dez 16 2003

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 18:57

[Porto Alegre terá encontro mundial pela paz e contra a guerra]
Marco Aurélio Weissheimer – 12/12/2003

Porto Alegre – A capital gaúcha sediará, de 11 a 13 de fevereiro de 2004, o Encontro Internacional pela Paz e Contra a Guerra. O evento, promovido pela Prefeitura de Porto Alegre, pretende ser um espaço de balanço, de debate e de formulação de propostas sobre o sistema de poder mundial e sobre o processo do Fórum Social Mundial. As potencialidades e os horizontes futuros do FSM serão analisados a partir da necessidade de integrar o tema da paz e da guerra com o da luta por “um outro mundo possível”. O encontro, que será realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS), também servirá para as primeiras discussões sobre a organização do FSM 2005, marcado para Porto Alegre.

Entre os palestrantes convidados, já confirmaram presença Tariq Ali, Bernard Cassen, Ignacio Ramonet, Emir Sader, Ana Esther Ceceña, Daniel Bensaid, Atilio Boron, Gilberto Achcar, Meena Menon, João Pedro Stédile, Paulo Vizentini e Beverly Keene. Os debates ocorrerão em torno de seis mesas, com a seguinte programação.

:: informações: pelapazcontraguerra@gp.prefpoa.com.br

:: fonte: Agência Carta Maior


dez 16 2003

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 11:19

advinhem quem é a furiosa

[Natal]
Hoje foi o dia de desalojar todos os insetos que habitam o meu telhado e a cêrca viva. Agora ela está viva e indignada. Uma das lagartixas soltou o rabo e disparou e sua companheira me olhou com uma expressão definitivamente assassina.

Dia de colocar as lâmpadas de Natal.

Faz tempo que não faço árvore e muito tempo, ou nunca, usei pseudo-neve ou pseudo-coisas que não existem por aqui. Sempre me deu uma angústia danada ver o Papai Noel tão agasalhado. Vai ver era por isso que eu tinha aquele temor respeitoso quando ele aparecia em todos os Natais da minha infância.

É meus caros… No bairro Navegantes, um bairro entre o pobre e o remediado, como dizia a minha avó, o Natal era um acontecimento. Nos tempos que se tinha vizinhos e que a rua era uma extensão do pátio, um happening da fofoca e da solidariedade, tinhamos um Papai Noel profissional. Dedicadíssimo. Com carroça, cavalo, sininho e um cajado temível, que fazia estremecer o bairro todo.
Todo o Natal ele percorria a Av França de alto a baixo, da delegacia até a Farrapos, presenteando, dando varadas, filando uns comes aqui e ali e, tornando mágico o Natal dos nem tão pequenos. E um tanto aterrorizante para alguns.

Meu avô, jogador de bocha e tomador de um(?) lisinho diário, antes de nos pegar no colo e conversar, era um alvo anual das varadas. Acho até que o Papai Noel era parceiro da bocha e resolvia descontar no Natal alguma partida mal resolvida.
O moleque ruivo e sardento que morava umas duas casas depois da minha já chegava de joelhos, porque a lista na mão do Papai Noel era maior que ficha corrida do ladrão da rua.

Mas a coisa toda era mágica. Noite, mães, tias e vós se agitando pela casa. Banho tomado, berreiro pra prender o cabelo. Berreiro discreto neste dia especial, neh.
E lá ficávamos nós, a mana e eu, indecisas entre subir no muro e espiar ou ficar o mais perto possível da segurança da casa.

E aí o sino tocava e tudo começava, mais uma vez.


dez 16 2003

tendências

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 08:33

Hernani escreveu:

Su, tua análise é muito conservadora. Vc se prende à realidade e esquece de mensurar as tendências. Não é noviadade que a sociedade tal como conhecemos e vivemos tem um velocidade de atualização surpeendentemente baixa. No entanto, os periodos (as ondas) devem ser mensurados a partir da ruptura. Assim foi com a revolução francesa e suas consequências; com a revolução industrial e o avanço do imperialismo britânico (e mais adiante o americano).
O cenário de ruptura se dá na sociedade da informação com o aparecimento do linux. Sua importância está no ‘desabrochar’ de um novo modo de produção. Nem comunista, nem socialista e, muito menos, capitalista. Estamos vendo o nascimento da colaboração. E, consequentemente, na administração de baixo para cima e na descentralização do poder. Eu, particularmente, quero pensar o que fazer com isso. A metafora nasceu deste novo paradigma, assim como, toda essa integração de blogs, sites e conversações.
abs
hdhd

