dez 30 2003

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 15:38

[here comes the sun]

O almoço foi para colesterol nenhum botar defeito, mas não deu sono. Consegui passar a limpo o que tinha escrito à mão ontem e anotar os pensamentos da caminhada.

Acho que acertei o meu esquemão.

Lá pelas 15h o sol apareceu e fiz um recreio lá pelo pátio. Aproveitei o impulso e dei banho nos cachorros.

O dia rendeu 🙂

Voltei para os livros até o pai chegar com a tartaruga. É, não chegava os gatos e cachorros, ele achou uma tartaruga das grandes na rua.

Virgínia já se instalou no meu matinho e já foi tirada duas vezes da piscina.

Hoje a noite começará o problema com as camas. Na última contagem, chegamos a conclusão que faltará uma.


dez 29 2003

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 19:36

[caminhando]

O céu continua nublado, mas o vento mudou. Nordestão forte, mar agitado. Ondas de um metro, mas com 2 segundos de intervalo. No surf, neh. Esta noite teve ressaca, pois a areia está molhada até perto das dunas.

Resolvi começar a minha caminhada por dentro, via farol norte. Fazia tempo que não passava ali. Está aparentemente em ordem de funcionar, mas não o vejo iluminando à noite.

Embora o vento forte, andei mais rápido que nos últimos dias. 🙂 Se seguir assim, em breve estarei correndo de novo.

Ainda não consegui bem sincronizar as passadas com o ritmo do pensamento, mas estruturei uma boa parte da dissertação nesta hora. Caminhar/correr sempre me rendeu ótimos insights.


dez 28 2003

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 19:28

[as distâncias]

Direto da redação do Jornal da Rua 4, ex-Zona Nova de Capão.

Nossa redação fica a 27min da Plataforma de Atlântida, direção Norte, em corrida lenta a uns 10 km/h. Ou à 27 min da frente do Hotel de Jardim Beira Mar, direção Sul. Ou, ainda, à 1h:02min do último campo de futebol (ao norte) de Capão Novo, direção Sul.

Perto de onde fica isso?

Hoje o dia não amanheceu por completo antes das 10h. Um restinho do vento polar ainda gelava o ambiente, trazendo à lembrança o som das rajadas na noite. A camada de ozônio ficou dormindo, pois com todo aquele cinza chumbo do céu, Rossana e eu voltamos vermelhas da caminhada.

Vento sul soprando à mil. Certinho como o pai tinha falado. Três dias de nordestão, depois vira e é chuva quase certo. Ele não é parente do cacique Cobra Coral, mas nasceu em algum lugar entre Maquiné e Torres.

O mar estava marron, bandeira preta e os salva-vidas de agasalho. Nenhum peixe entre a zona nova/ araçá e a praia seguinte. Nenhum volei no campinho aqui da frente. Decididamente devagar.

Meu projeto de abandono da vida sedentária dos últimos dois anos vai de vento em popa, literalmente. O mesmo não acontece com a minha dissertação, pelo menos na velocidade. Ainda não me adaptei aos horários, ao povo em volta e as tarefas extras.

Amanhã começa o retorno do povo para passarmos juntos para 2004. A coisa toda será bem familiar. Tomara que esteja sem vento para poder ser no pátio, mesmo.


dez 28 2003

histórias deste Natal

Categorias: rastrosSuzana Gutierrez @ 11:38

créditos: http://www.lawgirl.com/
[histórias deste Natal]

Não sei porque alguém precisa tirar a dentadura quando vai ao banheiro, durante uma festa. E fica difícil entender porque a pessoa sairia de lá sem ela. Pois foi o que aconteceu na nossa festa de Natal. Quem foi ao banheiro entre as 22h do dia 24 e a primeira hora do dia 25, teve de ficar encarando um certo sorriso que havia sido deixado sobre a bancada do lavatório.

O tal sorriso era uma presença tão viva, possivelmente um voyeur, uma certa ameaça odontológica, que algumas pessoas confessaram que colocaram a toalha sobre ele ao usar o banheiro. Uma coisa foi unânime: ninguém que que topou com a … prótese disse uma palavra. Não teve nenhum ser despreendido que viesse correndo com a coisa na mão e perguntasse:

-Quem perdeu!?!?

Na entrega dos presentes e nos abraços de Feliz Natal, entre vivas e sorrisos (claro) localizou-se o dono. Vô Dino, para infortúnio e gozação geral sobre o clã dos Larronda, sorria largamente sem nenhum centro avante na área. Até que, num dos abraços, a Rossana gritou: Vô, cadê os teus dentes?

