jul 12 2005

O G8 visto de caminhos alternativos

Categorias: mundo,políticaSuzana Gutierrez @ 06:57

mas importante que isso, o que se viu foram basicamente duas atitudes politicas em relacao ao g8. de um lado, make poverty history optando por campanhas midiaticas carissimas, celebridades e megashows com o objetivo de fazer lobby junto ao g8 para arrancar algumas concessoes. por outro lado, dissent! com uma opcao pela desobediencia civil e um objetivo declarado de evitar que a cupula acontecesse, para salientar o fato de que o g8, como outras instancias internacionais, eh inteiramente ilegitimo e ‘unnacountable’ — e uma instituicao sem ‘accountability’ nao pode sofrer lobby, apenas oposicao direta; e quaisquer concessoes que possam fazer, nao passarao de alteracoes cosmeticas que possam ser facilmente acomodadas dentro de objetivos maiores. ou serao canalhice simples e pura, como a ideia de recomprar os servicos publicos e a exploracao de riquezas naturais da africa, para em troca dar-lhe o perdao de algumas dividas, algum apoio finaneiro, nenhum equilibrio no comercio internacional, e transforma-la em mais uma imensa zona de ‘maquiladoras’ capaz de concorrer com a china por sua forca de trabalho baratissima.

a essas duas atitudes de oposicao, o g8 teve duas respostas diferentes. aos que marcharam em branco, vestiram pulseirinhas (metade delas, como foi revelado, produzidas num ‘sweatshop’ na asia!) e assistiram bono vox abrir os seus bracos em pose messianica e abencoar seus seguidores — a resposta foi: ‘nao importa’. nenhum avanco visivel em relacao ao cambio climatico, uma coisa que outra em relacao a africa, e era isso.

aos que apelaram para a desobediencia civil, a resposta foi: ‘nem tentem’. a estrategia sempre foi a de evitar que qualquer manifestacao, como o ‘carnival for full enjoyment’, fosse possivel; e quando acontecesse, como o proprio ‘carnival’, que fosse uma desagradavel experiencia de queda-de-braco com a policia, enquanto eventualmente el@s apelariam para a forca primeiro, e no dia seguinte os jornais estampariam: ‘vandal@s’, ‘vagabund@s’, ‘criminos@s’.

essa eh a guerra ao terror: a concessao de arbitrio quase absoluto ao uso da forca policial, casada com um sistema judicial que ainda guarda algumas semelhancas com aquilo que se chamava ‘estado de direito’, mas que tem cada vez mais suas zonas de arbitrio. e a decisao de onde as zonas de arbitrio se aplicam eh, ela mesma, uma questao de arbitrio, baseada em presuncoes de potencialidade criminosa — ou seja, baseaveis em absolutamente nada. [mais em Dias de Dissenso]

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