Su responde:

Minha análise não é conservadora, justamente porque ela vê as tendências, mas as vê não de forma superficial e estéril. Ela tenta ir fundo e vislumbrar o que dá movimento as tendências. A essência da contradição.
Não acredito que o Linux signifique ruptura, mas , sim, significa tendência. A contradição reside na tensão da tecnologia, do conhecimento, da ciência entre polos de regulação e emancipação (aqui eu me socorro do Boaventura). O Linux, mesmo entendendo-o como símbolo do software livre, colaborativo, não é um modo de produção. O modo de produção onde emerge e sobrevive o software livre é capitalista, nas suas mais variadas nuanças.
Até por isso a luta é dura e sem tréguas.
Vejo grandes possibilidades, como você vê, no software livre, na colaboração, na não sei se consequente administração debaixo pra cima. Mas vejo estas coisas dentro da totalidade onde elas estão inseridas. Vejo com otimismo, antevejo os espaços de luta, penso com pensamento estratégico. Mas sem me desviar da crítica e da totalidade para não cair num ativismo alienado e inócuo.
O que fazer com todas estas possibilidades? Eu, também, penso sobre isso. Apenas não concordo que seja um novo paradigma, no sentido da ruptura. Ruptura para mim significa corte, abandonar o velho e assumir o novo. E isso não acontece. A dança das mercadorias continua.
Aqui, pode-se inserir uma crítica aos que vêem o deslocamento do foco do ‘produto’ para o ‘conhecimento’ no capitalismo atual. A meu ver não há modificação alguma entre a mercadoria-produto e a mercadoria-conhecimento no que se relaciona a visão de mundo que as definem e manipulam.


dez 15 2003

as transformações do capitalismo ou, afinal, onde andamos

Categorias: política,visão de mundoSuzana Gutierrez @ 18:34

Alguns posts abaixo, entre outroas coisas, eu falei:

Su: Não vivemos numa sociedade em rede e saimos de uma sociedade de cultura de massa. Vivemos na intersecção destas duas sociedades. Uma sociedade onde a rede opera numa certa esfera e determina consumo de massa de produtos não massificados em outra, e na mesma, pois não são esferas separadas. Uma sociedade que cria um consumo elitista e um desejo de consumo, seja qual for, cuja possibilidade, sempre em modo futuro de realização, dá movimento a máquina.
Esta lógica permeia todos os espaços, mesmo os que tentam lutar contra suas determinações.
A mercadoria e suas metamorfoses ainda é o início, meio e fim destes movimentos. Seja ela a muamba, as ações da bolsa, a informação, o conhecimento. Porque a lógica reduz tudo a mercadoria, inclusive as pessoas, os projetos, …

Aí o Tupi resolveu contribuir com o nosso debate que está rendendo:

Falai’ Su, mil graus o cenario q vc ve de q estamos na transicao entre cultura de massa e sociedade em rede. Mas tipo fiquei em duvida, cultura de massa implica em modo de producao industrial de massa tb? Um modelo q confronta com o modo de producao industrial de massa pode ser considerado submisso ao sistema?

Aí eu pensei em sacar alguma coisa do Harvey, mas o texto legal dele é quase um capítulo e não tem como transcrever ou mesmo fazer uma síntese decente. Então resolvi pegar uns aportes meus, pensados no fim do ano passado, mais ou menos, e que falam nestas coisas, nestas intersecções. Nos mortos que carregamos, segundo Marx.