O fato de não termos, por enquanto, crianças na família, fez com que demorasse mais para o assunto entrar na roda, mas, possivelmente, foi o que salvou a vida da dentadura.
(direto de Capão da Canoa, na hora do recreio)

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dez 27 2003

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 09:41

[direto de Capão da Canoa]

No dia 25 iniciei um post sobre a festa de Natal da família. Já estava lá por umas 15 linhas, quando a energia acabou e eu não tinha salvo nada. Me irei e não reescrevi. Uma hora destas me inspiro e tento de novo.

Estou postando de Capão da Canoa, nas pseudo férias tão esperadas. Não vai haver muita movimentação por aqui nos próximos tempos.
Resolvi trabalhar na praia, e, isso, tem seus prós e contras. Nos prós pode-se incluir: comida da mãe, a praia, o mar, o vento, o matinho que tem no pátio e que é meu escritório predileto. Nos contras: a louça, algo inacreditável, lavar roupa, faxina.

Este ano, minha mana precisou alugar sua casa que fica ao lado e, então, construiu uma cêrca no meio dos dois terrenos. Os cachorros ficaram desolados. Y’shana, que é cega, ainda continua dando de nariz na cêrca. E não adianta nem gritar, porque ela é surda, também. Sei lá quanto significa em anos humanos, 15 anos num cão.
Minha mãe já está iniciando um stress prevendo a queda da cadela na piscina e sua morte se ninguém ficar cuidando a coitadinha. De cinco em cinco minutos ela procura Y’shana, e não adianta lembrar que ela não adianta gritar. Minha leitura, não está sendo o que eu esperava…

Quero ver, também, o quanto de tempo que meu cunhado vai conseguir aguentar sem saltar a cêrca e pular na jugular do inquilino. Acredito que no primeiro churrasco feito no templo. Minha mana riu quando eu falei sobre isso na festa de Natal e disse que não se importava em ver os outros usando as suas coisas. Quero só ver quando a vizinha resolver lavar a bunda do nenê na bacia de maionese dela…

Este ano, depois de décadas, estaremos todos, entre idas e vindas na mesma casa. Morar junto com meu cunhado é algo assim como ser sunita e ter que morar numa aldeia shiita, ou vice-versa.
Para começar, como estou solteira, fui banida de meu quarto que é de casal e vou dividir o quarto com minha filha. As demais meninas foram para o quarto do Lucas. O Lucas e o Rodrigo para o quarto dos cachorros. Os cachorros para o depósito e resta saber com quem vão dormir as gatas.
Estou pensando seriamente em buscar minha barraca e me instalar no matinho.


dez 23 2003

é Natal …. quase

Categorias: rastrosSuzana Gutierrez @ 20:31

Estou aqui numa maré de papel colorido, etiquetas que não desgrudam, ou que grudam onde não deveriam grudar, um rolo de fita durex que desaparece de 2 em 2 minutos, uma tesoura que não corta e duas mãos que não servem para muita coisa, no sentido prendado da utilidade.
Pacotes deveriam poder ser feitos em html ou java e não com papel e fitas. Um dos poucos exames que peguei na época de colégio foi o de “Artes”.

Lembro especialmente um ano perverso, onde havia um guardanapo com figuras nos quatro cantos para bordar. Cada uma mais difícil, cada uma com uma forma diferente de usar a agulha. Eu já começava me atrapalhando para por a linha na agulha, que dirá seguir os desenhos.
A coisa foi ficando tão horrorosa, que eu chorava, me espetava, costurava minha roupa junto no tal guardanapo. Ao final, ele parecia ter saído de um campo de batalha, manchado de lágrimas e sangue, com desenhos que pareciam de alguma seita secreta e não singelos legumes. Ainda por cima, trazia pendurado, atrás, um pedaço do meu pijama. Entre desmarchar o bordado e cortar o pijama escolhi a segunda opção.
Infelizmente, a professora não valorizou muito o meu esforço…

Hoje, tentando fazer pacotes, lembrei do infortunado guardanapo.
Logo de início vi que havia cometido um erro de planejamento. Comprei coisas redondas, cilíndricas e com formatos indefinidos. Os pacotes começaram a parecer o meu guardanapo, com excessão do sangue.
Em alguns presentes, tentei colar o papel nas caixas. Pelo menos eles não se desmanchavam. Poderia até parecer um efeito … pós- algumacoisa. Em outros, desisti e colei um cartãozinho de Feliz Natal com o nome da víti, digo, do presenteado e era isso.
Empacotei só o que era quadrado ou retangular.

Enfim, lá estão eles, coloridos, sobre o sofá, esperando a meia noite de amanhã. É, sobre o sofá, mesmo. Família que tem um cão que mais parece ser filiado a UDR, tal seu apego ao território, não pode por nada de diferente no chão.

