dez 16 2003

tendências

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 08:33

Hernani escreveu:

Su, tua análise é muito conservadora. Vc se prende à realidade e esquece de mensurar as tendências. Não é noviadade que a sociedade tal como conhecemos e vivemos tem um velocidade de atualização surpeendentemente baixa. No entanto, os periodos (as ondas) devem ser mensurados a partir da ruptura. Assim foi com a revolução francesa e suas consequências; com a revolução industrial e o avanço do imperialismo britânico (e mais adiante o americano).
O cenário de ruptura se dá na sociedade da informação com o aparecimento do linux. Sua importância está no ‘desabrochar’ de um novo modo de produção. Nem comunista, nem socialista e, muito menos, capitalista. Estamos vendo o nascimento da colaboração. E, consequentemente, na administração de baixo para cima e na descentralização do poder. Eu, particularmente, quero pensar o que fazer com isso. A metafora nasceu deste novo paradigma, assim como, toda essa integração de blogs, sites e conversações.
abs
hdhd

Su responde:

Minha análise não é conservadora, justamente porque ela vê as tendências, mas as vê não de forma superficial e estéril. Ela tenta ir fundo e vislumbrar o que dá movimento as tendências. A essência da contradição.
Não acredito que o Linux signifique ruptura, mas , sim, significa tendência. A contradição reside na tensão da tecnologia, do conhecimento, da ciência entre polos de regulação e emancipação (aqui eu me socorro do Boaventura). O Linux, mesmo entendendo-o como símbolo do software livre, colaborativo, não é um modo de produção. O modo de produção onde emerge e sobrevive o software livre é capitalista, nas suas mais variadas nuanças.
Até por isso a luta é dura e sem tréguas.
Vejo grandes possibilidades, como você vê, no software livre, na colaboração, na não sei se consequente administração debaixo pra cima. Mas vejo estas coisas dentro da totalidade onde elas estão inseridas. Vejo com otimismo, antevejo os espaços de luta, penso com pensamento estratégico. Mas sem me desviar da crítica e da totalidade para não cair num ativismo alienado e inócuo.
O que fazer com todas estas possibilidades? Eu, também, penso sobre isso. Apenas não concordo que seja um novo paradigma, no sentido da ruptura. Ruptura para mim significa corte, abandonar o velho e assumir o novo. E isso não acontece. A dança das mercadorias continua.
Aqui, pode-se inserir uma crítica aos que vêem o deslocamento do foco do ‘produto’ para o ‘conhecimento’ no capitalismo atual. A meu ver não há modificação alguma entre a mercadoria-produto e a mercadoria-conhecimento no que se relaciona a visão de mundo que as definem e manipulam.

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