Su: Quando ele fala em ‘fim da indústria’, pelo seu cada vez menor contingente de trabalhadores, isso não significa que o número de indústrias e o montante de produção reduziram-se. Ao contrário, a produção aumentou e diversificou-se, se considerarmos a totalidade do planeta. Igualmente cresceram o setor de serviços e o agrícola. A economia como um todo cresceu. O que mudou foi a geografia econômica e a configuração interna das atividades produtivas que hoje, pelo desenvolvimento tecnológico, necessita menos presença humana na produção. Porém, o que não mudou foi a lógica que perpassa todo o sistema: quem trabalha vende a sua força de trabalho, quer em atividades manuais repetitivas, quer em atividades intelectuais criativas. Os ‘serviços’ são mercadoria e cotados da mesma forma que os bens. O mesmo vale para o conhecimento e a cultura.
É por estas que insisti nesta questão da lógica que permanece.
Hoje convivem muitos modos de produção. Formas antigas, como as patriarcais, estão voltando com força, exploradas pelo que chamam ‘terceirização.
Tem uma análise bem legal que o Harvey faz disso, quando analisa o as transformações de 1970 para cá.
Todo um discurso sobre supremacia dos serviços, flexibilidade e formas arcaicas de produção dando base para tudo isso.
Com todo o avanço técnico o tempo de trabalho aumenta, assim como aumenta a precarização dos direitos do trabalhador.
Na realidade, o panorama pós-industrial, não é tão pós-industrial assim, pelo menos se pensarmos geograficamente.

:: em tempo: achei algumas transcrições do livro de Harvey, Condição Pós-Moderna. Não sei se abordam nosso assunto, mas deixo os links:

Passagem da Modernidade à Pós-Modernidade
Citações do livro “Condição Pós-moderna”
(fonte: O Dialético)

No segundo texto acima, cuidado apenas com as citações fora de contexto. Pois, no seu livro, Harvey conclui:

“Há alguns que desejam que retornemos ao classicismo e outros que buscam que trilhemos o caminho dos modernos. Do ponto de vista destes últimos, toda a época tem julgada a realização da “plenitude do seu tempo, não pelo ser, mas pelo vir-a-ser”. Minha concordância não poderia ser maior.”

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dez 14 2003

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 13:39

[até a pé nós iremos]
mas o certo é que nós estaremos. Com o Grêmio, onde o Grêmio estiver!


dez 14 2003

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 10:06

[Sociólogo Chico de Oliveira sai do PT ]

FRANCISCO DE OLIVEIRA

especial para a Folha de S.Paulo

“A burguesia não pode existir sem revolucionar constantemente os instrumentos de produção e, portanto, as relações de produção, isto é, todo o conjunto das relações sociais. Esta mudança contínua da produção, esta transformação ininterrupta de todo o sistema social, esta agitação, esta perpétua insegurança distinguem a época burguesa das precedentes. Todas as relações sociais tradicionais e estabelecidas, com seu cortejo de noções e idéias antigas e veneráveis, dissolvem-se; e todas as que as substituem envelhecem antes mesmo de poder ossificar-se .”

Marx e Engels, “Manifesto Comunista”, 1848 (destaque do autor).

Este artigo consuma meu afastamento do Partido dos Trabalhadores, do qual me desligo formalmente. Aqui não me dirijo a qualquer instância formal do partido, nem aos seus dirigentes no próprio partido e no governo, mas aos petistas e aos cidadãos em geral. Aos primeiros por ter compartilhado com eles a militância durante todos os anos de existência do partido, e aos segundos por serem os únicos detentores formais, pela Constituição, do poder republicano e democrático, aos quais o Partido dos Trabalhadores e seu governo devem obediência.

Ambos confiaram no Partido dos Trabalhadores, seja na condição de militantes e eleitores, seja na condição de cidadãos que permitiram, pela sua reiterada aposta na democracia, a existência do Partido dos Trabalhadores e sua chegada ao Poder Executivo e à maioria na Casa legislativa que representa o povo.