Mas no ano que vem, prometo começar mais cedo e prometo não comprar nada que não seja quadrado ou retangular.

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dez 23 2003

mais leituras

Categorias: academia,educação,pesquisaSuzana Gutierrez @ 07:10

.::. A educação é bem público, artigo de Wrana Panizzi

Com base nos princípios do mérito e da liberdade acadêmicos, a Universidade produz conhecimento, C&T, arte, cultura, identidade, riqueza material e valores que não beneficiam só o diplomado, mas a sociedade. Essa obra não pode e não deve ser financiada por indivíduos, mas pelo conjunto da sociedade.

Wrana Panizzi, professora titular do Depto. de Urbanismo e reitora da UFRGS e presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Educação Superior (Andifes). Neste artigo, ela responde à pergunta da ‘Folha de SP’ – ‘Deve-se instituir uma contribuição social para o ensino superior?’
:: segue

.::. Biblioteca Digital reunirá produção científica do país

Universidades do Rio se integram ao projeto

Toda a produção científica de teses e dissertações do país será concentrada na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Informação em C&T (Ibict), vinculado ao MCT

No Brasil são produzidos anualmente cerca de 30 mil trabalhos científicos. O sistema de informações já tem em seu banco de dados quatro mil dissertações e teses da USP, UFSC e PUC-Rio, as três primeiras Universidades a se engajarem no projeto.
:: segue

.::. Relatório traça rumos da pesquisa no país

Duas instituições federais de apoio à C&T estão revendo conceitos e estudando ajustes estruturais para atender melhor à demanda pela pesquisa no país

As ações serão baseadas em relatório que a Comissão Interministerial para o Desenvolvimento da Pós-Graduação e da Ciência e Tecnologia entregou para a Capes e o ao CNPq no dia 10 de dezembro.

O documento aponta a necessidade de se retomar a reclassificação das áreas do conhecimento, o que deve ser feito de janeiro a julho de 2004.
:: segue
:: mais informações: Relatório no CNPQ

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dez 23 2003

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 06:49

[boas leituras]

Para movimentos sociais, país deve direitos fundamentais
Maurício Thuswohl – 22/12/2003
O primeiro ano da experiência histórica de um governo de esquerda no Brasil se aproxima do fim sem ter dado sinais de reversão do grave quadro de violação do direito humano ao trabalho, à terra e moradia, à educação e à soberania alimentar.
(leia mais)

Tratado com EUA ameaça soberania do Chile, diz Stiglitz
Marco Aurélio Weissheimer
Para o prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz, Chile não obterá livre acesso aos mercados dos EUA, assim como o México também não obteve, no caso do Nafta. Pesquisa revela que cerca de 1,2 milhão de chilenos estão vivendo em situação de extrema pobreza.
(leia mais)

Perspectivas – Fantasmas de Ruanda
Maurício Thuswohl
Primeira cúpula da ONU sobre a sociedade da informação preferiu ignorar os temas mais sensíveis a serem discutidos no encontro, como a criação de mecanismos para diminuir a exclusão digital que ainda assola 86% da humanidade.
(leia mais)

:: fonte >>> Agência Carta Maior – 22/12/2003


dez 22 2003

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 15:55

[sgt. pepper’s lonely hearts club band]
por Nemo Nox

Em 1967, os Beatles lançaram seu mais ambicioso trabalho, que marcaria não só sua carreira mas todo o panorama da música pop e da cultura daquela década. Apesar de ser uma extensão natural de seu disco anterior, Revolver, este novo álbum trazia uma coleção de conceitos inéditos. Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band é até hoje um monumento à inovação e ao espírito revolucionário dos anos sessenta.
Conta a lenda que …..

:: se quiser saber, leia no Burburinho


dez 22 2003

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 12:12

[Location-aware Devices, Privacy, and UI Design]

Dispositivos e serviços de localização mostram que a tecnologia possui tendências contraditórias. Ao mesmo tempo em que auxiliam a localizar serviços, lugares turísticos ou amigos numa certa região, podem denunciar a sua posição para chatos de plantão, marketeiros ou, em piores hipóteses, assaltantes e governos totalitários.

:: Artigo de Howard Rheingold, no The Feature. (inglês)


dez 21 2003

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 10:17

[Carlos Nelson Coutinho: “O governo Lula é de centro direita”]

Capturado no excelente Comunicação, Cultura e Política, blog de Denis de Moraes, a entrevista de Carlos Nelson Coutinho ao JB. Abaixo uma provinha:

JB: A expulsão da senadora Heloísa Helena é a gota d’água a transbordar o copo dos que criticam os rumos do atual PT?

