educador precisa trabalhar com os conceitos, pois eles serão as competentes ferramentas de aprendizagem, naquela relação da criança que vê o mar e pede ao pai que este lhe ensine a olhar, tal qual pensou Eduardo Galeano.
    5. O professor e a escola conteudista se caga frente a qualquer inovação. Tudo em nome da preparação para o vestibular. Os pais também entram nesta ladainha. Não sei se existe, mas deveria-se fazer uma pesquisa no final de cada curso assim: repetir o exame vestibular entre os alunos que estão concluindo o ensino superior. Minha hipótese é a de que a gurizada se mata para decorar os conteúdos desta bendito ritual de passagem que separa a juventude entre os frustrados por ficarem fora do sistema e os frustrados por um ensino superior tão aquém da realidade.
    6. Para concluir, o medo do novo vem à tona em nome de uma pretensa defesa da privacidade. Uma relação horizontalizada com os alunos é vista como permissividade por parte do adulto, que ensina a competir e tudo que diz respeito a este conceito, mas não a compartilhar.
    Obrigada pelo teu post. Às vezes, é bom lembrar que fui educadora. Como escrevi esta lauda, irei replicá-la no meu outro blog, o claudacom.blogspot.com, chamando-a para o teu.
    Beijo!

  2. Su says:

    Bah

    O teu comentário está muito melhor que o meu post :)
    Vou linkar :)
    Alias, tu podias ter comentado isto tudo ANTES de eu postar sobre este assunto.

    abraço!!!!

  3. GELSI says:

    Su,
    sou sua fã de carteirinha, amei suas orientações sobre blog na etapa presencial em POA, foi muito bom encontrar seu comentário no meu blog do curso, na minhas primeiras postagens. O risco é a chave da mudança. Corremos risco com os blogs? Paciência, pois, os benefícios desta ferramenta na escola superam todos os riscos.Abraços.Gelsi

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