Tenho o direito de cobrar do Partido dos Trabalhadores pelo governo que ele realiza, pela minha condição de militante e de cidadão. E, daqui por diante, exclusivamente pela minha condição de cidadão. (segue)


dez 13 2003

totalidade

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 18:37

Hernani, seguindo o assunto que comentei no post anterior, diz:

Não estou analisando capachos como Drake. A contradição vem da negação, por um lado, e do outro a aceitação dos padrões das sociedades capitalistas. Penso que a necessidade do MetaReciclagem e de outros projetos colaborativos é a negação efetiva do tradicionalismo. […]
Uma administração pirata (ou por células de terror) só é possível num ambiente caótico. E livre. Não fazemos apologia aos butins. Não queremos nos relacionar com a espada mais ágil. Não queremos a subordinação pelo sistema. Estamos propondo coisas diferentes. Uma filosofia Open Source. […]
Vivemos numa intersecção. Não entre a cultura de massas e a cultura de rede, mas numa interação de idéias e pensamentos que tem origens anteriores ao feudalismo. No entanto, a sociedade em rede é fator comum, um máximo divisor comum da humanidade. Vivemos em rede. Rede de amigos, de parentes, família, negócios. Tudo isso engendrado nos relacionamentos ‘conversacionais’ das pessoas comuns. Uma sociedade colaborativa emerge quando a gentileza gera gentileza. […]
Assim como hacker não é uma palavra do mal; pirata significa uma luta pela liberdade de uma sociedade que negava a sua contemporaneidade). Por isso, creio que a solução está numa visão celular da rede. Com informação e autonomia.
leia na íntegra

E eu continuo.
Capachos como Drake são o exemplo vivo da contradição e não excessões. Quando eu digo que o sistema e sua lógica permeia tudo, aponto que a economia informal é apenas economia que opera em modo precário e não fora da exploração de uns por outros. Ela mesma reproduz a lógica na qual está inserida.
Tens razão em relação ao MetaReciclagem, precisamos pensar e engendrar linhas de fuga, mas sem esquecer que a contradição estará presente e de seu movimento, das muitas e sempre mutantes sínteses é que podemos encontrar novos caminhos. E estes novos caminhos passam por novas formas de ver o mundo, novas possibilidade de estruturação econômica e política, pelo software livre, …. A liberdade será conseqüência e não condição de realização.
E, assim mesmo, só se pode prever a luta.

Faz tempo vivemos num misto de cultura de massas e de rede, se pensarmos as redes na forma como tu colocaste. Hoje, o que temos é um aumento nas possibilidades desta rede, embora eu não veja um recrudescimento da cultura de massa.
Eu vejo na internet grandes possibilidades, justamente em algumas direções que tu mesmo colocas: “Uma sociedade colaborativa emerge quando a gentileza gera gentileza.”
Penso que a rede de redes entrelaça pessoas e comunidades numa trama que não coincide com o desenho das comunidades materiais. Na realidade, esta rede costura numa outra dimensão o que, materialmente, pode estar solto ou muito afastado. As novas comunidades são este emaranhado de fios que se sobrepõem às relações entre as comunidades materiais e constroem comunidades multiculturais que mesclam o local e o global e, sendo outras, são, ao mesmo tempo, as mesmas comunidades materiais.
Uma comunidade online não se constitui no lugar da comunidade local-territorial, antes é seu complemento. Emerge como resistência à fragmentação e ao individualismo, como uma possibilidade de autoconstrução que ocupa os espaços deixados.

Eu entendi o sentido que dás a palavra pirata e hacker, mas quis te alertar que tanto uns como outros estão imersos numa totalidade contraditória e que as contradições se manifestam em todos os níveis. Trabalhar estas contradições em sínteses sempre inacabadas, abertas a muitas vozes é o grande desafio.
Por estas que vejo com tristeza o falecimento do Metáfora.

Uma célula é parte de um todo, é um sistema aberto que interage com o meio e, nestas, a autonomia deve ser desejada, perseguida, mas consciente de seus limites. Limites que não são muros, mas são faróis que orientam a ação.


dez 13 2003

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 08:17

[lógicas]

“Além das misérias modernas, oprime-nos toda uma série de misérias herdadas, decorrentes do fato de continuarem vegetando entre nós formas de produção antigas e caducas que acarretam um conjunto de relações sociais e políticas anacrônicas. Não sofremos apenas por causa dos vivos, mas igualmente por causa dos mortos.” (Karl Marx)

Estamos com problemas geralmente significa, começamos a enxergar as contradições. Hernani diz:

Estamos com problemas no MetaReciclagem. Um projeto colaborativo se faz com um esforço coletivo. Uma operação voluntária. O projeto está sendo levado por uma comissão, que conceitualmente está muito bem organizada. Mas isso reflete, de certa forma, a maneira antiga de gestão de negócios.
O que está errado? Não posso dizer que estamos errados. Estamos equivocados, apenas. Toda vez que tentamos administrar caímos na armadilha do velho mundo. Uma administração voltada para o negócio. E não para os projetos.