CNC: Trata-se precisamente disto, da gota d’água. Na verdade, não estamos nos afastando do PT, Milton Temer, Leandro Konder e eu, apenas por causa da expulsão da Heloísa e de outros companheiros. Começou há algum tempo a nossa sofrida reflexão sobre as transformações experimentadas pelo PT, que vêm ocorrendo já bem antes da sua chegada ao governo federal. Essa reflexão nos levou à constatação de que há graves processos involutivos no Partido. Foi muito doloroso para nós tomar esta decisão, depois de 14 anos de militância e de dedicação ao Partido.


dez 19 2003

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 19:49

World as an Aggregator

Outro aplicativo demo. Um visualizador geográfico de subscrições de RSS. Coloque uma URL endereçando para seu arquivo de feeds subscritos e ele mostrará no mapa os sites (somente os que forem visualizados no World as a Blog.

[Brain Off]

:: Para testar de uma espiada nas minhas subscrições: http://planeta.terra.com.br/educacao/Gutierrez/subs.opml (copie esta URL e cole lá)


dez 19 2003

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 12:05

[PHASE 5]

Meu amigo Rafa, que aguenta, com o maior bom humor, todos os meus htmlstress, mandando ver no show da PUC, com a Banda Phase:


clonada direto do blog dele >>> ]Darkman[


dez 18 2003

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 16:03

[enquanto isso, em alto mar]

:: nossa conversa que tem rendido tantos textos, vais e voltas, em vários blogs, fica parecendo papo entre os mariscos que se apegam entre as pedras e o mar.

Racha em Genebra

Encontro global sobre mídia posterga democratização da internet e Fundo de Solidariedade Digital. Ponto positivo foi a união entre ONGs e países empobrecidos
Daniel Merli

Ficou para 2005… Encurralados por uma nova aliança entre organizações não-governamentais (ONGs) e os governos do Sul do planeta, os países e empresas que controlam a maior parte dos meios de comunicação jogaram para frente as principais decisões da Cúpula da Sociedade da Informação, encerrada este domingo, em Genebra. A disputa vai prosseguir nos próximos dois anos, desembocando na segunda fase da Cúpula, na Tunísia, em 2005.

O ponto positivo foi a coesão das ONGs que participaram do encontro organizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela União Internacional de Telecomunicações – que une empresas do setor e governos. Foi a primeira reunião da ONU em que, além dos diplomatas de governos, as ONGs puderam participar das decisões. ”Em sua primeira participação real num encontro da ONU, a sociedade civil soube constituir-se em uma força unida em torno de algumas propostas, apesar da extrema diversidade de seus componentes”, analisa o especialista em comunicação Armand Mattelart, em artigo para Le Monde Diplomatique. segue – fonte: Planeta Porto Alegre

:: mas no lado da luta:

Software livre será usado no combate à violência urbana

Maurício Hashizume – 17/12/2003

Brasília – O Terra Crime, software livre – com código aberto e não-proprietário – de geoprocessamento que controla e monitora os atos criminosos por meio do registro e cruzamento de dados relativos ao espaço e ao tempo em que se deram, é a mais nova “arma” do Ministério da Justiça (MJ) para enfrentar a violência urbana.

Lançado esta semana pelo ministro Márcio Thomaz Bastos e pelo secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, o Terra Crime, que será distribuído gratuitamente a órgãos de segurança pública das cidades brasileiras interessadas, foi criado para ser uma ferramenta central no planejamento de políticas de segurança pública e estratégias de ação operacional em níveis geográficos diferenciados (desde uma determinada rua até o país como um todo), orientando o processo de distribuição de recursos e contribuindo para que a intervenção policial seja mais precisa e ágil.
[…]
Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, está utilizando o Terra Crime, como projeto piloto, desde o mês passado. Apesar dos pré-requisitos para que o software seja implementado, como a informatização das ocorrências policiais, técnicos da Senasp já identificaram 35 cidades em 18 Estados com potencial para instalar o programa, entre elas Rio de Janeiro, Manaus, São Paulo, Brasília, Fortaleza, Belo Horizonte, Cuiabá, Goiânia e Campinas. (ler todo o artigo – na Agência Carta Maior


dez 17 2003

continuando…

Categorias: sem categoriaSuzana Gutierrez @ 07:05

Paulinho disse:

“A ruptura existe ali e acolá. Fazem parte de esforços para tentar algo novo. Tabadotupi é uma tentativa. Dpadua escreveu tbm sobre Sociedade da Partilha. Eu há tempos falo nisso. Hernandi fala sobre colaboração, ética hacker, piratas. Dalton toca os projetos do MetaReciclagem. Felipe com o Liganóis. Etc

Creio que cada um leva sua visão e tenta aglutinar pessoas em volta de suas ações descentralizadas.