Mais adiante, ele faz um paralelo com as sociedades piratas, onde, nas suas palavras “se tratava de uma sociedade que fazia oposição ao ‘status quo’ vigente à época”. Continua de uma certa forma atribuindo a hierarquia e a falta de descentralização, bem como divergências de foco, os problemas vivenciados pelos projetos. Conclui propondo uma administração pirata para o MetaReciclagem:

Assim, um projeto como o MetaReciclagem só pode se desenvolver se pensarmos pirata. Células orientadas a projetos. Autonomia de gestão. Muita informação fluindo entre as partes. E, principalmente, a convicção de que cada célula representa o todo. E assim termos a certeza da construção de um projeto comum. Cada membro do grupo necessita contribuir como base para os outros. Esqueçam coordenadorias, esqueçam chefes, esqueçam… Mas lembremos da operação pirata.

Penso que a mesma contradição que se verifica hoje no MetaReciclagem é a mesma que as próprias sociedades piratas vivenciaram. Ao mesmo tempo em que havia uma autonomia e democracia maior num navio pirata do que num navio da marinha, muitas vezes esta autonomia estava subordinada aos mesmos senhores que financiavam a marinha mercante. Assim como hoje, nos exércitos existem as células desmilitarizadas, relativamente autônomas, mas com funções bem definidas dentro da totalidade da organização.

O MetaReciclagem não é um navio e, mesmo se fosse, o navio navega no oceano, que banha as praias, que são parte do continente… A própria rede determina estas dependências, implicações e imbricamentos. Então não há como fugir à contradição. A contradição mesma que fazia de um Sir Francis Drake um dos maiores piratas e, ao mesmo tempo, braço direito da rainha.
Hoje, quando alguns podem pensar que um camelô, que vende muamba contrabandeada por outro comerciante autônomo, pode ser um moderno pirata, outros podem ver nele apenas mais um capitalista. Tão capitalista quanto os que vendem e compram aquele tipo de muamba chamado ações, commodities, … em operações onde, também, vale a lei da espada mais ágil, da liderança estratégica e efêmera. Todos igualmente subordinados ao mesmo sistema.

Por isso discordo do Paulo, quando ele diz que o cartesianismo já foi. Embora a realidade não seja cartesiana, as análises sobre ela certamente continuam sendo. Basta lembrar Fukuyama decretando o fim da história, mesmo depois de Hegel ter caído do cavalo no mesmo assunto.

Não vivemos numa sociedade em rede e saimos de uma sociedade de cultura de massa. Vivemos na intersecção destas duas sociedades. Uma sociedade onde a rede opera numa certa esfera e determina consumo de massa de produtos não massificados em outra, e na mesma, pois não são esferas separadas. Uma sociedade que cria um consumo elitista e um desejo de consumo, seja qual for, cuja possibilidade, sempre em modo futuro de realização, dá movimento a máquina.

Esta lógica permeia todos os espaços, mesmo os que tentam lutar contra suas determinações.
A mercadoria e suas metamorfoses ainda é o início, meio e fim destes movimentos. Seja ela a muamba, as ações da bolsa, a informação, o conhecimento. Porque a lógica reduz tudo a mercadoria, inclusive as pessoas, os projetos, …
Entender este processo é poder criar espaços, ações, opções de resistência. Não sem dor e sem fracasso, mas sem abandonar a esperança crítica.


dez 12 2003

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 07:31

[InTramse]

Não vou listar os tópicos, mas tem mil novidades no InTramse.


dez 12 2003

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 07:06

[notícias da CMSI]
Recebo relatos de companheiros que estão participando da CMSI, em Genebra, e eles tem apontado que o evento vem sendo uma conferência das grandes empresas, pois seus temas permeiam todos os espaços. Além disso, os relatos contam que o recinto, que deveria ser o de um evento que discute importantíssimas questões sociais, se parece mais com uma feira comercial.