O risco que cada um de nós corremos é de não acertar, de achar que estamos mudando algo quando na verdade estamos inseridos no mesmo sistema que criticamos. Esse é um risco. Vc alertou há algum tempo com aquela fábula da ribeirinha.
Acho que a inteligencia coletiva em seu contexto de vários cérebros colaborando é uma boa ajuda. As listas de discussões, os blogs, os comentários e todas as conversações que emergem nesses meios ajudam a cada um a repensar seus próprios pontos de vista e chegar em novas idéias ou percepções da realidade.

Tbm acho que a ruptura real ainda não aconteceu… talvez nunca aconteça. O que vale é tentar.”

Hernani continua:

“Su, continuo achando tua analise equivocada. O linux não é exemplo de software livre. Exemplo é o apache… o linux rompe o paradigma do modo de produção capitalista, burguês, protestante, industrialista, imperialista e o escumbau. Mas não é perfeito. Tem suas contradições… logicamente.”

Raquel, entrando na roda:

“Vou interferir com a minha colher torta: Su, sou obrigada a concordar com o Hernani. Eu realmente acho que o modo de produção do linux e a sua persistência enquanto ferramenta colaborativa, “idealista”, com pessoas que trabalham de graça só por amor à camiseta e o fanatismo quase religioso dos linuxers aponta sim, para uma ruptura. Essa ruptura é também, como já foi falado, passa por comunidades virtuais, blogs, webrings e TAZ (que eu não acho que seja sinônimo de tudo isso). Essa ruptura é, justamente, o que ninguém esperava: De repente, no seio capitalista selvagem, do nada, surge um trabalho colaborativo e cooperativo mundial que dá certo.

O Castells desenvolve muito essas idéias num capítulo em que ele fala da ética hacker no livro novo- A Galáxia da Internet. Ele acredita que a Internet, por ter surgido numa confluência meio estranha, cheia do liberalismo dos anos 70, o idealismo da contra-cultura, as revoluções e o movimento punk, é capaz de gerar essas rupturas por conter e por conter em si essas contradições.”

Su, seguindo o rastro:

Quando eu falei que “O Linux, mesmo entendendo-o como símbolo do software livre, colaborativo, não é um modo de produção.”, falei entendendo “modo de produção” no sentido abrangente, pois estava falando de um todo hegemônico social, político, econômico, cultural. Disse que o Linux era símbolo (não exemplo) do software livre, pois, neste assunto é referência, é associação de idéias.

Hernani, o Linux não rompe o modo de produção capitalista, burguês,… porque ele é produzido dentro do sistema dominante que é este, num processo de elaboração (criação) diferente, mas que não altera a lógica sistêmica. Seu processo de elaboração é tendência, assim como a Internet, que a Raquel coloca tão bem, é. Condição de possibilidade de práticas diferentes que possam se disseminar. Pode levar à uma ruptura? Acho cedo para dizer.
Máquinas usando Linux , empresas produzindo Linux, operam no modo de produção capitalista e servem perfeitamente aos seus objetivos de produção social e apropriação privada.

Concordo com a Raquel, pois ela coloca as coisas de modo diferente. Ela usa modo de produção no sentido de forma de criar, elaborar, de processo. E, isso, é esperança de criar espaços de ruptura. Falo esperança, porque as próprias contradições envolvidas não permitem ir além da tendência.

Concordo com o Paulinho: “a ruptura existe aqui e acolá”. E acrescento: quem dera como vírus que se espalhe e não como apenas guetos.

Em muitos aspectos temos as mesmas idéias. E penso que é importante esta partilha, como estamos fazendo aqui, para o avanço nestas fissuras em que tentamos fazer germinar algo novo.
Entendo que o conhecimento, a ciência e a tecnologia são bens humanos, que devem ser construídos de modo a vir ao encontro dos interesses da humanidade e ser de livre acesso e utilização por todos. Acredito que é importante o nosso engajamento na luta para manter e conquistar a liberdade e a autoria dentro destes espaços que se abrem.

O que eu pontuo, e foi o início da minha intervenção, é que, neste processo, não esqueçamos a totalidade onde estamos inseridos ao criar, estudar, mobilizar, valorizar os espaços de luta. Não negligenciemos as contradições. Justamente, e aí concordo de novo com o PR, para não cairmos no risco de pensar estar mudando alguma coisa, quando apenas estamos legitimando o que aí está.


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