Uma das polarizações do debate é sobre o governo da Internet, que separa de um lado paises em desenvolvimento e organizações da sociedade civil e, de outro, Estados Unidos e a União Européia.
Na forma como está estruturada a conferência, a sociedade civil tem voz apenas nos discursos, não tendo possibilidade de colocar nos documentos oficiais as suas reinvindicações e propostas.

“Es una cumbre para las grandes empresas y los gobiernos, hay poco espacio para las ONG y los representantes de la sociedad” manifestó el contacto de Radio Mundo Real, Evan Henshaw-Plath.

Cresce o sentimento de que a convocação da sociedade civil se deu somente na intenção de legitimar a Conferência, que só pretende atender o interesse das empresas e dos governos. Ironicamente, numa conferência onde se objetiva a redução da brecha digital, a conexão à internet é fornecida gratuitamente por algumas horas, o tempo excedente deve ser pago.

A verdadeira Conferência das organizações da sociedade civil vem se realizando em paralelo e não sem repressão. Os espaços que lhes são destinados, em alguns casos, não contam nem com aparelhagem de som e telefones.
O aparato de segurança, além de emperrar a movimentação das pessoas, ainda se constitui num mecanismo de controle, pois conta com um chip que permite rastrear as movimentações.

Sobre o Software Livre e o fundo de solidariedade digital, Evan Henshaw-Plath, conta que as quantias milionárias que os paises em desenvolvimento comprometem com a Microsoft se constituem numa nova forma de dívida externa.

:: mais informações:

Documentos oficiais
Informação atualizada da sociedade civil (en inglês)
Ameaça a privacidade dos participantes
Polimedia Lab: We are seized!
Declaración de Kofi Annan
Foro Mundial de Medios Electrónicos
Declaración de la sociedad civil sobre Túnez y la CMSI
Unión Mundial de Ciegos


dez 08 2003

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 20:05

[admirável mundo novo]
Exatamente na hora do provável pico de audiência global, surge na tela o comercial da MONSANTO:

“Imagine um mundo com mais alimentos, com alimentos mais saudáveis, plantados com menos agrotóxicos, onde se preserve a natureza, etc… etc…”

As imagens se sucedem diante dos nossos olhos: campos plantados, verdejantes,crianças bonitas correndo, brincando, sorrindo, famílias ao redor do mundo se alimentando, conversando, num clima onde as emoções falam alto.

“Você pode ter tudo isso com os trangênicos…”

A bela música lentamente emite seus últimos acordes.

Mensagem passada. Quase nem acreditei no que vi, mas lembrei imediatamente:

“Oh, admirável mundo novo! Miranda proclamava a possibilidade da beleza, a possibilidade de transformar até mesmo aquele pesadelo em algo de magnífico e nobre. Oh, admirável mundo novo! Era um desafio e uma ordem.
[…] Um estado totalitário verdadeiramente eficiente seria aquele em que o executivo todo-poderoso de chefes políticos e seu exército de administradores controlassem uma população de escravos que não tivessem de ser coagidos porque amariam sua servidão.”


dez 08 2003

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 16:12

[socializando idéias]
Sonia e demais participantes no Salão de Iniciação Científica.

Hoje, muito se fala em sociedade da informação / sociedade do conhecimento porém, deixando de lado a ideologia que envolve estes termos nas suas mais variadas acepções, constata-se que as pequenas ações de realmente colaborar, de dividir, de socializar o conhecimento e a informação ficam esquecidas. Guardadas em trabalhos engavetados e restritos à congressos e feiras, não chegam ao conhecimento de todos a quem poderiam beneficiar e motivar.
Escrever sobre nossas experiências, divulgar nossas idéias, abrí-las a colaboração e a interação com outras vozes é um dos atributos mais ricos que a tecnologia pode nos trazer.
A par de ser um enorme propulsor de um certo tipo de globalisação, o aparato tecnológico, nos seus interstícios e nos espaços de criatividade e de práticas que engendra, é, também, um reduto de resistência à exploração e a dominação ainda tão presentes. É, ainda, um espaço de luta que cabe ser aproveitado e assumido em toda a sua potencialidade. Um espaço de construção de uma outra globalisação: a do conhecimento socialmente construído e distribuído, a da solidariedade, da colaboração.
É neste espírito que incentivei que vocês blogassem suas impressões, idéias e projetos, usando este espaço e o de seus blogs pessoais para se constituirem partícipes de um ovo projeto de docência, uma docência como movimento social que balance os alicerces das práticas inertes e cristalizadas, que revitalize as práticas educativas realmente revolucionárias. O espaço de um educador que ultrapasse os chavões de sacerdote, tio/tia, mãe/pai, guru intelectual e se constitua num educador-pesquisador, militante de uma nova educação para um novo mundo.

Sei que todas vocês participantes deste evento, apresentadores de trabalho, companheiros de pesquisa, assistentes tem muito a dizer. Então digam, pois cada voz é necessária.
Como diz um parceiro de internet: a revolução não será televisionada, ela já está na rua, na voz e na ação de cada um de nós.

:: postado originalmente no [zaptlogs], mas extensivo à todos pesquisadores, estudantes, autores.


dez 06 2003

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 12:05

humpf...

[porque hoje é sábado]

Mas se não fosse, dava na mesma. Cá estou eu como uma galinha com o ovo trancado, numa daquelas fases onde um poeta diria que a ‘musa se esconde’ e um aluno de pós-graduação diria ‘estou f*dido’.
Tudo que escrevo parece superficial e até ridículo. Fico aqui pensando se o relatório de uma dissertação não seria melhor se apresentado um pouco mais distante dos fatos que relata.

aiiii …

Sífilis em todos os prazos e nos desocupados que os inventaram!


dez 05 2003

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 18:05

[Novo impasse Norte-Sul]

Termina sem consenso a pré-Conferência de Informação. Ricos não aceitam gestão internacional da internet, nem fundo para democratizar a comunicação

Daniel Merli, Planeta Porto Alegre

Mais uma reunião internacional terminou sem acordo entre os países empobrecidos do Sul do planeta e os ricos do Norte. Depois do impasse, em Cancún, da reunião da Organização Mundial de Comércio (OMC), foi a vez do encontro preparatório à Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação (CMSI). A cúpula acontece de 10 a 12 de dezembro, em Genebra, promovida pela Unesco – o braço da ONU para temas de cultura, educação e ciência – e pela União Internacional de Telecomunicações – que une empresas do setor e governos.

A reunião prévia encerrou-se sexta-feira passada sem alcançar seu objetivo. Houve consenso em apenas 15% do esboço dos dois textos que devem ser debatidos na Cúpula – a Declaração de Princípios e o Plano de Ação.

O principal ponto de discórdia é a gestão da internet. Atualmente, os endereços e páginas eletrônicas são administrados, em última instância, pela Corporação para a Atribuição de Nomes e Números na Internet (Icann, pela sigla em inglês) – uma instituição privada sem fins lucrativos, sediada nos Estados Unidos. Segundo a agência IPS, vários governos, principalmente os da China, Brasil, Índia e Quênia exigiram que a rede fosse administrada por uma organização internacional ligada à ONU. A proposta foi rechaçada pelo representante da Casa Branca.

Outra trincheira em disputa é a criação do Fundo de Solidariedade Digital – um financiamento internacional para desenvolver e democratizar as tecnologias de comunicação nos países do Sul. A proposta, apresentada por Senegal, é apoiada por vários países africanos e organizações não-governamentais (ONGs). No entanto, a idéia foi rejeitada, em uníssono, pelos países que detêm as principais empresas de comunicação – e as patentes sobre sua produção: Estados Unidos, União Européia, Canadá e Japão.

Publicado em Porto Alegre 2003: 05/12/2003


dez 05 2003

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 08:54

[frase do dia]

da Márcia, num pega lá na lista da Turma-POA:

“Se a democracia gringa é tão boa, por que os americanos vivem querendo dá-la a seus inimigos e dão apoio às ditaduras dos amigos?”


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